12/22/12

Natal, e não Dezembro

Natal, e não Dezembro 

Entremos, apressados, friorentos, 
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido... 
Entremos, inseguros, mas entremos. 
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro, 
porque sofremos, porque temos frio. 
Entremos, dois a dois: somos duzentos, 
duzentos mil, doze milhões de nada. 
Procuremos o rastro de uma casa, 
a cave, a gruta, o sulco de uma nave... 
Entremos, despojados, mas entremos. 
De mãos dadas talvez o fogo nasça, 
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada. 

David Mourão-Ferreira, Cancioneiro de Natal

12/20/12

Prometheus mas não cumpriu.


Neste ano cinematográfico eu queria muito  ver Prometheus. Gosto de ficção científica desde sempre e Ridley Scott podia talvez proporcionar-me aquela boa experiência que procuro desde Inception. Ontem consegui finalmente ver o filme e fiquei um pouco desapontada. Lamento ter de dar razão a muitas opiniões negativas ou quase que inundaram sites e blogues depois de Junho a par de outras, elogiosas. Por vezes custa a crer que gente  altamente experiente, que tem o queijo - e não qualquer queijo, antes o melhor e mais requintado queijo - e a faca mais afiada na mão, não consiga cortar a direito com os bolores que podem manchar uma boa história e acabam por condenar uma boa ideia a uma sombra de si mesma. Indubitavelmente é uma boa história, ainda que não inteiramente nova, mas contada de forma atabalhoada ou, pelo menos, imperfeita. Estarei a ser demasiado exigente? Não me parece. 
Não há forma de negar que Prometheus promete e cumpre enquanto relato visual de uma viagem exploratória aos confins do universo em busca de algo extraordinário. Desde as primeiras imagens se torna claro que temos pela frente uma experiência visualmente poderosa. O fascínio pelo desconhecido, pela grande aventura da descoberta, está lá. Penso que observado por esse prisma a maioria dos que viram o filme concordará que se sentiu bem transportado e até extasiado pelo que o grande ecrã ia desvendando. Adivinham-se prémios para a direcção artística, efeitos visuais e som. É pena que o deleite visual não seja acompanhado por uma escrita mais sagaz e inteligente, é pena que nem todas as personagens se situem no mesmo patamar de desenvolvimento da que Fassbender interpreta - o robot humanóide é possivelmente a personagem mais consistente ao longo de todo o filme. Já não sou tão crítica quanto ao facto do filome propôr mais questões do que respostas, isso eu até considerei uma escolha interessante pensando no assunto abordado, mas não tanto se pensar que foi apenas um esquema deliberado para nos fazer voltar ao cinema daqui a um ano ou dois. A superficialidade com que um assunto tão grandioso como é o da origem da nossa espécie, ou a  criação, são  tratados em Prometheus não se conjuga com o grau de requinte e densidade da atmosfera visual criada, falta-lhe algum substrato a esse nível, e falta às suas personagens uma certa coerência que parece indesculpável quando se aponta para um objectivo desses. É um filme ambicioso e em forma, essa ambição levou-o longe, em termos de conteúdo, parece um diário de bordo escrito à pressa sobre a forma como o homem parte numa jornada para descobrir o seu criador, o encontra e se dá mal. Mas a capa deste diário não podia ser mais elegante, majestosa, e artisticamente executada. Prometheus é alimento para os olhos, não para a mente. E nisso os filmes da saga Alien parecem-me, -apesar de já os ter visto há muito tempo - mais equilibrados, mais autênticos e mais emocionalmente vibrantes. A ponte entre estes e Prometheus existe em alguns pormenores e talvez isso contribua para acentuar uma certa ausência de novidade e de surpresa que teria apreciado. As imagens iniciais do filme são as que mais me intrigam: mostram um dos Engenheiros alienígenas a cometer suicídio através da ingestão de uma substância que o desintegra e, uma vez na água, fica a clara sugestão de que foi o seu ADN que deu origem à vida na terra. A minha leitura deixa-me perplexa. Porquê o sacrifício? Parece uma cena mitológica! Teria sido esse Engenheiro banido? Teria sido a raça humana fruto de um acidente e daí a necessidade de a exterminar por ser um erro do passado? E se não, não teriam os Engenheiros outra forma de dar origem à espécie humana? Seria uma espécie de ritual?! Esses minutos iniciais são tremendos de força e poesia e é pena que não haja mais nada como isso ao longo do filme. A par de momentos surpreendentes e perfeitos somos surpreendidos, mas não tão positivamente, por algumas cenas risíveis, algo incompreensíveis. Todos conhecemos a foto de Einstein com a língua de fora, creio que todos percebemos que até os maiores génios podem ter atitudes brincalhonas, que um cientista não é uma máquina, um robot, que pode ser divertido, ter sentido de humor. Mas o que dizer de um biólogo que depois de ter feito uma viagem espacial de dois anos trata vida extra-terrestre como se de um animal de estimação se tratasse?!! Existem mais pormenores deste género, são os tais bolores, a meu ver escusados. Ou o tom é sério ou o tom é de brincadeira, ou se brinca em grande estilo, e Prometheus arranca sério demais para depois se permitir estes disparates! Também é extraordinário que a protagonista, naquela que talvez seja a sequência grotesca do filme, passe por uma inédita cesariana auto-conduzida e totalmente robotizada, e depois de ter visto sair de dentro de si um verme com tentáculos e de ser cosida com agrafos, consiga ainda ter robustez física e psicológica para correr, correr, correr e tornar-se a heroína da história que partirá na demanda espacial dos Engenheiros (com a cabeça do robot humanóide numa saca! )Benditos sejam os medicamentos anestésicos do século XXI. Os argumentistas devem igualmente ter  pensado que estaríamos tão  anestesiados pelo poderoso espectáculo que nem atentaríamos nos pormenores. Mas, que diabo, estas arestas não são um pormenor, isto mete-se pelos olhos dos espectadores dentro!  Prometheus prometeu bem, mas não cumpriu nas expectativas que foi criando desde que foi anunciado. Ah, segundo Prometheus, além de naves em forma de foguete, disco e charuto, objectos em forma de ferradura também podem voar, parece que não há nada que não consiga voar, pelo menos no ecrã. Não posso dizer que tenha gostado muito da ideia, mas, enfim, se a estrutura mapeada no início do filme fosse em forma de foguete, disco ou charuto, desde o primeiro momento que a víssemos que estaríamos a dizer- oh, não, outra vez não, uma nave enterrada no solo. As ideias originais E BOAS começam a esgotar-se, talvez seja hora de dar arriscar e chamar  novos argumentistas, não tão experimentados, com queijo fresco e até talvez faca romba na mão. Quem sabe se não seriam capazes de nos surpreender?

12/18/12

Fazer germinar um caroço de abacate!

Observem neste video a síntese filmada da germinação bem sucedida do caroço de abacate e ainda o resultado final por que anseio - a transferência da planta para um vaso! Neste momento estou cheia de inveja deste fulano. Vejam só: cresceram raízes e caules e folhas do caroço de abacate dele. O meu caroço de abacate nem treme quanto mais partir-se ao meio ou brotar qualquer coisa!! Eu bem que o examino a ver se ele abre. Mas o gajo não está nada colaborante. Guardei o caroço de abacate da última vez que fiz guacamole. Tenho lido sobre o tempo que demora a germinar: 6 a 8 semanas. Mas enquanto espero acho que já passou um ano ou mais e nada acontece. Na minha ideia esta estação do ano não é a ideal. Estamos quase em pleno inverno. Mas que semente maluca é que se atreveria a germinar agora? A sabedoria da semente deve dizer-lhe que não tem hipóteses. É algo anti-natural, que não está destinado para ser um êxito, germinar em pleno inverno. Não há sol, não há calor, não há assim tanta luz, sim, Portugal não é o país dos 365 dias de sol por ano. Quem inventou isso era um grande aldrabão. Por isso a semente nem se mexe e ainda deve pensar que não sei nada de botânica. Tem razão, não sei.

Ora aqui está a minha experiência de germinação de um caroço de abacate. (Porcaria de fotografias, desculpem o aparte.) Achei quer seria interessante fazer germinar o caroço de abacate e depois transferir o projecto de árvore para o parque em frente à minha casa. O meu sobrinho também ficou bastante intrigado, primeiro com o tamanho do caroço e depois com a ideia de dali nascer e crescer uma planta. Não sei bem se teremos planta quanto mais se da planta irá crescer uma árvore!! O parque é um lugar arriscado mas não temos jardim, nem quintal. Estou mesmo a ver a equipa que corta a relva muito preocupada se encontrar uma árvore jovem no meio do caminho! À escala de um pequeno arbusto, a máquina que eles usam para cortar a relva até parece um tanque de guerra! Mas eu estava preparada até para construir uma salvaguarda em rede para o pequeno arbusto!
Devem estar a pensar que estou com nostalgia do tempo em que fazia germinar feijões em bolinhas de algodão. Há uns tempos, desde Setembro, que ando interessada na germinação de sementes em casa. Tudo por causa dos rebentos de soja que entretanto descobri que já pouco se vendem. Mas quem é que quer rebentos que venham de sementes geneticamente modificadas? A questão da soja é realmente bicuda. Os rebentos de soja foram substituídos pelos rebentos de feijão mungo, mais seguros e muito semelhantes. Os brotos são um elemento muito saudável da alimentação humanos e eu gostava de começar a germinar sementes em casa e de introduzi-las de forma regular na alimentação. 
Pois bem, entre Setembro, mês das minhas leituras e pesquisas sobre alimentação saudável, e agora, ou melhor, a última vez que fiz guacamole, lembrei-me que o caroço do abacate talvez brotasse qualquer coisa. Pesquisei na internet e meti mãos à obra. E ali está o caroço de abacate mergulhado em água até metade, suspenso por palitos. Usei um copo e uma taça para impedir a água de molhar as superfícies por onde o copo tem circulado. Já andou aos tombos, a água já se entornou duas vezes. Mas no meu relatório científico, ou diário de bordo ou de copo, não há muito mais a acrescentar. O diabo do caroço nem parece ter sede, não vejo a água descer assim tanto. Apenas a vou mudando porque pode ganhar cheiro e atrair mosquitos e mosquitas, lesmas e outras criaturas. Isto é um exercício de paciência mas eu começo a pensar que do caroço não virá nada!!Nada!!

Se se quiserem lançar numa aventura destas, podem encontrar mais informação sobre a germinação do caroço de abacate no Meu cantinho verde ou no Ghorganics ou no Como fazer tudo. Indicações não faltam!

(Nota!! Postagem em actualização...resta saber é quando!)

Violação de direitos de autor no Youtube



O YOUTUBE e a sua política de protecção dos direitos de autor são abordados de forma divertida e simples no video acima. Os termos da Notificação por violação do direito de autor podem ser lidos na íntegra aqui


Basicamente, do que se trata? Se eu sei que os meus direitos de autor estão a ser violados, eu posso reagir, tenho esse direito. Mesmo se o Youtube tem sede nos Estados Unidos da América e se aqui não falamos de Copyright, (=direito de cópia), como se vê no video, aqui em Portugal o Direito de autor existe, como no Brasil e em França, ou noutros países, e basicamente disciplina o uso que os autores querem atribuir às suas criações. 

Quantas vezes já vimos a mensagem "este video foi removido por violação dos direitos de autor?" ao tentar visionar um video do Youtube num blogue ou site? As violações acontecem diariamente. Algumas pessoas desconhecem a lei, outras não atribuem à lei qualquer importância e incorrem nas violações de forma deliberada. Outras pensam que estas violações só dizem respeito a autores consagrados mas não é bem assim. Isto é válido para TODA a gente.

Mas antes de começarmos a agitar a varinha mágica da legalidade poderemos antes e apenas pensar que até em matéria de simples regras de convivência e educação no ciber-espaço não é bonito usar criações de terceiros como se fossem nossas, omitindo o nome do seu autor e outras informações relevantes, ou sem sequer procurar saber quem as criou antes de as copiar para blogues e sites e ver se esse alguém deixou indicações de como devem ser utilizadas. Se esse autor não deixou indicações a regra é clara: não podem ser utilizadas. Não faríamos isso no espaço real - eu não vou pegar na fotografia que o meu amigo Pedro tirou e me enviou como recordação da sua viagem a Paris, digitalizar e colocar no Youtube com uma canção da Piaf que eu gosto sem lhe dizer nada. E muito menos usá-la criando nos outros a convição de que sou eu a autora da bela fotografia. Por mais que eu pense que ele até ia gostar, que ele até me deixaria fazê-lo, o que é correcto fazer é perguntar se posso fazer isso. E se ele até tem outra opinião em relação àquela foto em particular? O Pedro pode não querer as suas fotos na internet. 

Quem cria alguma coisa - seja ilustrações, fotografias, músicas, videos - é o seu autor e tem o direito a autorizar ou não o seu uso por terceiros. Não importa se o uso é grátis ou comercial, se o (ab)usador quer homenagear o criador da obra ou o objecto da sua criação. Não importa que o criador tenha lançado tudo isso num site, num blogue, no Youtube, no Facebook ou em qualquer outra rede ou espaço da internet. Não importa se eu sou amiga do criador, namorada do criador ou casada com o criador ou, como acontece tanto, se não o conheço de nenhuma parte. O autor é soberano, o autor é rei. 

Os autores, muitas vezes, nem se importam que terceiros façam uso das suas criações. Mas muitos ficam furiosos quando alguém se apropria delas sem passar cartão. Já me aconteceu descobrir usos não autorizados das minhas ilustrações. Agora é a minha mãe que está queixosa e com razão: uma pessoa usou 15 fotografias que ela tirou de Montemor, nos anos 50, para criar um video no Youtube. 50% do material fotográfico do video é seu. O indivíduo não pediu autorização para isso, fez o video, publicou, não ressalvou o nome da criadora nos créditos, nem a fonte do material publicado. Por muito que pense que estava no direito de o fazer, não estava. O que aconteceu foi mais uma violação de direitos de autor. 



Quando há tempos um homem roubou o polvo no Pingo Doce no Porto e foi condenado toda a internet se ergueu num clamor pois o desgraçado tinha fome e roubou um polvo. Devia ser perdoado, a lei não importa nada. Roubar um polvo não é nada. Roubar um banco é que é grave. Igualmente, quando se roubam criações do espírito humano a populaça da internet ri-se, faz chacota, pensa que é irrelevante, que nenhuma ilustração ou fotografia foi criada para matar a fome de alguém, que são coisas da esfera artística, futilidades. Mais: a lei que protege essas apropriações indevidas também não vale um tostão furado. Mas não é bem assim. 

Considera-se que essas criações são uma extensão da personalidade jurídica do seu autor, a mesma personalidade que a lei protege em tantas situações de agressões diversas considera que as ilustrações e as fotografias e as músicas e os videos são objecto de protecção e que usá-las sem consentimento equivale a uma agressão ao seu autor. 
Tanto faz roubar uma foto inteira como parte dela. Tanto faz roubar para criticar como para elogiar.  Tanto faz roubar um polvo ou 1000 polvos. É sempre roubo. E tanto faz roubar para comer como para fazer uma instalação artística sobre animais extintos. É sempre roubo.  É roubo. É indevido. Tal e qual o polvo à venda no supermercado, as criações intelectuais são alvo de protecção. É tão fácil que custa a perceber que as pessoas não percebam.

Se ainda não estão convencidos de que esta é a realidade, leiam, clicando aqui, de que forma se notifica o Youtube da violação dos direitos de autor. É um assunto sério, o Youtube explica como enviar uma comunicação por escrito informando que encontrei um vídeo no YouTube que acredito estar a violar os meus direitos de autor. Junto o título do vídeo em questão e o URL completo para a respectiva página de reprodução, explicando de que forma o vídeo viola os direitos de autor (por exemplo, o som foi copiado, o vídeo é uma cópia integral ou parcial de uma obra original da minha autoria, ilustrações, fotos, etc. 

Eu acredito que  partilha do conhecimento e da informação é uma coisa positiva. Permite a aprendizagem, o crescimento intelectual, a abertura de horizontes. Mas se as pessoas não sabem ter uma atitude de civismo em relação à forma como essa partilha deve ser feita, então a lei deve entrar no território da circulação desses conteúdos e controlar a forma como os bens do intelecto são partilhados. Simples. 


Na situação em questão, penso que a minha mãe tem duas hipóteses: ou aceita a partilha das imagens no Youtube desde que seja devidamente creditada a sua autoria ou denuncia o video. Em qualquer das opções, ela é rainha e soberana para decidir. Pum.

12/17/12

Como fazer rabanadas para o Natal


Hoje foi dia de rabanadas. O Natal já está quase aí e uns sabores da época na mesa fazem a refeição mais festiva. Nunca tinha feito rabanadas e estava à espera de armar um grande estardalhaço no fogão mas a experiência até não correu mal. Quando há fritos envolvidos eu fico em modo de alerta: penso logo em queimaduras,  fogão para limpar e óleo para reciclar, uma seca. Não gosto nada de fritar e também não sou louca por massas fritas. Mas gosto bastante de rabanadas. É um doce da época do Natal, habitual em muitas mesas do mundo inteiro, e existem diversas formas de as fazer, mais ou menos requintadas, mais ou menos tradicionais. No meu bloco de receitas não havia a receita das rabanadas. Esse bloco é uma bóia de salvação que eu tive de redigir quando deixei a casa dos meus pais e precisei de me lançar aos tachos e panelas. Saquei as instruções à minha mãe e anotei tudo, até como fazer sopa!! Nele encontra-se o básico para tornar os víveres comestíveis, nada de muito requintado. É apenas uma coleção de essenciais para não passar fome!! Mas também lá está a receita dos pastéis de nata e do bolo de chocolate, que eu adoro. O bloco tornou-se obsoleto pois agora eu procuro na internet as receitas do que quero fazer. Depois da ida ao supermercado para comprar o tradicional cacete de rabanada, - 0,69 cêntimos, 500 gr, mais ou menos -, canela e limão que estavam em falta, chegou o dia de   pesquisar na internet. Depois de várias leituras fui para a cozinha e até pude contar com a ajuda de um pequeno chef, o meu sobrinho, se bem que a prestação dele tenha sido mais forte na fase final, na fase da degustação das rabanadas, mesmo quentes e tudo! Comecei eram quatro horas e às seis ainda estava a limpar o ovo da bancada. Mas acho que valeu a pena a avaliar pela fotografia das douradinhas! Ora, se nunca fizeram rabanadas e querem fazer rabanadas para o Natal, não há que ter medo. Também não é de caras, como eu pensava, ainda tive de pensar como é que fazia as coisas pois as receitas que li não explicavam tudo tintim por tintim, e eu preciso disso pois, como sempre digo, da cozinha nem bom vento nem bom casamento, convivemos numa união de facto forçada. É assim:

Ingredientes para preparar o pão
1 pão para rabanadas, cacete de 500gr, mais ou menos
6 ovos inteiros
3 canecas pequenas de leite (eu usei leite magro, mas imagino que não seja a melhor escolha)
1 pau de canela
1 casca de limão ou de laranja
6 colheres de açucar
Óleo de fritar

Agora, uma de duas, ou as duas juntas: 
1. Mistura de açucar e canela para polvilhar: 4 partes de açucar para 1 parte de canela em pó. 
2. Molho de Vinho do Porto para regar no final.

Ingredientes do molho
3 canecas pequenas de água
6 colheres de açucar - podem deitar mais, isto é consoante o gosto de cada um
Uma casca de laranja ou uma casca de limão, o que tiverem
1 pau de canela
Meio calice de vinho do Porto doce - eu usei um cálice inteiro

O pão deve estar duro, aguarde pelo menos dois dias antes de fazer as rabanadas. Li nas receitas que devemos cortar as fatias na diagonal, para ficarem maiores, e com a espessura de um dedo. No entanto eu acabei por cortar algumas das minhas ao meio pois elas não se aguentavam inteiras depois de ensopadas no leite e no ovo! Era muito complicado tirá-las do ovo e colocá-las a fritar - problemas de principiante!!
O leite deve ser preparado com antecedência, para estar frio quando se utiliza. Coloque o leite ao lume com a casca de limão, o pau de canela e o açucar. Deixe ferver e apague o lume. Quando estiver frio deite num recipiente que tenha bico, um jarro.
Também pode bater os ovos inteiros noutro jarro ou depois mudá-los para um jarro. Porquê? Eu não sei como as pessoas fazem, mas eu fiz assim: arranjei dois pratos de sopa e fui vazando em cada um o leite e o ovo à medida que eram precisos. Nunca tinha lá dentro muito líquido. Isso permitiu-me controlar melhor a operação de ensopar as fatias de pão. Pegava numa fatia e colocava-a no prato do leite. Depois espremia o excesso de leite com cuidado e passava a fatia pelo ovo do outro prato. Para colocar a rabanada no óleo quente colocava-a na espumadeira e depois deixava-a deslisar cuidadosamente para o óleo. Mesmo assim algum do miolo separava-se!! Eu agarrava nele e colava-o ao centro da rabanada, depois óleo com ela. Resultou! O óleo deve estar bem quente. Elas crescem um pouco. Fritei quatro de cada vez. É rápido. Primeiro deixamos que fiquem lourinhas de um lado, depois, com a espumadeira, viramos a rabanada e deixamos fritar do outro lado. Retiramos do óleo para uma toalha de papel que vai absorver o excesso de óleo. De seguida, devem colocar-se num tabuleiro e podem ser polvilhadas com a canela e o açucar, ou só com canela, conforme o gosto e/ou a quantidade de calorias que querem poupar-se!! Quanto maior o tabuleiro, melhor, pois ao regarmos as rabanadas com o molho ele vai depositar-se no fundo e ensopará mais as rabanadas que estiverem no fundo. Isso também não é mau pois há pessoas que as preferem mais secas e essas podem ser as primeiras a servir-se! A escrever assim até pareço uma especialista em rabanadas!




Rabanadas no forno - ontem, depois de ter feito as rabanadas, vi esta imagem no Facebook. Acho que vale a pena experimentar - vale tudo só para me livrar dos fritos! Penso que posso fazer tudo da mesma maneira, usar as mesmas quantidades. Depois das rabanadas estarem ensopadas, vão para o forno num tabuleiro untado com manteiga, 20 minutos a 180º deve ser o suficiente para ficarem lourinhas! Possivelmente temos de as polvilhar com a canela e o açucar e voltá-las uma vez para que fiquem louras de ambos os lados. Parece ser canja, da próxima vez vou experimentar!


12/9/12

Neurowear - caudas peludas e orelhas de gato!



Num site japonês encontrei uma cauda de gato e um par de orelhas para os humanos utilizarem. Mas, atenção, não são disfarces para o Carnaval nem adereços para o musical Cats. Chamam-lhes neurowear. Esta invenção bem que poderá vir a ser o último grito da moda no Japão. Ainda é um protótipo...mas e se a moda pega? O último grito ou, direi antes, o último abanico da moda?! Se dantes as mulheres abanavam o leque e assim podiam comunicar discretamente, agora poderão vir a fazê-lo abanando a cauda! Só mesmo os japoneses para inventarem estas coisas!!! A Tailly usa sensores que estão presos a um cinto para medir a intensidade das batidas do coração. Normalmente a cauda estará caída. Quando a utilizadora fica excitada, a cauda começa a abanar! Quando a utilizadora se acalma, a cauda deixará de abanar também. O seu criador diz que não se trata nem de um brinquedo, nem de um acessório de moda, nem de um gadget. A Tailly é isso tudo combinado!É como se fosse uma verdadeira extensão do corpo humano!
Shota Ishiwatari diz ainda que a Tailly é boa para ser usada em festas, nas saídas com amigos ou nas brincadeiras com crianças. Ou ainda, afirma ele, num encontro com o namorado pois ela expressará os verdadeiros sentimentos de quem a usa. E se ele estiver a usar uma também isso será garantia de uma comunicação 100% genuína.  Antes de ter criado a Tailly, este inventor já tinha criado o “necomimi”, um acessório para a cabeça com forma de orelhas de gato que funciona segundo princípios de concentração - as orelhas ficam erectas - ou relaxamento - as orelhas descaiem! São comandadas pelas ondas cerebrais. Parece que os compradores das orelhas lhe pediram para desenvolver mais produtos do género, que eles pudessem combinar. E foi assim que surgiu a Tailly! Se tudo correr bem em Agosto do próximo ano ele poderá enviar as Tailly aos clientes. Já agora vejam também as orelhas de gato a funcionar, no video abaixo. 

12/7/12

As abelhas que fizeram mel azul e verde

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O insólito aconteceu em Ribeauville, (Alsácia) creio que em Outubro deste ano. Nesta região de França existem mais de 2400 apicultores. Subitamente e sem aviso, as abelhas começaram a fazer mel colorido! Os apicultores não gostaram da inovação pois o mel às cores não encontrava comprador e mandaram a criatividade das abelhas às urtigas. Eu até achei a audácia digna de exploração comercial!!Desde que, claro, não subissem o preço do mel por causa disso, nem usassem corantes nocivos para a saúde, porque não lançar uma linha de mel colorido?! Potenciais clientes: adeptos do Benfica, Sporting e Porto! 
O mel pode ser esbranquiçado, beije, castanho claro ou mesmo muito escuro. Depende muito do tipo de pólen que as abelhas recolhem. Existem muitos tipos de mel - o mel de rosmaninho, o mel de eucalipto, o mel multiflora, todos têm um sabor e uma cor diferente. Os benefícios do mel são conhecidos: combate as bactérias, fornece energia, protege o sistema imunitário, é laxativo. O mel engorda menos do que o açúcar de cana: 1 colher de chá ou 5 gr de mel contém 16,4 kcal contra as 28 do açucar, e é muito mais saudável. Eu uso o mel para adoçar o chá, para o café, nem açucar nem mel, gosto dele sem nada, bem amarguinho.
Bem, voltando às industriosas abelhas, quando elas recolhem o pólen regressam às colmeias com as pernas amarelas de pó. Verde, vermelho ou azul não são as cores tradicionais do mel. Estas abelhas francesas, talvez cansadas da monotomia  cromática do pólen, assim que descobriram uns contentores mal acondicionados junto a uma empresa de queima de resíduos  começaram antes a abastecer-se aí de matéria prima. O mistério e o espanto duraram mas feita a investigação a razão das novas cores de mel foi descoberta e explicada. Os contentores tinham restos do fabrico dos conhecidos MandM, - tenho de escrever assim ou dá erro - vermelho, verde, amarelo, azul, laranja, todos conhecemos as drageias coloridas do MandM! 
O que terá levado as abelhas a procurar uma fonte alternativa de matéria prima talvez tenha sido a escassez da natural, fruto de um inverno rigoroso. De falta de iniciativa empresarial é que estas abelhas não podem ser acusadas, não acham?!

No site do MM dos Estados Unidos é possível personalizar 
os MM com desenhos e mensagens.



12/4/12

Pop Mashup de 2012 por Daniel Kim



Music and video mashed-up by Daniel Kim


Não sei se apreciam mashups. O que são mashups? O termo mashup surgiu na música eletrónica e, muito simplesmente, significa misturar. Mashup é uma mistura de duas ou mais músicas para formar uma terceira. No vídeo, as mashup são o resultado da edição de várias fontes de imagem de forma a configurar uma nova obra. A evolução das técnicas de edição de audio e  imagem popularizaram esse tipo de criação e relançaram a discussão dos direitos de autor em torno desse tipo de uso de obras de terceiros. Uma mashup também é conhecida por "bootleg" ou "blend" é algo mais simples que um remix. Na internet, o termo designa sites que usam conteúdos de outros sites para criarem um terceiro e existem, decerto mais usos para o termo, que eu desconheço.
Esta mashup de Daniel Kim faz a retrospectiva das canções pop - e seus videos - mais ouvidas ao longo do ano de 2012. Não estão aí as minhas canções favoritas de 2012, talvez uma ou duas, mas conheço a maioria.  Algumas são realmente boas para dançar, conduzir estrada fora, fazer exercício ou animar o dia. Não vale a pena querer estar a fazer deste tipo de música o que ela não é nem a entrar em disputas sobre qual é o melhor género e/ou se se podem hierarquizar. Quanto à qualidade da música que ouvimos actualmente,  li que um estudou concluíu que é bastante mais simples e monótona do que já se criou. A música mais popular ou mais vendida nem sempre é a melhor. Os melhores músicos não são, certamente, os que mais vendem, tem sido sempre assim ao longo do tempo. Por vezes grandes músicos vendem quantidades industriais das suas obras, mas nem sempre. Na realidade, a maioria destes artistas que hoje preenchem o nosso espaço sonoro e visual não ficará na história da música mas certamente que terá dado o seu contributo para o entretenimento. Não, não sou do contra os mega êxitos desde que não sejam completamente rasos de imaginação. Quem é que não deu por si a cantarolar a canção mais pateta que já se ouviu nas radios que coloque o dedo  no ar!! Acho que podemos apreciar música erudita e música pop sem preconceito. Todavia é pena que os ouvintes não sejam mais informados, mais exigentes e mais críticos em relação ao que ouvem, que dia após dia não se atrevam a ouvir o desconhecido. Existem tantos estilos de música para descobrir! Isso dependerá ou não de uma boa formação desde a infância? Platão escreveu que a música é o instrumento educacional mais potente que existe! E não faltam hoje, opiniões, a secundar o que ele escreveu na Antiguidade. Um pouco pelo mundo inteiro estudos existem que permitem concluir que a educação musical estimula o cérebro e faz desenvolver habilidades que as crianças necessitam para se tornarem bem sucedidas na vida. Parece que se a criança receber esta educação desde a infância irá adquirir maior capacidade para entender e relacionar as restantes áreas do conhecimento. As minhas aulas de Educação Musical foram  incipientes, não tenho grandes nem boas recordações delas. Mas já lá vão muitos anos. Como será hoje? Não faço ideia do número de crianças que aprendem a tocar um instrumento musical em Portugal ou que sabem algo sobre a história da música. Não seria algo em que valia apostar? Muito mais do que distribuir Magalhães a pontapé, para agora estarem todos arrumados a um canto...!Certo é que os jovens de hoje recebem com muito mais agrado as canções cantadas em português do que eu e os meus amigos recebíamos. Quando partilho bandas sonoras de filmes no Facebook fico espantada com a falta de entusiasmo que a minha partilha gera. Muita dessa música é popular apesar de ter um formato clássico - sim, já andam por aí há muito tempo e fazem parte de filmes que são vistos e revistos vezes sem conta, seria de esperar que alguém gostasse! Além disso é música acessível, não partilho música experimental, hermética ou de difícil interpretação... Mas as bandas sonoras de filmes raramente levam Likes ou comentários favoráveis. Agora, vamos ver quantos Likes recebe esta Mashup. Mas não tenhamos dúvidas, a vida é isso mesmo, uma enorme mistura de sentidos, cores e sons. Viver não é mais do que mergulhar de cabeça nessa mistura! Em formato clássico ou pop, atirem-se!

SONGLIST:

1. Adele - "Set Fire To The Rain"
2. Adele - "Skyfall"
3. Alex Clare - "Too Close"
4. Calvin Harris feat. Ne-Yo - "Let's Go"
5. Carly Rae Jepson - "Call Me Maybe"
6. Cher Lloyd - "Want U Back"
7. Chris Brown - "Don't Wake Me Up"
8. Chris Brown - "Turn Up The Music"
9. Christina Aguilera - "Your Body"
10. David Guetta feat. Chris Brown & Lil Wayne - "I Can Only Imagine"
11. David Guetta feat. Nicky Minaj - "Turn Me On"
12. David Guetta feat. Sia - "Titanium"
13. Demi Lovato - "Give Your Heart A Break"
14. Ellie Goulding - "Lights"
15. Enrique Iglesias feat. Sammy Adams - "Finally Found You"
16. Far East Movement feat. Justin Bieber - "Live My Life"
17. Flo Rida - "Whistle"
18. Flo Rida feat. Sia - "Wild Ones"
19. Fun. - "Some Nights"
20. Fun. feat. Janelle Monáe - "We Are Young"
21. Gotye feat. Kimbra - "Somebody That I Used To Know"
22. Gym Class Heroes feat. Neon Hitch - "Ass Back Home"
23. Jennifer Lopez feat. Pitbull - "Dance Again"
24. Jessie J - "Domino"
25. Justin Bieber feat. Big Sean - "As Long As You Love Me"
26. Justin Bieber - "Boyfriend"
27. Karmin - "Brokenhearted"
28. Katy Perry - "Part Of Me"
29. Katy Perry - "Wide Awake"
30. Kelly Clarkson - "Stronger"
31. Ke$ha - "Die Young"
32. LMFAO - "Sorry For Party Rocking"
33. Madonna feat. M.I.A. & Nicky Minaj - "Give Me All Your Luvin'"
34. Maroon 5 - "One More Night"
35. Maroon 5 feat. Wiz Khalifa - "Payphone"
36. Nelly Furtado - "Big Hoops (Bigger The Better)"
37. Ne-Yo - "Let Me Love You (Until You Learn To Love Yourself)"
38. Nicky Minaj - "Pound The Alarm"
39. Nicky Minaj - "Starships"
40. One Direction - "Live While We're Young"
41. One Direction - "What Makes You Beautiful"
42. Owl City & Carly Rae Jepson - "Good Time"
43. P!nk - "Blow Me (One Last Kiss)"
44. Pitbull feat. Chris Brown - "International Love"
45. PSY - "Gangnam Style"
46. Rihanna - "Diamonds"
47. Rihanna - "Where Have You Been"
48. Rita Ora - "How We Do (Party)"
49. Swedish House Mafia - "Don't You Worry Child"
50. Tyga - "Rack City"
51. Usher - "Climax"
52. Usher - "Scream"
53. The Wanted - "Glad You Came"
54. Will.I.Am feat. Eva Simons - "This is Love"
55. Zedd feat. Matthew Koma - "Spectrum"

ORDER OF INSTRUMENTAL:


INTRO: "Lights," "Lights" VS "Ass Back Home"
CHORUS: "Ass Back Home"
BREAK: "Payphone" + "Let's Go"
VERSE: "Let's Go"
PRECHORUS, CHORUS: "Domino"
BRIDGE: "Wild Ones"
VERSE, PRECHORUS: "We Are Young" VS "Brokenhearted"
CHORUS: "Brokenhearted"
BREAK: "We Are Young"
CHORUS, VERSE: "Want U Back," "Boyfriend" VS "Rack City"
PRECHORUS, CHORUS: "Live My Life"
VERSE: "Where Have You Been" VS "Gangnam Style" + "Turn Me On" (Electro Mallets)
PRECHORUS: "Where Have You Been" VS "Set Fire To The Rain"
CHORUS, VERSE, PRECHORUS: "Die Young"
OUTRO: "Somebody That I Used To Know" (Xylophone) + "Starships"

12/2/12

A Angela Merkle é um caganer!

Seria muito feio alguém dizer que se está a cagar para o Natal, mesmo que tenha crescido e já não acredite no Pai Natal, ou que não seja religioso. Com o Natal não se brinca, é uma santa festa, uma tradição querida, familiar. Mas na Catalunha há um boneco que se está efectivamente a cagar o ano inteiro, é o "caganer", e, logo, também para o Natal. O "caganer"  ou "cagão", é uma típica e simpática  - dizem eles - personagem tradicional do folclore catalão. É própria dos presépios catalães e do Norte da Comunidade Valenciana (província de Castelló), o boneco coloca-se nos presépios a um canto, semi-escondido e as crianças divertem-se a procurá-lo. Faz parte da parte da tradição natalina da Catalunha e vende-se por todo o lado por esta altura do ano. O "caganer" é um homem do campo, camisa clara, calça escura. Fuma cachimbo e usa um barrete ou melhor, a barretina. Seria apenas mais uma figura do presépio se não estivesse de calças puxadas, o rabiote ao léu, em preparos próprios de quem acabou de defecar numa moita. A pequena estatueta tem as suas raízes na sociedade catalã de tradição agrícola do séc. XVIII quando simbolizava fartura, fertilidade, o desejo de que a colheita do ano seguinte fosse abundante! A tradição manteve-se e hoje expressa o mesmo desejo de abundância para o ano que se avizinha, de boa fortuna Na loja online Caganer, com sede em Gironadescobri Angela Merkle em versão "caganer" ou "cagona", além de uma galeria repleta de bonecos representantes das mais diversas áreas: ninguém escapa! Em posi­ção adequada, figu­ras reais - a rai­nha de Ingla­terra, Juan Car­los e Sofia de España,- figuras do universo político -  Putin ou Hol­lande, Rajoy ou Chá­vez, polí­ti­cos cata­lães e espa­nhóis, - criaturas das artes e letras e quadradinhos - Char­lot e Picasso Dom Qui­xote e Bat­man, - da música Springs­teen, Michael Jackson, Shakira - , e do cinema - a Pantera Cor-de-Rosa, os soldados da Guerra das Estrelas e até o Darth Vader - todos os joga­do­res do Barça, Messi, Ronaldo e Mourinho, nin­guém escapa, nem o Papa nem o Pai Natal!! Em 2005,  Barcelona não incluiu o "caganer" no seu presépio pretendendo relançar uma campanha em torno da higiene nas ruas. Uma manifestação com o slogan "Salvem el Caganer" não demorou a tomar forma e no ano seguinte o "caganer" voltou ao presépio!  O Centro Comercial Maremagnum.es, em Barcelona, Espanha, colocou em 2010 uma estátua do "caganer", com 6 m de altura, na área central e acabou por ver o inscrito o facto no livro Guiness World of RecordsPara que o "caganer" nunca deixe de ser levado a sério, também existe uma associação que se dedica à preservação da sua tradição.



12/1/12

Soufflé de peixe para o jantar!


A palavra soufflé é francesa e, eu, como portuguesa, devia usar antes a palavra suflê (soa melhor) ou suflé (dicionário da Porto Editora). Não há  forma melhor de chamar a atenção do que dizer que se vai fazer um soufflé de peixe para o jantar, a malta fica toda a pensar que somos uns artistas da cozinha!
Eu sempre associei o termo à corte francesa de Luis XIV, àquelas saias rodadas, balouçantes e volumosas, e às cabeleiras elevadas e tufadas. Não sei se Maria Antonieta comia soufflés, mas tartes devia comer, e brioches. Sim, eu sei é falsa a historieta sobre a multidão faminta e os brioches, ela nunca disse ao povo para comer brioches, isso foi tudo contra-propaganda. Também não sei onde foi confeccionado o primeiro soufflé nem quando, se é de origem italiana e importado para França, como parece ter sucedido com o macaron, mas sempre gostei da palavra e do seu som soprado. A palavra prenuncia, desde logo, algo suave, macio, fofo, ou, se quisermos estragar tudo, inchado. Prepare-se o soufflé e meta-se ao forno. Quando estiver pronto ele estará inchadinho e fofo como um insuflável. É uma bela visão. Mas basta retirá-lo do aconchego do calor e ele logo desincha como um balão furado. O efeito fofo resulta da clara batida em castelo que se junta na fase final aos ingredientes. O soufflé é um prato de forno, muito bom para comer no Inverno, e para ser bem comido, deve ser sacado do forno, colocado na mesa e atacado sem piedade pelos comensais no momento imediato. A deitar vapor e a escaldar a língua, em garfadas fofas, não há melhor para espantar o frio. Outra beleza destes pratos é o cheirinho que se liberta do forno e enche a casa. Cheirinho bom, a especiarias, cheirinho quente, até capaz de derreter o inverno mais frio lá fora! Outra maravilha do soufflé é que serve para aproveitar restos de pratos de peixe - nunca fiz com carne, como sabem, não sou muito dada a cozinhações, e nem sei se resulta bem. Assim, e embora o prato tenha aquele requinte emprestado da língua francesa, o que estamos nós afinal fazer, nem sempre, mas de vez em quando, certamente, é cozinha económica e racional e ainda por cima com um toque chique. 
Neste caso, aproveitei para tratar dois assuntos, um racional e um ingrato: aproveitei o resto de um peixe estufado que tinha feito e aproveitei também para gastar um resto de pescada desclassificada, um peixe que, balha-me deus, não sabia a nada, antes o tivessem deixado seguir por esse mar fora pois não alegrou a minha mesa nem teve um bom destino. Por regra não gosto de cozinhar alimentos fracos mas era uma dor de alma deitar fora pescada acabada de comprar. Logo pensei que aquilo só bem temperado e muito disfarçado é que se podia comer! E comeu-se, e bem, foi preciso apenas dar-lhe a volta. Vejam como ficou o soufflé de peixe lá acima e se quiserem preparar um igual ou parecido aqui deixo as indicações, é básico, não, eu não sou nenhuma artista da cozinha...!

Ingredientes do soufflé

- mais ou menos 500 gr de pescada congelada ou restos de peixe
- 3 fatias de pão grosso, pode até ser pão que vá sobrando das refeições
- leite em quantidade suficiente para ensopar o pão, cortado em cubinhos
- 3 ovos
- 3 tomates de tamanho médio, maduros
- 1 cebola grande
- 1 cabeça de alho grande
- louro em pó, pouco, quero dizer, de acordo com o seu gosto
- noz moscada, pouca, pois é forte, mas depende do gosto de cada um
- azeite para refogar
- sal
- pimenta de acordo com o seu gosto, eu carrego sempre!

Preparação do soufflé

1. Cortar e colocar o pão aos cubinhos numa tigela embebido no leite amornado.
2. Colocar o azeite no tacho grandinho e refogar durante alguns minutos a cebola, alho, tomate, o louro, a pimenta e a noz-moscada. Juntar a pescada e ir desfazendo em pequenas fibras. Eu junto-a mesmo ainda congelada pois esqueço-me de retirar um pouco antes quase sempre. Se for assim dará mais trabalho a desfazer mas recebe à mesma o tempero. (Para cozer uma pescada acabada de tirar do frio é apenas preciso usar mais sal do que na natural.) E agora esqueçam o mito de que peixe congelado não tem a mesma qualidade o fresco. A Pescada obtém-se em alto-mar, se for pescada por um daqueles navios bem apetrechados e ultra-congelada, é mais fresca do que se vier no barco e depois por estrada para ser vendida nos mercados. Bem, em 10-20 minutos o peixe coze, por vezes tem de se juntar água, veja se se pega ao tacho. Eu coloco logo algum sal em cima do peixe no tacho. Depois juntar o pão e envolver tudo. De seguida juntar as 3 gemas e envolver bem. É a altura de ver o sal pois o mais certo é não ter sido suficiente, e os restantes temperos, deve temperar à sua maneira. Depois de dar mais uma volta a tudo, apago o lume. Vou bater as claras e acendo o forno. Junto as claras em castelo, envolvo mas não mexo muito, parece que elas não devem ser remexidas, eheheh, e lá vai o soufflé para dentro do forno num pirex. Como tem azeite eu não meto manteiga no pirex e não costuma colar-se a ele. O forno está a 180ºC e o soufflé fica lá 25-30 minutos e depois desligo o forno e ligo o grill por mais 5 minutos para dourar. É preciso andar a deitar-lhe o olho para ele não queimar. Eu tenho sempre alguma dificuldade em perceber se está cozido, espeto com palito e pronto. Se o palito volta seco, está pronto para o grill. É que nem todos os fornos libertam o mesmo calor, por isso é sempre bom vigiar e não confiar nos números. 

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