12/4/06

CLIVE OWEN PARA 007 JÁ!


Eu nunca gostei dos filmes do 007. E até já me tinha esquecido disso! Foi preciso ir ver Casino Royal para me lembrar porque razão vi Goldeneye, Tomorrow never dies, World is not enough e Die another day. (Terei esquecido algum?!!) O meu interesse pelo 007 sempre se ficou pelos genéricos e pela música. Eis a verdade. Ora então a razão remonta talvez a 1983, altura em que a nossa televisão passava uma série intitulada Os Manion da América. O meu personagem favorito era o Rory O’ Manion. Eu estava na faculdade por essa altura e na faculdade havia um rapaz parecidíssimo com o actor que o interpretava. E se era difícil sentar-me perto dele. Havia dias em que levar binóculos poderia ter sido uma opção. Aqueles anfiteatros eram apenas um pouco grandes para estratégias de proximidade. Já não me lembro de quase ninguém que se sentasse ao meu lado, pois as pessoas nunca conseguiam ter um lugar certo. Ter um lugar já era bom.Mas dele ainda me lembro. O Luís era fenomenal. As minhas colegas todas sabiam da minha paranóia pelo rapaz que era parecido com o Pierce Brosnan. Mas se havia uma que soubesse quem era Pierce Brosnan já seria muito. Por acaso, que actores estariam na berra na década de 80?! Possivelmente Richard Gere, Harrison Ford, Tom Cruise. Mas eu tinha de ser diferente, o meu ídolo era um simples actor de televisão, praticamente desconhecido. Assisti a uma charopada, Remington Steele, (que pelo menos serviu para ele treinar o porte de arma) só porque o protagonista era o nosso amigo 007 agora deposto. E ainda por cima dobrada em espanhol!!! Disse um dia que por uma noite com ele era capaz de rastejar desde a faculdade até à portagem. (Cidade de Coimbra, para quem conhece. Quem não conhece, não se ponha a imaginar que não vale a pena. Digamos que o percurso em matéria de acessibilidades seria a tragédia de qualquer deficiente motor.) Essa esteve quase para ir parar ao livro de curso. Só que na altura do terminus da licenciatura eu já não me revia nas palavras ditas. Jamais rastejaria, nem mesmo pelo Brosnan, para ter sexo. Todavia as minhas amigas não me deixaram mais esquecer esse meu desabafo e ainda hoje se riem disso.(Só que hoje já sabem quem é o homem.) À medida que os anos passaram eu continuei a olhar para Brosnan absolutamente fascinada. Mesmo se todos os anos Hollywood nos brindava com um novo catálogo de carnes verdes, verdes porque ainda com pouca rodagem no plateau. Mais novos, mais velhos, morenos, loiros, nenhum me demovia do meu objecto de admiração: eu continuava fiel a Brosnan. Era mesmo um casamento para a vida,ahahah! Muitos filmes e filmes depois, à medida que a minha cinefilia se desenvolvia, apercebi-me claramente que o bonitão não era um actor para altos voos. Paciência. Não se pode ter tudo, não é? Nunca procurei ver todos os filmes onde entrou, mas vi a maioria. Também nunca colei fotos do malandro no caderno, nem na parede, nem pertenci a clubes de fãs!! (Agora acho que o devia ter feito, isso é que teria tido piada, pelo menos para escrever aqui!) Mas tenho algumas Première, durante anos assinei a versão francesa, depois comprei, de vez em quando, a versão portuguesa, e ele anda por lá. Mas não é a mesma coisa, pois não?A sua filmografia é pura mediania. Gosto do The Thomas Crown Affair. É um filme cheio de charme e bom gosto. E escrevo-o com todo o distanciamento. O resto não vale mesmo a pena. Mas, e nem 007? É claro que era divertido ver o Pierse Brosnan como agente secreto, todo elegante no seu smoking, ao volante de grandes carros, sempre penteadinho mesmo no auge da maior pancadaria, shaken but not stirred, etc, etc... Entretenimento bom para a vista. Sinceramente o resto não era nada importante. Digamos, sem querer diminuir o produto, que não é bem o meu tipo de cinema. Mas como não era pelo bom cinema que comprava o bilhete sempre achei divertido, sempre dei o tempo por bem empregue! Goldeneye não é um mau filme. Mas já não me lembro bem. Hoje, pelo contrário, senti que Casino Royale nunca mais chegava ao fim. Duas horas e vinte minutos e se espremer bem o que gostei mesmo foi da personagem da Vesper que me parece muito atípica e interessante dentro do género mulheres Bond. Ora vejamos: cenas de acção e suspense, gadgets e agentes secretos? Fico com a 24 que chega perfeitamente para me deixar empolgada. E nem tenho de andar à procura do meu lugar com o telemóvel dentro de uma sala cúbica - eu sabia que havia de dar uso à pilha eléctrica incorporada - , e nem tenho de aturar os vizinhos do lado a roerem pipocas que nem castores! É que também já não me lembrava: não gosto de animais roedores nas salas de cinema.Tanta coisa de que já não me lembrava. Talvez porque o último filme que vi numa sala de cinema foi O castelo andante. Será que o Brosnan já viu o Casino Royal? Ou andará muito ocupado a gravar anúncios para marcas de relógios e cerveja? Será que ele gosta do seu sucessor, Daniel Craig, que eu apenas conhecia de um único filme, Sylvia, fita sobre a vida de dois escritores, Ted Hughes e Sylvia Plath? Já li algures que afinal o Ian Fleming concebeu um agente durão e sem maneiras, carrancudo e de pouca falas. Mais à Craig do que à Brosnan. Mas que diabo, será que no livro também está escrito que o agente secreto tem de ser loiro?!! E orelhudo?!!!Dei por mim a matutar nisto tudo a meio do filme. Estava obviamente profundamente embrenhada na trama. Que resposta para a pergunta sobre quem poderia justificar melhor os 4 euros e as duas horas e vinte na salinha cúbica?! E penso que já encontrei uma possível: Clive Owen. Porque não? Imaginando-me a fazer o casting, objectivamente, não consigo perceber porque escolheram Craig Daniel. A interpretação é boa, não digo o contrário. Mas não me consegue convencer. É o mistério deste 007.Vamos fazer uma petição online?!!!!

3 comments:

Capitão-Mor said...

Apesar de fantasiosos, sempre gostei de filmes do 007. Mas confesso que este último me desiludiu...È caso para dizer: Pierce Brosnan, volta que estás perdoado! :) A este novo James Bond falta o requinte e charme que os seus antecessores tinham de sobra. Ainda em relação ao post anterior devo-te adiantar que as minhas preferências cinematográficas fazem-se independentemente do que os cinéfilos ou críticos consideramd e melhor. O mundo não seria tão chato se todos gostássemos da cor amarela?

dodos said...

I still think Sean Connery was the best J.B. ever- not the best looking, but the most convincing. Times have changed, the Cold War is over, most of the old gadgets are part of everyday life now- things aren't good for 007 anymore!
Pierce Brosnan is not a bad actor- have you seen "Evelyn"?

Prismatico said...

Ito Arturito jaja Bond, es una buena pelicula, todos los hombres fantasean con ser un espia amante de mujeres, salu2

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