12/22/12

Natal, e não Dezembro

Natal, e não Dezembro 

Entremos, apressados, friorentos, 
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido... 
Entremos, inseguros, mas entremos. 
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro, 
porque sofremos, porque temos frio. 
Entremos, dois a dois: somos duzentos, 
duzentos mil, doze milhões de nada. 
Procuremos o rastro de uma casa, 
a cave, a gruta, o sulco de uma nave... 
Entremos, despojados, mas entremos. 
De mãos dadas talvez o fogo nasça, 
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada. 

David Mourão-Ferreira, Cancioneiro de Natal

1 comment:

Clara Fernandes said...

Adoro este poema! É absoluto, realista e deixa espaço para sonhar.
ótima escolha!

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