22/03/20

Coronavírus: como funciona a exponencial



Um texto do Tiago Monteiro Henriques, investigador no CITAB - Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas, que ajuda a perceber o que é a "exponencial" de que tanto se fala em relação ao crescimento do número de infectados pelo coronavírus.

Fiz este texto, para ajudar a perceber (ou a relembrar) o que é a exponencial e por que razão os países estão a repetir as mesmas medidas, mas desfasados no tempo.
Por favor, leiam com muita calma, muita atenção e partilhem.
Uma exponencial que cresça a 20% por dia significa que o número de casos sobe 20% a cada dia que passa.
Exemplificando, para um crescimento de 20% por dia e começando com 10 casos infetados (por hipótese, chegados de avião a uma dada região), temos:
dia 0: 10 infetados
dia 1: 12 infetados (10 + 20%)
dia 2: aproximadamente 14 infetados (12 + 20%)
(...)
dia 10: aproximadamente 62 infetados
(...)
dia 20: aproximadamente 383 infetados
(...)
dia 30: aprox. 2373 infetados
(...)
dia 40: aprox. 14 698 infetados
dia 41: aprox. 17 637 infetados
dia 42: aprox. 21 164 infetados
(...)
Como se pode observar, nos primeiros dias o número de novos casos é muito baixo, mas mais à frente no tempo, é muito alto (fator surpresa).
O que é que define a taxa do crescimento exponencial? Ou seja, o que é que faz com que haja mais 20% de casos a cada dia que passa, ou então 25%, ou até 30%?
Várias coisas: se o vírus for mais contagioso as taxas serão maiores, mas não é só isto. Quantas mais possibilidades dermos ao vírus de passar a outra pessoa durante um dia, também maiores vão ser aquelas taxas. Fatores como a elevada densidade populacional (onde muitas pessoas se cruzam na rua, nos transportes públicos, nas escolas, trabalhos etc.) aumentam a taxa da exponencial. Fatores culturais como o modo como as pessoas se cumprimentam (beijinhos, aperto de mão ou vénia) são particularmente importantes nesta doença (porque os vírus estão na saliva e no pingo do nariz e, quando nos tocamos ou coçamos o nariz, como normalmente fazemos, estes ficam na cara e nas mãos). Há outros fatores que poderão ser importantes (por exemplo o estado do tempo meteorológico), mas os que referi antes parecem ser os mais importantes neste caso (COVID-19).
Outros dois aspetos muito importantes são: o período de incubação e os casos assintomáticos. O período de incubação faz com que só descubramos aqueles números, que apresentei, cerca de 7 a 10 dias depois de as pessoas já estarem infetadas. Os casos assintomáticos fazem com que, na verdade, só uma parte daqueles números sejam conhecidos e fazem também com que a contenção falhe sucessivamente.
Façamos agora um outro raciocínio. Vamos assumir que as cidades do mundo são todas muito parecidas (têm autocarros, metros, pessoas que se cruzam nos passeios etc.). Vamos também assumir que as práticas culturais são semelhantes (por exemplo, pensando em Portugal e Espanha). Se assim for, a taxa de crescimento diário é igual nos dois casos. Vamos supor que é o valor de 20% outra vez.
Imaginemos agora que, nos primeiros dias da epidemia, Portugal recebeu 10 pessoas infetadas (que, por exemplo, chegaram de avião de Itália) e que começam a contagiar outras pessoas. E imaginemos que, na mesma semana, Espanha recebeu cerca de 62 infetados. Se olharem para os valores que apresentei no início, Portugal estaria no dia 0, mas Espanha estaria no dia 10!
Ou seja: receber mais ou menos infetados nos primeiros momentos, é exatamente como viajar no tempo! Passados 30 dias, Portugal teria 2373 infetados (dia 30) e Espanha 14 698 (dia 40).
Mas atenção! Não se deixem enganar pela exponencial! Para este exemplo que criei, a taxa de crescimento é a mesma nos dois países! Espanha pode ter mais casos por dia (em absoluto), mas, em termos relativos, os dois países estariam a crescer a 20% e Portugal atingirá os valores de Espanha passados 10 dias.
É por esta razão que os países estão a repetir as mesmas medidas, mas desfasados no tempo. É desesperante não podermos avisá-los! Mas a exponencial é muito enganadora (fator surpresa) e o medo (legítimo!) de arruinar a economia faz com que pouco se aprenda com os nossos vizinhos que estão avançados no tempo.
Países muito populosos e mais pobres causam-me uma sensação de impotência e tristeza muito grandes.
RECADOS PARA LEVAR CONSIGO:
Confiem na administração pública, nos órgãos de soberania e no nosso sistema nacional de saúde. Eles sabem disto tudo e têm muito mais informação nas mãos do que nós.
Façam a vossa parte para reduzir a taxa de aumento diário (que em Portugal tem sido maior do que 20%), diminuindo os contactos ao mínimo indispensável (ou a zero), estando conscientes que quando alteramos os nossos comportamentos hoje, só daqui a 7 a 10 dias veremos resultados.
Isolem os mais idosos dos mais novos. Se puderem, trabalhem e continuem a produzir. Não entrem em pânico. Sejam amigos e solidários com os que vos estão próximos. Força!

Receita de Pão de Vinho (Especial quarentena)



Receita de Pão de Vinho (Especial quarentena)

Ingredientes:

1 garrafa de bom vinho
250g de farinha de trigo, tipo 65
200g de água fria
10g de fermento padeiro
5g de sal fino
10g de açúcar


Preparação:

Uma boa ideia para quando se acabar o pão em casa em tempos de quarentena, é meter as mãos na massa. Abundam receitas na internet, aqui fica mais uma. Para começar, abra-se uma garrafa de um bom vinho para o deixar respirar. Depois, numa taça média, dissolva-se o fermento na água, junte-se o açúcar e misture-se bem. Encha-se um copo com vinho, pode ser aquele copo que usa habitualmente. Não tanto que venha por fora, mas não tão pouco que vos deixe um travo a racionamento de II GG. Deixe-se o copo ao alcance da mão, na banca, durante uns minutos para libertar todos os aromas. Noutra taça, misture-se bem a farinha com o sal. Deitem-se estes ingredientes na primeira taça e envolvam-se com a ajuda de um vara de arames. Cubra-se depois o recipiente com película aderente ou pano lavado e deixe-se a descansar ao abrigo de correntes de ar. Aproveite-se agora para provar o vinho escolhido. Aspire, prove. Que tal? Satisfeito? Se não estiver, é a altura de ir buscar outra garrafa e substituir. Se a pinga for do seu agrado, beba mais um gole, encha de novo o copo e prepare-se para uma deliciosa espera de uma hora enquanto o pão leveda, acompanhando o vinho com uma boa leitura. Finda a espera, tenda-se o pão com a ajuda de farinha. Moldem-se algumas bolas, alonguem-se e deixem-se a descansar na banca sobre farinha. Com uma faca, faça-se um corte em diagonal não profundo em cada bola. Pré-aqueça-se o forno a 200º, enfarinhe-se um tabuleiro e levem-se as bolas ao forno até ficarem douradas a gosto. Aproveite-se para encher o copo a cada vez que se for à cozinha para controlar a cozedura do pão de vinho. Consuma-se ao singelo ou acompanhe-se com manteiga, queijo, compotas, patés ou fumados, regado com o líquido restante. Não se esqueça de seguir o protocolo de higiene Covid-19 durante a preparação. Bom apetite.

(Nota: receita nunca testada. Se fizer o pão de vinho, diga-me como correu. Se conseguir.)

19/03/20

And the people stayed home, by Kitty O'Meará



And the people stayed home. And they read books, and listened, and rested, and exercised, and made art, and played games, and learned new ways of being, and were still. And they listened more deeply. Some meditated, some prayed, some danced. Some met their shadows. And the people began to think differently.

And the people healed. And, in the absence of people living in ignorant, dangerous, mindless, and heartless ways, the earth began to heal.

And when the danger passed, and the people joined together again, they grieved their losses, and made new choices, and dreamed new images, and created new ways to live, and they healed the earth fully, as they had been healed.

18/03/20

Lavagem correcta das mãos durante 20 segundos: para imprimir e afixar no WC


A OMS recomenda lavar as mãos com água e sabão, esfregando-as pelos menos durante 20 segundos. A duração na lavagem e o cuidado na lavagem são decisivos para a eliminação do coronavírus.  

Sobretudo importa reter que se devem lavar as mãos várias vezes  sempre que precisar de: tocar na cara, comer, após tossir ou espirrar, após tocar em superfícies metálicas ou outras, madeira, plástico, etc,  após ter estado em locais públicos, depois de ir ao WC, depois de mudar fraldas, etc. Também antes de preparar comida se devem lavar as mãos.

A OMS também sugere a desinfecção com gel de base alcoólica a 70º . Também a sua eficácia depende da utilização, ou seja, exactamente como se estivesse a lavar com água e sabão, percorrendo todos os locais indicados nas imagens. Essas indicações da DGS e da entidade congénere americana CDC, devem-se ao facto de apenas o álcool a 70% matar todos os coronavírus que actualmente se conhecem. Quando são excretados pelos doentes, os coronavírus vêm envolvidos numa fina película protectora, que o vírus "roubou" ao tecido da célula infectada para se poder proteger. Essa camada permite-lhe manter-se vivo por várias horas. Ora, o sabão - e o desinfectante também - tem o poder de romper esta película protectora. E, sem ela, o vírus morre.

Quanto mais álcool melhor é para matar os vírus? Não. A 100% o álcool evapora depressa demais. O ideal é haver alguma água incorporada na solução alcoólica.



Fábula: O velho, o rapaz e o burro

O mundo ralha de tudo,
Tenha ou não tenha razão,
Quero contar uma história
Em prova desta asserção.
Partia um velho campónio
Do seu monte ao povoado,
Levava um neto que tinha
O seu burrinho montado.
Encontra uns homens que dizem:
— Olha aquela que tal é!
Montado o rapaz, que é forte,
E o velho trôpego a pé.
— Tapemos a boca ao mundo —,
O velho disse: — Rapaz,
Desce do burro, que eu monto,
E vem caminhando atrás.
Monta-se, mas dizer ouve:
— Que patetice tão rata!
O tamanhão de burrinho,
E o pobre pequeno à pata.
— Eu me apeio —, diz prudente
O velho de boa-fé,
— Vá o burro sem carrego,
E vamos ambos a pé.
Apeiam-se, e outros lhe dizem:
— Toleirões, calcando lama!
De que lhes serve o burrinho?
Dormem com ele na cama?
— Rapaz —, diz o bom do velho,
— Se de irmos a pé murmuram,
Ambos no burro montemos,
A ver se inda nos censuram.
Montam, mas ouvem de um lado:
— Apeiem-se, almas de breu,
Querem matar o burrinho?
Aposto que não é seu.
— Vamos ao chão —, diz o velho,
— Já não sei o que hei-de fazer
O mundo está de tal sorte,
Que se não pode entender,
É mau se monto no burro,
Se o rapaz monta, mau é,
Se ambos montamos, é mau,
E é mau se vamos a pé:
De tudo me têm ralhado,
Agora que mais me resta?
Peguemos no burro às costas,
Façamos inda mais esta.
Pegam no burro; o bom velho
Pelas mãos o ergue do chão,
Pega-lhe o rapaz nas pernas,
E assim caminhando vão.
— Olhem dois loucos varridos! —,
Ouvem com grande sussurro,
— Fazendo mundo às avessas,
Tornados burros do burro!
O velho então pára e exclama:
— Do que observo me confundo,
Por mais que a gente se mate
Nunca tapa a boca ao mundo.
Rapaz, vamos como dantes,
Sirvam-nos estas lições;
É mais tolo quem dá
Ao mundo satisfações.


16/03/20

Quando devo partilhar informação sobre a COVID 19?


No seguimento da minha anterior postagem, aqui deixo um exemplo.

Abaixo podem ler uma mensagem que recebi por email e a tradução de um texto italiano que contém parte da informação que o autor da mensagem que recebi, reenviada, deve ter usado.
Algumas das informações contidas nesse texto também constaram de uma mensagem difundida que atribuía a sua autoria à UNICEF e que foi desmentida aqui.
Por fim, tentei clarificar a informação da "corrente de email" com base no que encontrei no site da Organização Mundial de Saúde, entre outras fontes. Podem apenas ler essa parte que é  que contém a informação relevante sobre a infecção Covid 19. 

O email:

"Espero que vos possa ser útil.
Um amigo que estava no mestrado e a trabalhar no Hospital de Shenzlhen foi transferido para estudar o vírus da pneumonia Wuhan. Ele acabou de me ligar e me disse para contar aos meus amigos: se você tem nariz escorrendo e escarro quando está resfriado, não pode ser um novo tipo de pneumonia por coronavírus, porque a pneumonia por coronavírus é uma tosse seca sem coriza. Essa é a maneira mais simples de identificar. Diga a seus amigos que, se você souber mais sobre conhecimentos médicos, terá mais consciência da identificação e prevenção. Dean Desta vez, o vírus Wuhan não é resistente ao calor e será morto a uma temperatura de 26 a 27 graus. Portanto, beba mais água quente. Você pode pedir a seus amigos e parentes que bebam mais água quente para evitá-la. Vá sob o sol. Faz frio recentemente e beber água quente também é muito confortável. Não é uma cura e é bom para o corpo. Beber água morna é eficaz para todos os vírus. Tente não beber gelo, lembre-se!

Conselho do médico sobre o coronavírus:
1. Seu tamanho é bastante grande (a célula tem cerca de 400-500nm de diâmetro); portanto, qualquer máscara normal (não apenas o recurso N95) deve ser capaz de filtrá-la. No entanto, quando alguém infectado espirra na sua frente, são necessários 3 metros até cair no chão e não está mais no ar.
2. Quando o vírus cair na superfície do metal, ele permanecerá por pelo menos 12 horas. Portanto, lembre-se, se você entrar em contato com qualquer superfície metálica, lave bem as mãos com sabão.
3. O vírus pode permanecer ativo no tecido por 6 a 12 horas. O detergente para a roupa normal deve matar o vírus. Para roupas de inverno que não exijam lavagem diária, você pode colocá-las sob o sol para matar o vírus.
Sobre os sintomas da pneumonia causada pelo coronavírus:
1. Ele infectará primeiro a garganta, de modo que a garganta terá a sensação de dor de garganta seca, que durará de 3 a 4 dias.
2. Em seguida, o vírus se mistura com o líquido nasal e goteja na traquéia e entra nos pulmões, causando pneumonia. Esse processo levará de 5 a 6 dias.
3. Com pneumonia, vem febre alta e dificuldade em respirar. A congestão nasal não é do tipo normal. Você sentirá como se estivesse se afogando na água. É importante procurar atendimento médico imediato se você se sentir assim.
Sobre prevenção:
1. A maneira mais comum de se infectar é tocar as coisas em público, então você deve lavar as mãos com frequência. O vírus só pode viver em suas mãos por 5 a 10 minutos, mas muita coisa pode acontecer nessas 5 a 10 minutos (você pode esfregar os olhos ou enfiar o nariz inconscientemente).
2. Além de lavar as mãos com freqüência, você pode gargarejar com o Betadine Sore Throat Gargle para eliminar ou minimizar os germes enquanto eles ainda estão na garganta (antes de pingar nos pulmões).
Gente, tome cuidado extra e beba bastante água.
encaminhado como recebido
----- Fim de mensagem reenviada -----

O texto italiano traduzido por mim: este texto foi publicado no site de uma associação italiana para o combate à trombose e doenças cardiovasculares e foi traduzido/adaptado pela Dra Mara Fragomeni, da Clínica Acqua Health Care e publicado aqui. Esta médica brasileira trabalha na área da medicina estética, fez uma síntese e deixou, muito bem, os links para os materiais usados.

"Recebemos e transmitimos com prazer todas essas informações claras, simples e acessíveis a todos. As informações, que descrevem exatamente o que é o vírus, como ele é transferido de uma pessoa para outra e como pode ser neutralizado na vida quotidiana.

A infecção pelo vírus Corona não causa um resfriado com o nariz escorrendo ou tosse catarral, mas uma tosse seca e seca: essa é a coisa mais fácil de se saber.
O vírus não resiste ao calor e morre se exposto a temperaturas de 26 a 27 graus: portanto, consuma muitas vezes durante o dia bebidas quentes, como chá, chá de ervas ou caldo. Líquidos quentes neutralizam o vírus e não são difíceis de beber.
Evite beber água gelada ou comer cubos de gelo ou neve para quem estiver nas montanhas.
Para quem pode fazê-lo, exponha-se ao sol!
A coroa do vírus é bastante grande (diâmetro entre 400 e 500 nanômetros), de modo que qualquer tipo de máscara pode detê-la: na vida normal, nenhuma máscara especial é necessária. A situação é diferente para médicos e profissionais de saúde expostos a fortes cargas de vírus e que precisam usar equipamentos especiais.
Se uma pessoa infectada espirrar na sua frente, a três metros de distância,   impedirá que o vírus caia sobre si.
Quando o vírus pousa em superfícies metálicas, ele sobrevive por cerca de 12 horas: quando você toca em superfícies metálicas (maçanetas, portas, eletrodomésticos, suportes nos autocarros), lave bem as mãos e desinfecte-as cuidadosamente.
O vírus pode viver aninhado em roupas e tecidos por cerca de 6/12 horas: detergentes normais podem matá-lo. Para roupas que não podem ser lavadas todos os dias, se você puder expô-las ao sol e o vírus morrerá.

Como ocorre: 1. O vírus primeiro se instala na garganta, causando inflamação e sensação de garganta seca: esse sintoma pode durar 3/4 dias.
O vírus viaja através da humidade presente nas vias aéreas, desce para a traqueia e instala-se no pulmão, causando pneumonia: essa etapa leva cerca de 5/6 dias. 3. A pneumonia ocorre com febre alta e dificuldade em respirar, não é acompanhada pelo frio clássico. Nesse caso, contacte seu médico imediatamente

Como evito: A transmissão do vírus ocorre principalmente por contato directo, tocando tecidos ou materiais nos quais o vírus está presente : lavar as mãos com frequência é essencial.

O vírus sobrevive em suas mãos apenas por cerca de dez minutos , mas em dez minutos muitas coisas podem acontecer: esfregar os olhos ou coçar o nariz, por exemplo, permitir que o vírus entre na garganta ... para seu próprio bem e para o bem dos outros. lave as mãos com muita frequência e desinfecte-as.

Você pode gargarejar com uma solução desinfectante que elimina ou minimiza a parcela de vírus que pode entrar na sua garganta: elimine-a antes que ela desça na traqueia e depois nos pulmões.
Todos devemos cuidar melhor de nós mesmos, pelo bem e pelo bem dos outros."

O texto que chega depois até nós na "corrente via email" é confuso e contém imprecisões. 
O que é relevante saber:

- O "amigo" transferido não tem um nome sequer? É logo aí que deve começar a nossa desconfiança.

- Os sintomas da COVID19, nome da doença. O vírus provoca, em primeiro lugar, febre, cansaço e tosse seca. Não provoca dor de garganta em todos os pacientes. Em apenas alguns provoca dor de garganta, congestão nasal e corrimento nasal. Em alguns a secreção nasal pode existir.

- Algumas pessoas ficam infectadas e não apresentam nenhuns sintomas: são assintomáticas e estão doentes.

- São sintomas ligeiros que evoluem gradualmente. Os primeiros sintomas surgem em 5-6 dias mas também entre 2 e 14 dias. A maioria recupera destes sintomas ligeiros.

- Algumas pessoas pioram e ficam dificuldade em respirar. Quando têm febre, tosse e dificuldade em respirar, devem procurar um médico. O risco é que surjam complicações: a sua condição pode evoluir para pneumonia. Não existe uma “pneumonia de Wuhan”, existe uma pneumonia que é a resultante da infecção.

- A única forma segura de uma pessoa saber se tem ou não a Covid19 é fazendo o teste e não apenas porque apresenta os sintomas ou pneumonia.

- É verdade que nos casos mais graves o coronavírus causa pneumonia. Mas só algumas pessoas, nomeadamente as mais vulneráveis, idosos, doentes crónicos, doentes com problemas respiratórios, pessoas com historial de diabetes, cardíacos e hipertensos, sistema imunitário debilitado, irão provavelmente adoecer com pneumonia, desenvolvimento mais grave da infecção. As outras vão ter sintomas mais parecidos com gripe forte ou até mais ligeiros.

Gargarejos com desinfectantes não são indicados para a eliminação do novo coronavírus. Não há indicação médica sobre isso embora a Betadina esteja indicada contra bactérias, fungos e viroses.

- Está a ser aconselhado que na suspeita de infecção não se usem medicamentos à base de Ibuprofeno e antes Paracetamol.

- O uso da máscara não é um recurso suficiente ficar protegido de contaminação. Confere uma falsa sensação de segurança a quem não está habituado ao seu uso. As pessoas tendem a descuidar-se e a mexer na cara para a ajustar, contaminando o rosto. É preciso seguir as regras de bem colocar, remover, substituir e deitar fora a máscara usada. Não pode ser usada qualquer máscara. Importa saber o tamanho do vírus e se estamos perante transmissão por gotículas ou aerossol e escolher a máscara adequada. Tem de ser associada à lavagem frequente das mãos.  Da mesma forma não impede a transmissão do vírus para terceiros a 100% e contamina o ambiente se não for descartada com regra. Além disso as máscaras são recursos escassos, se todos comprarem, irão faltar para quem necessita delas.

- A máscara é para ser usada por quem tem sintomas de doença, isto é, por quem tiver febre ou tosse ou dificuldade respiratória, esses é quem devem usar a máscara, não as pessoas saudáveis. São pessoas com sintomas ou doentes já debilitados que devem usar a máscara. Também deve ser usada por familiares que cuidam ou contactam com doentes para que não apanhem a infecção. É sobretudo para ser usada por pessoal hospitalar e é um recurso escasso. 

Portanto: cumprir a lavagem de mãos, espirrar para o antebraço ou lenço descartável, que deve ser inutilizado, manter o distanciamento social. São estas as medidas principais a ter em conta por parte de todos.

- A recomendação da OMS é manter ao menos um metro de distância entre as pessoas, particularmente daquelas que estão tossindo, espirrando e com febre. Não há referência a 3 metros de distância, como segurança. Eis as diferentes formulações:

No entanto, quando alguém infectado espirra na sua frente, são necessários 3 metros até cair no chão e não está mais no ar.
Se uma pessoa infectada espirrar na sua frente, a três metros de distância,  (a distancia)  impedirá que o vírus caia sobre si.
- O vírus propaga-se por gotículas suspensas no ar. Ele adere às gotículas que são espirradas ou tossidas, ou até expelidas durante a fala (perdigotos) e é assim que viaja , a força da gravidade puxa-os para o chão, ele não viaja por longa distância. (Actualmente estuda-se a (reduzida) possibilidade do vírus ser transmitido como um aerossol, mantido no ar através de reacções químicas e físicas. Pessoas que atravessassem essa espécie de nevoeiro também seriam infectadas. Há estudos a serem feitos mas não se sabe ainda.)

As pessoas podem ser contaminadas quando estão próximo de outras sem sintomas, (tosse, espirros, febre, etc) que as sinalizem como doentes durante uma conversação, por exemplo,  pelo que devem manter uma distância de no mínimo 1 metro.

É também possível que o vírus se propague pelo ar, em espaços fechados - aviões, autocarros, cinemas - com a ajuda, por exemplo, do ar condicionado. Logo, essa via de propagação não deve ser excluída.

Não existem ainda certezas sobre o tempo que o coronavirus que causa a Covid19 sobrevive em superfícies, seja metal ou tecido, mas, de acordo com os outros corona já estudados, esse tempo pode ser horas ou dias.

Os números muitas vezes avançados são de estudos acerca de prévios coronavírus. O que se sabe é que esses outros podem sobreviver entre 2 horas a 9 dias. Alguns persistem a temperaturas de 4º por cerca de 28 dias. A 30º-40º esses coronavírus tendem a ser menos persistentes. Portanto, podiam permanecer até 9 dias , numa superfície à temperatura ambiente e a 30º ou mais podem tender à eliminação. Os vírus corona da SARS duram 5 dias em metal, 4 dias em plástico. No papel, consoante as estirpes, podem viver 5 dias ou duas horas.  Por regra dão-se mal com baixas temperaturas ou humidade. Sobre este que causa a Covid19 ainda não se sabe, estão a ser feitos estudos.

( Hoje, dia 17 de Março, mais um estudo foi divulgado.  Sobrevivência do coronavirus: No ar - 3 hrs, Cobre - 4 hrs, Papelão - 24 hrs, Inox - 48 hrs, Plástico - 72 hrs. )

- Pode pensar-se que devido à baixa capacidade de sobrevivência desses coronavírus nas superfícies, é provável que haja um risco muito baixo de propagação deste novo coronavírus em alimentos ou embalagens que foram transportadas por dias ou semanas à temperatura ambiente, refrigerados ou congelados.

Os estudos dos diferentes coronavírus apresentam resultados variados para a mesma superfície. Aqui está uma boa fonte para ler sobre este assunto.



Sobretudo importa reter que se devem lavar as mãos várias vezes e não apenas depois de tocar superfícies metálicas, existem mais circunstâncias muito importantes, ou seja, deve lavar as mãos sempre que precisar de: tocar na cara, comer, após tossir ou espirrar, após tocar em superfícies metálicas, após ter estado em locais públicos, depois do WC, depois de mudar fraldas, etc. Antes de preparar comida devem lavar-se as mãos com sabão pelo recomendado tempo de 20 segundos.

- A OMS recomenda lavar as mãos com água e sabão, esfregando-as pelos menos durante 20 segundos ou desinfectando-as com solução de base alcoólica a 70 graus. A duração e o cuidado na lavagem são decisivos.

A OMS não indica por quanto tempo o vírus fica activo nas mãos pelo que elas devem ser lavadas com frequência. A COVID-19 transmite-se por contacto próximo com pessoas infectadas pelo vírus, que aspiram gotículas projectadas pela tosse, espirros ou durante a fala, ou superfícies e objectos contaminados. As gotículas depositam-se nas superfícies e são levadas pelas mãos até à cara, olhos, boca, nariz, ganhando assim acesso ao organismo.

- Para os pacientes com o novo coronavírus, a OMS recomenda a lavagem de lençóis e toalhas na máquina de lavar com água quente (60-90°C) e sabão para roupa e a secagem total, na máquina ou ao sol. Sem água quente, deve-se meter de molho e usar lixívia.

- Finalmente, não se sabe como é que o calor vai impactar o coronavírus reponsável pela Covid19. Como afirmar que o calor mata o vírus? Mas se ele morre a uma temperatura de 26-27 graus, como é que nos infecta e vive em nós, com temperatura corporal superior? Não protegemos o organismo com chá quente, o calor que nos protege dos vírus é a febre.

- O vírus não morre a 26- 27ºC! Nenhum vírus se "neutraliza" com a ingestão de líquidos quentes, nem o da vulgar constipação. A temperatura do nosso corpo é de 36-37ºC, logo, se assim fosse, o vírus não nos infectava. Portanto, não interessa beber água quente ou chá quente, nem ir para a praia apanhar sol para elevar a temperatura corporal. A resposta do sistema de defesa do nosso organismo é a febre e só essa é que mata vírus. Não é com água quente, seja sopa ou chá.

- Por outro lado, muitos vírus infectam-nos, quando? No inverno, que é quando está mais frio. Pensa-se que é em virtude das aulas que provocam muitos ajuntamentos e movimentação de pessoas que, entre outras razões, isso acontece. Como é que beber uma bebida fresca iria afectar o vírus? A temperatura das bebidas, quentes ou frias, não tem impacto no vírus. Observando como outros corona se comprovam, verifica-se que 80% dos casos do corona MERS foram detectados na Arábia Saudita, um país quente.

- É verdade que a ingestão de líquidos  por uma questão de hidratação costuma ser aconselhada quando se apanha uma virose pois temos febre.

- Os coronavírus têm um tamanho médio de 120 nanómetros ou milimicrons. Os vírus não têm células, são seres muito simples. Quando o texto refere "célula" pode tratar-se de uma imprecisão querendo dizer "cápusla". Os vírus vão de 20 a 250-400 nm. O mimivirus com 500 nm é um gigante. Ver matéria interessante sobre tamanho e constituição dos vírus, aqui.

Primeiro não encontrei referência ao tamanho do vírus, mas hoje (dia 18 de Março) vi esta matéria onde se refere o tamanho do novo coronavírus: não é qualquer máscara que serve.


Infografia do Estadão, ver aqui.


Outra fonte aqui, lê-se: Thus, SARS-CoV-2 belongs to the betaCoVs category. It has round or elliptic and often pleomorphic form, and a diameter of approximately 60–140 nm. Like other CoVs, it is sensitive to ultraviolet rays and heat. Furthermore, these viruses can be effectively inactivated by lipid solvents including ether (75%), ethanol, chlorine-containing disinfectant, peroxyacetic acid and chloroform except for chlorhexidine.

- Importa ainda esclarecer que não é qualquer máscara que serve. O tipo de máscara deve ser escolhido de acordo com o fim a que se destina. Esta informação é importante pois não se deve comprar qualquer máscara ou sequer fazer as máscaras em casa, como já vi ser sugerido. É dinheiro gasto e tempo perdido.

Um profissional de saúde que lide com os pacientes infectados deve usar equipamento de proteção individual (EPI), entre ele, máscara. Que tipo? Máscara N95 - refere-se a uma classificação de filtro para aerossóis adotada nos EUA - PFF2 - usado no Brasil. São máscaras com eficácia mínima na filtração de 95% de partículas de até 0,3 micrómetros ou nanómetros.

A N95 tem capacidade de capturar, pelo filtro, partículas não biológicas e de microrganismos na forma de aerossóis. Por isso, não importa se o elemento é “vivo” ou não, mas unicamente o seu tamanho e forma. Adverte-se que quem possuir barba ou cicatrizes na face precisa estar atento à manutenção da eficiência da máscara pois a barba pode impedir a adaptação correta da máscara no rosto. 

As N95 não são a mesma coisa que máscaras cirúrgicas. Estas protegem do contacto ou inalação de gotículas transmitidas por pacientes, além da projeção de fluidos corpóreos e sangue que podem infectar a mucosa bucal ou as vias respiratórias; também contribuem para diminuir a contaminação do ambiente com secreções respiratórias, tanto geradas pelo usuário quanto pelos pacientes internados ou em condição de transporte. A máscara cirúrgica não protege adequadamente o usuário de patologias transmitidas por aerossóis. Isso porque, independentemente de sua capacidade de filtração, a vedação no rosto não é suficientemente eficaz nesse tipo de máscara. Além disso, ela não é reconhecida como um EPI.



É IMPORTANTE TER EM CONTA QUE: 
alguns dos dados existentes e que estão a orientar a nossa reacção à crise, podem vir a ser revistos com base em novos dados e conclusões por se tratar de um novo vírus.


Pode também gostar de ler:

Site da Organização Mundial de Saúde, aqui

Site da UNICEF, aqui.

Site da DGS, aqui

Site do Governo, aqui

Sobre tipos de máscara, aqui

14/03/20

Não divulgue informação enganosa ou falsa sobre o coronavírus ou a Covid 19



Têm chegado ao meu correio algumas mensagens sobre o coronavírus e a Covid19 cujo conteúdo é falso ou enganoso. Este tipo de informação é, vulgarmente, disseminado com a melhor das intenções por quem as recebe, mas o seu efeito não é positivo em virtude do seu conteúdo ser inútil.

Umas vezes os autores adulteraram a informação ao traduzi-la, outras vezes não têm legitimidade para serem criadores desse conteúdo, outras vezes ainda pretendem apenas obter público para os seus sites ou divertir-se. No caso da presente pandemia COVID 19, algumas mensagens estão até a criar alarmismo desnecessário, como, por exemplo, mensagens de audio que se tornaram virias.

Esses conteúdos geram desinformação e confusão em quem os recebe em vez de verdadeiro esclarecimento.  É importante que esteja alerta para detectar e filtrar a má e a boa informação.

O tipo de informação pode ter uma aparência de seriedade mas ser enganosa. Ou pode apresentar indícios que o façam desconfiar da sua origem. Só deve repassar a boa informação. Na dúvida, não repasse a informação. 

Como evitar a informação falsa ou enganosa? 
Eis algumas indicações que o podem ajudar:

Preste atenção ao local onde encontrou a informação: o site onde encontrou a informação é de um orgão de notícias reconhecido ou não? O site é reconhecido na área em que actua? O blogue onde encontrou a informação costuma apresentar textos com rigor, indicando a fonte usada para isso ou o seu autor é credenciado na área? Espreite publicações passadas e observe o seu teor para ter alguma segurança em relação ao que acaba de ler. Confirme a informação que vai passar em outros sites se ainda tiver dúvidas.

O título que leu pode não ter qualquer relação com o texto, não partilhe um texto sem o ler até final:
o título é como a minhoca que atrai o peixe ao anzol e muitas vezes é apenas isso que o autor pretende, atrair público ao seu site.

Se o texto sobre uma notícia importante não estiver bem redigido é de suspeitar que seja rigoroso:
esteja alerta para erros de todo o género, para julgamentos de valor ou opiniões expressas que indicam que o texto tem forte carga subjectiva quando o que lhe interessa é ser informado objectivamente sobre o assunto do momento.

Procure saber quem é o autor do texto que acabou de ler: confirme se o autor é jornalista, ou se a sua formação é adequada para dar opinião rigorosa sobre o que escreveu no caso de procurar conhecimento sobre um assunto determinado e não um texto de opinião ou entretenimento. Quanto mais importante for o assunto, mais importante a credibilidade da pessoa que discorre sobre o mesmo para que possa aproveitar do seu conteúdo com segurança e utilidade.

Actualidade da informação: não passe informação desactualizada pois não terá interesse para os outros podendo até revelar-se uma fonte de transtorno desnecessário. Procure informação sobre a data em que o texto foi escrito antes de partilhar.

Seja crítico em relação a opiniões pessoais que por serem, por vezes, expressas com bastante convicção, podem conduzi-lo para o erro, ainda que inconscientemente.

Seja crítico em relação a autores que citam pessoas diversas como fonte de alguma informação sem divulgar o nome destas, substituindo-os por "um médico", " um perito", "alguém que trabalhou no hospital X", etc. 



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Fake news, aqui
  

12/03/20

Vamos todos parar a Covid 19: #Fiquem em casa, porra!


Um Movimento para travar a pandemia de COVID-19


Os nossos governos estão a falhar na prevenção da disseminação do SARS-CoV-2 e na contenção da pandemia de COVID-19. Reacções lentas, políticas de apaziguamento da população e a urgência em estabilizar a economia estão a impedi-los de tomar as medidas necessárias para proteger milhões de pessoas desta doença. É altura de nós, como cidadãos da terra, agirmos e fazermos a nossa parte na luta contra a COVID-19.

Sem usar meias palavras: Fiquem em Casa, Porra!

O Manifesto da Quarentena Voluntária

Sem nenhum tratamento bem estudado e com uma vacina viável à distância de pelo menos um ano, a única forma efectiva de manter a epidemia do novo coronavírus à margem é dar ao vírus menos hipóteses de se propagar. A seguinte lista de acções, ordenadas das mais fáceis de implementar até às mais eficazes na luta contra a pandemia, devem servir como uma linha orientadora para as pessoas que queiram juntar-se ao movimento e fazer algo, quando as pessoas no poder continuam a negligenciar a situação.

Não entrar em pânico mas estar alerta.

Lavar bem as mãos e cumprir as regras de etiqueta respiratória (quando tossir ou espirrar cubra a face com um lenço descartável ou o cotovelo).

Tentar tocar na sua cara o mínimo possível, incluindo mãos, nariz e olhos.

Manter a distância social, não dar abraços, beijos, apertos de mão nem “high-fives”. Se tiver de ser, use alternativas seguras.

Não ir a concertos, peças de teatro, eventos desportivos ou qualquer outro evento de entretenimento de massas.

Evitar visitar museus, exposições, cinemas, clubes nocturnos e outros locais de entretenimento.

Evitar ajuntamentos e eventos sociais, como encontros de clubes, serviços religiosos e festas privadas.

Reduzir o quanto viaja a um mínimo. Não viaje distâncias longas a não ser que seja absolutamente necessário.

Não utilizar transportes públicos a não ser que seja absolutamente necessário.

Se puder trabalhar a partir de casa, faça-o. Peça à sua entidade empregadora para permitir trabalho remoto, se necessário.

Substituir tantas interacções sociais quanto possível por alternativas remotas, como telefonemas ou vídeo-conferências.

Não sair de casa a não ser que seja absolutamente necessário.


Por favor tenha em mente que não há um número certo ou errado de acções a tomar. Apenas faça as coisas com que se sente confortável e que não ponham em risco a sua subsistência. Não se despeça do seu emprego por causa disto! No entanto, tenha em mente que todas as acções ajudam.

Porque é tão importante

O SARS-CoV-2 é um vírus altamente contagioso e potencialmente mortífero, que causa uma doença respiratória chamada COVID-19. Pode conhecê-lo por muitos outros nomes incluindo 2019-nCoV, novo coronavírus, coronavírus de Wuhan, gripe da China, vírus da China ou simplesmente coronavírus. Todos estes nomes se referem ao mesmo vírus que este movimento está a tentar parar.

Ao longo dos últimos meses e semanas, o vírus e a doença correspondente têm sido frequentemente comparados ao vírus influenza e à gripe sazonal. Devido a terem alguns sintomas comuns e aparente semelhança na gravidade, esta comparação ocorre naturalmente a muitas pessoas. No entanto, olhando para o que sabemos até agora sobre este novo vírus, a ameaça que constitui para a sociedade não pode ser facilmente menosprezada.

Mais Contagioso que a Gripe

Com um R0 estimado entre 1.4 – 6.49 e uma média estimada de 3.28[1], o SARS-CoV-2 é muito mais contagioso e dissemina-se muito mais rapidamente que a gripe sazonal, cujo R0 médio é 1.28[2].


Mais Mortífero que a Gripe

A chamada taxa de mortalidade do SARS-CoV-2 estima-se rondar os 2%[3], o que significa que, infelizmente, cerca de 2% das pessoas diagnosticadas com COVID-19 irão sucumbir à doença. Em comparação, a taxa de mortalidade da gripe sazonal estima-se rondar os 0.1%[4], o que significa que se estima que o SARS-CoV-2 seja cerca de 20 vezes mais mortífero que a gripe sazonal.


Possibilidade de Sintomas Graves

Estima-se que cerca de 15 – 20% dos indivíduos infectados sofram de sintomas graves que requerem atenção médica[5], incluindo pneumonia com falta de ar e níveis baixos de saturação de oxigénio no sangue.

Não há Tratamento, Vacina, nem Imunidade

Dado que o SARS-CoV-2 apenas surgiu recentemente, não há qualquer tratamento bem estudado para a COVID-19 e é necessário mais investigação para se tratarem os infectados de forma eficiente. Pelo mesmo motivo, ainda não há uma vacina para o SARS-CoV-2[6] e o desenvolvimento de uma vacina ainda levará bastante tempo. Sem vacinas e sem imunidade prévia e espalhada pela população, qualquer pessoa é um alvo susceptível de infecção. Apesar de a maioria das pessoas apenas sofrerem sintomas ligeiros, esta falta de imunidade de grupo pode levar a doença grave num número significativo de indivíduos em risco.

Crescimento Exponencial

Devido à falta de imunidade para este novo vírus, o limite superior para o número de infecções é toda a população humana. E apesar do crescimento exponencial parecer sempre lento inicialmente, pode levar a números inimagináveis num curto período de tempo. Com o número de pessoas infectadas actualmente a duplicar em poucos dias [7], os nossos sistemas de saúde ficarão potencialmente sobrecarregados, o que levará a um número maior de mortes uma vez que as pessoas não receberão os cuidados de que precisam.

Ao juntar-se ao movimento e, consequentemente, limitar as possibilidades de novas infecções, não está apenas a proteger-se a si mesmo mas também está a ajudar a conter e limitar a disseminação do vírus por todas as outras pessoas, especialmente por aqueles que estão em maior risco de sofrer consequências severas da doença.

Se se importa com esta causa, por favor divulgue-a nas suas redes sociais, via e-mail, ou refira-a aos seus amigos e família.

Mas por favor, #StayTheFuckHome.


Disclaimer: The content of this website does not constitute medical advice. The information provided above is meant to be a suggestion for concerned individuals to follow a loose set of guidelines based on best practices and anecdotal evidence to protect themselves and their loved ones. There is no guarantee or scientific evidence that following the mentioned guidelines will lead to a reduction in new infections or even stop the COVID-19 epidemic. There is also no guarantee that following these guidelines will reduce the risk of getting infected with SARS-CoV-2 or any other viral or bacterial contagion. All information provided on this website is given with the best intent and will to provide factual information. In no event shall the website operators be held liable for any claim, damages or other liabilities. If you have concerns or comments about the information provided on this website, please write to inquiry@staythefuckhome.com.

10/03/20

Coronavirus: Testimony of a surgeon working in Bergamo, in the heart of Italy's coronavirus outbreak






Testimony of a surgeon working in Bergamo, in the heart of Italy's coronavirus outbreak

«In one of the non-stop e-mails that I receive from my hospital administration on a more than daily basis, there was a paragraph on "how to be responsible on social media", with some recommendations that we all can agree on. After thinking for a long time if and what to write about what's happening here, I felt that silence was not responsible. I will, therefore, try to convey to lay-people, those who are more distant from our reality, what we are experiencing in Bergamo during these Covid-19 pandemic days. I understand the need not to panic, but when the message of the danger of what is happening is not out, and I still see people ignoring the recommendations and people who gather together complaining that they cannot go to the gym or play soccer tournaments, I shiver. I also understand the economic damage and I am also worried about that. After this epidemic, it will be hard to start over.

Still, besides the fact that we are also devastating our national health system from an economic point of view, I want to point out that the public health damage that is going to invest the country is more important and I find it nothing short of "chilling" that new quarantine areas requested by the Region have not yet been established for the municipalities of Alzano Lombardo and Nembro (I would like to clarify that this is purely personal opinion). I myself looked with some amazement at the reorganization of the entire hospital in the previous week, when our current enemy was still in the shadows: the wards slowly "emptied", elective activities interrupted, intensive care unit freed to create as many beds as possible. Containers arriving in front of the emergency room to create diversified routes and avoid infections. All this rapid transformation brought in the hallways of the hospital an atmosphere of surreal silence and emptiness that we did not understand, waiting for a war that had yet to begin and that many (including me) were not so sure would never come with such ferocity (I open a parenthesis: all this was done in the shadows, and without publicity, while several newspapers had the courage to say that private health care was not doing anything).

I still remember my night shift a week ago spent without any rest, waiting for a call from the microbiology department. I was waiting for the results of a swab taken from the first suspect case in our hospital, thinking about what consequences it would have for us and the hospital. If I think about it, my agitation for one possible case seems almost ridiculous and unjustified, now that I have seen what is happening. Well, the situation is now nothing short of dramatic. No other words come to mind. The war has literally exploded and battles are uninterrupted day and night. One after the other, these unfortunate people come to the emergency room. They have far from the complications of a flu. Let's stop saying it's a bad flu. In my two years working in Bergamo, I have learned that the people here do not come to the emergency room for no reason. They did well this time too. They followed all the recommendations given: a week or ten days at home with a fever without going out to prevent contagion, but now they can't take it anymore. They don't breathe enough, they need oxygen. Drug therapies for this virus are few.

The course mainly depends on our organism. We can only support it when it can't take it anymore. It is mainly hoped that our body will eradicate the virus on its own, let's face it. Antiviral therapies are experimental on this virus and we learn its behavior day after day. Staying at home until the symptoms worsen does not change the prognosis of the disease. Now, however, that need for beds in all its drama has arrived. One after another, the departments that had been emptied are filling up at an impressive rate. The display boards with the names of the sicks, of different colors depending on the department they belong to, are now all red and instead of the surgical procedure, there is the diagnosis, which is always the same: bilateral interstitial pneumonia. Now, tell me which flu virus causes such a rapid tragedy.

Because that's the difference (now I get a little technical): in classical flu, besides that it infects much less population over several months, cases are complicated less frequently: only when the virus has destroyed the protective barriers of our airways and as such it allows bacteria (which normally resident in the upper airways) to invade the bronchi and lungs, causing a more serious disease. Covid 19 causes a banal flu in many young people, but in many elderly people (and not only) a real SARS because it invades the alveoli of the lungs directly, and it infects them making them unable to perform their function. The resulting respiratory failure is often serious and after a few days of hospitalization, the simple oxygen that can be administered in a ward may not be enough. Sorry, but to me, as a doctor, it's not reassuring that the most serious are mainly elderly people with other pathologies. The elderly population is the most represented in our country and it is difficult to find someone who, above 65 years of age, does not take at least a pill for high blood pressure or diabetes.

I can also assure you that when you see young people who end up intubated in the ICU, pronated or worse, in ECMO (a machine for the worst cases, which extracts the blood, re-oxygenates it and returns it to the body, waiting for the lungs to hopefully heal), all this confidence for your young age goes away. And while there are still people on social media who boast of not being afraid by ignoring the recommendations, protesting that their normal lifestyle habits have "temporarily" halted, the epidemiological disaster is taking place. And there are no more surgeons, urologists, orthopedists, we are only doctors who suddenly become part of a single team to face this tsunami that has overwhelmed us.

The cases multiply, up to a rate of 15-20 hospitalizations a day all for the same reason. The results of the swabs now come one after the other: positive, positive, positive. Suddenly the emergency room is collapsing. Emergency provisions are issued: help is needed in the emergency room. A quick meeting to learn how to use to emergency room EHR and a few minutes later I'm already downstairs, next to the warriors on the war front. The screen of the PC with the chief complaint is always the same: fever and respiratory difficulty, fever and cough, respiratory insufficiency etc ... Exams, radiology always with the same sentence: bilateral interstitial pneumonia. All needs to be hospitalized. Some already need to be intubated and goes to the ICU. For others, however, it is late. ICU is full, and when ICUs are full, more are created. Each ventilator is like gold: those in the operating rooms that have now suspended their non-urgent activity are used and the OR become an ICU that did not exist before. I found it amazing, or at least I can speak for Humanitas Gavazzeni (where I work), how it was possible to put in place in such a short time a deployment and a reorganization of resources so finely designed to prepare for a disaster of this magnitude. And every reorganization of beds, wards, staff, work shifts, and tasks is constantly reviewed day after day to try to give everything and even more. Those wards that previously looked like ghosts are now saturated, ready to try to give their best for the sick, but exhausted. The staff is exhausted. I saw fatigue on faces that didn't know what it was despite the already grueling workloads they had. I have seen people still stop beyond the times they used to stop already, for overtime that was now habitual. I saw solidarity from all of us, who never failed to go to our internist colleagues to ask "what can I do for you now?" or "leave that admission to me, I will take care of it." Doctors who move beds and transfer patients, who administer therapies instead of nurses. Nurses with tears in their eyes because we are unable to save everyone and the vital signs of several patients at the same time reveal an already marked destiny. There are no more shifts, schedules.

Social life is suspended for us. I have been separated for a few months, and I assure you that I have always done my best to constantly see my son even on the day after a night shift, without sleeping and postponing sleep until when I am without him, but for almost 2 weeks I have voluntarily not seen neither my son nor my family members for fear of infecting them and in turn infecting an elderly grandmother or relatives with other health problems. I'm happy with some photos of my son that I look at between tears and a few video calls. So you should be patient too, you can't go to the theater, museums or gym. Try to have mercy on that myriad of older people you could exterminate. It is not your fault, I know, but of those who put it in your head that you are exaggerating and even this testimony may seem just an exaggeration for those who are far from the epidemic, but please, listen to us, try to leave the house only to indispensable things. Do not go en masse to make stocks in supermarkets: it is the worst thing because you concentrate and the risk of contacts with infected people who do not know they are infected. You can go there without a rush. Maybe if you have a normal mask (even those that are used to do certain manual work), put it on. Don't look for ffp2 or ffp3. Those should serve us and we are beginning to struggle to find them. By now we have had to optimize their use only in certain circumstances, as the WHO recently recommended in view of their almost ubiquitous running low. Oh yes, thanks to the shortage of certain protection devices, many colleagues and I are certainly exposed despite all the other means of protection we have. Some of us have already become infected despite the protocols. Some infected colleagues also have infected relatives and some of their family members are already struggling between life and death. We are where your fears could make you stay away. Try to make sure you stay away.

Tell your family members who are elderly or with other illnesses to stay indoors. Bring him the groceries please. We have no alternative. It's our job. Indeed what I do these days is not really the job I'm used to, but I do it anyway and I will like it as long as it responds to the same principles: try to make some sick people feel better and heal, or even just alleviate the suffering and the pain to those who unfortunately cannot heal. I don't spend a lot of words about the people who define us heroes these days and who until yesterday were ready to insult and report us. Both will return to insult and report as soon as everything is over. People forget everything quickly. And we're not even heroes these days. It's our job. We risked something bad every day before: when we put our hands in a belly full of someone's blood we don't even know if they have HIV or hepatitis C; when we do it even though we know they have HIV or hepatitis C; when we stick ourselves during an operation on a patient with HIV and take the drugs that make us vomit all day long for a month. When we read with anguish the results of the blood tests after an accidental needlestick, hoping not to be infected. We simply earn our living with something that gives us emotions. It doesn't matter if they are beautiful or ugly, we just take them home. In the end, we only try to make ourselves useful for everyone. Now try to do it too, though: with our actions we influence the life and death of a few dozen people. You with yours, many more. Please share and share the message. We need to spread the word to prevent what is happening here from happening all over Italy.»
Fonte: Reddit

Coronavírus: apelo de médica de USF de Felgueiras




Publico um apelo de uma médica com informação que me parece ser útil, mesmo para os residentes em regiões onde a Covid19 ainda não chegou. Comecem a tomar medidas preventivas quanto antes pois elas, por mais simples, exigem um tempo e esforço de adaptação. Parem também de divulgar ideias que tendem para a relativização da infecção pelo coronavírus, tenho lido muitas. É contraproducente.

O texto seguinte é da autoria da  Drª Ana Marinho Soares da Unidade de Saúde Familiar de Felgueiras

Escrevo isto para que chegue por favor ao máximo de pessoas a minha advertência. Estamos perante uma epidemia e é necessário que TODOS façam a SUA parte para a travarmos! Como médica sinto-me na obrigação de alertar porque vejo muitas pessoas que chegam a ridicularizar a situação e ignoram as importantes medidas preventivas.

Estou farta de ler posts a dizerem que há mais pessoas a morrerem de fome, e de acidentes e de outras coisas do que com COVID 19, desvalorizando a epidemia. Isso é verdade, há imensas outras coisas que matam muito mais que o Covid mas são assuntos independentes, não são?! Resolver um assunto é resolver um assunto, resolver outro assunto é resolver outro assunto. Porque é que eu vou estar a comparar a fome ao Covid? Os dois são para resolver, ok? Ou porque há mais pessoas a morrerem de fome e a morrerem de acidentes já não temos de travar esta epidemia?

Estou farta de ler que a gripe comum é mais grave que o Covid 19. Isso não é verdade! Não sou eu que o digo é a Organização Mundial de Saúde. Querem entidade mais idónea que esta? O Covid 19 tem-se mostrado mais agressivo e com mais casos que terminam em morte (principalmente em idosos e pessoas com patologias crónicas).

Acho especialmente que esta ideia errada que foi passada de que Covid 19 é igual a gripe comum foi muito prejudicial porque está a fazer com que as pessoas não tomem as medidas preventivas de uma forma seria e adequada, pensando que não têm de mudar os hábitos porque nunca o fizeram e todos os anos há gripe...

Neste momento Felgueiras tem casos de Covid por isso controlar a epidemia tem de ser uma PRIORIDADE para os Felgueirenses.

Acredito que esta desvalorização pode ser muito prejudicial para o nosso concelho porque pode levar a mais contágios por imprudências evitáveis. O nosso concelho já tem como sabem, casos confirmados de Covid 19 e é preciso que TODOS colaborem para “cortarmos” os contágios.
E o que têm de fazer é muito pouco...

1- Deixem de espirrar e tossir para o ar.... é sempre, sempre para o braço

2- Lavem as mãos muitas vezes, e é fundamental lavar sempre as mãos antes de tocar no rosto, antes de comer, depois de mexer em algo que passe por “muitas mãos” como o dinheiro por exemplo

3-Não cumprimentem ninguém com aperto de mão e não dêem beijinhos a ninguém! Mesmo aos vossos pais, avós, filhos, não dêem beijos...

4- Depois de limparem o nariz deitem o lenço logo ao lixo

5- Se estão de quarentena... façam a quarentena!!!

6- Se tiver tosse, febre, falta de ar e viajou recentemente ou esteve em contacto com um caso de COVID 19 deve ligar para a linha 24 ( não deve ir nem ao centro de saúde nem à urgência hospitalar)

7- Evitem multidões, estar em sítios fechados com muita gente, etc

8- Aconselho os cafés, lojas comerciais, serviços, etc a desinfetarem regularmente as maçanetas das portas ao longo do dia

9- Muitas pessoas não têm Facebook... não consigo que esta mensagem chegue principalmente aos mais idosos (que são também os que mais riscos correm). Transmitam-lhes todos os cuidados que eles devem ter... sejam portadores das medidas preventivas que eles devem tomar.

10- Evite viajar para fora do país

11- Nada de pânico! Concentrem-se em fazer estas medidas todas bem. Nós sabemos que em média uma pessoa infetada transmite a doença a duas ou a três pessoas. Nós podemos ser mais rápidos que a infeção se cada um de vocês fizer tudo direitinho e passar a mensagem a 3, 4, 5 pessoas que também façam tudo direitinho e por sua vez cada uma delas faça tudo direitinho e continue a transmissão de informação adequada, quebrado assim muitas, muitas correntes de transmissão

11- Se todos fizermos tudo bem os danos serão mínimos e quem sabe no S Pedro e nas Vitórias já poderemos beijar-nos e abraçar-nos e brindarmos à união da nossa terra, do nosso concelho e do que juntos podemos fazer por um bem maior, pela saúde de todos.

Maria Almeida

PARTILHEM POR FAVOR!!!


09/03/20

Pedro Barroso - Agora nunca é tarde


Vídeo Agora nunca é tarde, do álbum Memória do futuro/Ao vivo no Rivoli

Cada um de nós nasce com um artista lá dentro.
Um poeta, um escultor, um aventureiro...
um cientista, um pintor, um arqueólogo, um estilista, um astronauta, um cantor, um marinheiro.
E o sonho e a distância, e o tempo e a saudade deram-nos vida, amor, problemas, mentiras e verdade; e damos por nós mesmos descobrindo que agora, se calhar, já é um pouco tarde.
E nas memórias velhas e secretas da menina morou sempre aquele sonho de um dia ser...
bailarina, actriz, modelo, princesa, muito rica; eu sei lá!
Mas os anos correram num assombro, e a vida foi injusta em qualquer jeito para a chama indelével que ainda arde.
E os filhos são bonitos no seu peito.
Pois é...
mas agora...
agora já é tarde.
E nos papéis antigos que rasgamos há sempre meia dúzia que guardamos.
São os planos da conquista do Pólo Norte que fizemos aos sete anos, escondidos no sótão uma tarde, e estiveram perdidos trinta anos.
E agora, se calhar, maldita sorte!
Por desnorte, acaso ou esquecimento, alguém já descobriu o Pólo Norte e agora...
agora pronto, agora já é tarde.
Há sempre nas gavetas escritores secretos, cientistas e doutores, desenhos e projectos construtores feitos em meninos de tudo o que sonhámos fazer quando fosse a nossa vez!
Cientistas em busca de Plutão, arqueólogos no Egipto, viajantes sempre sem destino, futebolistas de sucesso no Inter de Milão.
E o curso da vida foi traidor, e o curso da vida foi cobarde, e o ciclo do tempo completou-se, e agora...
e agora pronto, paciência, agora já é tarde...
Agora é tarde.
Emprego, casa, filhos muito queridos, algum sonhar ainda com amigos, às vezes sair, beber uns copos p'ra esquecer ou p'ra lembrar, e fazer ainda um certo alarde, talvez para esconder ou para abafar, como é já tão demasiado e tão impiedosamente tarde...
Não...
mas não, não; nunca é tarde para sonhar!
Amanhã partimos todos para Istambul, Vladivostock, Alasca, Oslo, Dakar!
Vamos à selva a Timor abraçar aquela gente e às montras de Amsterdam (que eu afinal também não sou diferente).
Chegando a Tóquio são horas de jantar, depois temos de voltar a Bombaim, passando por Macau e Calcutá, que eu encontro Portugal em todo o lado e mesmo fugindo nunca saio de mim.
E se esse marinheiro, galã, aventureiro, esse, que já não há, pois que me saiba cumprir com coerência, nos limites decentes da demência, nos limites dementes da decência; e cumpramo-nos todos, já agora, até ao fim, no que fazemos, na diferença do que formos e dissermos!
E perguntando, criando rebeldias, conferindo aquilo que acreditamos e que ainda formos capazes de sonhar!
E se aquilo, aquilo que nos dão todos os dias não for coisa que se cheire ou nos deslumbre, que pelo menos nunca abdiquemos de pensar com direito à ironia, ao sonho, ao ser diferente.
E será talvez uma forma inteligente de, afinal, nunca...
nunca, nunca ser tarde demais para viver, nunca ser tarde demais para perceber, nunca ser tarde demais para exigir, nunca ser tarde demais para acordar.