08/06/14

O cinema sai do armário


No fim-de-semana passado o fundo de uma das minhas estantes descolou-se, as prateleiras soltaram-se e quando cheguei a casa tinha parte dos livros no chão. É uma estante barata onde guardo poesia, BD, livros infantis, livros sobre arte e sobre como pintar, desenhar, e guias de viagem. Três prateleiras e um armário na base. Passei o sábado a retirar todos os livros, a tirar o pó de cada um, a pregar o fundo e prateleiras e a restabelecer a ordem. No armário inferior da estante encontrei muitas revistas de cinema de que eu já nem me recordava. Há muitos anos que deixei de comprar revistas. Fiquei surpreendida por estarem em tão boas condições, algumas têm mais de 30 anos. Mas o que mais em intrigou foi uma pequena agenda FORUM, de capa vermelha, do ano de 1995. Sem dúvida que foi na década de 90 que eu vi mais cinema. Se já não me lembrava das revista muito menos desta insignificante agenda. Entre leituras dos livros caídos, das revistas e dos pequenos textos desta agenda, a tarde passou rápido, eu lia meia hora disto e daquilo, arrumava cinco minutos, varria um cotão, voltava a ler um poema, uma história infantil! Afinal o que contém esta agenda? Um registo muito simplificado dos filmes que vi entre Outubro de 1995 e Março de 1996. São duzentos filmes, é muita fita! Eu via o filme, atribuía-lhe uma classificação de 1 a 5 e escrevia uma breve sinopse! Escrever nesta agenda terá sido o equivalente de usar o Twitter para dar a minha opinião sobre uma fita em 140 caracteres. (Embora não andasse a mostrar a minha agenda ao mundo!) O que me surpreende ao reler os pequenos textos é o meu poder de síntese, algo que evidentemente tenho vindo a perder ao longo dos anos. De cada vez que agora escrevo sobre um filme encho um caderno, não uma agenda! Exagero, pois, mas duas folhas A4 no mínimo lá tem de ser! Ao acaso, aqui vão três das sinopses. Folheando os títulos encontrei cinema de todo o género e nacionalidades, animação também. De alguns dos filmes já nem tenho memória, outros ainda tenho presentes.

A caixa - Manoel de Oliveira, 1993, Portugal. Atribuí 4 na minha escala de 1 a 5. Com Luis Miguel Cintra, toda a acção decorre num beco de um bairro lisboeta e gira em torno da personagem de um cego que tem uma caixa de esmolas e dos seus vizinhos, conhecidos e ainda de outras figuras acidentais. Muito bem conseguido em termos estéticos, com excelentes interpretações por parte de todos os actores, é, possivelmente, o mais acessível de todos os filmes do cineasta. Um retracto social e humano perfeitos.

Die buchse der Pandora - Georg Wilhelm Pabst, 1928, Alemanha. Atribuí 4. Com Louise Brooks, é a trajectória de Lulu, uma mulher fascinante que se serve dos homens para atingir os seus desejos e caprichos, acabando os seus dias às mãos de um psicopata. Filme extraordinário, com grande densidade dramática e personagens bem desenvolvidas. Bom argumento e interpretações, excelente realização. Uma surpresa.

The midnight cowboy - John Schlesinger, 1969, EUA. Atribuí 5 pontos em 5. Com John Voight, é o drama de um jovem provinciano que chega a Nova Iorque na esperança de ganhar a vida facilmente como prostituto. Todavia nada correrá como previra. Excelente realização, óptima montagem. Um filme sobre o lado negro da vida nas grandes cidades, a luta pela sobrevivência no seu limite.

Além da agenda vermelha também encontrei os cadernos de capa preta. Destes lembrava-me bem. São dos anos 80-90. Seis volumes cheios de recortes de jornais e revistas. Sem grande cuidado, eu não indicava o jornal ou revista de onde recortava.Lembro-me que não era exaustiva, apanhava o que estava à mão e guardava. Mesmo assim consegui material para quase todos os filmes que vi. Também guardava os panfletos de divulgação dos filmes e os bilhetes de cinema de cada sessão, um apenas do cinema S. Geraldo, em Braga, com preço histórico de 10$00, impossível lembrar o que teria visto mas possivelmente tratou-se de uma sessão infantil, do Snoopy ou do Tintim, a que o meu pai me terá levado! Deve ser o bilhete de cinema mais antigo que guardei.
 


No mesmo armário encontrei também dezenas de revistas de cinema. As primeiras que comprei foram a Première, a edição francesa. Aquela que tem o Spielberg na capa data de 1986. O meu francês nunca foi famoso, mas o meu interesse pelo cinema fazia-me fazer o esforço da sua leitura e sem dúvida que isso até me ajudou no contacto com a língua. Devia ter continuado e talvez hoje conseguisse ir além do merci, pas mal, coup de foudre! A revista que tem o Brad Pitt na capa é o Nº 1 da edição portuguesa da mesma revista, esse número saiu em 1999 e eu assinei a Première durante um ano. Nunca consegui gostar tanto da nossa edição como da francesa, mesmo com a barreira da língua ultrapassada. Quando a assinatura chegou ao fim, não renovei. Essa foi considerada a primeira revista de cinema em Portugal durante uns anos. Depois lembro-me de ter aparecido concorrência, mas por essa altura eu já não comprava revistas.

Antes da Première existiram outras revistas de cinema em Portugal, eu encontrei algumas, - e devem até existir mais - que adquiri por curiosidade: A grande ilusão, Revista de cinema, e 7ª Arte, Revista técnica de cinema. Observem aquele exemplar com o carimbo da aprovação por parte da censura. Além das revistas, no armário ainda guardo alguns livros sobre a 7ª arte, centenas de postais, catálogos diversos, incluindo do Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz e do Fantasporto, posters, enfim, uma memória em papel dos anos em que vi e li sobre cinema com maior regularidade. O cheiro a papel transportou-me até ao passado, às salas de cinema que já não existem, em Braga, na Figueira, em Coimbra. Vivemos o momento da inodora internet, é esse o armário onde se armazena e obtenho quase toda a informação sobre o cinema que vejo ou não vejo, e até de muitos filmes que não posso ir ver ao cinema. Mudam-se os tempos e os modos, mas a grande ilusão permanece no meu quotidiano, com idêntico fascínio.

07/06/14

Manjerico: é regar e pôr ao luar


É claro que os leitores deste blogue já deram às de vila-diogo, nem outra coisa poderia ser. Não tem havido nada de novo para ler por aqui e as últimas postagens eram apenas as listas dos prémios de cinema, ainda por cima os mais conhecidos, algo que faço para minha referência, mas sem grande sentido, pois o Google serve para isso mesmo. Mas já que estamos em maré de verdes, - acabo de ler que os Verdes Europeus não querem o Marinho Pinto porque ele é ligeiramente homofóbico, eu acrescentaria que se é marinho, não pode ser Verde, mas, decidam lá isso, recambiem-no para os Liberais ou para um qualquer canteiro à medida do seu preconceito - informo que fui a correr comprar um manjerico antes que me acontecesse como em 2013, ano em que foi quase tão difícil encontrar um manjerico como encontrar um político honesto. Ou já os tinham levado todos quando finalmente decidi ir às lojas ou o centro do país é terra ingrata para a vendagem do manjerico. 

Em 2014 continua a ser francamente complicado encontrar um político honesto, mas eu já tenho o meu manjerico. Uma outra tendência que se mantém, ano após ano, é que os manjericos que aqui se vendem são sempre uns mirrados de meter dó. Eu chego ao Porto e começo logo a babar para cima daqueles manjericos que vejo nas bancas e que parecem o cabelo do Michael Jackson quando cantava com os Jackson Five. Definitivamente o manjerico está para mim como a nepeta cataria para os gatos. Obviamente não ando por aí a rebolar-me como os gatos, para quem esta erva aromática funciona como afrodisíaco!Mas também fico enebriada com o cheirinho deles e se pudesse gostava que a casa cheirasse a manjerico todo o ano. O manjerico, também chamado "erva dos namorados", é uma planta de presença obrigatória nas festas de São João e de Santo António, os santos populares respectivamente do Porto e de Lisboa.

Li aqui que a maioria dos manjericos que estão à venda nos festas de Santo António, em Lisboa, vêm do Casal Ventoso, um bairro da capital, de um terreno onde se podem encontrar milhares de manjericos, isso é que era uma overdose de manjerico! E aqui, fiquei a saber que alguns dos que que vejo à venda nas bancas do Porto devem vir da Maia. Estes cultivadores do norte também escrevem as quadras populares que os acompanham. O manjerico que comprei é low-cost: foi comprado num supermercado, vem em vaso de plástico e sem direito a quadra popular, e não é nem muito redondinho nem muito cheiinho, paciência. Low-cost ou gato por lebre, ainda não me decidi. Tem crescido muito ao longo desta semana. Vamos ver se dura pelo menos até ao S.João! É regar e pôr ao luar!

Notícias bem verdinhas do abacateiro!


Os fãs do meu abacateiro devem por esta hora estar a perguntar-se se ele terá sobrevivido ao inverno e até à primavera. Contra fotos não há argumentos. Ei-lo, em carne e osso, melhor é dizer, em caule e folhas. Para que conste: o abacateiro está de boa saúde. Tão pouco lhe parece estar a fazer diferença que a prima Vera o ande a traír com o Inverno. A mim o facto tem-me deixado muito mais perturbada pois ando num afã, - tira cobertor - volta o frio - repõe cobertor, - muito impróprio para um calendário que me diz que faltam 13 dias para o verão. Além disso, este de manhã sol, ao meio-dia chuva e à noite frio obriga-me a criatividades com o vestir que só uma top-model habituada a passarelas internacionais domina de A a Z. Enquanto isso, o abacateiro cresce, as folhas multiplicam-se, num está-se bem de causar inveja, perfeitamente adaptado ao seu ambiente. Não solta um queixume, as folhas mal se agitam, o caule não amua. Está lindo. Não sei por quanto mais tempo ele poderá ficar no vaso sem prejuízo para o seu bom desenvolvimento. É talvez chegado o momento de o passar do vaso para um jardim.Tenho de me fazer ao Google, nosso consultório privilegiado, porque grátis, e ver se encontro a resposta. Depois, se for o caso, procurar alguém que queira adoptar o meu abacateiro. Aceito inscrições, mas só da minha área de residência, pois arrogo-me o direito de fazer visitas à árvore, e até regar se me apetecer. Mas desde já aviso que só o leva quem me demonstrar que o vai tratar bem, na maturidade e na velhice, na saúde e na doença. Uma mãe de semente de abacate nunca o fará por menos. (Para verem fotos da semente e seu desenvolvimento, espreitem aqui.)

03/06/14

Figueira da Foz - foi você quem perdeu um telemóvel?

Ontem ao início da tarde encontrei um telemóvel na via pública. Hoje de manhã fui entregar na esquadra da P.S.P da Figueira da Foz (Rua de Mortágua). Muita gente já não acredita que as coisas perdidas sejam entregues na polícia e não vão às esquadras procurar. Peço aos bloggers da Figueira que partilhem esta postagem pois deve haver alguém a quem o aparelho só pode estar a fazer falta. Agradeço a divulgação!

02/06/14

Ex-futebolista Ricardo Vitorino precisa da sua solidariedade


A SAD do Vilafranquense organizou no passado sábado, dia 31 de Maio, um jogo solidário cuja receita de bilheteira reverteu totalmente a favor do seu antigo atleta, Ricardo Vitorino. O jogo realizou-se no Campo do Cevadeiro, em Vila Franca de Xira, pelas 16 horas, com bilhetes a quatro euros, com a participação de dois internacionais portugueses, Carlos Martins e Miguel Rodrigues (Nacional), entre outros jogadores.

Acabo de ler esta notícia no JN online. Peço que leiam. É uma história verdadeiramente dramática. Ricardo Vitorino, hoje com 35 anos, viu o sonho de ser futebolista terminar aos 19, quando foi atingido por uma bala perdida que lhe perfurou a medula, o pneumotórax e três vértebras. O autor do disparo foi multado por posse ilegal de arma e seguiu com a sua vida. Ricardo acordou no hospital, deu dois passos, caiu no chão e nunca mais conseguiu andar. Mais tarde, em 2006, já numa cadeira de rodas, Ricardo deu uma queda ao passar da cadeira para uma piscina em Tróia. Desta queda resultaram ferimentos que infectaram e que obrigaram à amputação de ambas as pernas atingidas por gangrena. Hoje Ricardo Vitorino vive com imensas dificuldades, sem sequer tido tempo para fazer descontos significativos ele recebe uma pensão de invalidez de 215 euros. O dinheiro não chega para nada, entrando na conta no dia 10, sumindo no dia 11 na totalidade, nem chegando para medicamentos. De desportista com um futuro promissor - treinou ao lado de Maniche e Deco - a pessoa profundamente dependente, esta é uma história que não deixará ninguém indiferente. A vida de Ricardo resume-se a ver TV. Assistir aos jogos de futebol na televisão, o desporto continua a ser a sua paixão, é o seu entretém. Ricardo gosta de viver - "Tenho dois braços, tenho de me fazer à vida", diz Ricardo aos amigos.

Pergunto se não podemos ajudar a tornar o dia-a-dia de Ricardo um pouco melhor. Se tem possibilidades de ajudar o Ricardo de alguma forma, informe-se da sua situação. Se pode contribuir com um donativo isso será seguramente uma grande ajuda. O NIB da conta de Ricardo Vitorino é 0035 0873 0006 3407 3007 6.  Vou contribuir com um pequeno donativo. Pode também divulgar esta situação no seu blogue, twitter e Facebook.