Cinema: West Side Story, de Steven Spielberg



Nightmare Halley. CODA. DUNE. Cyrano...West Side Story. A lista de remakes do passado ano é longa. O que leva os realizadores a refazerem um filme? Hollywood não dá ponto sem nó, e, mais do que arte, pretende fazer dinheiro. O realizador até pode adorar o original que viu em criança, mas a verdade está nos números: sequelas e remakes vendem-se facilmente ao público que acorre ao que lhe é já familiar. Os investidores e produtores são mais fáceis de convencer e a originalidade, um bem raro, é, apesar de tudo, um risco que muitos não estão dispostos a correr: muitos filmes, mesmo se novidades, adaptam obras, sejam peças, sejam livros, sejam histórias publicadas que foram um êxito ou geraram entusiasmo.

West Side Story, é de todos estes, o filme talvez mais bem sucedido. Isso poderia significar que não haveria necessidade de o refazer, ou que a fasquia estava tão alta que ninguém se atreveria. A música é estupenda, irresistível, mesmo. São poucas as pessoas que não ouviram falar deste filme, uma espécie de Romeu e Julieta, uma disputa entre jovens Capuletos e Montecchios made in America, que acaba mal. Antes de ser filme, West Side Story foi uma peça também muito bem sucedida da Broadway, da autoria de Jerome Robbins, com música de Leonard Bernstein e letras de Stephen Sonndheim. Robert Wise, - que também fez O dia em que a Terra parou ou Música no coração - realizou o filme. Protagonizado por Natalie Wood como Maria e Richard Beymer como Tony, em 1961, foi nomeado para 11 Oscars e ganhou 10, incluindo Melhor Filme. Estreou em 1957, mantendo-se fiel à inspiração em William Shakespeare e à acção situada em meados da década de 1950, no Upper West Side de Nova York, a zona onde havia de erguer-se o Lincoln Center, que acolhe instituições de artes performativas como a Metropolitan Opera e o New York City Ballet. West Side Story explora a rivalidade entre dois gangues de rua adolescentes, os Jets e os Sharks. Os Jets são um gangue de adolescentes brancos, enquanto os membros dos Sharks são de Porto Rico. Tony, um ex-membro dos Jets, melhor amigo do líder do gangue, de nome Riff, apaixona-se à primeira vista por Maria, irmã do líder dos Sharks, Bernardo. É correspondido mas o seu amor não terá, claro, um final feliz.

Quando foi anunciado que Steven Spielberg ia fazer este remake, interroguei-me sobre se valeria a pena reformular este filme para audiências modernas. Na minha ideia o anterior filme ainda se via bem, é considerado um clássico dos musicais, um que até  trouxe alguma inovação para o género. Além disso, não vejo grande interesse do público por filmes musicais, embora tenha a impressão de que isso pode estar a mudar. Sem conhecer o filme anterior é possível ver o novo filme, mas vê-lo antes de ver o novo é a única forma de poder ajuizar sobre a visão de Spielberg que recriou e até introduziu alterações ao clássico. 

Durante anos desconheci que a voz de Natalie Wood tinha sido substituída pela de Marni Nixon: a voz da actriz não chegava às notas altas. Tinha visto a actriz em Splendor in the grass e Rebel without a cause, e gostava bastante dela. Fiquei decepcionada pois acreditava que a voz que se ouvia no filme era a dela. Marni também emprestou a voz à personagem de Anita em "Tonight's Quintet" mas não aparece nos créditos. Natalie gravou tudo e só foi informada de que nenhuma canção iria ser aproveitada no termo da rodagem. Marni também dobrou Audrey Hepburn em My Fair Lady. Jimmy Bryant foi a voz de Richard Beymer, não sei se dobrou todas as canções, ou apenas algumas. Os dois cantores não beneficiaram das enormes vendas da banda sonora de West Side Story, em especial Marni. 

Na versão de Spielberg quer Rachel Zegler - escolhida num casting onde compareceram 30.000 candidatas, hoje é possível saber tudo ou quase tudo sobre a rodagem de um filme!- quer Ansel Elgort, cantam, mas se gostei da voz da nova  actriz, já não posso dizer que Ansel tenha sido brilhante, mesmo se tem uma voz agradável. Quando descobri a questão das vozes, muitos anos depois de ter visto o primeiro filme, não deixei de me sentir enganada. Isso minou alguma da minha admiração pela interpretação da Natalie e seu comparsa, mesmo sabendo que na ocasião da rodagem isso era normal. Reconheço, todavia, que será sempre preferível a dobragem no caso do actor ser perfeito para o papel mas não conseguir cantar. Um caso idêntico aconteceu em Ma Rainey's Black Bottom há três anos: Viola Davis, que tem uma interpretação espantosa,  apenas cantou uma canção.

Uma crítica habitual que se fazia a West Side Story (WSS) era a ausência de actores/actrizes de Porto Rico no elenco, de traços genuínos da cultura e costumes dos porto-riquenhos, além destes se sentirem insultados pela forma como a ilha era descrita na letra de America: Anita ora cantava que a Porto Rico era uma fonte de doenças tropicais ora que desejava que ela se afundasse, enquanto defendia a nova vida na América, e os rapazes contrapunham o seu lado negativo. Ora, isto ficava a matar com o desenlace final: ela é forçada a voltar para a ilha, o namorado morto pelos Jets, ela própria vítima de violência sexual,  só, desapontada, enojada com aquela America, a ilha que nos tinha dito detestar. Mas o público não gostou da ideia de uma ilha populosa a afundar-se. Não sou porto riquenha, imagino que uma pessoa que não consiga subsistir num país, pode ainda assim gostar do seu país; mas também pode detestá-lo por ter sido obrigada a deixá-lo. Seja como for, as letras mudaram  da peça para o filme de 1961 e desse para este para respeitar os sentimentos dos habitantes de Porto Rico. Outra vergonha era o facto de os actores actuarem cobertos de maquilhagem acastanhada, até Rita Moreno, nascida em Porto Rico, teve de pintar a cara de escuro, ficando com a tez mais escura que a protagonista, Natalie Wood! A história e a cultura porto-riquenha não eram relevantes, apenas forneciam a base a um conflito racial - e de território - que era motor da história do filme.  

Apesar do esforço de Spielberg para agradar aos porto riquenhos já li críticas de alguns inconformados com o facto de Maria não ser, de novo, uma actriz porto-riquenha, apenas muitos dos Sharks, os secundários. Também tem sido criticado que se tenha voltado a filmar a tentativa de violação de Anita, questionando porque foi descartada uma alteração dessa cena de molde a evitar-se a representação, ou a perpetuação, da exploração da agressão sexual e da violência contra as mulheres negras em WSS. A cena foi mantida e alterada de uma forma que, para alguns, ainda a tornou ainda mais horrível: um conjunto de brancos atacam Anita, as namoradas dos Jets são impedidas de ajudar a vítima. A favor, diz-se que estas passaram por cima dos seus vínculos aos Jets, escolhendo o que é certo fazer, apelando ao fim da violência.  Nessa cena, os Jets zombam do sotaque de Anita e de sua etnia, insultam-na, manietam-na, agridem-na. Ela acaba no chão, sob eles, com o vestido rasgado, e é salva por Valentina. Esta agressão é o que justifica a mentira de Anita sobre Maria e desencadeia a vingança, ainda que indirecta, pela morte de Bernardo. O que alguns pediam era que fosse encontrado outro expediente para fazer avançar a narrativa. Mesmo que a intervenção de Valentina seja explícita na sua condenação chamando-os de "violadores",  os Jets não sofrem consequência alguma. No final, os dois gangues transportam o corpo de Tony. Isto também desagradou aos porto riquenhos. Outros reclamam também do facto de Maria ter dormido com Tony depois dele ter assassinado o seu irmão, uma coisa indigna de qualquer mulher porto-riquenha. Estas pessoas parecem, realmente, feridas de morte por estas escolhas. Por outro lado, concorrendo para o mal estar, Rita Moreno revelou que a cena da violação de Anita tinha acordado fantasmas do passado: também ela tinha sido abusada por alguém do meio, violada pelo seu agente, quando era adolescente. 

Surgiram ainda muitas críticas pelo facto de terem juntado Elgort, de 26 anos, com Zegler, de 17, um par romântico, o que traduz um desequilíbrio de poder numa relação que (já) não se devia normalizar desta forma no cinema. E em Junho de 2020, uma mulher acusou Elgort de agredi-la sexualmente em 2014, quando ela tinha 17 e ele 20. O actor negou as acusações. O filme tinha acabado de ser concluído. A equipa tentou, na sua maioria, manter-se à margem, não tomando partido.  Spielberg, que tanto quis um filme que corrigisse os erros do anterior, afinal, não se livrou de polémicas. 

Lin Manuel-Miranda, o realizador de Tick Tick ...Boom! ( que eu adorei!) disse ao The Washington Post (em 2009) que o filme de Wise era uma obra de arte e que colocou os porto-riquenhos na Broadway, mas infelizmente representando os latinos como um gangue. As personagens latinas não eram muito desenvolvidas: eram apenas membros dos Sharks. Mas os Jets também não, apesar de serem mais importantes no todo. Talvez porque a dança e a coreografia e as canções fossem tão boas, ninguém se preocupou muito com isso quando se rodou o filme. Ou talvez nem sequer conhecessem Porto Riquenhos ou se tenham preocupado em conhecer. Hollywood nunca foi exímia a retratar outras culturas tidas por "exóticas". Agora as personagens ganharam substância, desde Maria a Chino. Maria. A única semelhança entre as duas Marias é o vestido branco e o cinto vermelho. Maria é muito menos virginal e inocente neste filme, embora continue a usar o branco e a orar à virgem. Recém-chegada de Porto Rico, onde tratou do pai por meia dúzia de anos, trabalha - como empregada de limpeza - e paga a renda de casa, ambiciona estudar, ter um futuro, e emancipar-se do controlo do seu irmão Bernardo, que faz as vezes de pai, e é boxeur. Menos sonhadora, e menos idealista, ela tem clara vontade própria e está pronta a defender aquilo em que acredita. Bernardo quer proteger os mais fracos, e detesta Tony: ele não é porto-riquenho, é um Jet e acha-se no direito de namorar a sua irmã, que ele quer ver casada com Chino, para coroar a sua expiação de culpa. No filme de 1961, este era apenas o rapaz com ela se deveria casar. O protegido de Bernardo, que ele quer ver longe a influência dos Sharks, também surge como um indivíduo que tem um bom futuro à espera, como contabilista,  mas acaba por ser vítima da lógica de gangues, um pouco como Tony. Já o papel de Rita, Anita, foi entregue a Ariana DeBose que interpreta com garra de Oscar a espirituosa e voluntariosa personagem, namorada do líder Bernardo e a melhor amiga de Maria. Ela tem planos para abrir a sua própria loja. Ela interpreta, canta e dança e é a prova de que se pode fazer tudo isso e muito bem.

Rita Moreno, foi primeira e única actriz latina a vencer um Óscar como Anita, tornando-se uma inspiração para muitos. Neste filme retorna no papel de Valentina, uma nova personagem, a viúva de Doc, um gringo, como ela mesma diz, o dono da loja/drogaria, no primeiro filme, que, ficamos a saber, morreu de ataque cardíaco. Ela acolhe e acarinha Tony, ex-líder dos Jets, na sua nova etapa de vida depois de ter comprido uma pena de prisão,  como uma mãe. Entende o Tony apaixonado porque, porto-riquenha, casou com um americano. Ela ensina-lhe alguns rudimentos de espanhol. O diálogo entre todos devia ser possível, e não apenas entre apaixonados. Valentina, que faz a ponte entre culturas, sabe bem que  barreira não é apenas a linguística. A voz da razão, acaba por ser chamada de  traidora pela sua proximidade aos Jets por Anita, após esta sofrer uma tentativa de violação. Deve ter sido extraordinário para esta actriz, que tem hoje 90 anos, voltar a entrar num filme onde teve um papel central nos anos 60 e interpretar e cantar uma das emblemáticas canções. A sua personagem  é uma triste testemunha de que as barreiras e a violência continuam vivas, geração após geração. 

A maior surpresa para mim foi o tratamento dado à maria-rapaz que queria fazer parte dos Jets no filme de 1961. O papel de Anybodys, um jovem que toda a gente vê como uma rapariga que se identifica como rapaz, foi entregue a uma actriz não-binária, iris menas. A personagem tem a sua própria luta dentro das lutas de gangues: ela busca constantemente aceitação e tenta provar o seu valor, além de viver de acordo com a sua verdade. É mais uma criatura perdida nas ruas, à procura de pertença a um grupo, num mundo sem lugar para ela. Personagem mais observadora do que interveniente, permanece em segundo plano na maioria do filme, mas quando intervém, na cena da esquadra de polícia, maltratada pelos Jets, ou quando procura proteger outros, permanecendo fiel a si mesma, marca pontos. Anybodys, no filme de 1961, era tida como uma mulher anormal. Alguns dos Jets provocam-na dizendo que ninguém gostaria de dormir com ela, o que também colocava em foco o velhinho estereótipo de que uma mulher tem de ser bonita.

Tony trabalha na loja de Valentina, vive  na cave, como numa toca, longe do mundo, afastado da violência, agarrado a uma segunda oportunidade. Enquanto cumpriu pena, por quase ter morto um jovem, teve tempo para pensar e agora quer ser uma pessoa diferente, superar-se. Este actor, Ansel Elgort, fez-me lembrar fisicamente o jovem Marlon Brando em diversas cenas, o que é curioso, pois não dei por isso em "Baby Driver". Mais memorável e impressionante é Mike Faist, que interpreta Riff, o aguerrido líder dos Jets. Riff brilha como o indivíduo que percebeu claramente como a mudança que constata à sua volta lhe será desfavorável. À superfície ele é o irmão do seu irmão, mas Riff é um poço sem fundo de violência, e quer arrastar todos com ele para lá, nomeadamente, Tony. Nesta América não há lugar para todos, só para alguns. Quer Maria, quer Tony, têm os seus melhores momentos quando interagem com outras personagens, Tony com Riff ou Valentina, Maria com Anita. Mesmo podendo dizer que gostei talvez mais das interpretações deste novo par romântico tive alguma dificuldade em vê-los como um par que se apaixonou loucamente à primeira vista! Sem dúvida que preferi Maria a Tony, no que toca à interpretação e até à voz. A cena na escada de incêndio é bem re-imaginada por Spielberg que aproveita todos os antigos elementos mas conferindo-lhes mais dinamismo.

Logo na cena de abertura, os Jets lutam com os Sharks, que abandonam o local, após um encontro, - ou desencontro, - entre gangues e polícia, a cantar a letra revolucionária "La Borinqueña", uma canção popular que se tornou o hino de Porto Rico em 1952, depois de uma suavização da sua letra. Borinquén é o nome original da ilha, A canção é uma novidade em WSS. Neste filme temos também a presença forte do espanhol e uma escolha da qual discordo: as falas espanholas não são  legendadas para efeitos de paridade linguística. 

O filme actual abre com imagens decadentes de uma zona em demolição na cidade de Nova York, para dar local à construção do Lincoln Center. De seguida somos apresentados aos Jets. Se dantes os jovens apenas grafitavam insultos, agora são mais agressivos, vandalizam a bandeira porto-riquenha, além de criarem problemas aos logistas de Porto Rico. Há uma tensão no ar - o pó da demolição está por toda a parte, também simbolicamente - que  que contribui para alimentar o ódio racial inter-grupos. Essa ameaça é explicitada pelo tenente Schrank: a nova vizinhança endinheirada que ali se irá instalar, uma vez construídos os novos blocos, desprezará  quer os brancos remediados, quer os porto riquenhos, mas que a estes ainda dará emprego como porteiros. 

A trama de WSS ao mostrar a diversidade da população e ao tocar em temas incómodos como violência, racismo, intolerância, problemas ligados à marginalidade adolescente, assassinato, violação,  nada habituais nos musicais "tradicionais", tornou o filme pioneiro e arriscado num género habitualmente imune a temas demasiado sérios. O primeiro West Side Story, que eu vi nos anos 80,  era um melodrama realista mas não tão demasiadamente realista que estivesse disposto a esmiuçar toda a realidade social em que se baseou. Algumas das suas críticas permanecem válidas: a "terra da liberdade", o "sonho americano", não parece um lugar para todos; e os problemas da deliquência juvenil talvez sejam melhor resolvidos por uma abordagem não policial, ou, pelo menos, integrada. 

A abertura do filme original já era bastante impressionante: o topo dos arranha-céus filmadas, a camera  partindo de zonas calmas e ordenadas, para as quadras de jogos, depois os becos perigosos e depois os rapazes dos Jets a estalarem os dedos e a voarem pelas ruas.  Ali tinham vivido pessoas muito variadas, primeiro foram apenas irlandeses, depois vieram de afro-americanos, italianos, porto-riquenhos, e outros, gente trabalhadora ou de poucas posses, sem grande horizonte. O crime e a delinquência juvenil cresceram gradualmente e eram notícia nos jornais. Desde logo era diferente da maioria dos musicais que eu conhecia, sempre envoltos em cenários fantasiosos, guarda-roupas e coreografias de sonho destinadas a fazer-nos esquecer a realidade. O que não sabia era que a zona  em demolição não era um cenário, que esses edifícios estavam condenados, que a população estava a ser despejada, e que se ofereceu realojamento  aos locais nos prédios novos que nunca se chegou a concretizar.

Um dos melhores momentos do filme é "Tonight Quintet", quando Jets e Sharks se preparam para a batalha, e Tony e Maria divagam sobre o amor e Anita cogita planos com Bernardo. A sequência em que Tony tenta tirar a arma de fogo a Riff, ao som de "Cool", neste filme ocorre antes do confronto dos dois gangues. "America", saiu de um terraço de um prédio para a rua, que está cheia de movimento, pessoas e automóveis, vê-se claramente a diversidade cultural da vizinhança. No outro filme, muitas das ruas filmadas estão vazias. A "America" inicial era, a meu ver, mais divertida. Também "Gee Officer Krupke" me parece mais divertida e juvenil, - além de acrobática - no primeiro filme. Com esta canção sucede o inverso: sai da rua para entrar numa esquadra. Muitas mais diferenças haverá, não pretendo ser exaustiva, nem contar a história de novo, ela é por demais conhecida.

Os dois cineastas têm créditos firmados e, mesmo com os erros conhecidos, temos de reconhecer o mérito do primeiro filme. Quando vejo as danças de um de outro tenho dificuldade em decidir quais são melhores. Por exemplo, a coreografia de "Cool" parece-me melhor no filme de Wise, mas no contexto do filme de Spielberg, se não fizermos comparações, também resulta muito bem. Este novo WWS parece-me resultar mais sério, mais violento e menos humorado que o anterior. A marca do cinema de Spielberg é clara desde a abertura do filme, e depois em pequenos apontamentos mais artísticos, e no trabalho de câmara,  impressionante, que tanto nos coloca no centro dos acontecimentos, da dança, do pó, ora nos oferece panorâmicas grandiosas, quer dos exteriores, quer de interiores, mostrando-nos os grupos de bailarinos em movimento, inseridos no espaço de uma forma muito orgânica. O filme deve ser visto numa sala de cinema, creio que a grandeza de algumas sequências, por exemplo, a explosiva dança no ginásio do liceu, ou toda a sequência de America, se perderão no formato streaming. Muita da coreografia é similar à que já conhecemos, e a música continua a ser arrebatadora e irresistível: a orquestra conduzida por Gustav Dudamel é a rainha de West Side Story. 


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