3/30/16

Como fazer massa para pizza de forma rápida?



Hoje vou directa ao assunto. Ou talvez não. As pizzas entraram há muito na alimentação corrente e são coisa favorita entre os mais jovens. O meu sobrinho adora. Considera-se um especialista, tem opinião feita sobre o assunto e é difícil arranjar argumentos para o contrariar sobre o mérito da massa não sei quantas da Pizza Hut, a massa dourada, a massa alta e fofa, a massa fina e estaladiça, o queijo assim, o queijo assado. Eu fui algumas vezes à Pizza Hut com ele mas nunca achei que a pizza da Pizza Hut fosse a suprema delícia. Ironicamente, a pior pizza que jamais comi... comi-a em Itália, justamente na suposta nação berço da pizza! Digo supostamente porque a pizza não apareceu por geração espontânea em Itália: pensem nos pães árabes actuais e já conseguem conseguem fazer uma ideia. A sua história vem de longe, começou talvez quando os Egípcios inventaram o forno de cozer pão e o fermento; a receita foi-se aprimorando e viajando pelo mundo, desde o Extremo Oriente até Nápoles, onde  acaba por alcançar o formato que lhe deu a fama. O proveito, esse, é do mundo inteiro pois a pizza é dos pratos rápidos mais conhecidos, muito tendo contribuido a emigração italiana para esse resultado.

A pizza era inicialmente um alimento de pessoas humildes, a "picea" - a  palavra “pizza” vem do grego “picea”, pinheiro usado para aquecer fornos  - era um disco de massa  assada com ingredientes baratos por cima, ervas, alho e azeite, e vendida por vendedores ambulantes. Nesta altura a pizza era comida fechada, dobrada ao meio, em "calzone". Hoje também podemos comer a pizza neste formato em algumas pizzarias, também chamada pizza recheada.

A pizza Margherita tem na origem do nome uma história curiosa. Em 1889 dom Raffaele Espósito, um padeiro ao serviço do rei Umberto I e da rainha Margherita, decidiu homenagear a rainha e  inventou uma pizza com as cores da bandeira italiana -  branco, vermelho e verde. Para isso ele utilizou queijo mozzarela, tomate - trazido pelos conquistadores espanhóis da America para a Europa - e manjericão, produtos que ostentam aquelas cores. A pizza agradou tanto à raínha que acabou por receber o seu nome em homenagem. Não sei se é verdade ou não, mas é engraçado e fica sempre bem saber para contarem quando estiverem a trincar um Margherita com os amigos! E se forem a Nápoles, sempre podem espreitar a Antica Pizzeria Port’Alba,  fundada em 1830,  que se diz ser a mais antiga ainda em funcionamento. 

Diferentemente do meu sobrinho eu não cresci a comer pizzas. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que comi pizza porque isso foi um acontecimento. Eram os anos 80, frequentava o Liceu, já não recordo em que ano, e tinha uma amiga cujos pais tinham estado emigrados na Alemanha. A mãe fazia pizza em casa com frequência e quando ela soube que eu era uma "analfapizza", fui de imediato convidada para um almoço. Quando passei a porta da entrada o cheiro característico já tinha tomado conta da casa. A pizza chegou à mesa num tabuleiro quadrado e para acompanhar havia uma saladeira redonda cheia de alface e cebola fatiada. Eu gostei daquilo mas não voltei a comer pizza tão cedo. Uns cinco anos depois começaram a abrir pizzarias por todo o lado.Nunca foi um dos meus pratos favoritos mas não digo que não a uma boa fatia de vez em quando! Eis como preparo a pizza em casa. É muito simples e rápido. Não é preciso comprar massas congeladas.

Receita da massa de pizza para uma base de 30 cm

280 gr de farinha de trigo sem fermento
100 ml de água morna (cerca de meio copo)
7 gr de fermento Royal (eu meto uma colher de chá cheia)
meia colher de chá de sal fino
2 colheres de sopa de azeite

Pré-aquecer o forno a 200º
Deitar todos os ingredientes numa tigela. Misturar com colher até os ingredientes se unirem. Depois amassar à mão em cima da bancada. Este processo demora apenas uns minutos, não sei dizer quantos. A massa fica uniforme e macia.
Formar uma bola com a massa. Untar o tabuleiro/bandeja de levar ao forno com azeite e esticar a massa a partir da bola colocada no centro. Eu começo por usar as mãos para a esticar e depois termino com o rolo. Colocar no forno a 200º durante 5 minutos. Retirar. Untar levemente com azeite e colocar o recheio da vossa preferência.

O recheio

Deitar polpa de tomate e espalhar de forma a cobrir a base da pizza. Polvilhar com oregãos e alho em pó. Juntar os cogumelos laminados bem escorridos, as metades de tomate  cherry e azeitona preta. Polvilhar com queijo ralado e colocar por cima as rodelas de salame. Vai ao forno a 180º-200º durante 15-20  minutos, o tempo depende de vários factores, é melhor ir espreitando para controlar se o queijo já derreteu e se a massa está dourada nas bordas.

N. B. Esta pizza foi aprovada pelo sobrinho!






3/29/16

A elegância do comportamento

Lautrec reine de joie (poster) 1892

A elegância do comportamento - Adaptado de Toulouse-Lautrec por Carlos Augusto Roveri*

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples 'obrigado' diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer… porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição…

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. É elegante a gentileza.

Atitudes gentis falam mais que mil imagens… Abrir a porta para alguém é muito elegante…
Dar o lugar para alguém sentar… é muito elegante…
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma…
Oferecer ajuda… é muito elegante…
Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante…

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: se os amigos não
merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.


Carlos Augusto Roveri é Administrador de Empresas pela FAAP (1977).

Adaptação de trecho do livro "Educação Enferruja por Falta de Uso" do pintor pós-impressionista francês Toulouse-Lautrec (1864-1901).


DIY - Varão de guarda-fatos


Há umas semanas o varão do meu guarda-fatos caíu arrastando consigo as vestimentas todas. O sol ainda não tinha nascido quando ouvi o barulho sem perceber bem do que se tratava, embalada que estava na sonolência. Só quando necessitei de um trapo e abri as portas do dito é que descobri a avaria. O varão tinha cedido pelo meio, e era compreensível pois tratava-se de um mero tubo metálico, relativamente fino. Cedeu ao peso das peças do inverno, que obedecem a um ritual semelhante ao da mudança da hora. No início do inverno acomodam-se ali, no recuo do inverno desaparecem e dão lugar às maravilhas diáfanas e leves que o clima temperado nos permite. Para terem a ideia da fragilidade do varão, eu, que não consigo nem partir um palito sem suar, ainda me dei ao trabalho de o forçar à forma original, vitoriosa, pensando que se aguentaria, ingénua. Depois e com muito jeitinho voltei a colocar as peças de roupa no lugar, tão cientificamente distribuidas quanto possível, fazendo cálculos de cabeça, medindo intervalos entre cabides e pesando cada uma a olho, de forma a repartir o esforço equitativamente. Quando terminei fechei as portas do guarda-fatos, toda contente comigo, pensando que era esperta. Nem cheguei a alcançar a porta do quarto. O mesmo ruído abafado que ouvira de madrugada, repetia-se. Arremessei para o ar uma mão cheia de asneiras em crescendo. Nada a fazer. Tinha de substituir o varão.

Parece coisa pouca mas este pequeno drama  rapidamente se transforma num dramalhão, se deixarmos. Se eu quiser quem faça desentupimento de canos é só tirar um cartão do monte que me deixam na caixa do correio, aparece logo um tipo todo artilhado que até tem equipamento para filmar interiores de tubagem! Se eu quiser alguém para limpar a chaminé, idem. Reparações de toda a ordem com orçamentos grátis é só ligar, mas depois cobram mais pela deslocação do que pelos dez minutos que demora a substituir um interruptor! A regra é esta: se eu quiser alguém para apagar um fogo que se veja, esse alguém existe, por regra até está disponível 24 horas; mas se eu quiser quem me ajude a apagar um fósforo, esse alguém não existe. Coisas que sejam menos do que um biscate, coisas que esat gente acha que cabem no departamento da bricolage também não são bem recebidas. Mas então a senhora está-me a ligar para eu lhe ir mudar uma lâmpada no tecto falso?! Olhe, podia voltar a ligar para a semana? É que eu agora estou aqui a  instalar um comando de iluminação por detecção de movimento, sabe? E depois já sei que me vou esquecer, sabe como é. Sei. Sei como é. Mas a verdade é que não faz bricolage quem quer, faz quem pode. E por aqui, no fundo de uma gaveta emperrada ainda se esgravatam uns pregos e buchas, uns parafusos e porcas, uns martelos e uns alicates de vários modelos, mas pouco mais do que isso.

É nestas alturas que a gente se arrepende de não usar os encontros imediatos no elevador para conhecer melhor os vizinhos. Existiria alguém hábil e solícito q.b. no rol de condóminos que pudesse resolver-me o berbicacho? Fiz uma recapitulação rápida daquilo que sei acerca dos meus vizinhos e cheguei a uma edificante conclusão: só sei que nada sei. Mas não me cheira a que por aqui viva gente com jeito de mãos, a não ser para fumar cigarros, carregar compras, lavar o automóvel ou despejar o lixo.

Como se impõe nos tempos modernos fui então bater à porta do Google. Procurava casas de decoração ou marcenarias que pudessem cortar um varão de madeira à medida ou então empresas de caixilharia de alumínio, qualquer coisa que ficasse num raio confortável, que me permitisse ir buscar o maldito varão. Identificadas algumas casas enviei os respectivos emails pois não tinha tempo para estar a telefonar e a falar com cada uma. E então acontece fenómeno que sempre me deixa sempre perplexa. As empresas têm um site na internet com design mais ou menos actual, procuro o campo para contacto e encontro facilmente. E aí faço o envio do meu pedido desesperado e aguardo. Aguardo, aguardo e aguardo.

Eu já sabia, eu já sabia. Assim que desliguei o computador eu já sabia que no meu regresso não haveria nada para ler ali. E por isso, ao fim da tarde, por entre deambulações várias, ocorreu-me uma ideia luminosa: um varão telescópico improvisado a partir de um daqueles cabos que se usam para vassouras e outros resolveria o transe!  Fui a um supermercado e não havia. Então fui à loja dos chineses e eles lá estavam. Em menos de 10 minutos a situação estava resolvida. Paguei 1, 35 euros pelo cabo telescópico. Cheguei a casa, retirei as roupas a monte e instalei o cabo à medida. Do lado mais fino servia perfeitamente no suporte, do outro lado tive de apertar o tubo metálico com um alicate, coisa pouca. Feito. Distribuí as roupas alegremente e dei o caso por encerrado. E foi assim que apaguei o fósforo. Aqui fica o relato pois pode ajudar alguém a dar boa conta do recado. É fácil, é barato e não custa milhões.

Ah. Só para que fique claro nem nesse dia nem no seguinte obtive qualquer resposta das empresas que contactei. Já estão na minha lista negra e por isso não lhes vou fazer publicidade, nem mesmo negativa.

3/28/16

Pinga


Pessoa querida quer oferecer-me uma garrafa de vinho mas não sabe distinguir Trincadeira de trinca-espinhas ou Borrado das Moscas de borrado de pulgas. Então resolve de forma bonita: como eu gosto de desenhar escolhe uma garrafa com muitos rabiscos no rótulo. Eu também só sei que com o passar dos vinhos, os anos ficam melhores.

A guerra na Síria explicada em 10 minutos



Com legendas disponíveis em várias línguas. Link.



Bolinhos de feijão-preto au chocolat


Posso saber o que os meus amigos estão a fazer para assinalar o Ano Internacional das Leguminosas? O quê? Nada? Ah, não sabiam? Eu também não sabia se não fosse a promoção do super destinada a lembrar os mais aéreos desta efeméride: na compra de duas latas de qualquer tipo de feijão ofereciam uma caixita de carbo activatus. Assim já posso comemorar sem receios!

Bolinhos! Ei-los acabados de sair do forno: Queques de feijão-preto au chocolat. Com vossa licença, vou-me a eles. Ah, o quê? A receita? Mas acaso pensam que isto aqui é O livro de Pantagruel? Não é, não é. Mas está bem eu digo como se fazem os bolinhos. Como sempre já não sei de onde tirei a receita. Passo as notas da internet para um post-it e depois os papelitos acumulam-se na banca da cozinha presos por uma mola da roupa! Ando há semanas para passar as notas para um caderninho, mas nada. 

Esta aventura começou por correr mal. Pensava eu que tinha uma tabelete de chocolate Pantagruel na despensa, mas quando lá fui só havia um saquinho de chocolate em pó. Foi o que utilizei e parece que deu para safar. 

Já agora, deixem-me enchocolatar mais esta prosa. Sabiam que a marca de chocolate culinário  Pantagruel foi criada pela empresa Imperial em 1982? Pensava que fosse bem mais antiga, do tempo d' O Livro de Pantagruel que foi lançado originalmente em 1945 pela Editorial O Século. O Livro de Pantagruel resulta da recolha de receitas de Bertha Rosa Limpo.  Bertha, nascida em Moçambique, foi uma mulher que estudou música, que viajou pela Europa e que até lançou uma linha de cosméticos. Esta cantora lírica dos anos 30 e senhora da alta sociedade lisboeta, que não sabia estrelar um ovo quando se casou, foi a autora deste fenómeno de vendas, o manual de cozinha mais popular do séc. XX português. Parece que durante as suas tournées era forçada a ir a restaurantes e se gostava do que lhe era servido, pedia e guardava as receitas. Talvez fosse assim ou elas lhe tivessem sido passadas por amigas e familiares. O certo é que se foram acumulando. Mais tarde esse conjunto de receitas terá dado origem ao mais famoso livro gastronómico português. Vejam que já vai na 73ª edição, agora conta com a colaboração dos filhos de Bertha, Maria Manuela Limpo Caetano e Jorge Brum do Canto. As 5000 receitas foram testadíssimas antes de passarem ao papel. Posteriormente a essa colaboração com a mãe, Maria Manuela, com a ajuda dos seus filhos Maria e Nuno Caetano, lançou um novo livro gastronómico com mais de 600 receitas dos cinco continentes: “O Livro de Pantagruel - de Garfo e Faca à Volta do Mundo”.

Pantagruel é também o nome de uma personagem criada pelo escritor francês François Rabelais e presente numa colecção de cinco livros. Filho do gigante Gargântua e de sua mulher Badebec, que morre durante o parto, ele é também um gigante, bondoso e dono de um enorme apetite. A narrativa é simples, de teor fantástico, delirante e grotesco. Os livros de Rabelais foram incluidos pela Sorbonne na lista dos obscenos e censurados e classificados pelo Papa como heréticos. As ilustrações das obras de Rabelais ficaram a cargo de Gustave Doré .

E agora, sem mais delongas, segue a receita dos bolinhos de feijão-preto au chocolat!

INGREDIENTES

100g de chocolate
1 colher (sopa) de azeite
200g de feijão preto cozido/ lata
2 ovos
1 colher (sopa) de vinho do porto/extracto de baunilha/raspa de laranja
 (aromatize com o que for da sua preferência)
50g de açúcar amarelo
50g de açúcar branco
1 pitada de sal
50g de pó achocolatado
1 colher (chá) de fermento
100g de farinha de trigo
Manteiga qb para untar as formas

MODO DE FAZER

Partir o chocolate em pedacitos e meter num tacho com o azeite, para derreter.
Triturar o feijão com a varinha mágica em conjunto com os ovos e o vinho do Porto.
Juntar os dois açucares, sal e pó achocolatado numa taça.  Depois deitar aqui a mistura do feijão acabado de triturar. Juntar o chocolate derretido.
Acrescentar o fermento e a farinha e envolver.
Se quiser pode juntar a esta massa frutos secos (nozes, avelãs, amêndoas, em pedaços)
Untar as formas com manteiga e lavar ao forno pré-aquecido a 180º durante 30 minutos. Pode também testar com o palito - pique e se sair sequinho isso é sinal de que a massa já está pronta.
Deixar arrefecer, desenformar e bom apetite! 
A massa é densa e não gordurosa, estas porções deram para 10 bolinhos.

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Leiam também uma entrevista deliciosa com José Quitério.
E vejam uma infografia com factos curiosos sobre as leguminosas.

3/27/16

O milagre das lentes progressivas


A lente que Benjamim Franklin inventou no séc. XVIII, uma lente bifocal, que juntava duas lentes numa só, uma para visão de perto e outra para visão de longe, é história. Mas hoje ainda há quem use lentes bifocais, penso que são aqueles óculos com uma meia lua inscrita em cada lente. Esses óculos não oferecem o conforto e a naturalidade de uma visão restaurada. Essa promessa dá pelo nome de lentes progressivas.

Comecei a usar lentes progressivas em Outubro de 2014. O que antecede uma efeméride desse género é começarmos a ver mal ao perto de forma progressiva. No meu caso, rótulos de produtos nos supermercados! Era a Sra. Dona Presbiopia que vinha chegando. Em duas palavras: os olhos envelhecem e perdem capacidade de acomodação. Na altura comecei também a escrever esta entrada no blogue. Cansei-me de escrever ao fim de duas linhas e meia e a coisa ficou nos rascunhos. O assunto não era festivo, nem mesmo para uma apreciadora de design de óculos, que nunca quis sequer experimentar lentes de contacto, marcada que foi pelo evento traumático de ter de remover uma lente semi-rígida do olho de uma amiga com a unha do dedo indicador. Íamos a caminho da Faculdade, para mais uma jornada de aulas, e ela solta um ai! e foi só. Ficou sem ver nada e a lente, sabe-se lá por que artes, deslisou para cima do globo ocular, enfiando-se bem para dentro da pálpebra. Eu nunca tinha visto nada assim e nunca mais quis ver! Havia também o João que sempre dizia que ou fazia a barba ou colocava as lentes, fazer as duas tarefas e chegar a horas à Faculdade é que não. No meu caso seria, ou colocar a maquilhagem, ou as lentes. Não, obrigada!

Ontem calhou um desconhecido confidenciar ao mundo (do Facebook) ir fazer os seus primeiros óculos para presbiopia. Confidenciar é a palavra certa, mesmo no âmbito do Facebook, porque  gritar aos quatro ventos que se entrou na idade da "vista cansada", o nome comum dado à presbiopia, não deve ser motivo para alarde. Não é a "terceira idade" mas quase. E ninguém festeja a chegada da "terceira idade" pois no máximo ela dá direito a descontos nos comboios e pouco mais. Para mim, que até tenho lidado bem com os sinais exteriores de velhice, rugas e cabelos brancos, banhitas em zonas adjacentes, a presbiopia foi um marco histórico, mas dos trágicos. Fez-me sentir realmente gasta. Duplamente trágico porque eu queria comprar lentes progressivas quando chegasse o momento de ingressar no Clube dos Presbitas e eu já sabia que lentes deste calibre custam os olhos da cara. Até as mais simples delas já custam os olhos da cara. A alternativa económica é uma roda-viva, resume-se a fazer dois pares de óculos, de longe e de perto, e começar a fazer malabarismo com eles, mantendo-os em permanente movimento, pendurando-os ao pescoço,  usando-os na testa, na cabeça, na mão e transportar múltiplos estojos! Não sei se há algum estudo feito a propósito, - porque nos dias de hoje existem estudos para tudo e mais alguma coisa - mas tenho a certeza que a maioria destes óculos malabares acabam esquecidos nos balcões de atendimento, esborrachados em sofás a rabiosque ou em camas a costado, enfim, são bens de desgaste rápido, e, portanto, uma solução que começa barata mas acaba igualmente cara. E há até quem encomende não dois mas três pares de óculos: os óculos de leitura, os óculos de trabalhar no computador, os óculos de ver televisão. Isto é verdade. Mas isto é de loucos sabendo que existe tecnologia milagrosa, lentes com três zonas invisíveis de transição entre si, que nos garantem visão perfeita a todas as distâncias num simples par de óculos! Mas fora a questão monetária, há quem, de facto, quem nunca se adapte a esta maravilha tecnológica e não tenha outro remédio que não seja dedicar-se à acrobacia para o resto da vida.

Logo me apressei a manifestar a minha solidariedade. O futuro presbita vai precisar de um ombro amigo. Salvaguardo que cada caso é um caso e há quem se dê bem desde o primeiro momento. Mas não aconteceu comigo. Recordo que na primeira semana ninguém me aturava. Já desconfiava da competência da minha óptica de confiança de mais de 20 anos! Pelo preço pago eu queria ver, ver tudo direitinho, imediatamente, e até ter visão raio-X, se possível. Em vez disso eu desesperei durante dias em frente ao computador. Um ombro amigo não foi suficiente. Mais meu amigo do que o ombro foi o meu pescoço. Um pescoço amigo. Caso não saibam o segredo para bem usar óculos com lentes multifocais é dar melhor uso ao pescoço e mexer os olhos o menos possível. Entenda-se: mexer o pescoço para fazer mover a cabeça e o olhar nas direcções certas. Mantenham essas pupilas bem tranquilas e sossegadas. Se são daqueles que gostam de controlar a cena pelo canto do olho, aproveitem enquanto podem, pois se a presbiopia chegar não vai haver forma de disfarçar a curiosidade. Mover o pescoço e a cabeça é o segredo, muita ginástica dos ombros para cima.

Tive,pois, uma adaptação difícil e gradual. Primeiro comecei por aprender a usar a visão de perto, depois num nível intermédio e o mais complicado foi habituar-me a usar os nóvos óculos para ver ao longe. E eu até vejo razoavelmente ao longe. Um exercício tortuoso era descer as escadas e caminhar normalmente pela rua. Mas pior ainda era  entrar no supermercado com a lista de compras ou dar uma volta pela livraria Bertrand para procurar um título. A desorientação chegava ao fim de alguns minutos, de tal forma que eu acabava sempre por retirar os óculos e guardá-los, coisa que fui firmemente desaconselhada a fazer: eram para usar de manhã à noite. Sempre. Porque esse é o segundo segredo para uma boa adaptação: não desencavalitar os óculos do nariz por muito doida que uma pessoa se esteja a sentir. Doida não é palavra exagerada. A minha vontade por esses dias era remover os óculos, os olhos...arrancar a cabeça! É preciso insistir e dar tempo ao tempo: o esqueleto tem de aprender a movimentar-se de outra forma e o cérebro também tem aprendizagens diversas a fazer. Os meus eram preguiçosos, está visto. Mas o corpo humano é maravilhoso na sua capacidade de adaptação e a coisa vai, acreditem.

É provável que a solução que apresentem a esta pessoa passe por lentes progressivas ou multifocais. Recapitulando, lentes multifocais ou progressivas, são uma classificação de lentes para óculos. Recebem esse nome porque possuem múltiplos focos, geralmente distribuidos em três campos de visão: longe, intermediário e perto. As lentes multifocais são recomendadas para compensação da presbiopia, especialmente quando associada a outra ametropia. Isto não há como chamar as coisas pelos nomes para as tornar um caso sério. Por isso, aqui vai. A ametropia - ou erro refrativo da refração ocular - causa a perda da nitidez da imagem na retina. Engloba a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, entre outras. Eu já pertenço ao clube dos míopes desde os tempos universitários. Felizmente ela não evoluíu muito, aliás, parou por volta dos 40 anos, o que julgo ser a tendência da Menina. Já a Sra. Dona Presbiopia, popularmente conhecida como "vista cansada", é a anomalia da visão que ocorre com o nosso envelhecimento, ocasionando o endurecimento do cristalino. Não adianta lutar contra ela. Chega por volta dos mesmos 40 anos, ou seja, a menina Miopia cresce e vai à sua vida, chega, então, a Sra.Dona Presbiopia para nos f...a vida. Pode chegar um pouco mais cedo. E depois acompanha-nos até perto dos 60 anos. A seguir deve chegar outra fdp qualquer. Aguardo, cheia de entusiasmo.

N.B. Este texto foi escrito usando óculos com lentes progressivas, yeah!













3/25/16

Boa Páscoa com a Belinha e as Belinhas

A Belinha deseja-vos uma doce Páscoa cheia de Belinhas! Outra coisa! Não se deixem seduzir por esses ovos espalhafatosos e balofos, todos ostentação, que andam por aí. Prefiram sempre as Belinhas porque apesar de modestas no look são sempre bem cheiinhas! Ahahah!

Um delicioso arroz de polvo para a Sexta-feira Santa!

Há coisa de anos já, escrevi aqui sobre as diversas formas de cozer o ingrato do polvo. É uma das postagens com mais visualizações aqui do blogue o que diz bem da dificuldade em alcançar o êxito no preparo do bicho, ahaha, anda por aí muita gente à procura do segredo. Hoje - soem as trombetas! - consegui o arroz de polvo perfeito e foi tão fácil que, à distância, nem percebo como é que pode ter corrido tão mal daquela vez! Asseguro que hoje o molusco ficou mesmo como eu gosto, tenro e saboroso, e o arroz bem encarnadinho. Resolvido o mistério aqui partilho o modus operandi, segui a segunda via da lista que coligi na tal postagem, recorrendo à milagrosa panela de pressão, um fantástico instrumento de poupança de tempo e combustível na cozinha!

Este polvo foi comprado congelado, era grande mas não monstruoso, 800gr, foi pescado à mão, no Perú. Deixei-o a descongelar no frigorífico de um dia para o outro e depois retirei-o da embalagem e lavei-o porque eu tenho a mania de lavar tudo antes de ir para o lume. Mas ele estava limpo. Na panela de pressão meti umas três colheres de sopa de azeite e cebola fatiada fina. Depois acamei ali o polvo, tapei e foi para o lume. Assim que a panela começa a deixar escapar o vapor pela válvula marquei 20 minutos. Ao fim desse tempo, abri e tirei a fotografia que podem ver acima. O bicho estava visivelmente mais pequeno, mas bonito e tinha um cheirinho bom, a  mar e tempero. Retirei-o para uma travessa e cortei em pedacinhos, estava bem vermelhinho por fora e muito branco por dentro, uma delícia. Provei para aferir como estava e fiquei satisfeita: tenro e gostoso. Depois vazei o líquido que se tinha formado para este tacho que podem ver, medindo, uma vez que ia fazer o arroz. Tive de acrescentar água. Colquei ao lume e temperei com sal, alho e  louro em pó, pimenta. Juntei três colheres de sopa de polpa de tomate e uma colher de coentros picados congelados porque não tinha frescos. (A salsa também é boa companheira do polvo!) Daí a pouco juntei o arroz e pouco depois os pedacinhos de polvo que tinha cortado. Lume brando, mas o suficiente para alimentar a cozedura do arroz, mexi duas vezes para o arroz do topo passar para o fundo. Quando o arroz estava quase cozido apaguei o lume, tapei e deixei acabar de cozer no calor e vapor formados. Simples e perfeito!

E agora perguntam-me se preparei o polvo por causa de ser Sexta-feira Santa. Penso que é a Igreja Católica, e não a Bíblia, que recomenda aos fiéis que honrem o sacrificio de Jesus na cruz, assinalado hoje, pela abstinência de carnes à mesa. Eu não sou religiosa e essas convenções nada me dizem. O que faz sentido para mim é manter uma alimentação o mais variada possível, obedecendo à regra de comer pouca quantidade da máxima variedade de alimentos possível, todo o ano. O mais engraçado é que a maioria dos católicos desconhece que essa recomendação da Igreja é para todas as sextas dos 40 dias que antecedem a Páscoa, a Quaresma. Mas, pergunto eu, essa indicação  "carne" não valerá para carne de mamífero como para carne de peixe ou até molusco?! E ovos e leite, não? Tem a ver com a simbologia do derramamento de sangue ou não tem? Algum padre ou crente entendido por entre os meus leitores que queira esclarecer?

À prova de convenções estão os vegetarianos que recusam sacrificar vidas animais, sejam elas quais forem. Infelizmente para os animais eu ainda não me converti à causa vegan. Como pouca carne, nem sou uma sua grande apreciadora, verdade, e pouco peixe, o que prefiro. O que defendo, por enquanto, além da moderação do consumo de carne e peixe, é apenas a melhoria das condições em que são criados e a forma como são abatidos os animais que usamos para a nossa alimentação, e não a sua exclusão da cadeia alimentar. Se dedicarem um pouco de atenção a esse assunto irão descobrir coisas chocantes motivadas pela necessidade de alimentar em massa e pelo menor preço, - ou seja, com margem máxima de lucro a quem se encarrega da produção - as populações. É mau para os animais e mau para a nossa saúde, e, sim, pouco digno para a raça dita racional. Outras coisas que podem fazer em prol de um mundo mais equilibrado para todas as vidas é deixarem de usar produtos de beleza que usam animais nos seus testes e produtos feitos em pele animal. Um passo de cada vez.

Voltando à questão da troca de carne por peixe na Sexta-feira Santa, um gesto, afinal, que pouco tem de penitência, que se resume a um ritual simbólico desprovido de valor maior nos dias actuais, melhor seria se a Igreja deixasse cair estas práticas e incitasse a outras mais proveitosas, por exemplo, oferecer uma refeição completa, rica e saudável a quem não a tem. Entendo que a prática antiga faça parte da ascese a que todos os católicos deviam aspirar, mas que a poucos lembra no quotidiano, na hora de atacar o Big Mac ou o bife com ovo a cavalo. Ironicamente nem precisa de ser lembrada por outros tantos pela simples razão de que passam fome. E entretanto, enquanto o bacalhau, a pescada, a solha, a truta e o rissol de camarão são consumidos hoje com fervor religioso, é notícia o padre Arsénio que desviou dinheiro de instituições de solidariedade social para aquisição de bens de luxoPor estas e por outras é que não tenho grande paciência para Pais nossos. 




3/24/16

Cogumelos Portobello recheados e moussaka de berinjela


Cogumelos Portobello recheados


Moussaka de berinjela

E finalmente as minhas impressões sobre mais duas receitas do livro Cozinha vegetariana para quem quer ser saudável!  que o meu sobrinho me ofereceu. A primeira receita que experimentei foi a das bolachas de gengibre e canela, lembram-se?

As fotos do livro são mais bonitas do que estas!  Já cozinhei estes pratos há umas semanas mas não tenho tido oportunidade de fazer o prometido relato. Ora bem, por onde hei-de começar?

O prato de cogumelos Portobello recheados não foi do agrado de toda a gente. Não gostaram do sabor dos cogumelos, apenas do recheio.  Eu gostei do sabor dos cogumelos e do recheio que leva berinjela, curgete, cebola, alho, azeite, molho de tomate e soja e diversas especiarias. A receita é muito simples de fazer e o recheio pode servir para acompanhar outros pratos. 

Tive dúvidas sobre o tratamento a dar ao cogumelo em termos de limpeza. Vi na internet que não devemos mergulhar os cogumelos na água porque absorvem muita. Devem antes ser lavados em pouca água corrente se estiverem muito sujos; se não, podemos usar um pano húmido para os limpar. A parte de baixo deve ser escovada pois apresenta filamentos castanhos. Depois de secos com papel de cozinha podem então ser preparados. O pé, se vier agarrado, pode ser cortado e incluido no preparado.

Já a moussaka de berinjela agradou a toda a gente mas deparei-me com algumas dificuldades. Este prato leva lentilhas vermelhas, berinjelas, curgete, cebola, alho,  tomate e pimento vermelho - excluí o verde - vinho, natas vegetais, molho de tomate, azeite e especiarias. O meu principal problema foi conseguir dourar as fatias de berinjela - comecei na frigideira e acabei no forno. Não sabia se já estavam no ponto! E ficavam cheias de azeite! O mesmo não sucedeu com a curgete. Também achei que as natas tinham demasiado amido de milho e que lhes tinha deitado pouca especiaria, mas aqui a culpa foi minha, tive receio do sabor ser muito forte. O tamanho da berinjela e da courgete também me levantou dúvidas, pois tem de haver um certo equilíbrio entre o recheio e as camadas dos legumes. 

Posteriormente eu procurei na internet como proceder e encontrei a solução para grelhar convenientemente a berinjela. Primeiro deve-se cortar em rodelas finas e deixar em água para perder o tique amargo. Depois de escorrida ela deve ser colocada directamente numa frigideira Teflon, ao lume. A berinjela chupa condimentos com força assim como chupa azeite. Por isso o azeite não deve ser deitado na frigideira e depois as rodelas lá colocadas. Depois de colocadas as rodelas é que se deita o azeite por cima delas e nos intervalos. Ao fim de um tempo podemos então virar as rodelas até elas ficarem doiradas de forma igual de um lado e de outro. Esse processo não dura mais que 3-4 minutos. Eu teria agradecido saber disso antes de ter deitado mãos à obra, tinha-me poupado tempo e dúvidas. (No caso que vi na internet a berinjela foi temperada com sal, pimenta e colorau e serviu para acompanhar lombo de porco.)

Gostei das receitas mas desta vez acho que a descrição do que fazer ficou aquém das minhas necessidades! Como já sabem a cozinha não é o meu elemento, tem de ser tudo explicadinho! Da próxima vez já irá correr melhor!




3/9/16

Intercâmbio de livros infantis - quer participar?


A iniciativa

Quer participar no intercâmbio de livros infantis? É apenas preciso enviar UM livro infantil a uma criança. O livro pode ser novo ou usado, desde que em bom estado. Desta forma, além de incentivar a leitura, promove-se a reutilização dos mesmos. Deve também recrutar 6 pessoas interessadas em fazer o mesmo. Em resultado, se todos cumprirem, a sua criança (filho/a, primo/a, sobrinho/a, afilhada/o, etc) vai receber 36 livros pelo correio. 

A maioria das crianças gosta de livros. Eu, quando era criança, também gostava de receber coisas pelo correio embrulhadas naquele papel kraft, duro, e atadas com cordel. Desembrulhado esse papel quase sempre aparecia outro, um papel colorido. Eram as amigas da minha mãe que enviavam presentes e também a minha madrinha de baptismo. Muitos desses presentes foram livros. Depois de ter aprendido a escrever, a minha mãe incentivou-me logo a escrever cartas e postais. Receber correio era uma festa. Hoje as crianças já não recebem tanto correio porque já nasceram na era da internet e a comunicação é quase sempre instantânea. Esta iniciativa é engraçada por isso mesmo, porque faz uso do correio postal, e também porque estimula o gosto pela leitura e a reutilização de livros.

Apesar de ser uma coisa antiga, a brincadeira que circula nos blogues e Facebook há já uns meses, tanto na versão livros para crianças, como na de livros para adultos,  gerou alguma desconfiança com pessoas a dizerem que era uma forma dos interessados obterem dados sobre crianças (nome, endereço). São realmente várias as indicações dadas aos pais no sentido de protegerem as suas crianças na internet, por exemplo, não colocando fotografias nas redes sociais. Se a divulgação daqueles dados lhe causa alguma renitência em participar a minha sugestão é a de que dê o seu nome e o endereço do seu trabalho ou de amigos ou de uma loja onde seja conhecido e onde possa, depois, recolher os livros. Ao usar a caixa de mensagens do Facebook ou o email para contactar os potenciais interessados mantém o assunto reservado, também pode optar por escolher apenas os seus conhecidos e amigos. Que não seja por isto que deixa de participar.

Ao entrarem no intercâmbio devem ter consciência de que o funcionamento depende da adesão e cumprimento do mesmo. Pode, acontecer que não sejam recebidos 36 livros. A expecativa de receber uma pequena biblioteca é legítima pois é o que foi divulgado. Mas pode não acontecer. Se a criança receber um livro, é bom, dois é melhor, o que vier é bom. É, sobretudo, bom doar um livro a alguém, é um acto generoso de promoção desse belo objecto que é o livro infantil e desse bem precioso que é a leitura. E isso é um dado certo.

Talvez seja prudente que os adultos não digam às crianças que vão receber um número certo e determinado de livros. Isso pode redundar em frustração se por acaso não se concretizar. Dependendo do carácter para umas será fácil aceitar, para outras nem por isso. Lidar com este assunto pode exigir alguma paciência aos adultos. Se quiserem evitar trabalhos acrescidos, é mais seguro dizer que vão participar numa troca de livros, que vão enviar um livro a uma criança e que poderão vir livros de volta, quantos, não se sabe. Esta gestão fica ao critério de cada um. 

Se estiver interessado contacte-me que eu dou as instruções necessárias: belinhafernandes(at)gmail.com

Texto que poderá usar: 

Quer participar no intercâmbio de livros infantis? É apenas preciso enviar UM livro infantil a uma criança. O livro pode ser novo ou usado, desde que em bom estado. Desta forma, além de incentivar a leitura, promove-se a reutilização dos mesmos. Deve também recrutar 6 pessoas interessadas em fazer o mesmo. Em resultado a sua criança (filho/a, primo/a, sobrinho/a, afilhada/o, etc) vai receber 36 livros pelo correio. Se estiver interessado, envie-me mensagem privada que explico como funciona.


Livro enviado! Agradeço às pessoas que alinharam comigo na iniciativa!
Agora resta esperar.



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