12/11/19

The Divine Comedy: Office Politics Tour em Coimbra


"Ge-ner-a-tion SEX, respects, the rights, of girls, who want to take their clothes OFF, as long as we can all WATCH, that's O-KAY."

É estranho que ao longo de 13 anos de blogue eu nunca tenha escrito nada de substancial sobre um grupo tão constante na banda sonora dos meus dias: The Divine Comedy. Liderados por Neil Hannon, são uma banda irlandesa (Enniskillen) criada em 1989. Passaram há dias por Portugal onde se apresentaram em Lisboa, (Aula Magna) Coimbra e Braga no âmbito da digressão europeia de apresentação de Office Politics, álbum saído em Junho. Fui vê-los ao Teatro Académico de Gil Vicente, no dia 8, com inveja de quem comprou bilhete para Braga em virtude da beleza da sala onde actuaram, o Theatro-Circo.

A primeira vez que os vi foi menos que ideal, uma multidão de estudantes entre mim e o palco. Terá sido numa Queima das Fitas, em Coimbra, no Parque da Cidade, lá pelo ano 2000 e picos. Todavia, plateia e balcão do TAGV, em Coimbra também, que não devem ultrapassar os 800 lugares, dão-nos a ideia de estarmos a assistir a um pequeno concerto num clube e é essa, quanto a mim, a atmosfera ideal para desfrutar das canções dos Divine Comedy. Desta vez estava a escassos metros do teatro de operações, ou melhor, do escritório.

Comecei a ouvi-los em Liberation, o álbum de 1993, e continuo. Curiosamente, é deste Liberation que saiu o tema que Neil escolheu para abrir o concerto em Coimbra, Europop , uma canção onde se ouve o sintetizador que marcou a música desses e anos anteriores, um elemento estranho num disco de sonoridades instrumentais quase barrocas, harpas e violinos, e que parece ter cativado Neil de novo, neste Office Politics, inspirando-o. Lê-se por aí que lhe ofereceram um de presente e assim, fruto do acaso, se renovou o interesse.

No palco esperava-nos o cenário de um escritório apetrechado com alguma da tecnologia dos anos 80, que hoje consideramos ultrapassada: um grande relógio analógico na parede, um telefone que na mão do teclista, a dada altura, se transformou num shaker - havia festa no escritório! - um enorme monitor branco de computador sobre uma secretária e respectiva cadeira de plástico, onde Neil se sentou por duas vezes simulando escrever. O vocalista apareceu em palco com um fato e gravata estampados com o padrão da mira técnica que víamos em tempos na TV, camisa negra e sapatilhas. Esperava um aspecto mais sombrio e aplaudi a surpresa. O look casava idealmente com aquela canção bem pop, onde ele afirma que o lucro é coisa boa mas que o prazer transitório que trás conta, afinal, bem pouco.

Nos anos 90 o meu grupo de amizades não era receptivo aos meus elogios sobre os Divine Comedy que quase todos consideravam eivados de teatralidade e com música e letras demasiado pomposas para seu gosto pop. Pior quando Neil Hannon resolveu convocar uma orquestra! Mas já então eu adorava descobrir, por exemplo, um poema de William Wordsworth musicado nas faixas, o namoro com a cultura francesa e filmes europeus, as muitas piscadelas literárias. O segundo álbum da banda chamou-se Promenade e é um passeio por letras fantásticas. Foi com ele que de imediato vi Neil como um grande contador de histórias - que continua em forma em Office Politics - e compositor de ambientes. Deste disco ouvimos, já no encore, Tonight We Fly, a última canção da noite, um hino ao melhor que a vida tem, em formato acústico, a banda reunida em torno do seu emblemático vocalista. E assim saímos do teatro a voar de contentamento, porque além de termos escutado as canções novas pudemos recordar bastantes canções que nos acompanharam ao longo de 30 anos de carreira da banda, algumas das melhores de cada disco, To the Rescue, a melhor de Foreverland, A Lady of a Certain Age, a melhor canção do CD Victory for the Comic Muse. Outras canções menos recentes como Absent Friends , To Die a Virgin, ou o grande êxito Becoming More Like Alfie também fizeram parte do alinhamento.


Uma curta primeira parte a cargo dos Man and The Echo, quarteto de Warrington, foi bastante divertida, os músicos empenhados, sendo quase certo que são fãs da banda. Enquanto os Divine Comedy não chegavam ouviu-se música electrónica, um prenúncio do que o álbum é também, uma experimentação onde os sintetizadores competem com a pop rica e orquestrada a que os Divine nos  habituaram.

Descobrimos que Generation Sex, do álbum Fin de Siècle, continua a ser uma grande canção que muita gente nova terá cantado sem saber que há nela uma referência à morte da princesa Diana, lembrando a perseguição do seu Mercedes no túnel de Alma e o luto de toda uma nação, que, todavia, não deixou de comprar os jornais que vivem saudavelmente destes infortúnios. A rapariga do comboio, em Commuter Love, que não tem auscultadores, como todas as outras, e que lê autores franceses, e o solo de guitarra, também desse álbum, continuam a intrigar os novos ouvintes como então. Songs of Love, em formato acústico, ficou também para o encore onde as harmonias vocais surpreenderam. Sei toda a letra de cor e obviamente não deixei de cantar o tema da série televisiva Father Ted!

Neil foi cantando, de forma descontraída, acompanhado-se da sua guitarra branca, ora sem ela, sempre com uma boa prestação vocal, usando, possivelmente, a única palavra portuguesa que sabe - obrigado! - e destilando charme discreto e comentários espirituosos. E num momento em que o arrumador de sala, escrupuloso, lembrava uma fã que não podia filmar, apontando-lhe a lanterna luminosa, irrompeu "Deixa-a filmar, deixa-a fazer o que ela bem quiser. Mais tarde eu já vos direi qual a minha opinião sobre essas vossas máquinas."- sendo depois forçado a improvisar a letra que esquecera, fruto da interrupção, arrancando risos e aplausos a um público rendido. Conseguiu que toda a sala - completamente heterogénea - batesse palmas à sua solicitação, não foi difícil, e se levantasse para dançar três temas seguidos: At the Indie Disco, - do álbum Bang Goes The Knighthood, - altura em que balões fizeram a sua entrada em palco e chapelinhos tolos tomaram conta das cabeças dos músicos, -  I Like - que também pertence a esse disco - e National Express, que terminou em grande euforia.

As canções do novo álbum Office Politics - um duplo álbum de 16 canções - foram surgindo, naturalmente menos aplaudidas, porque ainda recentes, - à excepção de Norman and Norma, sobre um normalíssimo casal de Norfolk, disse Neil, bem ovacionada, merecidamente, porque já é mais uma canção clássica da banda, música, letra, tudo perfeito, sobre a vida de muitos casais que perdem a chama ao fim de uma vida em comum - Queue jumper, onde um chico-esperto goza com quem segue sempre as regras, Office Politics, - uma das canções que não me agrada por aí além, mas onde há um alerta para o perigo de postar no Facebook e acabar despedido - Infernal Machines, - que me faz lembrar os Muse, sobre máquinas que nos prometem o sonho lançando-nos afinal no inferno - You'll Never Work in This Town Again, sobre o perigo do concurso das máquinas que criamos para nosso auxílio mas que acabaram por nos aprisionar via algorítmos, I'm a Stranger Here, com uma nota de tango argentino e bela presença da guitarra, onde Neil confessa que de um momento para o outro, enquanto foi comprar um pão, tudo mudou, fazendo com que se sinta um estranho no seu próprio mundo, já sabemos a razão, After the Lord Mayor's Show, marcada pelo piano electrónico, e que eu entendo seja sobre a transitoriedade do que é bom ou a ressaca da vida, When the Working Day Is Done, sobre a insatisfação do trabalhador comum, e ainda, esta totalmente absurda, que Neil garantiu capaz de nos fazer arrepender de ter marcado presença, na realidade, concordo, podia ter sido dispensada: The Synthesiser Service Centre Super Summer Sale, uma longa enumeração de marcas de sintetizadores a preços de saldo, não sei como é que ele fixou cada uma delas!

Não creio que alguém se tenha sentido enfadado ao longo de quase duas horas de concerto. Da nostalgia de tempos passados às leituras críticas sobre os tempos paradoxais que vivemos actualmente, houve um pouco de tudo para todos. A jovem sentada na minha frente balançou-se incessantemente da esquerda para a direita do princípio ao fim. No extremo dessa fila, um homem grisalho batia palmas com os braços e não apenas com as mãos e dançou freneticamente de pé, assim que pode. Mesmo assim, na minha fila, um lugar à direita do meu, uma mocinha olhou quase durante todo o espectáculo para o ecrã luminoso do seu telemóvel como se não estivesse a acontecer nada de importante no palco.


Espero que através deste concerto, e dos links que reuni, possam descobrir uma das minhas bandas favoritas. Leiam o artigo do The Guardian, em inglês, que sugiro abaixo, para conhecerem a origem de tudo o que, passados 30 anos, me continua a cativar: um mix de pop orquestral ou electrónico, ora dançável ora melancólico, letras bem escritas e charme irlandês.

A terminar, quero agradecer à Sabine Schrader que me cedeu estas fotografias fantásticas para publicação. São da actuação dos Divine Comedy em Colónia (Alemanha). Este é o seu Instagram. Também ela segue os Divine Comedy há pelos menos uns 20 anos. Gostei imenso da cumplicidade que conseguimos em poucos minutos de conversação: é fácil, fácil, quando se descobre alguém que gosta ainda mais do que nós da música dos Divine Comedy!

Sugestão de leitura:

Odd man in - excelente artigo sobre Neil Hannon e os Divine Comedy, datado de 1999.
"The songs I find most interesting are not about a tried-and-tested theme," he says. "Even if you're writing about love, you have to come at it from a strange angle. You have to draw people in, with something that's going to confuse them. You can never have in writing what you like to think about yourself. In fact, you can never really get it on a record, either, and that's the closest I'll ever get to the true me."

08/11/19

Desafio de escrita dos pássaros #9: Mulher nua numa ilha deserta


(Gaivota - Larus fuscus)

No Verão anterior, Simão, 14 anos bem encorpados, acompanhara a primita Lúcia ao Casino para receber um jogo da Majora que ela tinha ganho no concurso. Neste, apostara com ela que ficaria em 1º lugar. Nunca supus ser a sereia que um dia o mar depositara nos braços daquele beirão moreno e de olhos pestanudos, quando, de férias na praia da Claridade, anos 60, as nossas famílias, a banhos, se conheceram. Mais novo, marinheiro de água doce no amor, a voz embargava-se-lhe quando me dirigia a breve palavra, o que eu tomava por juvenil timidez.

E foi assim que acordei nua e só numa ilha deserta sem me lembrar de nada. Simão, ajoelhado, transpirava ao sol, a cabeça protegida por um boné, o tronco nu curvado. Movimentando os braços e mãos num afã amoroso, penteava os cabelos longos com os dedos, enfeitava-me o peito de conchas e búzios, acariciando cada curva com enlevo. O júri avisou bem alto o termo do tempo. Ele sentou-se junto a mim, deleitado. Quis erguer a mão para festejar os seus caracóis negros e foi quase trágico. O antebraço desfez-se no ar. Sobravam breves minutos para Simão recompor a construção de areia.

Uma moldura humana rodeava o recinto, pais, mães e curiosos, ansiando a coroação dos pequenos grandes artistas. O júri atravessou vagarosamente o areal construindo castelos no ar com palavras de apreciação. Porém, à vista daquela ousada nudez, apenas questionaram:

– Nº 23, menino Simão Tavares, “Mulher nua numa ilha deserta”, certo?

Não, não. Aquela era Isabel, a sua paixão, que, filas adiante, apoiava a prima Lúcia, Nº 7. Chamara-a insistentemente com o olhar mas ela apenas se chegou ali já o concurso acabado:

– Tenho tanta pena que não tenhas ganho. Já pensaste um dia ser escultor?

As palavras dela souberam-lhe a tão pouco que foi dar um mergulho. Deixou a água do mar temperar-lhe o corpo e o espírito por longa hora. Quando voltou a multidão tinha dispersado e ele deitou-se ao lado da solitária escultura. Já muito tarde, o sol anunciando a retirada, o pai veio por ele, mas Simão recusou abandonar a sua mulher de sonho. Adormeceu ali. Devagar uma onda aproximou-se, e depois outra, e, sem remorsos, arrancaram-lhe aquele amor de areia dos braços. Os seus pensamentos levaram-no até casa, onde chegou, com fome e a tremer de frio, mas de coração lavado. Aquilo que o mar dá, o mar leva.



Tema da semana: Acordaste nua, sem te recordar de nada, numa ilha deserta

06/11/19

A icónica camisola de Paddy Cosgrave


Foto de Pedro Sousa Filipe, que fotografou Paddy Cosgrave, o ano passado envergando a camisola que este ano resolveu colocar à venda, justificando o preço elevado com o número de horas necessárias à sua produção manual. 

Nas teias da Web apareceu uma camisolita azul que tem provocado algum comentário. Paddy, o conhecido Summitico CEO, abriu uma loja online para vender merchandising. E lá se diz que a tal camisola é "icónica". Onde é que está o icónico dela eu não vi. Talvez nos 850 euros que custa. Talvez Paddy tenha vestido cada uma das 50 antes de serem postas à venda nelas transpirando ideias, inovação e cagança high-tech. Parabéns aos que puderam pagar 850 euros pela pecinha tricotada algures no condado de Donegal e se passeiam nela agora, felizes por terem ajudado a tradição irlandesa em vias de desaparecer. Eu não poderia, e se pudesse também não teria comprado. Paddy diz que a mulher dele só quer ajudar as pobres tecedeiras daquela região e contribuir para que esta tradição não acabe, que isto não é um negócio. Tão nobre. Gostava de saber que dinheiro vivo é que coube às tais mulheres, é, assumo, sou um bocado indiscreta, para não dizer desconfiada das boas intenções.

A loja online
As tais mulheres são, certamente, algumas das que tecem as afamadas camisolas de Aran, originárias das comunidades piscatórias, cheias de intrincados motivos tecidos que contam uma história. Mas esta, do Paddy, que até tem uma cor catita, é apenas banal, por excelente que seja a sua lã ou demorado o método tradicional de fabrico. No entanto parece ter cativado 50 "beneméritos": esgotou num ápice. No site da Web Summit também se vendem as tais camisolas feitas à mão, que celebram as raízes irlandesas e que demoram 40 horas a fazer. Mas essas já não são anunciadas como icónicas.




Ora aqui está uma Aran de cor branca por 250 euros, tecida à mão no tal condado de Donegal, e que até pode ser comprada online na Irish Store por qualquer um de nós, verdadeiramente dados a peças icónicas e não a caganças high tech.


Por falar em camisolas icónicas, eis o meu contributo para a divulgação de uma das nossas mais icónicas camisolas: a Camisola Poveira*. Aposto que o Paddy desconhece. Isto já é passado a mais para o seu olhar sempre tão futuro para o negócio.

Estado do momento: a sentir-se sarcástica.

*São camisolas de lã branca, bordadas em ponto de cruz com motivos em preto e vermelho (escudo nacional, com coroa real; patinhos; siglas; remos cruzados; vertedouros; etc.), produzidas por dezenas de artesãs poveiras que destinam a sua produção às casas de artigos regionais. "A camisola poveira era inicialmente [1ª metade do século XIX] feita em Azurara e Vila do Conde e bordada (ou marcada) na Póvoa pelos velhos pescadores. Em evolução, passou a ser bordada pelas mães, esposas e noivas dos pescadores, e, depois feita e bordada na Póvoa."

Esta peça integrava o traje masculino de romaria e festa do pescador poveiro, cuja origem remonta ao primeiro quarteirão do século XIX. Este traje branco ou de branqueta (tecido manual) foi o que mais perdurou, mantendo-se até finais do século passado, sendo sempre o traje escolhido aquando da presença de elementos da comunidade junto das mais altas individualidades políticas.


Com a grande tragédia marítima de 27 de Fevereiro de 1892, o luto decretou a sentença de morte deste traje branco, assim como de outros trajes garridos. A camisola sobreviveu, ainda, pela primeira metade deste século, mantendo-se como peça de luxo de velhos e novos.

A recuperação do vistoso e original traje branco deveu-se a Santos Graça que, ao organizar o Grupo Folclórico Poveiro, em 1936, o ressuscitou e divulgou. (T
exto e foto: Facebook de Ricardo Carriço)

05/11/19

O prodigioso e enigmático Edward Gorey


Este livro pode ser adquirido na WOOK online.

A é para Ana que tombou das escadas, B para Basil que foi atacado por ursos. C, para Clara que definhou ao longo do tempo...Edward Gorey, um escritor e ilustrador do séc. XX, publicou nos anos 60 um livro que a muitos poderá lembrar as personagens desenhadas, mais tarde, por Tim Burton. Uma leitura onde o humor negro é bem evidente, este livro-abecedário ilustrado a caneta e tinta, é uma forma ideal de começar a percorrer o universo sombrio mas cativante do artista. Trata-se do curioso The Gashlycrumb Tinies.  Parte da sua obra está em Fifteen Stories  Amphigorey,  palavra que significa frase sem sentido. Existem mais três antologias, além desta. As personagens das suas histórias sombrias, umas totalmente absurdas, outras ainda com o pé na realidade, não têm vida longa e terminam sempre de modo aterrorizador e obscuro: mistérios inexplicáveis, monstros e perigos e acidentes fatais.
 .

Capa do livro Fifteen stories - Amphigorey


The Gashlycrumb Tinies

A is for Amy who fell down the stairs
B is for Basil devoured by bears
C is for Catherine smothered under a rug
D is for David done in by a thug
E is for Emily who slipped down the drain
F is for Fanny squashed under a train
G is for George stabbed with a safety pin
H is for Harold who drank too much gin
I is for Ida who drowned in a lake
J is for John who burnt at the stake
K is for Kelly who was smashed with a safe
L is for Lina blinded by mace
M is for Mary abandoned on the road
N is for Neville who licked a poisonous toad
O is for Ona stuck under a tree
P is for Polly who died of ennui
Q is for Quina who was already dead
R is for Rhonda who took poison instead
S is for Sally, she choked on a peach
T is for Timmy sucked dry by a leech
U is for Uma struck by an axe
V is for Velma shot in the back
W is for Wally who is no longer sane
X is for Xida who crashed in a plane
Y is for Yona squeezed to death by a vice
Z is for Zack eaten by mice.


Richard Corman fotografou Edward Gorey em 1983.

Importante figura da cultura americana, Edward Gorey, nasceu em Chicago. Aos dois anos já desenhava e aos três aprendeu a ler sozinho. Mais tarde foi um aluno brilhante, primeiro nas escolas de Chicago, e depois em Harvard, não sem antes ter trabalhado numa base militar durante a II Grande Guerra. Criador de artes e letras, ilustrou, escreveu poemas, concebeu sets e peças de teatro. Após a conclusão dos estudos, empregou-se na secção de arte de uma editora em Nova Iorque e produziu para cima de 50 capas de livros. Nos anos 60 tornou-se freelancer, depois de ter ainda trabalhado com diversas casas do ramo editorial. Ilustrou, para clientes, três centenas de livros. A esses somou mais 100 escritos e ilustrados por si. O seu livro The unstrung Harp é considerado como um dos percursores da novela gráfica. Ávido leitor, possuía uma biblioteca de 25.000 livros. Envolveu-se também na produção de cenografia e guarda-roupa para teatro, obtendo um grande êxito com uma adaptação de Dracula. Após a mudança de Nova Iorque para Cape Cod, continuou com esta vertente, realizou exposições, procedeu à publicação de gravuras e manteve o seu trabalho comercial. Nos anos 80 experimentou a animação para televisão. Não gostava de dar grandes explicações sobre a sua obra, mas como principais influências citou Di Chirico, Dali, Ernst. Admirava Sir John Tenniel, George Herriman e James Thurber.  A casa onde viveu é agora um museu. Receitas da sua obra são usadas para promover a causa animal e a literacia. (Resumo muito abreviado da sua biografia, que pode ser aqui consultada.)


Sugestão de leitura: 

Edward Gorey House, para explorar aqui

Edward Gorey’s Enigmatic World, para ler aqui

“I’m beginning to feel that if you create something, you’re killing a lot of other things. And the way I write, since I do leave out most of the connections, and very little is pinned down, I feel that I am doing a minimum of damage to other possibilities that might arise in a reader’s mind.”