1/30/17

10 belas razões para gostar de Trump


Alguns dos meus seguidores têm-me dito que devo dar uma chance ao Agente Laranja. Sou uma pessoa de atitude flexível e aberta a novas ideias e posso dizer-vos que mudei. Nova semana, vida nova, vamos lá fazer a América grande porque rima com La La Land. Não tenho palavras para agradecer ao Humberto a clarividência. Convenceu-me 100%. Diz o Humberto que

1.Trump não é um político profissional e isso é muito bom pois os políticos profissionais mentem. Nunca ninguém viu o nariz do Trump a crescer, tem razão.

2. O Trump gosta de mulheres bonitas. O primeiro acto oficial do Trump foi casar com uma modelo eslovena. Verdade! O Humberto não referiu que o segundo foi encornar a mulher com outra mulher bonita e o terceiro foi divorciar-se dela e casar com outra mulher bonita. É um belo percurso. Só não combino um date com o Trump para o Dia de São Valentim porque ele anda muito ocupado a assinar ordens executivas.

3. Trump é um empresário de sucesso! Aplique-se a fórmula ao destino da America e ele poderá reinar longamente. Pssst! A gente sabe que são mais de 100 as instituições que o têm preso pelas partes baixas em virtude das dívidas mas isso é um risco calculado. Quem não arrisca não petisca.

4.Quando precisou de uma nova mulher Trump recrutou uma Rainha entre as vencedoras dos concursos de fatos de banho. Verdade!Os fatos de banho não fazem perguntas, os fatos de banho compreendem.

5. Trump não usa palavras de sete e quinhentos, um truque muito frequente na classe política para deixar o povo na ignorância. Ele comprou todas as palavras que usa na Dollar Store. Não entendo como vai entender a linguagem dos outros políticos mas o Humberto acha bem a análise que um jornal fez da verborreia do Trump. Não contesto porque eu só falo português e mal.

6. A Ivanka ofuscou toda a gente na tomada de posse do papá! Verdade! O pai foi muito injusto com ela. O lema da campanha devia ter sido: Make America beautiful again e comprem a linha de roupa da minha filha. Mais uma bela razão para gostar de Trump: uma filha empreendedora.

7. Trump é um defensor do combate ao estado islâmico e "não somos todos" pergunta o Humberto. Claro que somos. Mal posso esperar pela lista das 10 belas razões do Humberto para combater o estado islâmico. (A palavra é uma arma, eu sei, mas eu consideraria pedir a ajuda aos Dealema.)

8. Outra bela razão para gostar de Trump é o facto da outra filha, a Tiffany, costumar aparecer em poses sensuais nas redes e por isso ter milhares de fãs.Verdade! Não me espantaria se em 2020 ela estivesse na corrida para a Casa dos Segredos.

9. Outra bela razão para gostar de Trump é que ele é uma celebridade - depois de10 anos à frente do Apprentice não sei porque não elegeram Trump presidente dos reality shows, experiência ele tinha - e toda a gente gosta de celebridades, em Portugal e no mundo, diz o Humberto, repito, ipsis verbis, em Portugal e no mundo. O Portugal da NOVA GENTE do Humberto é tão à frente que já deu um EXIT no mundo, o meu ainda não pensou nisso.

10. And last but not least, Trump tem a primeira dama mais bonita de sempre!! Diz que ela não tem defeitos e isso é verdade, já tivemos todos a oportunidade de ver muitas fotos da Melania e ela não tem cicatrizes no corpo e até tem os dedos todos. Não se pode apontar-lhe o dedo, diz Humberto. Também concordo, apontar o dedo é feio, Humberto. Humberto, só não te convido para um date no São Valentim porque ainda tenho esperanças que o Trump esteja livre. Beijinhos.

1/22/17

Women's March EUA 2017 - Os cartazes





















E mais 31 cartazes para ver aqui neste link!
(Que me descupem os autores das fotografias aqui publicadas,
muitas apanhei-as em partilhas, e era impossível localizar a fonte.)



1/21/17

O Presidente Trump é o maior!


O presidente dos Estados Desunidos foi "inaugurado" e eu sem conseguir encontrar o Trumperware cor-de-laranja que a minha mãe me deu quando fui para a faculdade. Que frustração. Há quem ontem tenha vestido camisolas com frases inspiradoras para assinalar o grande dia. Eu pensei guardar os tremoços que trouxe da praça no meu mui estimado Trumperware. Cada um festeja como gosta: it's a free country. Revolvi os armários da cozinha de alto a baixo e só havia caixas vermelhas made in China. Passei a tarde nisso enquanto ouvia o portentoso discurso do fundador da Trumperware Brands Corporation, um grande empreendedor, sim senhora. As más línguas têm muito por que se penitenciar, sempre a dizerem que o pobre homem é um palhaço. Mas é claro que é um palhaço! É um palhaço rico: é tudo marketing pessoal! Como é que não percebem? E também que as empresas dele estão falidas! Ai estão? Então como explicar tanta "demonstração" Trumperware por esse mundo fora? As pessoas adoram a marca Trumperware,as pessoras compram Trumperware, as pessoas respiram Trumperware e até há quem transpire porque agora essas "demonstrações" já nem se restringem aos domicílios, não, agora estão nas ruas: há marchas, cartazes, slogans gritados a plenos pulmões, copos de plástico pelo ar e tudo. Têm muito mais dinamismo, muito mais impacto e visibilidade. Em suma: a marca Trumperware está mais pujante do que nunca. Essas más línguas são as mesmas que andam por aí a espalhar que foi mais um discurso de plástico! Bah! Só vos digo: é gente que está cega e não ouve, malta que está surda e não vê. Vamos lá fazer a abóbora great, um tremoço de cada vez!

1/17/17

Nuvens negras

 (Fotografia do Eduardo Affonso.)

Esta noite sonhei com nuvens enormes e negras como essas da fotografia do Eduardo Affonso. Tinham dedos gordos nas extremidades e aproximavam-se dos poucos edifícios altos aqui da cidade em pezinhos de lã. Movidas a ventos vários pareciam grandes embarcações pirata a vogar num mar azul. Quando estacionavam sobre as torres, agarravam-nas pelo topo com as pontas dos dedos, abanavam-nos com preguiça de uma forma quase carinhosa e intrigante e derrubavam-nas. Eu tinha ido ao cinema à sala do Casino - que já não há - com uma amiga - que já não é - e quando saímos para a rua e para esta guerra dos mundos ficámos perplexas porque devia ser de noite - e não era - e as nuvens deviam ser brancas - e não eram - e o tempo tinha parado de correr nos nossos relógios de pulso. Corremos para casa em busca de refúgio e eu queria contar o que tinha acabado de presenciar ao meu marido mas as palavras enrolavam-se-me na respiração ofegante e ele, sentado no seu sofá habitual, obviamente nas nuvens, acomodando substâncias ilícitas num papel, limitou-se a comentar na sua voz arrastada que eu estava a fazer filmes. Porque não filmaste? - perguntou ele. Ora, já sabes que não me entendo com o telemóvel, - respondi eu.(Nota: o sonho aconteceu e a foto do Eduardo acontece. Imaginem abrir o Facebook, de manhã, e essa ser a primeira postagem que aparece.)


1/14/17

A Nutella faz mal

Nutella faz mal. Álcool faz mal. A carne faz muito mal. O café faz mal. Descafeinado, igual. Batatas fritas fazem mal. O açucar faz mal. Gluten faz mal. Pão branco faz imenso mal. Fritos fazem realmente mal. O sal então é fatal. Gaseificados fazem mal. Os fumados fazem mal. Os processados, muito mal. Os “baseados”, igual. Manteiga faz sobejo mal. Margarina faz igual. Gorduras fazem mal. Produtos light, bué de mal. Ser vegan, faz mal. O sol faz um tremendo mal. Estar sentado faz mal. Correr faz mal. O Paracetamol faz mal. Trabalhar também faz mal. Não trabalhar faz mais que mal. O sexo faz mal. Ter fé, faz mal. Não ter, igual. A TV também faz mal. A internet faz mal. A solidão faz muito mal.Viver muito faz mal. Não viver é letal.

1/12/17

Mammalia

Tudo o que é demais aborrece. Não costumo ficar a mascar a mesma pastilha por muito tempo porque o sabor desaparece e, além disso, é cansativo. Mas o tema da censura mama-mamilo continua em alta lá pelos lados do meu Facebook. Todos ensaiam, cada um à sua maneira, uns mais artística, outros mais naturalista, testar a rede ou demonstrar-lhe a sua falta de sensatez. Foi assim que emergiram estas incríveis fotografias que não resisto a mostrar-vos. Alguma vez tinham visto as maminhas sexy das elefantas? Lineu, na sua taxinomia, fixou o termo Mammalia, foi no século XVIII. Acho que até hoje o Facebook não lhe perdoa o facto de ter ido buscar esta característica feminina para atribuir um lugar ao homem no seio da Natureza. É preciso ter uma memória de elefante!, que inveja, eu há dias em que nem me lembro do ano em que nasci.Tenho para mim que o Facebook talvez preferisse Pilosa, afinal nem todos os mamíferos têm mamas funcionais mas todos têm pelos. #Freethenipple, #boobsappreciationday

Pornografia barata



Ora, não sei o que dizer daquela cena do video dos espiões russos e do Trump e assim preferi não inventar. Não sei porquê mas não consegui ignorar esta fotografia comprometedora de duas baratas-americanas, esses seres extraordinários, que podem viver até semanas sem cabeça. Evidentemente que isto sou eu a tentar dourar a pílula, ninguém tem simpatia por estes rastejantes. Também não sei porquê mas lembrei-me dos besouros dourados. Pertencem à espécie Charidotella sexpunctata e, coincidência, são nativos dos Estados Unidos. Os seus encontros amorosos podem durar entre 15 e 583 minutos, o que dá margem para muitas tropelias. Procurei mas não encontrei uma única foto dos bichinhos in actu. Belinha, mas quem é que é tão pervertido que queira espreitar à intimidade de dois coleópteros a copular, ainda que tenham apenas 5-7 mm de diâmetro, ainda menores do que um mamilo humano, por assim dizer? Não sei, não sei mesmo porquê mas ando muito sensível a questões que envolvam mamilos. Deve ser do frio. Isto é importado do Facebook. Não sei se o Facebook também vai apagar esta imagem das baratas transgressoras à semelhança do que fez com a fotografia das férias do Presidente Soares na praia do Vau: ele, a mulher e uma rapariga em topless, mais uma afronta à moralidade e bons costumes do Pidebook. Fiquei a saber que tenho bufos entre o meu grupo de amigos. Se um mamilo incomoda muita gente, dois incomodam muito mais. É a política anti-nudez do Facebook, se não gostas porque não vais dar uma volta até ao Twitter? Ó pá, porque o Martin Luther King disse que "É nosso dever moral, e obrigação, desobedecer a uma lei injusta" e eu tenho mais respeito por ele do que pelo Zuckerberg. Além do mais o Facebook é muito ingrato e pouco criterioso: ainda não vi nenhuma política contra a estupidez, a injustiça, a calúnia, o exibicionismo barato, o desrespeito militante, a insensatez, e essas incomodam-me muito mais do que a nudez. Não sei. Mas dou de barata que o Facebook é porco mesmo, eu seja bruxa se amanhã quando eu acordar a foto das baratas não estará por lá ainda, no exacto lugar onde a deixei.#freethenipple



Da série Porque hei-de sempre ser uma Blogger do coração.)

1/10/17

Os dois sonetos de amor da Hora Triste


Quando eu morrer - e hei de morrer primeiro
Do que tu - não deixes de fechar-me os olhos
Meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos
E ver-te-ás de corpo inteiro.

Como quando sorrias no meu colo.
E, ao veres que tenho toda a tua imagem
Dentro de mim, se, então, tiveres coragem,
Fecha-me os olhos com um beijo.

(Eu, Marco Póli)
Farei a nebulosa travessia
E o rastro da minha barca
Segui-los-á em pensamento.

Abarca nele o mar inteiro, o porto, a ria...
E, se me vires chegar ao cais dos céus,
Ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus,

II

Não um adeus distante
Ou um adeus de quem não torna cá,
Nem espera tornar. Um adeus de até já,
Como a alguém que se espera a cada instante.

Que eu voltarei. Eu sei que hei de voltar
De novo para ti, no mesmo barco
Sem remos e sem velas, pelo charco
Azul do céu, cansado de lá estar.

E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação.
E não quero que chores para fora,
Amor, que tu bem sabes que quem chora

Assim, mente. E, se quiseres partir e o coração
To peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino
Talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino?


Foi o poema escolhido para marcar a cerimónia de despedida de Mário Soares, declamado pela companheira de 66 anos de vida do antigo presidente da República, Maria Barroso, já falecida. Para ouvir no link

Mais urbanidadade e menos merdas, por favor. A Gerência agradece.


Há 10 anos que ando no Facebook e desafio-vos a encontrarem uma linha por mim escrita em que eu tenha sido rude ou mal educada enquanto discorro sobre isto ou aquilo ou teço comentários. Igualmente vos desafio a percorrer este meu blogue, se quiserem, muito anterior ao Facebook. A regra que sigo na internet há quase duas décadas tem sempre sido: não escrevas sobre as coisas de uma forma que não possas dizer face a face a qualquer pessoa. Não me dei mal pois sempre tenho levado a água ao meu moinho e sem conflitos de teor algum. Uma coisa é não ter papas na língua, outra é não ter decência. Não creio que agir sem freio dê qualquer vantagem sobre defensores de opinião diversa ou que valorize qualquer discurso que se tenha sobre um assunto. Nisso o Direito foi para mim uma escola boa: contra factos não há argumentos. Mas são muitos os que acreditam que sim, a avaliar pela torrente de impropérios que em certos momentos toma de assalto as redes, é uma doutrina fortemente disseminada. Posso ser sarcástica ou até usar de vernáculo mas nunca desço ao patamar do insulto fácil e descontrolado, se repararem, nem a lidar com assuntos ligeiros nem com matérias sensíveis. Se por acaso encontrarem essa tal linha sempre posso usar como desculpa que o erro faz parte da minha humanidade, porque se tratará de uma excepção e eu não sou nenhuma santa, nem melhor do que os outros. Mas tento ser melhor do que alguns. A Liberdade, essa palavra fértil e bela com que toda a gente gosta de encher a boca para justificar dizer os maiores desaforos, significa também ficar sujeito ao julgamento sem peias pelos demais e em especial por quem veja na ausência de bom senso um sinal de pouca inteligência. Em tempos a urbanidade e a educação nas relações entre as pessoas eram valorizadas e uma mais-valia. Pois bem, esses tempos para mim nunca passaram de moda. Nunca irei repudiar ninguém porque não é educado, salvaguardo que pode até ter uma boa justificação para isso, mas, de igual modo, nunca poderei simpatizar com gente grosseira, sejam políticos, cientistas, reis, agricultores, engenheiros, artistas, padeiros, criminosos ou indigentes. Esta nota estava entalada há mais de um mês, tinha se sair, o timming é oportuno. Não, não foi apenas motivada pelas reacções menos polidas ao falecimento de MS.

1/7/17

Mário Soares despede-se da vida com lugar na História


Talvez tenha sido no início da década de 90 que Mário Soares visitou a Unviversidade de Coimbra, no âmbito de uma das suas Presidências Abertas. Os estudantes homenagearam-no colocando as capas no chão para ele passar e eu estava nas escadas, mesmo junto da Torre da Universidade, aí tendo lançado também a minha capa. A subida do Presidente e dos acompanhantes não era fácil pois os degraus desapareciam debaixo dos panos negros seguros pelos estudantes. Ao aperceber-me de que ele estava com dificuldade em pisar o chão resolvi puxar pela capa para a ajeitar mas o gesto não teve o efeito desejado e eis que ele balança sobre si mesmo durante uns longos instantes antes de recuperar o equilíbrio e conseguir firmar o pé no degrau. A imagem periclitante de Mário Soares ficou para sempre a bailar embaraçosamente na minha memória. A poucas pessoas contei que naquele dia festivo podia ter derrubado o nosso PR! Lutou pela Liberdade de todos nós, viveu muito, morreu hoje. Que descanse em paz.

É preciso ter calma, já dizia o Abrunhosa

Este papelote exaltou os ânimos é já foi notícia no JN. Mas a redacção desastrada não obsta a que não haja ali alguma razão. Não me lembro que jogar à apanhada no hall de entrada da minha escola fosse permitido, mesmo em dias de chuva, caso em que não se podia ir para o "recreio" e que tínhamos de ficar confinados às quatro paredes. Julgo que a cachopada dos anos 70-80 era menos endiabrada mas também nos esticávamos, assim houvesse oportunidade. A minha escola primária tinha um enorme espaço de terra batida e um telheiro: era perfeita para a miudagem. Todas as semanas eu ia ao chão e ganhava medalhas de mérito da brincadeira: joelhos vermelhos de mercurocromo. Já no Ciclo Preparatório parti um vidro de uma porta de uma sala de aula enquanto bulhava com um coleguita. No Liceu, à medida que crescíamos, todos evitávamos atravessar o corredor da correria e da gritaria porque ali era a selva e nós já tínhamos evoluído. 

A agitação nos espaços cobertos de uma escola não é de hoje e não vai ser parada por decreto sobretudo porque é um dado normal. Fenomenal verificar que apesar da epidemia dos telemóveis junto da miudagem ainda há quem corra e salte e dê problemas. O que não quer dizer que a escola não tente acalmar a excitação natural da criançada, sobretudo os excessos, mais não seja porque quando uma criança aparecer em casa com a cabeça rachada ou os óculos partidos terá para dizer aos educadores em fúria com a falta de vigilância na escola que tomaram uma qualquer providência. Preso por ter cão, preso por não ter. Ou é porque a escola nada faz ou porque faz, ou tenta. Não faço ideia de como seja a estrutura deste Colégio mas espaços como cantinas e corredores em que circulam alunos de todas as idades e adultos (professores e funcionários), podem não ser o local ideal para um bando de crianças em sprint ou um jogo de bola. É verdade que podem chocar uns contra outros pois o espaço de manobra é mais reduzido ou até tropeçar com mais facilidade, caír e criar transtornos vários. Também hoje se misturam muitos níveis étários num mesmo espaço, mais uma vez desconheço como será aqui, mas imaginem uma miúda crecidinha a chocar contra outra do Básico que não se desviou a tempo, esta bem pode ser projectada contra a parede e os seus óculos entrarem em órbita.

Imagino que os directores de turma já tenham avisado as diversas classes umas 100 vezes antes a emissão deste aviso e ao ler isto nem sequer me passa pela cabeça que a proibição se estenda ao recreio, como andam a dizer: os directores podem não saber escrever mas não acredito que sejam idiotas, todos sabemos que se os miúdos não conviverem e extravasarem energias é impossível mantê-los sentados numa sala, é apenas razoável pedir que em dias de chuva tenham mais calma debaixo de tecto. Proibir parece forte mas também sabemos que se proíbe o estacionamento em 2ª fila e que nem assim nos deixamos disso, porque não há mal nenhum se for apenas por cinco minutos, que rapidamente se transformam em 30. Imagino que se nos pedissem por favor e de forma gentil nunca mais estacionávamos em 2ª fila. Felizmente os miúdos ainda não pagam coima pela correria, os pais que se preparem pois pode ser o próximo passo. 

Existe hoje uma urticária instantânea a tudo quanto é imposição de regras mas a verdade é que elas são necessárias porque a convivência por vezes não se compadece nem com a nossa espontaneidade nem com a nossa criatividade. É bem possível que até dentro de casa os visados por este comando também não possam jogar à macaca nos ladrilhos da cozinha ou bater bolas na sala junto do serviço de louça chinesa da mamã ou saltar à corda no quarto que fica mesmo por cima da sala de estar da vizinha rabugenta do R/C. É simples: o comportamento que se tem no recreio não é para ter no corredor e, já agora, nem na sala de aula. Também se me afigura simples que a redacção destes avisos não pode ser feita às três pancadas e mais simples ainda que sem sabermos o contexto a que se refere o aviso talvez seja mais sensato questionar do que condenar liminarmente o Colégio, não? 

1/6/17

Porque é dia de Reis, segue o teu destino.


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas. 
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis

Não há cá Sherlocks das redes sociais

A investigação criminal cabe exclusivamente às autoridades, não há cá Sherlocks das redes sociais. É isso. Já devem ter visto o apelo desta mãe e de um amigo para que partilhemos muito um video porque assim vamos, todos juntos, ajudar a encontrar os responsáveis do ataque selvagem que o rapaz sofreu. Expliquem-me lá como é que eu vou ajudar a fazer justiça partilhando o video. Dizem-me vocês que fundadamente o processo encalhou. Acreditarei ou não. Mas divulgar a história não chegava? Era preciso divulgar um video com este teor cujo único alcance é prejudicar sobretudo a vítima? Não sei quantos de nós, se agredidos desta maneira, iriam agradecer ter as imagens da nossa brutal agressão a dar a volta a Portugal. Não sei se se recordam de um caso algo semelhante que aconteceu em 2015, aqui na Figueira. Eu partilhei esse video mas aprendi alguma coisa ao observar o desenvolvimento do caso e hoje não o faria. Esse video também deu a volta ao mundo. Pois dou uma volta pelo feed e lá tropeço agora no video rapaz espancado que imagino deva hoje sentir-se pior do que em Novembro, quando sofreu o ataque, porque a reviver a situação vezes sem conta e a ler alguns comentários menos abonatórios. Ou seja, a agressão soma e segue: agora está a ser agredido duplamente através da exposição viral nas redes e TV e ainda é acusado de não saber estar à altura, certamente por gente de grande envergadura física e moral, imagino. E quem promoveu este duplo assalto? Os bem intencionados que querem fazer justiça com a ampla divulgação das imagens. Só que a justiça para o caso não chega através de repúdio virtual em massa e de insultos generalizados ao grupo de jovens monstros e às famílias - que todos afirmam sem dúvida disfuncionais e sem princípios, - nem através desta solidariedade viral e virtual que nada repara, apenas contribui para tornar a ferida mais aberta. Não sei o que hei-de chamar a quem assim partilha imagens obtidas de forma ilícita e que ferem a sensibilidade do visado. Talvez me possam ajudar nisso: ingénuos? Ninguém quer saber do direito à imagem porque é a imagem dos outros, não a sua, que anda por aí em looping. O direito à imagem faz parte do cardápio dos direitos, liberdades e garantias, mais, é protegido penalmente. Não vale filmar contra a vontade de alguém, e é o caso, sem dúvida, não é preciso que se trate de uma cena íntima e privada: é crime. Vocês acham mesmo que o jovem, se tivesse tido voz, autorizava a passagem deste video nas redes? Tenho muitas dúvidas. Justifiquem-me também de que forma aproveita ao interesse público de informar e ser informado a passagem deste video. O meu direito a ser mantida adequada e verdadeiramente informada não podia ter sido satisfeito por outra via que não através da transmissão destas imagens violentas? Os extremosos da informação do site noticioso onde tive o prazer de visionar o video fizeram ainda questão de redigir o passo-a-passo comentado do mesmo num texto onde não faltava nem a reprodução dos diálogos, parece que uma imagem não vale, afinal, mais do que mil palavras. A liberdade de transmitir não deveria implicar além do direito de informar o de não ceder a esta forma apoucada de tratar as vítimas? É que a vítima actualmente perdeu todo o estatuto de pessoa, a vítima é uma coisa que serve para ganhar Likes, shares de audiências, vender jornais e depois arquiva-se, sem remorsos, imaginando que um psicólogo há-de lá ir a casa para ajudar a lidar com o trauma, devolver-lhe a dignidade e a auto-estima perdidas. Não perpetuar esta delapidação cabe-nos também, não venham depois dizer que os jornalistas são uns abutres. Já agora, e para terminar, imagens captadas de forma ilícita só podem ser usadas para incriminar quem lhe deu origem. Não podem ser usadas para condenar alguém que até pode ter praticado um crime se não foram colhidas dentro do legalmente previsto.

1/5/17

Vai trabalhar, malandro.


O fundo do copo tem um buraco

Recebido de uma amiga que achou que eu iria gostar de ler. 

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