11/27/14

Mostra de cogumelos na Figueira da Foz - programa





11/12/14

A missão Rosetta, o Philae e o cometa


Hoje assistimos a um feito inédito. Missão Rosetta está de parabéns. Completados 10 anos de viagem, Rosetta encontra-se a cerca de 500 milhões de quilómetros da Terra, entre a órbita de Júpiter e Marte. O robot Philae desprendeu-se dela  e pousou finalmente no núcleo do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Pousar num cometa é uma manobra difícil. Este cometa viaja pelo espaço a alta velocidade, a 135,000 km/h, tem 4km de diâmetro e movimento de rotação, expele gases e poeiras, a superfície é irregular.  Não havia grandes dados sobre ela. O cometa não apresentava dados de actividade no momento do rendez-vous. Eles são activados pelo sol. Os gases gelados tanto à superfície como sob ela são sublimados, passam do estado sólido ao gasoso, e arrastam partículas para o espaço circundante ao núcleo criando uma atmosfera(coma), é  isto que gera a cauda luminosa característica ao longo da sua órbita.


Fonte da imagem

A distância da Terra ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko é tão grande que uma informação enviada pela sonda demora quase meia hora para chegar ao controle da missão, nada do que vemos acontece "ao vivo". A satisfação e o entusiasmo ultrapassaram as fronteiras da Europa como facilmente se constata nas redes sociais e na internet em geral e todos aguardam pela chegada dos dados com curiosidade. Até o Google festeja!



Este cometa foi identificado em 1969, por Klim Churiumov e Svetlana Gerasimenko, no Observatório Alma-Ata, no Cazaquistão. Percorre uma elipse em torno do sol a cada 6,44 anos, que começa para lá de Júpiter e vem até um local entre Marte e a Terra. O "P" em 65P quer dizer que é um cometa do tipo  "short period" que descreve uma órbita precisa à volta do sol que demora menos de 200 anos a completar.É de assinalar e também saudar a cooperação de vários países num tempo em que as divisões entre estados se tornam cada vez mais notícia. 



Rosetta é uma sonda que carrega consigo 11 experiências científicas e um robot chamado Philae, com mais 10 instrumentos adicionais. Tem 2.8 x 2.1 x 2.0m e os painéis solares medem 14 m de comprimento. Med 32 metros de uma ponta à outra dos painéis. Pesa 3000 kg, carrega 1670 kg de combustível e o Philae pesa 100 kg. A missão tem por objectivo levar a cabo o estudo mais completo de um cometa até agora realizado. Custou 1.4 biliões de Euros, dos quais 220 milhões são o custo autónomo do Philae. Estes números cobrem 19 anos de missão e é o preço de um moderno submarino. É dinheiro público colocado ao serviço da exploração do desconhecido, que muitos contestarão, em tempo de crise e de austeridade europeia. Mas o avanço tecnológico a esta escala tem muitas vezes aplicações práticas no dia-a-dia, não se refletindo apenas no desbravar do conhecimento humano ou deste ramo particular da ciência.

Rosetta foi lançada para o espaço em 2004 a partir de Kourou, na Guiana Francesa. O seu nome vem da Pedra Roseta, um fragmento de pedra com inscrições encontrada num forte do rio Nilo, por militares de Napoleão, e que levou à decifragem dos hieroglifos egípcios há cerca de 200 anos. Na mesma ordem de ideias a esperança dos cientistas é que esta Rosetta moderna lhes permita descodificar o mistério da evolução do sistema solar. Também graças a um obelisco encontrado na ilha de Philae, no Nilo, Champollion, um linguista e egiptólogo francês, avança na compreensão dos hieróglifos. Já na década de 1960, os templos da ilha seriam transportados para a ilha de Agilkia, para prevenir a sua inundação mercê da construção da barragem de Assuão. Agilkia foi o nome dado ao lugar escolhido para a aterragem do módulo.

Os cometas são os objectos mais primitivos do sistema solar e por isso contêm informação sobre a sua origem. A sua composição química não muda muito desde a sua formação, contrariamente ao que sucede com os planetas, e por isso reflete como era o sistema solar há mais de 4600 milhões de anos. Também se espera que Rosetta permita descobrir se os cometas contribuíram para o princípio da vida na Terra. Eles carregam moléculas orgânicas complexas, devolvidas à Terra nos seus impactos, e poderão ter tido um papel importante no papel da formação dos oceanos e da atmosfera.

Rosetta é a primeira missão a ultrapassar a cintura de asteróides e a depender da energia solar para geração de energia em vez da tradicional que recorria a geradores termo radioisótopos. A nova tecnologia dos seus painéis solares gigantes permite que a sonda opere a 800 milhões de quilómetros do sol onde a luz solar se situa apenas ao nível de 4% daquela que se verifica na Terra. Nos primeiros dois dias e meio o Philae vai usar uma bateria, nos três meses seguintes as baterias de reserva serão carregadas a partir dos painéis solares, mas não se sabe se o Philae aguentará tanto tempo na superfície do cometa ou se os painéis não se cobrirão de pó, o que impedirá o seu carregamento.

Rosetta foi construída na Alemanha envolvendo contributos de 50 entidades de 14 países europeus, Estados Unidos e Canadá. Mais de 1000 pessoas estiveram envolvidas no projecto. O centro de operações da missão está situado em Darmstadt, na Alemanha. Em 1986 uma sonda europeia passou a 600km do cometa Halley



A canção do cometa - É o som do cometa a avançar pelo espaço, é produzido por oscilações no ambiente do seu campo magnético. O "canto do cometa" não é audível pelo ouvido humano em virtude da baixa frequência. A frequência do som foi aumentada 10.000 vezes para ser audível.




E, para o fim, um apontamento humorístico!

11/11/14

Fui ver Interstellar




Um destes dias o meu sobrinho disse-me algo chocante, disse que estão a estudar o sistema solar e os planetas na escola, e que ele acha tudo isso uma seca! Eu sempre achei tudo isso muito fascinante. Tenho livros de astronomia que pedi aos meus pais de prenda quando era da idade dele. Mostrei-lhos e ele torceu o nariz. Não sai à tia. Mas tu e eu vemos tantos filmes de ficção científica, filmes sobre o espaço, com planetas e galáxias! – disse-lhe, muito pesarosa. –Pois é tia, mas isso não é a mesma coisa, -respondeu-me ele. Pois, lá nisso ele tem absoluta razão, ficção científica não é ciência. Isto vem a propósito de Interstellar, já andam por aí a arrasar o filme por maltratar a ciência. A minha bagagem científica não é grande, é alguma, muito básica. Assisto a este tipo de filmes sobretudo pelo entretenimento, não pela lição de ciência. Se quero ciência vejo um documentário ou leio um livro. Ou me divirto ou desmonto o filme cientificamente. Se não aceito as regras do jogo, não posso jogar. Evidente que existem erros que são atentados à inteligência. Mas convivo bem com alguma boa margem de erro e sobretudo tento aproveitar o espectáculo o melhor possível.

Christopher Nolan habituou-nos a filmes desafiantes, contou uma história do fim para o princípio em Memento, brincou com a mente e o poder dos sonhos em Inception, elevou o super-herói Batman aos céus do estrelato. Em Interstellar viaja no tempo usando um “buraco de verme” e o bilhete da viagem paga-se com amor filial, dor e sacrifício. Usou o 2001:uma odisseia no espaço como matriz visual – e pessoalmente gostava que tivesse vertido mais disso para o ecrã - mas insuflou-lhe um melodrama familiar, aproximou-se assim de Spielberg, que se terá desinteressado deste projecto, preferia que tivesse gravitado menos em torno deste, mas gostei que se tivesse lembrado de John Ford.
Nesta espécie de prólogo de Interstellar a questão que nos ocorre é que planeta iremos deixar para os nossos filhos. A humanidade não tem futuro. O campo de sonhos americano está transformado num pesadelo, as culturas a serem devoradas pelas pragas e engolidas pelo pó. A nossa espécie está condenada a morrer pela fome ou pela asfixia quando o oxigénio se esgotar. A ausência de um marco temporal específico é interessante – sabemos que isto é o futuro, mas não sabemos quando. Somos inquietados pela dúvida ao mesmo tempo que a similitude das casas, veículos e vestuário nos faz sentir ainda mais próximos daquele desastre. É como se o fim da humanidade estivesse para breve.

Nesse futuro sombrio parte das conquistas da humanidade foram abandonadas em nome da necessidade primeira: alimentar as pessoas. O mundo regrediu, o investimento é feito não em tecnologia e antes na agricultura, não na formação de cientistas mas de agricultores. Cooper, um engenheiro e piloto de testes à força convertido em agricultor– Mathew McConaughey em boa forma, novamente - diz que o homem deixou de olhar para as estrelas e sonhar para agora vaguear no lixo. A NASA é uma organização a laborar na clandestinidade pois as pessoas não admitiriam gastar dinheiro com a conquista do espaço. Em vésperas de apocalipse, o problema para o génio da NASA, o professor Brand, é levar para o espaço a sua arca de Noé, fazer um êxodo intergalático, coisa que o campo gravitacional da Terra não viabiliza. Outro plano possível é mandar astronautas para o espaço, pioneiros, exploradores capazes de encontrar um planeta onde a vida seja viável e proceder à sua colonização. E é assim que Cooper irá ter possibilidade de largar a agricultura e voltar a voar. A forma como isso acontece pode parecer algo sobrenatural, mas no final do filme ganha melhor sentido. Como já sabemos, com Nolan temos de esperar até ao The end para perceber tudo...ou nada perceber.

Entramos depois no tempo da aventura. A viagem no espaço é visualmente esplendorosa, os ambientes planetários revelados, o “buraco de verme”, o buraco negro, é tudo surpreendente e de uma dimensão capaz de arrebatar o mais avesso a estes espectáculos - por favor, procurem uma sala Imax perto de vós, valerá a pena. A simplicidade dos equipamentos 
cria uma sensação de familiaridade no espectador e acentua a fragilidade da missão perante o desconhecido e as forças em teste. Os fatos dos astronautas de desenho fortemente ancorado quer em filmes de ficção científica anteriores, quer inclusivamente nos utilizados pela NASA, ou mesmo a nave Endurance a girar sobre si mesma, os seus blocos constituintes podendo ser utilizados para criar habitáculos na superfície de um planeta, está a anos luz da estranha"nave ferradura" de Prometheus. As manobras, os comandos, a rotina no interior da nave surgem-nos como bastante reais, próximos duma Appolo 13. Não existem artifícios milagrosos para superar os momentos de perigo, o suspense decorre de forma natural da incerteza e dificuldades inerentes à missão, a tónica é colocada no forte realismo.

Mas é sobretudo a viagem no tempo que é fantástica. A forma como Nolan usa o tempo para contar a história e criar episódios e reviravoltas na mesma, é, para mim, onde reside a magia e o engenho de Interstellar. Não que seja uma novidade mas este filme faz um uso incrível desta possibilidade, criando momentos surpreendentes em torno do fenómeno da dilação temporal, o abrandamento do tempo dos que estão perto de uma fonte gravitacional. Einstein falou disso mas não conseguiu fazer a prova. Hoje, experimentalmente, consegue-se. Muitos livros e filmes de ficção científica o referem, não é novo. Interstellar baseia-se nas teorias do físico Kip Thorn. Em termos simples, a nossa compreensão da distância é baseada em 3 dimensões. Mas a teoria científica sugere que o espaço é um lugar onde as dimensões comunicam entre si. Não está ao nosso alcance, no presente, manipular essas dimensões. Mas no futuro isso poderá ser possível. Uma diferente compreensão das leis do universo poderá desbloquear a 4º e a 5º dimensão. Quem dominar a 5º dimensão pode circular entre o presente, o passado e o futuro. Uma força como a gravidade pode percorrer as várias dimensões e é assim que a gravidade se torna a chave da percepção de tudo o que acontece em Interstellar. Do lado de cá de um “buraco de verme” o tempo avança mais devagar do que do lado oposto. Observamos depois que o buraco negro produz uma anomalia gravitacional no primeiro planeta que os astronautas visitam, mas que no segundo se reduz em virtude de estar mais distante do campo gravitacional. Ou seja, enquanto Cooper está no espaço e na superfície de um certo planeta, o relógio corre tão devagar que na nave onde o aguarda o colega e o computador Tars, já se passaram 23 anos. Na Terra o filho cresceu, casou, teve um filho, o filho morreu. Eu sei que os spoilers são uma praga para quem tenciona ver o filme, mas ler e ver são coisas diferentes, acreditem.

Preparem-se para o deleite visual mas também para close-ups de lágrimas sem fim. Não é habitual termos um melodrama familiar tão implicado no género científico. Mas estamos perante pessoas e não máquinas, e neste filme até nas máquinas incutimos características humanas: TARS tem sentido de humor! As personagens de Interstellar são homens e mulheres, não super-heróis de plástico e por isso há muito sofrimento e angústia a atravessar este filme onde o poder dos laços familiares é testado como não há memória. Os astronautas são sugados pelo desconhecido, mergulhados na noite e no silêncio, - e nós com eles - separados de tudo o que lhes é familiar:  sentimentos, pessoas, lar, planeta mãe. Se isto não é uma espécie de morte, é algo próximo. À luz desta ideia parece até perfeito que a filha de Cooper afirme que existe um fantasma no seu quarto que tenta comunicar com ela numa linguagem morta, o código morse.  E não vou explicitar para não estragar a surpresa.

O filme viaja no mistério das emoções humanas tanto como nos mistérios do universo. Uma das primeiras cenas marcantes do filme é a partida de Cooper no seu camião. Para mim esse momento é a chave para descodificar toda a componente emocional presente em Interstellar. Vemos a casa a sumir-se na retaguarda, ouvimos a contagem decrescente para o lançamento da nave, Cooper ao volante, olhos rasos de água. Que outro sentido para o poema de Dylan Thomas?“Rage, rage against the dying of the light”, não é acerca da extinção da humanidade, é sobre o fim de cada um de nós. Não aceitar a morte é, antes de tudo viver com amor, com fé, com esperança até ao último minuto, é esse o leque de emoções que nos torna seres únicos e capazes de feitos excepcionais, como por exemplo partir para o desconhecido, (morrer) e ressuscitar (regressar) 
para cumprir a promessa que se fez a uma filha. E é neste ponto que Interstellar mais surpreende ao mobilizar-nos para  a ideia muito pouco científica de que o amor pode transcender todas as dimensões. Por isso amamos os mortos. E assim foi, de facto, quase três horas depois dos campos de milho, das tempestades de pó, e das lágrimas da partida, o amor filial foi a chave para a abrir a caixinha última onde se guardava a fórmula para salvar a humanidade. Ah, outra coisa: esqueçam os extra-terrestres, esqueçam Deus, nós damos vida ao universo, somos nós, não há nada mais lá fora.

11/10/14

Informação sobre a bactéria legionella


Janeiro-Junho 2013 Hotelaria e Saúde3

A doença dos legionários constitui um problema de saúde pública. Quando os sistemas de água dos edifícios estão mal concebidos, mal instalados ou com má manutenção é fácil que a legionella contamine a água por encontrar as condições mais favoráveis ao seu desenvolvimento.Com a actualização para 233, o número de pessoas infectadas pelo surto de Vila Franca de Xira é dos maiores alguma vez registados no mundo, é, até ao momento, o 4º maior de que há registo. Uma das melhores formas de combater qualquer doença é estar minimamente informado sobre ela. Depois de ler as instruções de prevenção do sr. George, achei por bem ir ao Google actualizar-me. 

A primeira coisa que retive foi que a maioria das pessoas tem resistência à bactéria e não contrai a doença. Li algures que em 100 exposições 5 pessoas são contaminadas. Para haver 180 contaminados em Vila Franca, e a ser este dado verdadeiro, a exposição deve ter sido enorme ou então a maioria das pessoas, por seu grande azar, faz parte do grupo de risco. A segunda é que existem normas e leis que todos os sistemas públicos de água têm que cumprir e que asseguram uma protecção razoável quanto à água que chega a nossas casas.

É sempre necessária a existência da nebulização da água, ou seja, é através da aspiração de partículas de água que vão para os pulmões que contraímos a doença. Por exemplo, num parque público onde houver pulverização de água de rega  contaminada há risco de alguém contrair a doença. A água de bebedouros em edifícios públicos pode conter legionella. Se a pessoa se inserir no grupo de risco deve evitar beber essa água. Deve até evitar beber água da torneira, devendo fervê-la antes de a beber. Mas é sempre por causa da aspiração, - via trato respiratório - não da sua ingestão - via esófago - que se contrai a doença do legionário.

Pareceu-me também que o risco é raras vezes o sistema das casas particulares e mais os de edifícios colectivos. A preocupação maior será nos sistemas de recirculação de água, tipo torres de arrefecimento de ar condicionado industriais e grandes sistemas de AVAC, coisas que ninguém usa na sua casa própria. É o circuito típico de uma torre de arrefecimento de água, onde a agua em circulação é sempre a mesma, e na torre é "despejada" no topo da mesma e por gravidade desce pelas lamelas até ao depósito recolector na base, sendo bombeada novamente para a utilização com a reposição da água evaporada no processo. É uma das muitas soluções possíveis para ar condicionado em grandes edifícios e em muitos processos industriais,onde seja necessário arrefecer grandes quantidades de água. 

Em nossas casas, no entanto, se existirem pessoas do grupo de risco  na família é mais seguro elevar a temperatura do cilindro ou esquentador para os 60º e controlar os possíveis escaldões - a partir dos 44º há risco de queimadura. (Veja-se o esquema. Abaixo dos 55º a bactéria não morre.) Todavia continuará a ser possível contrair  a doença usando água fria da torneira para lavar os dentes. Também o uso da máquina de lavar louça é seguro, de facto a temperatura da água é elevada. 

Os sistemas que oferecem maior risco são aqueles que produzem aerossóis, através da formação de microgotículas de água contaminadas com um tamanho igual ou inferior a 5µm, as que quando inaladas podem penetrar no sistema respiratório atingindo os alvéolos pulmonares e causar as infecções graves.Existem produtores de aerossóis água potável- chuveiros,equipamentos de terapia respiratória, torneiras; e produtores de aerossóis em água não potável-torres de arrefecimento, humidificadores, condensadores, baterias de arrefecimento.

A elevação da temperatura da água na eliminação da legionella é afinal uma prática comum nos sistemas de distribuição de água, principalmente em hospitais e hotéis.  A temperatura da água quente é elevada a 70ºC . Esta deve ser controlada nos pontos mais críticos do sistema, ou seja, aqueles que estão mais distantes e que normalmente coincidem  com os pontos terminais das redes, nomeadamente torneiras e chuveiros. A temperatura efetiva para aniquilar a legionella é 70ºC. Assim, faz-se correr a água àquela temperatura nos chuveiros e torneiras durante 30 minutos. Mas esta medida apresenta algumas fragilidades. Do que percebi a bactéria vive no biofilme e este não chega a ser destruido, rapidamente volta a colonizar as áreas. A outra hipótese é então a desinfeção química.

As bactérias legionella, onde se podem encontrar?

- Existem em ambientes aquáticos naturais por regra em em baixos níveis (lagos, rios, ribeiros, poços, solos húmidos, nascentes, zonas de água estagnada e águas subterrâneas, etc);
- nos sistemas artificiais, como redes de abastecimento/distribuição de água;
- nas redes prediais de água quente e água  fria; 
- nos sistemas de ar condicionado - torres de arrefecimento, condensadores/humidificadores - dos grandes edifícios, nomeadamente em hotéis,centros comerciais e hospitais, empreendimentos turísticos, escritórios, fábricas, etc; 
- sistemas de água climatizada para uso recreativo ou terapêutico (tanques recreativos ou jaccuzzis, banheiras de hidromassagem, piscinas, spas, termas); 
- sistemas de lavagem de gases;
- sistemas de água contra incêndios;
- sistemas de rega por aspersão;
- sistemas de fontes ornamentais;
- repuxos tipo bebedouro público entre outros;
- nos equipamentos usados na terapia respiratória (nebulizadores e humidificadores de sistema de ventilação assistida).
- tubos de água para cadeiras de dentista;
- máquinas de limpeza com água a alta pressão;
- armazenamento de água ao sol.

O que provoca a exposição à legionella?

A exposição a esta bactéria pode provocar uma infeção respiratória, atualmente conhecida por Doença  dos Legionários, assim chamada porque a seguir à Convenção da Legião Americana em 1976, no hotel  Bellevue Stratford, Filadélfia, 34 dos combatentes participantes morreram e 221 adoeceram com pneumonia. A doença que pode assumir a forma de uma gripe - a febre de Pontiac, que até pode passar despercebida sendo tratada como gripe comum - ou então pneumonia.

Como se transmite a infecção por legionella?

- A doença tem sido identificada nas Américas, Austrália, África e Europa, podendo ocorrer sob a forma de casos esporádicos ou de surtos epidémicos, sobretudo nos meses de Verão e Outono;

- a infeção transmite-se por via aérea (respiratória) através da inalação de gotículas de vapor de água contaminada, aerossóis ou spray; 
-  a sua pequena dimensão veicula a bactéria para os pulmões, possibilitando a sua deposição nos alvéolos pulmonares;as partículas com tamanho inferior a 5_m em diâmetro podem ser inaladas e penetrar profundamente nas vias respiratórias provocando a legionelose;
- por exemplo, uma fonte infectada com Legionella (como por exemplo um fontanário) pode disseminar aerossóis contendo Legionella. Quando isto ocorre, grande parte da água do aerosol evapora rapidamente, deixando partículas no ar que são suficientemente pequenas para serem inaladas; 
- as bactérias estão presentes num estado agressivo e em grande quantidade;
- a ingestão da bactéria não provoca infecção;
- não se verifica o contágio de pessoa para pessoa; 
- pode não ser facilmente identificada pois parece uma gripe - toma o nome de febre de Pontiac - ou pneumonia.
- casos de legionelose tem sido frequentemente associados a fontes de contaminação situadas até 3,2 Km de distância, havendo evidências de que esta distância poderá ser superior.

Quem é mais facilmente contaminado?

- Atinge em especial adultos, entre os 40 e 70 anos de idade; 
- atinge com maior incidência nos homens; 
- abaixo dos 20 anos a contaminação é improvável;
- os fumadores, pessoas com problemas crónicos de origem respiratória ou renal, os diabéticos, alcoólicos, os  imunodeprimidos  e os medicados com quimioterapia ou corticosteróides, têm maior possibilidade de contrair esta doença.

Quais são os sintomas da doença dos legionários?

- Os sintomas incluem febre alta, arrepios, dores de cabeça e dores musculares. 
- em pouco tempo aparece tosse seca e, por vezes, dificuldade respiratória; podendo nalguns casos desenvolver-se diarreia e/ou vómitos; 
- o doente pode ainda ficar confuso ou mesmo entrar em situações de delírio;
-período de incubação é de 2 a 10 dias.

Factores que favorecem a multiplicação da bactéria legionella:

- Em água entre 20°C e 45°C a bactéria multiplica-se;
- a temperatura ideal para o seu crescimento é entre 35ºC e 45ºC;
- pH entre 5 e 8;
- humidade relativa superior a 60%;
- zonas de reduzida circulação de água (reservatórios de água, torres de arrefecimento, tubagens de redes  prediais, pontos de extremidade das redes pouco utilizadas, etc);
- processos de corrosão ou incrustação;
- utilização de materiais porosos e de derivados de silicone nas redes prediais, que potenciam o crescimento bacteriano;
- zonas de equipamentos onde haja reduzida circulação de água (reservatórios de água, tanques, torres de arrefecimento, tubagens de redes prediais, pontos de extremidade de redes pouco utilizadas;
- presença de micro-organismos nas águas (amibas, algas, protozoários) não tratadas ou deficientemente tratadas;
- presença de biofilmes  que são pequenos depósitos de microorganismos e substâncias extracelulares em sistemas de tubulação e tanques. São base de procriação da bactéria. Áreas de risco para a formação de biofilme: chuveiros em hotéis, hospitais, casas de enfermagem, piscinas e clubes desportivos; spa e piscinas;instalações de ventilação com gás húmido; torres de arrefecimento; áreas onde a água é distribuída para refrigeração e humidificação, refrigeradores/lubrificantes usados na produção de metal e corte, misturas de resíduos de carvão com água de rio,sistemas de irrigação.
- presença de nutrientes na água, ferro, magnésio
- presença de lodos

Práticas para minimizar a proliferação de Legionella:

Nos equipamentos, em geral

- Assegurar uma boa circulação hidráulica, evitando zonas de águas paradas, ou de armazenamento prolongado, nos diferentes sistemas;
- accionar mecanismos de combate à corrosão e incrustação através de uma correta operação e manutenção, adaptados à qualidade da água e às características das instalações;

- estar atento aos pontos críticos dos sistemas e equipamentos (antiguidade e antiguidade dos materiais, uso do ferro, por exemplo);
- efetuar o controlo e monitorização da qualidade da água do processo, quanto ao residual de biocida, ao pH, à dureza, à alcalinidade; 

- realizar as análises das águas quanto à presença de bactérias heterotróficas, germes e Legionella.
- utilizar meios de isolamento térmico adequados para manter a temperatura ideal.

Em particular nos chuveiros, torneiras, canalizações, cilindros

- Escolher equipamentos que permitam elevar a temperatura da água aos 70º para proceder a desinfecções periódicas;
- a temperatura dos cilindros/termoacumuladores deve ser mantida acima dos 60º;
- no ponto mais distante do circuito a água não deve baixar dos 50º;
- abaixo dos 55º a bactéria não morre;
- manter todo o sistema em bom estado de conservação, escolher sempre materiais anti-corrosivos; 
- manter o sistema em funcionamento com descargas regulares;
- evitar a formação de sedimentos em crivos e filtros do sistema procedendo à desmontagem semestral de torneiras, chuveiros e ralos e sua limpeza;
- desinfectar com lixívia tradicional (hipoclorito de sódio), ou seja, não perfumada e sem detergentes; Nota: embora tenha encontrado várias fontes a sugerir este uso, encontrei outras tantas a dizer que a lixívia não é eficaz na eliminação da legionella. 
- fazer descargas de pressão para evitar zonas de estagnação da água nas canalizações;
- quando a água falta por período prolongado não utilizar de imediato sem fazer o sistema funcionar no seu todo;

- nesses casos água deve correr por meia hora - tempo necessário para que morra - à temperatura mínima de 60º;
- o mesmo se aplica a períodos de inactividade do sistema (casa fechada, edifício encerrado para manutenção ou férias, outro) em que a temperatura da água se deve manter entre valores que dificultem a multiplicação destes microrganismos (água quente superior a 50ºC e água fria inferior a 20ºC)
- a temperatura da água fria deve ser inferior a 20º
- o dióxido de cloro  é o desinfectante mais aconselhado para eliminar a legionella porque actua na água e no biofilme, o habitat da bactéria.

Algumas notas sobre como prevenir a legionella no
s sistemas AVAC de ventilação ou climatização 

- Captações de ar novo devem ser localizadas e orientadas para evitar a entrada de aerossóis produzidos em torres de arrefecimento, chaminés, etc;
-ventilar com caudais de ar novo suficientes;
- dispor de acessos adequados aos componentes do sistema para a sua inspecção; 
-dispor de acessos adequados aos componentes do sistema para a sua inspecção, limpeza e reparação;
- instalar filtros adequados para controlar a entrada de partículas.
 Substitui-los atempadamente;
- evitar água estagnada sob os equipamentos de refrigeração, instalando drenos contínuos com sifão;
-reparar de imediato qualquer fuga de água em qualquer local (do sistema de AVAC ou do edifício)
- seleccionar humidificadores a vapor de água seco, em vez dos que usam água recirculada;

- manter a humidade relativa do ar interior abaixo de 70%, nos  espaços ocupados;

- estabelecer planos de manutenção que contemplem a inspecção, a  limpeza e a desinfecção dos diversos componentes do sistema – com especial atenção a humidificadores e a torres de arrefecimento.

As torres de arrefecimento das fábricas

Devido às condições existentes nas torres de arrefecimento, se não forem tomadas precauções adequadas podem-se desenvolver bactérias. Materiais orgânicos e outros detritos podem ficar acumulados nas torres pois estes equipamentos têm filtros de ar muito eficientes e movimentam grandes volumes de ar. Os materiais orgânicos depositados servem de fontes de nutrientes para o crescimento da Legionellae. Diversos biofilmes que podem suportar o crescimento da Leggionellae podem-se encontrar nas superfícies dos permutadores de calor e superfícies estruturais.

Dúvidas? Contacte a Linha Saúde 24 (808 242424)

Leituras avulsas na internet; Fonte principal: Doença dos Legionários Guia Prático - Direcção-Geral da Saúde- Direcção-Geral do Turismo - Lisboa 2001


11/8/14

Segurança Nacional, Um, Intervalos, Três


Outra vez a escrever sobre Segurança Nacional? Até parece que não tenho mais nada que fazer. Foi anteontem, vi mais um episódio dividido em blocos de 10-15 minutos. Não estou, de momento, a ver mais nenhuma série. Não tenho tempo, além disso não tenho paciência. Como é que uma série de 55 minutos ou menos, tem três, três, TRÊS intervalos? São de apenas 5 minutos cada, mas 5 minutos é uma eternidade. Eu até gosto de publicidade, a sério, eu tenho boards no Pinterest com os melhores anúncios de TV. Mas nem tudo o que brilha é ouro, muita da publicidade que a gente vê é lata mesmo. E é preciso ter lata para repetir o mesmo anúncio da treta 3 vezes em 55 minutos. E é preciso ter muita paciência para não fazer zapping e não atirar a TV pela janela. E outra coisa. Eu não gosto do The Walking Dead, vão pró apocalíptico que os pariu mais o seu exército de gente a desfazer-se aos pedaços e a resvirar os olhos. Desde a primeira vez que botei os olhos no Rick Grimes que não me caíu no goto. Às vezes ou é amor à primeira ou ódio à primeira e não há retorno. Às vezes o meu cérebro fica mais morto que vivo. Esta série mata-me. Mas quando é que se vão cansar deste desfile de efeitos especiais e maquilhagem?! Sim, eu sei, eu sei que são os dilemas e os conflitos e a sobrevivência, não é o cenário o que mais importa em The Walking Dead. Perdoem-me os fãs se eu prefiro ver os mesmíssimos noutro cenário mais saudável, menos infeccioso. Porra, que nunca mais os vivos vivem em paz nem os menos-vivos morrem de uma morte a sério! A infestação arrasta-se temporadas fora e televisões dentro, entram anúncios renovados em tom ribombante, mas saem as cenas do costume, uns quantos de armas em punho, desgrenhados e barbados, em fuga ou em perseguição, e os outros a serem feitos em pedaços. E como se a nossa sobrevivência na terra dependesse de ver The Walking Dead, pimba, três vezes somos informados de que vai estrear e tal e tal, no dia tal, às horas X...Não se aguenta, toda esta anunciação, mais o anúncio da estreia de Gotham, logo seguido de mais um do American Horror Show, por três vezes difundida em 55 minutos, entremeada com anúncios de perfumes, vaselina e automóveis! Irra! A TV trata-nos como se tivéssemos uma qualquer doença da memória, deviam oferecer-nos post-it e canetas com ponta de feltro grátis quando subscrevemos os MEO ou as NOS ou o c... Quando às quintas à noite acabo de ver Segurança Nacional eu percebo melhor porque é que deixei de ver televisão há muito tempo. Não é só porque muito do que lá passa não tem qualidade, é porque isto é uma má experiência televisiva e só me espanta como é que as pessoas se conformam e pagam por isto. Eu cada vez mais me  apetece atirar-lhe com um tijolo!

Mas de volta ao que interessa, a série, Segurança Nacional. Só para que conste. Os argumentistas de serviço nesta quarta temporada não são dados a sentimentalismos. Em resultado da bem sucedida operação de sedução de Carrie, o inocente estudante de medicina, Ayaan, uma vez descoberta a sua fragilidade e comprometimento, é despachado com um tiro na testa pelo amado tio, que lhe revela que há um drone a segui-lo dos céus. Mais chocante não podia ser? Errado! Eu não sei até onde é que vão levar o desvario de Carrie nesta temporada, mas é do mais absurdo pensar que esta personagem mandaria abater Saul, o seu mentor. Uma profissional treinada a perder as estribeiras por completo, OMG, mas que cena triste. “Are you out of your mind?! That is Saul down there. Saul.” Pois é, Quinn, tiraste-me as palavras da boca. No dia em matarem o Saul eu deixo de ver a série. Alguém está comigo neste propósito?! Se não costumam ver a série, o Saul é esta personagem que espreita por debaixo dumas barbas densas, estão a ver? O Saul faz-me sempre lembrar os Ewoks da Guerra das Estrelas, embora superiormente capaz em matéria interpretativa! Ele quase não respira, quase não precisa falar, mas o Saul é uma personagem que tem soul, é uma discreta e grande interpretação de Mandy Patinkin. Sinceramente, e depois do que escrevi em postagem anterior, não sei porque é que continuam a estragar a personagem Carrie desta forma.  Estão a reduzi-la a uma qualquer mulher destrambelhada! 
Daqui a pouco não resta nada. Mas este episódio foi o reino do absurdo até ao finzinho. Enquanto se discutia se Saul ia pelos ares ou não, os jeeps de Akkani, o terrorista, arrancam. São três, só há um drone, separam-se por três estradas diferentes. E em qual deles está Saul? Qual jeep seguir? Pim, Pam, Pum. E é assim que acabamos o episódio com o ex-director da CIA a passear de jeep nas mãos dos paquistaneses, há olhos no céu mas está tudo cego. Parece-me uma boa metáfora para a segurança nacional.

11/7/14

A ciência das emoções positivas



Exame intermédio
Exame final

O que é que vocês sabem sobre psicologia positiva? Eu não sabia nada de nada. Zero! As minhas relações com a psicologia resumem-se à frequência de uma disciplina no 10º ano do Liceu, uma coisa que na altura me pareceu algo estranha, não por tê-la escolhido, - e não sei se a escolhi por curiosidade sobre o tema ou se por exclusão de partes, - mas porque surgia no cardápio de aprendizagens como uma hipótese de frequência para a área de Humanísticas, sem qualquer continuidade. Não havia Psicologia II no 11º ano. Era como darem à escolha um ano de italiano, espanhol ou russo na área das Ciências! 

Em Setembro vi anunciarem um MOOC com este nome suspeito: A ciência da Felicidade.  Dei uma vista de olhos ao programa e fiquei curiosa, curiosa e também descrente da validade científica de um tal conteúdo. Não tinha a menor ideia do que se tratava. Não tenho uma justificação clara para a inscrição. Foi uma coisa do momento, um capricho. Sinceramente o que eu pensei quando vi o título do MOOC foi "mas que porra é esta?!! Momento ahhhhh do dia: a porra do curso é bem gira! Vai encerrar a 25 de Novembro, já fiz o exame intermédio, 30 questões, e o exame final, 40 questões. Necessitamos de um aproveitamento de 60%, repartidos por questões respondidas semana a semana e nos exames. Obtive 88%, estou satisfeita com o resultado. 


Dizer que foi canja? Não, não foi. Dizer que delirei? Nem tanto. A língua é, apesar de tudo, uma barreira. Aborreci-me em algumas temáticas, em parte devido aos muitos estudos científicos citados, alguma redundância, mas também porque não me interessavam de todo. Mas outras foram autênticas revelações. Não vai ser a revolução na minha vida, mas quero meter em prática algumas das ideias sobre que li. E percebo agora melhor o conteúdo de muitas citações que circulam pela internet!! Sobretudo surpreendi-me com este movimento da "psicologia positiva". Nem me passava pela cabeça que a psicologia tratasse das emoções positivas, ou seja, da valorização das emoções das pessoas, - a empatia, a gratidão, a compaixão, o altruísmo - fazendo delas um estudo sério para perceber em que se traduzem, como afectam o nosso comportamento e, em suma, como nos transformam, ou não, em seres mais felizes. A dado ponto do curso um dos instrutores, Dasher, afirma que quando ele começou a sua pesquisa havia estudos sem fim sobre emoções como o ódio, mas zero estudos sobre a felicidade. Ou seja, esta via é um pouco como se deixássemos de pensar a saúde com o foco na doença e mudássemos o foco para o estudo do bem-estar. Mesmo se se trata de uma área relativamente recente eu concluí rapidamente que o meu conhecimento sobre o que era a psicologia tinha parado em Freud! Mas ele mesmo também já tinha abordado o assunto das emoções positivas. Só que à época não havia como provar nada, foi preciso esperar que a ciência - e a tecnologia - evoluísse para se conseguirem dados não empíricos capazes de convencer os cépticos, como eu. Actualmente muitos psicólogos há que se dedicam ao estudo da felicidade com rigor científico e algumas das suas descobertas são fascinantes. Alguns dos nomes que agora fiquei a conhecer são Martin Seligman,  Mihaly Csikszentmihalyi, Christopher Peterson, Shelley Taylor, Barbara Fredrickson e Jonathan Haidt. 

Deixo aqui um pequeno esquema de parte das matérias abordadas na segunda semana - o curso durou 9 semanas - para ficarem com uma ideia ténue dos assuntos em foco. A variedade de conhecimentos implicados no curso contribui muito para o tornar apelativo: temos acesso a dados sociológicos, biológicos, neurológicos, antropológicos. Levei um banho de ciência!! 

Já o tenho dito e repito: quem possa aproveitar estas oportunidades online de aprendizagem orientada gratuita tem um mundo para descobrir no computador. Este foi o meu segundo MOOC, numa área que nada tem a ver com a minha vocação, - como o primeiro que fiz - profissão ou interesse. Foi um autêntico tiro no escuro. E já não sei o que é melhor, se é aprofundar aquilo de que gostamos, se abraçarmos o desconhecido! Acho que tudo é válido. Aprender é sempre uma aventura!

Na semana 2 o curso abordou o que é que a ciência nos diz sobre as conexões sociais como uma das fontes mais importantes e duradouras de felicidade. Eu deixei de fazer resumos por falta de tempo. 

1. O papel do nervo vagal

Que partes do nosso corpo estão destinadas a isso? É a linguagem da oxitocina no nosso cérebro, o nervo vagal, que motiva a nossa associação com os outros. Existem circuitos da empatia, existem circuitos de recompensa, a nossa voz e o tacto.

Vagal vem de vagus, vaguear, “wandering”. Fica no topo da espinal medula, só os mamíferos o têm, estende-se ao resto do corpo, pescoço, controla o modo como encaramos os outros, e daí a ligação à empatia, e a vocalização. Parece estar ligado à oxitocina, à resposta do sistema imunitário e aos mecanismos de resposta da inflamação, coordena respiração e batimentos cardíacos, processos digestivos. 


Steve Porges- “This is the love nerve in your body.”

Imagens de sofrimento activam o nervo, mas também imagens inspiradoras. Maior compaixão, maior resposta do nervo. Neste momento a pessoa sente maior humanidade e ligação com os outros.

Há quem tenha um perfil vagal forte e isso até pode ser cultivado através do exercício e meditação. Essas pessoas tem mais emoções positivas, relações mais fortes, melhores redes de apoio social, as crianças que o têm defendem os mais fracos e estão mais dispostas a ajudar. Ele relaciona-se com altruismo.

2. O papel da oxitocina, a hormona do amor

Neuropeptídeo, sequência de nove aminoácidos, move-se no cérebro e corrente sanguínia, afectando outros orgãos.

Parece ser um neuroquímico que promove a confiança e a devoção e a simpatia.

Kosfield – fez um estudo, as pessoas que tinham tomado uma dose de oxitocina eram mais generosas a dar dinheiro a estranhos.

Sue Carter e Tom Insel - aumenta as tendências monogâmicas nos mamíferos (experiências com roedores)

Outros – quando injectados com ela os animais demonstram instinto protector até com crias de outras espécies

Shelley Taylor at UCLA - oxitocina elevada reduz as hormonas de stress como o cortisol, a resposta cardiovascular ao stress é menor,- pressão elevada – a amigdala é menos reactiva.

Feldman – quando os pais se tocam carinhosamente e às crianças a oxitocina sobe. E depois, por contágio, sobe a das crianças!

Ela promove a vinculação familiar e os laços sociais e a amizade. Sob influência dela eu leio melhor as emoções dos outros, empatizo, os pais têm um estado de vinculação mais seguro, os casais resolvem melhor os conflitos, e as pessoas são mais generosas para com os estranhos.

Serena Saturn - Há um gene?No terceiro cromossoma, há um gene que se relaciona com os niveis de oxitocina. A sua variação prevê a nossa habilidade para ler emoções, ajuda-nos a relacionar com os outros,etc.

3. Como é que a oxitocina molda a nossa vida social?- Jeremy Adam Smith

Aparece no corpo das mães recentes e que amamentam em quantidade. Também nas ocasiões festivas, (reconhecer um rosto numa festa) ou íntimas (orgasmo). Torna as pessoas gregárias, confiantes e generosas. Liga-nos às mães, aos amantes e aos amigos. Mas também pode fazer excluir.

a. Mantem a pessoa leal ao amante a fá-la ignorar as restantes possibilidades. Um homem sob o efeito da oxitocina não quer saber das outras.

b. Intensifica as memórias sociais, as boas e as más

Andrew Kemp da University of Sydney – a oxitocina tem um papel nas emoções que têm a ver com “querer qualquer coisa”. Sob o seu efeito um perdedor fica muito mais chateado.

Pesquisadores da Northwestern University - estudo que sugere que a oxitocina intensifica as memórias sociais, as boas e as más, quem cuidou de nós e quem nos maltratou.

c. Faz-nos cooperar com o grupo

Por exemplo, quando o chimpanzé come os bugs do pelo do outro. Isso faz disparar a oxitocina.

Mirre Stallen – Participantes num estudo alinham pela ideia colectiva sob o efeito da oxitocina, os outros seguem o caminho individualista.

A oxitocina é boa para trabalhar em grupo, menos boa quando se tem de tomar uma decisão com independência.

d. Vejo o meu grupo como o melhor

Carsten De Dreu, 2011.

Paul Zak da Claremont Graduate University

e. Torna-nos mais confiantes

Soma – Aldous Huxley – devia ter oxitocina!! Os 2 minutos de ódio no 1984 também deviam ter.

Podemos derrubar o seu efeito por via cognitiva. Se percebemos que alguém nos prejudica, mesmo com oxitocina alta, nós afastamos a pessoa. Se percebemos que um grupo põe em cheque a nossa ética, entra o lado cognitivo.

f. A vinculação

Dr. Vrticka – diferentes reacções consoante o estado de vinculação das pessoas testadas no estudo.

O ansioso que tem feedback negativo tem uma resposta exagerada .

O evitante que tem resposta positiva tem resposta fraca.

O seguro que tem resposta postiva recebe um boost de dopamina/prazer.

As conexões estabelecidas cedo vão influenciar a forma como a oxitocina é libertada, usada e treina o cérebro para estabelecermos relações sociais e logo ser feliz.

g.O toque

Michelangelo - to touch is to give life

Tiffany Field – tem promovido a ciência do toque na medicina. Tocar bebés prematuros faz com que o seu peso aumente 47 %.

Hands-On Research: The Science of Touch - By Dacher Keltner

A “palmadinha nas costas”, a carícia no braço. São a linguagem primária da compaixão. O toque promove benefícios emocionais e físicos. É preciso para estabelecer laços, para a comunicação e para a saúde.

h. A voz

Vocal bursts - pequenos sons que duram meio segundo e que são importantes para formar conexões sociais.

Emiliana Simon Thomas e Disa Sauter há comunicação social vital através destes pequenos sons. São sons que expressam sentimentos sem utilização de palavras.

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