3/8/18

Dia Internacional da Mulher 2018



Dia 8, hoje, dia de luta com raiz nas jornadas de mulheres que no início do séc.XX, dos EUA à Europa, aspiravam a condições de trabalho dignas, sufrágio universal, entre outros direitos, em suma, à prática efectiva de um princípio de igualdade entre homens e mulheres. E então a CM do Pedrogão promove um workshop de beleza e algum Facebook reage, indignado, ao workshop e respectivo cartaz, onde tudo incomoda, o apoio institucional, a futilidade da oferta associada a esta data, o rosinha das fontes e a boneca de lacinho. Sem esquecer que, para muita gente, nos dias que correm, mulher que é mulher tem mesmo é que andar de cara lavada. Maquilhagem é coisa superflua, opressiva, capitalista. Uma mulher de cara limpa é segura de si, empoderada, as outras, coitadas, umas servas da vaidade, belas adormecidas à espera do seu príncipe, em perene vassalagem a padrões ditadores de beleza. Aquelas apontam o dedo crítico a estas e estas, agastadas umas, indiferentes outras, já se inscreveram em bando no workshop e de tal forma que foi preciso um espaço maior para acolher a iniciativa. Pessoalmente considero uma opção algo dissonante com a temática central que este dia quer chamar à reflexão. E também acho o cartaz omisso e discriminatório: falta ali um boneco. As mentoras - ou os mentores - do evento esquecem que isto da maquilhagem já não é território exclusivamente feminino, é coisa máscula também. Hoje ninguém mais diz que os homens não se querem bonitos: agora se eles quiserem cobrir-se de base, máscara, baton, sombra, isso é totalmente ok. Hoje, homem que é homem, compete por prateleira igual à da companheira no WC para colocar os seus produtos de beleza e demora até menos tempo do que eu a ficar lindo: já vi videos disso, aplicam eyeliner e sombra como eu nunca fui capaz e morro de inveja. Estes organizadores não viram quando na capa da célebre Cover girl apareceu o James Charles: a Katty Perry e a Pink pertencem ao passado. Ele era ela: um homem foi a cover girl de uma celebrada revista feminina. Portanto, as fronteiras de género na maquilhagem já não existem embora existam no mercado de trabalho em formato rosa-choque, chocante mesmo, e por isso nem todas as mulheres que gostam de se maquilhar - ou que efectivamente precisam dela por questões de correcção estética - podem comprar produtos de beleza de boa marca, não testados em animais, livres de substâncias cancerígenas, totalmente biológicos, pois são mesmo caros pra c******. Já os homens, com maior poder de compra, eles sim, são o novo mercado que as grandes marcas querem conquistar. Por isto e mais, eu nem estranharia se aparecesse um punhado de homens no workshop. Que os deixem entrar e beber do sumo conhecimento da artista de make up, é o que espero em nome da igualdade de género. Agora, um pouco mais a sério: quero só pedir que não se distraiam com notícias cor-de-rosa, e, sobretudo, que no dia-a-dia deixem cada mulher decidir em liberdade sobre os assuntos do seu interesse, e que respeitem a sua opção. Era só isso e agora vou maquilhar-me pois tenho de ir ao Jumbo comprar pão para o almoço.

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