7/11/16

Parabéns à Selecção Nacional!


6/14/16

Futebol total, bamos lá cambada!













4/29/16

Cães com trela na via pública, por favor



Uma notícia desta semana dava conta da sentença proferida no caso do Simba, o cão de raça leão-da-rodésia que foi abatido a tiro por um indivíduo em Monsanto, o ano passado. O cão pertencia a um casal, tinha sido prenda do marido à esposa, por ocasião de um aniversário. Tinha 5 anos quando foi abatido na propriedade ao lado da quinta deles, arrastou-se ferido até aos pés da mulher e acabou por morrer. O homem escreveu, por essa altura, no Facebook: "Indagado por mim num estado de perfeito nervosismo, o autor do disparo, que diz ter sido de aviso...para o ar, negou...negou tudo, negou ter morto o meu cão, negou ser um assassino, negou ser cruel, negou não possuir uma réstia de amor pela vida animal, respeito pela vida dos outros, respeito pela minha mulher que minutos antes o cumprimentara ao chegar a quinta enquanto este podava uma parreiras, na presença da GNR, ontem e hoje, tudo negou." Outro excerto: "Ontem perdi o meu melhor amigo nesta vida, perdi um vizinho que ate permitia que me tirasse água de um poço e que por duas vezes o esvaziou porque se esquecia da rega ligada, perdi parte da minha mulher que não consigo consolar, perdi a minha fé no homem, ganhei um novo folego como crente em Deus porque só Ele me apertou e tranquilizou ontem enquanto soluçava a enterrar o meu cão rodeado dos meus cavalos que lhe vieram prestar uma ultima homenagem e do meu irmão também ele destroçado por ver o seu caçula em tamanha aflição."

O autor dos disparos foi condenado a 240 dias de multa a oito euros por dia (1920 euros) pelo Tribunal de Idanha-a-Nova. Também a pagar uma indemnização de quatro mil euros por danos patrimoniais e não patrimoniais, decorrente de um processo cível. Foi ainda condenado a uma pena acessória de um ano de interdição de uso e porte de arma. Já o dono do cão, foi condenado por cinco crimes de injúria e um de ameaças e terá de pagar 1500 euros de indemnização à outra parte e 2100 euros de multa. No final o juiz deu um sermão ao dono do cão por não considerar exemplar o mediatismo que este caso alcançou nas redes sociais e porque o homem tinha descurado a vigilância do cão, deixando-o à solta. Ao autor dos disparos, nada disse. Note-se que a norma é que o juiz se dirija à parte considerada culpada.

Perante esta notícia,  deixa ir colar um post-it no frigorífico a ver se não me esqueço. Se alguém fizer mal à Luna, (a nossa Canis lupus familiaris) qualquer um de nós, que a acolhemos, temos de nunca perder a compostura, ser polidos, usar de toda a cortesia  e gentileza para com o malfeitor, tratá-lo nas palminhas, ou ainda incorremos em crimes, multas e agravos vários. E depois de termos visto reconhecida a culpa do agressor em Tribunal ainda temos de aturar o todo poderoso do juiz a dar-nos nas orelhas, lá porque não tem simpatia pelas redes sociais - é, quiçá, um analfabeto digital ou tem fobia a computadores ou acha que isso das redes é divertimento da plebe - ou pelos julgamentos feitos pela opinião pública, como se isso fosse capaz de afectar o seu mister.

Mas já agora, e a propósito do facto deste dono ter deixado o cão à solta (segundo o relato do juiz) , - o que não desculpa quaisquer maltratos - aproveito para contar que os últimos três dias têm sido muito aborrecidos porque alguém deixa dois cães à solta e eles vêm para a nossa vizinhança, que tem parque. Às 7.30 h da matina, hora em que a Luna deve ir à relva, os bichos aparecem vindos sei lá eu de onde e correm que nem doidos para nós. Parecem querer brincadeira e são amistosos connosco, mas o maior, (Airedale Terrier) no primeiro dia tentou acercar-se do pescoço da Luna e no segundo abocanhou mesmo, com facilidade, pois é mais alto, tivemos de lhe limpar a saliva do pelo. 

Das duas vezes o passeio teve de ser adiado pois os cães não saiam da porta do prédio. Existem mais cães nas redondezas e quando acontecem estes encontros todos ladram. Estão a imaginar a cara dos vizinhos quando nos cruzamos com eles no elevador? Eu digo-vos como ela é: é a cara que eu teria se estivesse deitada a tentar aproveitar os últimos minutos de sono e acordasse com tamanho chinfrim canino. Isto para dizer que donos há que se fazem esquecidos das responsabilidades inerentes ao facto de terem um cão. Ficam em casa no bem bom, de pijama e robe, abrem a porta para os cães irem defecar na rua pela manhã, alguém que junte o lixo deles, porque daí o dono lava as mãos, ele é mais fotos com o cão no Facebook. Este dono também parece ignorar que está a colocar os seus animais em perigo. Estará ele assim tão certo de que os cães não comam porcarias? Ou que não causem um acidente ao atravessar-se à frente de um automóvel? Que não fiquem eles feridos no processo? Ou que não fujam das imediações atrás de uma cadela com o cio? Ou que não sejam roubados? Ou que não sejam perseguidos por cães territoriais?(O que já aconteceu com estes). Ou que não invadam propriedade privada? Ou que não derrubem uma criança ainda que por brincadeira? 

O dono, (ou dona) seja ele quem for, diria certamente sobre este episódio que eles não fazem mal, que só querem brincar. É sempre o que me dizem quando eu saio com a cadela pela trela e algum cão solto se vem meter com ela. Mas em dois tempos o bicho rosna, ela ladra, eu repreendo, o outro investe, eu invisto contra o cão e contra o dono, que nem sequer apressa o passo para se nos juntar! E depois o pascácio diz que está tudo bem, que o cão não morde, que só quer brincar, que não percebe porque há-de usar a trela, que ele só quer brincar...e no entretanto nem sequer chama o animal de volta, eu que me desenrasque a pacificar o animal dele!

NÃO PODE SER. A brincadeira não diverte ninguém. Em resumo: é pura falta de bom senso e de noções de convivência social, é também não perceber as necessidades dos próprios animais, pois trata-se da sua segurança também. 

A lei é de 2003 e diz que na via pública todo o cão deve andar na trela. Que eu saiba ainda está em vigor. Pequeno ou grande, de raça ou rafeiro, perigoso, semi-perigoso, potencialmente perigoso, nada perigoso, o que for, é NA TRELA. Hoje os dois cães não apareceram mas fizeram-nos levantar ainda mais cedo. Vamos a ver amanhã.

Para reter: respeite o seu cão, respeite os cães dos outros e respeite as pessoas em geral. Lembre-se que nem toda a gente gosta de cães, por mais amistosos que eles sejam, pessoas há que têm pavor deles. Coloque-se no lugar delas e avalie se é uma boa experiência ser assaltado na rua pelo seu enérgico e felpudo amigo de quatro patas, aos saltos e a ladrar constantemente!

Obrigatoriedade por lei – O Decreto-Lei nº 314/2003 de 17 de Dezembro (Artigo 7) 

Actualização: 

Ontem, Sábado, os cães voltaram a aparecer! Então escrevemos um bilhete a pedir aos donos que não soltassem os animais e prendemos o bilhete na coleira do cão maior, que afinal é uma cadela, daí não se ter dado bem com a Luna. O par é meigo com as pessoas e formam um conjunto muito patusco. Estão bem tratados e bem educados. Fornecemos contacto mas não houve. Hoje, Domingo, correu tudo bem, os cães não apareceram. Anteontem também encontramos a pequena crosta que se formou no lugar do golpe que os dentes da cadela fizeram no pescoço da Luna. É uma coisa de nada. Mas o que teria acontecido se não as tivéssemos conseguido separar? Amanhã veremos como corre. Durante a semana a preocupação é maior porque se tem de entrar a horas no serviço e se a cadela não pode ir cedo já não vai à relva senão no regresso...Como podem ver facilitar nesta questão de deixar os cães à solta, mesmo se eles são amistosos, é bastante aborrecido.


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