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Cinema no Netflix: vi Mudo, o filme de Duncan Jones que mais vale esquecer

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Mais um filme para a minha colecção de grandes decepções. Trata-se de Mudo , realizado por Duncan Jones. Tudo acontece em Berlim, lá para o ano 2050. Justin Theroux, o  Kevin Garvey da série The Leftovers, está irreconhecível sob uma peruca loira muito pouco realista. Ele é Duck, um cirurgião americano especialista em próteses avançadas na sua clínica infantil aproveitando o espaço e a tecnologia para dar largas à sua fraqueza como pedófilo. Gosta da sua vida na Berlim do futuro, onde soldados americanos fugidos encontraram refúgio e são constantemente procurados. Paul Rudd, o divertido Homem Formiga, é Cactus, também cirurgião, e aparece aqui bem disfarçado sob farta bigodaça e cabelo desalinhado. Ao contrário do amigo, com quem partilhou experiências de guerra em Cabul, ele detesta Berlim e não vê a hora de deitar mão aos documentos que lhe dão uma nova identidade, para assim poder regressar aos EUA com a filha. Na cave da sua moradia ele atende aos pedidos de Maksim, dono de um clu

Dezembro chegou

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Ted Lasso: um boost de felicidade no meu Outono

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As máximas de Ted Lasso "Don't let the wisdom of age be wasted on you" "Get some sugar in your system" "Have a little hope" "Make the extra pass" "Let yourself enjoy that biscuit" "Go easy on yourself" "Be curious, not judgemental" E ainda... "A wanker is someone who likes to sit alone with their thoughts" É verdade. Outono do meu descontentamento. Quando o mês de Outubro acaba deixa-nos a sua herança habitual, a irritante mudança de hora que ilumina melhor as manhãs mas deixa o nosso entardecer mais escuro.  Essa luz é vítima da marcha dos ponteiros. Morre quando muda a hora. Quem prefere fins de tarde luminosos a manhãs refila ano após ano. Um pouco mais de luz ao final do dia é tão reconfortante! Quem regressa do trabalho ainda tem umas horas luz para bulir ou descansar sem recorrer à luz electrica. Foi o chato do Benjamin Franklin que levantou a lebre no Séc XVIII: de manhã estava tudo a dormir, qua

Nova ladaínha de São Martinho

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  Retirado daqui .  Nova ladainha de S. Martinho com as suas competentes orações. - Lisboa : [s.n.], 1875. - 15 p. ; 16 cm

Três razões e meia para ver a série Watchmen!

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"In an era of stress and anxiety, when the present seems unstable and the future unlikely, the natural response is to retreat and withdraw from reality, taking recourse either in fantasies of the future or in modified visions of a half-imagined past." ― Alan Moore, Watchmen Damon Lindelof. Ficou conhecido como um dos criadores de Lost . Em 2004, creio, é claro que via Lost, embora sem regularidade, e sempre me senti um pouco... perdida. Foi um marco na televisão porque audiências habituadas até aí a narrativas lineares se depararam com situações temporais que envolviam o passado das pessoas sobreviventes à queda do avião, o presente conflituoso na ilha, o futuro, e universos paralelos, além personagens e acontecimentos enigmáticos. Vi o primeiro episódio e vi o último, e, estranhamente, ainda me recordo relativamente bem de um e de outro.  O que entretanto se passou é a  modos que um túnel ou uma núvem de fumo negro. Devem ter sido mais de 100 episódios, várias temporadas. Eu

Em EVIL, série de TV, há sons que apenas os jovens conseguem ouvir

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Há uns tempos vi a primeira temporada de uma série transmitida originalmente pelo canal CBS, focada no sobrenatural de nome Evil . Apesar de razoável nem todos os episódios me pareceram igualmente satisfatórios. A série, feita para TV, não podendo ser muito explícita em termos de terror, consegue explorar situações capazes de nos causar no mínimo desconforto e estranheza, e joga bem com a ambiguidade necessária para alimentar a dúvida sobre os casos que vão surgindo. A actriz  protagonista Katja Herbers tem um desempenho cativante como Kristen Bouchard, sendo, na minha opinião, claro, uma das melhores razões para ver a série.  Abordando mistérios diversificados, Evil examina as origens do mal em manifestações que se situam numa zona cinza capaz de envolver a ciência e a religião e que desafiam o consenso. Uma psicóloga forense não crente, que busca explicações apenas lógicas e científicas, mãe de quatro miúdas e com o marido ausente, uma vez afastada das suas funções em tribunal ali

Diga trinta e três. Uma crónica de António Prata

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Trinta e três. Quem diria. A adolescência foi na última quinta, ainda há resquícios dela na estante de CDs, no seu vocabulário, num canto do armário – uma camisa xadrez que não vê a luz do sol desde um show do Faith No More, em 1997 –, mas são resquícios. Vez ou outra você está no supermercado, comprando saco de lixo, queijo minas light e amaciante, e vê uma turma de garotos e garotas carregando garrafas de Smirnoff Ice e sacolas de Doritos. Você olha para as franjas lambidas dos meninos, para os piercings das meninas e percebe, meio assustado, que aquele é um mundo distante. Sente alguma vergonha do seu carrinho.  Diga trinta e três: trinta e três. Diga: o que você fez? A essa altura da estrada, uma parada é inevitável. Você desce do carro, contempla a vista do mirante. Não é um olhar para trás, como devem fazer os velhos, ao fim da vida – ou devem evitar fazê-lo, dependendo –, mas um olhar em volta: isso aqui sou eu. Daqui pra frente, não vai mudar muito, vai? Já deu tempo de descob

Squid Game, no Netflix, é o verdadeiro "jogo do mata"?

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No recreio da minha escola primária decorreram intensos campeonatos "de vida ou de morte". Riscavam-se as linhas no chão com um calhau. Eram profundas pois todos os dias lhes dávamos um retoque. O campo de jogo era dividido em duas áreas e formavam-se duas equipas de cachopada. Talvez se tirasse à sorte qual a equipa que começava e quem era o piolho, já não me recordo. Os jogadores eram escolhidos um a um. A bola era trocada entre os elementos em campo e o seu respectivo piolho, que alternavam com os adversários, em áreas desencontradas. O objectivo do jogo era matar os jogadores adversários e escapar à morte por meio da bolada. Se a bola nos tocava e caía ao chão morríamos e íamos para o cemitério. Se a agarrávamos podíamos matar o adversário. O morto ia para o lugar do piolho e esse adversário entrava então no jogo. Os seguintes mortos acumulavam-se na zona do piolho, o cemitério. Ambos, piolho e demais elementos, podiam matar. A primeira equipa a ser dizimada, isto é morta

Monumento a Yuri Gagarini no Museu de Arte Urbana do Taguspark

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Este é um monumento em solo nacional. Está no MAU – Museu de Arte Urbana do Taguspark – Cidade do Conhecimento. Assinala o 60.º aniversário do primeiro voo espacial de um ser humano, é composta pelo busto do cosmonauta Yuri Gagarini ao lado do foguetão Vostok 1. Foi uma oferta da Fundação Internacional de Caridade “O Diálogo das Culturas – O Mundo Unido” e da Embaixada da Federação Russa em Portugal. O pedestal vermelho com o martelo industrial, a foice agrícola e a estrela comunista estão a provocar reacções muito desfavoráveis, além das dos Terraplanistas que detestam Gagarini, que deu a primeira volta à Terra e sobreviveu para dizer redondas maravilhas. Mas, e se fosse a bandeira dos EUA e o busto fosse o de Neil Armstrong? Esta era a bandeira da União Soviética na época do feito histórico. Depois disso ela foi substituída, tal como monumentos da época da federação foram removidos. Posteriormente, foi restaurada em alguns momentos, em nome da nostalgia e como símbolo de união do pov