Seaart.AI: o ControlNet dá-te o poder recriar uma imagem em dois cliques!


Vamos imaginar que queremos criar uma estampa para uma colecção de tshirts de criança, para usar no verão. Por exemplo, vamos usar os animais marinhos como tema. Podemos escolher um animal marinho popular, o polvo. Como é que eu faço isto sem usar estes modelos geradores AI? Começo por reunir algumas fotografias de polvos na internet para servirem de referência. Também faço uma busca por tshirt infantis para inspiração e também para me demarcar, de algumas forma, do que já foi criado. Depois faço os esboços ou em papel, ou na minha Wacom. De seguida, se desenhei no papel, digitalizo no scanner, ou fotografo, e importo esses esboços para o Photoshop onde limpo esses desenhos para tornar os traços mais definidos. Se uso a Wacom, esta fase é dispensada pois ela trabalha com o Photoshop e o desenho vai sendo afinado até ficar pronto para vectorizar noutro programa - também o posso fazer ali mas prefiro usar um programa de desenho vectorial - ou para pintar ali mesmo. 

A partir do momento em que os geradores de imagem ficaram disponíveis, este processo pode ser substancialmente diferente e muito menos moroso. O que talvez não imaginem é o quanto. Em alguns minutos eu posso obter 4 variações do mesmo motivo. Vou mostrar isso usando o SeaArt.AI.

Posso apenas usar este modo de criação como um "gerador de ideias" e a partir dali criar a minha estampa, no papel ou na Wacom, à medida da minha necessidade. Mas quem não domina programas gráficos, ou técnicas tradicionais, - pois também podemos pintar ou ilustrar sem tecnologia embora por vezes até pareça que não dada a abundância do digital, - pode obter aqui - no SeaArt.AI, no Midjourney e muitos outros - imagens que servem para transformar em estampas de tshirts. 

Para o efeito é preciso trabalhar bem as prompts, proceder por tentativas, experimentar os modelos até encontrar aquele que produz o melhor resultado. Isso pode ser um método demorado no início, mas depois, com conhecimento e treino, agiliza-se. Notem que também não é de um dia ao outro que se aprende a usar o Photoshop, é um programa tão robusto que algumas das suas valências nunca chegam a ser usadas pela maioria, inclusivé, por mim.  Qualquer programa, mesmo os vectoriais, tem uma curva de aprendizagem razoável antes de o conseguirmos usar pois permitem um mundo de possibilidades. 

O que o AI trás é uma rapidez incrível aos processos. Vamos ver para crer? Começamos por proceder como já expliquei, entramos no SeaArt.AI, vamos até a AI Painting, ou CRIAR, e vamos escrever uma prompt. Como se trata de um mero teste, não vou gastar muito tempo a aperfeiçoar a imagem obtida pois o que quero demonstrar é a rapidez com que conseguimos obter quatro imagens. Aqui estão elas.


Não vou indicar modelos e configurações pois diversos modelos poderão produzir imagens semelhantes. Usei uma prompt básica, mesmo a negativa, como  isso se faz  já foi abordado anteriormente, com detalhe. Agora vou levar uma destas imagens a ControlNet. Selecionei a imagem de que mais gostei e cliquei em cima dela.


Abriu-se esta janela e, à direita, vamos clicar em V, ou seja, Variações, 
que nos permite redesenhar e regenerar os detalhes da imagem.


Abriu-se agora esta janela e aqui até podem ver a prompt que usei, modelo, etc. Mas isso não é o mais relevante. O que quero mostar é a simplicidade do procedimento para obter várias imagens.
À esquerda vemos que agora o modo de geração mudou: já não é Text2Img, 
e antes Img2Img, ou seja, "imagem gera imagem".
Podemos, neste momento, redesenhar a imagem, mas eu quero usar as
funcionalidades do ControlNet. Então vou clicar no botão castanho que me indica que posso enviar a imagem para o ControlNet: Send to ControlNet.


A janela seguinte indica à esquerda que já estamos no ControlNet e o painel da direita vai permitir introduzir as configurações a ele relativas. Selecionei Scribble-hed, (também já mostrei anteriormente o que isto é) deixei o pré-processador selecionado, deixei equilibrado selecionado, aumentei um pouco o peso dos efeitos a obter. Eis as sugestões obtidas:


Se o desenho saiu perfeito? Não, não saiu "pronto-a-usar" para impressão. Existem vários requisitos a que há que atender para o efeito. Desde logo temos de remover o fundo e isolar o motivo. O SeaArt.AI tem uma ferramenta de remoção de fundo mas eu ainda não a testei. Posso sempre baixar a imagem, subi-la no Photoshop e remover o fundo e outros detalhes desinteressantes. Também existem outras alternativas que o fazem. 

A dimensão da imagem pode não ser a ideal para uma tshirt, mas se o SeaArt.AI não me der um tamanho ideal existem "escaladores AI" que o fazem. Neste momento, essas questões ficam em aberto.

Uma das potencialidades que vejo aqui é obter rapidamente ideias que depois posso explorar usando as ferramentas e programas habituais. Ou seja, usar o SeaArt.Ai permite-me poupar tempo na fase de concepção de projectos. Se estou a desenvolver um trabalho para um cliente, tempo é dinheiro, mais tempo, mas caro vai ficar. É um benefício irrecusável que não o compromete a qualidade final nem sequer a originalidade do trabalho. Reparem que ninguém desenha a partir do nada. Usamos referências para orientação, gastamos tempo a reuni-las, a estudá-las.

Todavia, é preciso também dizer que o acto de  desenhar, de criação de algo, por exemplo, um polvo, é algo que nos dá prazer fazer, e, por vezes, até sofrimento! O acto de criação quase nunca é rápido e automático. Até alcançar o resultado idealizado muito se pode rabiscar e apagar! Mas no final esse processo é sempre recompensador. Com estes geradores temos, portanto, a possibilidade de atalhar o caminho de criação, mas isso não significa que todos o queiram fazer. Na realidade, desenhar uma polvo para uma tshirt de criança não é nada do outro mundo, eu e a maioria dos ilustradores, não teriamos problemas em apresentar bons resultados, até melhores do que aqueles que a máquina apresentou. Mas a máquina gerou  as quatro imagens de uma forma ultra-rápida: o processo demorou três minutos, sim, desde a introdução da primeira Prompt até à obtenção das imagens geradas no ControlNet.


Se isto é uma novidade? Não. No Photoshop também posso mudar a cor a uma mesma imagem com absurda facilidade. Mas para o conseguir tenho de ter investido em mais aprendizagem, tenho de pagar uma assinatura bastante cara, e demoro um pouco mais a obter o mesmo resultado.(Noto, no entanto, que existem alguns programas mais acessíveis que fazem, possivelmente, o mesmo, mas não uso, não posso comparar.) Resumindo: num futuro muito próximo, não precisaremos de mais nada a não ser escrever palavras para gerar imagens e trabalhá-las digitalmente. Algumas das funcionalidades precisam de ser melhoradas e outras serão acrescentadas. Há muita margem para crescer. O próprio Photoshop já incorporou o AI, como também já referi, pois os desenvolvedores da Adobe já entenderam que o AI é o futuro. 

O problema que os artistas apontam a este tipo de geradores AI, o de ter sido treinado em fotografias, pinturas, desenhos e todo o tipo de imagens criadas por humanos permanece no centro da discussão, mas em alguns cenários, como no caso da geração deste polvo, parece-me ser irrelevante dada a "banalidade" do desenho em causa. Já noutros casos onde o estilo de algum artista é efectivamente apropriado para a geração, sobretudo tratando-se de um artista vivo, cujas obras ainda não estão no domínio público, a crítica parece ser válida. A outra questão é que eu não posso dizer que esta imagem é minha, qualquer pessoa pode baixá-la e fazer com ela o que quiser. Mas isto são reflexões para outro dia.  

No limite, vejo que um dia, todas as pessoas terão o seu gerador AI e nunca mais vão recorrer a imagens de terceiros para nada, seja para colocarem no cabeçalho de uma postagem, seja para estamparem uma tshirt ou para fazer um tecido para uma camisa ou para alguém  usar para forrar o sofá que encomendou online. Impossível? Nada disso. A encomenda peça a peça seria uma forma mais ecológica, acabaria com as perdas supérfluas de milhares de peças de pronto-a-vestir que têm de ser destruídas ano após ano. Tudo vai depender da visão quese tiver e das prioridades: ou o ambiente ou o lucro.  E quem sabe a arte, a verdadeira arte, não será então remetida a um lugar de culto e especial, de novo. Entretanto, aqui fica o convite para se juntarem a mim no SeaART.Ai, onde podem experimentar gerar imagens a partir de prompts usando o português. 


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