3/28/16

Bolinhos de feijão-preto au chocolat


Posso saber o que os meus amigos estão a fazer para assinalar o Ano Internacional das Leguminosas? O quê? Nada? Ah, não sabiam? Eu também não sabia se não fosse a promoção do super destinada a lembrar os mais aéreos desta efeméride: na compra de duas latas de qualquer tipo de feijão ofereciam uma caixita de carbo activatus. Assim já posso comemorar sem receios!

Bolinhos! Ei-los acabados de sair do forno: Queques de feijão-preto au chocolat. Com vossa licença, vou-me a eles. Ah, o quê? A receita? Mas acaso pensam que isto aqui é O livro de Pantagruel? Não é, não é. Mas está bem eu digo como se fazem os bolinhos. Como sempre já não sei de onde tirei a receita. Passo as notas da internet para um post-it e depois os papelitos acumulam-se na banca da cozinha presos por uma mola da roupa! Ando há semanas para passar as notas para um caderninho, mas nada. 

Esta aventura começou por correr mal. Pensava eu que tinha uma tabelete de chocolate Pantagruel na despensa, mas quando lá fui só havia um saquinho de chocolate em pó. Foi o que utilizei e parece que deu para safar. 

Já agora, deixem-me enchocolatar mais esta prosa. Sabiam que a marca de chocolate culinário  Pantagruel foi criada pela empresa Imperial em 1982? Pensava que fosse bem mais antiga, do tempo d' O Livro de Pantagruel que foi lançado originalmente em 1945 pela Editorial O Século. O Livro de Pantagruel resulta da recolha de receitas de Bertha Rosa Limpo.  Bertha, nascida em Moçambique, foi uma mulher que estudou música, que viajou pela Europa e que até lançou uma linha de cosméticos. Esta cantora lírica dos anos 30 e senhora da alta sociedade lisboeta, que não sabia estrelar um ovo quando se casou, foi a autora deste fenómeno de vendas, o manual de cozinha mais popular do séc. XX português. Parece que durante as suas tournées era forçada a ir a restaurantes e se gostava do que lhe era servido, pedia e guardava as receitas. Talvez fosse assim ou elas lhe tivessem sido passadas por amigas e familiares. O certo é que se foram acumulando. Mais tarde esse conjunto de receitas terá dado origem ao mais famoso livro gastronómico português. Vejam que já vai na 73ª edição, agora conta com a colaboração dos filhos de Bertha, Maria Manuela Limpo Caetano e Jorge Brum do Canto. As 5000 receitas foram testadíssimas antes de passarem ao papel. Posteriormente a essa colaboração com a mãe, Maria Manuela, com a ajuda dos seus filhos Maria e Nuno Caetano, lançou um novo livro gastronómico com mais de 600 receitas dos cinco continentes: “O Livro de Pantagruel - de Garfo e Faca à Volta do Mundo”.

Pantagruel é também o nome de uma personagem criada pelo escritor francês François Rabelais e presente numa colecção de cinco livros. Filho do gigante Gargântua e de sua mulher Badebec, que morre durante o parto, ele é também um gigante, bondoso e dono de um enorme apetite. A narrativa é simples, de teor fantástico, delirante e grotesco. Os livros de Rabelais foram incluidos pela Sorbonne na lista dos obscenos e censurados e classificados pelo Papa como heréticos. As ilustrações das obras de Rabelais ficaram a cargo de Gustave Doré .

E agora, sem mais delongas, segue a receita dos bolinhos de feijão-preto au chocolat!

INGREDIENTES

100g de chocolate
1 colher (sopa) de azeite
200g de feijão preto cozido/ lata
2 ovos
1 colher (sopa) de vinho do porto/extracto de baunilha/raspa de laranja
 (aromatize com o que for da sua preferência)
50g de açúcar amarelo
50g de açúcar branco
1 pitada de sal
50g de pó achocolatado
1 colher (chá) de fermento
100g de farinha de trigo
Manteiga qb para untar as formas

MODO DE FAZER

Partir o chocolate em pedacitos e meter num tacho com o azeite, para derreter.
Triturar o feijão com a varinha mágica em conjunto com os ovos e o vinho do Porto.
Juntar os dois açucares, sal e pó achocolatado numa taça.  Depois deitar aqui a mistura do feijão acabado de triturar. Juntar o chocolate derretido.
Acrescentar o fermento e a farinha e envolver.
Se quiser pode juntar a esta massa frutos secos (nozes, avelãs, amêndoas, em pedaços)
Untar as formas com manteiga e lavar ao forno pré-aquecido a 180º durante 30 minutos. Pode também testar com o palito - pique e se sair sequinho isso é sinal de que a massa já está pronta.
Deixar arrefecer, desenformar e bom apetite! 
A massa é densa e não gordurosa, estas porções deram para 10 bolinhos.

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Leiam também uma entrevista deliciosa com José Quitério.
E vejam uma infografia com factos curiosos sobre as leguminosas.

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