3/4/18

Pedro Passos Coelho Professor de Economia e a States






Olha a States onde eu ia recuperar a alegria de viver depois de conviver com o Adam Smith, o papá do liberalismo económico, e outros da sua laia. À altura, quaisquer pensadores económicos me produziam cãibras mentais, preferia de longe os filósofos do Direito. A discoteca States era onde eu ia desempenar o esqueleto e espairecer das preleções teóricas do Prof. Doutor Avelãs Nunes. Ele era o docente da cadeira de Economia Política, 1º ano da Faculdade. Para quem não sabe, Avelãs é um importante intelectual marxista, autor de reflexões maduras sobre capitalismo, Direito, globalização e neoliberalismo, um peso-pesado do meio académico, o seu curriculum vitae deve agora ser tão extenso como as sebentas por onde estudávamos. Algures guardo o seu livro Uma introdução à Economia Política, que ele recitou ao longo do semestre. Aí se aborda o pensamento característico do mercantilismo, os meandros da fisiocracia, a “escola clássica” (Adam Smith, David Ricardo, Jean Baptiste Say e Thomas Malthus) e sintetisa a crítica da economia política elaborada por Marx, a sua superação, depois Keynes e seu legado, etc, etc. O livro estará hoje perdido entre muitos num caixote perdido, profusamente borrado com marcadores fluorescentes de várias cores, sublinhado a vermelho Kremlin, e amplamente ilustrado nas margens e nos entremeios dos gráficos da lei da oferta e da procura com toda a espécie de garatujas, com que, desrespeitosamente, tentava iludir os ponteiros do relógio e entrar noutra dimensão. Pérolas a porcos, é o que estão a pensar alguns de vós, agora o meu filhinho vai ter de aprender Economia com o Pedro Passos Coelho.O meu conselho é que não baixem os braços, ou melhor, as mãos do teclado: se continuarem a cruxificar o homem nas todas-poderosas redes, quem sabe se ele não desiste como fez o Piçarra. Força, camaradas.


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