4/29/16

Cães com trela na via pública, por favor



Uma notícia desta semana dava conta da sentença proferida no caso do Simba, o cão de raça leão-da-rodésia que foi abatido a tiro por um indivíduo em Monsanto, o ano passado. O cão pertencia a um casal, tinha sido prenda do marido à esposa, por ocasião de um aniversário. Tinha 5 anos quando foi abatido na propriedade ao lado da quinta deles, arrastou-se ferido até aos pés da mulher e acabou por morrer. O homem escreveu, por essa altura, no Facebook: "Indagado por mim num estado de perfeito nervosismo, o autor do disparo, que diz ter sido de aviso...para o ar, negou...negou tudo, negou ter morto o meu cão, negou ser um assassino, negou ser cruel, negou não possuir uma réstia de amor pela vida animal, respeito pela vida dos outros, respeito pela minha mulher que minutos antes o cumprimentara ao chegar a quinta enquanto este podava uma parreiras, na presença da GNR, ontem e hoje, tudo negou." Outro excerto: "Ontem perdi o meu melhor amigo nesta vida, perdi um vizinho que ate permitia que me tirasse água de um poço e que por duas vezes o esvaziou porque se esquecia da rega ligada, perdi parte da minha mulher que não consigo consolar, perdi a minha fé no homem, ganhei um novo folego como crente em Deus porque só Ele me apertou e tranquilizou ontem enquanto soluçava a enterrar o meu cão rodeado dos meus cavalos que lhe vieram prestar uma ultima homenagem e do meu irmão também ele destroçado por ver o seu caçula em tamanha aflição."

O autor dos disparos foi condenado a 240 dias de multa a oito euros por dia (1920 euros) pelo Tribunal de Idanha-a-Nova. Também a pagar uma indemnização de quatro mil euros por danos patrimoniais e não patrimoniais, decorrente de um processo cível. Foi ainda condenado a uma pena acessória de um ano de interdição de uso e porte de arma. Já o dono do cão, foi condenado por cinco crimes de injúria e um de ameaças e terá de pagar 1500 euros de indemnização à outra parte e 2100 euros de multa. No final o juiz deu um sermão ao dono do cão por não considerar exemplar o mediatismo que este caso alcançou nas redes sociais e porque o homem tinha descurado a vigilância do cão, deixando-o à solta. Ao autor dos disparos, nada disse. Note-se que a norma é que o juiz se dirija à parte considerada culpada.

Perante esta notícia,  deixa ir colar um post-it no frigorífico a ver se não me esqueço. Se alguém fizer mal à Luna, (a nossa Canis lupus familiaris) qualquer um de nós, que a acolhemos, temos de nunca perder a compostura, ser polidos, usar de toda a cortesia  e gentileza para com o malfeitor, tratá-lo nas palminhas, ou ainda incorremos em crimes, multas e agravos vários. E depois de termos visto reconhecida a culpa do agressor em Tribunal ainda temos de aturar o todo poderoso do juiz a dar-nos nas orelhas, lá porque não tem simpatia pelas redes sociais - é, quiçá, um analfabeto digital ou tem fobia a computadores ou acha que isso das redes é divertimento da plebe - ou pelos julgamentos feitos pela opinião pública, como se isso fosse capaz de afectar o seu mister.

Mas já agora, e a propósito do facto deste dono ter deixado o cão à solta (segundo o relato do juiz) , - o que não desculpa quaisquer maltratos - aproveito para contar que os últimos três dias têm sido muito aborrecidos porque alguém deixa dois cães à solta e eles vêm para a nossa vizinhança, que tem parque. Às 7.30 h da matina, hora em que a Luna deve ir à relva, os bichos aparecem vindos sei lá eu de onde e correm que nem doidos para nós. Parecem querer brincadeira e são amistosos connosco, mas o maior, (Airedale Terrier) no primeiro dia tentou acercar-se do pescoço da Luna e no segundo abocanhou mesmo, com facilidade, pois é mais alto, tivemos de lhe limpar a saliva do pelo. 

Das duas vezes o passeio teve de ser adiado pois os cães não saiam da porta do prédio. Existem mais cães nas redondezas e quando acontecem estes encontros todos ladram. Estão a imaginar a cara dos vizinhos quando nos cruzamos com eles no elevador? Eu digo-vos como ela é: é a cara que eu teria se estivesse deitada a tentar aproveitar os últimos minutos de sono e acordasse com tamanho chinfrim canino. Isto para dizer que donos há que se fazem esquecidos das responsabilidades inerentes ao facto de terem um cão. Ficam em casa no bem bom, de pijama e robe, abrem a porta para os cães irem defecar na rua pela manhã, alguém que junte o lixo deles, porque daí o dono lava as mãos, ele é mais fotos com o cão no Facebook. Este dono também parece ignorar que está a colocar os seus animais em perigo. Estará ele assim tão certo de que os cães não comam porcarias? Ou que não causem um acidente ao atravessar-se à frente de um automóvel? Que não fiquem eles feridos no processo? Ou que não fujam das imediações atrás de uma cadela com o cio? Ou que não sejam roubados? Ou que não sejam perseguidos por cães territoriais?(O que já aconteceu com estes). Ou que não invadam propriedade privada? Ou que não derrubem uma criança ainda que por brincadeira? 

O dono, (ou dona) seja ele quem for, diria certamente sobre este episódio que eles não fazem mal, que só querem brincar. É sempre o que me dizem quando eu saio com a cadela pela trela e algum cão solto se vem meter com ela. Mas em dois tempos o bicho rosna, ela ladra, eu repreendo, o outro investe, eu invisto contra o cão e contra o dono, que nem sequer apressa o passo para se nos juntar! E depois o pascácio diz que está tudo bem, que o cão não morde, que só quer brincar, que não percebe porque há-de usar a trela, que ele só quer brincar...e no entretanto nem sequer chama o animal de volta, eu que me desenrasque a pacificar o animal dele!

NÃO PODE SER. A brincadeira não diverte ninguém. Em resumo: é pura falta de bom senso e de noções de convivência social, é também não perceber as necessidades dos próprios animais, pois trata-se da sua segurança também. 

A lei é de 2003 e diz que na via pública todo o cão deve andar na trela. Que eu saiba ainda está em vigor. Pequeno ou grande, de raça ou rafeiro, perigoso, semi-perigoso, potencialmente perigoso, nada perigoso, o que for, é NA TRELA. Hoje os dois cães não apareceram mas fizeram-nos levantar ainda mais cedo. Vamos a ver amanhã.

Para reter: respeite o seu cão, respeite os cães dos outros e respeite as pessoas em geral. Lembre-se que nem toda a gente gosta de cães, por mais amistosos que eles sejam, pessoas há que têm pavor deles. Coloque-se no lugar delas e avalie se é uma boa experiência ser assaltado na rua pelo seu enérgico e felpudo amigo de quatro patas, aos saltos e a ladrar constantemente!

Obrigatoriedade por lei – O Decreto-Lei nº 314/2003 de 17 de Dezembro (Artigo 7) 

Actualização: 

Ontem, Sábado, os cães voltaram a aparecer! Então escrevemos um bilhete a pedir aos donos que não soltassem os animais e prendemos o bilhete na coleira do cão maior, que afinal é uma cadela, daí não se ter dado bem com a Luna. O par é meigo com as pessoas e formam um conjunto muito patusco. Estão bem tratados e bem educados. Fornecemos contacto mas não houve. Hoje, Domingo, correu tudo bem, os cães não apareceram. Anteontem também encontramos a pequena crosta que se formou no lugar do golpe que os dentes da cadela fizeram no pescoço da Luna. É uma coisa de nada. Mas o que teria acontecido se não as tivéssemos conseguido separar? Amanhã veremos como corre. Durante a semana a preocupação é maior porque se tem de entrar a horas no serviço e se a cadela não pode ir cedo já não vai à relva senão no regresso...Como podem ver facilitar nesta questão de deixar os cães à solta, mesmo se eles são amistosos, é bastante aborrecido.


3/30/16

Como fazer massa para pizza de forma rápida?



Hoje vou directa ao assunto. Ou talvez não. As pizzas entraram há muito na alimentação corrente e são coisa favorita entre os mais jovens. O meu sobrinho adora. Considera-se um especialista, tem opinião feita sobre o assunto e é difícil arranjar argumentos para o contrariar sobre o mérito da massa não sei quantas da Pizza Hut, a massa dourada, a massa alta e fofa, a massa fina e estaladiça, o queijo assim, o queijo assado. Eu fui algumas vezes à Pizza Hut com ele mas nunca achei que a pizza da Pizza Hut fosse a suprema delícia. Ironicamente, a pior pizza que jamais comi... comi-a em Itália, justamente na suposta nação berço da pizza! Digo supostamente porque a pizza não apareceu por geração espontânea em Itália: pensem nos pães árabes actuais e já conseguem conseguem fazer uma ideia. A sua história vem de longe, começou talvez quando os Egípcios inventaram o forno de cozer pão e o fermento; a receita foi-se aprimorando e viajando pelo mundo, desde o Extremo Oriente até Nápoles, onde  acaba por alcançar o formato que lhe deu a fama. O proveito, esse, é do mundo inteiro pois a pizza é dos pratos rápidos mais conhecidos, muito tendo contribuido a emigração italiana para esse resultado.

A pizza era inicialmente um alimento de pessoas humildes, a "picea" - a  palavra “pizza” vem do grego “picea”, pinheiro usado para aquecer fornos  - era um disco de massa  assada com ingredientes baratos por cima, ervas, alho e azeite, e vendida por vendedores ambulantes. Nesta altura a pizza era comida fechada, dobrada ao meio, em "calzone". Hoje também podemos comer a pizza neste formato em algumas pizzarias, também chamada pizza recheada.

A pizza Margherita tem na origem do nome uma história curiosa. Em 1889 dom Raffaele Espósito, um padeiro ao serviço do rei Umberto I e da rainha Margherita, decidiu homenagear a rainha e  inventou uma pizza com as cores da bandeira italiana -  branco, vermelho e verde. Para isso ele utilizou queijo mozzarela, tomate - trazido pelos conquistadores espanhóis da America para a Europa - e manjericão, produtos que ostentam aquelas cores. A pizza agradou tanto à raínha que acabou por receber o seu nome em homenagem. Não sei se é verdade ou não, mas é engraçado e fica sempre bem saber para contarem quando estiverem a trincar um Margherita com os amigos! E se forem a Nápoles, sempre podem espreitar a Antica Pizzeria Port’Alba,  fundada em 1830,  que se diz ser a mais antiga ainda em funcionamento. 

Diferentemente do meu sobrinho eu não cresci a comer pizzas. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que comi pizza porque isso foi um acontecimento. Eram os anos 80, frequentava o Liceu, já não recordo em que ano, e tinha uma amiga cujos pais tinham estado emigrados na Alemanha. A mãe fazia pizza em casa com frequência e quando ela soube que eu era uma "analfapizza", fui de imediato convidada para um almoço. Quando passei a porta da entrada o cheiro característico já tinha tomado conta da casa. A pizza chegou à mesa num tabuleiro quadrado e para acompanhar havia uma saladeira redonda cheia de alface e cebola fatiada. Eu gostei daquilo mas não voltei a comer pizza tão cedo. Uns cinco anos depois começaram a abrir pizzarias por todo o lado.Nunca foi um dos meus pratos favoritos mas não digo que não a uma boa fatia de vez em quando! Eis como preparo a pizza em casa. É muito simples e rápido. Não é preciso comprar massas congeladas.

Receita da massa de pizza para uma base de 30 cm

280 gr de farinha de trigo sem fermento
100 ml de água morna (cerca de meio copo)
7 gr de fermento Royal (eu meto uma colher de chá cheia)
meia colher de chá de sal fino
2 colheres de sopa de azeite

Pré-aquecer o forno a 200º
Deitar todos os ingredientes numa tigela. Misturar com colher até os ingredientes se unirem. Depois amassar à mão em cima da bancada. Este processo demora apenas uns minutos, não sei dizer quantos. A massa fica uniforme e macia.
Formar uma bola com a massa. Untar o tabuleiro/bandeja de levar ao forno com azeite e esticar a massa a partir da bola colocada no centro. Eu começo por usar as mãos para a esticar e depois termino com o rolo. Colocar no forno a 200º durante 5 minutos. Retirar. Untar levemente com azeite e colocar o recheio da vossa preferência.

O recheio

Deitar polpa de tomate e espalhar de forma a cobrir a base da pizza. Polvilhar com oregãos e alho em pó. Juntar os cogumelos laminados bem escorridos, as metades de tomate  cherry e azeitona preta. Polvilhar com queijo ralado e colocar por cima as rodelas de salame. Vai ao forno a 180º-200º durante 15-20  minutos, o tempo depende de vários factores, é melhor ir espreitando para controlar se o queijo já derreteu e se a massa está dourada nas bordas.

N. B. Esta pizza foi aprovada pelo sobrinho!






3/29/16

A elegância do comportamento

Lautrec reine de joie (poster) 1892

A elegância do comportamento - Adaptado de Toulouse-Lautrec por Carlos Augusto Roveri*

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples 'obrigado' diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer… porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição…

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. É elegante a gentileza.

Atitudes gentis falam mais que mil imagens… Abrir a porta para alguém é muito elegante…
Dar o lugar para alguém sentar… é muito elegante…
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma…
Oferecer ajuda… é muito elegante…
Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante…

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: se os amigos não
merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.


Carlos Augusto Roveri é Administrador de Empresas pela FAAP (1977).

Adaptação de trecho do livro "Educação Enferruja por Falta de Uso" do pintor pós-impressionista francês Toulouse-Lautrec (1864-1901).


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