4/2/15

Manoel de Oliveira por Manoel de Oliveira (1908-2015)



Infelizmente sem tempo para escrever sobre Manoel de Oliveira, hoje, dia em que se soube que este homem de longa metragem tinha, finalmente, ido à procura do bom clima, no paraíso. Se tiverem curiosidade este texto escrito alguns dias depois do realizador ter completado 100 anos (2008) resume a minha opinião sobre a arte do mestre. 


Sobre o cinema

“A actividade do cinema é uma actividade artística, a última das artes, a Sétima Arte. E José Régio, por exemplo, dizia que o cinema era uma síntese de todas as artes. Mas o cinema, como todas as artes, está ligado à vida. O que se exprime, ou o que as artes exprimem, de um modo ou outro, numa forma abstracta ou concreta, é a vida”.

“O cinema só trata daquilo que existe, não daquilo que poderia existir. Mesmo quando mostra fantasia, o cinema agarra-se a coisas concretas. O realizador não é criador, é criatura”.

“Continuo a ser um aprendiz do cinema, continuo a aprender muito e até com os artistas novos. No cinema cada realizador põe uma nova folha numa frondosa árvore, mas o que sustenta a folha não são os ramos, não é o tronco, são as raízes. É por isso que estimo a história e a memória. É fundamental para a nossa vida, para os nossos juízos”.

“O cinema é imaterial, o teatro é material: os actores têm carne e osso, estão lá, vivos, nos cenários. Mas o cinema, não – é um fantasma da realidade”.

“Todos os realizadores são diferentes. E é assim que deve de ser. Felizmente o cinema ainda não foi atacado pela globalização. Pense na tragédia que isso poderia ser” .

“Sou apologista da variedade, mesmo no cinema artístico. Penso que a personalidade do realizador é que é a marca da originalidade. Não há outra”.

“O cinema é um fantasma da vida que não nos deixa senão uma coisa sensível, concreta: as emoções".
“A função da crítica é fazer compreender ao espectador os filmes, entendê-los. Mas para fazer compreender é preciso que eles os entendam; se não os entendem, também não podem dá-los a entender. Essa é a verdadeira função do crítico: apreciar os filmes”.

Sobre os seus filmes

“O meu cinema tem um lado histórico, incluindo o "Aniki Bobó" [1942], que se tornou um filme extraordinariamente popular. Mal principiado e bem acabado”.

“O meu público é aquele que vai ver os meus filmes. O cinema dá-nos uma visão da vida. E a vida é um mistério”.

“Todos os meus filmes foram mal acolhidos".

“Penso que no país há uma grande indiferença pelo que já realizei. Tanto faz que o meu cinema exista ou não exista”.

“O que vejo em todos os meus filmes, sem excepção, é humanismo. Tenho um profundo sentimento humanista. Isso é verdade”.

“Uma das minhas maiores alegrias é sentir que os meus filmes são compreendidos, o que constitui uma satisfação profundíssima”.

“Às vezes acusam-me de que meus os filmes são muito falados. Ora, falados são os filmes americanos, e falam sem dizer nada. Ao menos os meus filmes dizem alguma coisa porque eu escolho textos ricos, bons, profundos, mais difíceis naturalmente”.

“Eu promovo as performances espontâneas. Os actores são o sal do filme. Eles dão corpo e voz às personagens e compõem a força do filme. É essa a razão porque a parte mais difícil de fazer um filme é a escolha dos actores” .

" É um erro fazer crer que o meu cinema é difícil. Isso não é verdade. Os meus filmes não são herméticos, pelo contrário são muito explícitos e claros. Por isso eles são para ser vistos por toda a gente e só não irá vê-los quem não quer”.

“Os meus filmes falam sobre valores que vão além do dinheiro, em busca de saber se existe alma. O tempo eu sei que existe. E talvez eu filme como filmo para contemplar o tempo”.

Todos os meus filmes são histórias de agonia, da agonia no seu sentido primeiro, no sentido grego, 'a luta'".

"Os meus filmes têm histórias um pouco profundas, às vezes difíceis de compreender. Por isso, filmo-os da forma mais clara possível. É preciso que o cinema seja claro, porque tudo o resto (as paixões, a vida), não o é".

"Os filmes que faço são os que entendo que devo fazer. É uma coisa pessoal. Gosto do cinema no seu aspecto artístico, não no aspecto comercial. Os filmes artísticos não têm por fim ganhar dinheiro”.

Sobre a vida

“Em casa falta-me espaço, na vida falta-me tempo. E não posso dar remédio nem a uma coisa nem a outra”.

“A liberdade impõe, logo de começo, o respeito pelo próximo. Isto pode explicar um pouco os limites da própria vida. Quer dizer, é preferível morrer a perverter a dignidade”.

“O homem é um bocado como o gato, fica preso às casas porque nelas se passaram histórias, e a casa é o guardião de todas essas histórias, problemas, alegrias, etc…”

“Parar é morrer e isto é aplicável hoje. O pior de tudo é parar, quer dizer, não se fazerem coisas, não se fazer nada, ficar com medo, retrair-se”.

“É mais importante a saúde do que o dinheiro. Uma pessoa com saúde pode dormir na soleira de uma porta. E um ricalhaço doente pode não ter posição na cama”.


“A ideia de felicidade não se vive. O momento de felicidade só é reconhecido mais tarde. Naquele tempo eu era jovem, um puto na força da vida. Hoje digo aos jovens, não tenham pressa. Mas esse é um tempo que recordo como um tempo de felicidade”.

“A televisão, que mostra sobretudo pornografia, ou violência, tiros, ‘mata e esfola’ é um dos maiores problemas contemporâneos. As mulheres trabalham e não estão ao lado dos filhos que ficam, sozinhos, a ver televisão. Hoje em dia há uma perda enorme de valores” .

“É a derrota. A vida é uma derrota. A gente vive na derrota. Nasce contra vontade, e não é senhor do seu destino”.

Sobre a morte

“Todos sabemos que vamos morrer. É a única certeza que temos. Não tenho medo da morte, tenho medo do sofrimento. É na vida que se encontram todas as maldades do mundo. A morte é o descanso” .

“Todos os meus filmes mostram que, de facto, todos os homens entram em agonia no momento em que chegam ao mundo. Sou um grande lutador contra a morte. Passei a vida a observar a agonia, cada vez com mais experiência, com cada vez mais vontade de mostrá-la. Mas a morte acaba por chegar".

"Prefiro o paraíso pelo clima e o inferno pelas companhias".

Sobre si próprio

"Enquanto criança, tinha uma inclinação para a tristeza e para a melancolia".

“Não olho para o que fiz. Olho para o que vou fazer”.

“É verdade, sou muito levado por intuições. Fui um péssimo aluno, não fui muito além nos estudos”.

“Quando nasci escrevia-se Manuel com 'o'. Eu fui registado com 'o'. E escrevia Manoel nos filmes, mas eles emendavam porque a ortografia moderna já era com 'u'. Umas vezes punham 'o', outras vezes punham 'u', até que eu impus: é 'o'! Tanto que nessa altura, quando já era mais conhecido, em França tratavam-me por Messieur de Oliveira, em Itália era Il Maestro e em Portugal era Ó Manel!”.

“O público português estima-me muito. Aqui no Porto, em Lisboa ou noutros sítios, sou abordado constantemente por pessoas que me cumprimentam. Sou muito estimado. No entanto, é mais por aquilo que ouvem e vêem, mesmo que não percebam nada de cinema. Mas gostam de mim e eu gosto que gostem de mim”.

“A memória falha-me muitas vezes. Mas será que devemos confiar na nossa memória?”.

“Aturar-me a mim próprio é que é muito difícil. O resto são ajudas”.

“Se eu não tivesse atingido esta idade não apanhava esta quantidade de prémios que me começaram a dar agora, no final da vida”.


"O cinema é o meu destino"

Sobre a Invicta

“Não escondo que gostaria que [o meu acervo] ficasse no Porto. É a minha cidade. Onde nasci, vivo e, provavelmente, morrerei. O Porto é uma cidade riquíssima, o que a maior parte das pessoas, incluindo as Câmaras, ignoram” .

“O Douro é um local verdadeiramente sensual".

Sobre as artes


“A arte, ou se gosta ou não se gosta, ou se entende ou não entende. Mas, de facto, há uma afirmação daquilo que é bom e daquilo que é mau através do tempo. É aquilo que resiste ao tempo” .

“Um filme tem que principiar, uma casa tem que principiar, e principia por uma entrada. Escolhemos a entrada, depois um corredor, depois esta sala fica aqui, a outra deve ficar acolá. Transformamos isto em cenas para a organização dos planos. A aproximação, nesse sentido, entre arquitectura e cinema é perfeita”.

“Acho que a música soa bastante melhor num filme romântico do que num filme realista”.

“O verdadeiro criador é inquieto. Inquietação é vida”.

"Tenho uma ligação com a Alemanha na parte cinematográfica, na história da câmara e das máquinas. Tenho percorrido aqui muito tempo, nunca esquecendo os grandes mestres alemães como Fritz Lang, Murnau, Ernst Lubitsch, e os actuais como Wim Wenders, um homem extraordinário. O cinema de cada país não é este ou aquele realizador; não é singular, é plural”.

“Há uma fórmula que adoro, que li escrita no jornal a propósito de uma escultura em Modena de Donatelli, que dizia: 'ele consegue a simplicidade dos gregos e o realismo da Renascença'. Achei esta ideia magnífica: ser simples quer também dizer ser claro, e ser claro é trazer à superfície o que é mais profundo".

“A arte é especial. Há uma só lei: o tempo. O tempo é o grande juiz, é o grande juiz de tudo”.

“Não há criadores, há recriadores. Criador é um só, todos nós fomos criados. Toda a arte é um reflexo, um espelho, da vida. E nem o teatro faz isso como o cinema. Vê-se um filme passado numa certa época e essa época está lá retratada”.




Manoel de Oliveira por João César Monteiro

“O problema é só este: o país tem (inexplicavelmente) um cineasta demasiado grande para o tamanho que tem. E, portanto, das duas uma: ou alargam o território ou encurtam o cineasta.” 


Listagem de filmes de Manoel Oliveira disponíveis online

Foi compilada por Marcelo Miranda (Belo Horizonte, Brasil), e disponibilizada no Facebook, na sua página. Pedi autorização para publicar aqui, afinal ele teve o trabalho de catar todos esses links, obrigada Marcelo!


Douro, Faina Fluvial (1931) - curta-metragem
https://vimeo.com/58729763

Famalicão (1941) - curta-metragem
https://www.youtube.com/watch?v=lsgAwSMCgpg

Aniki Bobó (1942)
https://www.youtube.com/watch?v=HzPJU3vTjNs

O Pintor e a Cidade (1956) - curta-metragem
https://www.youtube.com/watch?v=zHf7rUhUPOw

Acto da Primavera (1963)
https://www.youtube.com/watch?v=e08IZrI7Jko

A Caça (1964) - curta-metragem
https://www.youtube.com/watch?v=DnxQPdLT6NA

As Pinturas do Meu Irmão Julio (1965) - curta-metragem
https://www.youtube.com/watch?v=zfW31OxTmv4

O Passado e o Presente (1971)
https://www.youtube.com/watch?v=v0mM0IrT6kY

Benilde ou a Virgem Mãe (1975)
https://www.youtube.com/watch?v=iJi4xIq86Tk

Francisca (1981)
https://www.youtube.com/watch?v=zzSJ8k4I204

O Sapato de Cetim (1985)
https://www.youtube.com/watch?v=vRODl8ebIp4

Meu Caso (1986) - em francês, mas é fácil achar legenda pra baixar
https://www.youtube.com/watch?v=4mrXE9l_VkY

Os Canibais (1988)
https://www.youtube.com/watch?v=7e5-3o7GwAg

Non, ou a Vã Glória de Mandar (1990)
https://www.youtube.com/watch?v=rseUK79x-vs

A Divina Comédia (1991)
https://www.youtube.com/watch?v=7e5-3o7GwAg

O Dia do Desespero (1992)
(1) https://www.youtube.com/watch?v=EVRfGQWHY58
(2) https://www.youtube.com/watch?v=-aolbT8FxVE

Vale Abraão (1993)
https://www.youtube.com/watch?v=1Dv1OpvG5E0

A Caixa (1994)
https://www.youtube.com/watch?v=f3irtNltyCo

Party (1996) - em francês
https://www.youtube.com/watch?v=nWKfkJWDMJQ

Inquietude (1998)
https://www.youtube.com/watch?v=83bfwkJwEQg

Palavra e Utopia (2000)
https://www.youtube.com/watch?v=LQW0UBEilk4

Porto da Minha Infância (2001)
https://www.youtube.com/watch?v=ViYWJ48E7AE

Um Filme Falado (2003) - várias línguas ao longo do filme
https://www.youtube.com/watch?v=MbnIOxqs-Uk

O Quinto Império (2005)
https://www.youtube.com/watch?v=9D-H3YX60ts

Cristóvao Colombo - O Enigma (2008)
https://www.youtube.com/watch?v=ptuZgXvrPEI

O Gebo e a Sombra (2012) - em francês, acha legenda fácil
https://www.youtube.com/watch?v=YXrqK9D2vS0

3/8/15

Dia Internacional da Mulher




Hoje é dia 8 de Março. Toda a semana por aí vi publicidades de jantares para celebrar a mulher e sei que logo mais muito mulherio se juntará para comer e beber em conjunto, em jantares "só para elas". Não é que esteja a condenar quem aproveita qualquer pretexto do calendário para se divertir. A vida é curta e o convívio faz parte. Mas gostava que todas essas mulheres que se vestem e afinam para ir comer e beber a um restaurante - onde as aguarda um menu especialmente concebido pelo comércio para fazer uns trocos extra à sua custa, que os tempos estão difíceis - não esquecessem que neste mesmo dia, em 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada em Nova Iorque, fizeram uma greve que ficou na história. Estas mulheres ocuparam a fábrica onde trabalhavam para reivindicar melhores condições de trabalho, a redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), a equiparação de salários aos usufruídos pelos homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi alvo de repressão violenta e terminaria com a morte das tecelãs. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica e esta foi incendiada -  130 mulheres operárias morreram queimadas, 
vítimas de um tratamento completamente desumano e bárbaro. Até aposto que estas mulheres que hoje vão comer e beber à sua saúde se esquecem de erguer um copo as estas outras. Observo no extremo oposto um grupo de mulheres que se insurge contra a celebração do Dia Internacional da Mulher, dizendo que é uma efeméride discriminatória em si mesma. Na realidade, pelo mundo inteiro, as mulheres continuam a ser um grupo desfavorecido em muitas circunstâncias, mantendo-se com actualidade quer a reivindicação de melhores condições de trabalho, de salário igual para trabalho igual, de um bom ambiente de trabalho, quer muitos outros direitos.  Entendam-no como quiserem, a verdade é que, ontem como hoje, as mulheres continuam a ser vítimas de graves injustiças. Em Portugal e no Mundo. 

2/14/15

Constipação nasal em cartoon

Bolas. Há mais de uma semana que não me livro do nariz pingão, dos espirros e do mais que todos sabem pois não há ninguém que, mais tarde ou mais cedo, não se constipe! Sempre que acontece eu lembro-me desta ilustração. Desta vez fiz uma busca no Google para tentar saber mais sobre o ilustrador- é Dan Reynolds, um ilustrador americano. Neste site podem encontrar mais cartoons , alguns protagonizados pela lagarta!

2/3/15

Cães e gatos da All2Them Marinha Grande precisam da sua ajuda!


Leitores, amigos e seguidores deste blogue!No dia 1 de Fevereiro foi dia de festa para mim, comemorei mais um aniversário! Pedi um presente aos meus amigos do Facebook - um donativo de 1 euro para ajudar o núcleo da ALL2THEM na Marinha Grande. https://www.facebook.com/all2them.mg/ É uma associação sem fins lucrativos que tem como objectivo ajudar cães e gatos vítimas de maus tratos e de abandono. A recolha de donativos foi muito magra e em conversa com uma das voluntárias fiquei agora mesmo a saber que estão praticamente sem ração para alimentar os cães. Prometi então fazer também aqui um apelo. 

Porquê ajudar a ALL2THEM? Bom, já não é a primeira vez que apelo aos meus leitores para contribuírem para esta ou aquela causa. Este caso é um pouco mais especial. A minha irmã e o meu sobrinho adoptaram uma cadela (Luna) -  vejam o blogue da Luna!http://www.missaoluna.blogspot.com/ - 
que essa associação retirou da rua. Conheço os voluntários, a sua dedicação e as instalações onde têm os animais. 

Por favor, ajudem ou  partilhem esta informação no vosso blogue, no Facebook ou no Twitter. As ajudas aparecem, sim,  mas a conta-gotas. É preciso pedir muito, muito e isso representa um esforço extra - que acresce ao dos cuidados diários devidos aos animais - para estas pessoas  - que são voluntárias apenas, que têm a sua profissão e ocupações diárias. 

A página do Facebook: https://www.facebook.com/all2them.mg/


A All2them  (núcleo Marinha Grande) - Casa Esperanza é uma associação sem fins lucrativos que tem como objectivo ajudar animais vítimas de maus tratos e de abandono e reencaminha-los para adopção.

Existe desde março de 2014 e apoia-se no trabalho de um pequeno grupo de voluntários e na existência de famílias de acolhimento temporário. Apesar de ainda jovem já encaminhou para adopção inúmeros animais. Utiliza uma casa com pátio, arrendada, para abrigar os animais, é um espaço pequeno e a necessitar de obras. O núcleo vive apenas dos donativos feitos por amigos dos animais. Quer e pode ajudar estes amigos dos animais? Eis as opções e os dados necessários:

Ajuda monetária: como proceder?

1º Utilize o NIB 0033 0000 4544 4276 610 05 (Millenium BCP) 

2º Envie o comprovativo para o all2them.mg@gmail.com. (MUITO IMPORTANTE o envio do comprovativo é para saber que o dinheiro se refere ao núcleo da Marinha Grande, senão fizer essa indicação donativo ficará para a sede).

Ajuda em géneros: como proceder?

1º Envie uma mensagem privada via Facebook ou por  email (all2them.mg@gmail.com ) para indicação de ponto de entrega por um voluntário.
2º Em alternativa contacte através do 919 022 863. Pede-se a vossa compreensão para o facto destes voluntários todos trabalharem, pelo que podem não atender o telefone. Não desista de ajudar! Nessa situação envie uma mensagem com o assunto que ela será retribuída assim que possível.

Eis algumas das necessidades prioritárias:

Ração gato/cão, areia gato, detergentes, pás,vassouras, esfregonas, mantas, trelas/coleiras, camas paletes.

Ser FAT: o que é?

Ser FAT é a sigla de Família de Acolhimento Temporário. É uma família que acolhe temporariamente um animal até este ser adoptado definitivamente.

A família de acolhimento deve assegurar todos os cuidados básicos essenciais ao bem estar do animal. Os animais em FAT são animais que ainda não estão prontos para serem adoptados ou que procuram um novo lar. Além de comida, água, abrigo e exercício, os animais precisam de atenção e amor. As FAT são importantes porque além de ajudarem no desenvolvimento do próprio animal permitem libertar espaço no abrigo para que outra vida de outro animal - cão ou gato - possa ser salva. É conveniente que as FAT tenham alguma experiência prévia com cães e gatos. Ao ensinarem as regras básicas aos animais e ao permitir a sua socialização com pessoas e outros cães, eles tornam-se mais facilmente adoptáveis.

Marcas e comunicação




Não sei se apreciam estas coisas da publicidade e da forma como as marcas comunicam com o público. Dia 1 de Fevereiro é a data do meu aniversário. Estive ausente do espaço online. Quando viajo faço questão de me desligar. Entretanto hoje foi tempo de retomar as rotinas online e consultar as caixas de correio e tudo o mais. Havia várias mensagens de marcas que tentam capitalizar em torno do nosso aniversário. A minha favorita deste ano foi, sem dúvida, a da Nívea. Está de parabéns!

1/19/15

Ano novo, novos hábitos!

"Desenvolver o Capital Mental para um bom Envelhecimento", artigo de opinião de Horácio Firmino, Médico Psiquiatra na Stressidades-IDEALMED, publicado no Diário de Coimbra há talvez um mês, e que eu queria aqui ter deixado para abrir as postagens do novo ano! Mais vale tarde do que nunca! O futuro começa hoje, começa agora. Não espere ganhar cabelos brancos para começar a revolucionar a sua vida. O psiquiatra sugere certos hábitos que se vão refletir em qualidade de vida no curto prazo e que podem capitalizar no longo prazo. A saber: praticar exercício cognitivo - que pode assumir as mais variadas formas - e exercício físico, cultivar uma atitude positiva, cultivar a sintonia com quem nos rodeia e o mundo, cultivar o altruísmo e até a espiritualidade. Pistas para viver melhor. Diz o médico, não sou eu. Podem ler o texto na íntegra, aqui.


1/15/15

Os cartoonistas e a liberdade de expressão

Cartoon de Cristina Sampaio

Vi há dias um documentário intitulado Fini de rire. É da autoria de Olivier Malvoisin e Donatien Huet. Descobri ainda o site Cartooning for Peace, criado por Plantu, - um cartoonista francês,"para desaprender a intolerância" - e o site Fini de rire - Une cartographie de la liberté d'expression des dessinateurs de presse à travers le monde. 




O documentário de 52 minutos, ou melhor, webdocumentário, quer traçar o mapa da liberdade de expressão no contexto actual, que era, à altura da sua rodagem, o ano de 2006, quando estalou um dos primeiros casos mediáticos de reacção às caricaturas de Maomé e à representação religiosa. Uma dúzia de caricaturas apareceram pela primeira vez no jornal dinamarquês Jyllands Posten, em Setembro de 2005. A mais conhecida mostrava o profeta Maomé com um turbante no formato de bomba-relógio. No Islão, qualquer representação de Maomé é proibida, ou pelo menos eu fiquei com essa impressão,  a partir dessa data. O director pediria desculpas públicas e confessaria ter vergonha do que fizera, receando que mais ninguém ousasse publicar cartoons do profeta. Depois, as ilustrações foram republicadas na Noruega. Depois no jornal francês  France Soir - cujo editor acabaria demitido pelo patrão egípicio - e em dois dos mais importantes jornais da Alemanha, o conservador Die Welt, que também as colocou na sua página na internet, e o jornal de esquerda die Tageszeitung (taz). Países como a Arábia Saudita ou a Líbia fecharam representações diplomáticas na Dinamarca, os países árabes pediram a punição dos cartoonistas ao Governo dinamarquês, este distanciou-se invocando a independência da imprensa e a liberdade de expressão, condenando quem entretanto queimou bandeiras dinamarquesas no mundo árabe.

"Si vous voulez un baromètre de la liberté d’expression et comprendre les tabous dans un pays, il faut aller voir les dessinateurs de presse". Plantu.


Sim, se querem um barómetro da liberdade de expressão e compreender os tabus de um país, há que ver os cartoons de imprensa. Fini de rire mostra como a defesa da liberdade de expressão é um combate travado por todos os cartoonistas, em qualquer país em que se encontrem - as pressões podem surgir dos mais variados quadrantes. Assistindo aos testemunhos destes cartoonistas percebemos que "os muros" que eles têm de derrubar são diversos. São confrontados com conceitos como blasfémia, delito de opinião, censura, zona interdita, que, afinal, parecem nunca estar ultrapassados definitivamente. Se uns são abatidos, surgem outros. (Por exemplo, no site Fini de rire a portuguesa Cristina Sampaio representa os cartoonistas portugueses e refere que em Portugal os media são condicionados pelos grandes grupos económicos e por isso também os cartoonistas, havendo clara censura económica.)É um documentário que vale a pena ver. Fica a sugestão.

Deixo a lista dos cartoonistas que dão o seu testemunho em Fini de rire, os sites ou blogs onde podem ver os seus trabalhos,  e algumas das suas palavras:

Jeff Danziger - cartoonista político norte-americano.Já foi acusado de ofender Condoleeza Rice e os nativos norte-americanos. "Para perceber os cartoons é preciso estar atento à realidade". " O desenho é uma linguagem, mostra a realidade como ela é."

Plantu - cartoonista francês que se especializou em sátira política.Apoiou o Jyllands Posten fazendo um cartoon para o Le Monde onde a frase "Eu não posso desenhar Maomé" figurava, repetida, num rosto que parecia ser não Maomé, mas Leonardo da Vinci. Outra controvérsia: desenhou Jesus a entregar preservativos em África em vez de pão. " Os cartoonistas vêem coisas que os outros não vêem."

Rainer Hachfeld - cartoonista alemão que publica no Neues Deutschland e também no Cagle Post americano." É difícil fazer caricatura política humorista". " A caricatura pode ser utilizada no combate ideológico." " A censura existe, os cartoonistas fazem auto-censura." "O decoro substituiu a liberdade, por isso já não há caricaturas decentes nos bons jornais". " Imagens dormentes vão substituir os cartoons nos jornais." "Um pedaço de liberdade não é liberdade."

Khalil Abu Arafeh - cartoonista palestino, suportou inúmeras ameaças e viu cada um dos seus desenhos ser controlado antes de ser publicado. "Há limites que não posso ultrapassar, mas posso criticar tudo." " Um bom desenho tem mais impacto do que um artigo."

Nadia Khiari - cartoonista da Tunísia. Criou a personagem Willis from Tunis. Tornou-se conhecida durante a revolução tunisina, em 2011, quando comentou o acontecimento nas redes através do gato Willis. "Os políticos usam a religião para controlar os jornais." " O tabu político deu lugar ao tabu religioso. Se não posso publicar no jornal, uso as paredes e a rede social."

Kianoush Ramezani - cartoonista iraniano e activista dos direitos humanos - é contra a pena de morte, comum, no Irão - , que vive exilado em França, podem ver aqui os seus cartoons e também a sua intervenção na TED. " A alma do cartoon é a crítica. No Irão ser desenhador é um perigo em si mesmo." " A liberdade de expressão é a chave para perceber a liberdade. É preciso viver num país onde ela não existe para perceber como ela é importante."

Pierre Kroll - cartoonista belga que irritou os gregos com um cartoon sobre futebol. "Se algo me choca, todos têm de se sentir chocados também. Se não acontecer assim, tem de ser interditado?!"

Avi Katz - cartoonista americano a viver em Israel

Michel Kichka - cartoonista nascido na Bélgica, vive em Israel. " Existe uma diferença entre fazer crítica dentro de um quadro justo ou uma campanha do ódio. Um cartoon pode causar raiva, levar à morte. Isso mostra o poder do desenho."

Daryl Cagle - cartoonista norte-americano, editor do Cagle Cartoons. " A liberdade de expressão pertence aos editores. O cartoonista não quer desagradar o editor, quer ser publicado. O editor quer ter leitores e assinantes publicitários."

Ann Telnaes - cartoonista sueca, vive nos EUA. "Depois do 11 de Setembro era complicado criticar o Governo e as suas acções. Quando o cartoonista tem medo de desenhar, tem um problema, o seu trabalho não é ser tímido."

Aurel - cartoonista político francês