3/1/07

DAVIS, O SHAR PEI DO MEU SOBRINHO




Até conhecer o Davis nunca tinha prestado atenção à raça Shar Pei e depois dele ter ingressado na família ainda não encontrei um bom livro escrito em português sobre a mesma. Mas na Internet abundam sites dedicados aos cãezinhos enrugados e de ar tristonho que muitos conhecem dos anúncios a cosméticos anti-rugas ou da publicidade das lavandarias a seco. São muito diferentes enquanto cachorros e adultos, mantendo as pregas de pele apenas no pescoço e cabeça depois de crescidos. Trata-se de uma raça antiga com suposta origem na vila de Tai Li na província chinesa de Kwangtung. No Sul da China viveram desde a Dinastia Han (200 a.c) de acordo com estátuas encontradas que se assemelhavam aos canídeos. Também um manuscrito datado do séc. XII recentemente traduzido se refere ao cão enrugado, característica do Shar Pei. Shar Pei significa pele de areia ou “casaco de areia”. Além desta pele característica o Shar Pei também ostenta uma típica língua preto-azulada identica à do Chow-Chow, o que pode significar que tenham tido uma origem comum, facto de difícil prova. A marca que exibe na fronte, mercê das rugas, é também característica e é comum nos felinos, não nos cães. Parece que é parecida com o símbolo chinês da longevidade. 

A sua história é atribulada. Típico cão de trabalho, guardava rebanhos e ajudava na caça ao javali. Também era utilizado em combates de cães sendo a pele solta uma característica que lhes granjeava vantagem sobre o adversário pois era difícil de ser abocanhada. Em consequência da Revolução Chinesa a raça quase se extinguiu pois possuir um cão era considerado um luxo fortemente taxado, sendo também proibido criar a raça. Em Hong Kong e Taiwan, todavia, a criação continuou. Diz-se que muitos serviram de alimento para o povo chinês faminto. Em virtude de privações alimentares a que estava sujeita a raça adaptou-se e o seu tamanho diminuiu. Nos anos 60 esteve à beira da extinção e em 1974 chegou a figurar no Guiness Book of Records como o cão mais raro do Mundo. Importado para os EUA aí se iniciou na década de 70 um importante processo de  recuperação da raça. Matgo Law, um entusiasta da criação de cães em Hong Kong fez publicar uma carta na revista norte-americana Dogs apelando ao salvamento do Shar Pei. Isto parece ter sido decisivo. 

O Davis que tem agora um ano e dois meses, aprendeu muito depressa todas as rotinas desejáveis para um cão, é inteligente, independente e parece estar sempre de olho em todos nós. Toma especialmente conta de todos os passos que o meu sobrinho dá, observa todos os comportamentos de quem se aproxima dele. Mas por vezes é muito casmurro. Não gosta de estranhos, rosna e ladra de forma intimidante a todos os que se aproximam demais o que torna os passeios um pouco complicados. E o mesmo em relação a outros cães. Mas connosco é muito meigo, em especial com a minha irmã que é quem trata dele, e com o meu sobrinho. Ora, hoje vai ser operado pois padece de entropia, uma afecção muito comum nesta raça- a pálpebra descai para o olho, ou vira-se para dentro, causando fricção nos olhos. Isto é grave pois pode lesionar a córnea e provocar a cegueira do animal. Podem até precisar de várias cirurgias correctivas. Se algum especialista em Shar Peis ler isto, corrija, por favor alguma imprecisão neste post.

2 comments:

Capitão-Mor said...

Estes cães são tão estranhos quanto adoráveis...
Bom fim de semana para ti!

Anonymous said...

obrigada pelo texto carinhoso e informativo!
O Davis transformou a minha vida e é, para a família, um doce! ( para os estranhos é...fera!)
a "mãe"

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