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O cartaz do Iniciativa Liberal diz que precisamos de educação

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O Iniciativa Liberal afixou este escrito algures, possivelmente na capital, pois é lá que se tomam as decisões importantes. O cartaz tem o propósito de apelar à abertura do ensino presencial no país, - cada escola fechada é um muro erguido - mas por instantes eu pensei que era só para abrirem as escolas do British Council , o Cambridge e o Wall Street ! Educação deve ser saber inglês para poder entender o que está escrito no muro. Derrubemos as escolas fechadas. São muros que nos deixam aceder à educação. O  autor do cartaz, que deve gostar dos Pink Floyd, não resistiu ao uso da grafia aproximada à do álbum e à língua inglesa. Tudo desnecessário. Os tijolos da parede da canção dos Pink Floyd representavam o sofrimento dos alunos das escolas autoritárias às mãos dos professores considerados agentes do sistema opressor. Quem conhece a canção pensa nisso e fica meio confuso. Outra interpretação: será que o autor do cartaz está contra o uso do inglês? Precisamos de educação, derrubemo...

O indecente ombro nu de Tracy Brabin

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Secretária da Cultura, Tracy Brabin, e o indecente ombro nu. A mulheres estão sempre tramadas. Não concordam? Estão sim. A história dá muitas voltas, mas não passa do mesmo sítio confuso onde sempre esteve: nós mesmos. Parece até que valeu a pena a Emily Davison ser apanhada pelos cascos do cavalo do rei, o Anmer, na pista de Epsom , em Inglaterra, em 1913: as mulheres afinal, votam, votam lá e votam cá. Estão no Parlamento lá e cá.  Ambos os países até já tiveram primeiros-ministros do sexo feminino. Fantástico. Perfeito! Não sei ao certo quando li sobre a morte de Davison a primeira vez, possivelmente quando tive de preparar formação sobre os direitos das mulheres no mundo. É possível que este episódio seja vosso conhecido,  tenha aparecido naquele filme, As sufragistas,  estando presente, mas não vi o filme. Mas, em todo o caso, resumo. São dadas várias interpretações do sucedido: que ela se tinha suicidado no Derby, gritando sufrágio no momento crucial, p...

Devemos ou não "deportar" todas as nkisis para África?

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Acho esta explosão de repúdio pela proposta de Joacine por muitas pessoas que habitualmente depreciam a cultura africana, considerando-a inferior à nossa, encantadora. Quando terá sido a última vez que o líder do PNR ou do Chega foram apreciar as nkisis ao Museu de Etnologia? Já viram selfies deles com elas? Eu não. Surpreenderia, de facto, sempre tão unidos na defesa do homem branco e da cultura ocidental, que sentem estar a ser atraiçoada por Joacine. Não deviam antes estar aliviados por ela os querer livrar desses incomodativos artefactos primitivos? Quantas vezes leio, sobretudo no FB, sobre a superioridade da nossa cultura sobre todas as outras pelos seus acólitos? Agora espumam porque alguém ousou sugerir que as peças sejam devolvidas à procedência? Talvez fossem mais brandos se a sugestão fosse antes vendê-las como a história da nkisi de Faro vagamente sugere, não? Vi uma nkisi no Museu Santos Rocha, na Figueira da Foz, há muitos anos, e quando cheguei a casa desenhei-a dive...

Joacine não tem um problema

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Joacine Twitter Passei ao largo da maior parte das polémicas relativas às últimas eleições legislativas. Nem sequer me dei ao trabalho de ler metodicamente sobre o assunto ou de seguir debates dos seus principais intervenientes pois o meu sentido de voto já estava formado e nada o iria alterar. Mas, mesmo assim, fui-me inteirando e apercebendo dos habituais episódios, uns mais relevantes que outros, alguns sobretudo caricatos, que começam antes, se prolongam durante a campanha, e não terminam antes da tomada de posse do novo governo eleito. Uma das empolgações da campanha foi a fantástica afirmação de que a Joacine gaguejava para conseguir vantagem mediática. Escapava-me que sentido isso fazia nas cabeças de quem tanto pelejava por essa ideia, mas algum devia fazer e não era para poucos. Quem assim falava, ou escrevia, não parecia ser gago. E mesmo depois de alguns entendidos na matéria da gaguez se terem vindo pronunciar sobre o "caso Joacine", continuavam aqueles, a...

O mais célebre episódio das campanhas eleitorais portuguesas

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Fotografia de Rui Ochoa Esta manhã, Cristas andou a atacar (verbalmente) o Presidente do Parlamento por causa de Tancos, acusando Ferro Rodrigues de estar a proteger o PS e o Governo. Tudo por causa da reunião da comissão permanente que ficara adiada para depois das eleições por decisão da "maioria do costume", como disse Fernando Negrão (PSD). Ao fim do dia, no Porto,  o karma devolveu em dobro: foi quase, quase atacada fisicamente por uma mulher do norte, e de lá levou, de regresso a Lisboa, uma ovação à moda do Porto. A mulher protestava contra o anterior Governo, a que Cristas pertenceu, e as medidas de austeridade de então. Ora, isto aconteceu bem pertinho da rua de Santa Catarina: a mulher aproximou-se de Cristas aos gritos, empurrando-a. Alguém conseguiu afastá-la antes que ela se lançasse aos cabelos da líder centrista e acabassem no chão a rabear. A mulher terá ainda chamado "ladrões" aos centristas,  com palavrões à mistura, o que é próprio do colori...

Em memória das vítimas de Tiananmen

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Foto Tank Man tirada por Jeff Widener - fonte Documentário sobre a histtória da fotografia Passaram 30 anos sobre aquela Primavera. Uma centena de jovens entraram em greve de fome. Semanas depois, vários milhares de estudantes concentraram-se em Tiananmen, a Praça da Paz Celestial, na China, e ao longo de 6 semanas apelaram ao início de um processo de maior abertura política por parte do governo marxista-leninista liderado por Deng Xiaoping desde a morte de Mao, em 1976. Na madrugada de 3 para 4 de Junho foram dispersados a poder de balas, tanques e blindados, contra os quais bramiram os paus que anteriormente ostentavam bandeiras e panos com gritos de liberdade, abaixo a corrupção, democracia, e tubos de tendas onde se tinham abrigado. A estátua da Deusa da Liberdade, 10 metros de papier-maché e cola, foi destruida pelos soldados  como se de manteiga. Desde então que o governo chinês tem sido diligente a enterrar  o "motim contra-revolucionário" - o "Liu Si...

Copo menstrual reutilizável é o futuro? Leia e decida

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O " Ruby Cup " é uma das marcas existentes  no mercado norte-americano Há talvez dez anos que o PAN anda a tentar cativar o voto dos portugueses. Numa fase inicial eram apenas um partido exótico na fauna dos partidos políticos. A verdade é que muitos continuam a pensar que "a vida do humano mais asqueroso vale mais do que a vida do animal doméstico de que mais gostamos. Sempre." É uma frasesinha radical do comentador Daniel Oliveira. No radicalismo nada se ganha e tudo se perde. Os defensores mais radicais dos direitos dos animais são acusados com frequência de relativizar os direitos humanos ao negar que estes sejam um predicado exclusivamente humano. Os homens teriam direitos inalienáveis e inatos, os animais, não. Nunca. É uma guerra animalesca, esta, entre os que defendem que os animais podem ter direitos e os que o negam a pés juntos. Para estes, apenas os homens têm direitos e deveres, e se um animal não pode ter direitos - e deveres é que não tem ...

A moda do politicamente correcto

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"A semântica pós-moderna politicamente correcta (ou Como é belo o socialismo em Portugal) Para uma certa esquerda norte-americana dos anos 60 ficava mal chamar negros aos negros e índios aos índios. Passaram a "afro-americanos" e "nativos americanos". Assim começou a moda do politicamente correcto. Em Portugal a revolução semântica iniciou-se há alguns anos, pela promoção das "criadas de servir" a "empregadas domésticas" (actualmente auxiliares de apoio doméstico) e dos "empregados" (de comércio e serviços) a "colaboradores". Lentamente estabeleceu-se o novo léxico das profissões consideradas menores; os carteiros passaram a técnicos de distribuição postal, os caixeiros viajantes a técnicos de vendas, as meninas dos correios a técnicas de exploração postal, os jardineiros a técnicos de manutenção de espaços verdes, os varredores a técnicos de higienização urbana, os estivadores a técnicos de manipulação e deslocaç...

O Parlamento ainda não é o salão de beleza da nação

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A fotografia da deputada do Partido Socialista, Isabel Moreira , a pintar as unhas, já deu a volta à internet. Era assunto que estava disposta a considerar como "não-assunto" até ter ouvido uma conversa num café, em Leiria. O momento artístico foi registado no primeiro dia de discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2019, na sala do plenário da Assembleia da República. Escolhi um texto informativo ao acaso, no caso, este , do DN, para trazer aqui, e já agora leiam também alguns dos comentários feitos a este propósito onde se registam reacções contra o comportamento da deputada: "Interessante. O quarto orçamento seguido sem inconstitucionalidades e que repõe direitos e rendimentos, e o máximo que os direitinhas conseguem é... escandalizar-se com unhas." ou "Não vejo qual o problema... muitas mulheres o fazem nos seus serviços e não vem mal ao mundo por aí... deixem de inveja!" ou "Quando estiver a gritar pelos direitos das mulheres...