11/23/11

O que fazer com este blogue?

"É melhor coxear pelo caminho do que avançar a grandes passos fora dele. Porque quem coxeia pelo caminho, embora avance devagar, aproxima-se da meta, enquanto que quem segue fora dele quanto mais corre mais se afasta."
Santo Agostinho


Desafio do Blosque, para hoje, é perceber porque nos entregamos a esta estranha forma de vida,  a blogagem. Qual é o nosso objectivo? A tarefa #14 do Desafio 21 Dias deu-me o pretexto para ir vasculhar as postagens antigas. Pensei que seria curioso descobrir se os meus objectivos para o Palavras-Cruzadas se tinham alterado ao longo do tempo. 
Dar nome a um blog devia ser um momento importante da sua criação, se calhar o mais importante. Tão importante como saber o que vamos fazer com ele. Baptizar o blog parece ter vindo a tornar-se uma etapa cada vez mais complicada pois testei meia dúzia de designações todas indisponíveis. Lembro-me de há uns anos ter criado um blog num minuto! Tipo empresa na hora! Fácil! Desta vez quase exasperei. E o blog estava a dar pontapés, queria mesmo nascer ontem! O que faz dele um blog do signo Escorpião, ou seja, adivinho-o problemático. Por fim descubro com surpresa que esta designação ainda não estava tomada. Óptimo! Quem vai gostar de saber do nome é a minha mãe. Desde sempre me recordo de a ver a resolver todas as palavras-cruzadas de revistas e jornais a que lançava mão. Eu ainda resolvi algumas, mas não, não é um dos meus passatempos de eleição.É apenas a designação que me ocorreu e que o Blogger deixou registar. Palavras cruzadas com tudo.
  • Em 2006 publiquei uma postagem escrita em 2004, no meu primeiro blogue, que se chamava furor scribendi, e que eu tinha apagado da blogosfera.  Aí eu confessava não ter simpatia pelos blogues – que surpresa! -  mas já partilhava o meu desapego em relação aos leitores. Reparem que ao dizer isto não quero dizer que enxovalho os visitantes do meu blogue, que não sou “boa sala na blogosfera”, ou que não gosto de ter leitores e apenas que não escrevo a pensar em os fidelizar no meu blogue. Sem leitores eu continuaria a escrever. Admito ainda que o blogue é um espaço onde posso relaxar e refletir, reiventar-me e contestar...
Hoje violei um dos princípios que intimamente tinha convencionado comigo mesma: o de não partilhar o meu Blog com ninguém em nome de um lavor autêntico de palavreado, palavrete e palavrão, ideias e não-ideias. Passarão os meus pensamentos doravante a pensamintos? Acaso me deturpar-me-ei por me saber lida? Mascararei as impressões de mim, dos outros, do mundo? Articularei de forma diferente as palavras? Mmmmm...dois segundos e tenho a resposta: não. Já pensei isto uma vez, não é novidade. Isto não passa de um exercício egoísta, narcisista, onanista e ista e ista e ista que poucos não abandonarão ao cabo de alguns minutos de leitura, a não ser que não tenham nada de melhor para fazer, que eu própria abandonarei também, um qualquer dia. Criei o meu primeiro Blog por despautério. Foi um Blog de reacção e não de acção. Eu era anti-Blogs. Acho que quem tem Blogs tem tempo, e eu não tenho tempo, por isso ter um Blog é um contrasenso. Mas eu sou cheia deles! Ocorrem-me já coisas melhores, mais úteis, mais divertidas, mais instrutivas, mais prazenteiras que fazer para ocupar o tempo que não tenho, que é sempre pouco, que sempre me escapa, do que engordar um Blog. Por outro lado há um desassossego em mim que o espaço vazio e branco do Blog me devolve, depois, transformado em paz. É o melhor relaxante natural que conheço a seguir à valeriana. E a outros exercícios mais mecânicos! Tinha pensado que manteria o Blog secretíssimo. Que seria uma espécie de diário onde pudesse aberrar e berrar à vontade, dissertar no mais puro estilo diletante, chorar ou rir até o meu PC entrar em curto–circuito. Que seria uma espécie de divã onde poderia repensar-me, refazer-me, reinventar-me, ou uma bancada de contestar sem incomodar vivalma e dar largas ao exercício da minha costela contestatária, aprendida não com o Eça, melhor, antes com a Mafaldinha, dedo em riste e goelas esgrouviadas, sem prejuízo de maior! (...) Se tiver vontade e paciência leia a postagem completa.
  • Em 2007 escrevi uma postagem onde eu pergunto aos leitores a mesma questão do desafio da Nospheratt : Porque é que tem um blog? Consegue dizer-me? Aqui escrevi que ter um blogue me dá um pretexto para escrever.
O que eu afinal gosto nisto da blogagem é de me sentar descontraidamente e de me deixar levar até àquele lugar ermo do meu cérebro onde existe um grande formigueiro de palavras.E então assopro uma e duas vezes para dentro e elas agitam-se e começam a sair profundamente irritadas e em grande alvoroço antes de eu as conseguir domesticar e se alinharem em carreiros, um, dois, três, meia dúzia, lá surge o post, apressado, corridinho, no branco do ecrã. Este blog dá-me um pretexto para escrever, ou seja, para agitar o formigueiro. Penso que ninguém começa um blog se não tiver um formigueiro igual ou parecido com o meu dentro da sua cabeça. Refiro-me, claro, a blogs cujo conteúdo é a escrita. Ora a blogagem veio acrescer uma nova forma de imaginação social às massas. Se tiver vontade,  paciência e determinação, leia a postagem completa.
  •  Ainda em 2007 admito que não tenho um objectivo definido para o blogue, não controlo o seu rumo, os assuntos versados.
 Uma vez que não tenho para este blog um caminho definido quem aqui chega pode encontrar de tudo. Não controlo a sua temática. Assunto é o que calha e dias há em que não calha nada pois não me apetece escrever nem um assento agudo. A ausência de um tema de base costuma ser apontada como um erro pelos mestres da arte de bem blogar. É uma regra básica: eleger um tema em que estejamos à vontade e ficar agarrado a ele com unhas e dentes, fazer dele a nossa dama – ou o nosso príncipe - jurar defendê-lo e honrá-lo, na alegria e na tristeza, até que o enfado dite o fim. Ou a artrose nos dedinhos. Resumindo: um benfiquista pode muito bem encontrar por aqui o curriculum detalhado do Vítor Baía, um portista pode muito bem por aqui encontrar um compêndio sobre a taxonomia das águias…como se eu alguma vez fosse escrever sobre a bola ou sobre o reino animal! (Nunca se sabe!) Este blog é pior que o Correio da Manhã aos sábados: cabe cá de tudo. As muitas visitas não me deixam perceber se afinal não saber ao que se vem é melhor ou pior do que vir à procura de mais do mesmo. Se tiver vontade, paciência, determinação e falta de coisas melhores para fazer,  leia a postagem completa.

  • Já no decorrer do Desafio 21 Dias, escrevi que "Ele (o blogue Palavras Cruzadas) é um herdeiro dos primeiros blogues que não passavam de diários na web, meros registos pessoais despreocupados. Foi assim que ele nasceu, longe das ideias de monetização ou angariação de clientela.  Ainda hoje eu resisto a dar-lhe um perfil numa ou noutra direção. É um híbrido!
  • Em conclusão acho que posso dizer que os objetivos do Palavras-Cruzadas não se alteraram significativamente. Este blogue é sobretudo  um espaço de expressão e de aprendizagem, até de teste, onde eu não quero submeter-me a demasiadas regras.
Sem essa liberdade o prazer da escrita desapareceria, a espontaneidade que eu tanto prezo por contraponto à elaboração muito pensada de todos os documentos que saiem da minha impressora. Gosto de abrir o editor do Blogger e de escrever sem ter de pensar muito nas consequências do meu exercício. Apesar de eu desejar manter essa descontração tenho vindo a notar algumas concessões resultado de uma tentativa de me aproximar de uma “blogagem” mais normalizada. Isto tem acontecido sobretudo por influência das leituras sobre optimização de textos para motores de busca. Mas se houver algum braço de ferro entre as duas, não tenho a menor dúvida que a liberdade derrotará o poder do dinheiro, leia-se "cêntimos"! Tarefa #14 concluída.

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