9/22/14

A escalada da Torre dos Clérigos em 1917










A INCRÍVEL HISTÓRIA do Homem Aranha como nunca a leu. Pedro foi viver com os tios, em Cedofeita, no Porto, quando os seus pais morreram num acidente. Era uma criança como as outras, nadava no rio, jogava ao berlinde e ao pião. Os anos passaram e tornou-se um adolescente tímido, inteligente e bom aluno. Aos 15 anos, durante uma experiência na aula de biologia, Pedro foi picado por uma aranha misteriosa que tinha viajado num rabelo, Douro abaixo, desde as vinhas na Régua. Pedro sentia que o seu corpo estava a mudar mas não imaginava que isso era uma consequência da picada. Uma bela noite Pedro descobre que tem poderes incríveis! In extremis ele consegue escapar a um atropelamento na avenida dos Aliados! Sem pensar, o jovem salta e fixa-se nas paredes de um prédio! Escala a parede até chegar ao telhado e respira fundo. Pedro fica tão deslumbrado com os seus poderes que nas noites seguintes chega sempre tarde a casa, percorrendo os telhados da Invicta, observando cada viela do alto e os seus habitantes. Se numa dessas noites tivesse chegado mais cedo podia ter protegido a vida do seu tio. Ainda viu o ladrão a escapar-se mas nada pode fazer. Com remorsos, decide fazer das tripas coração, usar os seus poderes para o bem. Ei-lo a escalar a Torre dos Clérigos durante uma campanha de recolha de fundos para ajudar as crianças orfãs. Nos anos 60, desagradado com a situação política do país e perseguido por se recusar a ir combater para as colónias, Pedro decide emigrar para os EUA.De rosto escondido, ele é então Peter Parker, o Homem Aranha, e até hoje ainda não parou de lutar pelo bem – grandes poderes, grandes responsabilidades.
Vi o video da escalada da Torre no Facebook e escrevi a historieta do Homem Aranha, mas depois fui aprofundar a história real. É sempre o mesmo. As imagens circulam sem créditos e sem forma de podermos aprofundar o assunto. Quando é que as pessoas aprendem? Isso levou-me ao site da Cinemateca onde encontrei o documentário completo da Escalada da Torre dos Clérigos, a que Caldevilla chamou Um chá nas nuvens.  





Quem eram os dois homens que em 28 de Outubro de 1917 escalaram a Torre dos Clérigos, no Porto? Ao tempo da sua construção era o edifício mais alto de Portugal. A torre, projecto de Nicolau Nasoni, é decorada segundo o estilo barroco, com esculturas de santos, fogaréus, cornijas bem acentuadas e balaustradas. Tem seis andares e 75 metros de altura, que se sobem por uma escada em espiral com 240 degraus.  Em 1917, a Torre dos Clérigos foi escalada com sucesso por dois acrobatas profissionais espanhóis, parece que galegos, os Puertullanos, pai e filho, D. José e D. Miguel Puertullano. Tratou-se de uma manobra publicitária da fábrica de bolachas Invicta. Foi um homem ligado ao cinema, de nome Raul Caldevilla, que chegou a sonhar montar uma indústria cinematográfica no Porto ao melhor nível internacional, que teve a ideia. A sua produtora cinematográfica, a Caldevilla Films, foi responsável pela versão de 1922 do filme As pupilas do sr. Reitor, e também de documentários, Um chá nas nuvens, sobre a escalada da Torre, ou 9 de Abril, entre outros. Foi ele quem, como se diria hoje, quem produziu o evento para publicitar uma nova marca de bolachas. 

Quando vi o video no Facebook não percebi de imediato que um dos homens faz a escalada completa, o outro acompanha-o depois, começa a partir do último campanário. O filho demorou meia hora a completar a escalada, praticamente sem cordas, com excepção de um pequeno lance onde a parede é lisa. Os dois acrobatas instalaram no cruzeiro de ferro uma pequena mesa sobre a qual simularam tomar chá com bolachas e dali lançaram folhetos publicitários coloridos sobre a cidade. Isso é visível no video da Cinemateca, assim como a assinatura do contrato e a multidão que observava a façanha, não no video que tinha visto no Facebook. A escalada atraiu gente da província de tal forma que até houve bilhetes de comboio com preço reduzido. Os jornais calcularam uma afluência de 150.000 pessoas e pode ler-se num deles que "o pão esgotou em todos os estabelecimentos da cidade" nesse domingo à tarde, prova de que havia muita gente de fora. Neste mesmo video ainda se vê o início da descida que também foi feita pelo exterior da torre e deve ter sido ainda mais arriscada do que a subida. 

Leiam a excelente postagem no blogue PORTOARC, não vale a pena eu estar a copiar se alguém já fez por mim, com apontamentos diversos sobre a Torre, incluindo fotos recentes e esta delícia: 



9/21/14

Soluções caseiras para matar formigas?


Promete eliminar em segundos baratas, aranhas, formigas, pulgas, peixinhos de prata e tudo o que rastejar pela casa. Misericordioso na sua missão, - ninguém quer matar lentamente, a não ser que seja um torturador, - penso que daqui para baixo o rótulo se transforma em
 literatura de terror. Mata em segundos e continua a matar, pois tem acção prolongada. Mas há mais. Se eu tivesse lido o rótulo no supermercado já não o tinha comprado. É extremamente inflamável, mas isso a gente até já nem liga, estamos rodeados de sinais a avisar disso, basta ir meter gasolina. Os fumadores é melhor apagarem o cigarro antes de vaporizar ou poderão ter uma surpresa. Não diz no rótulo qual, mas é possível que virem tocha humana. É irritante para a pele, a exposição repetida provoca secura ou fissuras. Olhos e mucosas também ficam irritados na presença desta porra e não se devem respirar os aerossóis, imagine-se o que isso poderá fazer, desencadear um ataque de asma num asmático ou pior! Sendo assim pergunto-me porque não lhe deram um cheiro desagradável. Mas não. Cheira bem! Dir-se-ia um ambientador! Só se deve usar em locais ventilados. Claro que é preciso cuidado com as áreas onde vamos pulverizar esta merda. No meu caso as áreas problemáticas são a varanda e a cozinha. O diabo das formigas andam convencidas de que são aranhas ou coisa assim, trepam até ao 3º andar na boa!Não faço ideia onde fica o formigueiro!! O problema é que a varanda e a cozinha são contíguas e as formigas entram pela varanda para alcançarem a cozinha. Andam tão famintas que basta existirem migalhas no chão que logo as vemos a carregá-las dali para fora! E não se pode dar maçã ao canário pois elas atacam na gaiola para ir comer a maçã!! Continuando a leitura do rótulo, cuidado com comida e bebida, a nossa e a dos nossos animais, e utensílios de cozinha. Tapar tudo, remover tudo e, óbvio, não aplicar em superfícies onde se manipulem os alimentos. Nem pensar em pulverizar em aparelhos eléctricos sem os desligar - imaginem eu a pulverizar isto na traseira do frigorífico e ele a incendiar-se! Seria isso possível? Explodiria até?!! Gaiolas, aquários e animais domésticos ficam todos em perigo na presença deste exterminador. Mas, mesmo depois de aplicado, e nunca em superfícies porosas, diz ali para evitar o contacto com as superfícies tratadas. Ora, eu limitei-me a aplicar no rodapé da varanda. Será que aquilo é poroso?!! Mas imaginem que a cadela vai para a varanda e resolve lamber o rodapé!!! Se cheira bem...também pode saber bem! Verdade ou mentira?! É muito tóxico para os animais aquáticos, lê-se ainda no rótulo, "podendo causar efeitos nefastos no ambiente aquático". Daí o aviso, não deitar os resíduos no esgoto.E também "Não se desfazer do produto e do recipiente sem tomar as medidas de segurança devidas". Esta parte deixou-me particularmente inquieta. Que medidas de segurança?!! Isso o rótulo não refere. Cipermetrina é o nome do componente activo do insecticida. Fiz uma busca rápida e descobri que esta bodega é mais popular que o pó de talco. Num site brasileiro li que este agente também é usado em cães, no combate ao mosquito que causa a leishmaniose! A aplicação é feita no pelo do animal, não na pele. Aplica-se espalhando o volume sugerido na ponta das orelhas, cabeça e linha dorsal do animal?! O produto também deve ser aplicado nos canis (paredes e telas) e nos portais de janelas e portas das residências e apartamentos, lia-se num folheto que encontrei online. Também os agricultores usam produtos com este agente activo e descobri que até faz mal às abelhas, que, como se sabe, estão ameaçadas. E porque será? Porque andamos a espalhar esta porcaria - e outras - pelo planeta inteiro desde os anos 60!


É mesmo, o RAID já anda aí desde os anos 60, é uma cortesia da SC Johnson, A Family Company. Vejam abaixo alguns anúncios americanos de TV dos anos 60 e de anos recentes e comparem os conteúdos, a animação utilizada, a sua contextualização histórica, o tipo de humor empregue. Façam um intervalo. É giro!

Mas voltando ao que interessa, se tinha um problema - a infestação de formigas - agora quedei-me com dois problemas. O problema 1 que é, como é que faço para me desfazer de uma lata de 400 ml de veneno? E o problema 2: como é que procedo para matar as formigas sem recorrer a esta mixórdia? Ficava até mais contente se elas fossem à sua vidinha sem ter de as aniquilar!

O Centro de Informação Anti-Venenos aparece referido no rótulo como a tábua de salvação em caso de azar. Mas quando abri o site do Centro apareceu isto: "TUDO É VENENO E NADA É VENENO, SÓ A DOSE FAZ O VENENO". PARACELSO, SÉC. XVI. Sou uma exagerada. Oh, estou tão mais tranquila agora. Não sei se deva enviar um email para lá perguntando onde posso deixar cair a "bomba". irão gozar com a minha cara? 


As formigas já percorriam o mundo antes dos homens, surgiram no Cretáceo, o homem só mais tarde, na Era Cenozóica. Existem mais de 10.000 espécies de formigas a calcorrear este chão com os seus exércitos. À semelhança das abelhas, são societárias. Organizam-se por tarefas: são obreiras, soldados, operárias e rainhas. Comunicam umas com as outras através de feromonas, deixando rastos para as colegas seguirem. Irritantes, e até prejudiciais, não deixam de ser admiráveis, e de preferência eu preferia não as matar. Durante séculos as pessoas livraram-se das formigas sem utilizar venenos como este que trouxe para casa, uma bomba que mata as formigas mas com outros danos e riscos associados que eu gostava de evitar. Assim fui pesquisar as soluções dos nossos antepassados e encontrei muitas sugestões. Aqui as deixo pois podem ser úteis a alguém.

a. Limpeza! Limpar bem as áreas da cozinha e da varanda. Escusado será dizer que sou uma moça limpinha. Mas ultimamente as formigas encetam cruzadas animadas por uma religião estranha. Tudo por uma simples migalha caída no chão!!

b. Água e sabão líquido (uma colher de chá) num vaporizador e toca a fazer spray sobre as formigas. Parece que destrói o rasto químico e elas destroçam e deixam a malta em paz. Folhas de hortelã ou óleo de menta, ou casca de limão também se podem juntar no frasquinho.

c. Método da barreira! Construir uma barreira para deter o exército! Bastam 7 mm! Utilizar: carvão em pó, pó de giz, açafrão das Índias, óleo cítrico, pimenta, pó de talco, vinagre e água. Sabão com bicarbonato de sódio também funcionam asseguram os entendidos em  formiguedo.

d. Substâncias com cheiro forte intoxicam as formigas! Usar folhas de hortelã esmagadas, frescas ou secas. Esfregar alho na área a proteger ou deitar alho em pó, óleo de lavanda, óleo de cravo ou cravinhos esmagados, cânfora nas zonas por onde as malvadas se passeiam em procissão. 

e. Uso pouco açucar mas o açucareiro está sempre na bancada e de vez em quando lá estão elas. Folhas de louro coladas na tampa são eficazes para as formigas fugirem e também cravinhos.

f. A borra de café aniquila os rastos e confunde as formigas, também os grãos. Além disso a cafeína mata as formigas se ingerida.

g. Colocar ácido bórico e uma colher de açúcar num pires. Elas são atraídas e o ácido bórico mata-as.

h. E para finalizar quero referir o Óleo de neem , embora não tenha ainda percebido se é eficaz contra as formigas. Neem é uma planta que pertence ao mogno e ao cedro, conhecida como "nim" e também "amargosa", e ainda "pau para toda a obra" em virtude das suas muitas utilizações.Considerado como pesticida ou insecticida biológico, o óleo de Neem é uma forma natural para controlar insectos graças à azadirachtina. Não é tóxico para humanos e animais, e é totalmente biodegradável. Só os insectos prejudiciais ao crescimento das plantas é que são afectados pelo óleo de Neem. Abelhas, joaninhas e outros insectos ficam completamente ilesos. 









#peaceday


9/20/14

A receita do biryani de galinha

Estou de volta para escrever sobre o jantar de ontem, biryani de galinha. O prato é muito aromático e quente. Para alguém como eu, sobretudo habituada à cozinha tradicional portuguesa, e ainda por cima à mais simples e sem muitos temperos, foi uma experiência muito interessante. 

Fiquei surpreendida pois apesar da variedade enorme de especiarias presentes no biryani de galinha o sabor final consegue ser ainda suave. No entanto eu tive cuidados extra com o chilli! Não sou amiga dos picantes! Antes de levar a galinha a cozinhar fui a correr estripar as vagens do seu interior, sementes e filamentos, que é onde se concentra o picante, não fosse aquilo picar a valer! O gosto delas já se tinha comunicado ao frango e assim podemos comer tudo à vontade. O chilli verde é mais rico em vitamina C do que a laranja! E também tem muita vitamina A. Curiosamente foi introduzido na gastronomia indiana pelos portugueses! 

Em relação ao alho e ao gengibre as receitas indicavam uma pasta das duas, mas eu usei pó. É preciso dizer que eu cortei o valor das especiarias para metade por ter receio que o meu sobrinho não gostasse, ou mesmo nós. Portanto, em vez de uma colher chá, a medida que eu usei foi uma colher de café. É natural que o prato seja bem mais condimentado do que isto. Mas tive receio de não conseguirmos comer! Assim toda a gente gostou! Nas várias receitas que vi no Youtube indicavam colocar corante alimentar amarelo em cima do arroz, antes de tapar para deixar cozinhar, mas eu dispensei esse pormenor. 

Penso que o resultado final foi bom, mas talvez não inteiramente perfeito. O arroz que estava mais perto do frango pareceu-me algo moído. E a cebola também não ficou tão frita como vi fazerem, mas eu tive receio que ficasse demasiado amarga e parei a fritura. Outra coisa que me surpreendeu - ninguém se queixou de indisposição no estômago! Eu pensava que o biryani fosse indigesto. Erro meu.

A raita combina-se estupendamente com esta carga de especiarias, o conjunto resulta num quente e frio muito agradável.

Não faltam receitas do biryani de galinha na internet. Aqui fica o registo de como eu preparei este aromático prato da cozinha indiana. Aconselho a que leiam várias receitas antes de decidir fazer!

Ingredientes e preparação do frango

500 gr de bifes de frango (mas pode ser frango com osso) cortados em pedaços

Marinada para o frango:

1 iogurte natural
2 colher de café de garam masala 
1 colher café de açafrão das Indias
1 colher café de alho em pó
1 colher café de gengibre em pó
1 colher de café de sal
2 colheres de sopa de óleo vegetal
Pó de chilli - Red chilli powder (usei o nosso piri-piri, 1 colher de café roubada)
2 vagens de chilli verde cortadas em cinco pedaços(fiz assim para o meu sobrinho poder "pescá-las" do arroz, caso não gostasse, mas eles dizem que as vagens devem ser cortadas às rodelas)
1 mão cheia de folhas de hortelã e outra de coentros
Meio sumo de limão

Juntar tudo, envolver o frango, tapar, e deixar entre 6-12 horas no frigorífico.

Ingredientes e preparação do arroz

2 cebolas - cortar em meias luas e fritar em duas colheres de sopa de óleo até ficar castanha, pelo menos alguma dela, em lume médio. Uma pitada de sal ajuda a fritar.

200 gr de arroz basmati - colocar de molho entre meia a duas horas, lavar bem, escorrer. Cozer em água abundante, pelo menos 3 partes. Na água deve juntar-se:

1 colher de café de sal
1 pitada de cominhos
1 colher de chá de manteiga clarificada
2 colheres de sopa de óleo
3 folhas de louro

Quando a água levanta fervura, junta-se o arroz, por dois minutos. O bago do arroz está pronto assim que o partimos ao meio com as unhas do polegar e indicador. É uma pré-cozedura.

Preparação da cozedura

Ingredientes

2 colheres de chá de manteiga +ou -
Folhas de menta e coentros
Sumo de meio limão
Cebola frita

Untar o fundo do tacho (com fundo grosso) com manteiga e colocar a galinha numa camada uniforme. Espalhar algumas folhas de hortelã e coentros. Depois colocar o arroz escorrido noutra camada e em cima espalhar a cebola frita, mais algumas folhas de hortelã e 1 colher de chá de manteiga.

Levar ao lume, em fogo baixo, em cima de uma grelha. Parece ser importante que a cozedura seja lenta.  A tampa deve fechar bem, sendo aconselhável até colocar um peso em cima. O tacho esteve no lume exactos 40 minutos.Findos os 40 minutos, abrir, colocar 1 colher de manteiga e misturar. Decorar com mais algumas folhas de menta e coentros. Aguardar cinco minutos e espremer sumo de meio limão por cima do arroz.

Raita

1 pepino
1 iogurte natural (iogurte natural desnatado ou então coalhada)
1 colher de sopa de sumo de limão
1 colher de sopa de hortelã picada
Açucar, pimenta e alho em pó a gosto

Ralar o pepino. Em alternativa, ralar metade e cortar a outra metade em fatias finas. Misturar tudo numa tigela. Colocar no frigorífico e servir bem frio.

Também encontrei esta versão.


Salada Tzatziki - Lavar e tirar a casca a um pepino e cortar ao meio. Retirar as sementes. Juntar 1 iogurte grego sem açúcar, as raspas de ½ limão e uma colher de sopa de sumo de limão numa taça. Adicionar 1 alho ralado, temperar com sal e pimenta e acrescentar 1 fio de azeite e mel a gosto. Cortar o pepino em fatias bem finas para dentro da taça e misturar  hortelã picada. 

O Jafar, um amigo meu, indiano, enviou-me também este video. É mais fácil fazer o prato seguindo as instruções deste chef de cozinha! 

9/19/14

Sai um biryani de frango!


O biryani é um prato de arroz muito comum na Índia e no Paquistão. Pode ser feito com galinha, carneiro e até camarão. Uma vez jantei num conhecido restaurante indiano na Figueira da Foz, penso que até já fechou, com garantia de que era servida autêntica comida indiana por pertencer a um indiano. Foi ele mesmo quem nos veio atender e demos-lhe carta verde. O meu parceiro era experimentado em picantes e a meio do jantar houve gotículas de suor a escorrer da testa, o que ele encarou com a maior naturalidade. Eu dispensei o transe capsaisino! De outra vez foi tipo fast-food, já não sei dizer qual o shopping, mas sei que  a experiência aconteceu em Lisboa e não deixou muitas saudades! Almocei ainda num restaurante paquistanês, em Amsterdão. Daí recordo o facto de toda a comida ser servida em taças e de nos dizerem que depois de pegarmos uma taça da mesa a devíamos passar à pessoa à nossa direita que a passaria à seguinte. A refeição foi variada e acompanhada por chá quente, servido em copos enormes com base e pega de metal. Era castanho avermelhado e muito agradável. Também tive um período em que não despegava da boa da chamuça. Já se passaram anos sobre essas vivências e eu apenas recordo que não desgostei do que me foi servido. Mas essas incipientes provas não me fizeram fã da cozinha indiana, nunca me apeteceu repetir. 

Então, há cerca de um mês, estava eu à conversa com um paquistanês - entenda-se, online -  e o tópico comida surgiu. É uma guerra pacífica. Toda a gente gosta de bombardear a gastronomia do seu país - a melhor do mundo! - sobre os nacionais dos outros países. Para estar alistado neste exército basta ter estômago.Não é preciso ser chefe de cozinha de haute patente, nem perito em cozinha molecular. Da nossa trincheira atiramos com um prato de bacalhau, eles disparam com um biryani de galinha, ripostamos com uma lampreia de ovos e em minutos declara-se o cessar fogo. Agradecemos aos deuses pela boa comida e a paz estende-se por Lahore, Rawalpindi ou Carachi. Na República Islâmica do Paquistão, os terroristas declaram tréguas porque é feio falar com a boca cheia.

- Now, I must go and have lunch!:)
- Bon appetite dear.
- In Portuguese language: Bom apetite. What about in your language
- We say noshi jan means may this lunch be a reason for ur good health
- That's very nice! Noshi jan. I will keep that in mind. Thank you!


E foi assim que decidi fazer o tal biryani de galinha, um prato que é demasiado caro para o paquistanês comum, sendo reservado para ocasiões especiais como o Ramadão - nono mês do calendário islâmico dedicado à oração, ao jejum e à caridade - ou casamentos ou festas. O nosso paquistanês não sabe cozinhar. Mas enviou-me a receita garantindo que é uma delícia. Infelizmente eu não a consegui perceber integralmente - era uma tradução para o inglês - o que me fez pesquisar uma receita mais inteligível. Também vi alguns videos de donas de casa trajadas tradicionalmente, em cozinhas modestas, chefes de cozinha de turbante na Índia, chefas de cozinha indianas em Londres. Cada receita sugerida apresentava um pormenor diferente!Invariavelmente apareciam muitas tacinhas com pós coloridos na mesa dos cozinheiros, um selou o tacho com uma espécie de massa, outra, mais prática, meteu-lhe um peso em cima! Um fez uma "boneca" com as especiarias e mergulhou-a na água de preparação do arroz, outro deitou as especiarias na água! Todos asseguravam que aquela era a forma mais simples e saborosa de preparar o frango! Só que de fácil as suas receitas não tinham nada. Para começar, a lista de especiarias que entravam na confecção do biryani era interminável e eu não tinha a maioria em casa! Havia termos que eu nunca tinha ouvido - garam masala, ghee, shahjeera! Cheguei a pensar desistir quando percebi o que era o garam masala. Não me estava a imaginar a trazer do supermercado uns dez saquinhos de especiarias para depois utilizar apenas uns grãos de pimenta, umas sementes de cardamomo, duas estrelas de aniz e por aí fora! Além do mais, as sementes de cardamomo são caríssimas e eu não estou a nadar em dinheiro, comprar um frasco de sementes para usar  apenas duas delas, enfim, fez-me logo disparar o poupómetro! Todavia adorei saber como se prepara, reunindo todos os ingredientes numa frigideira, assando e depois moendo e filtrando as especiarias para obter a "mistura quente" - é essa a tradução - que se utiliza neste e noutros pratos. E foi então que na secção "Sabores do Mundo" do supermercado encontrei o garam masala já pronto - coentros, cominhos, gengibre,pimenta-preta, noz moscada, cravinho, cardamomo e folhas de louro. Que beleza: um verdadeiro oito em um! Adorei o atalho para o pronto-a-usar embora pressinta que talvez não seja a mesma coisa. Só vos digo, quando abri a latinha desprendeu-se de lá um cheirinho maravilhoso. Com esse problema resolvido, parti para o ghee, que fiquei a saber tratar-se de "manteiga clarificada", outro mistério para mim, nunca tinha ouvido falar disso, mas não é surpreendente, eu sou uma básica na cozinha.

Neste momento tenho a marinada do frango no frigorífico. Isso é o primeiro passo. Juntar o garam masala, o gengibre, o açafrão da Índia, alho, folhas de hortelã e coentros, sal, malagueta verde, piri-piri (red chilli powder), 2 colheres de óleo, 1 iogurte, sumo de meio limão  e o frango em pedaços num recipiente. Aconselham 6 a 12 horas no frio, deixar no frigorífico durante a noite é o ideal.

Assim que acabar de escrever vou dar andamento ao jantar preparando o arroz. O arroz basmati já está de molho - li tempos diversos, entre meia e duas horas - e agora vai a cozer. Na água abundante vai sal, uma pitada de cominhos, 1 colher de ghee, 2 colheres de óleo, 3 folhas de louro. Espero até levantar fervura. O arroz deve cozer dois minutos, nem mais nem menos. É apenas uma pré-cozedura.

Depois é colocar o frango num tacho untado com ghee, uma camada de arroz em cima, hortelã e coentros, e terminar com cebola - que previamente hei-de fritar em tiras finas até ficar castanha - e mais uma colher de ghee. Fica assim 40 minutos em fogo baixo, bem tapadinho, e com uma grelha, nada de lume directo. Após esse tempo meter mais uma colher de manteiga em cima e fechar por cinco minutos. Pode decorar-se com mais hortelã e coentros e regar com meio sumo de limão.

O acompanhamento vai ser raita, que basicamente é iogurte e pepino ralado, com vários condimentos - sal, açucar, alho, pimenta, - sumo de limão e uma colher de hortelã picada. Esqueci-me de perguntar ao paquistanês se eles têm alguma bebida de eleição para acompanhar o biryani. Eu estou sem orçamento para um bom vinho! Mas também não sei qual seria ideal para acompanhar este prato indiano/paquistanês. Provavelmente hoje à noite vou meter no estômago mais especiarias do que alguma vez provo num ano inteiro! Parece-me no mínimo uma mistura inflamatória, diria até bombástica. A minha irmã e o meu sobrinho vêm jantar comigo e eu já avisei: se sair mal vai tudo corrido a omolete! Logo talvez haja fotos. Se não houver, é porque eu fui a Islamabad acertar umas contas com um certo paquistanês, declarado que terá sido o fim das tréguas.

A história continua AQUI.



9/12/14

Ice Bucket Challenge, um banho de água fria

O verão está rapidamente a encaminhar-se para o fim. No preciso momento em que escrevo (13.00h) cai chuva da molhada em toda a cidade e se não fosse o bafo quente e irrespirável, o som dos automóveis a deslisar no piso encharcado far-me-ia acreditar que estou já no inverno. Haverá um Ice Bucket Challenge no inverno?! Um banho de água fria não cai mal em pleno verão. Mas neste só Junho teve temperaturas elevadas e até no sul a água do mar me trocou as voltas: mesmo em agosto, em vez da habitual sopa de alforrecas, saíu-me refresco salgado. Penso que já posso dizer que não foi um verão quente! Mas foi sem dúvida um verão molhado, a começar no desafio dos baldes e a acabar na chuva que tomba lá fora e que já causou inundações nas ruas habituais, transformadas assim em desafios para a autarquia - seja porque houve mau planeamento ou porque as sarjetas não foram limpas, venha a galocha. 

Dos desafios do balde de água gelada em prol da recolha de fundos para a investigação da esclerose lateral amiotrófica ficarão registados os inúmeros videos e memes na internet. A coisa chegou via EUA. Eis uma amostra do  circo do nosso mundo-pop, gente de desporto, do cinema do desporto e da política, unidos em torno de um script banal, a produzir videos de qualidade duvidosa!! Mas houve quem tivesse dado a volta ao desafio de forma imaginativa marcando posição sobre aquilo que mais incomodou- o desperdício de litros de água potável, um bem escasso em tantas regiões do mundo, e até mesmo no Estado da Califórnia, que tem vivido das piores secas de que há memória na região. Quais macacos de imitação, figuras públicas e gente anónima, e até mesmo o sapo Cocas e Homer Simpson, alinharam contagiosamente no Ice Bucket Challenge tornando-o viral!  No afã da brincadeira, quantos se terão esquecido de mencionar a razão caritativa do propósito, qual o número de gente que apenas brincou e não doou. Entrar no Facebook e apanhar com videos consecutivos do Ice Bucket Challenge dias a fio foi mesmo um balde de água fria, tudo o que é demais enfada. Mas este circo teve um resultado positivo até mesmo em Portugal: maior consciência da existência da doença de Lou Gherig, mais sócios inscritos, maior adesão de voluntários, mais inscrições nas formações e donativos angariados, isto foi referido pela APELA - Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica, a congénere da associação ALS dos EUA, em comunicado datado de Agosto.



Antes que se interroguem, eu digo. Eu não doei dinheiro para esta causa nem alinhei na cena do balde. Embora não ganhe muito dinheiro vou contribuindo quando posso e sinto que o devo fazer para algumas causas. De vez em quando também divulgo apelos solidários. Prefiro contribuir directamente para pessoas que necessitam de ajuda do que para instituições mas isto não é uma regra sem excepções. Analiso e depois decido. Contribuo para ajudar pessoas directamente e também pessoas que usam o dinheiro para cuidar de animais. Não gosto de fazer alarde das minhas contribuições, que são modestas, mas mesmo que fossem grandiosas eu continuaria a resguardar as minhas boas acções do público. Sou assim mesmo, detesto publicidade no que diz respeito a quase tudo o que faço e à minha pessoa. Curiosamente este ano tive de ir a um programa de televisão e fui, contrafeita, empurrada pela curiosidade de ver como seria a TV por dentro, fui. Mas não gosto de ser conhecida, reconhecida, durante anos não havia uma foto minha na internet, usava um avatar e um nome "artístico". Acontece também o oposto - gente que não perde a ocasião para "aparecer", gente que não perde um bom pretexto para fazer de qualquer momento um palco. Tenho consciência que nenhuma das atitudes é muito sã. Pois. Adiante. 



Eu não fiz o desafio, mas muita gente fez. Debalde tentei escapar às imagens repetitivas do Ice Bucket Challenge mas elas invadiram o Facebook, o G+  e os blogues! A única coisa repetitiva que não me cansa são as ondas do mar a desenrolar-se sobre a praia. Quantos videos de gente a ser encharcada e a dizer "Brrr", "Ohhhhh","Uiiiiii" ou qualquer outra coisa, de punhos cerrados e aos pulinhos miúdos se podem aguentar? Figuras, figurões ou gente anónima, até parecia que não havia  nada melhor para fazer neste verão! Muitos apelidaram a façanha de ridícula, recusando-se a cair no ridículo.  Mas se fosse uma façanha ridiculamente criativa, excitante, divertida, isto é, se contivesse um qualquer apelo irresistível e único, eu talvez compreendesse. Isto? Lamento se os meus circuitos emocionais estão envelhecidos, snobs, sisudos. Does not compute. Estarei a perder o meu sentido de humor?



E depois dos videos veio a maré de insultos. A malta parece que lida mal com as zonas cinza. Tem que ser tudo branco ou preto. Os que alinharam no desafio defendiam com unhas e dentes que a água não foi desperdiçada, que a brincadeira foi um excelente estratagema de marketing e que sem baldes não teria havido doações expressivas. Os que não fizeram defendiam a pés juntos que a água é um bem escasso e que tudo não passou de desperdício, que teria sido suficiente doar e  passar a palavra " a seco". O desafio do balde de água gelada transformou-se rapidamente numa troca de insultos nas redes sociais. Todos podemos especular com alguma segurança que entre os críticos haverá decerto quem não ligue a quantos litros de água usa para tomar banho ou lavar o carro ou a louça, ou regar o jardim no pino do meio-dia, é típico. Quis-me parecer que a tolerância online é ainda mais baixa do que cá fora, quem discordar de alguma coisa online é imediatamente rotulado de "hater"! Ora "hater" parece-me uma palavra um bocado forte para atirar a quem apenas defende um ponto de vista diferente, não vos parece?


Mas eu vivo no hemisfério sul e ainda não chegou cá a nova era do gelo. O meu cérebro ainda funciona. Por isso chamem-me hater ou o que quiserem. É que a verdade é mesmo esta: ajudar quem precisa é sempre uma excelente ideia, quanto a isso estamos conversados, é irrefutável. Mas deitar água pela cabeça abaixo sem ser para tirar o champô do cabelo, ó meus amigos, isso só tem um nome: desperdício. A minha primeira reação quando comecei a ver os videos foi de escândalo. Até pode ser divertido e bom marketing, mas é uma péssima ideia. Como é que puderam alinhar nisso? A água é um bem escasso e há dados alarmantes sobre o seu decréscimo no planeta, da Califórnia ao Médio Oriente, os cenários são preocupantes. Além disso vocês pagam por ela, caso não tenham ainda pensado nisso. Eu nem quando fico em hotéis desperdiço água! Ou electricidade. Faço exactamente o que faço em casa, poupo-a.

Li no Facebook que a doença de Lou Gherig é uma doença rara que afecta uma percentagem pequena da população e que outras causas se abraçadas com idêntica paixão poderiam gerar um efeito mais abrangente junto de quem precisa, ou seja, a mesma recolha de fundos poderia traduzir-se na obtenção de um maior benefício. Concluindo: até mesmo vivendo no hemisfério sul e não tendo o cérebro congelado sempre me escapam alguns detalhes. Ter informação é fundamental, a educação é precisa até mesmo para a solidariedade. Isto foi o que retive de todo este circo de verão, algo para refletir, sobretudo numa época em que as solicitações solidárias são constantes, online e não só.

9/7/14

O barco rabelo e o rio Douro




O Fugas, suplemento do Público,  dedicou neste sábado, dia 6, oito páginas à história do barco rabelo, ao Douro e à exploração da cultura do vinho do Porto em tempos recuados e no presente, e ainda ao turismo vínico mais recente. Calhou coincidir com a minha descoberta de um pequeno video dos anos 40 onde podemos ver um barco rabelo e os seus marinheiros em acção. Imagens documentais emocionantes que eu desconhecia, fiquei desarmada com a façanha e vi o video três vezes seguidas! Bem filmado e editado, apenas lamento duas coisas: uma é que não tenha som, outra é não saber quem filmou. Depois disso encontrei mais um video, parece que de 1923, não tão interessante como o primeiro, mas ainda assim riquíssimo quanto a valor documental. Assistam que não se vão arrepender!

A última navegação de rabelos já aconteceu há 50 anos. Resta a simbólica Regata de Barcos Rabelos do S. João para trazer à tona a sua importante história! E aqueles outros, neles inspirados, que se dedicam aos passeios turísticos no actual rio, agora um gigante tranquilo. O Douro que corre em grande declive, entre curvas apertadas e profundos canais, com zonas de rápidos e rochas, foi durante muito tempo um rio duro - e daí talvez o seu nome - de conquistar pelo homem. Hoje é uma fera amansada, exceptuados alguns invernos, domesticado que foi pela construção de diversas barragens, alterada assim para sempre a forma de o navegar e de o viver. 


Pensa-se que os rabelos descendem de embarcações vikings ou suevas, mas isso é mais mistério do que certeza. Oito séculos atrás já havia barcos a lutarem Douro acima e a acautelarem-se Douro abaixo, mas apenas se pode conjecturar como seriam em aspecto. A necessidade aguça o engenho - no século XVI a sede de vinho ia de Portugal até Espanha, até talvez mais longe, era o povo, eram os exércitos, a procura motivou a criação de embarcações que pudessem carregar cada vez mais pipas de vinho duriense! No século XVI chamavam-se “azurrachas” e transportavam 50 pipas de vinho, pesando 30 toneladas. Diz o texto que é por esta altura que se fixa a fisionomia do rabelo tal como o conhecemos hoje. No século seguinte os rabelos asseguraram capazmente a resposta à enorme procura inglesa de vinho. Mas este aliados insubstituíveis da lucrativa exploração vinhateira começaram a ser ameaçados pelo caminho de ferro no séc. XIX e acabariam por ser efectivamente destronados pelo comboio e depois, mais tarde, em meados do séc. XX, pelos camiões cisterna que traziam o vinho das quintas do Douro até Gaia de forma rápida e directa.

O texto do Fugas refere a dureza da subida e descida do Douro pelos barcos rabelos, referindo o enorme esforço e a coragem necessárias para o sucesso da missão. Mas a descrição é pálida se comparada com a realidade que o video documenta. Vejam como o barco era puxado – à sirga - rio acima com a ajuda de cordas, de força de homens e de juntas de bois, as pedras apresentam sulcos da pressão das cordas quando vento e os remos não eram solução. Observem a força do caudal, a geografia de obstáculos presentes no curso do rio, o trabalho de equipa nos remos, o trabalho do arrais, - piloto e comandante do barco - que, do topo da estrutura que dá pelo nome de “apegadas” manobrava a “espadela”, o leme comprido e tradicional do rabelo. São imagens magníficas.

Do século XVIII ao XIX contavam-se 2500 rabelos a navegar o Douro. A viagem de regresso durava três dias, a subida demorava pelo menos uma semana. O curso do rio tinha lugares amaldiçoados onde os homens contavam com o saber mas também com a ajuda divina para vencer a adversidade da Natureza. Nas suas margens existem vestígios da evocação da Providência, pequenas capelas que ajudavam os navegadores a encontrarem forças para vencer os seus receios. Mas nem a cautela, nem a experiência, nem as orações impediram que na centenária exploração do vinho do Porto flutuassem destroços de rabelos e de cadáveres. No doce aroma do vinho do Porto misturava-se o odor cruel da morte. E se para a história não ficaram os nomes de muitos bravos que pereceram nas águas do Douro, alguns poucos nomes, como o do Barão de Forrester ou de Gertrudes, a cozinheira do Águia d’ouro, ou Dona Antónia, colaram-se para sempre à faceta de um Douro sobrenatural, terras e rio de carácter mítico, onde a sabedoria do homem nem sempre foi quanto bastou para singrar.