4/2/09

SOBRE COLE PORTER E DE-LOVELY

(Robbie Williams, no filme)
Ontem, a partir da meia-noite a RTP 1 passou De-Lovely, um filme de Irwin Winkler sobre a vida de Cole Porter.Desde sempre admirei a sua música e quando a banda sonora deste filme saíu eu comprei o CD,mas não cheguei a ver o filme. Curiosamente as canções de Porter são cantadas e interpretadas no filme por nomes bem conhecidos da cena musical norte-americana- Robbie Williams,Elvis Costello,Alanis Morissete,Sheryl Crow,Diana Krall,Natalie Cole.Algumas das vozes não me parecem ter sido a escolha ideal mas talvez tenha sido uma forma de aproximar a obra de Porter das gerações actuais,uma forma imperfeita. Alanis,penso,tem a melhor prestação de todos, cantando e dançando no palco.Já Diana Krall é para esquecer...O filme é um musical dramático que tem uma estrutura formal complicada.Desde logo um Cole Porter envelhecido,sentado na plateia de um teatro,acompanhado de um "anjo", passa em revista um musical que não é mais do que a história da sua vida.Uma boa ideia mas também difícil de concretizar.As suas canções são entrelaçadas nesse relato,cantadas também por Kevin Kline, mas penso que não obedecem a uma cronologia, servem mais o propósito de contar a história da sua vida- "um amor imorredoiro, uma música eterna", era a tag line do filme, fazendo eco da sua paixão pela mulher e música intemporal que deixou.Embora fosse uma pessoa abastada e nunca tivesse sofrido privações para viver da sua música não conheceu o sucesso de forma instantânea e além disso,em virtude da sua natureza apaixonada, levou uma vida tumultuosa entre ligações amorosas homossexuais e o seu amor profundo pela esposa, as festas constantes, entre a Europa e os EUA.E depois,após o acidente, a queda do cavalo, submeteu-se a inúmeras cirurgias,acabando por perder as pernas.Mas entre dores contínuas,fragilizado fisicamente, continuou a escrever as suas letras e músicas espantosas. As interpretações de Kevin Kline e Ashley Judd são excelentes e ganham densidade à medida que o filme avança e as suas personagens envelhecem. Também a direcção artística compõe notavelmente o período dos anos 20-50.Talvez difícil equilibrar num só filme tudo isto,sobretudo difícil porque o filme quer ser um musical e um drama, e penso que aí não convence inteiramente, devia ter pendido para uma das hipóteses.Apresenta-nos mais a reconstituição da vida do compositor do que o seu percurso profissional, eu queria que o filme demonstrasse de forma esmagadora que Porter foi e é genial,como se eu não soubesse, ou isso precisasse ainda de ser demonstrado!Ou talvez Cole merecesse uma reinterpretação efectivamente moderna de tudo o que fez.Ainda assim De-Lovely não desaponta,é elegante e distinto, bonito e terno. No entanto prefiro ouvir a música do que ver este filme onde é ainda a música de Porter a maior estrela.

"
(Excelente momento do filme em que o cantor se queixa da canção impossível que Porter escreveu,vai das notas mais altas às mais baixas,diz, e o compositor o ajuda a perceber a canção e lhe diz que se esqueça da música e atente nas palavras, na obsessão que elas transmitem.Nesta letra até o som de cada palavra tem superior importância para criar esse efeito, para mim é das melhores que ele escreveu.O clip exemplifica também uma forma de transição muito usada no filme para ligar diferentes espaços e momentos...De-lovely!)

Night and day you are the one/
only you beneath the moon or under the sun/
wheather near to me or far it's no matter darling/
where you are/
I think of you/
day and night, night and day/
why is it so that this longing for you /
follows where ever I go/
in the roaring traffics boom, in the silence of my lonely room/
I think of you/
night and day, day and night/
under the hyde of me, theres an oh such a hungry yearning burning/
inside of me/
and this torment wont be through/
till you let me spend my life making love to you/
day and night, night and day...

No comments:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...