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A costureira

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Esta fotografia dá pano para mangas, tanta coisa que nela se pode ler e refletir. Mas fez-me, em particular, recordar um momento, lá pelos meus 13 anos, de menina prendada. Já sabia coser à máquina e decidi fazer umas calças compridas num tecido acinzentado que sobrava lá por casa. Só porque via a minha mãe costurar achei que era capaz, coisa fácil, bastava fazer e depois seguir o molde, prender com alfinetes o tecido esquivo, cortar, alinhavar, chulear e depois fazer correr o pano sob o calcanhar metálico da Oliva. Não estava era preparada para certas exigências de finalização, por exemplo, inserir o fecho de correr na abertura frontal, ou casear a casinha do botão do cinto. Já não recordo como ultrapassei esses desafios, mas antes deles, foi preciso fazer esse dito cinto. Já volteava ao espelho envergando a minha obra de costura e estudava a marcação das bainhas em cada perna quando tomei consciência de que não fazia ideia de como marcar a minha linha de cintura na peça. Talvez o mol...

José Joaquim Gomes Canotilho: um professor às direitas

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(Texto escrito em 29 de Novembro de 2004, recuperado de um blog extinto) Ontem, cheguei a casa e atirei-me para o sofá, puxando para junto mim um montinho de jornais destinados ao lixo. Num deles e na última página (Jornal de Coimbra) vinha a fotografia do Prof. Dr. José Joaquim Gomes Canotilho, há um ano distinguido com o Prémio Pessoa, e umas extensas colunas de elogios. Este senhor foi meu professor em finais dos anos 80. Olhando a fotografia, os olhos de um azul perscrutador parecem-me a única coisa que não mudou naquele rosto. Isso fez-me olhar para o espelho da parede inadvertidamente, como se para verificar o quanto em mim mudou, inevitavelmente, também. Aquele professor era intocável, mas no bom sentido. Nunca ouvi uma voz erguer-se contra ele enquanto fui estudante. Quando soube do Prémio fiquei contente. Desde que deixei a faculdade nunca mais o voltei a ver, nem na televisão, onde talvez algumas vezes tenha aparecido, como por vezes aparece Jorge Miranda. Estou tão dista...