10/08/13

Guillaume Nery: mergulho de apneia no Dean's Blue Hole


Andava eu pelo Youtube quando deparei com a Tarja, uma cantora, letrista e compositora finlandesa com formação no canto clássico, mas sobretudo famosa por ter pertencido ao grupo de rock sinfónico Nightwish entre 1996 e 2005. Eu nunca fui grande metaleira, entre o metal e a ópera até prefiro a ópera. Pelo que pude ouvir no Youtube creio que esta senhora tem semelhanças com bandas como Evanescence.

 Eu nunca repararia nela se não fosse este video Until my last breath - onde o campeão mundial de apneia profunda Guillaume Nery mergulha no vazio. O video foi filmado por Julie Gautier, também em apneia, penso que seja a sua companheira, que se define como modelo e performer submarina no seu blogue, e que detém o record de mergulho em apneia na França.

Encontrei depois o video original de Guillaume. Desta vez a música chama-se You make me feel dos Archive. Guillaume claramente diz que este video é uma ficção e um projecto artístico. Ou seja, é provável que ele não tenha ido mesmo até ao fundinho do Dean's Blue Hole, são mais de 200 metros, mas que tenha usado a sua entrada e o fundo de outro buraco. Depois a filmagem foi editada. Independentemente disso, o mérito mantém-se, o resultado é fascinante. O mergulhador desafia os limites do seu próprio corpo, no seio da inóspita Natureza. Observem a sua queda e deixem-se envolver pela beleza, terror e poesia do momento.

Este homem cresceu nas margens do Mediterrâneo e mergulhava com o pai. Aos 14 anos ficou fascinado com o mergulho em apneia. Tornou-se o verdadeiro homem da Atlântida. Acabei de me lembrar do João Garcia. Também ele se basta a si mesmo quanto a oxigénio ao subir aos picos mais altos do mundo. Estão bem um para o outro! Um arrisca a vida para ir mais alto, outro, mais fundo. São raros. E loucos. Quem é que em seu perfeito juízo, estando no belo arquipélago das Bahamas, junto a praias de águas cristalinas e verde esmeralda, sob o abraço caloroso do sol, vai trocar este esplendor por águas geladas e escuras, tortura física e desnorte mental, atirando-se para uma autêntica garganta do fundo do mar, este tal buraco azul do Dean?! Os locais não se aproximam do buraco, dizem que é uma coisa demoníaca. Eles lá devem saber, vivem por ali desde sempre!



Quem achou interesse a este video talvez queira ver o programa americano 60 minutos dedicado ao mergulho em apneia. O mergulho livre é um desporto radical e ainda experimental. Alguns dos feitos a este nível têm levado os médicos a repensar a fisiologia humana. Depois de ter visto o programa 60 minutos facilmente se conclui que os seus praticantes são autênticos viciados na prática do mergulho em apneia mais até do que apaixonados pela modalidade. Como em qualquer desporto a mente tem um papel fundamental e não apenas a parte física do indivíduo. Imagino que estes mergulhadores sejam pessoas com muita capacidade de concentração, auto-controlo e serenidade. De que outra forma se  aventurariam mar adentro, usando apenas braços e pernas para se impulsionarem, querendo ser mais animais - sim, eu sei, o homem também é um animal - do que homens até? 

Se ainda não estão suficientemente impressionados, podem ler mais sobre as respostas desencadeadas pelo organismo durante o mergulho em apneia. É o relato da atleta Tanya Streeter, mergulhadora que aparece nos 60 minutos, que fui encontrar um site brasileiro. Além da actividade de mergulho livre de competição, Tanya também é conhecida como apresentadora de documentários de aventura sobre animais selvagens,(Freediver, Dive Galapagos e Shark Therapy).Ela começou a praticar mergulho em apneia aos 25 anos. Não sei como é que alguém pode gostar de sentir os pulmões serem apertados pela pressão até terem o tamanho de um punho, suportar dores agudas nos ouvidos e mais desconfortos, enfrentar o risco de narcose - também chamada embriaguês das profundezas, que acontece quando o nitrogénio, até então inerte no organismo, se dissolve no corpo - e outras sérias ameaças. Existe uma lei para medir este estado, a Lei de Martini. Da euforia às alucinações, da dormência das extremidades, raciocínio lento e perda de visão periférica, os mergulhadores experimentam uma série de manifestações que podem ser fatais  ao fazê-los perder a noção da realidade. Isto tem a ver com a profundidade a que se encontra o mergulhador e então, por cada 15 metros é como se ele tivesse ingerido uma taça de Martini! É o preço a pagar para se ser uma auntêntica sereia!

09/08/13

Como preparar uma santola para servir na casca, passo a passo


É verão e regresso aos crustáceos. Viver junto à costa tem os seus privilégios, por exemplo, um pescador oferece-nos caranguejos frescos acabados de sair do mar. Poucas pessoas resistem aos encantos do bom marisco e eu sou uma delas. Em anterior postagem eu tinha mostrado como preparar uma santola ou caranguejo espinhoso. Para algumas pessoas a publicação não foi lá muito feliz pois eu deveria, no entender delas, mostrar mais e escrever menos. Prometi a mim mesma que da próxima vez que preparasse caranguejo iria documentar cada passo. Desta vez tirei mais fotografias. 

E então não é que quando me preparo para colocar aqui as fotos dou de caras com uma polémica notícia sobre o sofrimento dos crustáceos? A história que despoletou tanta conversa em torno dos crustáceos foi um programa da BBC de Janeiro deste ano chamado Science in action . Eu ouvi os 18 minutos do programa. Na Irlanda do Norte, na Universidade de Queens, o professor Robert Elwood, interessou-se a sério por saber se invertebrados sentem dor e realizou algumas experiências. Ao ouvir o programa da BBC já aprendi algo. Nociceptores são uma espécie de terminações nervosas que perante ameaça - queimadura ou ferimento - desencadeiam o reflexo da dor, o impulso sobe pela espinal medula e causa uma acção reflexa muscular de retirada. Picamos um pé e imediatamente ao foda-se! retiramos o pé. Mas depois vem o segundo estágio da percepção da dor e é comummente aceite que os crustáceos não o possuem, apenas a nossa sensível raça. Em nós, os impulsos nervosos também vão para o cérebro e o evento é percepcionado como algo muito desagradável. Isso é que é a verdadeira dor e ela leva-nos a focar naquilo que a causou e ensina-nos a evitar o evento no futuro. É isso que impede que nos queimemos uma e duas e três vezes. Aprendemos e não repetimos. Ora, de acordo com o entendimento mais difundido, os crustáceos não seriam capazes de aprender, logo não saberiam o que era a dor, apenas teriam reflexo nociceptivo. É uma tese mais confortável para comedores de marisco mas que talvez não tranquilize aqueles que se preocupam mesmo a sério com os direitos dos animais. Precisamos mesmo que um cientista nos venha dizer que cozer um animal vivo deve causar dor?! Quero lá saber se é mamífero, peixe ou crustáceo. Eu acho que deve doer.Mas mesmo sabendo isso eis-me a sacrificar animais inocentes na panela! Sou uma criatura bárbara e já não tenho redenção. O estudioso também referiu que há pescadores que apenas se interessam pelas pinças dos caranguejos, pescando-os, arrancando-as e atirando depois o corpo do animal ao mar. Ora, comparados comigo, esses pescadores levam o galardão máximo da barbárie. Estes estudos poderão até não ser conclusivos mas a verdade é que despoletam boas discussões e poderão até levar-nos a rever algumas práticas. 

E passemos então à demonstração da barbárie.

1º Primeiro há que lavar os bichos com água corrente e escovar a carapaça com uma boa escova, em especial se quisermos aproveitar a casca para servir. Depois de cozidos e escorridos eles ficam assim. A água da cozedura deve cobrir os bichos. Estes são todos fêmeas.

2º Eis o aspecto dos caranguejos do lado de cima. Que cheirinho bom! A banca está forrada com papéis pois isto faz bastante salpicos. Eu começo por arrancar as patas do corpo e colocá-las de parte.
 
3º Aproveito para dizer que a chacina a que vão assistir não teve professor. Eu faço isto assim e resulta. Se alguém souber de uma alternativa melhor, deixe nos comentários. O primeiro passo é meter uma faca e forçar a abertura da carapaça na zona traseira da carapaça.
4º Eis-me a abrir a carapaça com cuidado, segurando cada uma das partes, inferior e superior. Aquelas fibras acinzentadas são para remover e deitar fora.
5º A parte inferior e superior, aqui, já estão separadas. Quase tudo o que está na casca inferior é para aproveitar. Mas atenção. Junto da cabeça, na frente, costuma haver um saco com areia, e também já encontrei uma tripa fina com areia a atravessar a casca. Cuidado com isso. Nem sempre encontro e a melhor maneira é usar mesmo os dedos e ir tacteando, procurando, e os olhos.
6º A parte inferior do caranguejo tem uma série de concavidades duras cheias de fibras brancas que são para aproveitar. Eu corto ao meio e depois, com os dedos, removo todas as fibras dos buraquinhos.
7º Podem ver ali na taça azul o conteúdo da casca e da parte inferior do caranguejo, tudo já foi bem escolhido para ver se tinha escapado algum pedacito duro das tais concavidades que referi, que é muito desagradável de encontrar no molho.
8º As pernas e pinças dos caranguejos. Nos restaurantes e marisqueiras elas vêm para a mesa inteiras e nós quebramo-las na placa de madeira, com a ajuda do martelo e de um guardanapo. Sinceramente eu não sou fã da prática. Já apanhei com caranguejo em cima proveniente dos comensais sentados ao meu lado, na minha frente e até em mesas vizinhas! Em casa eu prefiro partir tudo e juntar as febras no preparado.

9º Vejam. Aquelas febras brancas da taça amarela estavam nas patas. Ao lado é o recheio das cascas, misturado. Só assim já é bem gostoso!


10º Aqui estou a preparar ovo cozido e pickles para juntar, tudo bem migadinho. As receitas de ingredientes/quantidades para o molho são variadas. Basta fazer uma procura na internet pois depende muito do gosto de cada um. Como faço? É tudo a olho. O segredo é ir juntando os condimentos e ir provando!

11º E aqui estão as fotos da apresentação final para levar à mesa. Acompanhar a santola com um vinho leve e fresco, o que gostarem mais.

25/06/13

O Verão está ao rubro na praia da Figueira da Foz











Estamos no 4º dia de verão. Resolvi aproveitar as temperaturas altas antes que o tempo se vire ao contrário e fazer uma coisa diferente dos meus hábitos - ir à praia de manhã. Não estou convencida. Eu sou das que gosta da praia de tarde e nada a fazer. Mas este ano dá-me mais jeito assim, dar um pulinho a Buarcos de manhã cedo e dedicar-me aos meus afazeres de tarde. Quando cheguei a Buarcos os nadadores-salvadores estavam a hastear a bandeira verde. Depois, aos poucos, vieram os banhistas. A praia ficou bem composta mas tranquila, ainda sem aquele reboliço nervoso do pino do verão.

São 2,5 km a pé para ir e outro tanto para voltar. Não custa nada. A sério. 5km diários. É bom. Ao fim de 10 dias são 50 km. Não custa mesmo nada - isto sou eu a tentar convencer-me!!! Tirando a parte em que chego a casa com cara de tomate maduro pois debaixo deste sol nem com um sombrero de mexicano se consegue manter a frescura. E já vos disse que por mim passaram dois homens a correr em grande estilo? Tão ligeiros como se fossem a passear um bebé num carrinho?! Quando achamos que até nos estamos a portar bem, eis que a verdade nua e crua - e muito suada - passa por nós a correr como se estivessem a distribuir dinheiro lá atrás...!!Não, não estou mesmo em forma. Mas nem pensar ir de carro, autocarro ou avião. Este ano, não. Já bastou o ano passado. As caminhadas fazem parte do meu programa secreto para perder peso e ganhar resistência. Senti-lhes a falta durante o Inverno passado, e da praia também. Digam lá o que disserem: devo ter uma bateria que se carrega a energia solar. Nos dias de nuvens e chuva vou lá procurar ânimo. Mas este Inverno a bateria esteva sempre na reserva e eu a contar os dias para o Verão, a luz, o calor bom!

Mas nem 8 nem 80. Eu queria calor e os meus desejos foram ouvidos, o calor chegou em grande! Uma semana com temperaturas acima dos 30 graus?!! Devo ter esfregado demais a lâmpada do Aladino, ele foi muito generoso!! Suporto melhor o calor intenso do que o frio, mesmo pouco frio para mim já é demais!! Mas isto é dose! O coro de protestos soma e segue. 

A conversa sobre o tópico do calor está ao rubro: não se aguenta, não se consegue trabalhar, não se consegue pensar! Impossível é agradar a gregos e troianos. Uns a verem-se gregos com tanto calor, outros a sonharem com Tróia! (A praia) Água e sol. Água para lavar as mágoas, sol para secar as feridas. Os tempos não estão fáceis mas quem vive à beira-mar e gosta do que o verão promete está presentemente nas suas sete quintas. À saída do trabalho, ao fim do dia, ainda se está a tempo de um mergulho no mar, os céus incendiados de tons rosa e laranja a prometerem mais do mesmo para o dia seguinte, o bafo quente dos ventos a envolver o corpo. Verão ao fim da tarde. Maravilha. Até se esquece a troika, o FMI, os incidentes em Istambul, no Brasil, na Grécia, os transgénicos, o buraco do ozono, os animais maltratados, a fome em África. Bem, desde que o vento não sopre ferozmente e levante toda a areia que há na praia... viva o verão! Vamos lá todos a derreter os problemas nem que seja só por um dia ou dois, uma semana, 15 dias. É a melhor estação do ano!

24/06/13

S. João na Figueira da Foz


Os meus leitores já devem ter pensado que emigrei. Não seria de admirar pois todos os dias mais pessoas abandonam o país. Mas não, ainda estou por cá. Somente não tenho tido tempo para escrever nada. Nem pouco, nem muito. O blogue parou no tempo. Não é coisa inédita, já por diversas vezes o desgraçado ficou votado ao abandono. Tanta coisa, mas tanta que eu queria aqui ter partilhado. Algumas delas já não podem ser sequer aqui trazidas. Perderam todo o sentido de oportunidade. Há sempre uma maneira, dirão vocês. Mas, não, não é verdade. Por exemplo. Manjericos. Não vou escrever sobre manjericos no Natal quando todos estiverem a escrever sobre azevinho e musgo para fazer os presépios!! Por isso, e antes que chegue a meia-noite e acabe o dia de S.João, aqui vim mostrar o meu trio verde: o manjerico pequeno, o crescido e a planta de abacate, que terá direito a postagem própria, lá mais para diante.

O manjerico pequeno é do meu sobrinho. Plantaram na escola. Não sei como tem sobrevivido. O meu sobrinho mais depressa regaria o manjerico se ele estivesse no Farmville. Já a varanda parece situar-se num outro universo de muito difícil acesso. Não tendo visto água com frequência, o gajinho até tem crescido e nem está amarelo, embora eu não acredite que vá ser mais do que um arbustinho magricela. O meu manjerico já é mais encorpado mas não é bem o que eu queria, foi o que se pode arranjar. Foi comprado na ante-véspera do S. João. Conhecem o filme "desesperadamente à procura do manjerico pela Figueira"?! Não? Tive de ir a quatro lugares procurar a plantinha mais famosa das festas populares. A florista da terceira loja disse-me que este ano estava difícil, que os fornecedores dela lhe diziam que os manjericos estavam fracos ou que se tinham esquecido!Perguntei se no dia seguinte, no mercado de Buarcos, encontraria. Ela disse que não, o que me surpreendeu bastante! Mas indicou-me um supermercado e eu lá fui. Entrei e achei junto dos verdes, lá estavam eles. Eram apenas dois caixotes de manjericos. Vasculhei e no segundo caixote consegui encontrar um mais redondito. Com direito a quadra brejeira. Em casa transplantei-o para um vaso de barro pois manjerico em vaso de plástico, e de plástico mais mole que copo de máquina de café, não é manjerico. O tipo é bem cheiroso, mas pequenito. Até parece que a crise chegou também aos manjericos. Será que não há procura?! Na Figueira da Foz a autarquia ainda nem se lembrou de ameaçar o dia feriado! Mas os manjericos estão em crise...e parece que até os martelinhos foram substituídos por lacinhos luminosos de usar na cabeça?!! Por favor, digam-me que não é verdade, digam-me que a tradição do S. João não entrou em vias de extinção e que estes são os primeiros sinais. É que eu sempre gostei mais de Junho e do S.João do que de Dezembro e do Natal. Verdade. Juro pelo manjerico!

(Sobre a planta de abacate, aguardem!)

18/05/13

Discurso de Zach Wahls na House Judiciary Committee (Iowa)


Video aqui.

Em 2011, Zach Wahls, um estudante de 19 anos de idade, de Iowa,( EUA) falou sobre a força da sua família durante um fórum público aquando da discussão da House Joint Resolution 6 perante o Iowa House Judiciary Committee. Wahls tem duas mães. O seu discurso é de oposição à Resolução que acabaria uniões civis entre o mesmo sexo. A decisão a favor da legalização do casamento entre o mesmo sexo remonta a 2009. O Iowa foi o terceiro estado norte-americano a legalizar estas uniões.
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Boa noite Sr. Presidente. Meu nome é Zach Wahls. Sou um rapaz de sexta geração do Iowa e um estudante de engenharia na Universidade de Iowa e fui criado por duas mulheres.
Minha mãe biológica, Terry, disse a seus avós que estava grávida, que a inseminação artificial tinha resultado, e eles nem sequer ligaram.
Só quando eu nasci é que eles mudaram de atitude, sucumbiram ao meu encanto infantil e disseram-lhe que estavam entusiasmados por ter outro neto.
Infelizmente, nenhum deles viveu para vê-la casar-se com a sua parceira Jackie, - com quem vivia há 15 anos - em 2009.
Minha irmã mais nova, e única irmã, nasceu em 1994. Na verdade, temos o mesmo doador anónimo e então somos irmãos, o que é muito legal para mim.
Hum, eu acho que a questão é que a nossa família realmente não é tão diferente de qualquer outra família de Iowa. Você sabe, quando eu estou em casa vamos à igreja juntos, nós comemos o jantar, nós vamos de férias. Ah, mas, você sabe, nós temos nossos momentos difíceis também, entramos em brigas ... você sabe.
Na verdade, minha mãe, Terry (Terry Wahls) foi diagnosticada com esclerose múltipla em 2000. É uma doença devastadora, que a colocou numa cadeira de rodas. Então, nós tivemos nossas lutas.
Mas nós somos cidadãos de Iowa. Nós não esperamos que alguém resolva nossos problemas por nós. Travamos nossas próprias batalhas. Nós apenas esperamos tratamento igual e justo do nosso governo.
Sendo um estudante na Universidade de Iowa o tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo surge com bastante frequência nas discussões em sala de aula. A questão sempre se resume a saber se os gays podem criar filhos.
As pessoas ficam em silêncio por um momento porque a maioria das pessoas realmente não tem nenhuma resposta. E então eu levanto a mão e digo: "Na verdade, eu fui criado por um casal gay, e eu estou indo muito bem."
Obtive um percentil de 99 no A.C.T. (American College Testing). Sou actualmente um escuteiro Eagle. Tenho e dirijo o meu próprio próprio negócio. Se eu fosse seu filho, Sr. Presidente, eu acredito que teria orgulho de mim.
Eu realmente não sou diferente de qualquer um dos seus filhos. Minha família realmente não é diferente da sua. Afinal, o valor de sua família não resulta de ter sido conformado pelo Estado: "Você é casado. Parabéns. "Não.
O sentido de valor da família vem do compromisso que os seus membros fazem entre si. Para ultrapassar os momentos difíceis para que possamos desfrutar dos bons. A família vem do amor que nos une. Isso é o que faz uma família.
Então o que você está votando aqui não é para nos mudar. Não é para mudar as nossas famílias, é mudar a forma como a lei nos vê, como a lei nos trata. Você está votando pela primeira vez na história do nosso estado para codificar a discriminação em nossa constituição, uma constituição que, salvo esta proposta de alteração, é a constituição menos alterada nos Estados Unidos da América.
Você está dizendo aos cidadãos de Iowa que alguns deles são cidadãos de segunda classe, que não têm o direito de casar com a pessoa que amam.
Vai esta votação afectar a minha família? Será que vai afectar a sua?
Nas próximas duas horas, eu tenho certeza que vamos ouvir muitos testemunhos sobre como ter pais gays é prejudicial para as crianças.
Mas nos meus 19 anos, não houve uma única vez em que tenha sido confrontado por um indivíduo que se tenha apercebido por si só de que fui criado por um casal gay.
E você sabe por quê? Porque a orientação sexual dos meus pais teve um efeito nulo sobre o conteúdo do meu caráter.
Muito obrigado.


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