6/30/14

Exposição Martelinhos São João - 2014 - Porto

Até dia 3 de julho apareçam na Exposição de Martelinhos de São João para ver todas as 139 propostas concorrentes. Além dos projectos 3D há projectos em 2D e video. A Exposição encontra-se no Palácio das Artes – Fábrica de Talentos, Largo de S. Domingos, no Porto, a caminho da Ribeira.

Foi a segunda vez que participei no concurso. Há três anos apresentei três propostas. Este ano apenas tive tempo para uma. 
O martelo em quilling obteve o primeiro lugar, Categoria 3D, na 3ª edição do Concurso da Fundação da Juventude, Porto. Perguntaram-me, no Porto Canal, porque tinha participado e como tinha tido esta ideia. Participei porque o concurso dos martelos já faz parte dos meus festejos do São João, está na agenda! Gosto do desafio criativo da reinvenção do tradicional martelo de plástico. Quanto à ideia, foi até muito fácil. Em março passado descobri o quilling (ou filigrana de papel)  e agendei que lá para o verão havia de experimentar. Quando li o anúncio do concurso pareceu-me ser a técnica perfeita para elaborar uma peça. Foi realmente simples pois muitas vezes as ideias são tantas que uma pessoa se atrapalha nas escolhas e na eleição da mais adequada! Já mais complicado foi conseguir aprender e elaborar o martelo no espaço de uma semana, o tempo que tinha disponível. Depois de ter feito o desenho, comecei a cortar as fitas e a enrolar as peças - na sua construção foram cortadas, enroladas e coladas cerca de 650 fitas de papel. O martelo incorpora os símbolos do São João - manjericos, um fogareiro com sardinhas a assar, o alho porro, um pequeno martelo e um balão, além do santo popular. As cores dominantes são verde-manjerico e azul-douro por razões óbvias! Escolhi esta técnica porque queria obter um produto final popular. O martelo remete claramente para as decorações sanjoaninas, muitas delas feitas em papel, e ainda para o floreado do ferro que adorna tantas varandas e portas da cidade do Porto, sem esquecer, também que a filigrana (mas em metais nobres) é uma arte tradicional no norte do país. 
Sem dúvida inspirado pela minha paixão pela cidade do Porto, dedico a quem sabe do que falo! Além disso, e até mais do que o Natal, que acontecia num mês chuvoso e escuro, já em miúda o São João já era a minha festa favorita. Em Braga, onde passei a infância, também se festejava pela noite dentro. O que eu gostava no São João nessa altura é o mesmo que hoje: a transfiguração da rua num espaço de festa. Para o ano há mais São João e vamos a ver se pelo menos uma nova ideia para participar neste concurso criativo!













6/27/14

Portugal no Mundial de Futebol 2014


Antes

  

Depois

 

6/15/14

Tendas instantâneas para a praia


O que acham vocês dos abrigos da Decathlon? A ficha técnica diz que uma das vantagens destas tendas é a facilidade da montagem, - que é instantânea, - e a desmontagem, - nada mais é do que dobragem, - que leva 15 segundos. Diz ainda que o tecido do duplo tecto filtra os UV com IPS de 30 e que pesa 1,1 kg. E que quando se transporta, fechada, tem a forma de um disco plano de 56 cm de diâmetro, um bom formato para carregar. Observem a limpeza com que os dois simpáticos do video demonstram tudo isto. Muito fixe, não vos parece? 

De há uns anos a esta parte comecei a ver tendas Quechua nas praias e a pensar em adquirir uma. Mas eram raras e eu interrogava-me porque é que um artigo tão curioso não se tornava viral. Seriam pequenas demais? Faria muito calor lá dentro? Aguentariam a nortada característica aqui da costa? Na Figueira o pára-vento é quase sempre indispensável o que obriga a carregar dois trastes: um chapéu de sol e um pára-vento. Carregar coisas não é o meu forte e por isso a tenda da Quechua começou a tornar-se muito apetecível. Mas os anos têm passado e eu continuo fiel aos dois trastes velhos. 

Hoje, quando cheguei à praia, havia pelo menos três destas tendas coloridas já montadas. Enquanto lá estive não vi mais ninguém chegar com elas mas vi um casal com duas crianças deixar a praia com uma. Além da tenda eles ainda carregavam o tradicional chapéu de sol. Observando a cena era fácil perceber que devem ter adquirido a tenda para os  miúdos. Se bem que nenhuma criança pare muito tempo no mesmo sítio, regra geral o que todas querem é brincar com a água ou com a areia, ou com a bola, o facto é que as  duas crianças até podiam brincar dentro dela protegidas do sol.   

Enquanto umas famílias fazem de tudo para proteger as crianças do sol, outras levam bebés de colo para a praia. Isso sempre me causou uma grande inquietação. Que prazer é que um bebé minúsculo pode tirar daquela caloraça? Vai molhar o pézinho? Não tem tempo para o fazer quando já conseguir dar dois passitos sem cair? Qual é a urgência, senhores? Hoje havia um casal - que nem chapéu de sol tinha, - a dormitar ao sol no areal, com o bebé enrolado na toalha de praia, tipo o menino Jesus a dormir na manjedoura, estão a ver? O pai de um lado, a mãe do outro, e à cabeça o irmão mais velho, noutra toalha. Uma toalha fazia de cama, a outra fazia de chapéu-de-sol. Conseguem imaginá-lo enrolado na toalha como num casulo, a transpirar, o cabelinho colado à testa e à nuca? 

Voltando à tenda Quechua da outra família,  digo-vos, hoje é que me arrependi de não ter filmado a cena da desmontagem/dobragem da tenda instantânea que a promoção da Decathlon diz que se faz em 15 segundos. Faz-se mas é preciso saber como se faz. Eu já estava com pena daquele papá. Não foram 15 segundos, aquilo foram antes uns quase 15 minutos antes dele desistir e amarfanhar a coisa de qualquer maneira, debaixo do braço. Foi hilariante! Por mais voltas que ele desse à tenda, ela parecia ter vida própria, encontrava sempre forma de o contrariar, de se expandir e de impor a sua vontade! Ele não desistia facilmente, não senhora, tentou diversas abordagens, da frente para trás, de trás para a frente, dobrava por aqui, dobrava por ali. Para tornar a tarefa mais complicada o vento estava a soprar com força e em alguns momentos ele lembrava aqueles praticantes de kitesurf, os braços erguidos no ar, a tenda laranja enfunada, estava a ver quando é que o papá levantava voo!  A filha veio ter com ele trazendo o saco circular na mão e entregou-lho. Evidentemente que a coisa amarfanhada não cabia dentro do saco circular. Foi quando ele desistiu. Desconfio que aquela tenda ainda acaba no OLX logo mais pela noitinha. Não me ocorreu ir ter com ele, oferecendo-me para a comprar. Talvez que naquele momento de frustração o papá até me tivesse feito um preço de amigo!

E lá estive novamente a escrever sobre a praia. Mas é só hoje, pois amanhã já é segunda-feira, já lá não irei, e no próximo fim-de-semana estarei no Porto. Aturem-me. A saga com o protector solar - o de corpo - continua. Como hoje não tomei banho de mar e ainda não há chuveiro instalado, regressei a casa a sentir-me um leitãozinho alaranjado. Mas o protector que escolhi para o rosto está-se a mostrar uma boa compra, sublime até. É factor 50, estou até com receio que acabar o verão com um corpo de bronze e uma cara pálida! A ver vamos.

6/14/14

Inaugurada a época de banhos na Figueira da Foz



Hoje, sábado, a praia estava cheia de gente embora pelas fotos não pareça nada, pois não? É que a praia da Figueira é um pouco como o estádio Corinthians durante a cerimónia da inauguração do Mundial de Futebol - tem tanto espaço que por mais gente que lá esteja, parece que não está lá ninguém. E também tem bola, é a tradicional bola da Nívea, na zona da praia do Relógio. Há que caminhar e caminhar até bem perto do mar e então aí sim, lá nos encontraremos a lagartar ao sol, ou a formigar na areia molhada, a apanhar ondas.

O site do Instituto do Mar e da Atmosfera indicava 31º graus de máxima para a Figueira da Foz e se os termómetros não chegaram até aí, decerto andaram bem perto. Uma caloraça, hoje de tarde, uma caloraça! A areia estava tão quente que devia dar para assar castanhas! E um casal a ir até ao mar com uma criança pela mão, para a cerimónia do "molhar o pézinho", mais ou menos o equivalente do baptismo do navio com champanhe, - só que o navio é baptizado uma vez apenas, a molha do pézinho renova-se todos os anos - e a criança, de chapéu e tshirt, mas de pé nu, a balbuciar qualquer coisa imperceptível, mas que bem podia ser ó gaja, tu não vez que estou a fritar os pés? E que tal se me levasses ao colo? De nada serviu. Quando o macho percebeu que a fêmea e a cria estavam a ficar para trás retrocedeu e veio ajudar, agarrando a cria ao colo, desta maneira galante salvando os pés mimosos da pequena de um valente escaldão! 

E o vento a soprar morno! Se há coisa que gosto é estar na praia com ventinho morno a soprar! De outras coisas eu não gosto mesmo nada. Uma, é roupa que larga tinta quando a lavamos, outra é protector solar que larga tinta. Este ano escolhi mal, já me arrependi de ter trocado o certo pelo incerto. Andei a ler os rótulos de meia dúzia de produtos solares, a tentar eliminar os que me pareceram conter porcarias nocivas, e acabei por escolher um produto que mais parece ter sido criado para o body-painting!!! Mas acham que eu desejo apoiar a seleção da Holanda ou quê? Espalho aquilo na pele e fico às riscas côr-de-laranja!! Além do efeito cromático na pele, o pigmento cola-se ao bikini e à roupa que visto. Quando chego a casa é ver a roupa a deitar tinta laranja no tanque...Acho que vou passar a aplicar com toda a generosidade pois quanto mais depressa chegar ao fim, melhor! Acabo de descobrir o spot publicitário no Youtube, - felizmente com comentários desactivados - a linda Cláudia Vieira a dizer maravilhas da mistela protectora. Será que a marca tem serviço pós-venda? O que me diriam se eu contactasse? "Ah, mas ó minha senhora, na pele da Cláudia Vieira isso não acontece!" -  É verdade, ela tem um aspecto tão limpinho no anúncio, tem o aspecto de quem não aplicou nada, nada mesmo na pele. "-Vai ver que é a sua pele de lagarto que faz uma reacção anómala!" Pfff...

Consegui resistir à tentação que na boca do vendedor pregoeiro é "bola de berlim com creme ou sem creme, bolas com creme, creme sem bolas, ora bolas", mas daí a pouco passou uma senhora a oferecer queijadas e pastéis de Tentúgal e a gula apertou, que doçura de assédio! Eu gosto tanto das queijadas de Pereira, bem mais do que dos pastéis! Levantei-me e fui comprar uma garrafa de água para enganar o meu crescente desejo por doces, - uma pessoa não é de ferro, pois, é mais gordurinhas localizadas...- e saciar a sede, pois com tamanha brasa eu já me sentia a desidratar. Voltei. Daí a uns instantes até já pensava que a senhora das queijadas tinha sido uma miragem, ou não estivesse no meio do deserto, calor e só calor, e tanta areia que me rodeia ali na praia do Neptuno, onde os cães não podem entrar, somente os cães-guia, ficam desde já avisados. Ou as minhas pernas encolheram ao longo destes meses de inverno de tanta chuva  ou o areal cresceu, cresceu novamente! Isso deixa-me bem mais preocupada do que roupa e protectores solares que tingem. Que diabo, se o mar encolhe aqui, onde cresce? Algures existirá alguém a sentir-se roubado, roubado de terra. Eu apenas me sinto envergonhada de pertencer a uma raça de incompetentes que só sabem é arruinar a orla costeira. Mas, mas, nem tudo é assim tão ruim. O areal está repleto de vegetação rasteira, uma placa à entrada da praia explica que aquilo não é incúria, nem falta de verba para manutenção, parece que estamos a proteger o habitat costeiro, a contribuir para a sua recuperação e fixação das areias! Yes!

Ah, claro, também fiz questão de ir molhar o pézinho, pois sem pézinho molhado não considero inaugurada a época de banhos. Brrrr. Estava fria! Amanhã há mais.

6/11/14

Alimente um animal abandonado com o OLX 2014




Alimente um animal abandonado com o OLX, edição 2014, está em curso até 4 de Julho!Um clique vale mais do que mil palavras. Ajude-os!

1. Esta iniciativa é realizada pelo OLX (da rede FixeAds) em parceria com várias Associações, e na sequência das várias iniciativas realizadas no passado pelo Coisas.com;

2. O objectivo desta acção é proporcionar alimentação suficiente para 3 meses, para animais abandonados (cães e gatos) e ao abrigo das Associações abrangidas;


3. A acção abrange animais abandonados (cães e gatos). Todos os dados dos animais (cães e gatos), incluindo fotos e descrição foram colocados no OLX pelas respectivas Associações e são da inteira responsabilidade das mesmas;


4. Os animais abandonados (cães e gatos) a tomar parte na acção, podem por motivos externos ao OLX estar sujeitos a alterações;
5. Para participar e ajudar a alimentar, basta pressionar no botão no anúncio de um cão ou gato ao abrigo desta iniciativa;


6. Os valores dos cliques efectuados encontram-se convertidos em percentagem de modo a tornar mais fácil a sua interpretação;


7. Cada cão pode receber até 50 Kg de ração e cada gato até 25 Kg, suficiente para aproximadamente 3 meses de alimentação - que nesta época do ano em particular tanta falta faz;


8. Os resultados das votações podem ser consultados na página de ranking, onde pode encontrar a listagem dos animais abandonados (cães e gatos): 


- Os que estão próximos de receber 10 Kg de ração (cães) ou 5 Kg de ração (gatos), que corresponde a uma taça de ração;
- Os que possuem menos votos e para o qual o seu voto fará toda a diferença;


9. Pode votar num determinado cão ou gato a cada 1 hora (permitindo até dois votos por dia no mesmo animal); Caso já tenha votado num animal abandonado, pode sempre aproveitar paraajudar outros animais;


10. Se tem interesse em adoptar algum dos animais abandonados (cães e gatos) ao abrigo desta iniciativa, deverá utilizar o formulário de contacto disponível na página do anúncio. Entrando assim directamente em contacto com a Associação respectiva;


11. Esta iniciativa irá ter inicio a 2 de Junho de 2014 e fim previsto a 4 de Julho de 2014;


12. Por cada 1000 cliques no botão ou 2000 cliques no botão no anúncio do cão ou gato que pretende ajudar, é doado 1Kg de ração para o mesmo;


13. Cada Associação poderá colocar um máximo de 100 animais entre animais abandonados (cães e gatos);
14. Ao fazer clique em determinado cão ou gato, através do botão , aceita o presente regulamento;

(Informação retirada do site OLX)

6/10/14

Relembrando o concerto dos Muse no Estádio do Dragão


E aonde é que estavas tu a festejar o 10 de Junho há um ano atrás? Eu estava no Porto e com bilhete no bolso para ir ao Estádio do Dragão ver o concerto dos Muse inserido na The 2nd Law Tour. Foi um fim de semana frio e sem sol, precisemos, chegou a chover. Ao final da tarde fui para o estádio agasalhada mas não o bastante, não imaginando o frio do c..., -assim se fala no Porto, - que iria ter de aguentar. Havia gente de gorro na cabeça e cachecol. Isto resume a coisa. Por isso quando começamos a fazer a onda nunca mais parámos. Enquanto a música não chegava tínhamos encontrado uma outra forma de manter os músculos em movimento, aquecidos! 

O estádio tem cerca de 50.000 lugares, que não estavam completamente preenchidos, julgo que estiveram lá 45.000 pessoas. Havia gente em lágrimas por não poder ir ao concerto dos Muse, um espectáculo que prometia incendiar o Estádio do Dragão. Eu não sou fã dos Muse, eu não sou fã de grupo algum embora tenha os meus preferidos. Acho que o único grupo de que eu alguma vez fui fã foram os Duran Duran. E mesmo assim fui apenas uma pequena fã, não fui além de meter uma madeixa loura na minha franja. Nunca os vi ao vivo, não tenho sequer um LP deles, ouvia o Rio em cassetes que as amigas me gravavam. Guardava algumas Bravo com posters dos rapazes e, claro, desenhava o baixista que considerava to die for, o John Taylor, nos meus cadernos da escola. Ah, e tentava desesperadamente ver os videoclips que passavam na TV em programas de música que aconteciam uma vez por semana! E, oh tristeza, nem sequer podia gravar para ver de novo. Eram tempos difíceis para uma fã, mesmo uma fã mindinha como eu, se comparados com os actuais onde tudo cabe dentro de um cartão de memória de um telemóvel. Mas nem ontem nem hoje, eu não tenho espírito de fã. Compare-se o caso desta particular fã que decidiu dar os parabéns ao Matt Bellamy mobilizando a multidão presente no estádio. Happy B-Day Matt, foi uma flash mob criada por uma miúda que deve ser fã do fundo das tripas e que implicou colocar 5000 folhas brancas de papel A3 nas cadeiras para as pessoas erguerem no ar, em sincronia, num dado momento desenhando assim aquela frase. Estão a ver a trabalheira?! E eu? Eu fiz uma mecha loira na minha franja. A minha cadeira não tinha folha. Adiante. 

Então o que faz uma gaja que nem sequer é fã dos Muse num concerto dos Muse? Ainda por cima é um concerto caro pra c...(sim, sim, leia-se isso mesmo e não caraças.) E mais: uma gaja que acha que tudo quanto excede a lotação de um coliseu (Porto ou Lisboa) já não é concerto, é desconcerto. Eu não quero ir a um concerto para ver músicos de 3cm. Qual é a graça de olhar para ecrãs -um pouco maiores do que os que tenho em casa, é certo - para ter a certeza que estamos no concerto certo?!! Qual o sentido disto?!!! Uma multidão aos saltos pode ser tudo o que vocês queiram mas os bilhetes para ver multidões amestradas não os acham um pouco caros pra c...?!! 

No fundo, e embora eu até curta bastante o som dos Muse, fui ver o concerto atraída pelas críticas de estalo que se acumulavam desde o início da tour. A começar no desenho do palco, passando pelas boas prestações de toda a banda, pela utilização magistral do video, a excelência dos efeitos visuais, do desenho de luz, pela apurada noção de espectáculo, que até actores e actrizes incluía, etc, etc, parecia ser o concerto do ano. Quando cheguei ao estádio e vi  o palco enorme inspirado na famosa central termoeléctrica londrina dos anos 30, a Battersea Power Station , não fiquei imediatamente convencida. (A propósito, esta central parece exercer um certo fascínio nos grupos musicais pois além dos Muse também os Beatles, os The Animals e os Pink Floyd se apropriaram da sua imagem em diversos suportes.) Foi preciso aguardar que escurecesse e que tudo aquilo ganhasse luz, calor, vida. Quando o concerto arrancou surpreendeu-me de tal maneira que até me esqueci de tirar fotografias! Em rápidos minutos o palco transformou-se num arrebatador cenário de ficção científica, a máquina estava em movimento sem margem para improvisação. O que melhor recordo é a luz das labaredas que se soltaram das chaminés a iluminar tudo, o calor resultante das explosões a chegar até ao meu rosto e corpo, o desenho magnético que lentamente se formou ao centro, uma espécie de turbina, as cores vermelha e azul. A conjugação perfeita da música com tudo. Foi sensacional. 

Os Muse em palco são uma máquina e Bellamy é um homem com uma energia inesgotável. Ao longo dos 90 minutos fez de tudo para manter a comunicação e o contacto com o público, o que era facilitado por um sub-palco distanciado longos metros do principal. Ora tirando riffs vibrantes da guitarra, ora sentando-se calmamente ao piano, manteve sempre uma vocalização irrepreensível. Neste concerto houve tempo para tudo, para as canções recentes, para os hits, até para a flash mob. Mas é um concerto ganhador porque, pese embora o gigantismo visual e a espectacularidade da produção, em nenhum momento esquece a celebração da música, a razão de ser de estarmos ali, 45.000 pessoas de todas as idades, e é ela que, em última análise, incendeia a multidão e a faz render-se e transformar num só corpo, em puro júbilo e alegria. 

Em conclusão. Este grupo já existe há vinte anos e é indiscutível que são extremamente profissionais, goste-se muito, assim-assim, pouco ou nada. Eu não conheço os Muse do início de carreira mas do que conheço gosto. Penso que os Muse têm um produto popular de extremo bom gosto, um produto onde por vezes caiu a nódoa, como acontece com qualquer bom pano. Mas isso são minudências para os puristas e fãs do fundo das tripas, que não eu. Foi a primeira vez que vi um concerto em estádio e não conto repetir. Mas que valeu a pena, valeu. Por isso hoje, um ano decorrido sobre o concerto, relembrei a noitada com os Muse, no estádio do Dragão. Foi mesmo um concerto do c...


Ainda era de dia
O  meu lugar na bancada
O Bellamy no ecrã e no palco, a tal coisa...
As chaminés em chamas
O princípio
Quase no fim...

A função do sub-palco, os riffs, os vocais

Meu país desgraçado

Meu país desgraçado!…
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas…

Meu país desgraçado!…
Porque fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas
,de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!
Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

Sebastião da Gama

6/9/14

Palavras cruzadas com linhas cruzadas


LINHAS CRUZADAS
Reajo a esse incomodo olhar
Nem quero acreditar
Que vem na minha direção
Há dias que estou a reparar
Nem queres disfarçar
Roubas a minha atenção
Aprecio o teu dom de tornar
Num clique o meu falar
Numa total confusão
Confesso que só de imaginar
Que te vou encontrar
Me sobe à boca o coração

(Refrão)

E falas de ti
E falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar

É certo que sempre ouvi dizer
Que do querer ao fazer
Vai um enorme esticão
Mas haverá quem possa negar
Que querer é poder
E o nunca é uma invenção
Bem sei que este nosso cruzar
Pode até nem passar
De um capricho sem valor
Mas porque raio hei-de evitar
Se esse teu ar
Me trouxe ao sangue calor

(Refrão)

E falas de ti
E falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar

Os sem-abrigo e os pinos de metal em Londres




O escândalo do dia de ontem, Domingo, nas redes sociais e media, foram umas fotografias publicadas por Andrew Horton. Um coro de protestos varreu o Twitter, rede onde foram subidas, e continua. Ele encontrou à porta de uma urbanização londrina de luxo (Southwark Bridge Road) um conjunto de pinos evidentemente destinados a manter o espaço desocupado. A primeira notícia que li denunciava-os como um estratagema para evitar a pernoita dos sem-abrigo naquele vão. A vexatória razão de ser dos mesmos parecia ser essa, mas depois pensei que também pudessem servir para manter afastados dali os cães vadios - embora nem assim o achasse justificado - ou mesmo dissuadir o parqueamento de bicicletas, motinhas, enfim, na minha boa fé tentei encontrar outra justificação para os pinos metálicos. Os pinos foram novidade para mim, mas li depois que há quase uma década que são colocados na cidade de Londres. Apenas ainda não tinham gozado de tão ampla visibilidade. 

A notícia do Independent refere que nos três primeiros meses do ano havia 2000 pessoas a dormir nas ruas de Londres e que a taxa de pessoas sem abrigo não pára de subir desde 2010. Refere ainda o grande número de pessoas que entregaram os seus tectos por motivo de força maior, sendo empurradas, as mais sortudas, para casa de familiares e amigos, outras para locais bastante perigosos. As razões apontadas para o aumento dos números são, por um lado, as rendas elevadas e o corte de benefícios diversos, por outro, os cortes impostos às instituições que trabalhavam para minorar o problema. 

Muitos factores determinam o fenómeno dos sem-abrigo, sendo a ruptura familiar ou relacional e a perda de um emprego os mais comuns. Imagine-se o que se quiser para nosso conforto social ou moral, mas estas pessoas são, regra geral, um grupo vulnerável, física, psíquica e emocionalmente, que precisa de ser apoiado e não despachado para o prédio mais à frente por uma dúzia de pinos. Estamos a enxotar seres humanos que foram empurrados para aquela situação por circunstâncias menos boas de vida e não porque fizeram aquela escolha de forma deliberada, como se viver na rua fosse ir dar a volta ao mundo em bicicleta ou ser vegetariano. É um mito pensar que alguém prefere viver na rua do que numa casa. É uma necessidade vital, ter um abrigo. Mas muito boa gente acredita nisso, como se os sem-abrigo fossem uma espécie de rebeldes sociais que se regozijam por viver a liberdade no limite, ou então uma espécie particular de ascetas! Ou então ainda, super-heróis, como se a maior probabilidade de morrer na rua de morte violenta fosse para eles apenas uma ameaça ingénua facilmente ultrapassada por super-poderes misteriosos adquiridos a viver entre caixotes de cartão, a estender a mão aos que passam e a vasculhar nos restos. 

Sem dúvida que é preciso compreender a pessoa que se habituou a viver na rua e que tem relutância em retomar a vivência social, - partilhar espaços comuns, obedecer a horários, praticar rituais de higiene, reassumir responsabilidades, o sentido de utilidade na comunidade - o que tem de ser visto como uma consequência da desintegração por que passou e de um processo de adaptação que, em última instância, lhe terá permitido sobreviver. 

Tal como Andrew disse no video, os autores da façanha podiam ter alcançado o mesmo fim de uma forma mais dissimulada e pacífica, bastava que ali colocassem uma floreira. A mensagem implícita nos pinos é mais brutal do que qualquer "keep off", "stay away" ou "sleeping not allowed" explícitos. Lê-se nos pequenos cones alinhados um sentimento de profundo desprezo pelo próximo, de sofrimento que se quer infligir e não minorar, de agressão, é realmente um achado em termos de comunicação não verbal, um exemplo da refinada maldade que pode existir no coração dos homens que dividem o mundo entre dominadores e acossados. Evidentemente que ninguém gosta de ter uma pessoa a dormir no tapete da rua de sua casa. Mas enquanto uns se comovem outros movem o problema para a porta a seguir não vão tropeçar na miséria e estragar mais um dia de luxo. É vergonhoso, mais, é indigno.

Foi interessante, sim senhora, assistir ao repúdio nas redes, mas não consegui evitar fazer o paralelo com aquela experiência social em que um homem foi para as ruas com um cartaz onde se lia "Fuck the poor", o que fez com que tivesse sido abordado por inúmeras pessoas chocadas com a mensagem. Num momento seguinte ele substituiu a mensagem por "Help the poor" e verificou que já ninguém se acercava dele para perguntar como. Não se esqueçam de que há vida além dos "Likes." O que vamos fazer? Podemos fazer alguma coisa?


6/8/14

Bill Maher, os americanos e o porte de arma



And you know, that's the thing about gun culture. There's not a lot of culture. It's mostly about the guns. And the problem isn't just that they're so legal in America. It's that they're so beloved. Guns aren't just a tool of last resort. They're awesome. “ 

Bill Maher é um comediante norte-americano e apresentador de TV. Desta vez é rir a bom rir com os seus comentários incisivos e igualmente divertidos sobre o “open carry”, abreviatura para “openly carrying a firearm in public”, por oposição a “concealed carry” que significa que as armas que a pessoa transporta consigo não devem ser visíveis a terceiros. Em virtude de ter muitos contactos norte-americanos no meu Facebook, de há umas semanas a esta parte comecei a ver estas estranhas fotografias de indivíduos que andam a passear as suas armas automáticas em público como se de um cão se tratasse, aliás, eles têm licença para entrar em estabelecimentos - lojas, restaurantes - que decerto até estarão vedados aos animais de estimação. Lembrei-me logo do irmão do Lester, na série Fargo, um tipo aparentemente normal mas que na cave guarda um arsenal de armas, e uma que lhe é especialmente querida, não vos sei dizer do que se trata exactamente, mas é quase certo que a polícia da minha área de residência não terá uma daquelas armas nem lá perto! Nos últimos anos esta tendência de retorno ao velhinho old wild west que nós, europeus, só conhecemos dos filmes, tem aumentado. Carregar o último modelo do iphone é insignificante, é por demais banal, um mero sinal exterior de riqueza, o que é isso comparado com estes sinais exteriores de tolice?!! Eu passo o tempo a defender os americanos contra todos os que os etiquetam automaticamente como burros. A burrice não é de raça, eu quero acreditar nisso. Mas este punhado de gente, homens feitos, às compras carregando a sua arma predilecta ao ombro ou a tiracolo, está a fazer muito pouco pela boa imagem da população americana, há que dizê-lo. E então vem o Bill Maher e é só rir. Porque é que esta gente é tão ridícula? Ele chama-lhes ammosexuals!! Não é caso para menos, estes homens de pelo na venta, dão nomes às suas armas, tiram fotografias com elas, não há como negar o affair romântico entre os dois uma vez que eles até as levam para jantar fora, são o par perfeito, diz Bill! Hilário! Vejam o video, vale a pena.

Cinema em revista

No fim-de-semana passado o fundo de uma das minhas estantes descolou-se, as prateleiras soltaram-se e quando cheguei a casa tinha parte dos livros no chão. É uma estante barata onde guardo poesia, BD, livros infantis, livros sobre arte e sobre como pintar, desenhar, e guias de viagem. Três prateleiras e um armário na base. Passei o sábado a retirar todos os livros, a tirar o pó de cada um, a pregar o fundo e prateleiras e a restabelecer a ordem. No armário inferior da estante encontrei muitas revistas de cinema de que eu já nem me recordava. Há muitos anos que deixei de comprar revistas. Fiquei surpreendida por estarem em tão boas condições, algumas têm mais de 30 anos. Mas o que mais em intrigou foi uma pequena agenda FORUM, de capa vermelha, do ano de 1995. Sem dúvida que foi na década de 90 que eu vi mais cinema. Se já não me lembrava das revista muito menos desta insignificante agenda. Entre leituras dos livros caídos, das revistas e dos pequenos textos desta agenda, a tarde passou rápido, eu lia meia hora disto e daquilo, arrumava cinco minutos, varria um cotão, voltava a ler um poema, uma história infantil! Afinal o que contém esta agenda? Um registo muito simplificado dos filmes que vi entre Outubro de 1995 e Março de 1996. São duzentos filmes, é muita fita! Eu via o filme, atribuía-lhe uma classificação de 1 a 5 e escrevia uma breve sinopse! Escrever nesta agenda terá sido  o equivalente de usar o Twitter para dar a minha opinião sobre uma fita em 140 caracteres. (Embora não andasse a mostrar a minha agenda ao mundo!) O que me surpreende ao reler os pequenos textos é o meu poder de síntese, algo que evidentemente tenho vindo a perder ao longo dos anos. De cada vez que agora escrevo sobre um filme encho um caderno, não uma agenda! Exagero, pois, mas duas folhas A4 no mínimo lá tem de ser! Ao acaso, aqui vão três das sinopses. Folheando os títulos encontrei cinema de todo o género e nacionalidades, animação também. De alguns dos filmes já nem tenho memória, outros ainda tenho presentes.

A caixa - Manoel de Oliveira, 1993, Portugal. Atribuí 4 na minha escala de 1 a 5. Com Luis Miguel Cintra, toda a acção decorre num beco de um bairro lisboeta e gira em torno da personagem de um cego que tem uma caixa de esmolas e dos seus vizinhos, conhecidos e ainda de outras figuras acidentais. Muito bem conseguido em termos estéticos, com excelentes interpretações por parte de todos os actores, é, possivelmente, o mais acessível de todos os filmes do cineasta. Um retracto social e humano perfeitos.

Die buchse der Pandora - Georg Wilhelm Pabst, 1928, Alemanha. Atribuí 4. Com Louise Brooks, é a trajectória de Lulu, uma mulher fascinante que se serve dos homens para atingir os seus desejos e caprichos, acabando os seus dias às mãos de um psicopata. Filme extraordinário, com grande densidade dramática e personagens bem desenvolvidas. Bom argumento e interpretações, excelente realização. Uma surpresa.

The midnight cowboy - John Schlesinger, 1969, EUA. Atribuí 5 pontos em 5. Com John Voight, é o drama de um jovem provinciano que chega a Nova Iorque na esperança de ganhar a vida facilmente como prostituto. Todavia nada correrá como previra. Excelente realização, óptima montagem. Um filme sobre o lado negro da vida nas grandes cidades, a luta pela sobrevivência no seu limite.

Além da agenda vermelha também encontrei os cadernos de capa preta. Destes lembrava-me bem. São dos anos 80-90. Seis volumes cheios de recortes de jornais e revistas. Sem grande cuidado, eu não indicava o jornal ou revista de onde recortava.Lembro-me que não era exaustiva, apanhava o que estava à mão e guardava. Mesmo assim consegui material para quase todos os filmes que vi. Também guardava os panfletos de divulgação dos filmes e os bilhetes de cinema de cada sessão, um apenas do cinema S. Geraldo, em Braga, com preço histórico de 10$00, impossível lembrar o que teria visto mas possivelmente tratou-se de uma sessão infantil, do Snoopy ou do Tintim, a que o meu pai me terá levado! Deve ser o bilhete de cinema mais antigo que guardei.
 


No mesmo armário encontrei também dezenas de revistas de cinema.  As primeiras que comprei foram a Première, a edição francesa. Aquela que tem o Spielberg na capa data de 1986. O meu francês nunca foi famoso, mas o meu interesse pelo cinema fazia-me fazer o esforço da sua leitura e sem dúvida que isso até me ajudou no contacto com a língua. Devia ter continuado e talvez hoje conseguisse ir além do merci, pas mal, coup de foudre! A revista que tem o Brad Pitt na capa é o Nº 1 da edição portuguesa da mesma revista, esse número saiu em 1999 e eu assinei a Première durante um ano. Nunca consegui gostar tanto da nossa edição como da francesa, mesmo com a barreira da língua ultrapassada. Quando a assinatura chegou ao fim, não renovei. Essa foi considerada a primeira revista de cinema em Portugal durante uns anos. Depois lembro-me de ter aparecido concorrência, mas por essa altura eu já não comprava revistas.


Antes da Première existiram outras revistas de cinema em Portugal, eu encontrei algumas, - e devem até existir mais - que adquiri por curiosidade: A grande ilusão, Revista de cinema, e 7ª Arte, Revista técnica de cinema. Observem aquele exemplar com o carimbo da aprovação por parte da censura. Além das revistas, no armário ainda guardo alguns livros sobre a 7ª arte, centenas de postais, catálogos diversos, incluindo do Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz e do Fantasporto, posters, enfim, uma memória em papel dos anos em que vi e li sobre cinema com maior regularidade. O cheiro a papel transportou-me até ao passado, às salas de cinema que já não existem, em Braga, na Figueira, em Coimbra. Vivemos o momento da inodora internet, é esse o armário onde se armazena e obtenho quase toda a informação sobre o cinema que vejo ou não vejo, e até de muitos filmes que não posso ir ver ao cinema. Mudam-se os tempos e os modos, mas a grande ilusão permanece no meu quotidiano, com idêntico fascínio. 

6/7/14

Manjerico, é regar e pôr ao luar

É claro que os leitores deste blogue já deram às de vila-diogo, nem outra coisa poderia ser. Não tem havido nada de novo para ler por aqui e as últimas postagens eram apenas as listas dos prémios de cinema, ainda por cima os mais conhecidos, algo que faço para minha referência, mas sem grande sentido, pois o Google serve para isso mesmo. Mas já que estamos em maré de verdes, - acabo de ler que os Verdes Europeus não querem o Marinho Pinto porque ele é ligeiramente homofóbico, eu acrescentaria que se é marinho, não pode ser Verde, mas, decidam lá isso, recambiem-no para os Liberais ou para um qualquer canteiro à medida do seu preconceito - informo que fui a correr comprar um manjerico antes que me acontecesse como em 2013, ano em que foi quase tão difícil encontrar um manjerico como encontrar um político honesto. Ou já os tinham levado todos quando finalmente decidi ir às lojas ou o centro do país é terra ingrata para a vendagem do manjerico.  Em 2014 continua a ser francamente complicado encontrar um político honesto, mas eu já tenho o meu manjerico. Uma outra tendência que se mantém, ano após ano, é que os manjericos que aqui se vendem são sempre uns mirrados de meter dó. Eu chego ao Porto e começo logo a babar para cima daqueles manjericos que vejo nas bancas e que parecem o cabelo do Michael Jackson quando cantava com os Jackson Five. Definitivamente o manjerico está para mim como a nepeta cataria para os gatos.  Obviamente não ando por aí a rebolar-me como os gatos, para quem esta erva aromática funciona como afrodisíaco!Mas também fico enebriada com o cheirinho deles e se pudesse gostava que a casa cheirasse a manjerico todo o ano. O manjerico, também chamado "erva dos namorados", é uma planta de presença obrigatória nas festas de São João e de Santo António, os santos populares respectivamente do Porto e de Lisboa. Li aqui que a maioria dos manjericos que estão à venda nos festas de Santo António, em Lisboa, vêm do Casal Ventoso, um bairro da capital, de um terreno onde se podem encontrar milhares de manjericos, isso é que era uma overdose de manjerico! E aqui, fiquei a saber que alguns dos que que vejo à venda nas bancas do Porto devem vir da Maia. Estes cultivadores do norte também escrevem as quadras populares que os acompanham. O manjerico que comprei é low-cost: foi comprado num supermercado, vem em vaso de plástico e sem direito a quadra popular, e não é nem muito redondinho nem muito cheiinho, paciência. Low-cost ou gato por lebre, ainda não me decidi. Tem crescido muito ao longo desta semana. Vamos ver se dura pelo menos até ao S.João! É regar e pôr ao luar!

Notícias do abacateiro!


Os fãs do meu abacateiro devem por esta hora estar a perguntar-se se ele terá sobrevivido ao inverno e até à primavera. Contra fotos não há argumentos. Ei-lo, em carne e osso, melhor é dizer, em caule e folhas. Para que conste: o abacateiro está de boa saúde. Tão pouco lhe parece estar a fazer diferença que a prima Vera o ande a traír com o Inverno. A mim o facto tem-me deixado muito mais perturbada pois ando num afã, - tira cobertor - volta o frio - repõe cobertor, - muito impróprio para um calendário que me diz que faltam 13 dias para o verão. Além disso, este de manhã sol, ao meio-dia chuva e à noite frio obriga-me a criatividades com o vestir que só uma top-model habituada a passarelas internacionais domina de A a Z. Enquanto isso, o abacateiro cresce, as folhas multiplicam-se, num está-se bem de causar inveja, perfeitamente adaptado ao seu ambiente. Não solta um queixume, as folhas mal se agitam, o caule não amua. Está lindo.  Não sei por quanto mais tempo ele poderá ficar no vaso sem prejuízo para o seu bom desenvolvimento. É talvez chegado o momento de o passar do vaso para um jardim.Tenho de me fazer ao Google, nosso consultório privilegiado, porque grátis, e ver se encontro a resposta. Depois, se for o caso, procurar alguém que queira adoptar o meu abacateiro. Aceito inscrições, mas só da minha área de residência, pois arrogo-me o direito de fazer visitas à árvore, e até regar se me apetecer. Mas desde já aviso que só o leva quem me demonstrar que o vai tratar bem, na maturidade e na velhice, na saúde e na doença. Uma mãe de semente de abacate nunca o fará por menos. (Para verem fotos da semente e seu desenvolvimento, espreitem aqui.)

6/3/14

Figueira da Foz - foi você quem perdeu um telemóvel?

Ontem ao início da tarde encontrei um telemóvel na via pública. Hoje de manhã fui entregar na esquadra da P.S.P da Figueira da Foz (Rua de Mortágua).  Muita gente já não acredita que as coisas perdidas sejam entregues na polícia e não vão às esquadras procurar. Peço aos bloggers da Figueira que partilhem esta postagem pois deve haver alguém a quem o aparelho só pode estar a  fazer falta. Agradeço a divulgação!

6/2/14

Ex-futebolista Ricardo Vitorino precisa da sua solidariedade


A SAD do Vilafranquense organizou no passado sábado, dia 31 de Maio, um jogo solidário cuja receita de bilheteira reverteu totalmente a favor do seu antigo atleta, Ricardo Vitorino. O jogo realizou-se no Campo do Cevadeiro, em Vila Franca de Xira, pelas 16 horas, com bilhetes a quatro euros, com a participação de dois internacionais portugueses, Carlos Martins e Miguel Rodrigues (Nacional), entre outros jogadores.

Acabo de ler esta notícia no JN online. Peço que leiam. É uma história verdadeiramente dramática. Ricardo Vitorino, hoje com 35 anos, viu o sonho de ser futebolista terminar aos 19, quando foi atingido por uma bala perdida que lhe perfurou a medula, o pneumotórax e três vértebras. O autor do disparo foi multado por posse ilegal de arma e seguiu com a sua vida. Ricardo acordou no hospital, deu dois passos, caiu no chão e nunca mais conseguiu andar. Mais tarde, em 2006, já numa cadeira de rodas,  Ricardo deu uma queda ao passar da cadeira para uma piscina em Tróia. Desta queda resultaram ferimentos que infectaram e que obrigaram à amputação de ambas as pernas atingidas por gangrena. Hoje Ricardo Vitorino vive com imensas dificuldades, sem sequer tido tempo para fazer descontos significativos ele recebe uma pensão de invalidez de 215 euros. 
O dinheiro não chega para nada, entrando na conta no dia 10, sumindo no dia 11 na totalidade, nem chegando para medicamentos. De desportista com um futuro promissor - treinou ao lado de Maniche e Deco - a pessoa profundamente dependente, esta é uma história que não deixará ninguém indiferente. A vida de Ricardo resume-se a ver TV. Assistir aos jogos de futebol na televisão, o desporto continua a ser a sua paixão, é o seu entretém. Ricardo gosta de viver - "Tenho dois braços, tenho de me fazer à vida", diz Ricardo aos amigos. 

Pergunto se não podemos ajudar a tornar o dia-a-dia de Ricardo um pouco melhor. Se tem possibilidades de ajudar o Ricardo de alguma forma, informe-se da sua situação. Se pode contribuir com um donativo isso será seguramente uma grande ajuda. O NIB da conta de Ricardo Vitorino é 0035 0873 0006 3407 3007 6. Eu vou contribuir com um pequeno donativo. Pode também divulgar esta situação no seu blogue, twitter e Facebook. 

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