A língua portuguesa e o género. "Querides alunes", Por Cláudio Moreno
"Querides alunes" Vários leitores escreveram para saber o que penso da polêmica causada pelo Liceu Franco-Brasileiro, tradicional colégio particular do Rio de Janeiro, quando comunicou aos pais dos alunos a decisão de incentivar o que chamam de "linguagem inclusiva", adotando para isso “estratégias gramaticais de neutralização de gênero" [sic]. A intenção, segundo o comunicado, seria combater o machismo e o sexismo representado, por exemplo, pela regra que impõe o uso do masculino plural para designar grupos mistos de homens e mulheres, substituindo a desinência O ou A por um E neutro — daí a curiosa expressão do título. Este é um tema que já apareceu várias vezes durante os vinte anos em que escrevo esta coluna. Sei que piso em gelo fino, mas sou obrigado, como das outras vezes, a demonstrar a falha cabal desta iniciativa, por mais bem intencionada que ela possa parecer. Em primeiro lugar, a teoria em que essa proposta se baseia não se sustenta em pé. É a fa...