8/17/17

João Quadros ou João Quadrado?

Percebi agora que um tal humorista Quadros anda nas bocas do mundo por ter chamado skinhead ou cabeça rapada ao Passos, assim criticando um discurso algo xenófobo que este fez, e que eu não li, mas, com aquela voltinha de trazer à colação na piada a mulher dele, doente oncológica, e, claro, para muitos o cancro é um dos assuntos que tem de ficar fora do humor, compreensível pelo sofrimento e impacto da horrível doença tanto no paciente como nos que lhe são próximos. Mas esta lista de assuntos que têm de ficar à margem do humor é uma coisa que me incomoda. Não é por fazer de conta que um problema não existe que ele cessa de existir: vamos excluir do humor temas como a doença, a deficiência, etnias, religiões, classes sociais, a sexualidade e outros? Ou marcar-lhe limites? E impor limites é atacar a liberdade de expressão? É um grande e apaixonante debate que esteve bem aceso nas redes aquando das mortes no Charlie Hebdo.

Não há dúvidas que o visado da piada em causa é PPC, não a esposa. É um ataque bem forte a PPC, uma crítica política vexatória mas certeira. Pior por acarretar um dano colateral ao envolver a esfera pessoal e emocional de PPC: daqui nasce o ultraje pois Quadros explorou uma sua vulnerabilidade, a fatalidade da esposa. Compreensível que as pessoas rejeitem um e outro, o primeiro por serem da cor política de PPC, o segundo, por entenderem que têm de existir limites para o humor negro, muitas vezes cruel e muito incómodo.

Eu não sigo os tweets do Quadros, só sei quem é pelas fotos que por aí circulam de um tipo guedelhudo, ar nicotinado e noctívago. Com frequência leio sobre ele comentários na maioria desprestegiantes, tipo imbecil, ordinário, besta. Mas não tenho opinião formada. Mas sei que nem todos somos Charlie, alguns de nós são  Charlie Brown. O humor nem sequer tem que gerar unanimidade mas convinha não perdermos a cabeça pois desatar a desejar a morte ao homem e familiares com todas as letras não faz de nós seres humanos mais sensíveis do que ele próprio, não é?

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