1/21/17

O Presidente Trump é o maior!


O presidente dos Estados Desunidos foi "inaugurado" e eu sem conseguir encontrar o Trumperware cor-de-laranja que a minha mãe me deu quando fui para a faculdade. Que frustração. Há quem ontem tenha vestido camisolas com frases inspiradoras para assinalar o grande dia. Eu pensei guardar os tremoços que trouxe da praça no meu mui estimado Trumperware. Cada um festeja como gosta: it's a free country. Revolvi os armários da cozinha de alto a baixo e só havia caixas vermelhas made in China. Passei a tarde nisso enquanto ouvia o portentoso discurso do fundador da Trumperware Brands Corporation, um grande empreendedor, sim senhora. As más línguas têm muito por que se penitenciar, sempre a dizerem que o pobre homem é um palhaço. Mas é claro que é um palhaço! É um palhaço rico: é tudo marketing pessoal! Como é que não percebem? E também que as empresas dele estão falidas! Ai estão? Então como explicar tanta "demonstração" Trumperware por esse mundo fora? As pessoas adoram a marca Trumperware,as pessoras compram Trumperware, as pessoas respiram Trumperware e até há quem transpire porque agora essas "demonstrações" já nem se restringem aos domicílios, não, agora estão nas ruas: há marchas, cartazes, slogans gritados a plenos pulmões, copos de plástico pelo ar e tudo. Têm muito mais dinamismo, muito mais impacto e visibilidade. Em suma: a marca Trumperware está mais pujante do que nunca. Essas más línguas são as mesmas que andam por aí a espalhar que foi mais um discurso de plástico! Bah! Só vos digo: é gente que está cega e não ouve, malta que está surda e não vê. Vamos lá fazer a abóbora great, um tremoço de cada vez!

1/20/17

Dia D nos EUA. Bebida oficial.


1/17/17

Nuvens negras

 (Fotografia do Eduardo Affonso.)

Esta noite sonhei com nuvens enormes e negras como essas da fotografia do Eduardo Affonso. Tinham dedos gordos nas extremidades e aproximavam-se dos poucos edifícios altos aqui da cidade em pezinhos de lã. Movidas a ventos vários pareciam grandes embarcações pirata a vogar num mar azul. Quando estacionavam sobre as torres, agarravam-nas pelo topo com as pontas dos dedos, abanavam-nos com preguiça de uma forma quase carinhosa e intrigante e derrubavam-nas. Eu tinha ido ao cinema à sala do Casino - que já não há - com uma amiga - que já não é - e quando saímos para a rua e para esta guerra dos mundos ficámos perplexas porque devia ser de noite - e não era - e as nuvens deviam ser brancas - e não eram - e o tempo tinha parado de correr nos nossos relógios de pulso. Corremos para casa em busca de refúgio e eu queria contar o que tinha acabado de presenciar ao meu marido mas as palavras enrolavam-se-me na respiração ofegante e ele, sentado no seu sofá habitual, obviamente nas nuvens, acomodando substâncias ilícitas num papel, limitou-se a comentar na sua voz arrastada que eu estava a fazer filmes. Porque não filmaste? - perguntou ele. Ora, já sabes que não me entendo com o telemóvel, - respondi eu.(Nota: o sonho aconteceu e a foto do Eduardo acontece. Imaginem abrir o Facebook, de manhã, e essa ser a primeira postagem que aparece.)


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...