2/26/07

E FOI DESTA QUE ELE LEVOU O CARECA DOURADO!



Hoje gastei uma pipa de massa ao telemóvel a defender o Óscar do Martin Scorsese. Eu pensava que já não caía nestas, mas pelos vistos o bichinho cinéfilo ainda estrebucha e mais do que eu pensava. Nem eu nem o meu interlocutor tínhamos visto os filmes nomeados para melhor direcção mas ele teimava que fora mal atribuído. Talvez. Até desconfio que Clint Eastwood possa ter sido melhor. Mas Scorsese já merecia um boneco careca. Um destes dias ainda batia a bota e depois lá vinha a Academia atribuir-lhe um Óscar Honorário, levantar-se de pé e bater palmas, chorosamente. Foi melhor assim. E Eastwood já teve o seu, era Imperdoável que Scorsese não o conseguisse depois de anos e anos a laborar exímio na 7ª arte. Desde sempre me lembro de associar o nome de Scorsese a bom cinema embora nem sempre de fácil digestão. O seu último, O aviador, era tal e qual a fortaleza voadora do Howard Hughes nele retratada - um filme extravagante e sumptuoso, com pormenores deliciosos como a interpretação de Cate Blanchett na pele da actriz Katherine Hepburn, tecnicamente prodigioso mas que pouco nos elevava no ar ao longo das suas quase três ou mais horas. Gangues de Nova Iorque outra extravagância visual, cenários que já ninguém ousava colocar de pé, trazia-nos a Manhattan do século XIX envolta em contornos surreais e sanguinários como pano de fundo para um duelo de gangues liderado por Butcher, interpretado espectacularmente por Daniel Day-Lewis – violento até nos pequenos detalhes, na linguagem, cheguei ao fim do filme arrasada dos nervos, exausta. Antes disso Scorsese também tinha feito um filme algo alucinado em que Nicholas Cage conduzia uma ambulância semi-acordado, talvez um dos menos típicos da sua filmografia. Em 1995 delirei a ver Casino. Do princípio ao fim o filme é um magistral exemplo de como o cinema é poderoso, um festim autêntico para os cinéfilos.Com Robert de Niro e a surpreendente Sharon Stone envolvidos numa relação temperamental, ela Ginger Mckenna, em ascenção e queda, ele um apostador nato. Dinheiro, amor, jogo. Um filme inesquecível, vibrante. E muito antes disso tinha havido A Idade da Inocência, também com Daniel Day-Lewis, uma história de paixão proibida que se desenrolava nos salões da alta sociedade nova iorquina do século XIX, numa atmosfera sufocante, com Michele Pfeifer. Sublime. Inesquecível também. E antes destes muitos outros, o excelente Goodfellas, A cor do dinheiro, a história de Jake LaMotta e Táxi Driver que ainda hoje se vê como se tivesse sido filmado ontem. Talvez porque a alienação humana tenha qualquer coisa de intemporal. É muito comum ler que Martin Scorsese é um outsider em Hollywood e talvez por isso tenham tardado em reconhecer o que era tão óbvio: o homem é bom naquilo que faz, merece ter o careca dourado no topo da lareira da sala de estar. E mais nada. Para o ano há mais.

2/25/07

AND THE WINNER IS...











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Hoje à noite há Óscares para a sobremesa. Anos houve em que esta entrega de prémios era pretexto para grandes farras e discussões cinéfilas pela noite dentro. Hoje já não é tanto assim mas continua a suscitar o meu interesse como cinéfila que sou.O MSN tinha na sua página uma lista dos directores, actrizes e actores, e filmes mais premiados de sempre e foi de lá que retirei estes três cartazes que ilustram justamente os três filmes mais premiados de sempre, cada um com onze estatuetas carecas. Nenhum deles se encontra na lista dos meus filmes favoritos, apesar de ter visto Ben Hur três vezes, Titanic duas vezes e Lord (cada um) uma vez. Há coisas fantásticas, não há?

RECEITA DE SUCESSO PARA BLOGS



Quando criei este blog não dava nada por ele, o menino-dos-meus-olhos era o Papelustro. Porque o Papelustro apresentava um conteúdo realmente original, em forma de imagens e eu sou mais das imagens do que das palavras.Ora eu pensava que se uma imagem valia mais do que mil palavras, certamente valeria também mais do que mil visitas. E, de facto, não me enganei. As visitas têm sido as suficientes para manter a tesoura activa.E mesmo que não fossem! Estou tão enfeitiçada pelas criaturinhas que recorto das revistas que continuaria o meu afã. Mas o ritmo de visitas não se compara ao das visitas ao Palavras-Cruzadas. 

Interrogo-me actualmente sobre o que poderá fazer o sucesso de um blog. Até porque, como terão reparado, aliei publicidade aos meus blogs. Testo, de momento, a sua capacidade de gerar receita enquanto torço o nariz ao desarranjo gráfico que os anúncios produzem. Será o poder da escrita mais do que o poder da imagem quem comanda na blogosfera? Estou em crer que sim. Resta perceber como é que a palavra pode ser usada com sucesso. Uma vez que não tenho para este blog um caminho definido quem aqui chega pode encontrar de tudo. Não controlo a sua temática. Assunto é o que calha e dias há em que não calha nada pois não me apetece escrever nem um assento agudo. A ausência de um tema de base costuma ser apontada como um erro pelos mestres da arte de bem blogar. É uma regra básica: eleger um tema em que estejamos à vontade e ficar agarrado a ele com unhas e dentes, fazer dele a nossa dama – ou o nosso príncipe - jurar defendê-lo e honrá-lo, na alegria e na tristeza, até que o enfado dite o fim. Ou a artrose nos dedinhos. Resumindo: um benfiquista pode muito bem encontrar por aqui o curriculum detalhado do Vítor Baía, um portista pode muito bem por aqui encontrar um compêndio sobre a taxonomia das águias…como se eu alguma vez fosse escrever sobre a bola ou sobre o reino animal! (Nunca se sabe!) Este blog é pior que o Correio da Manhã aos sábados: cabe cá de tudo. As muitas visitas não me deixam perceber se afinal não saber ao que se vem é melhor ou pior do que vir à procura de mais do mesmo. 

Existem ainda mais ideias sobre o como bem usar a palavra na blogosfera. Parece que fazer um blog é como fazer um bolo. Há receita, aliás há muitas receitas generosamente publicitadas pelos bloggers bem sucedidos, e deveria bastar seguir uma para ter resultado garantido. Mas todas as pessoas que já fizeram bolos sabem que não é bem assim: quantas vezes se consegue que ele fique com aquele aspecto lindo e perfeito da capa da revista de culinária? Eu já não tenho ilusões, quer dizer, eu nunca as tive porque pura e simplesmente não cozinho bolos. Mas é tudo uma questão de Photoshop e mais nada. Se todas as donas de casa soubessem isto já não ficariam lavadas em lágrimas perante espera-maridos mal amanhados. Todos sabemos que a maioria dos bloggers são leitores apressados. Por isso não vale a pena investir num bolo de casamento, um pastel de nata já é suficiente. Com isto não quero dizer que o meu blog seja uma espécie de imitação do fala-barato, um escreve-barato qualquer. Até um singelo pastel de nata tem o seu preço. Portanto nem barato nem caro, a discurseta deve ter palavras de preço certo. E que são aquelas de que toda a gente gosta, que não se enovelam, atrapalhando a língua. Que não causam securas de boca porque vêm em frases curtas e vão direitinhas ao cérebro e aí fazem ninho. Essencial é que façam ninho. Porque depois disto acontecer não há ninguém tão selvagem que seja capaz de atirar fora dois ovinhos redondinhos com promessa de passarinhos dentro. E aí temos leitor!(Ok, Ok, há quem pegue os dois ovos, parta, junte açúcar, bata, junte farinha bata, sal, bata, leve ao forno e faça bolo. Mas esses chamam-se gulosos, não bloggers.) Depois, diz ainda quem sabe, que a escrita deve ser interessante. Ora bolas de Berlim, interessante. Interessante deve ser o adjectivo menos interessante de toda a língua portuguesa. Interessante é o estado da mulher grávida, ou não é? As minhas frases podem estar grávidas de interesse para uns e absolutamente estéreis para outros. É um bico de obra, nem vale a pena tentar acertar no interesse, seria assim como jogar no euromilhões ao contrário- imaginem a maquineta que sopra as bolas a acertar em cada chave que cada um de nós vai colocar no papel! Isso é que era jogo! Sempre queria ver! Mais difícil que isso só aquele computador do filme do Spielberg que adivinhava os crimes antes de serem cometidos. Depois desta importante dica eu cliquei para longe do blog sobre blogs de sucesso. Prefiro não saber. Aliás quem me garante que não é a quebrar as regras da boa escrita que melhor engordamos os nossos blogs?

2/20/07

PORQUÊ TER UM BLOG?



O que eu afinal gosto nisto da blogagem é de me sentar descontraidamente e de me deixar levar até àquele lugar ermo do meu cérebro onde existe um grande formigueiro de palavras.E então assopro uma e duas vezes para dentro e elas agitam-se e começam a sair profundamente irritadas e em grande alvoroço antes de eu as conseguir domesticar e se alinharem em carreiros, um, dois, três, meia dúzia, lá surge o post, apressado, corridinho, no branco do ecrã. Este blog dá-me um pretexto para escrever, ou seja, para agitar o formigueiro. Penso que ninguém começa um blog se não tiver um formigueiro igual ou parecido com o meu dentro da sua cabeça. Refiro-me, claro, a blogs cujo conteúdo é a escrita. Ora a blogagem veio acrescer uma nova forma de imaginação social às massas. Gerou uma nova espécie de irmandade, os bloggers, de que dantes apenas se podia encontrar um género ligeiramente aparentado nas multidões que concorriam nos estádios de futebol de um país, ou nas manifestações políticas nacionais, ou nas grandes manifestações culturais, como a EXPO, ou nos festivais de música, que punham em comunicação num certo espaço e tempo indivíduos estranhos filiados num mesmo interesse mas movidos por inúmeras motivações diferentes,temprorariamente unidos num abraço identitário. Assim situados numa interacção voluntária produziam acções de diversa qualidade: expressavam-se nos mais opostos ou agregadores sentidos,criavam laços entre si, eram mediadores do acontecimento junto dos ausentes, capturavam esses momentos para os vindouros revisitarem, em filme ou fotografia, criavam assim uma reserva do presente para o futuro. Partilhavam de uma realidade intangível a que ninguém podia chamar sua mas que todos podiam fazer sua. Um pouco o que os bloggers andam a fazer, a uma maior escala. Ou não? Porque é que tem um blog? Consegue dizer-me?

2/17/07

MARDIS GRAS EM NOVA ORLEÃES



De todos os Carnavais famosos o meu favorito é o Mardi Gras de Nova Orleães. Sempre nutri uma especial curiosidade por esta cidade tendo lamentado especialmente o facto de ter sido devastada pelo furacão Katrina há dois anos atrás. (Fotografias da actualidade, aqui, com nota para zonas recuperadas e ainda por recuperar.) A razão da minha curiosidade teve origem na música Jazz. Foi o Jazz que me apresentou a New Orleans e me levou a descobri-la. E também num músico dali natural – Harry Connick Jr.- de quem poderia dizer ter todos os discos não fosse ter emprestado um a um vizinho que entretanto lhe deu sumiço.(Tás a ler Manel? QUERO O MEU CD DE VOLTA!) O seu Carnaval foi impulsionado por famílias da alta sociedade que pertencem desde há gerações a grupos (Krewe) que realizam uma parada-criam e elaboram os fatos e espantosos carros alegóricos,-organizam bailes e outros eventos durante a quadra que se inicia no Natal e termina na Terça-Feira Gorda.

De todos o mais conhecido é o Krewe de Baco, que congrega mais de mil membros e organiza uma parada com mais de três dezenas de carros alegóricos, bandas e grupos de escolta de cerimónia, além de uma super-festa com mega-estrelas do entretenimento norte-americano e convidados em black-tie pela noite dentro. Este ano quem vai dar corpo ao Rei é James Gandolfini, mais conhecido como Tony Soprano. As esculturas dos carros são da responsabilidade de artistas consagrados, nomeadamente Blaine Kern. Ao longo das paradas a multidão que se junta nos passeios ou nas varandas espera que dos carros lhes atirem colares de contas, dobrões, copos plásticos decorados e animais de peluche. As paradas na cidade e nas zonas adjacentes são de cariz familiar, sendo habitual que as famílias cheguem cedo e façam piqueniques para aproveitar ao máximo o dia e obter um bom lugar. Já o célebre Bairro Francês e a Bourbon Street têm um perfil menos indicado. É dali que a televisão nos mostra as mulheres a mostrar os seios aos ocupantes dos carros para obterem mais um colar. Os locais fazem questão de dizer que este comportamento é algo próprio dos turistas, não uma tradição do seu Carnaval! Ao longo do ano os carvalhos que ladeiam St. Charles Avenue ostentam colares de pérolas transparentes nos seus ramos. Outros pendem das varandas do Bairro Francês. Os colares podem ser pequenos ou chegar até quase aos pés e as contas também podem ter tamanhos variados. Atirar bijuteria à multidão é uma tradição começada em 1870. Cem anos depois os membros dos Krewes usaram medalhões e depois dobrões (ou moedas) feitos de alumínio, coloridos nas cores tradicionais e que têm o seguinte significado: púrpura representa a justiça, verde a fé, e dourado o poder. (Quando não estão mascaradas, ao longo desta quadra, as pessoas vestem-se usando estas mesmas cores.) Actualmente foram substituídos por plástico sendo os antigos uma raridade que o Katrina tornou preciosa. De um lado têm gravado uma alusão ao tema da parada, do outro têm o emblema do krewe. Cada krewe tem uma imagem distinta pelo que rapidamente se transformam em objectos de colecção. Na parada de Baco o Rei atira dobrões com a imagem da celebridade que nesse ano é Rei da parada, sendo por isso muito cobiçados. As máscaras de penas são igualmente muito populares neste Carnaval. Outra marca da tradição é o Bolo Rei amplamente consumido ao longo da quadra. A data de 6 de Janeiro, a décima segunda noite após o Natal, marca o início da quadra do Mardi Gras. É tradição festejar e confeccionar o Bolo Rei em honra dos Três Reis Magos que levaram presentes ao menino Jesus naquela data. Dentro do bolo é colocado um pequeno bebé de plástico, antigamente de porcelana ou até de ouro. A quem calhar incumbe no ano seguinte organizar a festa do Bolo Rei. Este bolo aromatizado com noz moscada e canela é decorado com açúcar nas cores típicas do Mardi Gras, púrpura, verde e dourado. Para leitura na língua original, mais detalhada, sigam o link!

2/13/07

STOP THAT PIGEON!_PAREM-ME ESSE POMBO!




(Espreitem para ver cada uma das personagens)


“Stop the pigeon, stop the pigeon, stop the pigeon”…Quando eu era miúda lembro-me de cantar isto minutos a fio, possivelmente numa mistura de portinglês, o que devia causar uma suprema irritação aos meus pais. Era parte da cançoneta de abertura dos desenhos animados do Muttley, o cão com o riso mais escarninho que o cinema de animação produziu até hoje. Muttley e Dastardly são heróis da Iª Grande Guerra, pertencem ao Esquadrão Abutre e tudo fazem para impedir o pombo Yankee Doodle de entregar mensagens ao inimigo. Mas são tão desastrados, tão idiotas que sempre falham e o pombo lá vai,esvoaçante, vitorioso, a tocar a corneta! O esquema repete-se vezes e vezes sem conta, a situação é completamente disparatada e repetitiva: o Detestável Dick tem uma missão impossível e por mais que tente e falhe, não desarma! É uma espécie de exterminador implacável da sua era: colisões, explosões e quedas do seu avião são pequenos contratempos que não o desviam do seu objectivo: deter o pombo-correio! Hoje seria difícil ver esta animação e ficar cativada. Mas ao tempo, lá para os anos 70, eu não perdia nenhum episódio das Máquinas Voadoras, mesmo que não conseguisse reproduzir o “drat,drat and double drat” que Dastardly resmungava antes de se despenhar. Se bem se lembram, Muttley é um cão de poucas falas e olhos malandros. Quando ri coloca a pata à frente da boca e sobe e desce os ombros. Por vezes também amaldiçoa a sua sorte ou pedincha medalhas um pouco em jeito de chantagem: “A medal, a medal, ou ficas aí a apodrecer entre os destroços do teu avião!” Macaca de imitação, sempre que me era pedido para fazer qualquer coisa também eu comecei a pedir medalhas aos meus pais. Não estou certa se alguma vez perceberam de onde importara a ideia. É claro que nunca recebi nenhuma, nem sequer de chocolate envolta em prata dourada. Zilly é outros dos aviadores: de cabeça retráctil perante as ameaças, como uma tartaruga, ele é um covarde de primeira!! E Klunk é o aeronáutico engenheiro engenhocas cujo discurso entrecortado de ruídos e trejeitos só pode ser equiparado em bizarria às geringonças voadoras que fabrica para apanhar o pombo-correio! Eu ficava fascinada com os aviões! Depois do Muttley era o que eu gostava mais! Inevitavelmente todas as máquinas voadoras acabavam estrepitosamente no chão! Eu já não me recordava do Muttley se não fosse um visitante deste blog estar a usá-la como avatar, em formato .gif ainda por cima, que eu prontamente roubei! Joseph Barbera foi o criador desta animação voadora, tão disparatada quanto divertida. Em conjunto com William Hanna produziram alguns dos desenhos animados mais populares de sempre como The Flintstones ou Scooby-Doo. Faleceu em Los Angeles a 18 de Dezembro do ano passado com 95 anos.

2/5/07

FLORES (QUASE CARNÍVORAS) NA NEVE



Na brincadeira com o Photoshop enquanto a inspiração não chega - um bouquet de flores que parecem carnívoras.Alterei o título do post - dantes CARNÍVORAS - pois não penso que estas sejam carnívoras.Que têm ar de quem nos diz "eu vou-te comer", lá isso têm.Mas as aparências iludem!E ainda podia melindrar alguém com conhecimentos sérios sobre o reino vegetal, eu confesso que pouco ou nada sei sobre plantinhas. Mas sei que as plantas carnívoras atraiem insectos exalando odores cativantes, não necessáriamente perfumados, e que os matam de forma requintada, prendendo-os numa superfície pegajosa ou afogando-os. A pobre vítima é depois lentamente digerida, menos o exosqueleto, que talvez a planta cuspa fora, isso já não sei, e até admito que estou na brincadeira!Um verdadeiro filme de nojento terror! Os insectos são meros suplementos alimentares pois elas fabricam o seu próprio alimento.Só que habitam em locais onde não o conseguem fazer em quantidade suficiciente por falta de luz.E daí o engenhoso esquema!Fiz em tempos um trabalho sobre plantas que me obrigou a alguma leitura. Fiquei muito surpreendida com as suas habilidades, em especial no que respeita à polinização.Se todos soubéssemos um pouco mais sobre a Natureza que nos rodeia talvez a conseguíssemos apreciar mais, valorizar mais, respeitar mais.Certo?

2/3/07

FLOR DE ATENAS



Obrigada Dodos!

Adorei a surpresa e a flor!

2/1/07

PRENDA POÉTICA ILUSTRADA


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece a alma que tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso,nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

ANIVERSÁRIO (Álvaro de Campos)


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus !, o que só hoje sei que fui... A que distância! ...
(Nem o acho ...)

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim mesmo como um fósforo frio....

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, este tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui ...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado - ,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias. Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

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