Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta salazar

Tão felizes que nós éramos - Clara Pinto Correia

Imagem
" Tão felizes que nós éramos Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança. Eu não ponho flores neste cemitério. Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de ...

António Salazar: o maior português de todos os tempos

Imagem
António de Oliveira Salazar, votado por mais ou menos 62.000 telespectadores como o maior português de todos os tempos . Certo, é apenas uma mão cheia de gente. Mas o criador dum regime ditatorial que durou quase meio século venceu um concurso onde até havia mais figuras, algumas perfeitamente consensuais e unívocas, a disputar o lugar. Expliquem-me la isso como se eu fosse mesmo muito burra. Não faltam por aí interpretações do insólito facto mas eu também as não compreendo. Uma das que mais se lê por aí decifra no resultado a ideia de que é o povo que assim expressa a sua ansiedade por “líderes fortes que ponham termo a erros e desvios” e que ponham termo à “falência do presente”.(José Pinheiro, jornalista, CM) A nova classe política que o 25 de Abril gerou desiludiu as aspirações forjadas com a nova Constituição e este resultado televotado seria uma espécie de chicotada nos corruptos e incompetentes. Ora, eu vejo pouca TV, pouco mais do que duas-três horas por semana. E deste pro...