22/05/20

Covid 19: idas à praia, ventilação, ar condicionado


IDAS À PRAIA. A DISTÂNCIA DE 1.5 M ESTÁ ERRADA

Opinião de Manuel Gameiro da Silva. Partilho textos retirados do seu Facebook de forma integral.

Como vem aí um fim de semana de bom tempo e é provável uma grande afluência às praias, a minha opinião sobre as regras difundidas de posicionamento nas praias, que considero erradas e perigosas.
O que há de diferente entre um ambiente interior e uma praia:
- O confinamento físico do espaço, que é normalmente inexistente numa praia;
- A exposição a radiação solar direta, existente numa praia e maioritariamente inexistente num ambiente interior;
- A gama de velocidades do ar; tipicamente da ordem de 0 a 0.2 m/s na zona ocupada no interior dos edifícios, enquanto que a velocidade média do vento na orla costeira portuguesa deve ser de cerca de 4m/s.
Quais são as consequências destas diferenças de condições ambientais? A capacidade de dispersão da carga viral é mais elevada no ambiente exterior de uma praia e também o tempo em que o vírus se mantém viável é mais reduzido. Os dados apresentados por William Bryan, consultor do DHS, numa conferência de imprensa na Casa Branca, referem uma meia-vida de 1 minuto e meio quando o vírus é sujeito a radiação solar direta, em condições de temperatura de 21 a 24ºC e de 20% de humidade relativa.
Todavia, numa praia, é maior a capacidade de transporte das partículas exaladas de maior dimensão (que nos ambientes interiores caem antes de 2 metros) porque a gama de velocidades é mais elevada.
Numa praia, com todo o espaço disponível, não faz qualquer sentido um distanciamento de 1.5 metros entre utentes de toalhas vizinhas, porque as gotículas de maior dimensão, às quais estará associada uma maior carga viral, poderão facilmente ter percursos superiores a essa distância,devido às velocidades do ar mais elevadas.
Acresce o facto de 1.5 m não ser um comprimento significativo para que a maior capacidade de dispersão, devido às velocidades superiores do vento, já se tenha feito sentir e, além disso, o efeito da radiação solar será ainda praticamente nulo na eliminação do vírus num trajeto com duração de menos de 2 segundos. O mesmo se aplica relativamente aos 3 m de distanciamento entre chapéus de sol, toldos ou colmos, podendo estes ser ocupados por até 5 pessoas.
A distância entre toalhas de pessoas de grupos diferentes deveria ser de mais de 10 m, porque será praticamente impossível garantir que as pessoas usarão máscaras e é preciso distância para garantir a dispersão ds aerossóis.
Não consigo entender de todo que tipo de raciocínio possa ter estado na base da fixação dos valores definidos e acho que o mais importante é explicar estratégias e comportamentos.
O fator mais relevante no posicionamento dos utentes numa praia é a direção do vento, que aliás é facilmente percetível para toda a gente, a partir da visualização das bandeiras de sinalização do estado do mar.
Sugiro que imaginem que no grupo vizinho há alguém a fumar. Posicionem-se como se quisessem garantir que, tendo em conta a direção do vento, não apanhavam com o fumo do tabaco,
PARTILHEM, SFF

Outras opiniões: VENTILAÇÃO DE ESPAÇOS e OUTRAS QUESTÕES

Porque acho que poderá ser interessante que seja do conhecimento público, as minhas respostas a duas questões que me foram colocadas após um dos webinars em que participei:
1. A ventilação de ar novo dos espaços deve ser feita com os ocupantes ou sem os ocupantes no espaço? Pergunto porque a ventilação pode de alguma forma «empurrar» o ar contaminado para outros espaços? E se se recomenda ter a porta aberta durante a ocupação dos gabinetes, o melhor é ter a porta fechada durante a ventilação, para que o ar contaminado não se desloque para outras zonas.., o melhor é ventilar durante as pausas ou almoço e com a porta fechada?
Deve ventilar sempre, não faz sentido parar de ventilar quando estão os ocupantes. A ventilação tem como objetivo diminuir a concentração da carga viral que possa existir no ambiente devido à libertação a partir de um potencial infetado. Como não sabemos à partida onde é que esse potencial infetado poderá estar, o que podemos fazer é diluir a concentração do vírus, tanto quanto pudermos, de modo a que as pessoas sejam sujeitas a concentrações abaixo do limiar de infecciosidade. Nestas questões de qualidade do ar interior o que interessa é baixar tanto quanto for possível a dose a que as pessoas estão sujeitas. A dose resulta do produto da concentração média ao longo do tempo pela duração do período de exposição.
Claro que se tiver uma unidade industrial ou um edifício com diversos setores que estejam servidos por diferentes unidades de tratamento de ar, as portas de comunicação entre os setores devem estar fechadas, para que não ocorra uma possível contaminação cruzada entre os setores. Contudo, deve-se sempre ter o cuidado de garantir que não há espaços que ficam sem ventilação.
2. Por outro lado, o que acha desta situação: duas pessoas que façam deslocação no mesmo veiculo aconselha que o 2º vá atrás, do banco do condutor ou levando ambas mascara isso é dispensável (o 2º ir atrás..)?
Se forem duas pessoas devem levar ambas máscara. Como o escoamento no interior do habitáculo de um automóvel se faz da frente para trás, com entrada pelas grelhas do tablier e saída pelas grelhas de extração que ficam normalmente junto aos pilares traseiros, por cima do vidro traseiro ou na chapeleira, a minha sugestão é que viajem em lados diferentes do veículo e nunca uma atrás da outra. Assim podem ir as duas pessoas no banco da frente, ou a pessoa que não conduz ir sentada atrás no lado direito do veículo, se o volante for do lado esquerdo. O ar condicionado pode estar a trabalhar, para garantir o conforto térmico, mas sempre no modo de entrada de ar novo, nunca no modo de recirculação.
Se forem lado a lado nos bancos da frente, devem ser instruídas para falarem sem se virarem uma para a outra. Devem ter sempre alguma ventilação ligada, preferencialmente a que é dirigida para o para-brisas, de modo a criar uma circulação do ar pela parte de cima junto ao teto e devem-se evitar situações de abertura não simétrica das janelas laterais, porque isso pode destruir o padrão normal de escoamento no interior do veículo e permitir contaminação de um lado para o outro.
Se forem uma no banco de trás e outra no banco da frente, em lados diferentes, a ventilação deve preferencialmente ser feita pelas duas entradas laterais do tablier, mantendo-se o que disse anteriormente sobre as aberturas das janelas laterais.

TRANSMISSÃO POR AEROSSÓIS e AR CONDICIONADO

Vamos lá então explicar esta questão agora levantada de o ar condicionado contribuir para a propagação da COVID-19, por causa do artigo sobre o que se passou num restaurante em Guangzhou.
Primeiro ponto: A principal conclusão do artigo, que parece ter escapado à generalidade dos que resolveram comentá-lo, é que o modo de transmissão por aerossóis existe mesmo no caso da COVID-19, ao contrário do que afirmava o Diretor-Geral da OMS que dizia que nos cerca de 70 000 casos de infeção da China não havia qualquer evidência de transmissão por aerossóis. Não explicou, no entanto, que evidências é que tinha sobre os outros dois modos de transmissão nesses 70000 casos
Segundo ponto: O artigo não diz que o ar condicionado tenha potenciado a transmissão. O que diz é que a rota de transmissão do vírus teve a ver com o padrão de escoamento existente na sala devido ao equipamento de ar condicionado. Se não houvesse ar condicionado e as condições de ventilação (diluição em ar novo) fossem as mesmas, o número de infetados seria provavelmente da mesma ordem de grandeza. Isto porque o ar condicionado não acrescenta carga viral, só a distribui de outra forma ao longo do volume da sala.
Estabeleçamos uma analogia: Temos um "serial killer" com uma pistola com seis balas no palco de uma sala de espetáculos que tem a plateia semi-cheia. Podemos dizer que ele mata mais pessoas se disparar os seis tiros para o fundo da sala do que se os disparar para a primeira fila?
Evidentemente que não. Se simularmos num jogo de computador, muitas vezes esta situação, porque assim não haverá vítimas reais, se não houver não-uniformidades evidentes na distribuição de pessoas na sala, chegaremos à conclusão, quando o número de testes for suficiente para ter representatividade estatística, que teremos o mesmo número de vítimas nos dois casos.
Convinha que a DGS não começasse agora a exacerbar competências estendendo a sua atuação às áreas que são claramente do domínio da Engenharia .Depois de não se terem apercebido da necessidade de abordagens interdisciplinares nas fases anteriores...

MÁSCARAS E VISEIRAS
Então, aqui fica uma interpretação da área de Engenharia sobre a complementaridade das máscaras com as viseiras. As máscaras cirúrgicas são menos eficazes na retenção das partículas de menores dimensões, exatamente aquelas que são responsáveis pelo modo de transmissão por aerossóis. Uma viseira é uma parede sólida e funciona particularmente bem relativamente à situação de escoamento em que o risco de inalação é maior, isto é aquela em que há um escoamento frontal que vem contra a nossa face. Neste caso, o escoamento é forçado a contornar a viseira e a carga viral nos aerossóis que chega à máscara torna-se residual.
Aparentemente, escapou aos especialistas convidados a opinar...
Aliás, desconfio que tem havido muito poucas opiniões de Engenharia nas tomadas de decisão.

Desconfinar é bom!













20/05/20

O tempo do absurdo é agora


Foto de anúncio de venda de máscara (visto no Facebook)

Alguém inventou a mascarilha que queria ser viseira e alguém anda a vender. O que mais me surpreendeu foi ler nos comentários que há gente a comprar porque é lindo! É lindo! Já agora, porque não compram antes uma chupeta? Também é fofinho e dá muita protecção. Se abrirem a boca, ela cai. Por isso, a chupeta impede os vírus de sair. Pelo menos, pela boca. Vocês ainda têm paciência para conviver com toda esta paranóia? Eu estou à beirinha da loucura. Um destes dias ainda assalto um banco: máscara que me deixa açaimada como um cão, luvas até ao cotovelo e viseira de soldadura, já tenho. E sem engenho assim para ganhar dinheiro honradamente, resta-me a salvação da ilicitude!

19/05/20

Bolo com cobertura de pera fatiada: simples e bom!

 


De preparo muito simples, dá um pequeno bolo, ideal para lanche ou para completar uma refeição leve. 

Ingredientes: 3 peras maduras cortadas em fatias, 100 gr de manteiga à temperatura ambiente, 150 gr de açúcar, 270 gr de farinha com fermento, 2 ovos, raspa de limão, 15 gr de fermento em pó e 80 ml de leite. Açucar mascavado e canela para polvilhar a camada de peras. Usei uma forma de aro removível, com diâmetro de 26 cm, em forno pré-aquecido a 180º . 

Como fazer? Numa taça, desfazer a manteiga e bater (usei batedeira eléctrica) até formar uma pasta macia. Juntar o açúcar até ficar bem incorporado e a raspa de limão. A seguir os ovos um a um, batendo bem. À parte, misturar o fermento na farinha e depois adicionar esta aos poucos ao preparado. Deitar o leite antes de terminar de juntar a farinha. Se depois de juntar toda a farinha a massa ficar muito presa, pode juntar um pouco mais de leite. A massa é consistente para suportar a fruta sendo até preciso espatulá-la na forma. Untar e enfarinhar a forma e verter a massa. Dispor as fatias de pera em volta, pressionando ligeiramente. Polvilhar com açúcar mascavado e canela a gosto. Pode ser usado outro açúcar. Juntar miolo de noz também não fará mal. Vai 40 minutos ao forno. 

As mulheres que cozinham para os homens


Fotomontagem: MC Somsen, Facebook

Vou confessar-vos. Ainda não me casei porque ainda não encontrei um macho que queira livrar-me do inferno diário de preparar comida. Onde é que andará o meu gastrossexual de sonho? Assumo. Deixem-me sair da despensa: sou daquelas que se conquistam pelo estômago. Onde andará o meu deus na terra, aquele homem mítico que me livrará desse tormento que é ter de ir comprar ingredientes saudáveis com boa relação de qualidade/preço, acondicioná-los, destiná-los, e depois prepará-los segundo ritos nutricionais e calóricos equilibrados e levá-los à mesa com boa apresentação e requinte, diariamente, sempre com o sorriso fresco e divertido de quem acabou de degustar um amuse-bouche num restaurante Michelin? Cheguei a considerar seduzir uma mulher, mas não resultou: nem a química nem a física funcionaram, nem a consegui provar. Mas as refeições eram um prazer. E é por isso que acabo de partilhar uma receita de um bolo de pera em vez de uma infografia feita no Illustrator de um automóvel híbrido. Está-se mesmo a ver que o presidente do ACP é um zero à esquerda na cozinha. Mas é capaz de ter tido mais sorte do que eu: terá, eventualmente, seduzido uma fêmea cozinheira com conversas bem oleadas sobre fantasias e loucuras em automóveis descapotáveis. Há 16 anos que o Carlos Barbosa está na presidência. Deve ser uma máquina de gestão. No discurso de tomada de posse até aposto que ele lhe agradece ante os presentes, concluindo, embevecido: "Atrás de um grande presidente há sempre uma grande cozinheira".