3/8/15

Dia Internacional da Mulher




Hoje é dia 8 de Março. Toda a semana por aí vi publicidades de jantares para celebrar a mulher e sei que logo mais muito mulherio se juntará para comer e beber em conjunto, em jantares "só para elas". Não é que esteja a condenar quem aproveita qualquer pretexto do calendário para se divertir. A vida é curta e o convívio faz parte. Mas gostava que todas essas mulheres que se vestem e afinam para ir comer e beber a um restaurante - onde as aguarda um menu especialmente concebido pelo comércio para fazer uns trocos extra à sua custa, que os tempos estão difíceis - não esquecessem que neste mesmo dia, em 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada em Nova Iorque, fizeram uma greve que ficou na história. Estas mulheres ocuparam a fábrica onde trabalhavam para reivindicar melhores condições de trabalho, a redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), a equiparação de salários aos usufruídos pelos homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi alvo de repressão violenta e terminaria com a morte das tecelãs. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica e esta foi incendiada -  130 mulheres operárias morreram queimadas, 
vítimas de um tratamento completamente desumano e bárbaro. Até aposto que estas mulheres que hoje vão comer e beber à sua saúde se esquecem de erguer um copo as estas outras. Observo no extremo oposto um grupo de mulheres que se insurge contra a celebração do Dia Internacional da Mulher, dizendo que é uma efeméride discriminatória em si mesma. Na realidade, pelo mundo inteiro, as mulheres continuam a ser um grupo desfavorecido em muitas circunstâncias, mantendo-se com actualidade quer a reivindicação de melhores condições de trabalho, de salário igual para trabalho igual, de um bom ambiente de trabalho, quer muitos outros direitos.  Entendam-no como quiserem, a verdade é que, ontem como hoje, as mulheres continuam a ser vítimas de graves injustiças. Em Portugal e no Mundo. 

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