8/26/12

Bolo salgado de atum


Hoje para o almoço fiz Bolo Salgado de Atum. Foi a minha irmã quem me ensinou. Sim, desta vez não vi esta receita na TV! Ela sabe a receita de cabeça, faz há muitos anos, esta é a original, mas ela já não sabe quem lha deu ou de onde a tirou. O que importa é que resulta, é rápida, fácil - eu só gosto deste tipo de receitas!! - e saborosa, e uma alternativa às saladas feitas com as conservas de atum! Sabe bem no verão, frio, com salada, ou no inverno, bem quentinho e acabado de fazer! Ora então, vamos lá:

Para preparar a massa
12 colheres de farinha
2 colheres de queijo ralado
2 colheres de sopa de fermento
4 ovos
1 chávena de chá de óleo
1 meia chávena de chá de leite
1 pitada de sal

Como fazer a massa? Bater as gemas numa tigela, acrescentar o leite, o óleo, a farinha, envolvendo a farinha aos pouquinhos. Bater as claras em castelo e juntar a este preparado. Depois de incorporar juntar o fermento, o sal e o queijo e mexer bem.

Para preparar o recheio do bolo salgado
2 - 3 latas de atum das pequenas
2 ovos cozidos
2 tomates maduros, sem pele nem sementes, ou uma meia chávena de polpa de tomate
10 azeitonas descaroçadas e cortadas aos bocaditos
1 cebola picada
2 colheres de sopa de azeite
1 cenoura grande ralada
Condimentos: sal, pimenta, oregãos, salsa

Como fazer o recheio? Fazer um refogado e juntar tudo com excepção dos ovos e do atum. Os ovos devem ser cozidos e picados e o atum retirado das latas e escorrido. Depois do refogado estar pronto, juntar os ovos picados e o atum aos bocadinhos. Não remexer muito para que fique mais ou menos inteiro dentro do bolo!

Passar manteiga numa forma redonda e polvilhar com farinha. A maior parte da massa é colocada no fundo. Deixar o suficiente para cobrir o recheio. Se ficarem uns bocadinhos de recheio a descoberto também fica bonito. Vai a cozer em forno quente durante 45 minutos. Como eu não confio muito nestes tempos de cozedura, pico com o palito para saber se ainda é preciso mais tempo dentro do forno. Depois de feito, desenforma-se e serve-se, quente ou frio, acompanhado com salada. Também se pode preparar uma versão com carnes diversas ou vegetariana, por exemplo, com espinafres e milhos!

8/22/12

Amoras silvestres fazem bem à saúde

"As amoras silvestres nativas da flora portuguesa têm um efeito neuroprotector superior ao das variedades disponíveis comercialmente, revela um estudo realizado pelo laboratório da Biologia da Doença e do Stress do ITQB /IBET , em colaboração com o James Hutton Institute, no Reino Unido. Um das razões é o elevado conteúdo em polifenóis."

As primeiras amoras silvestres que me recordo de comer foram apanhadas nas silvas que cresciam rente aos muros do castelo de Montemor-o-Velho, era eu criança. A minha avó apanhou-as e deu-nos os pequenos frutos, a mim e à minha irmã. Ficamos com as mãos tingidas de violeta! Eram estupendas. Depois, já andava no Ciclo Preparatório, em Braga, quando uma amiga me deu dois bichinhos da seda. Eles transformaram-se em borboletas que puseram um número inacreditável de ovos. Mais tarde, lá em casa, eram mais bichos do que eu conseguia contar, espalhados por vários tabuleiros, já que não tivemos coragem de os matar. Foi preciso alimentar a bicharada pelo que eu e o meu pai íamos às folhas das amoreiras - trazíamos sacas de folhas e os bichos eram tantos que se ouviam a roer as folhas com que os cobríamos! E também aí se apanhavam amoras, estas provenientes das árvores, e eram uma delícia. Depois disso nunca mais voltei a comer amoras. Um destes dias descobri um imenso silveiral carregadinho delas  - eis algumas na minha mão, na fotografia acima!! - e pouco depois li esta notícia sobre os benefícios das amoras para a nossa saúde.

As amoras podem ser comidas ao natural, não é difícil perceber quando é que as amoras estão maduras, basta observar a sua cor, primeiro são verdes, depois vermelhas e depois pretas, ou melhor, quando têm uma cor roxa muito escura e estão bem gordinhas é que estão no ponto. A amora silvestre que está madura sai dos ramos facilmente. Das flores brancas ou rosadas, entre os meses de Maio e Agosto, sugiram as deliciosas bagas, ou antes, chamam-se pseudobagas por serem um grupo de bagas. Mas também se fazem sobremesas deliciosas com elas e até licor. O doce de amora também é uma maravilha! Se acha que anda a comer açucar em excesso, experimente, de forma gradual, reduzir ou até limitar o açucar que junta ao leite ou ao café. Há muitos anos que deixei de juntar açucar ao leite. No café coloco muito pouco, por vezes nenhum. Isso deixa margem para poder comer umas torradas com alguns dos meus doces favoritos, por exemplo, o de laranja, com aquelas casquinhas duras!  Há um bom truque para fazer doces, é usar açúcar gelificante que é açúcar já misturado com pectina. A pectina acelera o processo de cozedura da fruta, ajuda o doce a ficar mais espesso sem ter de estar ao lume muito tempo e além disso pode-se reduzir a quantidade de açucar para metade. A regra costuma ser 1kg de açucar para 1kg de fruta. Com este açucar usa-se metade do açucar, logo, menos calorias.
Este fruto silvestre é de baixo valor calórico, muito rico em vitamina C, magnésio, potássio e fibra. Há muito que é conhecida a sua acção antioxidante, por ser rico em pigmentos naturais, os antocianos e carotenóides. São eles que lhes dão a coloração roxa escura. Sempre ouvi dizer que as amoras silvestres são depurativas, boas para ajudar a eliminar as toxinas do organismo.
Nunca vi amoras à venda e não percebo porquê. Deviam ser exploradas comercialmente! Nesta altura do ano estão por todo o lado e há quem não perca tempo na caça a estas autênticas pérolas negras, um autêntico tesouro silvestre! Há que tomar algumas precauções pois os  picos das silvas arranham mesmo! Mas é uma aventura a agendar, a dois ou em família alargada,  nem é preciso ser muito bom observador para as descobrir já que vegetam um pouco por todo o lado, desde as bermas das estradas às encostas. Talvez uma oportunidade a explorar!

8/19/12

Espuma de ananás - sobremesa de Domingo!


Ontem fiz Espuma de ananás, uma sobremesa que não comia há anos e anos. Muitas pessoas queixam-se que é difícil controlar o adocicado da espuma de ananás e que se torna uma sobremesa um pouco enjoativa. Quando comecei a fazer esta receita ainda não tinha sido criada a moda dos produtos light que permitem fazer esta sobremesa menos doce e menos calórica. Gelatina light e leite condensado light, por acaso nunca procurei isso, mas estou certa de que deve haver!! Por regra, e não que não precise de perder um pesinho bom, esses produtos compensam com adoçantes artificiais e sempre tive na ideia que são prejudiciais ao organismo. Também houve um tempo em que comprei adoçante para juntar aos inúmeros cafés que bebia, mas o seu gosto desagradou-me de tal forma que passei a bebr o café sem adoçante nem açucar!! Assim, prefiro comer menos doces, mas quando estou para aí virada, são efectivamente doces que levam açucar do verdadeiro...e por vezes até um pouco enjoativos!! A minha regra é comer de tudo sem abusar. Não sou muito de sobremesas doces, na realidade prefiro terminar a refeição com uma boa peça de fruta, um café e um pedacinho de chocolate negro bem amargo. Há tempos li um artigo onde se dizia que os ovos são um alimento completo e que se podem comer sem grandes problemas pois não têm mais colesterol do que outros alimentos de que as pessoas abusam quase diariamente. Esta semana li outro artigo que comparava comer ovos a fumar cigarros! Por favor, decidam-se! Enquanto os dietistas pesquisam e esgrimem argumentos, eu vou provando de tudo e comendo de nada - esta era a regra da minha madrinha, acho que ela estava adiantada para o seu tempo! E viveu para lá dos 90 anos...!

Espuma de Ananás - Porção para 5 pessoas

Os ingredientes 

1 lata de leite condensado
1 pacote de gelatina de ananás
1 lata de ananás em calda ( a que utilizei tinha 560 gr de peso líquido)
2- 3 ovos (3 se forem muito pequenos)

Como preparar a Espuma de Ananás

Retirar as rodelas da lata de ananás para um prato e escorrer o líquido para um tacho. Cortar as rodelas de ananás em pedaços e colocar no frigorífico. Acrescentar o pó de gelatina ao conteúdo do tacho e levar ao lume brando. Mexer bem para dissolver a gelatina antes de levar ao lume e durante o tempo que estiver ao lume. Quando ferver, retirar o tacho do lume  e deixar arrefecer.
Depois, numa tigela,  bater  o leite condensado - que deve ter estado no congelador durante uma hora - durante 3- 5 minutos. Juntar a calda do ananás, que já arrefeceu, ao leite condensado e bater bem por mais 3-5 minutos. Bater as duas gemas e juntar a este preparado, misturando bem. De seguida bater as claras em castelo e juntar, mexendo. Usar os pedaços de ananás para decorar, colocando em cima, ou então misturar ao preparado. Tem de ir para o frigorífico repousar duas horas pelo menos antes de servir. Pode usar uma taça grande para servir ou colocar em tacinhas pequenas desde logo, antes de levar ao frio. O inconveniente destas, pelo menos para mim, é o espaço que ocupam no frigorífico!

8/16/12

Azeitonas à grega!


Hoje é só um par de linhas para vos dar conhecimento da minha descoberta. Azeitonas à grega! A primeira vez que comi destas azeitonas foi em Paris. Eram maiores, mais carnudas e tinham muito mais gordura do que estas. Eu tive de as colocar em água para elas perderem um pouco da sua intensidade antes de as conseguir comer!! Mas estas azeitonas à grega da marca Rustica assemelham-se bastante. Nessa casa à boca da rua, em Paris, uma pequena loja com formato de garagem, nada mais se vendia do que azeitonas de todas as qualidades. Havia um cheiro a azeitona e salmoura no ar, recipientes repletos de azeitonas eram do chão ao tecto. As pessoas entravam e a saíam constantemente, de saquinhos de plástico na mão! Eu gostei tanto destas azeitonas à grega que anos passados uma amiga trouxe-me um saquinho delas. Depois disso nunca mais as voltei a comer. Tenho um amigo grego em Atenas, conhecido na internet, e um dia perguntei-lhe pelas azeitonas à grega!! Ele não conhecia o que eu lhe descrevi o que me deixou muito intrigada!! Nos nossos hipermercados nunca as vi à venda, ou então andava distraída, o que também é possível! Por mero acaso vi estas Olives Noires à la Greque no E.Leclerc.  há cerca de três semanas. Não são substituto das nossas boas azeitonas, são diferentes. Estas azeitonas são muito saturadas, salgadas, o gosto é muito intenso. São moles e o caroço separa-se da polpa muito facilmente. A vantagem é que como muito poucas de cada vez, o frasquinho dura que dura ao contrário do que sucede com as azeitonas portuguesas que marcham que nem cerejas! O mais intrigante foi quando, ao procurar no rótulo a proveniência, encontrei Marrocos e não Grécia! O que me parece é que o "à grega" refere-se ao tratamento que lhe dão, e não propriamente a uma forma peculiar dos gregos tratarem as azeitonas. Para mim,"À grega", costuma significar, na cozinha, qualquer coisa servida em um molho feito de azeite, suco de limão e temperos diversos (como erva-doce, coentros, sálvia e tomilho)!! Talvez este tipo de produto seja mais típico de Marrocos do que da Grécia. Isto sou eu a pensar alto! A solução passa por perguntar a um marroquino e não a um grego, o meu amigo Dodos não me pode ajudar a decifrar este mistério! Mas uma busca breve no Google mostrou-me muitos resultados como este - eis uma unidade de produção de vários tipos de azeitona, em Marrocos, e lá estão elas, as azeitonas à grega, dizem eles, que estas azeitonas são secas como uma passa. Azeitonas colhidas ainda verdes são colocados em camadas, com camadas de sal, para a fermentação. O resultado consiste em azeitonas fortemente salgadas, com um aroma muito intenso. Não é um sabor para todos e a mim surpreende-me ter gostado delas pois habitualmente fujo de tudo quanto é salgado.Se souberem algo sobre estas azeitonas, partilhem!




8/10/12

As doces iguarias de Rudolfo - Vlaai

O 24 Kitchen tem um programa que se chama As doces iguarias de Rudolfo. Pode acompanhar de segunda a sexta: 10h, 14h40 e 1h15. Não, não me estou a referir à famosa rena de nariz vermelho!! No site do 24 Kitchen dizem-nos que o Mestre Rudolph van Veen nos mostra o seu conhecimento e paixão para a cozinha, que cria os mais deliciosos pratos doces e salgados, deixando-nos ficar com água na boca. Acrescenta que Rudolph sabe como criar as receitas mais encantadoras, e com a sua ajuda todos podemos fazer bolos e os mais deliciosos pastéis e tortas. Mas o site também não nos diz mais nada. Na minha opinião estes sites da TV por cabo são sempre muito fracos. Vou lá pouco mas sempre que vou tenho dificuldade em navegá-los, acho que a informação deixa muito a desejar, enfim. Fui à procura do site holandês e encontrei, chama-se Rudolph's Bakery. Sugiro de usemos a tradução do Google para entender o que lá está...e pronto, muitas receitas doces do Mestre Rudolfo sempre à mão! Oh, desgraça. Quem precisa de mais uma receita para arredondar o pneuzinho gordo?  Mas ontem conheci o Rudolph, altas horas da noite, e fiquei bem impressionada. A tarte e o bolo de chocolate com frutos vermelhos pareciam uma delícia! Eventualmente devido ao adiantado da hora, à uma da manhã, mais olhos que barriga, dizia-me o estômago que já era um bom momento para cear!! Aprendi com o Rudolph que a tarte que eu comi em Amsterdão há uns anitos devia ser Vlaai. Ele ontem mostrou como se faz. Retirei a receita do site holandês, pode ser que me apeteça fazer esta receita!



Compota de ruibarbo
Descasque o ruibarbo e maçãs. Cortar o ruibarbo em pedaços e as maçãs em cubos. Reunir o açúcar, o ruibarbo e a casca de ruibarbo e levar à fervura. Permitir 4 minutos de cozimento, mas não sem tornar em purê. Deixe o molho esfriar, escorra e retire as peles.

Massa de pizza 
Dissolva o fermento no leite. Faça um buraco na farinha e polvilhe o sal sobre a borda. Despeje o leite. Misturar a manteiga e a gema de ovo e amassar. Amasse até obter uma massa lisa. Deixe a massa coberta com filme plástico, cerca de 30 minutos. 
Abra a massa com 5 milímetros de espessura e forre a forma untada com ela. Pique o fundo com um garfo. 
Creme de confeiteiro 
Abrir a vagem de baunilha longitudinalmente e raspe a medula. Coloque numa panela o leite com a vagem de baunilha e metade do açúcar, leve ao fogo até ferver. Misture as gemas numa tigela com o restante do açúcar separadamente e misture a farinha. Misture um pouco de leite na mistura de ovos, coloque de volta na panela e mexa bem. O creme de confeiteiro deve ferver e cozinhe em fogo baixo por 5 minutos. Deixe o creme esfriar. Encha o fundo de torta com creme de confeiteiro e uma colher de compota de ruibarbo sobre o creme de confeiteiro. Preaqueça o forno a 180 º C
Migalhas
 
Misture a manteiga, farinha, açúcar e farinha de aveia e esfregue com as duas mãos até se formarem migalhas. Espalhe as migalhas sobre a forma e cozinhe a torta de ruibarbo no forno por cerca de 25 minutos até dourar. Empoeirar com açucar.


Ingredientes
Compota de ruibarbo
300 g de ruibarbo
300 g de maçãs
150 g de açúcar
Massa de pizza
7 g de levedura
100 ml de leite morno
200 g de farinha
1 pitada de sal
30 g de manteiga
1 gema de ovo
Creme de confeiteiro
1 vagem de baunilha
250 ml de leite
75 g de açúcar
2 gemas de ovo
1 colher de sopa de farinha de amido (Maizena)
Migalhas
90 g de manteiga
75 g de açúcar
75 g de farinha
75 g de aveia
Adicional necessária
açúcar de confeiteiro para polvilhar
Forma de 27 cm de diâmetro

Sobre o ruibarbo: 

O Ruibarbo é originário das cadeias montanhosa da Ásia onde é plantado até cerca dos 4000m de altitude, daí a sua adaptação fácil ao clima da Europa Central. Foi uma planta muito utilizada na Antiguidade no continente asiático, sendo descrita no herbário chinês Pen-King no ano de 2.700 a.C., onde era conhecida com o nome de Ta-Huang ("gran amarilla"). Dioscórides chamou-lhe rheon, de onde saiu a atual denominacão. O primeiro europeu a tentar introduzi-la na Europa foi Marco Polo, no final do século XIII.  Usa-se como um descongestionante do fígado, depurativo do sangue, tónico e digestivo. Presente na Europa há imensos séculos como planta medicinal, só em 1778 é que foi registada como planta comestível, utilizada em tartes e doces. O sabor dos seus talos é ácido e cítrico. As as folhas não podem ser consumidas, são tóxicas, embora sejam preciso 5kg de folhas para matar uma mulher de 60 kg. O ruibarbo não deve ser cozinhado em tachos de alumínio, este reage com os ácidos da planta.

As mulheres têm os fios desligados

"e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore) ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo?"
Para ler o texto completo, clique, p.f., em cima da imagem abaixo.

de António Lobo Antunes
in Visão 31 de Julho de 2008

Livro infantil - A grande fuga da cebola


Os livros infantis são um terreno onde a criatividade não pára. Este promete! Faz as crianças pensar, é divertido! De página em página, de actividade em actividade, a criança ajudará a cebola a escapar às panelas e às frigideiras! No final da leitura,  a criança pode destacar a cebola do livro, que assim ganha a liberdade...e a criança fica com um brinquedo! No video é a própria ilustradora Sara Fanelli quem faz a apresentação deste fabuloso livro!Original em todos os sentidos, desde a tipografia, ao sentido de humor, ao design dos livros e aos materiais que utiliza, Sara Fanelli é uma das minhas autoras de livros infantis favoritas, mesmo se já não sou criança!


8/8/12

Battleship - Batalha naval (2012)

Quando eu andava no Liceu costumava jogar à Batalha Naval nas aulas. Era um vício. Eu e a minha colega de carteira tínhamos sempre os papelinhos a postos disfarçados entre os cadernos e livros. Eram uma oferta das pastilhas elásticas Pirata! Depois dessas entusiásticas partidas nas barbas dos professores só este ano voltei a jogar à Batalha Naval com o meu sobrinho, mas com tabuleiros e pinos de plástico, é o popular jogo da Hasbro. O jogo foi desenvolvido em 1943 pela Milton Bradley Company, primeiro em papel e depois como jogo de tabuleiro. É fácil de jogar, depende da sorte e de algumas estratégias simples, sobretudo temos de evitar ser previsíveis, o que dificultará o jogo ao adversário. O par de jogadores arruma a sua frota de 5 barcos na grelha quadrada - porta-aviões, barcos patrulha, couraçado, cruzador e submarinos - e depois, vão dando coordenadas, ou tiros, com o objectivo é afundar os barcos adversários antes de todos os seus próprios barcos serem afundados. O meu sobrinho ganhou o jogo, das duas vezes!


E eis senão quando o cinema resolve transformar o jogo da batalha naval em Battleship! Já sabemos que quando o calor começa a apertar os filmes explodem com maior estampido, em especial os americanos. Todos os anos a competição pelo maior número de explosões e índice de destruição aquece no Verão. Os filmes de acção estoiram que nem pipocas. Com o CGI - Computor Generated Imagery - a garantir cada vez mais que tudo quanto for imaginável se torna viável no grande ecrã, a escalada torna-se ridícula. De filme para filme mais parece um concurso! Nada a opôr se a história conseguir aguentar tamanhos cataclismos! O problema é que nem sempre ou quase nunca isso acontece. Repetem-se fórmulas de sucesso em sequelas sem fim, reciclam-se ideias, vão-se buscar carinhas larocas para distrair, publicitam-se os títulos como se fossem o último grito, algo imperdível se quisermos estar em sintonia com a vibração do momento, fabrica-se merchandising de toda a qualidade e assaltam-se as salas de cinema a nível mundial com não sem quantas mil cópias. Caso possível, ainda se inclui um hit musical na banda sonora! Depois faz-se contas ao box office, é o dinheiro que interessa. Ano após ano, isto está-se a tornar cansativo. 

Recuso-me a subscrever a ideia de que um filme de acção não possa ser um bom filme. Há um ponto de equilíbrio algures. Mas a maior parte dos filmes de acção não o respeitam e acabam por se resumir a um banquete de cenas de destruição servidas a pretexto de uma pobre história. Muitos espectadores parecem ficar satisfeitos se se sentarem na cadeira do cinema e lhes servirem este cocktail explosivo - contam quantos carros voam, quantos prédios explodem, quantas naves se despenharam, quantos morreram, quantos sobraram. Multiplicam tudo por um copo de pipocas, dividem pelo preço do bilhete e o resultado é uma barrigada de satisfação. Nada tenho contra o cinema de entretenimento, nem sou obrigada a comprar bilhetes para estes filmes crocantes. E admito, eu gosto de ver filmes de acção desde que não me tratem como uma idiota. Já para não falar de ficção científica e adaptações de banda desenhada ao cinema. Gosto mesmo! Mas quando os vou ver não deixo o meu espírito crítico à porta, não fico anestesiada pelo estampido das explosões, logo, por vezes é-me penoso assistir a alguns disparates, umas vezes porque fui ao engano, outras porque estou a fazer o favor a alguém, que gosta de ver cinema mas só se tiver companhia!

E foi assim que assisti ao filme de Peter Berg, Battleship – Batalha Naval. Visualmente irrepreensível, mas, por favor, quanto ao resto, não podiam ter limado as arestas? Quando me falaram do filme eu pensei que era uma adaptação de algum jogo de video e pensei, oh, não, vai ser uma rica bosta, embora eu até goste de Resident Evil - O hóspede maldito ou do mais recente Prince of Persia - As areias do tempo. Afinal Batalha Naval é a adaptação do velhinho e meu conhecido jogo de tabuleiro e papel. Está mais próximo de Jumanji Hopper é a personagem  principal a cargo de Taylor Kitsch, o actor de que ainda se fala por ter protagonizado o filme desastre  deste ano, John Carter from Mars , sobre o qual escrevi aqui.  Hopper, que até ali tinha andado aos caídos e a dormir no sofá do irmão mais velho, é preso por roubar um burrito para impressionar uma jovem loura acabadinha de conhecer num bar, de nome Sam, uma fisioterapeuta, muito decorativa ou não fosse Brooklyn Decker, que a revista Esquire considerou ser a mais sexy mulher do planeta, do universo ou seja lá do que for! Após este momento de comédia, o tom muda rapidamente fruto da disciplina fraternal imposta e é sempre a abrir. Obrigado que é a ingressar na Marinha pelo irmão, experiente oficial da Marinha, Hopper acaba destacado para o USS John Paul Jones,  e vê o irmão, interpretado por Alexander Skarsgård, o vampiro Eric de True Blood, morrer após o primeiro contacto com os alienígenas. A partir daqui o homem não acredita na sua sorte! Acabaram de chegar à Terra uns filhos da puta de uns extra-terrestres enfiados numas armaduras blindadas, tipo escafandro com visores de vidro, para nos exterminar e ele tem de tomar o comando do navio!! Vieram em resposta a um "convite" de uns cientistas malucos que enviaram um sinal para o espaço. Como não se dão com a luz do sol fiquei sem perceber se não estariam mais bem servidos noutro planeta, enfim, conveniência de guião, mais uma fraqueza estratégica, à semelhança dos ET da Guerra dos Mundos. Vieram em naves horrendas que caiem dos céus aos trambolhões, arrasando Tóquio e matando gente a rodos, e, pasme-se, estes portentos anfíbios saltam sobre a água do mar como se fossem rãs, têm um aspecto à la Transformers, são máquinas de destruição capazes de lançar engenhos que retalham cimento e ferro e umas bombas com o formato dos pinos do jogo de tabuleiro da batalha naval que partem um navio de guerra aos bocadinhos enquanto o diabo esfrega um olho. Mas sabiam que vão ser derrotadas com tiros convencionais de metralhadora para o vidro do cockpit, sala de comando ou algo assim?! É verdade. Mais uma conveniente fraqueza estratégica do guião, afinal eles tinham de ser aniquilados e não valia a pena estar a encanar a perna à rã por muito tempo. Assim que Hopper aparece vestido de branco aparece também, tcharan, a ninfeta da pop, Rihanna, muito arrapazada e com o pior corte de cabelo que jamais ostentou em público, e, pior ainda, encarregada de meia dúzia de falas deprimentes, dir-se-iam retiradas das piores letras pop!! Ela é a Ten. Raikes, parceira de Hopper, especialista em armas no USS John Paul Jones!!  Para fingir que o filme é mesmo muito sério, chamaram o reconhecido Liam Neeson para interpretar o papel do Almirante Shane e pai de Sam, que primeiro estranha o falhado namorado da filha, não vê o que ela viu nele, embora reconheça que ele tem potencial, mas que depois entranha, ou não tivesse ele acabado de salvar o mundo, passados uns 90 minutos mais ou menos.
A acção desenrola-se ao largo do Hawai e de Pearl Harbour, só que desta vez os Estados Unidos e o Japão unem forças contra os maus da fita, os pobres extra-terrestres, uma das entidades mais desprezadas pelos recentes argumentistas da 7ª arte. Coitados deles, cada vez mais são meros inimigos que urge abater. Estes invasores de Battleship não têm qualquer protagonismo, qualquer interesse, não encerram qualquer mistério, não despertam sequer a nossa curiosidade em relação a esse mistério insondável - haverá vida inteligente no universo? Estamos ou não estamos sós? Estão ali para pressionarem o gatilho, serem derrotados e nada mais. Há pouco tempo vi Invasion of the body snatchers - e até esses extra-terrestres mereceram mais meu respeito como espectadora de cinema! Outro filme, por sinal bem conseguido, onde o ET também não tem pés nem cabeça é Super 8. Ou seja,o futuro do cinema não nos está a trazer nada de bom em matéria de ET's, volta Spielberg, volta Alien!! Por outro lado, o filme parece querer homenagear a Marinha e os seus protagonistas, os soldados que servem os Estados Unidos de corpo e alma. Li depois que uma das personagens é realmente um Tenente Coronel do Exército americano  de nome Greg Gradson, que perdeu ambas as pernas no Iraque, em 2007. Infelizmente ele acaba a aniquilar ET's - étês - ao murro. Como Will Smith, recordam-se?! Aparecem ainda reais veteranos da Marinha, que serviram no USS Missouri, é bonito, mas fazê-los aparecer a caminhar no deck do navio em slow motion...?!! O melhor está guardado para o fim, quando Hopper recorre ao único navio existente na área para conseguir continuar a batalha, nada mais nada menos que o museu flutuante Battleship Missouri Memorial, o Mighty Mo, que se encontra em Pearl Harbour!! Battleship pareceu-me uma gigantesca e estrondosa colagem de filmes de acção - Armageddon, Transformers, Independance day, Pearl Harbour! Quase se torna difícil detectar que na origem do filme esteve o simples mas eficaz jogo da batalha naval. Uma única cena do filme consegue evocar o jogo da batalha naval quase na perfeição - é a de um ataque no mar às naves extraterrestres através da utilização de uma grelha no radar e fazendo uso de um sistema de bóias que medem a oscilação da água do mar. Nesses breves minutos o jogo de tabuleiro saltou efetivamente para o grande ecrã. Dito isto, posso dizer que tinha mais saudades do jogo verdadeiro do que vou ter deste filme. 

8/1/12

Ajuda para a Ferreirinha, uma cadela paraplégica!


O Refúgio das Patinhas é um pequeníssimo grupo de pessoas da zona do Grande Porto que acolhe e trata animais que já tiveram um passado triste. Tentam dar-lhes o melhor, permitindo-lhes acesso a cuidados veterinários e uma boa adaptação a uma casa, e promovem a esterilização das fêmeas. As despesas destes animais que recuperam das mais diversas situações (abandono, maus-tratos, canis) são suportadas por um pequeníssimo grupo que se dedica e luta diariamente contra este flagelo do abandono animal, bem como por algumas ajudas que generosamente chegam para ajudar com a despesa diária, e com ajuda em géneros. Toda a ajuda que façam chegar é preciosa.



A Ferreirinha é uma cadela de porte médio/grande, cerca de 6 meses (Abril de 2012) e encontra-se no Refúgio dos Patinhas, podem ver o álbum de fotografias dela no Facebook.

No dia 21 de Abril de 2012, o Refúgio dos Patinhas recebeu uma chamada da GNR às 3 horas da manhã a dar conta de uma cadelinha ainda bebé estendida na berma da estrada. Estava toda molhada, tremia, não se conseguia mexer. Tinha sido brutalmente atropelada e deixada para trás. No dia seguinte logo de manhã, levaram a Ferreirinha para uma clínica veterinária. A Ferreirinha estava infestada de carraças, estava desidratada e com picos de febre e temperatura baixa, e o pior de tudo, com uma lesão grave na coluna. Foi posta a soro e iniciou imediatamente a medicação de dor e para o problema da coluna. Nos dois primeiros dias, não queria comer, mas felizmente esta situação foi ultrapassada.

A 8 DE MAIO DE 2012, o Refúgio dos Patinhas tinha más notícias para dar. A Ferreirinha já devia estar com sensibilidade à dor profunda, passados 18 dias teria de ter essa melhoria. Ela já encolhia as patinhas quando lhe apertavam uma parte da almofada. Infelizmente, isso era apenas reflexo e não dor. Foi bem avaliada pela veterinária e com a pinça de bicos presa na pata não tinha qualquer tipo de reacção. Isto significa que a Ferreirinha estava paraplégica. Nesse momento só se perspectivavam duas soluções para ela: obter uma cadeirinha de rodas ou ser eutanasiada.Sem cadeirinha de rodas, em breve iria abrir feridas por se arrastar e perder qualidade de vida. Não é fácil tratar uma cadela paralítica com 15 kg  - é preciso muito esforço para a manter impecável e com todo o bem estar possível para evitar escaras. A veterinária disseque a Ferreirinha era uma boa candidata a uma cadeirinha de rodas.

A 9 DE MAIO DE 2012, o Refúgio dos Patinhas pedia uma boleia para a Ferreirinha do Porto a Odivelas e de Odivelas ao Porto, no mesmo dia. Contactaram a DogLocomotion e o Sr. Pedro da DogLocomotion queria mesmo vê-la ao vivo para desenvolver uma cadeirinha de rodas à medida,para que seja feita de forma a suportar todo o peso que tiver em adulta.

A 17 DE MAIO DE 2012, a Ferreirinha estava há um mês no Refúgio e era preciso apelar a todos ajuda para obter a cadeirinha.

A 30 DE MAIO DE 2012, o Refúgio indicou que no dia 18 de Maio, a Ferreirinha fez a viagem até à DogLocomotion e a cadeira começou a ser construída.

A 23 DE JUNHO DE 2012, ao fim de dois meses, a Ferreirinha consegue finalmente mover-se por si, socorrida pela cadeira. Ela estranhou imenso o equipamento e não queria andar, atacando o equipamento da forma que podia. A Ferreirinha começou então a desenvolver um papo na zona do rabo, que julgavam  ser de raspar no chão enquanto esperava pela chegada da cadeirinha. Foi feita desinfecção e aplicação de pomadinhas, mas não resolvia. Além disto, começaram a aparecer umas feridas no dorso sem ter nada a ver com contacto com urina nem zona de raspagem. Foi levada a ser vista pela veterinária no dia 22 de Junho, que procedeu de imediato à retirada do líquido da enorme em forma de "bola" que ela tinha na zona do rabo. Saiu imenso sangue e sentia-se uma saliência dura nessa zona. Foram feitos dois raios-x e o pior revelou-se - a Ferreirinha tem uma pata traseira toda partida e a outra pata traseira com luxação. A veterinária apresentou três soluções: 

1.Operar as duas pernas porque as duas estão em situação grave, opção que desaconselha  por se gastar um dinheirão a operar duas patas que ela não vai usar nunca.
2.Tirar as duas patas traseiras.
3. "Deixar andar" até a situação agravar de vez e só então optar por uma das duas hipóteses anteriores. Este "deixar andar" implica que a Ferreirinha tem de fazer antibiótico e dois anti-inflamatórios para aquele papo enorme na zona do rabo desinchar e conseguir controlar a infecção. Caso nem a medicação ajude a controlar esta infecção, então terão mesmo de pensar numa daquelas duas primeiras hipóteses. 

A 19 DE JULHO DE 2012, a Ferreirinha foi vista pelo ortopedista e ele acredita que há fortes indícios de que esta cadela foi brutalmente espancada e não atropelada. O tipo de lesão que apresenta nas duas patas traseiras e algumas lesões que tem no corpo, e o facto de ela ter um enorme terror no que toca a pessoas, fazem o doutor acreditar que esta cadela foi brutalmente espancada. A Ferreirinha é muda, não ladra, não chora, não lhe sai qualquer tipo de som. E, passados 3 meses sempre num ambiente calmo, cheio de carinho e mimo,continua a tremer e a ter pânico no que toca às pessoas. O doutor não aconselha a operação das duas patinhas (por estarem partidas), mas também referiu que manter a cadela assim não é solução: por ter as patas assim, mais tarde ou mais cedo ela vai abrir feridas e ter infecções atrás de infecções. E amputar as patas também não é solução porque requer um pós-operatório bastante rigoroso, ela é grande e não se deixa tratar facilmente, o que impede a operação...

O que podemos nós fazer para ajudar a Ferreirinha?
É importante perceber que muitas pequenas ajudas - que podem até parecer insignificantes - se transformam numa ajuda que faz realmente a diferença na saúde, bem estar e futuro dos animais maltratados. O pequeno grupo de pessoas do Refúgio das Patinhas já faz o mais importante: recolheu a Ferreirinha, encaminhou-a para cuidados veterinários. Nós podemos juntar-nos a esta equipa e dar-lhe meios para prosseguir a sua importante missão de prestar auxílio a este animal indefeso. Não fique indiferente! Leia e veja se pode ajudar de alguma forma!
  • Enviar medicação  
Maxilase comprimidos

Rymadyl 50

Noroclav 250

Thrombocid clorohexidina

  • Enviar materiais diversos 
-gaze

- resguardos (preciosíssimos)

- toalhetes de bebé

- fraldas médias

- luvas latex

- rolos de papel

  • enviar ajuda monetária NIB - 0035.0206.00.699272400.97
  • enviar ração de boa qualidade para cão 
  • oferecer uma transportadora grande (150 euros)
Contactos para esclarecimentos e informações:
O site - O Refúgio das Patinhas
O email - geral@refugiodaspatinhas.org


A caixa de correio não é monitorizada diariamente. Apesar de todas as mensagens recebidas merecerem a melhor atenção do Refúgio das Patinhas, nem sempre lhes será possível responder a todas. Pelo facto, o Refúgio pede desculpa. Compreendam, são poucas pessoas, muitos animais, muito trabalho e pouco tempo. 

O telemóvel - 915 408 298. Se ninguém atender, por favor, deixe mensagem escrita SMS com o seu nome, contacto e o assunto - é muito importante deixar estes dados.

(Esta postagem foi redigida a partir de informação da página do Facebook onde está o álbum de fotos da Ferreirinha e do site do Refúgio das Patinhas)

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