31/12/18

Frases de 2018 que deram que falar



"Foi erro meu, e eu sinto muito"
Mark Zuckerberg , CEO do Facebook, sobre a falha da rede social em proteger dados dos usuários.

“A União Europeia é quase tão ruim quanto a China, só que menor” 
Donald Trump, Presidente dos EUA

“Em menos de dois anos, meu governo fez mais do que quase qualquer administração na história do nosso país. É verdade. Eu não esperava essa reação de vocês, mas tudo bem”
Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, no discurso na ONU, perante risos da assistência.

"Alguém deste debilitado e famélico regime deve informá-lo que eu também tenho um botão nuclear, maior e mais poderoso que o dele, e que o meu botão funciona"

Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, em resposta à afirmação do líder norte-coreano, Kim Jong-un.

“A educação é quando a avozinha ou o avozinho vai lá a casa e a criança é obrigada a dar o beijinho à avozinha ou ao avozinho. Estamos a educar para a violência sobre o corpo do outro e da outra desde crianças”

Daniel Cardoso, professor universitário e activista da diversidade sexual e de género, no programa Prós e Contras da RTP, quando fazia um comentário sobre consentimento.

“Foi chato, mas amanhã é um novo dia. O crime faz parte do dia a dia"

Bruno de Carvalho, Presidente do Sporting, falava após a invasão da Academia de Alcochete, em que membros das claques agrediram jogadores e equipa técnica do clube de Alvalade, em Maio.

“A tauromaquia não é uma questão de gosto, é uma questão de civilização”

Graça Fonseca, ministra da Cultura, recém-chegada ao Governo, na sua primeira intervenção no Parlamento

Por muito tempo, as mulheres não foram ouvidas e foram desacreditadas se elas ousassem falar a verdade diante do poder daqueles homens. Mas o tempo deles acabou."

Oprah Winfrey, apresentadora e empresária, sobre os movimentos Time’s Up e #MeToo em discurso na cerimónia dos Golden Globes.

Lembra-se de mais alguma?

29/12/18

Embriagai-vos! - Charles Baudelaire



Embriagai-vos!
(Trad. Paulo de Oliveira, 1937)

Deveis andar sempre embriagados. Tudo consiste nisso: eis a única questão. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos quebra as espáduas, vergando-vos para o chão, é preciso que vos embriagueis sem descanso.

Mas, com quê? Com vinho, poesia, virtude. Como quiserdes. Mas, embriagai-vos.

E si, alguma vez, nos degraus de um palácio, na verde relva de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, despertardes com a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo que gene, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são. E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio vos responderão:

- É a hora de vos embriagardes! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos! Embriagai-vos sem cessar! Com vinho, poesia, virtude! Como quiserdes!

O Facebook é uma máquina de fazer nuvens



O Facebook é uma máquina de fazer nuvens. Desde que apareceu, mais e mais pessoas andam com a cabeça nas nuvens. Na era pré-Facebook, uma pessoa saía da cama e abria a janela para o céu azul. Agora abre janelas virtuais para o azul do Facebook no seu smartphone. O azul do Facebook nunca é completamente límpido. Se alguma vez o foi talvez apenas em 2004, quando se deu o Big Bang do Facebook e eram apenas meia dúzia de estudantes a pasmar o olhar naquele azul novidade, ainda puro. Agora, e normalmente, o azul Facebook tem nuvens. Como sabemos, nem sempre o facto delas existirem significa mau tempo. As mais comuns aparecem com uma grande variedade de formas, sendo a mais vulgar a de um bocado de algodão. A base pode ir desde o branco até ao cinzento claro. Estas nuvens são sinal de bom tempo, surgem associadas a dias soalheiros. É é sob o signo do sol que se sucedem muitas das interacções na rede social: são como pedaços de algodão que que vogam na linha do tempo, não chegam a obscurecer o dia de ninguém, quando muito provocam alguma sombra sob a forma de reflexão passageira.

Mas também sabemos de nuvens que cobrem o céu e essas já causam diminuição da visibilidade porque pouca luz do sol as atravessa. Quando assim acontece no Facebook, uma das partes em presença na relação social virtual enxerga apenas meia realidade.  Vive a rede social veladamente, como quem usa óculos bem escuros:  se uma andorinha não faz a primavera, também não será uma nuvem ou duas que lhe vão estragar o azul Facebook. E se não topar com elas, melhor: elas não existem. Não é que seja deficiente a nível visual. É mais por não querer ver, como se temesse que, ao virar da esquina de uma nuvem, fosse forçada a olhar o sol de frente.

O tempo fica mais feio quando se trata de nuvens baixas, escuras. O sol não consegue atravessar as nuvens e, além disso, chove continuamente embora sem intensidade. Uma porção de pessoas há também que um dia mais ou menos longínquo olhou o sol de frente sem saber que havia um eclipse em curso no Facebook! E desde então cegaram completamente para o diálogo na rede. Aprenderam a lição de que nesta intempérie de palavras quem anda à chuva, molha-se. Pagaram o preço. Agora  vivem de olhos semi-cerrados, ardentes do sal que por lá se acumula, de lágrimas que não secam nem brotam, recusando-se, em silêncio, a ser fulminados. Desengane-se quem pense que não conseguem ver a luz pelo intervalo dos pingos. Na verdade, à distância vê-se por vezes melhor do que perto.

Outras vezes o azul está repleto de nuvens de tempestade e há trovoadas, aguaceiros, granizo e até tornados que varrem amigos virtuais de longa data para longe. Ocorrem isoladamente ou em grupos. Neste cenário as pessoas andam às cegas, mas teimam que não. No entanto, a única luz que atravessa o cenário é a dos raios eléctricos, que não ilumina, apenas vergasta. Recorrem ao insulto e a outras torpes formas de agressão mútua na tentativa de que os seus oponentes vejam a luz da razão. Da sua razão. A porfia pode estender-se de minutos a horas, e por vezes, dias. Quando a bonança chega, descarrega um sentimento de vazio: ninguém ganhou, ninguém perdeu. A não ser tempo, precioso tempo. Mas eis que o azul Facebook está de novo mais azul. Até que, no horizonte, se começam a formar nuvens. Como sabemos, nem sempre o facto delas existirem significa mau tempo. As mais comuns aparecem com uma grande variedade de formas, sendo a mais vulgar a de um bocado de algodão.

28/12/18

Natal em Ousilhão: máscaras, vinho e pão!

 Caretos de Ousilhão
 Máscaras e Gaiteiros da Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Ousilhão

E, de forma abrupta, os católicos que num dia foram convidados a adorar o Menino Jesus placidamente deitado nas palhinhas sob o olhar enlevado de todos quantos o rodeavam, são, 24 horas depois, a 26 de Dezembro, convocados a celebrar o Dia de Santo Estevão. Da natividade e do presépio passa-se para o martírio. Estampas e pintura religiosa abundante não são agora tão amáveis no tratamento deste episódio que até parece um grande spoiler, estrategicamente colocado para estragar a alegria de todos os que celebram o nascimento de Cristo: "Não esqueceis, Ele morre na Páscoa".

Pintura  de Giorgio Vasari
A pintura religiosa apresenta inúmeros exemplos da representação da horrível morte de Santo Estêvão por lapidação. Independentemente de sermos religiosos, ou não, é difícil ser insensível à morte de um homem que, apanhado no jogo dos falsos testemunhos, é morto após pungente defesa, pelas ideias religiosas, diferentes, que professava. Não era um extremista, Mas assim deve ter parecido aos olhos dos judeus, que, sobretudo, o deviam temer. Muitos pintores trataram o bárbaro episódio. É sobre o martírio de Santo Estêvão a primeira pintura que Rembrandt assinou. Por regra alguns homens num grupo erguem pedras de todo o tamanho enquanto outros as arremetem já contra um homem de manto vermelho-dourado, que se encontra caído. É Estêvão, um judeu, convertido ao cristianismo. Sábio e hábil na palavra, convertia depois quem o escutava e assim provocava a ira fácil dos judeus, que não conseguiam derrubar nem o seu saber nem o seu espírito. Acusado de ter uma atitude subversiva, foi detido pelas autoridades judaicas e levado diante do Sinédrio (a suprema assembleia de Jerusalém), onde foi condenado por blasfémia, sendo sentenciado à morte por lapidação. É o proto-mártir, significando isto que foi o primeiro a morrer pela crença católica, o que aconteceu um ano após a crucificação de Cristo.
Pintura de Rembrandt

Em Portugal, a devoção a Santo Estevão é antiga e não faltam festas em sua honra, e outras marcas culturais a ele associadas, muitas igrejas com o seu nome, ermidas, freguesias, ruas, miradouros, etc, que a cada passo no-lo recordam. Quem tenha algum interesse pela cultura popular e pelas tradições, já talvez tenha ouvido falar de Ousilhão, uma freguesia do concelho de Vinhais, Alto Trás-os-Montes, onde o Natal se celebra de forma um pouco diferente do que é comum pois coincide com a festa em honra de Santo Estêvão ou Festa dos Reinados, nos dias 25 e 26 de Dezembro, cuja designação mais comum é a Festa dos Rapazes ou Festa das Máscaras. De origem pagã, este culto primeiramente associado ao solstício de inverno, foi adaptado e integrado pelo Cristianismo. É uma tradição com origem em antiquíssimos rituais de passagem da adolescência para a vida adulta. Apenas membros do sexo masculino até aos 16 anos podiam inicialmente participar, e havia provas destinadas a atestar a maturidade, que hoje já não se repetem. Os tempos também ditaram o fim do monopólio masculino e, hoje,retiradas as máscaras,  já surgem faces de raparigas.

Cartaz de 2013

Imagino que em tempos antigos, quando Ousilhão - e a região -  não tinha ainda sofrido o impacto da desertificação do interior rural, de que todos falam mas de que ninguém quer realmente saber, e ainda se podia viver da agricultura, com algum conforto, fosse enorme o impacto desta festa, com muitos rapazes jovens a participar, relações de vizinhança fortes e muitas casas para visitar. Quando o labor nos campos se aquietava, a comunidade celebrava, junta, dali saindo reforçados os laços de união e o  futuro de boas colheitas, que ficaria comprometido sem obediência ritual. Mas nos anos 60, quando começou o êxodo do país rural, talvez Ousilhão tenha perdido a juventude e por isso é com espanto que constato que semelhante tradição tenha conseguido sobreviver. No entanto, ao ver alguns vídeos no Youtube, quis-me parecer que muitas pessoas regressam ali nesta altura festiva com o  desejo firme de contribuir para a continuidade da festa. Imagino ainda que, alguns, desabituados já dos velhos costumes, se demitam de participar. Por outro lado, penso que a festa se reveste até de interesse turístico, mas considero que permanecer mais ou menos iludida pela distância de Bragança no mapa, e demarcando-se como festividade bem local e quase familiar, a possa ajudar a permanecer mais pura e imune à comercialização própria da turistificação, que tantas vezes acaba por falsificar as experiências e acabar com a sua genuína feição. Talvez o inóspito da região, terras altas, de montanha, planaltos e prados a que os locais chamam lameiros, onde, no inverno as lareiras se mantêm acesas em contínuo, convidando à confraternização abrigada, desincentive a viagem a este lugar remoto, de paisagem e ares tão limpos quanto raros. Seria uma pena que os caretos um dia fossem reduzidos a espectáculo, a uma exótica performance, por um turismo  incapaz de fazer o esforço de apreender o seu real significado. Os fatos garridos e as máscaras são apenas a face mais visível de uma tradição com sentidos e raízes, parece, no tempo dos Romanos, e com profundo sentido comunitário.Confesso que gostaria de passar um Natal em Ousilhão, de acordar a ouvir o chocalhar e o som da gaita de foles,  mas, ao mesmo tempo, vejo a Festa dos Rapazes como, sobretudo, uma vivência local, e embora não duvide da hospitalidade da gente de Ousilhão, talvez me sentisse uma intrusa! Francisco Manuel Alves, o Abade de Baçal, pároco, etnólogo, investigador e homem da cultura, foi um dos que primeiramente registou a essência das festas, contribuindo para despoletar o seu interesse junto de terceiros.

No site da Junta de Freguesia explica-se tudo sobre a festa e aconselho a leitura. Mas faço aqui um pequeno resumo dos singulares acontecimentos.  Uma da figuras da festa de Ousilhão é o rei, que hoje é desprovido de poder, um rei simbólico, mas antigamente o mordomo absoluto, e tem dois vassalos. Veste fato e gravata, usa uma coroa feita de cartolina verde, com enfeites a  ouro. Traz um ceptro de madeira na mão direita, com uma fita de seda branca, e uma laranja espetada na ponta. Os vassais vestem com mais modéstia e usam varas. Além destes, existem os moços, os mordomos, enfeitados com chapéus adornados com fitas longas, coloridas, castanholas, que animam os cortejos, e lenços pelos ombros. São eles os rapazes que dançam e cantam à roda da mesa nos vários lares de Ousilhão, ao som da gaita-de-foles e ritmos do bombo e uma caixa. Também fazem o peditório durante as rondas. As figuras mais conhecidas da maioria de nós, mesmo que não saibamos apontar Ousilhão no mapa, são os caretos - que em Ousilhão se chamam "máscaros", e de quem se espera comportamento endiabrado. Usam as máscaras  esculpidas em madeira e fatos de casaco e calça feitos em colcha de lã com franjas coloridas, de cor vermelha, verde, azul ou amarela, com capuz, também franjado, e cinto de chocalhos ruidosos às costas.

No dia 25 de Dezembro é dia de peditório para o menino Jesus, que começa no largo da igreja, o mesmo local onde vai terminar horas mais tarde após a volta a todo o povoado. É a chamada Ronda das Boas Festas, que leva estas personagens de visita às casas, onde são recebidos  e entram, para dançar ao redor da mesa posta, com pão e vinho, produtos de fumeiro, aguardente, figos, e outras coisas doces da época, que são depois oferecidas em agradecimento, além de esmola para o Menino Jesus ou para a festa. Primeiro entram os moços, depois os máscaros, que fazem diabruras, até mesmo pequenos roubos. À noite realiza-se a galhofa, dantes uma luta para medir forças entre os rapazes num curral, hoje é um baile onde se canta e dança até poder. No dia 26, tudo se repete, mas o dia é dedicado a Santo Estêvão. Neste dia tem lugar a Ronda das Alvoradas, começa cedo, e o dinheiro recolhido é para Santo Estêvão. Os versos que se cantam são assim:

Alvoradas, alvoradas!
Pela manhã muito cedo.
Vamos dar as alvoradas
Ao milagroso Santo Estêvão.

Alevantem-se os senhores
Desses escanos dourados
Dar esmola ao Santo Estêvão
Que esse vos dará o pago.

Ao início da tarde é celebrada uma missa em honra de Santo Estêvão. Os mascarados não podem participar nesta celebração já que são a encarnação do mal, mas rei e vassalos são recebidos à porta da igreja pelo pároco da freguesia, abençoados, e assistem junto ao altar-mor, ladeados pelos moços. O rei veio em cortejo desde a sua morada, liderado pelos músicos, com os vassalos,  em carro de bois, acompanhado de muitas pessoas, e ao seu redor, fazendo loucas, os máscaros. Os cânticos religiosos são substituídos pelos sons da festa e o pão é benzido em cestos. Após a celebração, o andor de Santo Estevão é carregado pelos moços para fora e dá uma volta à igreja, em cortejo, seguido pelos fiéis.

No final da missa tem lugar uma refeição colectiva, ao ar livre, que é a mesa do Santo Estêvão, onde não pode faltar pão e vinho, doces e até produtos hortícolas, ovos e outros. Os máscaros, que tinham ordem de ficar sossegados durante a missa, regressam. A mesa é presidida pelos elementos que participaram e  pelos novos, que vão assumir a responsabilidade da festa, o presidente da junta de freguesia e o padre. Os moços distribuem o vinho e o pão que o padre benzeu durante a missa a todos, inclusivamente a forasteiros. O padre também benze a mesa e faz uma oração em memória dos mortos, e é ele que retira a coroa da cabeça do rei velho e a coloca depois na do novo rei, e que entrega as varas aos novos vassalos. A mesa será leiloada e arrematada. Depois dos comes e bebes, da dança e saudações, tem lugar novo cortejo, o rei é levado em carro de bois até à sua morada, enquanto arde uma ou várias fogueiras e o fumo se eleva no ar. À noite tem lugar mais uma galhofa e, entre muita animação, assim termina a festa.

Lista de sugestões:

Sobre a freguesia de Ousilhão,  site da União de freguesias de Vinhais, Bragança
Muitas fotografias das máscaras no site Sketches of Iberia
Um breve relato fotográfico da festa em Ousilhão, no blogue Ferrado de cabrões
Um video filmado por estrangeiros, que elogiam a hospitalidade e cordialidade que encontraram. Eram os únicos estrangeiros de visita a Ousilhão, além de repórteres, nacionais e estrangeiros( Espanha, Japão) na ocasião, em 2017. A música é de um grupo galego.
Quem foi o Abade de Baçal, que deu a conhecer as festas de Ousilhão
Caretos de Ousilhão, video - Máscaras e Gaiteiros da Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Ousilhão


26/12/18

Receita de Natal : Bolo Tronco de Natal



Este Tronco de Natal é uma receita do canal Receitas do Paraíso, do blogue Receitas do Paraíso. Tinha prometido aos meus comensais fazer um Tronco de Natal. Sem forno, não podia usar a receita que conhecia, com muitos ovos, e que exigia um grande tabuleiro. Fui ver ao Youtube e receitas de Troncos de Natal é que não faltam. Mas eu precisava de uma receita de pouca quantidade de massa. Ver a receita filmada deu-me alguma confiança. Pareceu-me que a podia fazer no pequeno forno eléctrico. Segui as porções para a massa mas juntei raspa de laranja. A cobertura que fiz é diferente, - leva natas, manteiga e chocolate preto, não leva nem leite, nem açucar, nem farinha. Deve ser mais amarga e mais dura que a do video. Mas já a tenho usado e sabia como ficava, pelo que preferi.

Gostei do resultado! Ficou um tronco com um tamanho razoável, embora não desse para enrolar muito. Creio tê-lo achatado demais e  devia tê-lo deixado cozer menos. Mas foi a primeira tentativa! Para o ano já deverá sair melhor! Para decorar bem que gostava de ter usado a plantinha verdadeira! Mas era difícil encontrar aqui. Pensei em groselhas ou cerejas cristalizadas, folhas de cidreira e outras hipóteses.  Depois acabei por resolver utilizando uma decoração de Natal que não tinha usado. Separei o raminho, lavei tudo, e desinfectei e em vez de um, que seria enorme para um tronquinho com esta dimensão, fiz dois raminhos. 

O bolinho ficou gostoso e foi muito elogiado. Os meus agradecimentos à Fernanda Meneses, que me ajudou a resolver o berbicacho! Feliz Natal!





25/12/18

Presépio em movimento - Figueira da Foz



Na Rua José Nunes Medina, na Chã, Figueira da Foz, um presépio tradicional. Os moradores da casa, um casal, vieram dizer-nos, quando parámos para ver de perto, que demorou dez dias a montar e que já o fazem há muitos anos. Não ficámos a saber quantas horas terão sido necessárias para fazer os mecanismos que animam as figuras. Esses e até algumas casas, são fruto do labor de um só homem. Talvez já não seja possível fazer a conta ao total de horas de trabalho e dedicação acumuladas ao longo de anos.
O presépio está na família há mais de 60 anos. São talvez 800 imagens, uma vintena de cenas animadas e algumas com água. A água faz movimentar uma azenha, a roda gira na perfeição, e, próximo, também se pode ver um burrinho à volta, conduzido por um homem: é um engenho chamado nora, que hoje raramente deverá ser encontrado a funcionar em alguma zona rural do país. Ao lado, um grupo de cavadores, de enxada na mão, amanham a terra. O barbeiro corta o cabelo a um cliente, é vizinho de um marceneiro; um grupo de mulheres anda num corropio e um rancho volteia, sem cessar! As típicas figuras do presépio lá estão: S. José, Maria, o menino, os animais, os reis, os pastores. Alguns moinhos, um castelo. Muitas casitas bem dispostas e compostas entre o musgo e outras plantitas. 
O conjunto é harmonioso. O presépio foi elaborado com perícia e sentido estético apurados, talvez fruto de muitos anos de prática do "Quim Patracol", o seu  dedicado construtor. Merece a visita apreciadora de todos os que passem por perto e a moeda na caixinha, que o faz ganhar vida, fará a diferença!







 


23/12/18

O fantástico presépio de Natal da Maria Teresa - Marinha Grande


Na Marinha Grande, na rua Marquês de Pombal, bem perto da Câmara Municipal, mesmo no centro da cidade, está todo o ano montado um curioso Presépio de Natal. Ocupa o que parece ter sido uma loja, digo isto pela existência de montras amplas e duas portas. Já tinha estado de nariz colado ao vidro, o ano passado, quando ao passar por ali, no verão, o vi pela primeira vez. Fiquei intrigada pela dimensão e pelas pinturas na parede. Este ano calhou passar de novo em plena época festiva e encontrei a porta aberta. Havia alguma animação no interior: várias pessoas, adultos e crianças, fotografavam as inúmeras figuras e deixavam moedas na concha de loiça do Pai Natal; outras conversavam com a simpática senhora de cabelos brancos, a D. Maria Teresa, que explicava sobre o presépio, acompanhada da jovem neta, que também respondia às questões dos visitantes mais interessados. Fiquei a saber que era a responsável pela actual colecção de 1600 peças, que já foram 2800, mas porque tem dado várias para outros presépios, o número tem vindo a diminuir. A D. Maria Teresa explicou-me que é de uma terrinha ali próximo, da Martingança. Foi lá que originalmente começou a reunir as peças e a montar o presépio. Trouxe-o quando veio para ali viver ao lado. A propriedade é sua, e, desocupada, ela deve ter resolvido metê-la a bom uso. Ela, amigos e familiares, todos deram uma mão, quer a pintar as paredes do espaço, quer a retocar os telhados das casinhas ou a recolocar o musgo os cactos e outras plantinhas, e a limpar a fonte quando entupida, deixando a água de correr.

A minha supresa foi grande quando, ao examinar de perto o presépio de Natal, que ganhou luzinhas e musgo fresco, desde que o vi, no verão,  me apercebi da diversidade de cenas e figuras ali dispostas. Não será o Presépio Tradicional que se espera mas é imensamente divertido observar o acidentado terreno e descobrir, por exemplo, um laguinho onde cohabitam peixes tropicais, tartarugas e uma estrelas-do-mar de cor vermelha. À volta, pacientes, alguns pescadores tentam a sua sorte e muitos porcos ali se juntam para matar a sede. Mas também um pinguim que deve andar de olho em algum dos peixes! Ali mesmo ao lado parece estar um caganet, figura tradicional dos presépios da Catalunha, de calças deitadas abaixo, boina azul e cachecol. Vi um grupo de perús, com o seu guardador, a que não falta um alguidar de verdadeiro milho. E um grupo de gado, algumas ovelhas, e  burrinhos guardados por uma zebra. A nenhuns animais falta comida: para estes, um monte de feno! E esta zebra tem uma história, contou-me a D. Maria Teresa. Um miúdo dos seus doze anos, acompanhado pelo pai, lhe terá pedido, há muitos anos, se ela deixava que ele trouxesse para li uma zebra para guardar os seus burrinhos. E ela disse que sim, pois que trouxesse a zebra. O miúdo trouxe a zebra de porcelana, a que já  faltavam as pernas, e ela tomou o seu lugar no presépio. Passados dezasseis anos, um jovem homem apareceu para ver o presépio, com uma criança pela mão, e foi logo mostrar-lhe a zebra sem pernas, que ali ficara a cumprir a sua função de guarda, desde que ele a tinha trazido. Por perto andam galinhas e patos, são alimentadas, claro, por alguém que se encontra nas proximidades, e, na esperança de sobras, algumas aves alinham-se nuns troncos.

Disse-me a D. Teresa que encomendou algumas peças em Barcelos, por exemplo o coreto. Também os porquinhos e os perús foram encomendados. Mas muitas peças também lhe foram dadas. As pessoas têm-nas nos sotãos e perguntam-lhe se as quer. Ela não diz que não. E que assim este presépio é dela e também de todas as pessoas que o têm ajudado a construir. Por vezes as peças aparecem lá sem que ninguém lhe diga nada. Até pode passar algum tempo antes que ela dê por isso. A maior das surpresas aconteceu um dia quando alguém lhe deixou uma banda de bonecos azuis de Estremoz numa saca pendurada na porta, que ela descobriu, quando, de manhã, veio buscar a saca do pão. Até hoje desconhece quem fez a oferta!

São inúmeras as figuras humanas, porque neste presépio existem muitas casas onde morar. Há quem entre para ver e não goste da mistura pois há de tudo como se numa loja de velharias! Entre as figuras habituais destes cenários há bonecas de porcelana que parecem gigantes e que não jogam, nem na função, nem no estilo nem no tamanho, umas com as outras! Já por isso, a D. Maria Teresa colocou as bonecas maiores num plano mais afastado. Mas nunca iria recusar-se a dar-lhe morada no presépio: ali não há lugar a discriminação alguma. Por exemplo, diz-me que tem ali casinhas que vieram da Suiça e, por isso, são miniaturas de casas suiças e não portuguesas. - Imagine que a pessoa que ma deu com tanto gosto chegava aqui e não a encontrava! - diz a D. Maria Teresa. Há também várias  casas típicas da ilha da Madeira, outras que parecem ao estilo inglês, umas têm telhados vermelho vivo, outras laranja, outras, telhados brancos de neve. Juntam-se a estas,  fontes e fontanários, muitos moinhos, castelos, fortificações, capelas e igrejinhas! A procissão em honra de vários santinhos, São João e Santo António,  percorre o terreno, abrindo caminho uma garbosa banda de fardamento azul. Que não falte o ambiente de festa, com muita música! Ao todo são três bandas entregues à animação do lugar, até dá para fazer turnos. Seguem muitos anjinhos, vários andores e num, oferendas à pendura, mais propriamente, presuntos, que parecem bem defendidos por um guarda de uniforme azul e botas, montado a cavalo. As lavadeiras, de trouxa de roupa à cabeça, pararam para deixar passar a procissão, e um casal idoso também observa o desfile. Há quem não páre de trabalhar, por exemplo, o homem que conduz os bois continua a lavrar a terra como se nada de especial estivesse a acontecer...

Lá mais atrás, o que resta de uma casa de bonecas, uma sala de jantar. Há presentes no guarda-louça e as bonecas de roupa chique tomam o seu chá. Algumas são da Nazaré, estão de manto preto, chapéu e sete saias. As panelas de ferro, de três pernas, estão ao lume, perto do presépio. Uma vez mais, que ninguém aqui passe fome, nem animais nem pessoas. Os pastores estão por perto, com o seu rebanho, os reis magos chegaram já, mas um sofreu um acidente de percurso e apresenta fractura exposta nas costas: adivinha-se que foi salvo por mão enfermeira e cola transparente Pelikan. O anjo Gabriel, presença habitual,  presumo que tenha convidado o coro de 3 anjinhos, que muito prontos, segurando um libreto, cantam ao Menino Jesus, em palhinhas deitado. Uma casinha à sua frente, em material castanho, é feita em cartão, e o telhado até sai porque é um guarda-jóias, disse-me a neta da D. Maria Teresa. Do lado direito do presépio, propriamente dito, deve ser a zona de bar.  Já se tinha percebido que matar a fome a todas as criaturas é uma prioridade neste presépio, mas matar a sede também! E, como este presépio é concorrido temos um barril grandinho e mais dois outros, de tamanho menor, e copos. E, se não chegar, há garrafinhas de bebida para aquecer o corpo e animar e espírito!

Em zona mais afastada, perto de uma das entradas da loja, fica uma montanha e no topo encontra-se um estábulo que é quase uma Arca de Noé pois os animais estão todos aos pares: as vaquinhas, os coelhos, as ovelhas. O burrinho do filme Shreck, que só chegou este ano, disse a D. Maria Teresa, está ainda só. Mas não demorará até alguém lhe arranjar companhia. Perto de uma mansão luxuosa e iluminada, onde um comboio em marcha circular faz entrega presentes, um moinho de vento pintado de azul e branco, e, ao lado, um bebé vestido à antiga parece estar demasiado próximo de um crocodilo. O crocodilo até parece que vai de escorrega na pedra escura. Desconfio, no entanto, que ele esteja mais interessado no Lulu, o cãozito branco do Tintim, que está ali mesmo à mão se semear, ou de trincar, logo adiante! E no seu altar verde e prata, Nossa Senhora de Fátima, compete pela devoção! Os três pastorinhos, lá estão, ajoelhados, em demonstração de fé.

Em Dezembro não faltam presépios de norte a sul do país, uns com meia dúzia de figuras, outros com centenas, uns mais tradicionais, outros mais modernos. O fantástico presépio da D. Teresa é um exercício de imaginação, onde encontramos um insólito a cada ressalto do nosso olhar. Não é tradicional encontrar o Lulu do Tintim  num presépio ou bonecas da Nazaré. Mas é no seio desta aparente irracionalidade de uma caótica família de figuras de barro, palhinha, porcelana e plástico, que se percebe melhor ainda a mensagem do Natal: eis um presépio onde se acolhe a diferença com alegria. Neste presépio há um lugar para tudo e para todos, e todos são igualmente bem tratados: comida e bebida para o corpo, música para o espírito e alimento para a alma. Este presépio é um que dá e recebe, é um que põe em comum, que não aparta. Eu disse que era um presépio fantástico, espero tê-los convencido.

















19/12/18

De como salvei um rato de laboratório e falhei


Quando aluna do Liceu da Figueira da Foz, salvei um rato branco de ser escortaçado numa placa de cortiça na aula de biologia. Era procedimento habitual, muito científico e de elevado valor educativo, que se fazia na sala de aula de então. Um dia qualquer do ano lectivo, lá era dividia a turma em grupos e a professora trazia um gobelé gigante de vidro cheio de ratos fresquinhos de mortos. Não sei já os objectivos pedagógicos da sessão. Sei que pude cravar o animal à placa, abrir a barriga do roedor e remexer nos orgãos do bicho, mais ou menos à vontade. Depois retirei e desenrolei cuidadosmente o seu intestino, que, a final, medi. A pequena tripa acinzentada estendia-se pela mesa de uma forma surpreendente. A professora não gostou muito da façanha exploratória, mas a mim pareceu-me um feito digno de nota 5 no final do período. Que devo ter tido, mas não por causa da façanha descrita, como é óbvio. Nos "feriados", costumava ir rondar o laboratório onde, em pequenas gaiolas eram mantidos os ratos brancos, no seu diverso estádio de crescimento, alguns do tamanho de feijões, muito rosados, aninhados entre os caracóis de madeira aplainada, outros já de pelagem completa, a ferrarem os dentes miúdos em pequenos cilindros de ração, cujo odor enchia o espaço. Os ratos do Liceu não tinham tempo de crescer e de ficar assim gordos como este do video que podem ver abaixo, no Youtube. Tão pouco recebiam mimos. Antes de alcançarem o tamanho actual do meu indicador, eram mortos e depois de crucificados nas placas de cortiça,esventrados pelos estudantes do 9º ano. Não sei como convenci a professora, se a falar da minha admiração por Félix Rodríguez de la Fuente, ou da vontade de ter um animal de estimação mais exótico que os meus amigos. A senhora, cujo nome não me ocorre, apesar de ter sido das minhas professoras favoritas, não acedeu imediatamente ao meu pedido de levar um daqueles infelizes ratos comigo.

Rato branco
Rat cuddles - ver video no Youtube


Um dia, finalmente, entregou-me o pequeno rato numa caixa de fósforos. O exemplar foi logo baptizado como praga pela minha mãe que tentou dissuadir-me de ficar com o bicho de olhos vermelhos e cauda rosada: "Leva-me essa Praga daqui para fora", dizia, ao vê-lo a percorrer a alcatifa cor de mel com manifesta desenvoltura. (Neste ponto permito-me desvendar que, desde criança, eu levava tudo quanto era bicho para casa, de gafanhotos a caracóis, de borboletas a bichos de conta,  todo o ser que eu conseguisse apanhar era capturado e morria, enfrascado ou encaixado, escondido algures num pequeno quarto de arrumação que fazia as minhas delícias de refúgio infantil.)

A minha vontade prevaleceu e o minúsculo animal entrou no seio familiar. O rato começou por viver numa pequena gaiola de periquito, que era o que havia de mais adequado lá por casa para lhe dar abrigo. Logo se descobriu que era um entusiasta da fuga: passava pelas grades como água, o que ninguém adivinharia, porque eram estreitas. Ter-lhe chamado Houdini teria sido uma boa homenagem, mas nunca passou de "rato". Por precaução foi mudado para um enorme alguidar cor-de-laranja, onde, em vão tentava escalar o plástico das paredes, arranhando continuamente. À noite fornecia-lhe um pedaço de cobertor velho onde o bicho se aninhava, exausto, para dormir. À minha avó incomodavam sobretudo os excrementos. Sempre que tentava higienizar a casa improvisada e o agarrava, ele ferrava-lhe na mão, deixando-lhe a marca dos dentes na carne: "Ai o sacana!, - dizia, abrindo muito os olhos para mim, como se eu fosse a culpada ou mesmo como se tivesse sido eu a morder.

A memória não me assiste quanto ao detalhe de tudo o que depois aconteceu. Certo é que, um dia indistinto, o rato desapareceu sem rasto. Acordei e ele não estava, não sei se no alguidar laranja, se noutra casinha entretanto providenciada. Fez-se uma caça ao rato por todo o apartamento, um segundo andar espaçoso. A família tornou-se uma brigada de busca e salvamento. Gatinhei por horas, rastejei, perscrutei tudo quanto era canto, de pilha eléctrica em riste, adivinhei possíveis esconderijos, conjecturei sobre rotas de fuga, motivos - teria o roedor querido regressar ao laboratório e à companhia dos seus? Teria o rato cometido suicídio atirando-se da varanda para o relvado por não gostar da cor laranja do alguidar? O mistério era denso e insondável. Na minha demanda, até inquiri os vizinhos do lado, o casal de professores Silvina e Queirós. Tudo esforços inconclusivos. Nem vestígio do animal.

Até hoje desconheço o fim do rato de laboratório do Liceu, mas sempre desconfiei que tinha ali havido mão familiar. A hipótese que assentou com o passar do tempo, embora nunca provada, e firmemente negada, foi a de que a minha avó tivesse atirado o rato branco pela janela da cozinha, talvez um gesto impensado e reflexo na sequência de mais uma mordidela. Desse lado menos urbanizado da rua, erguia-se uma barreira de terra e vegetação junto a um muro, onde, num casebre vergonhoso, porque sem condições, durante muito anos viveu o célebre Paulino e a sua gataria. Quantas vezes o ouvi chegar noite funda, acompanhado da sua senhora: "Oh, meu Deus!", - exclamava - Ó Limão! Ó Limão!"- E logo, após outro típico Oh, meu Deus: "Ó Triana! Ó Tareco!" Os animais vinham alegremente ao seu encontro a qualquer hora do dia e da noite e ele, curvado para o chão, distribuía festas e meiguice por todos.

Nunca contei à professora do sucedido, envergonhada, por não ter conseguido estar à altura da situação. E dizia a mim mesma, em jeito de consolação, quando passava pelo laboratório, que, ainda assim, tivesse o rato acabado na pança do Limão, ou conseguindo evadir-se da sua nova morada e, na sua aventura, acabado esborrachado pelo rodado de um pneu, sempre teria tido um destino mais natural e digno que os seus irmãos, esquartejados sem préstimo na mesa estudantil da aprendizagem moderna.



18/12/18

Oscar 2019 para a Melhor Canção Original: quais serão as finalistas? Ouça e escolha.




Quinze músicas de quatorze filmes acabam de ser escolhidas para concorrer na categoria de Melhor Canção Original para o Oscar 2019! Agora vai ser votada a lista de finalistas.
Eis a lista das candidatas. Podem ouvi-las, conhecer o filme onde se encontram, e fazer as vossas apostas!


17/12/18

Sweatcoin, a app que te paga por andares a pé?


Duas mulheres e um segredo
"Sweatcoin. E...és pago apenas por andar!"
(Fonte: Instagram da Sweatcoin)
A Sweatcoin é uma moeda digital - não é criptomoeda - que ganhamos ao caminhar, ao ar livre, usando uma app num smartphone que se serve da leitura da posição no GPS, velocidade e consistência do esforço dispendido. A precisão do algorítmo ronda actualmente os 65%, estão a trabalhar no seu melhoramento.  Na realidade acumulamos pontos, chamar-lhes "moeda" foi uma liberdade criativa dos seus fundadores, que prenuncia o seu sonho, de uma criptomoeda, quatro anos após, ainda distante da realidade. Diferenciando-se  de inúmeros aparelhos e apps focados na saúde e forma física, esta app segue o caminho da motivação económico-financeira: o movimento do nosso corpo tem valor. Já sabíamos todos que tem um custo, agora a Sweatcoin veio dizer que tem valor económico! Tornou-se viral mas parece, em rigor, prometer mais do que dá. Ainda assim, vale a pena conhecer. Podem experimentar a Sweatcoin usando este link!

Sweatcoin, os homens à frente da app virtual
Os fundadores da Sweatcoin
Esta app (aplicativo) começou a ser desenvolvida em Londres, em 2014, pela Sweatco LTD, uma start-up. Os seus fundadores são Oleg Fomenko e Anton Derlyatka. Em 2016 vários orgãos de informação, por exemplo, a Reuteurs, relatavam o nascimento da Sweatcoin e planos para o seu futuro. A app parece ter vingado, continua a crescer em popularidade, do UK para os EUA, destes para a Europa.

A cada Natal e Ano Novo, fruto da habitual mesa tentadora e algum excesso, sempre entramos no novo ano com uma vontadinha extra de fazer um qualquer exercício para queimar calorias. Juntar a isso o incentivo de ganhar Sweatcoins pode auxiliar a concretizar o plano! Imagine que estabelece uma meta, por exemplo, não sou homem  nem sou nada se não ganhar 3 sweatcoins por dia! Por vezes é difícil manter o hábito de caminhar ou correr, a Sweatcoin pode ajudar à motivação necessária. 

Eis o cenário real: a recompensa é de 1 SWC (1 Sweatcoin) por cada 1.000 passos. Ou seja, não se iludam, é realmente preciso suar – e ao ar livre - para conseguir ganhar algo. A regra comumente citada nos sites de caminhadas é a da necessidade de 10,000 passos diários para beneficiar do exercício: são 7km. Em contas miúdas, deveríamos ser capazes de ganhar umas 10 Sweatcoins por dia. Todavia, logo à partida a app come 5%, uma comissão qualquer, e só ganhamos 0,95.

Dados sobre a Sweatcoin
Caminha e ganha!, diz a Sweatcoin

Obter a app é gratis. Não pede cartão de crédito, apenas o email, número de telefone, e nome de utilizador são inseridos. Os fundadores garantem que não vão vender os nossos dados. Mas esta questão é sempre controversa. Muitas vezes a informação é recolhida não porque seja necessária mas porque depois é vendida. A política de privacidade da app deve mencionar isso mesmo, quando assim  seja, e consoante a informação o utilizador pode autorizar ou não. Outro problema é a empresa não tomar o devido cuidado com dados que obtém, acabando eles por ser roubados. Podemos ignorar ou tomar precauções quanto a esta situação, por exemplo, ler bem a política de privacidade, aqui está a política de privacidade da SweatCoin , onde dizem que dados vão recolher e como os vão usar. Leia. Se discordar de alguma coisa, não instale. 

"Ocasionalmente, podemos coletar ou solicitar que você forneça informações pessoais, incluindo (sem limitação) o seguinte: seu nome, número de celular, endereço de e-mail, senha, endereço IP, identificadores exclusivos do dispositivo e outras credenciais de identificação, detalhes biográficos, fotografias e / ou informações de pagamento. 

 Como parte dos Serviços, podemos fornecer funcionalidades que permitem que você pesquise amigos usando suas credenciais do Facebook e, quando você optar por fazer isso, será solicitado que você permita que o Sweatcoin App acesse determinadas informações associadas à sua conta do Facebook, como seu nome, foto do perfil, gênero e lista de amigos. Desde que você consinta com isso, tais informações serão processadas por nós para identificar seus amigos do Facebook que são usuários do Sweatcoin App e permitir que você convide esses amigos do Facebook para instalar o Sweatcoin App.

Observe que, com o seu consentimento, coletaremos informações sobre sua localização e movimentos físicos para que o Sweatcoin App funcione adequadamente e monitore e verifique formas de movimento elegíveis. Você pode ligar e desligar o monitoramento de localização de tempos em tempos usando as configurações do seu sistema operacional do seu dispositivo móvel, mas, se você desabilitar essa funcionalidade, não poderemos coletar informações relacionadas à sua contagem de passos e GPS / Cell- Local de identificação que impedirá o rastreamento e / ou conversão de seus movimentos para Sweatcoins. Trabalhamos com terceiros de tempos em tempos (incluindo, por exemplo, parceiros de negócios, subcontratados em serviços técnicos, de pagamento e entrega, redes de publicidade, provedores de análises, provedores de informações de pesquisa e agências de referência de crédito) que podem nos fornecer informações sobre você. Isso pode incluir seu histórico de compras de parceiros de negócios que fornecem recompensas disponibilizadas por meio do Sweatcoin App."

As aplicações no Google Play também têm de cumprir as Políticas do Google Play e a Google remove as aplicações que violem estas políticas.

Uma vez instalada, podemos começar a acumular Sweatcoins. Mas, calma, não se pense que ao caminhar do nascer até ao pôr do sol se vai ganhar mundos e fundos. A app tem níveis e no primeiro nível (Mover Level), que é o nível grátis, só podemos ganhar 5 moedas por dia, 150 por mês. Que patifaria! Se formos uns verdadeiros andarilhos vamos querer subir logo de nível. Para conseguirmos isso temos de pagar. Não vamos gastar euros, vamos, sim, usar as Sweatcoins para subir para o Shaker Level. Aí já podemos ganhar mais moedas: 10 Sweatcoins por dia. O próximo nível de adesão é o Quaker, que custa 20 SWC por mês e permite 15 SWC por dia. O nível Breaker, são 30 SWC por mês para 20 moedas diárias, num total de 600 por mês; li que está previsto um nível chamado Trouble Maker mas é um mistério. Olhando para isto, estes limites e pagamentos, acho aborrecido e desmotivador que no nível grátis não se possa ir além das 5 moedas e também desconfio que não seja possível alcançar as 20.000 moedas necessárias para obter o iPhone. Seria preciso fazer algumas contas para ficar esclarecido e esclarecer-vos. A pulga ficou-me atrás da orelha. 

Brindes para trocar por Sweatcoins
Alguns dos brindes na loja Sweatcoin
Não é mentira que bens, serviços e experiências podem ser obtidos através da troca das moedas/pontos acumuladas, ou que possam ser doadas para a caridade. Para comprar aqueles sapatos que vemos lá em cima, precisamos de 75 Sweatcoins e ainda dinheiro vivo. Também existem ofertas que podem ser obtidas sem qualquer contrapartida monetária, um download, por exemplo. Pensem nisto na mesma lógica de tantos catálogos de brindes que existem em papel, como por exemplo, os das bombas de gasolina. Trata-se de um incentivo ao uso da app e da realização de exercício físico, e de uma recompensa pela preferência, nada de muito grandioso. Os únicos que neste momento estarão a ganhar dinheiro com a Sweatcoin são os fundadores da Sweatcoin. Outra constatação a fazer é a de que, até termos as Sweatcoins necessárias para trocar na loja virtual por algo que valha a pena, bem pode acontecer o produto desaparecer e não ser reposto, já que eles resultam de parcerias com empresas que podem não renovar a oferta.

A informação da app é clara: convertem-se passos em moeda. Não somos pagos para caminhar no sentido estrito. No blogue da Sweatcoin lê-se como esta app é, no presente, muito simples e transparente, as pessoas é que já estão a dar a volta ao texto em muitos artigos que li, ou porque não perceberam ou porque dá jeitinho fazer clickbait:

"Nós queremos que você ande. Mais. E por isso, nós recompensaremos você. Acreditamos que seus passos têm valor: para você, seu seguro de saúde, sociedade.Em suma: você anda, nós pagamos. E porquê? Porque você será mais feliz. Sua saúde vai melhorar. Você passará mais tempo ao ar livre. Você vai se sentir mais energizado. E nós queremos um planeta cheio de pessoas assim."

O futuro não é assim tão claro, para já não passa de um sonho, mas é inspirador:

"Nós vemos um futuro onde Sweatcoin é uma moeda para o uso diário: compras de supermercado, ou até mesmo pagar seus impostos. Portanto, assista a este espaço - ganhar Sweatcoins hoje pode ser um investimento inteligente amanhã. Junte-se a nós nesta jornada. Baixe o Sweatcoin hoje e nunca ande de graça novamente."

Ganhar dinheiro com as Sweatcoins é, todavia, possível. Quando tiver uma quantidade enorme delas pode obter um crédito no Paypal. Mas por essa altura já terá gasto as solas as vários pares de sapatos e ténis. Outra forma é juntar as moedinhas e depois oferecê-las no mercado informal a utilizadores que estão dispostos a comprá-las para adquirir uma oferta específica do site. O valor que estarão dispostos a pagar pode ser muito variável. Outra forma é não esquecer de ir ao mercado diariamente e clicar na Daily Reward para ver o anúncio e obter a paga. (Fiz isso e, para minha surpresa, era um anúncio em português sobre um aparelho auditivo.)


A Sweatcoin não tem  um câmbio oficial ou um mercado financeiro, ao contrário do que sucede, por exemplo, com a Bitcoin. A Sweatcoin não é uma moeda de blockchain - blockchain é a base tecnológica das criptomoedas e surgiu com o bitcoin, em 2008 - não tem um suprimento limitado podendo ger gerada infinitamente pelos usuários. Em Janeiro deste ano, os seus criadores anunciaram estar a tratar desse processo que permitiria a sua troca directa por dinheiro ou por uma criptomoeda como a Bitcoin

O melhor que podemos fazer é não pensar muito em ganhos que não sejam de bem-estar físico e emocional, quer imediatos, quer a longo termo, promovidos pelo esforço extra de fazer exercício ao ar livre utilizando a app. As Sweatcoins vão-se acumulando, e, quem sabe, um dia não poderemos ter a surpresa de fazer uma boa aquisição na loja ou obter um benefício inesperado.

Eu já usava um app para fazer o registo de passos no telemóvel pelo que acabo de mudar para a Sweatcoin, - foi o meu sobrinho que me falou nela e enviou o link para eu aderir - não se perde nada. Passarei a usar a aplicação nas minhas habituais caminhadas de manutenção, que nem sequer acontecem diariamente, pelo que só daqui a uns tempos terei dados mais concretos para informar, se entretanto a aplicação ainda estiver a bombar, pois a gente nunca sabe: um dia o investidor chave muda de opinião e lá vai o negócio!

A app funciona mesmo sem dados móveis, funciona na rectaguarda, e recupera na presença de wifi, enquanto existir um sinal de GPS, os passos registados. Não entendo isto muito bem, mas é o que se lê na informação.O telemóvel tem de contactar com os servidores da Sweatcoin uma vez por dia para poder medir esses passos. Só funciona em aparelhos que tenham chip GPS: nos Garmin e Fitbit, por exemplo, não dá. Alguns smartphones podem não ter um pedómetro instalado (acelerómtero e giroscópio) e também não podem usar a app.

Entra na Sweatcoin neste link
Se quiserem juntar-se a mim na experiência Sweatcoin, cliquem aqui para usar o meu link, caso em que serei recompensada com Sweatcoins! Quando tiver conseguido inscrever 30 Sweatcoiners entro no grupo dos Sweatcoin Influencers  com direito a obter recompensas mais interessantes, dizem eles. Bora lá instalar a app e caminhar, malta! Ano novo, corpo novo!

16/12/18

Calendário 2019 para CD-Box: download e instruções


Se fez o download do pdf do calendário 2019 para CD Box, uma oferta do blogue Palavras Cruzadas, aos novos subscritores da lista de correio, e agora está com dúvidas sobre como proceder, está no local certo para ser esclarecido. Vamos a isso!

( Uma nota para eventuais subscritores: após a sua confirmação da subscrição da lista, receberá na sua caixa de correio um novo email com o link para o download do pdf Calendário 2019. Esta lista de correio vai permitir-me enviar-lhe correio com notícias e até eventuais surpresas. Prevejo que isso suceda apenas de dois em dois meses. Em qualquer momento pode remover-se da lista.)

A montagem do calendário para CD Box é muito simples. Fiz uma pequena reportagem fotográfica para tornar mais claro o processo. 

Após o download, deve imprimir o calendário numa cartolina. O papel comum, de fotocópia, não será uma boa escolha pois a gramagem é muito baixa. As folhas brancas que se vêem na imagem são de cartolina de 170 g, da marca Sadipal. Vai precisar de um X-acto e de uma régua metálica para cortar as impressões do calendário, sobre a mesa.

Todos sabemos cortar papel com um x-acto mas convém sempre ter presente que a régua deve estar colocada sobre a parte impressa, que desta forma fica protegida de um deslise mais traiçoeiro da lâmina. Não utilize uma lâmina muito usada ou o corte vai arranhar a cartolina em vez de cortar.
São apenas 7 folhas, que se cortam num instante com o auxílio das guias - pequenos traços a preto  que encontrou nos vértices de cada quadrado e que assinalam as linhas de corte. Ei-las já cortadas.

Possivelmente terá uma caixa de CD algures no escritório ou em casa pronta para ser usada neste projecto DYI de Ano Novo! Tem de separar as três partes que a compôem e de as remontar. Repare: a parte de dentro, onde o CD se encaixa, se quiser, pode ser descartada. A base, a parte onde esta se encaixa, será a base do calendário. A tampa que fecha a caixa será o expositor: é lá que costuma estar inserido o booklet do CD; agora,  o espaço vai ser ocupada pela página correspondente a cada mês do ano.
  Para que a tampa se transforme em expositor basta que seja colocada ao contrário. Volte a base da caixa de CD para baixo e assente-a na mesa. Agora ensaie a posição da tampa. É fácil. Basta encaixar de novo. Não irá conseguir fechar a caixa porque a tampa fica voltada para fora. Observe como fica depois de pronto.

6º As 14 folhas (12 meses, capa e contracapa)  não cabem todas entre os suportes "meia lua" onde encaixa o booklet. Pode guardá-las debaixo da base ou cima dela. Na base também pode escolher colocar a contracapa na base e recolocar a caixa de suporte onde o CD é encaixado. Se fizer isto, já não poderá guardar quaisquer folhas debaixo dela, mas a base fica mais robusta. 

Já vi à venda na net caixas plásticas  especificamente destinadas a colocar as folhas de calendário para CD Box. Surgiram em virtude do sucesso deste velhinho projecto DIY, em tempos muito popular,  destinado a reutilizar caixas plásticas de CD.  A título de curiosidade fui procurar e descobri que já passaram dez anos desde que o meu blogue Papelustro fez oferta de um calendário CD Box.


Se desejar um calendário semelhante com fotografias de um qualquer outro tema, ou suas, ilustrações, citações, etc, posso produzi-lo para si. Contacte-me usando o formulário do blogue.