6/4/07

UM PAR DE TRETAS SOBRE GENTE INDECENTE



Ora eu andava há muito tempo com vontade de mostrar aqui uma das mais horripilantes sequências de choques em cadeia que já vi no cinema. O filme é Final Destination 2, a música é Insomnia dos Faithless, e o video é não aconselhável a pessoas impressionáveis. Mas não podia mostrá-la a propósito do filme a que respeita, pois eu não vi o filme, (parei de ver quando esta cena acaba) não posso escrever nada sobre ele e ilustrar o post com este desvario de velocidade e chapa batida e sangueeeeeeeeeeeee e explosões! É claro que a podia mostrar a respeito de coisa nenhuma. Estaria bem não fosse o meu jeito compulsivo de fazer associações com sentido, pelo menos para mim, entre imagens e textos. Acho eu que de vez em quando não me faria mal nenhum ser completamente desnorteada e escrever sem qualquer bússola, um pouco ao jeito do que faziam os surrealistas! Seria engraçado entrar numa de escrita automática obedecendo apenas ao acaso e ao inconsciente, à maneira de Breton. Eheheh! O que é curioso é que muitas vezes quando leio artigos em jornais e revistas acho que foram escritos assim. Deve ser uma nova moda. Desde que comecei a ler ALLGARVE por aí escrito em letras coloridas e garrafais que acredito que tudo é possível. Muito leio e releio sem perceber nada do que lá se diz. (Burra, dizem eles.) Adiante. Enquanto escrevo nem me lembro do nome do filme, mas já há pelo menos três a capitalizar na mesma ideia, e penso que os enredos giram todos em torno do pesadelo de que não se escapa ao destino e de que se alguém está destinado a morrer e alguém ou alguma coisa se intromete, de nada servirá, pois a morte virá no seu encalço. Também sei que as vítimas morrem de forma rebuscada e rocambolesca porque espreitei no YouTube e há por lá a colecção das ditas mortes para os apreciadores do género. Lembrei-me então de escrever um post sobre condução desnorteada e de ilustrá-lo com o tal vídeo.Ah! Podia dedicá-lo ao meu instrutor de condução. Ele costumava projectar vídeos de campanhas rodoviárias para nos sensibilizar para usar o cinto de segurança, manter a distância de segurança, essas coisas. Alguns eram realmente excelentes. Não obstante esses visionamentos eu ainda hoje de manhã fiz uns vinte quilómetros sem o cinto, ooops! Tão grave como ver-me projectada pela janela do carrito para os campos verdes e alagadiços do Mondego onde poderia morrer afogada já que nado como um prego, - sempre adorei esta expressão – ou intoxicada pelos adubos, seria desembolsar um dinheirito valente pela contra-ordenação. Acho que tenho que meter um post it no pára-brisas a dizer senta-te e cinta-te!! É que já não é a primeira vez que acontece!!! Bom, eu estou claramente a brincar com uma situação séria: se o Jorge mostrasse este vídeo ao pessoal no dia seguinte não teria quórum na sala da escola. Ou então o quorum duplicava! É que eu já não sei a quantas anda a cabeça da malta e muitas vezes, muita gente faz exactamente o contrário daquilo que eu faria. Querem ver?

 Hoje de manhã acerco-me do meu carrito, ao qual chamo carinhosamente a minha orquinha bebé, por ser preto e ter umas manchas brancas laterais, poeira de valor arqueológico, e vejo que tinha levado um valente murro no focinho. Também podem entendê-lo com um artístico pontapé marcial ou um belo de um coice de mula transviada. Tudo depende da capacidade a que a vossa imaginação é capaz de se acelerar, a minha acelerou bastante. Ali está, mesmo ao lado do símbolo da marca, a amolgadela. Um animal de raça indeterminada, outro cetáceo talvez, gostou tanto da minha orquinha bebé que lhe deu um beijinho. Mas ela não deve ter retribuído o afecto porque ele fugiu sem deixar um bilhete romântico sequer. Que filme este com um argumento tão mau, estão vocês a pensar. Ora como a orquinha está estacionada num parque privado de uma certa urbanização, asseguro que de hoje em diante, de cada vez que eu me cruzar com os meus vizinhos vou olhá-los como se fosse membro do movimento GreenPeace e um deles tivesse arpoado uma inocente orca bebé! Por mais lúbrico que esse animal fosse, o seu dono devia ter-lhe segurado a trela pois esta mulher não apreciou mesmo nada iniciar o dia com a descoberta da marca do ósculo no seu bicho de estimação. E então lembrei-me que há muitos anos encontrei um porta-moedas com 100 contos numa rua da Figueira da Foz e o devolvi à polícia. Ele não continha identificação, apenas um bilhete de um sorteio promovido pela ACIFF. Por aí a polícia localizou a dona da carteira, uma senhora conhecida pelo negócio de bolinhos e cafés e também, pelo que contam, pela sua pouca generosidade e simpatia. Tornei-me famosa na esquadra! Os senhores polícias vieram em peso conhecer a idiota que estava a entregar um porta-moedas com bom dinheiro. Idiota sim, porque quando fui levantar a mísera recompensa a que todos os que entregam valores perdidos têm direito, descubro que a dita senhora questionou e muito o facto de eu ter direito a essa recompensa: afinal apenas fizera o que era devido, para quê receber uma recompensa por isso? Hoje quando vi a amolgadela lembrei-me desse episódio e pensei que me devia atribuir uma medalha. Sou mesmo boa, pá! E por isso, e embora me apetecesse entrar por uma diatribe cerrada, opto por uma proposta mais desnorteada para mimosear o vizinho que me fez aquilo e que seguiu à sua vida como se nada fosse. Finalmente posso mostrar o vídeo do choque em cadeia e a ele/ela o dedico pois não sei de nenhum outro com mais chapa batida. Se lhe pudesse mesmo dizer algo seria que doravante tivesse ou mais cuidado a circular ou mais decência. Ambas as coisas estão muito caídas em desuso, parece.

2 comments:

Jorge Ortolá said...

A escrita com ideias não organizadas é quase equivalente a uma condução perdida sem ideias e destino.

quando passas por cá ??

beijo

Pensamentos Felizes said...

eu vi esse filme... ui! de arrepiar. Sinceramente detesto este tipo de filmes mas qdo vivemos com um tipo que delira com filmes de terror e afins... às vezes temos que ceder.
beijos
Cris

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