31/03/13

Uma chávena de chá de limão com mel




Não pára de chover e na região onde vivo há estradas cortadas. Parece Inverno profundo. Da rua chega o som do sino do compasso Pascal mas esse é o único sinal que parece estar de acordo com a tradição! Por regra associo à Páscoa dias de sol, chilreios de pássaros! Este ano, nada disso. Somente dias baços, chuva e mais chuva. O dilúvio vai manter-se. Para cúmulo estou com gripe há quatro dias. Finalmente o meu nariz parece ter-me dado tréguas. Depois de ter acabado o stock de lenços de papel e o que restava do maço de guardanapos, não tive outro remédio: atirei-me ao papel higiénico. E lá voaram dois rolos. Não acreditam? É verdade! 

A Páscoa também é sinónimo de gulodice, calorias extra. Ovos e coelhinhos de chocolate, amêndoas de chocolate ou de açucar e outras doçarias da época? Obrigada, mas não quero. Este ano essa é uma preocupação que não me ocorre! O meu apurado paladar sumiu, e mesmo que o tivesse, não tenho apetite. Tão pouco tenho vontade de escrever. Vim só desabafar as mágoas entre uma assoadela e uma chávena de chá de limão com mel pois os vírus dão-se mal em organismos hidratados! Toca a afogar os danados a ver se na Pascoela me vingo desta pouca sorte!

25/03/13

Pão de sementes cozido em casa!


A massa depois de amassada
A massa a levedar
Os pães depois de cozidos



Farinha composta multi-cereais para usos culinários. É da Branca de Neve. Deve ser uma novidade! Ou talvez não, eu é que nunca olho muito para as prateleiras dos supermercados...É farinha de trigo com 15% de sementes diversas - aveia, linhaça, girassol, sésamo, milho miúdo e centeio, - mais farinha de aveia, de arroz, de malte e de centeio. O pacotinho diz que o conteúdo dá para fazer um pão de sementes com 750 gr. Mas eu fiz estes seis mais pequenos. A preparação é muito fácil. Eu não tenho máquina de fazer pão nem usei batedeira. Juntei a água morna e a farinha e misturei à mão durante 10 minutos. Não tenho força nenhuma nos braços e detesto amassar! Mas foi rápido, não custou nada! Depois embrulhei a taça com a massa numa mantinha e deixei repousar 45 minutos. De seguida polvilhei o tabuleiro do forno com farinha e coloquei aí os montinhos de massa. Usei uma espátula larga para tirar a massa pois ela pega-se mais às mãos do que à madeira. Depois esperei uma hora e foi ver os montinhos crescer!! No pacotinho diz que a massa duplica de volume. Parece que é verdade! O forno é pré-aquecido a 220º e os pães demoraram 35 minutos a cozer. Ficou um cheirinho a pão fresco no ar!! A meio da sessão da noite de cinema em casa parei a história e fui à cozinha. Abri um ao meio, quentinho ainda. Uma noz manteiga dentro e lá regressei eu ao sofá toda contente! Depois queixo-me que os jeans não servem...

20/03/13

À boleia de um paramotor sobre Montemor-o-Velho!


Voar. Ninguém fica indiferente à experiência. Desde sempre o homem quis imitar os pássaros. Ou os insectos. Quis a Natureza que alguns animais evoluíssem e que desenvolvessem essa aptidão incrível para escapar aos seus predadores ou para procurar comida mais longe e sobreviver. Mas os seres humanos não. Quantos anos seriam precisos para que um ser humano desenvolvesse um par de asas? Seria isso possível? O morcego é um mamífero e tem um par de asas. Por isso...talvez sim!? Não sou cientista, apenas observadora. Mas se calhar nem os homens de ciência têm a resposta para uma pergunta tão louca, só talvez a Natureza. Mas seria preciso esperar e o homem tinha pressa. Não podia esperar por milhares de anos de evolução. A sua inteligência permitiu-lhe passar a perna à mãe Natureza e tornar o sonho realidade. A aventura de voar levou-o longe, o homem já pisou o solo lunar. Quem sabe um dia não conseguirá voar até BX442, uma galáxia tão longínqua que só o Hubble a conseguiu ver.

Hoje o homem comum tem muitas formas à disposição para conquistar os céus: dos aviões que transportam centenas de passageiros aos românticos balões de ar quente e silenciosos planadores, por necessidade, ou por prazer, muitos são aqueles que já deixaram a superfície da terra e se elevaram no ar. Na região onde vivo é comum observar parapentes e paramotores, muitas vezes eu vejo-os da minha janela, a pairar sobre o mar, silenciosos, - os parapentes - ou mais ruidosos, os paramotores. Ontem, por mero acaso, descobri um video da zona de Montemor-o-Velho filmado a partir de um paramotor. O autor, piloto do paramotor, chama-se Pedro Ferreira, reside no concelho de Montemor e tem 28 anos. Dedica-se ao voo desde 2010. Ambos concordamos com a beleza da região. Quer a pé, quer vista do ar, é das paisagens mais bonitas que conheço.

Aproveitei para pedir ao Pedro que me explicasse alguma coisa sobre este desporto radical do qual não sabia nada. Ele referiu que, basicamente, paramotor se resume nesta equação: parapente + motor = paramotor. "O parapente, basicamente é uma asa tipo pára-quedas desenhado para planar. O problema do voo em parapente é que é necessária uma enorme quantidade de factores para fazer voar um aparelho destes: vento, relevo, altitude, térmicas (ar quente), etc. Com a junção de um motor, o parapente passa a paramotor e isso torna-o numa aeronave capaz de ser pilotada com maior facilidade, independentemente da altitude ou dos outros factores. Pode-se, p.ex.,descolar do chão plano e ganhar altitude bastando para isso acelerar o motor."- explicou-me o Pedro.

Ora, aí está. O paramotor é uma evolução do parapente. É assim que o vejo. Há mais controlo, eu gosto disso. Embora quer um quer outro me deixem bastante assustada pela aparente fragilidade de meios envolvida, o paramotor parece-me agora mais seguro depois da explicação do Pedro. No entanto, o parapente deve ser um voo mais agradável, desde logo mais silencioso, mais próximo da experiência dos voo dos pássaros!

Confessei ao Pedro que, amedrontada como sou, nunca seria capaz de experimentar algo assim, e questionei-o quanto ao perigo da aventura! "Quanto à perigosidade, é tudo muito relativo... - disse o Pedro. - A formação teórica e prática permite-nos, de certa forma, evitar comportamentos menos adequados, mas contudo têm ocorrido alguns acidentes. Estatisticamente os acidentes ocorrem em pilotos com mais experiência, porque estão mais dispostos a arriscar e a tentar manobras novas. Os pilotos principiantes raramente sofrem acidentes, talvez por estarem mais receosos e não se sentirem tão à vontade. Em relação ao equipamento, é muito raríssimo ocorrem falhas. Mesmo quando o motor se desliga, a asa permite planar e aterrar com máxima segurança.Basicamente, posso afirmar que, se um piloto não "inventar" muito pode voar com uma enorme tranquilidade e segurança!"

Depois destas palavras, alguns de vocês já devem estar com vontade de tentar um voo de paramotor. Então vamos lá a saber algumas coisas práticas, como, por exemplo, os custos envolvidos. É preciso aprender a pilotar e é preciso adquirir o equipamento. Quanto é preciso investir para provar o gostinho da liberdade? O Pedro informa: "O preço de um curso de piloto de paramotor ronda os 800€. Um motor novo ronda os 2500€ e uma asa (ou parapente) custa entre 1500-2500€. Mas hoje em dia encontra-se muito material usado a bons preços e em muito bom estado."

Outro aspecto que me deixou curiosa foi a câmera que o Pedro Ferreira estava a utilizar. Reparem no ângulo e na qualidade da imagem. Que câmera é que se leva para filmar lá em cima? Perguntei, a propósito, se o Pedro gostava de cinema... "A câmera que uso é uma GoPro Hero 2." - respondeu o piloto - Trata-se de uma câmera de desportos radicais que pode ser fixada em vários pontos, no meu caso é no capacete. Filma em Full HD.
É a única câmera que tenho. Adoro cinema e gostava de ter uma câmera melhor para fazer umas "brincadeiras", mas infelizmente, dada a situação económica que atravessamos, é de momento impossível. Tenho uma máquina fotográfica e faço umas fotografias, embora sem grande qualidade técnica.

E para o final desta pequena entrevista ficou a pergunta por onde talvez devesse ter começado. Como é que o Pedro se apaixonou pelo paramotor? O Pedro despertou muito cedo este desporto, ele tinha sensivelmente 4 anos de idade quando descobriu os parapentes nos céus." Nessa altura vivia com os meus pais nos Alpes suíços - éramos emigrantes - e lembro-me perfeitamente de ficar horas na varanda a observar os parapentes que aterravam no terreno ao lado. Muitos anos depois, e já em Portugal, tomei conhecimento que por cá também já existia quem praticasse esse desporto. Meti conversa com um tio de um colega meu, que é piloto, e pedi-lhe para voar com ele. Ele aceitou logo e quando estavamos no ar soube logo que era aquilo que eu queria! E pronto, fui logo tirar o curso meses depois!

Para as pessoas medrosas, como eu, é um privilégio ir à boleia das filmagens do Pedro Ferreira e poder ver o que ele vê do ar. Espero que os meus leitores também apreciem as imagens de Montemor-o-Velho e lhe deixem muitos Likes no Youtube como agradecimento pela partilha e incentivo para que continue a filmar para nós.

10/03/13

Design: a casa dos passarinhos


A primavera está a chegar. O dia 20 de março não tarda aí mas o tempo não tem estado famoso como se ainda faltassem meses para o acontecimento. Ontem choveu, trovejou e até se registaram mini-tornados em diversos pontos do país! Já devem ter visto que eu conto os dias para a chegada do verão. Até tenho ali uma widget para me facilitar a tarefa! Mas enquanto o verão não estoira por aí, com seus céus de azul choque, sol escaldante e ventos mornos a correrem pelos corredores das casas, eu terei de me alegrar com a proximidade da chegada da primavera. Viver um dia de cada vez e aproveitar cada um o melhor possível, isso é que é sabedoria.

Há muito que celebrar nesta estação, a renovação da Natureza, a esperança numa vida nova. Por isso quando vi este suporte para chaves eu achei uma prenda ideal para a casa. Ele simboliza perfeitamente o espírito da estação! É um chaveiro em forma de uma casinha de passarinhos! Os dois chaveiros são aves. E são aves que assobiam! Levamos connosco as chaves quando saíamos, e, à noite, quando recolhemos ao nosso ninho, recolhemos também os passarinhos à sua casa. Achei tão romântico! Tenho a certeza que algumas das talentosas artesãs dos blogues que tenho visitado ultimamente serão capazes de se inspirar neste modelo e criar um totalmente handmade! Aqui deixo a ideia! Mais informações neste link da Amazon DUO Sparrow Key Ring with Birdhouse Double Sparrow Keychain Gadget for Home Decoration.







08/03/13

Dia Internacional da Mulher - direitos humanos em vez de direitos do homem



Ontem essa imagem estava a circular no Facebook. Na minha opinião de mulher gulosa, chocolate é sempre bem vindo, flor murcha ao fim de uns dias, dispenso flor, o lugar de flor é no jardim. Mas respeito é melhor que chocolate e flor em conjunto! Dê respeito no dia 8 de Março e nos outros dias também. Quer seja homem, marido, pai, irmão, primo, amigo, colega, dê respeito. Reconheça o que é diferente na mulher e compreenda. Reconheça o que é igual e apoie. Não fique calado perante a discriminação, denuncie. Esteja lado a lado.

Dê respeito também se é mulher. Respeite-se a si mesma, perceba o seu lugar no mundo. Leia, informe-se. Não se cale, defenda a justiça, para si e para as outras mulheres. Não se acomode. Denuncie. Parar é morrer. A evolução é marcha. Pode ser marcha lenta, com pausas, mas não pode parar. Quando pára, lembre-se, isso é apenas um acidente de percurso, não o fim da linha. Não desista.

Hoje ao ligar o rádio ouvi uma mulher portuguesa a falar em directo do Dubai, onde está há quatro anos. Por essa altura, disse, as empresas em Portugal começaram a fechar e o marido conseguiu trabalho nos Emirados Árabes. Ela seguiu-o e tem feito o melhor que pode para se adaptar à sua nova vida. Como a carta de condução portuguesa não servia para circular no território ela teve de tirar uma nova licença. Para obter a licença, as autoridades do país exigiram que o marido escrevesse uma carta em como lhe dava autorização...

Na mesma rádio ouvi depois sobre o PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 637/XII - RECOMENDAÇÃO RELATIVA À ADOÇÃO POR ENTIDADES PÚBLICAS E PRIVADAS DA EXPRESSÃO UNIVERSALISTA PARA REFERENCIAR OS DIREITOS HUMANOS. Eis a prova de como as coisas mudam devagar. Mas nada muda por si. Têm de haver forças envolvidas, a puxarem em algum sentido, movimento! Doravante lembre-se de dizer DIREITOS HUMANOS em vez de DIREITOS DO HOMEM. Parece-lhe coisa de nada? Ou coisa demasiada? Parece-lhe ser irrelevante? Parece-se-lhe ser doutrinação de género? Trata-se de uma expressão tradicional, mas a tradição nem sempre veio para ficar. Mudar significa adaptação a novas realidades e os novos tempos querem dar à mulher um lugar no mundo que ela sempre devia ter tido. Utilizar a nova expressão pode parecer coisa pouca. Mas quantas vezes a mudança não começa por pequenas coisas? A mudança começa por si, por mim, por todos nós.

Publico um excerto do texto que pode ser lido na íntegra, aqui.

Em Portugal, a utilização da expressão Direitos do Homem - que materializa histórica e filosoficamente o poder de excluir - está disseminada por diversos documentos oficiais e particulares, neles incluídos documentos fundadores e programáticos como a Constituição da República Portuguesa.

Por outro lado, é corrente a utilização na oralidade do substantivo masculino para integrar ambos os géneros, embora homem com maiúscula ou com minúscula, não esteja linguisticamente classificado como substantivo sobrecomum, e bem, já que se assim fosse materializaria um (pre)conceito correspondente a um estereótipo de discriminação de género.
Nestes termos, os Deputados dos grupos parlamentares do PSD e do CDS-PP apresentam o seguinte projeto de resolução:

1. Considerando que a salvaguarda da igualdade e da universalidade em matéria de direitos humanos tem natureza primordial e carácter incessante;

2. Considerando que, os requisitos da igualdade e da diversidade constituem um ativo de produção e de desenvolvimento humano, económico, social e cultural;

3. Considerando a respetiva dupla função dialética, seja no plano primordial da efetivação dos direitos humanos, seja no plano da eficiência do modelo de desenvolvimento económico;

4. Assumindo que, a desproporção entre as políticas implementadas relativas a combater a discriminação de género e o ritmo dos resultados obtidos, tem subjacente razões de natureza histórico-cultural e social, nomeadamente matrizes fundadas em estereótipos de género que justificaram no passado uma alta assimetria discriminatória;

5. Considerando que, a linguagem condiciona e potencia conceptualizar o pensamento;

6. Considerando a responsabilidade de rememoração inter-geracional que nos incumbe.

Nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa e da alínea b) do n.º 1 do artigo 4.º do Regimento, a Assembleia da República, recomenda e apela dirigindo-nos a entidades públicas e privadas, a que doravante, sem prejuízo da utilização da expressão redutora para reportar a documentos do paradigma da exclusão:

a) Na produção de documentos oficiais, bem como em sede de revisão dos mesmos já em vigor ou futuros, seja substituída a expressão Direitos do Homem pela expressão Direitos Humanos.

b) No exercício de funções na titularidade de cargos em órgãos de soberania, das regiões autónomas e das autarquias locais, bem como no exercício de funções públicas de qualquer natureza e independentemente da natureza do vínculo, seja utilizada a expressão Direitos Humanos em substituição da expressão Direitos do Homem.

c) Na produção de documentos particulares e, nomeadamente em manuais escolares e académicos, bem como nos textos para publicação e divulgação, seja substituída progressivamente a expressão Direitos do Homem pela expressão Direitos Humanos.

d) Na oralidade, sobretudo no âmbito de ações de formação e de ensino, seja utilizada a expressão Direitos Humanos ao invés da expressão Direitos do Homem.