30/06/14

Exposição Martelinhos São João - 2014 - Porto


Até dia 3 de julho apareçam na Exposição de Martelinhos de São João para ver todas as 139 propostas concorrentes. Além dos projectos 3D há projectos em 2D e video. A Exposição encontra-se no Palácio das Artes – Fábrica de Talentos, Largo de S. Domingos, no Porto, a caminho da Ribeira.

Foi a segunda vez que participei no concurso. Há três anos apresentei três propostas. Este ano apenas tive tempo para uma. O martelo em quilling obteve o primeiro lugar, Categoria 3D, na 3ª edição do Concurso da Fundação da Juventude, Porto. Perguntaram-me, no Porto Canal, porque tinha participado e como tinha tido esta ideia. Participei porque o concurso dos martelos já faz parte dos meus festejos do São João, está na agenda! Gosto do desafio criativo da reinvenção do tradicional martelo de plástico. Quanto à ideia, foi até muito fácil. Em março passado descobri o quilling (ou filigrana de papel) e agendei que lá para o verão havia de experimentar. Quando li o anúncio do concurso pareceu-me ser a técnica perfeita para elaborar uma peça. Foi realmente simples pois muitas vezes as ideias são tantas que uma pessoa se atrapalha nas escolhas e na eleição da mais adequada! Já mais complicado foi conseguir aprender e elaborar o martelo no espaço de uma semana, o tempo que tinha disponível. Depois de ter feito o desenho, comecei a cortar as fitas e a enrolar as peças - na sua construção foram cortadas, enroladas e coladas cerca de 650 fitas de papel. O martelo incorpora os símbolos do São João - manjericos, um fogareiro com sardinhas a assar, o alho porro, um pequeno martelo e um balão, além do santo popular. As cores dominantes são verde-manjerico e azul-douro por razões óbvias! Escolhi esta técnica porque queria obter um produto final popular. O martelo remete claramente para as decorações sanjoaninas, muitas delas feitas em papel, e ainda para o floreado do ferro que adorna tantas varandas e portas da cidade do Porto, sem esquecer, também que a filigrana (mas em metais nobres) é uma arte tradicional no norte do país.

Sem dúvida inspirado pela minha paixão pela cidade do Porto, dedico a quem sabe do que falo! Além disso, e até mais do que o Natal, que acontecia num mês chuvoso e escuro, já em miúda o São João já era a minha festa favorita. Em Braga, onde passei a infância, também se festejava pela noite dentro. O que eu gostava no São João nessa altura é o mesmo que hoje: a transfiguração da rua num espaço de festa. Para o ano há mais São João e vamos a ver se pelo menos uma nova ideia para participar neste concurso criativo!









15/06/14

Tendas pop-up para usar na praia




O que acham vocês dos abrigos da Decathlon? A ficha técnica diz que uma das vantagens destas tendas é a facilidade da montagem, - que é instantânea, - e a desmontagem, - nada mais é do que dobragem, - que leva 15 segundos. Diz ainda que o tecido do duplo tecto filtra os UV com IPS de 30 e que pesa 1,1 kg. E que quando se transporta, fechada, tem a forma de um disco plano de 56 cm de diâmetro, um bom formato para carregar. Observem a limpeza com que os dois simpáticos do video demonstram tudo isto. Muito fixe, não vos parece?

De há uns anos a esta parte comecei a ver tendas Quechua nas praias e a pensar em adquirir uma. Mas eram raras e eu interrogava-me porque é que um artigo tão curioso não se tornava viral. Seriam pequenas demais? Faria muito calor lá dentro? Aguentariam a nortada característica aqui da costa? Na Figueira o pára-vento é quase sempre indispensável o que obriga a carregar dois trastes: um chapéu de sol e um pára-vento. Carregar coisas não é o meu forte e por isso a tenda da Quechua começou a tornar-se muito apetecível. Mas os anos têm passado e eu continuo fiel aos dois trastes velhos.

Hoje, quando cheguei à praia, havia pelo menos três destas tendas coloridas já montadas. Enquanto lá estive não vi mais ninguém chegar com elas mas vi um casal com duas crianças deixar a praia com uma. Além da tenda eles ainda carregavam o tradicional chapéu de sol. Observando a cena era fácil perceber que devem ter adquirido a tenda para os miúdos. Se bem que nenhuma criança pare muito tempo no mesmo sítio, regra geral o que todas querem é brincar com a água ou com a areia, ou com a bola, o facto é que as duas crianças até podiam brincar dentro dela protegidas do sol.

Enquanto umas famílias fazem de tudo para proteger as crianças do sol, outras levam bebés de colo para a praia. Isso sempre me causou uma grande inquietação. Que prazer é que um bebé minúsculo pode tirar daquela caloraça? Vai molhar o pézinho? Não tem tempo para o fazer quando já conseguir dar dois passitos sem cair? Qual é a urgência, senhores? Hoje havia um casal - que nem chapéu de sol tinha, - a dormitar ao sol no areal, com o bebé enrolado na toalha de praia, tipo o menino Jesus a dormir na manjedoura, estão a ver? O pai de um lado, a mãe do outro, e à cabeça o irmão mais velho, noutra toalha. Uma toalha fazia de cama, a outra fazia de chapéu-de-sol. Conseguem imaginá-lo enrolado na toalha como num casulo, a transpirar, o cabelinho colado à testa e à nuca?

Voltando à tenda Quechua da outra família, digo-vos, hoje é que me arrependi de não ter filmado a cena da desmontagem/dobragem da tenda instantânea que a promoção da Decathlon diz que se faz em 15 segundos. Faz-se mas é preciso saber como se faz. Eu já estava com pena daquele papá. Não foram 15 segundos, aquilo foram antes uns quase 15 minutos antes dele desistir e amarfanhar a coisa de qualquer maneira, debaixo do braço. Foi hilariante! Por mais voltas que ele desse à tenda, ela parecia ter vida própria, encontrava sempre forma de o contrariar, de se expandir e de impor a sua vontade! Ele não desistia facilmente, não senhora, tentou diversas abordagens, da frente para trás, de trás para a frente, dobrava por aqui, dobrava por ali. Para tornar a tarefa mais complicada o vento estava a soprar com força e em alguns momentos ele lembrava aqueles praticantes de kitesurf, os braços erguidos no ar, a tenda laranja enfunada, estava a ver quando é que o papá levantava voo! A filha veio ter com ele trazendo o saco circular na mão e entregou-lho. Evidentemente que a coisa amarfanhada não cabia dentro do saco circular. Foi quando ele desistiu. Desconfio que aquela tenda ainda acaba no OLX logo mais pela noitinha. Não me ocorreu ir ter com ele, oferecendo-me para a comprar. Talvez que naquele momento de frustração o papá até me tivesse feito um preço de amigo!

E lá estive novamente a escrever sobre a praia. Mas é só hoje, pois amanhã já é segunda-feira, já lá não irei, e no próximo fim-de-semana estarei no Porto. Aturem-me. A saga com o protector solar - o de corpo - continua. Como hoje não tomei banho de mar e ainda não há chuveiro instalado, regressei a casa a sentir-me um leitãozinho alaranjado. Mas o protector que escolhi para o rosto está-se a mostrar uma boa compra, sublime até. É factor 50, estou até com receio que acabar o verão com um corpo de bronze e uma cara pálida! A ver vamos.

14/06/14

Inaugurada a época de banhos na Figueira da Foz



Hoje, sábado, a praia estava cheia de gente embora pelas fotos não pareça nada, pois não? É que a praia da Figueira é um pouco como o estádio Corinthians durante a cerimónia da inauguração do Mundial de Futebol - tem tanto espaço que por mais gente que lá esteja, parece que não está lá ninguém. E também tem bola, é a tradicional bola da Nívea, na zona da praia do Relógio. Há que caminhar e caminhar até bem perto do mar e então aí sim, lá nos encontraremos a lagartar ao sol, ou a formigar na areia molhada, a apanhar ondas.

O site do Instituto do Mar e da Atmosfera indicava 31º graus de máxima para a Figueira da Foz e se os termómetros não chegaram até aí, decerto andaram bem perto. Uma caloraça, hoje de tarde, uma caloraça! A areia estava tão quente que devia dar para assar castanhas! E um casal a ir até ao mar com uma criança pela mão, para a cerimónia do "molhar o pézinho", mais ou menos o equivalente do baptismo do navio com champanhe, - só que o navio é baptizado uma vez apenas, a molha do pézinho renova-se todos os anos - e a criança, de chapéu e tshirt, mas de pé nu, a balbuciar qualquer coisa imperceptível, mas que bem podia ser ó gaja, tu não vez que estou a fritar os pés? E que tal se me levasses ao colo? De nada serviu. Quando o macho percebeu que a fêmea e a cria estavam a ficar para trás retrocedeu e veio ajudar, agarrando a cria ao colo, desta maneira galante salvando os pés mimosos da pequena de um valente escaldão!

E o vento a soprar morno! Se há coisa que gosto é estar na praia com ventinho morno a soprar! De outras coisas eu não gosto mesmo nada. Uma, é roupa que larga tinta quando a lavamos, outra é protector solar que larga tinta. Este ano escolhi mal, já me arrependi de ter trocado o certo pelo incerto. Andei a ler os rótulos de meia dúzia de produtos solares, a tentar eliminar os que me pareceram conter porcarias nocivas, e acabei por escolher um produto que mais parece ter sido criado para o body-painting!!! Mas acham que eu desejo apoiar a seleção da Holanda ou quê? Espalho aquilo na pele e fico às riscas côr-de-laranja!! Além do efeito cromático na pele, o pigmento cola-se ao bikini e à roupa que visto. Quando chego a casa é ver a roupa a deitar tinta laranja no tanque...Acho que vou passar a aplicar com toda a generosidade pois quanto mais depressa chegar ao fim, melhor! Acabo de descobrir o spot publicitário no Youtube, - felizmente com comentários desactivados - a linda Cláudia Vieira a dizer maravilhas da mistela protectora. Será que a marca tem serviço pós-venda? O que me diriam se eu contactasse? "Ah, mas ó minha senhora, na pele da Cláudia Vieira isso não acontece!" - É verdade, ela tem um aspecto tão limpinho no anúncio, tem o aspecto de quem não aplicou nada, nada mesmo na pele. "-Vai ver que é a sua pele de lagarto que faz uma reacção anómala!" Pfff...

Consegui resistir à tentação que na boca do vendedor pregoeiro é "bola de berlim com creme ou sem creme, bolas com creme, creme sem bolas, ora bolas", mas daí a pouco passou uma senhora a oferecer queijadas e pastéis de Tentúgal e a gula apertou, que doçura de assédio! Eu gosto tanto das queijadas de Pereira, bem mais do que dos pastéis! Levantei-me e fui comprar uma garrafa de água para enganar o meu crescente desejo por doces, - uma pessoa não é de ferro, pois, é mais gordurinhas localizadas...- e saciar a sede, pois com tamanha brasa eu já me sentia a desidratar. Voltei. Daí a uns instantes até já pensava que a senhora das queijadas tinha sido uma miragem, ou não estivesse no meio do deserto, calor e só calor, e tanta areia que me rodeia ali na praia do Neptuno, onde os cães não podem entrar, somente os cães-guia, ficam desde já avisados. Ou as minhas pernas encolheram ao longo destes meses de inverno de tanta chuva ou o areal cresceu, cresceu novamente! Isso deixa-me bem mais preocupada do que roupa e protectores solares que tingem. Que diabo, se o mar encolhe aqui, onde cresce? Algures existirá alguém a sentir-se roubado, roubado de terra. Eu apenas me sinto envergonhada de pertencer a uma raça de incompetentes que só sabem é arruinar a orla costeira. Mas, mas, nem tudo é assim tão ruim. O areal está repleto de vegetação rasteira, uma placa à entrada da praia explica que aquilo não é incúria, nem falta de verba para manutenção, parece que estamos a proteger o habitat costeiro, a contribuir para a sua recuperação e fixação das areias! Yes!

Ah, claro, também fiz questão de ir molhar o pézinho, pois sem pézinho molhado não considero inaugurada a época de banhos. Brrrr. Estava fria! Amanhã há mais.

10/06/14

Relembrando o concerto dos Muse no Estádio do Dragão



E aonde é que estavas tu a festejar o 10 de Junho há um ano atrás? Eu estava no Porto e com bilhete no bolso para ir ao Estádio do Dragão ver o concerto dos Muse inserido na The 2nd Law Tour. Foi um fim de semana frio e sem sol, precisemos, chegou a chover. Ao final da tarde fui para o estádio agasalhada mas não o bastante, não imaginando o frio do c..., -assim se fala no Porto, - que iria ter de aguentar. Havia gente de gorro na cabeça e cachecol. Isto resume a coisa. Por isso quando começamos a fazer a onda nunca mais parámos. Enquanto a música não chegava tínhamos encontrado uma outra forma de manter os músculos em movimento, aquecidos!

O estádio tem cerca de 50.000 lugares, que não estavam completamente preenchidos, julgo que estiveram lá 45.000 pessoas. Havia gente em lágrimas por não poder ir ao concerto dos Muse, um espectáculo que prometia incendiar o Estádio do Dragão. Eu não sou fã dos Muse, eu não sou fã de grupo algum embora tenha os meus preferidos. Acho que o único grupo de que eu alguma vez fui fã foram os Duran Duran. E mesmo assim fui apenas uma pequena fã, não fui além de meter uma madeixa loura na minha franja. Nunca os vi ao vivo, não tenho sequer um LP deles, ouvia o Rio em cassetes que as amigas me gravavam. Guardava algumas Bravo com posters dos rapazes e, claro, desenhava o baixista que considerava to die for, o John Taylor, nos meus cadernos da escola. Ah, e tentava desesperadamente ver os videoclipes que passavam na TV em programas de música que aconteciam uma vez por semana! E, oh tristeza, nem sequer podia gravar para ver de novo. Eram tempos difíceis para uma fã, mesmo uma fã mindinha como eu, se comparados com os actuais onde tudo cabe dentro de um cartão de memória de um telemóvel. Mas nem ontem nem hoje, eu não tenho espírito de fã. Compare-se o caso desta particular fã que decidiu dar os parabéns ao Matt Bellamy mobilizando a multidão presente no estádio. Happy B-Day Matt, foi uma flash mob criada por uma miúda que deve ser fã do fundo das tripas e que implicou colocar 5000 folhas brancas de papel A3 nas cadeiras para as pessoas erguerem no ar, em sincronia, num dado momento desenhando assim aquela frase. Estão a ver a trabalheira?! E eu? Eu fiz uma mecha loira na minha franja. A minha cadeira não tinha folha. Adiante.

Então o que faz uma gaja que nem sequer é fã dos Muse num concerto dos Muse? Ainda por cima é um concerto caro pra c...(sim, sim, leia-se isso mesmo e não caraças.) E mais: uma gaja que acha que tudo quanto excede a lotação de um coliseu (Porto ou Lisboa) já não é concerto, é desconcerto. Eu não quero ir a um concerto para ver músicos de 3cm. Qual é a graça de olhar para ecrãs -um pouco maiores do que os que tenho em casa, é certo - para ter a certeza que estamos no concerto certo?!! Qual o sentido disto?!!! Uma multidão aos saltos pode ser tudo o que vocês queiram mas os bilhetes para ver multidões amestradas não os acham um pouco caros pra c...?!!

No fundo, e embora eu até curta bastante o som dos Muse, fui ver o concerto atraída pelas críticas de estalo que se acumulavam desde o início da tour. A começar no desenho do palco, passando pelas boas prestações de toda a banda, pela utilização magistral do vídeo, a excelência dos efeitos visuais, do desenho de luz, pela apurada noção de espectáculo, que até actores e actrizes incluía, etc, etc, parecia ser o concerto do ano. Quando cheguei ao estádio e vi o palco enorme inspirado na famosa central termoeléctrica londrina dos anos 30, a Battersea Power Station , não fiquei imediatamente convencida. (A propósito, esta central parece exercer um certo fascínio nos grupos musicais pois além dos Muse também os Beatles, os The Animals e os Pink Floyd se apropriaram da sua imagem em diversos suportes.) Foi preciso aguardar que escurecesse e que tudo aquilo ganhasse luz, calor, vida. Quando o concerto arrancou surpreendeu-me de tal maneira que até me esqueci de tirar fotografias! Em rápidos minutos o palco transformou-se num arrebatador cenário de ficção científica, a máquina estava em movimento sem margem para improvisação. O que melhor recordo é a luz das labaredas que se soltaram das chaminés a iluminar tudo, o calor resultante das explosões a chegar até ao meu rosto e corpo, o desenho magnético que lentamente se formou ao centro, uma espécie de turbina, as cores vermelha e azul. A conjugação perfeita da música com tudo. Foi sensacional.

Os Muse em palco são uma máquina e Bellamy é um homem com uma energia inesgotável. Ao longo dos 90 minutos fez de tudo para manter a comunicação e o contacto com o público, o que era facilitado por um sub-palco distanciado longos metros do principal. Ora tirando riffs vibrantes da guitarra, ora sentando-se calmamente ao piano, manteve sempre uma vocalização irrepreensível. Neste concerto houve tempo para tudo, para as canções recentes, para os hits, até para a flash mob. Mas é um concerto ganhador porque, pese embora o gigantismo visual e a espectacularidade da produção, em nenhum momento esquece a celebração da música, a razão de ser de estarmos ali, 45.000 pessoas de todas as idades, e é ela que, em última análise, incendeia a multidão e a faz render-se e transformar num só corpo, em puro júbilo e alegria.

Em conclusão. Este grupo já existe há vinte anos e é indiscutível que são extremamente profissionais, goste-se muito, assim-assim, pouco ou nada. Eu não conheço os Muse do início de carreira mas do que conheço gosto. Penso que os Muse têm um produto popular de bom gosto, um produto onde por vezes caiu a nódoa, como acontece com qualquer bom pano. Mas isso são minudências para os puristas e fãs do fundo das tripas, que não eu. Foi a primeira vez que vi um concerto em estádio e não conto repetir. Mas que valeu a pena, valeu. Por isso hoje, um ano decorrido sobre o concerto, relembrei a noitada com os Muse, no estádio do Dragão. Foi mesmo um concerto do c...


Ainda era de dia
Do meu lugar na bancada
O Bellamy no ecrã e no palco, a tal coisa...
As chaminés em chamas
O princípio
Quase no fim...

A função do sub-palco, os riffs, os vocais