3/12/18

A garraiada é uma tradição fofinha, sim?


Carrega Coimbra. Ah, grande estudantada. Um referendo! Já parecem aqueles estudantes da escola americana de Parkland a lutarem por causas. Estou comovida, até se me chegou uma lágrima ao canto do olho a ver este papel. Também fui estudante em Coimbra: é uma coisa que nos marca como um ferrete.

E atão desde que me veio à mão este papelote, uma fotocópia do areal da praia da Figueira da Foz com estudantada espojada, e umas letrecas, que fiquei de olhos embaciados de ternura. Antes ou durante ou depois, no dia da garraiada na praça de touros da Figueira da Foz, os estudantes que vieram de Coimbra na CP em comboios especiais, vão para a praia curar os copos a mais e/ou as marradas que levaram: é uma tradição a praia encher-se de corvos bêbedos. É uma espécie de Sunset mas muito menos concorrido e colorido. Ocorreu-me entretanto que isto da garraiada é uma coisa só de machos! E andam os estudantes a pedir que se juntem a esta causa por uma Universidade para todos? Universidade e Divertimento para TODOS, certo? Então as mocinhas? Ficam passivamente a assistir? A fazer claque? Parece-me um ritual muito antiquado e inadequado à onda feminista do momento, não vos parece, meninas? Isto não vos incomoda nem um pouco?

Não quero levantar falsas suspeitas, mas os e as que dizem sim à garraiada serão, provavelmente, os e as que depois dão mau nome à praxe, inventado praxes abusivas, mas que dizem - fazendo uma interpretação lata do papelote acima - não ser abuso nenhum, pois não há sangue, nem ferimentos feitos nos caloiros - animais, sim, é assim que se chamam, é tudo uma brincadeira; dizem que é só mentiras o que se conta acerca das humilhações, tudo falso, que os caloiros se divertem à brava, que são acompanhados por alunos mais velhos para garantir o seu completo bem-estar. E sabiam que, tal como nas garraiadas, no final das praxes os caloiros-animais voltam para casa, uns para o campo, outros para a cidade? Bom, alguns, infelizmente, não, como é sabido. Não se deixem enganar, pois.

A garraiada não é uma tourada, é só uma senhora parvoíce, e, digo-vos mais, é uma parente pobre da tourada, que condeno, mas aonde consigo ainda vislumbrar justificativas. Pena que os estudantes não sejam capazes de inovar e encontrar melhor divertimento e que fiquem a ruminar na tradição só porque sim. Mas, vá, jovens, juntem-se a esta causa: eu também já fui estudante, entendo que sejam imaturos pra caralho. Afinal, a garraiada é tão emocionante, gira. Observem com atenção este video e recapitualem o que vão perder se não votarem sim! É bué de tradicional e fofinho levar cornadas no cu, voar pela arena, cair de quatro, ser espezinhado pelas patadas do boi, comer areia misturada com bosta bem morna ainda, tudo muito bravo! Olhem, sabem que mais? Eu também não trocava tamanha diversão por um concerto dos WrayGunn no Gil Vicente: era muito parado.



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