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Fábula: O velho, o rapaz e o burro. Desenhos de Almada Negreiros

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O mundo ralha de tudo, Tenha ou não tenha razão, Quero contar uma história Em prova desta asserção. Partia um velho campónio Do seu monte ao povoado, Levava um neto que tinha O seu burrinho montado. Encontra uns homens que dizem: — Olha aquela que tal é! Montado o rapaz, que é forte, E o velho trôpego a pé. — Tapemos a boca ao mundo —, O velho disse: — Rapaz, Desce do burro, que eu monto, E vem caminhando atrás. Monta-se, mas dizer ouve: — Que patetice tão rata! O tamanhão de burrinho, E o pobre pequeno à pata. — Eu me apeio —, diz prudente O velho de boa-fé, — Vá o burro sem carrego, E vamos ambos a pé. Apeiam-se, e outros lhe dizem: — Toleirões, calcando lama! De que lhes serve o burrinho? Dormem com ele na cama? — Rapaz —, diz o bom do velho, — Se de irmos a pé murmuram, Ambos no burro montemos, A ver se inda nos censuram. Montam, mas ouvem de um lado: — Apeiem-se, almas de breu, Querem matar o burrinho? Apost...

Explicações detalhadas

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Fonte Mostrei minha obra prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes dava medo. Responderam-me "Por que um chapéu daria medo?" Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elefante. Desenhei então o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem entender melhor. Elas têm sempre necessidade de explicações detalhadas. ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY

Bichinho de conta, e outros poemas de Sidónio Muralha

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Bichinho de conta Bichinho de conta conta… E o bichinho de conta contou que um dia se enrolou e parecia um berlinde pequenino de tal maneira que um menino de brincadeira com ele jogou… Bichinho de conta conta… E o bichinho de conta contou. Cãozinho Eu tenho um cão muito pequenino que me cabe na mão e não é ladino... Só se põe a correr se o seu menino lhe mexer... Não come carne nem peixe mesmo que o deixe... Nem trinca chocolates e bolos como os cães tolos... Nem come sopinha por mais que lha dê... E não bebe leite antes que se deite na sua caminha... E que coma açorda ninguém se recorda... Nem papa farinha... E sabem porquê? Ninguém adivinha? -- é que o patetinha é um cão de corda. Joaninha A joaninha bonita que mora a meio do caminho da rua das violetas tem um vestido de chita todo ele encarnadinho e cheio de bolinhas pretas. E quando a gente lhe diz: -- «Joaninha voa, voa, não me digas que tens medo, se voas serás...

Bichos, bichinhos e bicharocos, de Sidónio Muralha

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Bichos, bichinhos e bicharocos + CD, de Sidónio Muralha, é um livro especial. Lançado pela primeira vez em 1949, foi reimpresso pela Althum.com com uma nova capa e saíu de novo para as livrarias em 2011. A partir de 21 de Janeiro fica disponível a edição com CD. Para quem nunca viu nem ouviu falar deste livro, talvez as palavras de Lobo Antunes sejam melhores do que as minhas para ficarem curiosos: «Nada sei da história deste livro, que tem mais ou menos a minha idade. Sei apenas que é um livro maravilhoso, escrito a seis mãos sobre oito bichos e uma estrelinha, que é uma espécie de bichinho no céu, porque tem, assim me ensinaram, luz própria e cintilante." A obra é composta por nove poemas cheios de lindos jogos de palavras. São dedicados a oito animais e uma estrela desobediente: Bichinho de Conta, Papagaio, Estrelinha, Pato Marreco, Cãosinho, Joaninha, Macacos, Sapo Sapinho e Grilos e Grilões. Talvez quem lê estas linhas se lembre destes versinhos: "O papagaio é,/É, ...