22/09/13

Televisão: Sherlock, uma das melhores séries do momento




"I'm a high functioning sociopath! Do your research."

Mais televisão. No fim do jantar, ontem, aí pelas 21.30 horas, voltei a espreitar a TV. E desta vez apanhei um "episódio especial", era o que se lia, da série britânica Sherlock. Foi no AXN. Pensei que o "especial" fosse "reposição" ou qualquer coisa assim. (Espreitei o site na internet e fiquei na mesma. Não sei se sou a única que não gosta dos sites destes canais, AXN, FOX e companhia. São confusos. Nunca encontro as respostas às minhas dúvidas.) 

Eu já tinha visto o teaser desta série há muito tempo e francamente torci o nariz. Não gostei do que vi, já mal me lembro. É normal. Pior do que os sites, só os teasers e os separadores que eles engendram! O copy é péssimo. (Hoje estou para malhar nos canais de TV!!) Lembro-me de ter pensado: mas o que é isto?! Mais Sherlock?!! Não sei quantos actores, quantas séries, quantos filmes existirão baseados nos contos do detective de Baker Street, mas mais que muitos. E, além do mais, confesso, não gostei do ar do Benedict Cumberbatch!! Aquela caracolada toda, o nariz impertinente, a boca em rasgo e os olhos de águia formam um conjunto estranho mesmo para o peculiar Sherlock Holmes. Dizem que tem um natural ar de "nerd", um ar de "geek", o que quiserem, para mim Cumberbatch deve ter ADN alienígena! Eu já o tinha visto, - e que bem - num papel secundário no filme A toupeira, ao lado de Gary Oldman. E também em Cavalo de guerra, de Spielberg. Mas só me impressionou MESMO no filme seguinte onde o fui encontrar, Star Treck, Além da escuridão, quando encarnou Khan Noonien Singh, um vilão de arrepiar. Cumberbatch é o que se recorda depois de sair do cinema. A sua interpretação tem de figurar no top das melhores na categoria vilões de sempre! Pena é que o filme não esteja ao nível do seu desempenho. A partir daí eu agendei mentalmente ver mais filmes com ele - e vêm aí bastantes - e lembrei-me que talvez devesse dar uma segunda oportunidade a Sherlock. Fiquei, pois, contente, quando descobri o "episódio especial", seja lá o que isso for.

Pesquisei na net, agorinha mesmo, e já percebi que existem duas temporadas de Sherlock e que a terceira já mexe. Pois bem, adorei o episódio especial de ontem, o AXN deve estar a recapitular antes de mostrar a terceira temporada, gostava era de saber quando. Este "episódio especial"é da segunda temporada e inspirado no livro Um escândalo na Boémia."Para Sherlock Holmes, ela é sempre a mulher. Raras vezes o ouvi mencioná-la sob qualquer outro nome. A seus olhos, ela eclipsa e domina todo o sexo feminino. Não que ele sentisse por Irene Adler qualquer emoção do gênero do amor. Todas as emoções, e essa em particular, eram detestáveis à sua mente fria, precisa, mas admiravelmente equilibrada." (Connan Doyle) Reconheci claramente a personagem, Irene Adler, que se envolveu num escândalo com o Rei da Boémia. Em seu poder ela tinha uma foto comprometedora e então Sherlock é chamado a recuperá-la, encontrando em Irene Adler uma oponente quase à altura. Se este episódio for uma amostra da série só posso afirmar que Sherlock é sublime. Eu não sigo mais que uma série ou duas por ano, mas vou vendo episódios desta e daquela, que apanho à socapa, no zapping. É raro ficar tão deslumbrada com apenas um episódio.

Esta série adapta os livros de Doyle aos nossos tempos o que só por si é uma aventura arriscada. Sempre que se mexe um bocadinho com a personagem Sherlock Holmes as reações disparam. Lembram-se da discussão em torno do filme Sherlock Holmes de Guy Rytchie ? Nem mesmo a presença de Robert Downey Jr. sossegou o pessoal, em especial o mais purista. Eu gostei dos filmes mas aquilo não é Sherlock, não é Holmes, não é Doyle. Façam o teste: dêem outros nomes às personagens, por exemplo, Elias e Ziegfried, e rebobinem os filmes nas vossas memórias. Onde está Doyle? Ainda assim são grande espectáculo e muito divertidos, eu gostei. Mas facto é que todos os grandes apreciadores de literatura de mistério são particularmente sensíveis a esta matéria da adaptação dos livros de Arthur Connan Doyle ao cinema ou à TV. E além disso Jeremy Brett fez um tal bom trabalho que ninguém admite que se belisque a sua criação! Mas eu só tenho uma palavra para descrever este Sherlock contemporâneo: brilhante. Ou duas: brilhante, brilhante!

É surpreendente, de facto, que na minha anterior postagem sobre Crossing Lines eu me confesse enfadada com o crime e os seus detectives, e agora tenha tido este coup de coeur por uma série que, dirão vocês, não traz nada de novo. Histórias e personagens velhas de dois séculos, de novo as velhas intrigas movidas pela caça ao homem e ainda por cima segundo o método científico e a lógica de um detective vitoriano?!! Bastou vestir Sherlock de contemporaneidade? Bastou isso? Sim! Que golpe de mestre. Se Guy Ritchie se tem lembrado disso teria sido de génio! Têm de ver para crer. É que uma ideia destas podia ter corrido tremendamente mal. Mas, acreditem, a série está fantástica.

Holmes terá sido o percursor da ciência forense. Mas o mundo pós-Doyle evoluiu, a ciência criminal evoluiu. Até os criminosos tiveram de evoluir.Surgiram novas tipologias de crime. Os motivos do crime, tal como no séc. XIX, podem ser os mais diversos, o dinheiro, o ciúme, segredos. Mas o investigador e o seu espírito dedutivo continuam a ser a chave para resolver o problema. No centro da investigação criminal o elemento humano é sempre decisivo na busca da verdade. As personagens vitorianas absorveram a modernidade como se Sherlock e Watson fossem body snatchers, perfeitamente adaptados às novas tecnologias, aos novos procedimentos de investigação e ritmos da vida moderna na cidade londrina. 

A história desenrola-se com uma estonteante naturalidade mas Sherlock não captura a realidade dos nossos dias tout court. A série resulta antes numa encenação que nos transporta ainda para um claro espaço de ficção. A (re) criação permanece guiada pela visão de Connan Doyle, o espírito, a atmosfera dos grandes mistérios continua presente. A equipa não caiu na tentação dos efeitos, especiais ou não, apenas algumas graças, como o texto sobre as imagens, a par de curiosas utilizações da câmera, ângulos pouco usuais, uma edição cuidada, enfim uma direção muito criativa, apoiada por ambientes interiores e exteriores de luxo e música no tom certo. Escutem a banda original de Sherlock (abaixo) e observem como a própria música, mais do que criar atmosferas, parece também ela contar pequenas histórias misteriosas.

And last but not least, Benedict Cumberbatch, porque diabo não deixou ele de parte este horrível nome de família?! Cumberbatch soa a tudo menos a actor de talento! (Mas até lhe fica bem, depois de nos habituarmos.) Não imaginaria, tendo visto aquele teaser idiota há tanto tempo, que Cumberbatch poderia ser tão magnífico. Sherlock Holmes é uma personagem cheia de singularidades. É um detective brilhante, friamente dedutivo, que pratica a observação como arma. Astuto e dono de todas as certezas, egocêntrico, balança entre a admiração de uns e a antipatia de outros. Tenho para mim que Cavaco Silva deve ser fã de Sherlock, daí a célebre "Nunca tenho dívidas e raramente me engano.” Holmes é também anti-social, culto e dono de certos interesses e hábitos particulares, para não lhe chamar manias. Cumberbatch torna-o intenso e imensamente divertido. O seu amigo pragmático, Watson, também está muito bem entregue a Martin Freeman, que tem uma prestação muito mais activa do que em anteriores adaptações. Watson afronta Sherlock com os seus comentários certeiros e sem medo e é também ele uma personagem interessante e não um mero parceiro. Grandes interpretações dos principais, secundários muito afinados também, diálogos muito bem escritos! Humor, insolência, suspense, acção, drama, está tudo lá. E ainda só vi um episódio. Será que é bom de mais para ser verdade?


19/09/13

Televisão: Crossing Lines, no AXN


As manhãs e as noites frescas já nos lembram que o Inverno está para chegar. Não sei porquê mas com a chegada do frio eu caio sempre na tentação de ligar a TV e acabo por descobrir uma qualquer série que depois sigo durante o Inverno. Foi assim que acabei por assistir à estreia de Crossing lines no canal AXN. Andava eu no zapping e a constatar que nada mudou desde o Inverno passado quando aparece o William Fichtner. Em Prison Break ele interpretava o agente Alex Mahone. Alex foi a minha personagem favorita. Mahone teve um percurso muito interessante, de polícia a vingador, penso que deve ter conquistado uma legião de fãs! Na altura pensei que Fichtner tinha hipóteses de dar o salto da TV para o cinema, sem saber que ele já andava por lá e que eu até já tinha visto filmes onde ele tinha entrado. Infelizmente Fichtner só consegue pequenos papéis. Em Elysium, o mais recente filme onde o catrapisquei, a sua personagem, Carlyle, também não dura muito tempo. Foi por causa dele que parei o zapping e comecei a ver Crossing lines.

Já não tenho muita paciência para estas histórias de polícias e ladrões, ou assassinos, pois o filão tem sido mais que explorado. Mas a série conseguiu intrigar-me. Boa atmosfera, excelente fotografia. Tecnicamente não há nada a contrapor. Acabei por ver o episódio piloto e ficar para o segundo. E, é claro. Fichtner. Fichtner é Carl Hickman, um polícia nova iorquino atraiçoado pelos seus chefes no seguimento de um infortúnio que o deixou com a mão direita inutilizada e dependente de morfina. Incapaz de segurar uma arma ou mesmo de escrever relatórios, segundo suas próprias palavras, Hickman vive numa caravana e apanha lixo numa feira - descobriremos mais tarde que não está ali de forma inocente - quando o Major Louis Daniel lhe oferece uma segunda oportunidade numa super-equipa de profissionais que lutam contra o crime. Por esta altura, ou talvez um pouco mais adiante, eu já deitava as mãos à cabeça: Hickman era uma espécie de House MD, um profissional brilhante, mal tratado pela vida e por isso amargo com tudo e todos, e dependente de um fármaco! OMG! Mas que decalque!

Rapidamente percebi que a equipa reunida além de ser formada por profissionais de elite é também multicultural, composta por agentes de vários países, e o seu objectivo é solucionar crimes que se desenrolem no território europeu. Et voilá, temos uma espécie de "Liga da Justiça" europeia. Pode ter alguma piada ouvir falar inglês com diversos sotaques, francês, irlandês, alemão, italiano. Ou não. Ainda não me decidi quanto a isso. É sem dúvida interessante jogar com a diversidade cultural. É uma aposta boa mas vamos ver se não se ficam pelos sotaques. Também pode ser atraente ver outros cenários que não as tradicionais cidades norte-americanas. Isso é refrescante, sem dúvida. Mas os crimes vão ser os mesmos de sempre e isso não me deixa lá muito entusiasmada, saturada que estou de tantas séries que vi, todas semelhantes. E mais do mesmo foi mais ou menos o que aconteceu. Apresentaram-nos os bons da fita. Deu-se início à caça ao homem. Homem caçado, caso encerrado. Déjà vu.

Fiquei depois a saber que a série é europeia, mas, mas, apesar da série ser europeia, ela parece feita nos Estados Unidos, foi feita à maneira das séries que estamos habituados a ver, quanto a isso não há qualquer novidade. E é pena. Mas, lá está, isto é um negócio e Crossing lines também se quer a cruzar as fronteiras e a ser vista fora da Europa, nos EUA certamente e nos outros países que já foram “colonizados” pelo modelo americano de investigar e resolver crimes. (Suspiro.)

Quem está a mexer os cordelinhos em Crossing lines é Edward Allen Bernero, produtor executivo de Mentes Criminosas e de Third Watch, que, de acordo com o que vi em alguns minutos no "Insider" que transmitiram a seguir, já foi polícia e tem muito interesse na história das instituições policiais. Disse ele que quando os estados da Europa se associaram passou a existir aqui uma situação muito semelhante à dos EUA, nomeadamente no que toca ao surgimento do FBI, e que foi isso que o inspirou para criar esta série, estas personagens e uma espécie de FBI europeu. Ontem à noite eu estava especialmente cansada e nesse momento fiquei confusa. Ele estaria a referir-se a quê exactamente?!! Lembrei-me da INTERPOL, aquela organização internacional que ajuda na cooperação de polícias de diferentes países e que já é mais velha que as nossas avós e que todos nós nos lembramos de estar bem activa aquando do desaparecimento da Madeleine MaCann. Para Bernero estar tão empolgado com a sua ideia ele não poderia estar a referir-se a esta instituição pois não?! Pois não?!! O Major Daniel tem um encontro com um respeitável Michael Dorn e ele, nem mais nem menos que o veterano Donald Sutherland, entrega-lhe uma autorização legal para a actuação da equipa com origem no ICC - International Criminal Court ou seja, Tribunal Penal Internacional, em Haia?! (Isto não fez muito sentido para mim.) Era preciso dar esta volta para " europeizar" a coisa? Não bastava que a equipa fosse uma célula especial da Interpol, por exemplo? Pelos vistos não. E está feito, assim surgiu o "FBI Europeu” do sr. Bernero. O Donald Sutherland tornou-se o equivalente branco de Morgan Freeman: sempre que se quer seriedade e respeitabilidade aí temos ou a voz de um ou a barba de outro. A gente nem questiona. Mas da parte dele só espero o melhor, não é ele que me preocupa.

Crossing Lines é uma série da produtora alemã Tandem Communications em parceria com a francesa TF1 Productions e as americanas Bernero Productions e Sony Pictures Television International (SPT). Da SPT também sairam The Firm - eu vi apenas um episódio - e Hannibal, de que não vi nem sequer um teaser. São 10 episódios. Na Europa o people tem gostado das aventuras da super-equipa-internacional. Mas nos EUA o interesse foi mirrando a cada episódio. Todavia Crossing lines foi renovada porque terá vendido bem a nível internacional. Pode ser que os super-investigadores venham até Lisboa ou Porto ou Algarve, porquoi pas?

Apenas com dois episódios na bagagem ainda é cedo para dizer mais. Se não fosse a presença de Fichtner eu talvez nem tivesse visto o segundo episódio. Surgiram algumas histórias paralelas ou sub-plots que não me deixaram particularmente curiosa. Também não apreciei que em dois episódios se resolvesse a história principal. Foi tudo relativamente fácil, relativamente simples, sobretudo tendo em conta que estamos perante uma equipa enorme e especializada. Um dos elementos não sobreviveu ao 2º episódio, óptimo, a equipa ficou mais petite. Reconheço que talvez possa estar a ser demasiado exigente. Reconheço que para mim o crime já deu o que tinha a dar! Não me parece que tenha série para o inverno, nem com o Fichtner a colar adesivos de morfina no peito de meia em meia hora! Je suis desolée, mon chér, mas não estou comovida. Há uma fronteira que nos separa! Fica para a próxima série.

28/08/13

Ben Affleck vai ser Batman e substitui Christian Bale


Quando li a novidade saiu-me pela boca fora um sonoro Boring begins! Josh Brolin, Ryan Gosling, Richard Armitage, Matthew Goode, Max Martini e Joe Manganiello eram nomes que circulavam pela internet como possíveis escolhas do diretor Zack Snyder. Mas não. O eleito foi Ben Affleck. Se eu tinha um favorito para o papel? Não, não tinha sequer pensado nisso. Mas os leitores das Palavras cruzadas já todos sabem que eu não morro de amores por Ben Affleck. Faz bons filmes, gostei muito do Argo e do seu triunfo nos últimos Oscares. Mas o Affleck actor não me cativa. O Man of Steel II só chegará em 2015. Não é um filme sobre o herói de Gotham City, é um filme sobre o Super-homem e uma sequela do filme que estreou este verão. Mas pensamos logo que o próximo Batman será de Affleck também. E, quem sabe, poderá até ser dirigido por ele e escrito por ele, só ou em parceria!! Isto são apenas divagações, mas tudo é possível. Estava longe de imaginar que em relação ao seu anunciado desempenho do homem morcego eu não estava só na minha decepção! A questão é que eu além de não simpatizar com o aclamado director e realizador, também, finalmente, tinha feito as pazes com o actor escolhido para encarnar Batman/Bruce Wayne. Bale tornou-se rapidamente o meu favorito. E de toda a gente. Affleck vai ser o oitavo actor a desempenhar o papel. Christian Bale foi, quanto a mim, o mais capaz, seguido de Michael Keaton, Val Kilmer, Adam West e George Clooney. Não me lembro dos outros dois, Kevin Conroy e Rino Romano.

Christian Bale foi o menino do Império do Sol. Depois cresceu e cresceu como actor também, impressionando as audiências com o seu desempenho como o yuppie psicótico de Piscopata americano. Depois fez mais uns quantos papéis exigentes, deslumbrando com as suas transformações físicas, foi o alucinado trabalhador fabril em O maquinista, o irmão de Miki Ward no Último round, e ainda o mágico em O sétimo passo, entre outros que não me ocorrem. Filme atrás de filme, em boa hora lhe deram as asas de morcego e isso coincide com a época dourada de Batman dirigido por Nolan. O tempo passa depressa, o primeiro filme de Nolan data já de 2005, é Batman begins - O início. Depois chega o celebrado The dark knight - O Cavaleiro das Trevas e por fim, em 2012, The dark knight rises - O cavaleiro das trevas renasce. Os entusiastas deste tipo de filmes, género fantasia/adaptação de banda desenhada, exultavam, eu incluída. Tínhamos finalmente bons desempenhos, bons argumentos, um bom realizador para garantir o festim sem o transformar numa mera feira de efeitos especiais. Já não precisava de baixar a minha fasquia de apreciação quando ia ao cinema pois finalmente os super-heróis estavam a ser tratados com inteligência e o espectador como um adulto com cérebro. Os filmes da trilogia não estavam apenas destinados a vender bonecos de plástico, cheguei a pensar que haveria mais Oscares. Mas ainda era cedo para tanto. A Academia não foi em fantasias e ficou-se pelos habituais. A trilogia Batman tornou-se a mais densa e dramática experiência de super-heróis no cinema, contrastando, por exemplo, com a também bem sucedida, mas bem mais humorada e aventureira, imagem de marca do Homem de Ferro. Marcará a escolha de Affleck um retrocesso neste percurso de sucesso? Será isso que eu receio? Ou apenas o enfado de sempre que o nome de Affleck me causa?

Perguntarão porque sou anti-Affleck? Bom, pela mesma razão que sempre fui anti-Michael Douglas, - o que, no entanto, nunca me impediu de ver os filmes onde entrou, - pura e simplesmente não vou com a cara deles. É estúpido e irracional? É. Concedo, Affleck até tem crescido como actor. Tanto quanto Bale? Talvez não. Não mesmo. Mas talvez o suficiente. Felizmente que estes burrismos cinéfilos não me acontecem muitas vezes. Mas eu dou o braço a torcer. Um dos exemplos que sempre me ocorre é Daniel Craig como James Bond. Quando soube que era o herdeiro de Brosnan reagi mais ou menos como agora. Fui ver o 007 - Casino Royal e não gostei. Mas depois vi-o uma segunda vez e comecei a gostar. O segundo filme com Craig como 007, Quantum of Solace, foi uma estopada mas não por sua culpa. Não há duas sem três e Skyfall foi excelente. Craig forever, convertida.

Escrevendo friamente e usando o cérebro todo, não é assim tão difícil fazer a defesa de Affleck como o futuro Batman. Há que dizer que o homem tem demonstrado inteligência e competência. Forçosamente ele tem de ter aprendido bastante ao realizar os seus filmes e isso poderá ser-lhe útil no plano da representação. Ele até já foi aos treinos como super-herói, ele foi Daredevil. Não resultou lá muito bem, mas será que a culpa foi toda dele? Apesar de eu não gostar do actor a verdade é que ele não arruinou Argo com a sua presença. Foi excelente? Não. Mas também não foi ruim. Por isso não vai aniquilar Batman por muito bom que Bale tenha sido, e sim, a comparação é ingrata. Qual o custo de ser Batman? Sem dúvida que na era pós-Nolan é elevado a todos os níveis. Qualquer Batman pós-Nolan pedirá actores que sejam um valor seguro, actores com um certo status de estrela e o recém oscarizado Affleck possui esse status. O papel tornou-se um desafio, algo que ficará bem no curriculum de qualquer actor que se preze. Affleck tem as costas largas para aguentar todas as críticas - e sair-se bem, - e não necessariamente porque andou no ginásio. Mas Affleck vende segurança e tem ares de quem está habituado aos meandros milionários de um Bruce Wayne. E está mesmo. Sem dúvida que saberá circular com à vontade nesses enredos e vestir bem os smokings do Bruce Wayne!Resta saber como vai enfrentar o Super Homem. Aí eu reservo ao silêncio os meus argumentos e prefiro esperar para ver. Mas o argumento maior para eu esquecer a minha relutância pode ser extraído do próprio Cavaleiro das Trevas. Quem não se lembra das bocas foleiras em torno do casting de Heath Ledger? Ele que tinha sido o cowboy gay de Brokeback Mountain, como podia agora dar corpo ao vilão palhaço de Batman? O filme fez-se e todos sabem o que sucedeu. Ele não se limitou a ser o vilão de Batman, tornou-se o melhor vilão de Batman até à data.

Alguns dias depois da notícia ter sido dada a onda de reprovação ainda corre pela internet fora, possivelmente encabeçada pelos fãs (mais exaltados) dos heróis de banda desenhada. A Warner até já recebeu uma petição a pedir um novo casting! Isso talvez se fique a dever ao enorme apelo deste super-herói em particular, Batman está entranhado nos corações dos fãs de super-heróis, é um herói sofrido e humano. Quanto a Affleck, as opiniões podem correr céleres, o seu tom pode ir do espirituoso ao quase insultuoso, mas a verdade é esta: os cães ladram e a caravana da Warner passa. E daqui a um ano e picos um novo Batman esvoaçará num cinema perto de nós e será então chegada a altura de julgar.

23/08/13

Festival Fusing deixou arte urbana na Figueira da Foz



O FUSING registou a sua 1ª edição na cidade da Figueira da Foz, em Agosto, com sucesso. Tratou-se de uma experiência cultural, um evento multidisciplinar que assentou na fusão entre quatro áreas, a música, arte, o desporto e a gastronomia. O seu objectivo foi mobilizar culturalmente a cidade da Figueira da Foz e vários públicos através da realização de concertos, exposições, performances, instalações, quer no recinto do evento, quer por toda a cidade. Marcado pelas tendências urbanas mais recentes e multiplicidade de géneros e estilos, o Fusing conseguiu alcançar o seu objectivo, criar um reboliço artístico e cultural por toda a cidade. O festival Fusing, foi, na minha opinião, uma iniciativa muito positiva, que privilegiou a presença de valores nacionais, a originalidade em vez da cópia de modelos nacionais ou estrangeiros, e que lançou a raiz de um evento que se pode vir a tornar uma verdadeira imagem de marca da cidade, se regressar nos próximos anos e for apoiado pelo público.

No campo da música destaco a presença de nomes fundamentais da cena actual como os Orelha Negra, Paus, Frankie Chavez, Noiserv, ou António Zambujo, e também a realização de "pocket shows" musicais em diversos espaços. Também fizeram parte do programa a prática de desportos como o surf ou o snowboarding, e muitas experiências gastronómicas, que tiveram lugar no restaurado Mercado Municipal e em restaurantes, eventos estes que espalharam não só animação mas também aromas saborosos pelos ares da Figueira. Largo destaque para as artes, teatro e expressão plástica, com realização de workshops de ilustração e stencil, conversas sobre arte urbana e design, exposições de fotografia e mixed media, pintura de murais que agora podem ser apreciados nas paredes da cidade.

.


O FUSING Culture Experience deixou memórias com as pessoas e deixou também um rasto vivo de formas e cores em alguns locais da cidade da Figueira da Foz. Estas intervenções de Arte Urbana tiveram a WOOL como curador. Mário Belém, Add Fuel, Eime, Kruella d'Enfer e Samina são os nomes dos artistas que deixaram a sua marca e cujo resultado pode ser apreciado em vários locais que dantes eram como as fotos documentam:



Parque das Abadias - Centro de Artes e Espectáculos 
Arte Urbana da autoria de Mário Belém - Peixe laranja/Imaginário 




Rua Académico Zagalo 
Arte Urbana da autoria de Eime - Rosto a olhar o céu 



Avenida de Espanha 
Arte Urbana da autoria de Add Fuel - Azulejos, Herança Viva 





Rua da Fonte/Travessa de S. Lourenço 
Arte Urbana da autoria de Kruella d'Enfer - Raposas, Fox portal 









Rua da Liberdade 

Arte Urbana da autoria de Samina - Caras a preto e branco



(Mapa da cidade com a localização aproximada das intervenções)


Vamos ajudar a Margarida - Figueira da Foz



A 6 de Agosto os pais da Margarida abriram uma página no Facebook, MargaridaRibeiroCarvalho, para apresentarem o seu caso e solicitarem ajuda para a caminhada de recuperação que a Margarida e a família terão de enfrentar. O objectivo é conseguir devolver à Margarida, que sofreu paralisia cerebral à nascença, a maior autonomia possível, no futuro. Para o alcançarem têm de rapidamente obter meios para a encaminhar para sessões de fisioterapia e terapia ocupacional:

"a margarida nasceu de 7 meses.devido á resistência por parte da médica em fazê-la nascer tão cedo, adiou-se por 2 horas o parto.a margarida perdeu oxigénio e as lesões surgiram.teve que ser reanimada à nascença.agora tem paralisia. tem uma descoordenação motora que a impede, por exemplo, aos 15 meses de se sentar.tudo vai acontecer, mas mais tarde. é esse o nosso desejo.esta página serve para dar a conhecer a margarida e para todos os que quiserem e puderem ajudar, se juntarem à causa.todas ajudas e todas as ideias são válidas.contamos com todos.em breve começará outra luta, de muito desgaste, mas que a nossa consciência nos obriga: um processo à médica que coordenou, mal, o parto.outras dificuldades surgirão naturalmente pelo caminho, mas com todos tornar-se-ão mais fáceis de ultrapassar.e o sorriso permanente da margarida é a recompensa que temos todos os dias.ela é uma menina feliz, mesmo com as suas limitações.e nós vamos torná-la ainda mais feliz com a ajuda e carinho de todos.já chorei muito a ler os comentários, mas de alegria com a adesão que esta causa tem tido.e acreditem, o que estão a fazer pro mim e pela minha família, eu faria de olhos fechados por cada um de vocês. sem hesitar.
o nosso grande bem haja a todos.do fundo do coração e com todas as nossas forças."

Também foi criado um grupo no Facebook, MargaridaRibeiroCarvalho:

"Olá a todos! A nossa filha Margarida tem uma paralisia cerebral com lesões estáticas,ou seja,irreversíveis, mas como é muito pequenina e o cérebro ainda tem muita plasticidade, queremos muito acreditar que ainda iremos conseguir que a nossa filhota venha a ter alguma autonomia, para isso a Margarida tem de começar o mais depressa possível com um plano intensivo não só de fisioterapia mas também de terapia ocupacional,ainda não sabemos se cá ou no estrangeiro. Como devem calcular os valores,das terapias, são elevadíssimos e os próximos três anos são importantíssimos para a sua recuperação,por isso, a partir de Setembro, iremos organizar algumas ações de solidariedade que reverterão a favor da nossa pipoquinhas. Desde juntar tampinhas, papel e latas (tipo de coca cola) entre outras ações, que depois vos comunicaremos.Esta é, sem dúvida, a luta das nossas vidas!Sabemos que não é fácil nem está a ser, mas mais uma vez vos digo que acreditamos em alguma autonomia para a Margarida, até porque este sorriso maravilhoso jamais nos fará desistir da bebe feliz e bem disposta que temos.Solicitamos,então, a vossa ajuda para esta caminhada. Para já a ajuda passa por guardarem as tampinhas,papel e latas. Quando tivermos mais notícias publicaremos.Um bem haja para todos os nossos familiares, que têm sido extraordinários e também para todos os nossos amigos."

A campanha em torno da causa da Margarida continua a crescer.Qualquer pessoa pode ajudar, como quiser, e na medida do que lhe for possível. Para o efeito devem clicar nos links da página e grupo do Facebook acima e informarem-se sobre as acções em curso.