3/13/18

A censura no Facebook






E pumbas! Na sequência da publicação das glândulas mamárias do pangolim fêmea, e em troca bem humorada de comentários, publiquei as glândulas mamárias da Madonna, de mão dada com o Jean-Paul Gautier, a desfilar na passerelle, uma coisa velha de uns oito anos. Mas o que te deu hoje para pisar o risco, Belinha, sua grande doida? Não sabes já o que te espera? A reprovação do Facebook chegou na forma deste aviso, que me pede para remover todas as fotografias que contenham nudez, de forma a manter a minha conta activa. Ora, as mamas da Madonna não valem realmente a perda da minha conta. Afinal todas temos mamas. Todos os animais mamíferos as têm. Até o ornitorrinco tem mamas mesmo se põe ovo. Mas para algumas mentes perturbadas e bafientas as mamas são um par de coisas terríveis, quer sejam as da exibicionista da Madonna, quer sejam as da recatada mãe que amamenta um bebé. As mamas são capazes de levar à perda das contas do Facebook, quase me atreveria a compará-las a ogivas nucleares, capazes de aniquilar o mundo. Além da censura da foto da Madonna, o Facebook enviou-me, depois, esta selecção de fotografias que considerou suspeitas: incluiu cartoons com cães, pinturas de rolos de papel higiénico, uma foto de uma galinha, uma ilustração desenho de pele rosada e púbis, uma gerbera, mais um cartoon da pré-história com uma boneca e duas mamocas pueris, a senhora chinesa das boas pernas, fato de banho e máscara de luta livre, a modelo digital negra, relógios de parede em forma de edifícios, uma colagem de uma armação ocular sobre ruinas de guerra, a pintura de uma mulher negra a descansar num sofá, um prato de ovas de bacalhau e arroz de grelos, uma instalação com fita adesiva, e print-screens do meu chat com o Fernando Pessoa! O algorítmo é uma anedota: onde é que estes conteúdos são pouco seguros e criadores de mau ambiente na comunidade? Não marquei nenhuma das quadrículas e avancei para OK, deixando as minhas publicações no seu lugar, portanto, fico à espera de retaliações futuras. Também fui instada a inteirar-me das políticas sobre nudez e actividade sexual no Facebook, aviso prévio que recebi em modo compreensivo e algo paternalista. A rede social entende que eu talvez não esteja a par das ditas, convidando-me a ir estudá-las e a agir em conformidade. Todos os dias acontecem destas censuras e hoje parece que fui eu que prevariquei e de forma dolosa, sei perfeitamente que no Facebook a nudez é uma coisa proscrita. Como sempre digo, o Facebook não é meu, tenho de acatar as suas regras ou arriscar-me a perder a possibilidade de estar em rede. Não é um espaço de liberdade nem nunca vai ser pois o Facebook não passa de um negócio cuja estratégia principal assenta em arrebanhar o máximo de pessoas debaixo do seu chapéu virtual para depois as confrontar com anúncios. Se se especializou em formas de nos prender ao ecrã, não é porque deseje aproximar as pessoas, ser uma boa diversão ou promova utilidades que não possam ser encontradas em mais nenhuma ferramenta da net.

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