10/13/15

António Tavares vence Leya com O Coro dos defuntos


António Tavares é o vencedor do Prémio Leya 2015. Parabéns!

O júri decidiu distinguir, por unanimidade, o romance O Coro dos Defuntos.O escritor que nasceu em Angola mas que reside na Figueira da Foz há longos anos, já tinha sido finalista do Prémio Leya 2013, com o romance As Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia, editado pela Teorema. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, é professor do ensino secundário e, atualmente, exerce o cargo de vice-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Foi jornalista, fundador e diretor do jornal regional A Linha do Oeste. Fundou e coordenou a revista Litorais.


Da lista de premiados pela Leya fazem parte O Rasto do Jaguar, de Murilo Carvalho (2008), O Olho de Hertzog, de João Paulo Borges Coelho (2009), O Teu Rosto Será o Último, de João Ricardo Pedro (2011),Debaixo de Algum Céu, de Nuno Camarneiro (2012), Uma Outra Voz, de Gabriela Ruivo Trindade (2013) e O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral (2014).


Leia a notícia desenvolvida no Público.

10/8/15

Naufrágio na Figueira da Foz



Olivia Ribau chega a terra de forma graciosa e sem sobressalto, perseguido por centenas de gaivotas. Tenho por diversas vezes observado a entrada das embarcações na barra e também conheço muitos dos videos do Youtube sobre a pesca nos mares da Figueira da Foz. O meu gosto na observação de barcos iguala o meu receio em subir a bordo. Ora, um barco de arrastão é igual a todos mas eu achei que já tinha visto o Olivia Ribau. O nome não me era estranho. Ei-
-lo.Este contraste entre a calmaria das águas e a agitação das gaivotas que se aproximam a grasnar, afoitas, em busca de peixe, é um quadro pitoresco, habitual nas zonas piscatórias, mas que não nos cansamos de observar. Na passada terça-feira não foi, infelizmente, assim. Quem observou a entrada do Olívia Ribau na traiçoeira barra desejou certamente não ter visto.

Portugal, por todas as razões devia afirmar-se pelo seu domínio dos mares. A todos os níveis. Devíamos ser os melhores. Dar cartas. Nas pescas, na investigação marinha, no aproveitamento da energia das ondas, nos desportos de mar...Todavia apenas somos campeões das praias e nem mesmo assim todas são rainhas.

O mar dá, o mar tira. Na sua brandura ou na sua cólera, o mar é sempre fascinante. E as vidas dos homens têm-se construído sobre as suas águas desde sempre, homens que não temem a morte que chega enrolada nas ondas e que por paixão, tradição ou necessidade, cumprem o destino tecido nas redes de peixe desde há gerações. A pesca, é essa nobre actividade que todos somos unânimes em considerar dura, arriscada, uma herança cultural rica. Mas um pescador não tem glamour. Um pescador só é lembrado quando perde a vida. Ou então se tiver sido uma personagem célebre de um livro famoso, chamada Santiago. 

Mas quando o infortúnio se desenrola a escassos metros da costa, sob o olhar de surfistas, body-boarders, fotógrafos, pescadores amadores e passeantes, a tragédia toma uma dimensão de absurdo. A Figueira da Foz está de luto inconformado. Porque a pior morte é aquela que podia ter sido adiada. Quem muito escreve, pouco acerta. E por isso eu acabo aqui desejando apenas que tenha sido a última vez que pescadores vieram morrer a casa, à minha praia. 

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