10/31/11

Bruxas, divirtam-se!


O salvamento do Bibi e o herói sem nome

 Esta é Sue Drummond com BiBi, o seu cãozinho.
 Estas são as imagens que vi na rede social Facebook 
e que andam neste momento a dar a volta à rede. 
Todavia o salvamento ocorreu em 2009!
 Isto aconteceu num cais de Brighton, em Melbourne, 
na Austrália - notícia no jornal australiano - 
num dia de ventos fortes que empurraram o cão para a água.
 A dona do cão, desesperada, não tinha a certeza de conseguir
 atirar-se à  água e nadar até à margem.


 No cais estava este rapaz de 20 anos, Raden Soemawinata,
modelo em part-time,que ali se encontrava para participar na 
cerimónia fúnebre da sua avó,iam lançar as suas cinzas na baía. 
O resto da história é como se vê:








Na internet a importância da citação da fonte de onde se retirou textualmente ou parcialmente algo, foto ou texto ou música ou video, ou de onde se colheu a inspiração para escrever uma postagem é algo a que a maioria das pessoas não dá importância. A situação é caótica na maioria da blogosfera. Quando se fala em violação de direitos de autor a malta pensa que isso só acontece com trabalhos e nomes consagrados e como sabe que a proteção é quase ineficaz, fecha os olhos como se nada fosse e continua a rapinar toda a espécie de conteúdos sem ligar puto. O prejuízo para quem escreveu, fotografou, criou, pode até ser igual a zero, noutras ocasiões, a divulgação até será benéfica ao autor, mas ninguém sabe nem quer saber o que pensa disso o autor, se autoriza ou não, enfim, é copy-paste e siga. Mas seria de elementar bom senso e devia ser até OBRIGATÓRIO observar algumas regras mesmo que se estivessem borrifando para as leis, é a minha opinião.

Na internet a informação circula vertiginosamente: pula dos livros de papel para o scanner, do scanner para o computador do computador para o email, do email para o blogue, do blogue vai parar às redes sociais, regressa ao blogue, continua para outro blogue, é notícia num portal, é tweetada uma vez, re-tweetada, é alvo de download e retorna ao computador, é impressa, é copiada e distribuída, é alterada, volta ao scanner...- o ciclo pode não ter fim. Quem é que pode ter mão nisto?! É um fenónemo gerado pela evolução da tecnologia, pelo recém adquirido poder de disposição do usuário e pela liberdade da internet. Em postagens posteriores eu irei escrever sobre Direitos de Autor, agora basto-me só em referir este exemplo pois, mais uma vez, lá andei pela internet fora à procura da fonte da informação. No Facebook ninguém me sabia dizer onde tinha acontecido o salvamento, quando tinha acontecido e quem eram os envolvidos. Ora, pergunto, não haveria interesse em que essa informação acompanhasse as fotografias? Não as enriqueceria? Não me digam que só eu é que queria saber mais...!E recordam-se do caso da ninhada de cachorros labrador cujo pedido de adopção ainda circula apesar de eu já nem ter memória de quando vi pela primeira vez essas fotos na minha caixa de email? Os cachorros já devem ser cães séniores por esta altura e ainda há gente a fazer forward ao pedido pois as fotos  e o texto não têm data! Além das violações de Direito de Autor também a própria circulação desregrada de informação na internet não parece incomodar ninguém.  O que é que pensa disto?

10/30/11

RIP! A Remix Manifesto


Hoje de tarde estive a ver o documentátio RIP! A Remix Manifesto realizado por Brett Gaylor. Encontrei-o no blogue de um jurisconsulto brasileiro enquanto procurava informação sobre direitos autorais pois estou a escrever uma série de postagens sobre o como agir na blogosfera em termos de Direitos de Autor.

Este filme aborda a questão do Direito Autoral nos Estados Unidos, o copyright, - à letra, a faculdade de fazer cópias, - e procura demonstrar que ele já não está a cumprir a sua função original – estimular a criação individual , assegurar dividendos ao autor, e ao mesmo tempo garantir a existência do domínio público, um espaço essencial ao desenvolvimento da criatividade, de garantia do acesso à cultura. O filme mostra-nos que o produtor e a indústria são agora os protegidos, são esses que querem policiados todo o uso das obras criadas. O espaço público encontra-se sob asfixia ao terem sido prolongados o número de anos de proteção de uma obra e o preço a pagar por quem infringe as regras, exorbitante, não reverte sequer para o autor! Mostra-nos também que estamos perante uma nova realidade que o passado se recusa assimilar. As obras intelectuais podem ser replicadas facilmente, enviadas à distância e até serem alteradas por quem as usa – chegou a era Power to the people, refere-se em vários momentos do documentário.

O argumento assenta num fio condutor, Girl Talk, um projeto de Gregg Willis. Este engenheiro biomédico de dia, transforma-se, pela noite,num mashuper, alguém que munido de um mero computador e software, desconstrói músicas de cantores famosos como Queen, Michael Jackson ou The Verve, cortando e colando, remontando e obtendo um produto final novo que entusiasma multidões. Girl Talk é, à face da lei, um criminoso porque infringe os direitos autorais pois faz remixagem digital de canções sem observar as regras impostas pelos direitos de autor. Um jornal norte-americano chamou à sua música “um processo judicial à espera de acontecer”. Ele defende-se com a dourina do “fair use”, uma excepção ao direito de autor,verificado o uso sem o intuito de lucro e mais alguns requisitos, - a finalidade da obra, se é comercial, educativa; a natureza, se é ou não um produto criativo, a quantidade que é usada da obra original e a qualidade, i.e, o como é usada, e que impacto vai ter o uso sobre a sua apetência pelo mercado. Este é o ponto de partida para rever a história do surgimento e evolução do Direito de Autor, nos Estados Unidos, a sua ultrapassagem pela tecnologia que permite a cópia fácil e a mudança de paradigma dos modelos de negócios, exemplificando com o Napster e o lançamento do CD dos Radiohead na internet. É esta indústria poderosa que tem os meios de influência e de acção: movendo autêntica caça ela intimida desde infantários, a jovens, mães solteiras, ou DJ’s- quando um Dj criou um novo CD a partir do trabalho dos Radiohead, o património destes não diminuíu, eles nem se importaram com isso, mas a Warner meteu logo as garras de fora. É o vale tudo para proteger os seus lucros, artistas e pessoas comuns, estão na sua mira, visados pelas suas campanhas, transformados em exemplos de tribunal anunciados com pompa nos media. O surgimento das Licenças Creative Commons com intervenções de Lawrence Lessing, o advogado mais “cool” que há, de acordo com Brett, também é focado. Em resumo, a realidade da cultura do séc.XIX é nova e o passado quer travar a natural evolução das coisas. O Direito Autoral foi criado para garantir a justa remuneração aos autores e também para incentivar a criação mas, no século XXI, ele parece asfixiar a criatividade sem devolver aos criadores a justa retribuição pelo seu trabalho, que pertence agora às indústrias. A cultura do Remix defende a criação de novos conteúdos a partir da exploração do passado e é este o seu Manifesto: 1) A cultura sempre se baseia no passado; 2) O passado sempre tenta controlar o futuro; 3) O futuro está-se a tornar menos livre; 4) Para construir sociedades livres é preciso limitar controlo exercido pelo passado.
O lançamento deste irreverente e até sarcástico filme canadiano aconteceu através do site OpenSourceCinema.org ao mesmo tempo que era solicitada a colaboração do público que podia fazer o seu download, alterar e voltar a subir no site. Algum desse conteúdo incorpora o filme final também assim honrando a cultura remix que o inspira. 


“O compartilhamento da cultura é natural. 
Ninguém cria nada no vácuo”
 – Gilberto Gil, músico e ex-ministro da Cultura, Brasil -


10/29/11

Fantasias de cão para o Dia das Bruxas?

É a loucura. Parece que inicialmente a ideia de vestir os animais de estimação para o Halloween não era lá muito bem aceite entre os americanos. Mas na América a mentalidade das pessoas evolui rapidamente do inaceitável para o hot-hot-hot e então aí está. Os desgraçados dos animais têm de acompanhar a loucura dos donos pois o que não falta é show, foto na revista, desfile de canídeos mascarados, prémios  e muito mais, com o mercado assanhado a sugerir toda a espécie de fantasias inspiradas na cultura pop!Se pensam que peco por excesso, desenganem-se, espreitem a oferta interminável e inclassificável de fantasias de cão que a Loja Lola and Rocky disponibilisa ou vejam o desfile na TV do video abaixo. Não, eu não ganho nada por estar a fazer esta propaganda gratuita. Apenas fiquei boquiaberta quando descobri a panóplia de fatos de fantasia para cão e achei que iam gostar de conhecer mais um delírio da terra do Tio Sam...



10/28/11

Marisa Monte Download grátis

A maravilhosa Marisa Monte tem um novo trabalho e disponibiliza um download grátis  - O que você quer saber de verdade - no seu site, além de podermos ouvir amostras das outras canções. O CD é colocado à venda dia 31 de Outubro e é só até esse momento que o download grátis desta faixa será possível. Aproveitem!
 

O polvo Paul vai ter uma biografia!



Acabei de ler aqui. O que diria Zeus se soubesse que em pleno século XXI os poderes divinatórios tinham ido parar a uma criatura de oito braços sem esqueleto?!! Refiro-me ao Polvo Paul, o oráculo, quem não se lembra, vivia num aquário, o Oberhausen Sea Life Center, na Alemanha e ficou famoso por prever os resultados das partidas de futebol do Mundial da África do Sul. Nasceu em 2008 e morreu em outubro de 2010, o que aconteceu entretanto vai ser um livro. Durante o período mediático da sua existência, eram-lhe dadas duas caixas com comida, cada uma com a bandeira do clube desportivo que ia jogar a partida. A primeira que ele abrisse ditaria a equipa vencedora. Ele conseguiu prever os resultados da Alemanha e depois a Final. Inspirou uma linha de roupa e uma aplicação para telemóveis. Doações recolhidas em seu nome ajudaram à criação de um centro de proteção de tartarugas marinhas em  ZakynthosGrécia. O animal vai agora ter direito a uma biografia e o seu autor, o jornalista italiano Luciano Minerva, já disponibilizou uma amostra da biografia do Polvo Paul para leitura na internet! Adivinham-se quedas no consumo de polvo. Quem de nós poderá doravante comer polvo sem sentir o estômago às voltas?! Os polvos passaram à categoria dos animais biografados!! Será que esta obra vai bater a insólita biografia de Aleksandr Orlov o suricate de peluche?!!Acautela-te José Rodrigues dos Santos, este livro vai decerto superar o teu Último segredo em vendas ...ou não fosse o futebol considerado por muitos uma religião!


10/27/11

Participe no Festival One Minute Film - Braga



I FESTIVAL “ONE MINUTE MOVIE”  - Braga foi a cidade eleita para acolher este que é o 1ª Festival de Cinema “One Minute Movie” em Portugal. Até 15 de Novembro, em apenas sessenta segundos, cinéfilos e cineastas terão que contar as suas “estórias”, num concurso de âmbito internacional que, nesta sua primeira edição, tem como temática “Ainda, o Natal”.O concurso abrange os géneros cinematográficos Ficção, Documentário, Filme Publicitário, VideoArte ou Animação. A exibição das obras e atribuição dos prémios terá lugar a 3 e 4 de Dezembro no Parque de Exposições de Braga.
Organizado pela empresa ShoeToChoose em parceria com a Bluemix, este certame conta com o apoio da Câmara Municipal de Braga, Associação Comercial de Braga, Parque de Exposições de Braga e Adere-Minho.

As inscrições e filmes a concurso devem ser enviados até ao dia 15 de Novembro para a Associação Comercial de Braga. Toda a informação sobre o concurso encontra-se disponível na rede social facebook (www.facebook.com/oneminutemoviefilmfest). Mais info através de geral@shoetochoose.com ou shoetochoose@gmail.com

O Theatro Circo, em Braga

Acabei de ler uma notícia onde o diretor do Theatro Circo, Rui Madeira, considera que o balanço dos cinco anos após a reabertura do Theatro Circo, em Braga, hoje assinalados, se pode considerar positivo. Revela que a bonita sala bracarense, com quase 100 anos de idade, se tornou espaço da memória coletiva da cidade e que recebeu mais de 300 mil espetadores neste período. De forma lúcida refere depois que neste espaço de tempo existem novos equipamentos culturais a funcionar na cidade e que a crise fez com que as pessoas cortassem na ida a espetáculos. Adianta ainda que é preciso também ter em conta a falta de educação para a cultura que reina em Portugal. Perante estes dados aquele número é animador.
Esta sala de espectáculos fica na Av. da Liberdade, em Braga, mesmo no centro da cidade. Passei a minha infância nesta cidade e foi nesta sala, no Cinema São Geraldo, perto da Rua dos Chãos, e depois no pequeno estúdio que abriu no Gold Center, que vi os meus primeiros filmes numa sala de cinema, incluindo fitas do Tintim. Do Theatro Circo recordo a sensação mágica que era entrar numa sala enorme que parecia retirada dos contos de fadas. O hall com as colunas marmoreadas, depois a sala ricamente decorada, dourados florais nas paredes, gradeados das varandas, a alta cúpula de onde pendia o lustre, o palco à italiana, a plateia de cadeiras vermelhas, as galerias e camarotes com as suas espessas cortinas. O Theatro era, portanto, um espaço mágico onde eu adorava ir, e em especial no Carnaval, nas matinées de cinema infantil, lançar serpentinas das galerias, era um ritual imperdível. Ia quase sempre ao cinema com o meu pai e lembro-me de uma vez ter ido com a minha avó ver Música no coração. Recordo-me também dos meus pais falarem de grandes comícios que ali se realizaram a seguir ao 25 de Abril.
Foto que mostra a plateia do teatro numa apresentação 
destinada a público escolar, em 2010
A última vez que estive no Theatro Circo foi em 1999. Nessa altura recordo-me de ter achado o Theatro bastante envelhecido. Fui ver O Tartufo. Já havia andaimes no espaço e algumas zonas estavam vedadas ao público. A reconversão e requalificação do Theatro Circo iniciou-se em 1999 e transformou-o num grande complexo cultural, com completa tecnologia cénica e sonora, capaz de responder a qualquer  necessidades da arte contemporânea. A sala principal tem 899 lugares mas agora existem ainda  um pequeno auditório com 236 lugares e uma sala de ensaios.Todo este processo culminou a 27 de Outubro de 2006 com a reabertura do Theatro Circo ao público.
Agora quero que tenham a paciência e a curiosidade necessárias para ver o trabalho de engenharia que foi feito para recuperar esta sala. Tal como um espectáculo que tem segredos de bastidores que ninguém vê, também a recuperação de um espaço é uma obra oculta de que somente vemos o resultado. Pena que não tenham feito um documentário sobre a requalificação do Theatro Circo. Estas fotografias são uma oportunidade para ver a sala de espectáculos de uma forma completamente diferente mas também extraordinária. Conhecê-las ajuda a valorizar o trabalho ali desenvolvido e cuja história faz agora parte da quase secular sala. Esta exposição foi apresentada durante o 4º Ciclo de Palestras em Engenharia Civil - UNIC - Centro de Investigação em Estruturas e Construção

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    10/26/11

    O último segredo de José Rodrigues dos Santos

    O Último segredo é o último livro de José Rodrigues dos Santos e já não é segredo nenhum para ninguém que caíu que nem bomba no meio conservador religioso e já tem manifestações de indignação formal na forma de comunicado do  Secretariado Nacional da Pastoral de Cultura   ...e ainda a procissão vai no adro!
    José Rodrigues dos Santos já reagiu:  (...) "Ou acham mesmo que a preocupação central dos fiéis é uma gralha numa referência bibliográfica? Na verdade não percebo bem esta reacção da Igreja. A Igreja está com medo de quê? Que os seus fiéis descubram a verdade sobre Jesus e a Bíblia? Mas faz algum sentido imaginar uma fé que se baseie em mitos e em falsidades? A verdadeira fé só se pode basear na verdade e a Igreja não deve temer a verdade. "
    Diz o Secretariado que não se pronuncia quanto ao aspeto literário da obra, área fora das suas competências, mas como o autor teve a ousadia de meter a foice em seara sagrada, tendo pretensões a explicar como são ou deixam de ser a Bíblia e as verdades da fé, então terá se sofrer a censura respectiva... e de pedir perdão, certamente. Que o autor recorreu a uma simples tradução da Bíblia, que o método-histórico crítico é redutor, que colocou uma nota à entrada do livro a dizer que é tudo verdade, que no final do livro fez mal as citações, que afinal escreveu centenas de páginas sobre um assunto tão complexo sem fazer ideia do que fala... Este comunicado não está assinado. Mas, pelo que ali pude ler, deduzo  quem o escreveu apenas leu as primeiras e as últimas páginas do Último segredo, de onde retirou os erros que apontou, possivelmente por considerar que o conteúdo do livro era de tal forma peçonhento que era de evitar até manuseá-lo. Foi depois o trabalho de dissecação do miolo controverso feito por outro indivíduo, um professor sem medo de se aventurar nestes territórios indigestos da fé e da literatura. Professor catedrático de Estudos Anglo-Americanos, Mário Avelar tem ganas na pena capazes de enfurecer qualquer escritor de best-sellers. Inevitavelmente lá foi ele comparar o Rodrigues ao Dan Brown. Saibam que a obra deste é plena de equívocos e banalidades, mas a bem conseguida estratégia narrativa e o carácter sensacionalista dos tópicos escolhidos, bem cozinhados com uma teoria da conspiração, ditam o êxito. É fácil! E o Professor desvenda-nos ainda como é que Dan Brown consegue imprimir à sua escrita um formato que torna a sua leitura compulsiva. Eis o segredo do sucesso revelado, nada de mais, afinal. Esta é a ideia do crítico Mário Avelar que deve ter analisado O Último segredo com mais rigor do que os polícias forenses do CSI tratam as provas criminais. Depois de lembrar mais uns escritores de aventuras, o crítico literário deitou  as unhas ao teclado e foi-se ao livro de José Rodrigues dos Santos e era fácil adivinhar logo ali que o jornalista escritor das orelhas grandes é um caso perdido. O nosso Mestre do Mistério não realizou uma investigação rigorosa e intelectualmente honesta, não fez mais afinal do que seguir a cartilha de Dan Brown. Mas deu-se mal e criou um romance inverosímil, sem lógica nem coerência internas. Depois de apontar um rol de erros ao romance termina com um comentário que o seu filho teria feito a propósito da clonagem de Jesus Cristo - ah, isso é Dan Brown for Dummies! Se estou a escrever sobre isto sem sequer ter  lido o livro ou ter vontade de o ler, mais uma vez se confirma que o segredo, antepenúltimo, penúltimo ou último que seja, é ainda a alma do negócio. Fico a aguardar as cenas dos próximos capítulos pois o debate ainda mal começou.
    O Último Segredo da editora Gradiva  pode ser encomendado na Wook e recebido em sua casa em 24 horas. Uma paleógrafa  assassinada na Biblioteca Vaticana quando consultava um dos mais antigos manuscritos da Bíblia, o Codex Vaticanus, um célebre historiador e criptanalista português, Tomás Noronha, e uma bela inspectora italiana,  Valentina Ferro, são as três personagens deste já polémico romance. Ao investigar  a solução dos crimes, Tomás e Valentina põem-se no trilho dos enigmas da Bíblia, uma demanda que os conduzirá à Terra Santa e os colocará diante do último segredo do Novo Testamento: a verdadeira identidade de Cristo. Mais um livro daquele a quem chamam o grande mestre do mistério português. 


    Sobre o alerta Nestlé Papinha que anda a circular

    Ontem recebi este email que transcrevo e hoje já recebi mais iguais. Suponho que também o tenham recebido. Pois bem, é um email alarmante e desnecessário. Já explico. A situação refere-se ao universo da Nestlé França e reporta-se a Junho! Vejam a comunicação abaixo que recebi da Nestlé quando perguntei se devia ter em conta esta informação. É irresponsável fazer reenvios sistemáticos de emails cujo conteúdo não verificamos. Um dia estamos a fazer reenvio de informação útil e ninguém irá ligar ao que dizemos! 

    "Exmos. Encarregados de Educação, Reenviamos um email que nos chegou da Nestlé. É importante. Atentamente, A Direcção

    MUITO IMPORTANTE!!!!!!!!!! ATENÇÃO!!!!... ALERTA
    -A Nestlé está a pedir que todos devolvam os FOOD BEBÊ BANANA ( Papinha), com validade até 2012 - Código de barras 7613033089 73, porque podem conter VIDRO. Mesmo que não sejas mãe/pai, por favor repassa esta mensagem, porque ela pode salvar a vida de uma criança!!
    PARTILHEM POR FAVOR!!!"


    A comunicação da Nestlé:

    "Exma. Senhora
    Referimo-nos à informação que anda a circular, em vários meios, sobre o produto em título e vimos por este meio informar que a Nestlé em Portugal não procedeu nem está a proceder a qualquer recolha de produtos de Nutrição Infantil.
    Mais informamos que, no dia 29 de Junho de 2011, a Nestlé França anunciou a recolha voluntária de um lote específico de “Nestlé P’tit Pot” 80g (variedade banana, com o lote L 10980295, com prazo de validade de 10/2012 e código de barras 7613033089732), no seguimento de uma reclamação efectuada por uma consumidora que referiu ter encontrado dois pedaços de vidro no interior de um frasco.
    Este produto não é comercializado em Portugal, apenas em França, e mais nenhum produto da Nestlé, em qualquer outro país, foi afectado.
    A Qualidade e a Segurança dos nossos produtos constituem prioridades não negociáveis para a nossa Companhia. Consequentemente, como medida de precaução, a Nestlé decidiu recolher este lote do mercado francês. Foram tomadas todas as medidas necessárias para averiguar a causa do incidente, em parceria com as autoridades competentes, tendo-se concluído que se tratava de um caso único e isolado."


    Festa das Latas Coimbra 2011

    Posso dizer que já não tenho grande memória da minha Latada. Recordo apenas que choveu bastante... e pouco mais!  Como sei que o meu blogue recebe muito mais visitantes do estrangeiro, nomeadamente do Brasil, aproveito para descrever o que sucede em Coimbra, a cidade dos estudantes, durante oito dias deste mês de Outubro,em vésperas da abertura de mais uma Latada e Imposição das Insígnias de Coimbra, festa que tem o objectivo de celebrar o início do ano lectivo e dar as boas vindas aos novos estudantes que chegam à cidade!


    O cartaz da Festa das Latas - Coimbra - 2011
    Quem vier a Coimbra por esta altura do ano vai observar muitos estudantes trajados a rigor nas ruas da cidade. Tal situação só volta a acontecer lá para Abril, Maio, quando todos se preparam para a maior festa estudantil da Europa - a Queima das Fitas. Nesse intervalo de tempo os estudantes preferem usar a roupa comum e não o traje que nem todos consideram prático. Na minha faculdade, ao chegar à porta, eu tinha de retirar a capa do ombro direito, desdobrá-la, fazer uma dobra na orla do pescoço por cada ano de curso que já tinha e somente depois entrar. Nem toda a gente estava para isso!Existem trajes académicos diferentes para cada uma das Universidades portuguesas. Vejam aqui o traje da Universidade de Coimbra. Os preços podem variar mas encontrei online a 85 euros para rapariga (casaco, saia, camisa, gravata e capa), 135 euros para rapaz (batina, colete, calça, camisa, gravata e capa).

    Os visitantes da cidade verão alguns desses estudantes trajados empunharem enormes colheres de madeira, um dos símbolos da praxe académica, além da moca, sem saliências,  tesoura  - tem de ter bicos redondos - e da caveira. No seu interior a colher tem escrito  Dura Praxis Sed Praxis - a praxe é dura mas é a praxe. Estes instrumentos aplicavam punições diversas, cortes de cabelo, os Rapanços, ou Unhas ou Colheradas. As insígnias pessoais são os grelos – fitas estreitas que se usam ao peito e nas pastas - e as fitas largas – que se usam nas pastas- que possuem a cor de cada faculdade, vermelho para Direito, amarelo para Medicina, Azul escuro para Letras,etc. São colocadas e depostas no dia do cortejo da Latada ou no dia do Cortejo da Queima das Fitas de acordo com as regras do Código da Praxe.  No primeiro ano os caloiros podem usar o traje completo – capa e batina - mas não podem usar a pasta académica.  Supostamente a praxe académica deve fomentar um espírito de entreajuda  e camaradagem e levar ao envolvimento do novo aluno no espírito académico, no amor, orgulho e respeito pela instituição que frequenta e não deve ser usada para cometer abusos como os que já têm sido relatados por ocasião das festas académicas, de norte a sul do país, alguns com consequências muito graves que motivaram já processos judiciais. A praxe académica coimbrã é a mais antiga e daqui derivaram todas as outras.
    A Latada começa com actividades culturais e desportivas.  Uma serenata noturna com fado de Coimbra marca o seu  arranque, tem lugar no largo da Sé Velha, que fica repleto de gente. Numa outra noite realiza-se o Sarau Académico no teatro Académico Gil Vicente. A Associação Académica de Coimbra possui diversos núcleos culturais ligados ao teatro, fado, tunas, coros, entre outros. A cerimónia da Imposição de Insígnias e a compra do nabo no mercado – ou, mais tradicionalmente, roubo do nabo às vendedoras do mercado D. Pedro V -  acontecem numa manhã e à tarde tem lugar o Cortejo da Latada pelas ruas de Coimbra. Os nabos são colocados dentro da pasta dos padrinhos e oferecidos aos caloiros para eles comerem, temperados na hora com pimenta. É costume o estudante dizer ao outro, “Doutor, posso alimentar o seu caloiro?” Ou melhor, era assim que se fazia quando eu estive em Coimbra. Caloiros e seus padrinhos desfilam, os novos alunos vestem os trajes do avesso  - são raros os que o fazem - ou fantasias e t-shirts das cores dos curso, com dizeres escritos  alusivos à situação económica e social ou outros assuntos polémicos, como a qualidade do ensino superior, podendo ainda envergar cartazes. Outros adereços populares são os penicos de plástico, os assobios, chupetas e babetes das cores das respectivas faculdades. As latas presas aos pés por fios contribuíam para o ruído característico que deu o nome à festa. Penso que actualmente as Latadas são quase uma espécie de Carnaval fora de época, as que tiveram lugar nos anos 70 deviam ser mais contidas. Nos anos 80-90 já eram o que são hoje! Os caloiros são conduzidos pelos padrinhos que os levam presos por uma corda. No percurso até à baixa podem haver baptismos nas fontes  e algumas outras façanhas incluíam pedir esmola a quem assistia usando as latas ou cumprir algumas tarefas menores, por exemplo, lavar uma pedra do passeio com sabão e uma escova de dentes. O consumo excessivo de álcool também se tornou há muito, infelizmente, uma das modas nos eventos académicos nem sempre contribuindo para a sua vivência de uma forma sã. A concentração parte da alta da cidade e desce até ao rio Mondego onde tem lugar o baptismo dos caloiros, usavam-se as latas para isso, parece que hoje se usa o penico e diz-se: "Ego te baptizo in nomine solemnissima praxis".


    Imagens da Festa das Latas - Coimbra - 2010

    Este ano a Festa das Latas e Imposição das Insígnias de Coimbra recebe diversos espectáculos musicais, com destaque para os portugueses Expensive Soul, Os Azeitonas, Quim Barreiros e José Cid. Gabriel, O Pensador, do Brasil, e Kaiser Chiefs, ingleses, completam a oferta. Eis o cartaz completo e uma amostra das diversas sonoridades a ouvir no Queimódromo.


    O cartaz dos espetáculos musicais da Latada Coimbra 2011
    e algumas das sonoridades em destaque


    10/24/11

    Yueyue, a criança chinesa atropelada na rua


     A história de Yueyue na TV
    Encontrei esta notícia e esta, e na sequência disso vi este video no Youtube, é um mercado, em Foshan, vemos uma criança ser atropelada por uma carrinha. Ela derruba-a e depois passa com as rodas por cima das suas pernas. Pára. Volta a retomar a marcha e segue o seu destino passando com as rodas da cima por cima da criança, mais uma vez. Fica um rasto de sangue no chão. Verdadeiramente chocante. Mas após o sucedido, mais cenas chocantes: várias pessoas - parece que 18 pessoas - e veículos passam pelo local, indiferentes ao corpo. Um segundo veículo volta a passar-lhe por cima. Finalmente chega uma pessoa - Chen Xianmei, de 58 anos, uma catadora de lixo para reciclar - que a muda mais para a borda, o corpo e os membros parecem uma marioneta  - os lojistas disseram-lhe para não intervir - e depois outra pessoa, que a agarra e transporta dali para fora, talvez a mãe. Escreveram já que estas pessoas que se alhearam da sorte deste pequeno ser sofrem de apatia social. Identificada a doença, pergunto qual a causa, como prevenir, e qual a cura?
    A carrinha que atropelou Yueyue
    A criança tinha apenas dois anos e não sei porque estava ali. Chamava-se Yueyue. Isto  sucedeu no dia 13 de Outubro, e ela faleceu no dia 21, depois de ter estado em coma no hospital do Comando Militar de Guangzhou, China, onde foi assistida. O condutor desta carrinha da imagem já foi identificado e apanhado pela polícia, o segundo não sei. Estava ao telemóvel com a namorada, tinham acabado de se separar, disse. Disse ainda que pensou que a criança estivesse morta e por isso fugiu, isso seria melhor para ele pois se ela vivesse teria de pagar muito dinheiro aos médicos. 
     Yueyue no hospital.
    A censura posta em marcha pelos media afetos ao Governo em torno da história de Yueyue não terá sido no entanto suficiente para parar o debate na própria China. Nas notícias que li entretanto adiantavam-se explicações várias para o acto, que na China as pessoas têm medo de ajudar em situações limite pois não havendo testemunhas são elas que arcam com a culpa do sucedido. Isto leva a que não prestem auxílio, há até um caso de uma mulher chinesa que se estava a afogar num lago e que foi salva por uma pessoa estrangeira. A norma na China parece ser esta: se não foram responsáveis não estariam aqui, não parariam para prestar ajuda. O próprio Ministério da Saúde emitiu directrizes para que no caso de pessoas idosas caídas no chão, não se preste auxílio, comunique-se e deixe-se o pessoal médico chegar, pois eles é que estão habilitados. Em 2006 um homem que ajudou a salvar uma mulher idosa foi levado a tribunal pela família dessa pessoa e obrigado a pagar contas médicas enormes. 
    Os pais deYueyue
    Há quem entenda que a sociedade chinesa entrou em colapso e aponte as origens disso à Revolução Cultural  - um sistema que nega os direitos e liberdades individuais os cidadãos entregam os seus juízos a quem estabelece a ordem, deixam de pensar por si, de ter vontade própria. Outros dizem que o governo chinês apenas pensa em maximizar lucros, fazer dinheiro é o seu objectivo primordial e que isso conduziu ao sacrifício da moralidade e da justiça. Se der um saltinho ao site da Amnistia Internacional terá uma amostra do que é viver na China. O desrespeito pelos direitos humanos, as convenções globais, a perseguição de dissidentes e opositores aos regimes, são reais. O sistema prisional está repleto de prisioneiros políticos, submetidos a tortura e julgamentos sem direito a defesa. As execuções ainda são comuns. Junte-se a isso campos de trabalhos forçados e uma elevada percentagem de trabalho infantil. Viver num clima de intolerância e medo tem consequências: será a "apatia social" uma delas? 

    Não faltarão coros de vozes uníssonas contra o bárbaro povo chinês mas eu não acredito que uns povos sejam melhores do que outros, acredito que os indivíduos são influenciados por condicionalismos externos - normativos sociais, religiosos, tradições- que acabam por moldar os seus comportamentos. Todavia os chineses não têm muita consideração pela figura da criança, em especial a criança feminina. Na China a tradição da preferência por um filho de sexo masculino vem dos tempos feudais. O filho cuidará dos pais na velhice, faz-lhes um bom funeral, é o herdeiro da família. A política do filho único posta em prática a partir dos anos 70, destinada a controlar a população quando ela deixou de ser controlada pelas grandes fomes, contribuiu para a morte e abandono das bebés recém-nascidas. Digo isto mas digo também que não são o único povo a sacrificar crianças na história da humanidade. Os Romanos praticavam o  infanticídio, havia altares para sacrificar bebés. A Roda dos Expostos, originária da Itália mas prática corrente em Portugal a partir do séc. XV, era uma forma das mulheres se livrarem anonimamente das crianças indesejadas mas acabou abolida pois não havia garantia de sobrevivência para os expostos, era na prática uma forma de infanticídio indirecto. A consciência dos direitos da criança acentuou-se quando nos anos 60 se afirmaram os direitos das mulheres. Mas independentemente do estatuto que os seus direitos alcançaram, por todo o mundo persistem os maus-tratos físicos, psicológicos, sexuais e os comportamentos negligentes de quem tem crianças a cargo, veja-se o que sucede na África do Sul, país com índice elevadíssimo de abusos sexuais infantis. 

    Eventualmente este caso dramático pode ser o que a China precisa para acordar para a realidade e iniciar o debate em torno do tipo de formação cívica e moral que quer para os seus cidadãos. As autoridades do governo local na província de Guangdong já consideraram que é preciso uma lei para proteger os bons samaritanos que oferecem assistência aos necessitados e pensam até estabelecer uma recompensa para as pessoas que arriscam a vida para salvar outras, o que poderá ajudar a moldar comportamentos. Entretanto, Chen Xianmei, uma catadora ou recicladora de lixo que moveu a criança para lugar seguro, teve de fugir da cidade pois foi acusada de o ter feito apenas para atraír as atenções. Quer ela quer os pais têm recebido inúmeros donativos. Os pais vão criar um fundo com esse dinheiro para ajudar crianças vítimas de situações semelhantes. Milhares de chineses participaram no fim de semana em manifestações contra a "apatia social" evidenciada. Para mais informação sobre este caso, vejam o blogue
    Shanghaiist que tem acompanhado a história desde o início.



    10/17/11

    Dia Mundial da Erradicação da Pobreza e Portugal

    As leis de todo o mundo dito civilizado consagram  o exercício dos direitos humanos  mas o desafio no terreno continua a ser o da sua efectiva realização pelos sujeitos. A pobreza e a exclusão social são apenas um dos desafios com que a humanidade se defronta em pleno século XXI. Os objectivos de desenvolvimento do Milénio, definidos pela ONU em 2000 reflectem-no e estabelecem a  meta da redução da pobreza extrema para metade até 2015. A União Europeia, desde a Cimeira de Lisboa (2000), assumiu também este desafio - o objectivo da coesão social situa-se ao mesmo nível do crescimento económico e do emprego. O Executivo de Pedro Passos Coelho entrega hoje na Assembleia da República um dos mais austeros orçamentos do Estado dos últimos anos. As contas públicas para 2012  contêm medidas rigorosas para conter o défice orçamental do Estado português. Nos próximos anos espera-nos a  eliminação dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários da Administração Pública e das empresas públicas acima de mil euros por mês e também para os pensionistas com prestações superiores a este valor. Os bens da taxa intermédia do IVA vão sofrer uma redução com salvaguarda para setores de produção nacional, como a vinicultura, a agricultura e as pescas. Não haverá alterações na taxa normal do IVA e os bens essenciais terão taxa reduzida. O valor da Taxa Social Única (TSU) será mantido, o horário de trabalho no setor privado poderá ser aumentado em meia hora por dia nos próximos dois anos. Teremos ainda a eliminação das deduções fiscais em sede de IRS nos dois escalões mais elevados, os restantes verão reduzidos os seus limites , mas serão salvaguardadas majorações por cada filho do agregado familiar. A maioria das prestações sociais, nomeadamente, o subsídio de desemprego, de doença ou de maternidade, serão isentos de IRS. Também assistiremos a cortes nos sectores da Saúde e da Educação. O setor empresarial do Estado será reestruturado através do congelamento da atribuição de prémios a gestores públicos...

    O futuro em Portugal vai funcionar dentro deste quadro nos próximos anos. Se os números do passado não eram animadores, como será doravante? A austeridade imposta pelo Executivo neste Orçamento para 2012 é-nos apresentada como a única resposta possível após o descalabro da governação dos últimos anos e o enquadramento de crise da zona  euro.Quando teremos sinais de recuperação da economia e do emprego? No 1º trimestre de 2011 a taxa de desemprego em Portugal foi de 12.4%. A população empregada em Portugal no 1º trimestre de 2011 foi estimada em 4866,0 mil indivíduos e a população desempregada foi estimada em 688,9 mil indivíduos.


    A distribuição da população empregada por grupo etário era a seguinte:
    • 6.6% pertenciam ao grupo dos 15 aos 24 anos
    • 24.7% dos 25 aos 34 anos
    • 27% dos 35 aos 44 anos
    • 36.1% ao dos 45 aos 64 anos e
    • 5.7% ao dos 65 ou mais anos.
    A distribuição da população empregada por nível de escolaridade:
    • 62.3% dos indivíduos tinham completado o 3º ciclo do ensino básico
    • 19% completaram o ensino secundário ou pós-secundário
    • 18.7% o ensino superior
    A distribuição da população desempregada por grupo etário:
    • 18% pertenciam ao grupo etário entre os 15 e os 24 anos
    • 28.5% aos dos 25 aos 34 anos
    • 23.3% ao dos 35 aos 44 anos
    • 30.3% ao dos 45 e mais anos
    A distribuição da população desempregada por nível de escolaridade completo:
    • 64.7% tinham completado no máximo o 3º ciclo do ensino básico
    • 20.3% completaram o ensino secundário ou pós-secundário
    • 12.3% completaram o ensino superior.

    A taxa de desemprego das mulheres (12.8%) excedeu a dos homens (12%). O número de desempregados à procura de emprego há 12 e mais meses – desemprego de longa duração- representava 53% da população desempregada total. A população inativa em Portugal no 1º trimestre de 2011 era de 5.086,1 mil indivíduos. A população inativa com 15 ou mais anos era constituída por 3.475,2 mil indivíduos, representando 68.3% do total de inativos. No 1º trimestre de 2011 60.4% dos inativos com 15 ou mais anos eram mulheres e 39.6% eram homens.

    Para refletir no Dia Mundial da Erradicação da Pobreza.

    Fonte Estatística: Indicadores sobre a pobreza  - Dados Europeus e Nacionais -  EAPN - Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal

    10/16/11

    Rendimentos de 15 políticos antes e depois de serem Governo



    O jornalista António Sérgio Azenha resolver ir investigar os rendimentos de 15 políticos antes e depois de passarem pelo Governo, ou melhor, pelo desgoverno. O resultado está no livro 'Como os políticos enriquecem em Portugal', da editora Lua de Papel. O repórter não inventou números, antes baseou-se nas declarações de património e rendimentos apresentadas pelos políticos ao Tribunal Constitucional, desde 1995. Então reconstituiu o percurso de crescimento económico de 15 cavalheiros e é só ver como os rendimentos crescem assombrosamente. Jorge Coelho, Dias Loureiro e outros políticos multiplicaram os seus ordenados. Os ministros e os secretários de Estado quando chegam ao Governo ganham menos de 6.000 euros mensais. Depois de passarem por lá um tempo a desgovernar acabam por ser beneficiados dando o salto para lugares muito bem remunerados e repletos de privilégios. Esses lugares são em empresas tuteladas pelo Estado e embora legalmente não possam ser acusados de nada, nós sempre lhes podemos chamar grandes patifes. 

    Na sequência da leitura do livro, Mira Amaral escreveu ao jornalista: "Ao ler o livro, até não vejo qualquer má vontade sua contra mim mas compreenderá o meu estado de espírito ao ser metido no pacote dos tipos que em Portugal beneficiaram e enriqueceram com a política, o que no meu caso é falso e perfeitamente injusto." Adianta que até perdeu dinheiro ao passar pelo Governo...!

    Cliquem na Infografia do jornal Expresso e vejam esses números redondos e se quiserem  ler o livro ele está à venda na Wook, basta clicar aqui,  é só encomendar que na volta do correio já se vão poder indignar só mais um bocadinho, findo que está o Dia da Indignação e ainda mal começado o período de recessão em que Portugal está mergulhado...não só mas também graças ao desgoverno destes e outros patifes.


    Acabar com a fome em África



    Nós sabemos como acabar com isto!

    A fome na Somália poder matar 750 mil pessoas nos próximos meses, e dezenas de milhares de pessoas já morreram. O Grupo dos 20 (G-20),  tem a oportunidade de quebrar o ciclo de fome e garantir que as pessoas a ultrapassem quando se reunir em Novembro. As vidas daqueles estão nas mãos destes. Pressionemos todos para que mantenham as promessas que fizeram para  2 bilhões de pessoas pobres que dependem da agricultura para sua subsistência.

    Também você pode ajudar a que os líderes tomem medidas para acabar com a fome em África. Tire alguns minutos para assistir ao novo vídeo da organização ONE “The F Word: A fome é a obscenidade Real” . Depois assine a petição dirigida aos líderes mundiais. 

    As razões para a fome da África são complexas e as soluções são difíceis, especialmente na Somália, mas não podemos perder de vista alguns factos simples : 

    1 – 30 mil crianças morreram em apenas 3 meses. Trinta mil. Com mais de 12 milhões de pessoas em risco.

    2 - A fome não é uma catástrofe natural – a seca não tem que levar à fome. Ela pode ser prevenida, como vimos em grande parte do Quénia e Etiópia. No século XXI, é uma obscenidade que as pessoas estejam a morrer porque não conseguem obter comida suficiente para comer. Cada uma dessas 30 mil crianças faz parte de uma família – um filho, uma filha, irmã ou irmão. Não podemos imaginar o que deve ser morrer de fome, mas a maioria de nós sabe o que é perder alguém que amamos.

    Por favor, assista o filme e faça uso da voz que você tem – assine a petição. Vai fazer uma diferença na pressão sobre os líderes mundiais para fazerem mais para ajudar aqueles que agora estão em necessidade, e viver de acordo com promessas já feitas de investir em medidas comprovadas para gerar trabalho – sistemas de alerta precoce … irrigação … sementes resistentes à seca … e, claro, a paz e a segurança.

    Obrigado!

    Assine a PETIÇÃO ----- LINK
    ( Eu assinei. E você?)

    10/14/11

    Adeus museus grátis ao Domingo

    O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, afirmou este sábado que vai acabar com as entrada grátis dos museus ao domingo, - por regra eles só estão abertos ao domingo de manhã, entre as 10 e as 14 horas - admitindo reservar apenas um dia por mês para as visitas gratuitas. O secretário de Estado sublinhou que a percentagem de entradas pagas nos museus é, actualmente, de 36% e que o nível ideal para a sustentabilidade destas instituições seria de 80%. As entradas pagas são necessárias para conservar os museus e permitiriam que estes obtivessem mais receitas para financiar horários mais alargados de abertura ao público. Disse também que o princípio da gratuitidade é um mau princípio.

    Desde que fiz um curso de Produção Cultural em 2000 que me embrenho em discussões sem fim sobre o acesso grátis ou não à cultura. Eu concordo com o secretário quanto ao grátis ser um mau princípio. O grátis leva rapidamente à desconsideração do valor inerente ao produto. Porque hão-se ser grátis, por princípio, as entradas em museus, concertos e teatros? Eu acho que em princípio deviam ser pagas e que se devia abrir excepções para cumprir cabalmente a função educativa do museu e garantir o acesso a toda a população.

    O Estado incluíu os direitos culturais na Constituição. Os poderes públicos não se podem demitir das suas incumbências de promoção do acesso à cultura. Perante a  ânsia actual de catar receitas para debelar a crise não me espantava se o secretário quisesse mesmo o fim dessa válvula social. Mas lá deixou o dia grátis para não levantar (mais) ondas. Na minha opinião o secretário está equivocado pois não creio que as entradas pagas vão aumentar. Não basta o Estado subsidiar, é necessário que a porta possa ser efectivamente transposta por quem não pode pagar. Já acredito que incentivar a abertura noturna dos museus ou fazer um horário alargado ao fim da tarde possa atrair mais visitantes pagantes, beneficiando do clima pouco rigoroso do nosso país, tantas vezes convidativo a uma voltinha ao final da tarde. É sobretudo mais fácil falar em entradas grátis do que arquitetar soluções mais estruturantes - estas é que seriam necessárias, mas demoram a produzir resultados e são dispendiosas.

    A cultura é um bem mas é também um negócio e um negócio que tem custos superiores às receitas que gera. Parece não vingar se não obtiver subsídios do Estado, de mecenas empresariais ou individuais. Não sei se num país onde o consumo cultural continua a ser secundário as receitas dos ingressos terão peso significativo. Mas pouco é melhor do que nada. Um museu tem pessoas a trabalhar lá dentro, despesas com água, luz, seguros e manutenção das coleções. Este valor pode variar consoante o tipo e a dimensão dos mesmos. De onde vêm os lucros dos museus? Das entradas, das lojas que vendem toda a espécie de coisas, dos restaurantes e cafetarias, talvez dos serviços educativos, talvez dos Amigos do Museu, se os tiverem. Também podem alugar a infra-estrutura, organizar eventos paralelos, pagos. Mesmo assim, o negócio é um mau negócio. Em tempo de crise também os museus têm de competir duramente por patrocínios e visitantes. Terão de fazer a melhor gestão possível, serem criativos e não ficarem dependentes da esmola do Estado mas isso é mais fácil para uns do que outros. Pensem nos grandes museus nacionais, nos museus urbanos e naqueles da província – são realidades bem diferentes, com custos e recursos associados muito díspares.

    A maioria das famílias usa o tempo livre do fim-de-semana para os seus passeios. Só quando em férias podem visitar museus noutros dias, a rotina de trabalho não permite outra coisa, nem a falta de horários noturnos. Eu sou do tipo papa-museus. As viagens que fiz ao estrangeiro foram planeadas para visitar museus, ver e estudar as obras de arte que durante anos apenas conhecia no papel e não outra coisa. À média de um museu por dia não tive alternativa: tive de pagar. E paguei prescindindo de outras coisas e poupando com antecipação para esse projecto. Escolhi visitar aos domingos aqueles que tinham ingressos mais caros. Em Portugal, mantenho essa regra. Quando visitei o Museu Soares dos Reis, no Porto, o ano passado, fi-lo ao domingo. Durante a hora e meia que lá estive havia meia dúzia de pessoas a explorar o museu. Estávamos na Primavera, não foi o mau tempo que justificou a falta de afluência, nem a fraca qualidade da oferta cultural, nem o preço das entradas. O que falta em Portugal então? Uma cultura da cultura. Sem ela tanto faz que as entradas sejam a custo zero ou pagas, as pessoas não frequentam os museus de forma regular. São espaços de elite não porque tenham ingressos pagos mas porque são frequentados por minorias. Não têm as pessoas dinheiro para isso? Há quem não tenha, mas penso que muitos o teriam, se o desejasse mesmo pois os campos de futebol estão cheios, os festivais de Verão estão cheios, os Coliseus do Tony Carreira estão cheios, as discotecas estão cheias, e, no Verão, as praias estão cheias. As pessoas não se privam de roupas de marca, tomam pequenos almoços na pastelaria da esquina, gastam fortunas em comunicações móveis, compram tabaco mas depois dizem que não tem dinheiro para a cultura, que é caro. Para muitas a cultura não está perto de casa. Todas as deslocações têm, na maioria dos casos, custos associados: a deslocação é inevitável, depois temos a alimentação – quanto a ela podem ser equacionadas soluções mais económicas – ou até o estacionamento se as pessoas teimarem em levar o seu carro, solução que até se pode concluir ser a mais económica no caso de uma família com filhos. Donde se conclui que, primeiro, é necessário ser sensível aos bens culturais, sentir essa necessidade, depois é preciso fazer uma gestão do orçamento pois a ida ao museu não se resume ao preço de um bilhete. Mesmo sendo pagos existem já descontos e isenções para facilitar o acesso da população aos museus. Vejam alguns exemplos abaixo.

    As entradas grátis vão também favorecer quem tem dinheiro para gastar dinheiro dentro do museu. Existe esta expectativa por parte dos museus que têm gift shops e outras estruturas a par da satisfação dos seus conservadores em dizer que estão a prestar um serviço social: a abertura a todos os estratos sociais promove uma ligação mais estreita com a comunidade onde as estruturas se inserem. Um museu aberto à comunidade tem mais um trunfo para convencer mecenas a abrir os cordões à bolsa. Mas se eu eu pagar para entrar no museu eu vou ter o direito de exigir um bom serviço. Já entrei em alguns museus para me sentir apenas explorada. Nem uma folha de sala havia disponível.  As entradas grátis são também instituídas para cativar novos públicos e não apenas para permitir a entrada no museu a quem não tem posses. É bom não esquecer que é desses novos públicos que poderão surgir os visitantes e mecenas do futuro. Além do princípio legal, existem, pois, muitas razões para que as entradas grátis sejam mantidas.


    Nos dias em que as entradas são pagas alguns museus favorecem a entrada a algumas camadas da população através de descontos, por exemplo, estudantes, jovens até determinada idade, a 3º idade, etc. Outras soluções poderiam ser pensadas, mais articuladas com a comunidade e parceiros sociais: porque não se cria um passe cultural para pessoas com baixos rendimentos? No meu trabalho com públicos socialmente desfavorecidos eu consegui fazer isso a nível local pelo período em que durou o curso. As opiniões sobre as visitas foram diversas, do puro tédio ao deslumbramento, mas alguns dos meus formandos regressariam  ao Museu com a família, o que me encheu de contentamento. E você? Quando foi ao museu pela última vez?

    Links: Rede Nacional de Museus

    Algumas das condições de ingresso em museus portugueses:

    Museu Calouste Gulbenkian - Lisboa
    Ingressos
    Museu (Colecção permanente + exposição temporária na galeria do museu): 4.00€
    Exposições temporárias fora dos percursos museológicos (Galeria de Exposições Temporárias): 3,00 € / 5,00€
    Museu/Exposição temporária: 5,00€
    2 Museus (Museu Gulbenkian e CAMJAP): 7,00€
    Descontos:
    Portadores de Cartão de Turismo da CML: 20%
    Portadores de Cartão Jovem, estudantes até aos 25 anos e maiores de 65 anos: 50%
    Isenções:
    Crianças até aos 12 anos, membros do ICOM, AICA e APOM, professores (quando acompanham grupos escolares), grupos escolares e visitas organizadas por entidades de Solidariedade Social ou Associações Culturais.
    Domingos para o público em geral e no Dia Internacional dos Museus (18 de Maio).
    Visitas áudio-guiadas - 4,00€ Disponível em português, inglês, francês e espanhol



    Museu Nacional de Arte Contemporânea - Lisboa
    Ingresso
    Bilhete Normal – 4,00 €
    Descontos
    50% Pessoas com idade igual ou superior a 65 anos; portadores de deficiência; 
    Bilhete Família - filhos menores (15-18) desde que acompanhados por um dos pais – 2,00 € 
    60% Portadores de cartão Jovem - 1,60 €
    Passes dos Museus e Palácios do IMC
    Dois dias - 7,00 €; cinco dias - 11,00 € e sete dias - 14,00 €
    Isenções
    . Entrada gratuita aos Domingos e feriados até às 14h00
    . Crianças até aos 14 anos
    . Membros da APOM, ICOM, Academia Nacional de Belas-Artes, Academia Portuguesa da História e Academia Internacional da Cultura Portuguesa (devidamente credenciados)
    Investigadores, jornalistas e profissionais de turismo (devidamente credenciados)
    . Professores e alunos de qualquer grau de ensino no âmbito das visitas de estudo, desde que comprovadas documentalmente a sua condição (cartão pessoal) e o contexto da visita (por documento emitido pela respectiva instituição de ensino)
    . Mecenas institucionais do respectivo museu
    . Membros do Grupo de Amigos do Museu do Chiado
    . Funcionários dos serviços e organismos do Ministério da Cultura (devidamente credenciados)
    . Portadores do Lisboa-Card

    Museu Nacional de Arte Antiga - Lisboa
    Ingresso
    Bilhete Normal - 5,00 € (museu e exposições temporárias)
    Descontos
    50% Pessoas com idade igual ou superior a 65 anos; portadores de deficiência; Bilhete Família - filhos menores (15-18) desde que acompanhados por um dos pais – 2,50 €
    60% Portadores de cartão Jovem - 2,00 €
    Passes dos Museus e Palácios do IMC
    Dois dias - 7,00 €; cinco dias - 11,00 € e sete dias - 14,00 €

    Isenções
    . Entrada gratuita aos Domingos e feriados até às 14h00
    . Crianças até aos 14 anos
    . Membros da APOM, ICOM, Academia Nacional de Belas-Artes, Academia Portuguesa da História e Academia Internacional da Cultura Portuguesa (devidamente credenciados)
    Investigadores, jornalistas e profissionais de turismo (devidamente credenciados)
    . Professores e alunos de qualquer grau de ensino no âmbito das visitas de estudo, desde que comprovadas documentalmente a sua condição (cartão pessoal) e o contexto da visita (por documento emitido pela respectiva instituição de ensino).
    . Mecenas institucionais do respectivo museu
    . Membros do Grupo de Amigos do MNAA
    . Funcionários dos serviços e organismos do Ministério da Cultura (devidamente credenciados)
    . Portadores do Lisboa-Card

    Museu de Arte Contemporânea de Serralves - Porto 
    Ingresso
    Museu + Parque: 7,00 €
    Parque: 3,00€
    Parque de Estacionamento – 0,80 €/horas
    Descontos
    Portadores de Cartão Jovem e maiores de 65 anos: 50% de desconto
    Visitas de Grupo com guia: tarifário próprio, necessária marcação prévia
    Isenções
    - Menores de 18 anos
    - Amigos de Serralves
    - Estudantes do Ensino Superior (Licenciatura e Mestrado)
    - Domingos: 10h00-13h00*
    *bilhete gratuito válido até às 14h30


    Museu Nacional de Soares dos Reis - Porto
    Ingresso
    Bilhete Normal – 5,00 €
    Descontos
    50% Pessoas com idade igual ou superior a 65 anos; portadores de deficiência; 

    Bilhete Família - filhos menores (15-18) desde que acompanhados por um dos pais – 2,50 €
    60% Portadores de cartão Jovem - 2,00 €
    Passes dos Museus e Palácios do IMC
    Dois dias - 7,00 €; cinco dias - 11,00 € e sete dias - 14,00 €
    Isenções
    . Entrada gratuita aos Domingos e feriados até às 14h00
    . Crianças até aos 14 anos
    . Membros da APOM, ICOM, Academia Nacional de Belas-Artes, Academia Portuguesa da História e Academia Internacional da Cultura Portuguesa (devidamente credenciados)
    Investigadores, jornalistas e profissionais de turismo (devidamente credenciados)
    . Professores e alunos de qualquer grau de ensino no âmbito das visitas de estudo, desde que comprovadas documentalmente a sua condição (cartão pessoal) e o contexto da visita (por documento emitido pela respectiva instituição de ensino).
    . Mecenas institucionais do respectivo museu
    . Membros do Grupo de Amigos do Museu
    . Funcionários dos serviços e organismos do Ministério da Cultura (devidamente credenciados)
    . Portadores do Porto-Card

    10/13/11

    Polémica no Facebook - sabes que ela se está a fazer difícil...



    Há uns tempos atrás um amigo meu colocou repetidas vezes no seu mural do Facebook um fotografia. Eu já não recordo o tema da mesma mas sei que não podia ser classificada como imprópria à luz dos termos de uso da rede. Em virtude desse facto o seu perfil foi apagado sem contemplações. Ele pensou que algum inimigo pessoal ou embirrador de estimação tivesse denunciado a sua conta, mas do meu ponto de vista o César apenas tinha feito spam e de acordo com os termos de utilização isso é motivo para o nosso perfil ser mandado às urtigas pelos senhores do Facebook. O César Figueiredo foi vítima do Big Brother do Facebook.

    Nos seus termos de utilização do Facebook lemos o quanto ele preza a nossa privacidade. A sua preocupação connosco é de tal ordem que está constantemente de olho naquilo que os nossos amigos possam fazer pois nós, Nós, amigos dessa pessoa, podemos ser incomodados com as suas postagens na wall e como somos desprovidos de inteligência para puder ajuizar e reagir em conformidade, o Facebook intercede. O Facebook actua assim como uma espécie de pau-de-cabeleira das amizades, zelando para que todos continuemos amigos e queridos uns dos os outros. Eu gostava de ter uma palavra a dizer em relação ao comportamento dos meus amigos ANTES do Facebook exercer o seu direito automático de apagão de perfis. Eles são meus amigos e eu dei-lhes acesso aos MEUS domínios. Mas não. A conta do meu amigo foi apagada, ele ficou danado e com razão, e eu, alvo da proteção do Facebook, não fui vista nem achada. Mas se eu e mais um punhado de gente dissermos ao Facebook que não gostamos de uma página que brinca com a violação...o Facebook assobia para o ar em nome da liberdade de expressão!

    Quando entramos no Facebook até parece que nos vamos casar ou coisa do género. Estabelecemos um compromisso com ele. Nada de postar comunicações comerciais não autorizadas, nada de spam, nada de acessar o Facebook usando meios automatizados, nada de fazer marketing multi-nível ilegal tipo esquema de pirâmide, nada de intimidar ou perseguir qualquer usuário, nem pensar em publicar conteúdo odioso, ameaçador, ou pornográfico, violência implícita, nudez ou violência gráfica ou gratuita.

    Perante isto seria de esperar que um grupo do Facebook que contém piadas à violação tivesse sido retirada do ar. Mas, pasmem, nada disso. Nem após 5000 protestos no Reino Unido e 176 mil assinaturas numa petição online nos EUA. A página tem actualmente mais de 200.000 Likes. A culpa foi da BBC que publicou isto e isto. O grupo, até aí pouco divulgado, viu-se alvo de uma multidão de acessos. O criador do mesmo, que diz não apoiar a violação como acto, tem-se em alta consideração, e na sua opinião apenas se trata de uma brincadeira entre eles e os seus amigos, quem acha que é algo grave são apenas os “pobres de espírito”! Uma brincadeira a que chamou You know she's playing hard to get when you're chasing her down the alley, ou seja, Sabes que ela se está a fazer difícil quando a persegues beco abaixo, ao que juntou a sugestiva fotografia de um beco escuro. Violação é sempre sinónimo de violência, entre mulheres e homens. Brincar com violência, indicia má formação de carácter. Violência não contextualizada não serve qualquer propósito, começa e esgota-se aí.  Neste momento crescem a troca de comentários entre os defensores da liberdade de expressão e os que defendem que as vítimas de violação se sentem duplamente ultrajadas primeiro com a criação deste grupo e depois com a sua manutenção no ar pelo Facebook.

    Para o Facebook a liberdade de expressão é muito importante. Pena que o bom senso não o seja também. O medo que têm de acusações de censura conduz a que haja margem para muitos conteúdos graves circularem na rede que é grátis e sempre será. O que torna toda a circulação da estupidez uma completa borla. De acordo com declarações do Facebook à BBC, o pessoal que passa à lupa os conteúdos frequentemente encontram gentinha a discutir e a postar sobre temática polémica mas entendem que o que é polémico para umas pessoas para outras não passa de bolas de sabão - uma ofensa para um pode ser entretenimento da melhor qualidade para outro. Por isso nada há a fazer. E até dão um exemplo: uma pessoa que num bar conte uma piada grosseira não vai ser corrida de lá por isso. De igual modo o Facebook também não corre da rede o grupo que faz piadas com a violação. Resta saber se o dono do bar não expulsaria o humorista se a maioria da clientela se queixasse do sucedido e o classificasse de mau gosto. O Facebook manteve a sua convição: grupos ou páginas que expressem uma opinião sobre um estado, instituição ou conjunto de crenças - mesmo quando as opiniões sejam ultrajantes ou ofensivas para alguns – não violam as suas políticas da trampa, é mesmo o que apetece dizer. Essas discussões, diz ainda, são reflexo das conversas que as pessoas têm nas suas casas, nos cafés, ao telefone. Sim, certo, já sabemos como as pessoas cultivam a desinformação, o absurdo, o vil, o mesquinho, o inútil, o obsceno, no covil das suas casas. Eu posso chamar filho da puta ao meu patrão no recanto do meu covil e sei que nada de grave ocorrerá. Se o fizer no Facebook, arrisco-me a sofrer consequências, o Facebook é um lugar público com 800 milhões de utilizadores.

    O que eu concluo depois de ter espreitado a página e de ter visto aos 300 comentários é que se o Facebook faz receita com publicidade ele nunca vai apagar nada, página ou grupo, capaz de  gerar uma tamanha movimentação de usuários como essa. Também o dono do bar não expulsaria o humorista inconveniente a não ser que a clientela ameaçasse deixar de frequentar o seu estabelecimento. Mas alguém quererá deixar o Facebook?

    Além do Facebook ter apagado a página do meu amigo César Figueiredo sem apelo nem agravo, existem casos mais populares do que esse. Em 2009 estalou a polémica porque o Facebook entendeu que fotos de mães a amamentar era obscenas, pornográficas, de conteúdo sexualmente explícito! Como dizem os americanos WTF = what the fuck?!! Não estavam contra o acto em si, pudera, mas sim contra a exposição dos mamilos desnudos! Como é que se amamentam bebés com mamilos vestidos?! O Facebook não é deste mundo e depois ainda me olham de banda quando declaro o meu amor ao Blogger! Holly shit! Um mamilo! Barry Schnitt, porta-voz do Facebook, - cujo nome até rima com shit – diz que foi para proteger os mais jovens usuários do site - lembro que a idade mínima para aceder são os 13 anos, logo, altamente improvável que aos 13 anos os jovens nunca tenham visto um mamilo, certo? Até desmaiavam com tamanha descoberta. Que toda a nudez seja castigada, declarou o Facebook! Em Janeiro de 2011 foi a vez do The Leaky Boob ver a sua página banida, mas depois foi reposta. Apenas defendem a amamentação como benéfica para os recém-nascidos. O Facebook também não remove páginas de negação do Holocausto por uma questão de liberdade de expressão e porque deseja manter a consistência das suas políticas...e nisso cabem as declarações ignorantes das pessoas sobre factos históricos, nomeadamente esse, declarou! Parece que para o Facebook meia palavra não basta mesmo que o entendedor seja bom, muito bom. As declarações de ódio têm de ser mesmo, mesmo explícitas, do tipo" I hate muslims in OZ”, um exemplo de página que foi banida. Do meu ponto de vista a malta que trabalha para o Facebook ou tem preguiça mental ou défice de neurónios tal é a manifesta incapacidade para fazer uma leitura que vá além do sentido lateral dos conteúdos. Quererei eu estar numa rede governada por crâneos tão pouco habilitados? E você?

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