12/23/15

Last Christmas...


...I gave you my heart.
But the very next day you gave it away.
This year
To save me from tears
I'll give it to someone special.

Boas Festas para os meus visitantes, seguidores e amigos! HO! HO! HO!

OLX - vende-se mala


A semana passada necessitei de contactar uma loja de fotocópias local. Como de costume o Google é o nosso melhor amigo para estas coisas. Não sei quem é que ainda consulta aquelas listagens de números de telefone que de ano para ano viram o tamanho da fonte reduzir-se de tal forma que não tarda deviam vir acompanhadas de uma lupa.

Andava eu na minha pesquisa quando a meio do resultado de procura li a bold o seguinte: (corno-cópias). Ao longo das muitas impressões da minha vida, umas vezes A4 outras vezes A3, eu já fui confrontada com variada terminologia: cópias a cores ou a preto e branco, automáticas ou manual, folha e livro. Fiquei intrigada com as corno-cópias! Cliquei para satisfazer a minha curiosidade et voilá. Trata-se um anúncio do OLX, afinal. Alguém colocou um anúncio para vender uma mala cor-de-rosa com padrão de corno-cópias. Era sexta-feira dia 4 de Dezembro, Black Friday, ou black fraude, como dizem alguns, mas o dedo escorregou da tecla e também deu gralha, mas bem menos intrigante que cópias com corno!!

Habitualmente não costumo propagar a ignorância, é coisa que não me faz rir e que não gosto de promover. Costumo até escrever às pessoas e indico como corrigir a asneira, que é o que gosto que me façam, pois eu também não sou à prova de erro. Mas desta vez nem uma nem outra! Venceu o meu lado zombeteiro! De qualquer forma a identidade do vendedor/vendedora está a salvo e, quem sabe, talvez o negócio se tenha concretizado e o anúncio até já tenha sido retirado do ar.

Mas se este apontamento nos faz rir também nos deve fazer reflectir em coisas bem mais sérias. Gerações de pessoas com apenas a 4ª classe alcançaram um perfeito domínio da língua portuguesa. Mais do dobro dos anos em escolaridade obrigatória não chegam para  que muita da juventude saia dos liceus a escrever de forma escorreita. Se estiverem, como eu estou, em contacto com professores e alunos, sabem em que clima se ensina e se aprende nas nossas escolas nos actuais dias. Não vou transformar um breve apontamento humorístico num laudo sobre o estado do ensino, fica para o ano. Até porque tenho de ir fazer mais umas corno-cópias e já estou atrasada.

12/20/15

Mistress America - pequena crítica do filme


No Verão vi um filme de Noah Baumbach que se chama While we're young e que nos mostra as atribulações de um casal de quarentões dividido entre a  vontade de reaver a juventude perdida e o desgosto de não ter realizado os seus sonhos. É lixado chegar àquele ponto na vida em que se conclui que já não se é jovem, mesmo se ainda se parece jovem no espelho de acordo com as modas, mas o corpo começa a ranger nas dobradiças. Pior ainda quando o grupo de amigos a que se pertence  parece ter conseguido tudo o que se ambicionava ou o que é considerado basilar. E quando se conhecem jovens que são mesmo jovens, não apenas jovens de espírito, a coisa torna-se chocante se não for devidamente processada.  E é assim que Josh (Ben Stiller) e Cornelia (Naomi Watts), o casal nova iorquino em causa, se deixam seduzir pela juventude e estilo hipster de um casal  na casa dos vinte - Adam Driver (Jamie) e  Amanda Seyfried - que surge do nada na sua acomodada vida para reinar. Após um momento de estranheza os dois ficam deslumbrados com o par e alinham num convívio original, convencidos  de estarem assim de novo em sintonia com o momento, de naquela vivência terem encontrado o meio  para ultrapassarem os seus hábitos de consumo datado e perspectivas sem horizonte,  e agarrarem o presente com sangue novo. 

Mas a verdade desta nova geração não era melhor nem pior do que deles, era a sua, apenas diferente e mais não fazia do que valorizar aquilo que eles tinham descartado - os jogos de tabuleiro, os gira-discos e o vinyl, - ou ignorar o que eles consideravam ser a marca de conforto e sofisticação – coisas como usar as redes sociais, telemóveis espertos, o Netflix. Na realidade não havia nada de tão revolucionário assim na sua maneira de ser.  O rapaz era o cliché do hipster, uma palavra que eu não gosto pois acho que não passa de uma alternativa para boémio, mas com menos autenticidade e estilo; a rapariga vivia para si mesma, alheia aos outros e tinha um negócio de batidos ou iogurtes em mãos, algo meio experimental, se bem me lembro.

Esta lua de mel entre os dois casais vai ser interrompida. Sucede-lhe a traição e o sentimento de terem sido manipulados quando as fronteiras do que é ético fazer em termos criativos são testadas.  Josh (Ben Stiller) acredita que o documentário também pode ser uma coisa pessoal, não apenas ficção. Mas o seu então protegido aspirante a realizador de documentários e recente amigo  acaba por se distanciar deste “ensinamento” que não é próprio da sua geração e que ele não entende.  Na era dos telemóveis não há esta dualidade entre verdade e ficção. Tudo é verdade, há um direito natural às imagens e ao seu uso. E de repente Jamie (Adam Driver), o hipster, consegue ter sucesso ao mostrar o seu filme  e Josh, o documentarista agora professor resignado,  continua no mesmo lodo creativo em que se arrastava há anos. 

Curiosamente o foco no processo de criação, nos direitos de uso de uma ideia ou material de terceiros  também estão presentes em Mistress America, do mesmo realizador, que vi ontem à noite. Este filme pode ser visto como um retrato de uma certa juventude nova iorquina, ou como o relato de uma amizade no feminino ou como uma análise de um processo criativo entre  uma escritora em potência (Tracy) e a sua musa, (Brooke) uma mulher que ela achou estar destinada a ser uma personagem literária. Ou tudo isso. A relação entre Brooke (Greta Gerwig)  – uma nova iorquina algo neurótica - e Tracy (Lola Kirk) – a jovem dos subúrbios que se muda para Nova Iorque para cursar escrita criativa numa universidade – também acaba por ser rompida quando Brooke descobre acidentalmente que a jovem tinha escrito um conto inspirado nas suas vivências em comum,  o que é visto como uma traição. E o direito a usar as ideias criativas ou não já tinha ditado o fim de uma amizade entre a mesma Brooke e Mamie-Claire, - uma amiga antiga que além do padrão da tshirt lhe tinha roubado o namorado e os gatos, - esta assumindo que era menos criativa mas que tinha jeito para fazer as coisas, enquanto Brooke era só castelos no ar.

E, de facto, assim era. Brooke, magnética, cheia de grandes ambições e ideias, é um manual de regras para a vida que oferece a todos de borla mas que não consegue aplicar a si mesma.Ela atravessa Nova York para subir a um palco, dar explicações a um puto e ainda ser treinadora num ginásio; faz projectos de decoração; corre bares, tenta viver o mais possível cada momento; vai a entrevistas com potenciais investidores sem saber nada do assunto para realizar o sonho da sua vida – abrir um restaurante projecto que, obviamente, não planeou até ao fim. Alimenta a ilusão de que este vai permitir-lhe poder parar em vez de passar o tempo a correr atrás dos outros, ela quer ali  receber os outros, como uma mãe. Apesar de não parar um segundo, a vida parece não a ter levado a lado algum.  E isto ela sabe, confessando que chegou o momento em que tudo é tarde demais, o tempo escasseia. O que ela tem a menos, possui Tracy em abundância: juventude, tempo para tudo fazer, errar, aprender, e ter sucesso num tempo em que as coisas ainda podem ser fáceis. 

Contrastando com a exuberância e protagonismo de Brooke, aí vem Tracy, a tímida e desamparada caloira que procura a nova iorquina aconselhada pela mãe que está prestes a casar-se com o pai de Brooke. Embora Brooke seja também um pouco insuportável na sua maneira de ser, Tracy deixa-se fascinar pela trintona até porque nada é o que esperava na Big Apple ou em Barnard College: sente-se isolada e rejeitada, social e intelectualmente, como se todos os dias fosse a uma festa onde não conhecesse ninguém. Comparando-se com Brooke ela é um projecto, inicialmente ela não se apercebe de que, tristemente, Brooke não passa de uma mulher desesperada, que, nos seus 30 anos, tal como Josh em While we're young, vê o relógio a avançar e o tempo a esgotar-se para concretizar os seus sonhos.  No final do filme Tracy está diferente, cresceu intelectual e emocionalmente, ultrapassados o deslumbramento e a ruptura ela recupera a ligação com Brooke e prepara-se para fundar o seu próprio clube de literatura.

Mistress America conta com uma boa realização e edição, boas interpretações deste par de actrizes,  um argumento muito bem escrito e  diálogos espirituosos e desarmantes. Tal como While we're young, fez-me lembrar Woody Allen ou comédias mais antigas, cheias de energia, algum absurdo e um toque teatral. Apenas me referi às duas principais personagens do filme mas existem ainda interessantes personagens secundárias com desempenhos igualmente bons, essenciais para a carga humorística presente em Mistress America e em especial as que gravitam mais estreitamente em torno do par principal. Não sendo uma obra-prima é um filme que quer manifestamente inovar dentro do estafado género da comédia e do qual se desprende muita criatividade, frescura e espontaneidade, raros atributos no cinema da actualidade.

12/19/15

Bolachas de gengibre para o Natal

Desafiei o meu sobrinho para fazer bolachas de gengibre! Nem ele nem eu tínhamos alguma vez comido este tipo de bolachas tão famosas entre os norte-americanos na época natalícia a par das Sugar Cookies! Pedi a uma amiga americana que me desse a receita dela pois queria fazer uma fornada de "Gingerbread man" o mais próximo possível da receita tradicional. Mas ela não me garantiu que esta fosse a receita mais típica, apenas a que ela faz. Depois descobrimos que também não tínhamos a forma do "homem de gengibre"! Mas entre ontem e hoje as bolachas já quase sumiram do prato e já se fazem previsões para a próxima fornada!

Um dos problemas que tivemos de resolver foi como substituir o Maple Syrup - Xarope de Ácer ou de Bordo, um produto extraído da seiva dos Áceres, árvores abundantes no nordeste dos EUA e no Canadá e que ilustram a sua bandeira. Até muito tarde pensei que a substância que os bonecos dos desenhos animados lançavam nas torres de panquecas era mel! Depois descobri que era Maple Syrup! Procurei no supermercado mas não havia. Pensei em substituir por mel de cana da Madeira mas também não consegui encontrar e então usei melaço de cana da Cimarron.


Não sei se por causa do melaço a massa ficou mais escura do que imaginava! O açucar mascavado também já é escuro. É um tipo de açúcar produzido a partir do caldo recém extraído da cana-de-açúcar, não refinado, como acontece com o açucar branco. Cheguei a pensar que tinha sido uma má opção, mas provei a massa e ela estava bem gostosa!

 As bolachas são realmente fáceis de fazer. Primeiro mistura-se o bicarbonato e as especiarias - canela, gengibre, noz moscada e cravinho em pó - na farinha. Não usámos sal pois a manteiga que íamos utilizar já tinha sal. Ali está ela a derreter ao lume!Depois retirámos a manteiga do lume e juntámos à manteiga derretida o açucar mascavado e batemos bem! De seguida juntámos o ovo!
Aqui a massa ficou bastante escura em virtude do melaço - foram três colheres de sopa de melaço de cana, mas até penso que poderiam ser apenas duas. Depois de bem incorporado...
 ...o meu sobrinho deitou o preparado na taça da farinha.
 Primeiro amassou com a colher mas depois é preciso meter a mão na massa!
Quando a massa está bem ligada envolve-se em película plástica e vai 1-2 horas para o frio do frigorífico. Só a deixámos ficar lá uma hora porque tínhamos pressa em fazer as bolachas - a hora do lanche não tardava aí!
 Uma vez retirada do frigorífico coloca-se entre duas folhas de papel vegetal enfarinhado.
 Usa-se o rolo da massa para fazer uma placa de 5mm. Mas é difícil acertar nesta medida! Acho que as nossas bolachas ficaram com espessura diferente. Ainda crescem no forno!
 Depois da massa estar esticada usam-se as formas para cortar as bolachas!
A fase final é colocar as bolachas sobre papel vegetal num tabuleiro e levar ao forno durante 7- 10 minutos a 200º.
Ei-las já assadas e a sair do forno, prontas para serem decoradas com glace de açucar! Nós dispensámos a decoração, fica para a próxima!

Como fazer a glace de açucar para decorar as bolachas? É muito fácil. Bate-se 1 clara em neve até ficar firme. Adiciona-se, aos poucos, 220 g de açúcar de confeiteiro sempre a bater. Por último junta-se 1 colher de sopa de limão e bate-se um pouco mais. Pode depois dividir-se o preparado em pequenas porções e acrescentar corante alimentar. Usa-se um saco de pasteleiro para fazer os desenhos e também se podem utilizar pequenos sacos plásticos a que se corta uma das pontas.

Segue a receita das bolachas de gengibre:

Ingredientes

Especiarias
1,5 colher de chá de gengibre
1,5 colher de chá de canela
0,5 colher de chá de noz moscada
0,5 colher de chá de cravinho em pó

1 ovo
300 gr de farinha de trigo, sem fermento
150 gr de açucar mascavado
100 gr de manteiga (sem sal)
1 ovo
1 colher de chá de bicarbonato
0,5 colher de chá de sal fino ( se usar manteiga com sal, não use mais sal)
3 colheres de sopa de melaço de cana

Outros
Formas
Papel vegetal de ir ao forno
Saco de pasteleiro

Uma curiosidade: querem ver como se produz o Maple Syrup Fulton no Canadá?  Os Fulton fabricam-no há 160 anos e há 5 gerações. Este é o site da marca.

12/16/15

Star War's Christmas Album - as canções de Natal da Guerra das Estrelas!


Capa do CD - 1996

Nos próximos dias a internet vai transbordar de informação sobre a estreia do sétimo filme da saga Star Wars - chega às salas de cinema o Episódio VII-O despertar da Força. Vi o primeiro filme no momento da sua estreia em Portugal, quando a Guerra das Estrelas era apenas a Guerra das Estrelas. Depois vieram mais filmes e começaram a ser nomeados como “Episódios”, era a única forma de manter a casa em ordem com a chegada das prequelas. Mas a partir daí eu perdi o fio à meada: até hoje nunca sei se a O império contra-ataca se segue O ataque dos Clones ou se à Vingança dos Sith se sucede Uma nova esperança! Da última vez que vi os filmes Star Wars agarrei nos DVD e segui a ordem da caixa. Resulta.

Ainda não tenho bilhete e tão pouco agendei a ida ao cinema. Se é o filme que mais aguardo neste final de ano? Não, nem por isso. Mas não enjeito a possibilidade de ver o trio inicial - Han Solo, Luke e Leia - reunido e que destino lhe deram. Também digo que  parece estarem a espremer o que podem e o que não podem destas personagens icónicas e destes actores e desta história. Já chega, não? Não, parece que não pois já estão previstos mais filmes. Mas, vendo bem as coisas, já estamos muito longe do universo inicial. Ou será que esta é a vez em que estaremos mais perto? É esperar para ver, já faltou mais.

Já escrevi neste blogue sobre a A Guerra das Estrelas , a forma como mudou a forma de vender um filme ao público, o renovado olhar que lançou sobre o género e a escola dos efeitos especiais. Goste-se ou não é impossível ignorar o fenómeno de popularidade deste filme -  em todo o lado há sempre alguém que sabe qualquer coisa sobre a Guerra das Estrelas: ou conhece os brinquedos de plástico, a Estrela da Morte, os robots,  os Stormtroopers, ou Darth Vader, o vilão mais popular do cinema, ou conhece os actores, ou então as falas, ou a banda sonora. A Guerra das Estrelas é um dos filmes mais virais de todos os tempos, efeito potenciado, claro, pela crescente facilidade da comunicação a nível global, mas também e primeiramente pela sua avassaladora apropriação pela cultura popular. 

Mas nem tudo o que reluz neste universo são estrelas. Alguns dos filmes não foram exactamente um retombante sucesso, algo normal num quadro de exploração continuada de um conceito inicial. E o que dizer sobre um obscuro LP lançado na década de 80 intitulado Christmas in the Stars: The Star Wars Christmas Album?! Recebi por email a canção What can you get a Wookie for Christmas com votos de Boas Festas.  A letra leva-nos a questionar o que dar a um Wookie quando ele já tem uma escova!! É um problema encontrar um presente para um cabeludo tal. Nem galochas, nem alfinete de gravata, nem espuma de barbear, nem chapéu no cume peludo. Amor e compreensão, boa vontade entre os homens, isso sim, envoltos numa fita vistosa...Superado o espanto, rumei ao Youtube e ainda encontrei Sleigh Ride pelos nossos conhecidos C-3PO e R2-D2!

Dispensava esta porção de conhecimento,  obséquio de um estimado amigo que partilha da minha cinefilia. Mas há mais, este LP é como o Ovo Kinder, tem supresa dentro. A  voz deste hino intergaláctico acreditem ou não é a de um irreconhecível Jon Bon Jovi – ao tempo ainda John (Francis) Bongiovi!

Se quiserem incluir What can you get a Wookie for Christmas  no rol das canções desta quadra natalícia, aqui vai uma pequena ajuda- a letra! Divirtam-se!

What can you get a Wookie for Christmas
When he already owns a comb
What can you get in a hurry for a furry kind of friend like that
To take home

Oh, he doesn't need a tie clip
And he doesn't use shaving foam
So what can you get a Wookie for Christmas
When he already owns a comb

(Spoken:) It's really a problem

What can you get a Wookie for Christmas
when he already owns a comb
What can you get in a hurry for a furry kind of friend like that
To take home

No, He'll never wear galoshes
Or a hat upon his furry dome
So what can you get a Wookie for Christmas
When he already owns a comb

Let's give him love and understanding
Good will to men
We wrap it all up in bright colored ribbon
And we give it to him all over again

And that's what you get a Wookie for Christmas
When he already owns a comb.
That's what you get in a hurry for a furry kind of friend like that
To take home

'Cause he doesn't need a tie clip
And he doesn't need shaving foam
So that's what you get a Wookie for Christmas
Log on to kill this message.
When he already has a comb
When he already owns a comb!


12/15/15

Critics Choice Awards - a lista dos nomeados


Mad Max lidera a lista de nomeações do Critics Choice Awards  . As escolhas da Broadcast Film Critics Association, a organização de críticos de cinema da América do Norte, serão conhecidas a a 17 de janeiro. Até lá aqui fica a referência.

MELHOR FILME:
"The Big Short - A Queda de Wall Street", de Adam McKay
"A Ponte dos Espiões", de Steven Spielberg
"Brooklyn", de John Crowley
"Carol", de Todd Haynes
"Mad Max: Estrada da Fúria", de George Miller
"Perdido em Marte", de Ridley Scott
"The Revenant: O Renascido", de Alejandro González Iñárritu
"Room - Quarto", de Lenny Abrahamson
"Sicario - Infiltrado", de Denis Villeneuve
"O Caso Spotlight", de Tom McCarthy

MELHOR REALIZADOR:
Todd Haynes ("Carol")
Alejandro González Iñárritu ("The Revenant: O Renascido")
Tom McCarthy ("O Caso Spotlight")
George Miller ("Mad Max: Estrada da Fúria")
Ridley Scott ("Perdido em Marte")
Steven Spielberg ("A Ponte dos Espiões")

MELHOR ACTOR:
Bryan Cranston ("Trumbo")
Matt Damon ("Perdido em Marte")
Johnny Depp ("Black Mass - Jogo Sujo")
Leonardo DiCaprio ("The Revenant: O Renascido")
Michael Fassbender ("Steve Jobs")
Eddie Redmayne ("A Rapariga Dinamarquesa")

MELHOR ACTRIZ:
Cate Blanchett ("Carol")
Brie Larson ("Room - Quarto")
Jennifer Lawrence ("Joy")
Charlotte Rampling ("45 Years")
Saoirse Ronan ("Brooklyn")
Charlize Theron ("Mad Max: Estrada da Fúria")

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO:
Paul Dano ("Love & Mercy - A Força de Um Génio")
Tom Hardy ("The Revenant: O Renascido")
Mark Ruffalo ("O Caso Spotlight")
Mark Rylance ("A Ponte dos Espiões")
Michael Shannon ("99 Casas")
Sylvester Stallone ("Creed: O Legado de Rocky")

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA:
Jennifer Jason Leigh ("The Hateful Eight")
Rooney Mara ("Carol")
Rachel McAdams ("O Caso Spotlight")
Helen Mirren ("Trumbo")
Alicia Vikander ("A Rapariga Dinamarquesa")
Kate Winslet ("Steve Jobs")

MELHOR JOVEM ACTOR/ACTRIZ:
Abraham Attah ("Beasts of No Nation")
RJ Cyler ("Eu, o Earl e a Tal Miúda")
Shameik Moore ("Dope")
Milo Parker ("Mr. Holmes")
Jacob Tremblay ("Room - Quarto")

MELHOR ELENCO:
"The Big Short - A Queda de Wall Street", de Adam McKay
"The Hateful Eight", de Quentin Tarantino
"O Caso Spotlight", de Tom McCarthy
"Straight Outta Compton", de F. Gary Gray
"Trumbo", de Jay Roach

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL:
"A Ponte dos Espiões" (Matt Charman, Ethan Coen e Joel Coen)
"Ex Machina" (Alex Garland)
"The Hateful Eight" (Quentin Tarantino)
"Inside Out: Divertida-Mente" (Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley)
"O Caso Spotlight" (Josh Singer e Tom McCarthy)

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO:
"The Big Short - A Queda de Wall Street" (Charles Randolph e Adam McKay)
"Brooklyn" (Nick Hornby)
"Perdido em Marte" (Drew Goddard)
"Room - Quarto" (Emma Donoghue)
"Steve Jobs" (Aaron Sorkin)

MELHOR FOTOGRAFIA:

"Carol"
"The Hateful Eight"
"Mad Max: Estrada da Fúria"
"Perdido em Marte"
"The Revenant: O Renascido"
"Sicario - Infiltrado"

MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA:

"A Ponte dos Espiões"
"Brooklyn"
"Carol"
"A Rapariga Dinamarquesa"
"Mad Max: Estrada da Fúria"
"Perdido em Marte"

MELHOR MONTAGEM:
"The Big Short - A Queda de Wall Street"
"Mad Max: Estrada da Fúria"
"Perdido em Marte"
"The Revenant: O Renascido"
"O Caso Spotlight"

MELHOR GUARDA-ROUPA:
"Brooklyn"
"Carol"
"Cinderela"
"A Rapariga Dinamarquesa"
"Mad Max: Estrada da Fúria"

MELHOR CARACTERIZAÇÃO:
"Black Mass - Jogo Sujo"
"Carol"
"A Rapariga Dinamarquesa"
"The Hateful Eight"
"Mad Max: Estrada da Fúria"
"The Revenant: O Renascido"

MELHORES EFEITOS VISUAIS:
"Ex Machina"
"Mundo Jurássico"
"Mad Max: Estrada da Fúria"
"Perdido em Marte"
"The Revenant: O Renascido"
"The Walk - O Desafio"

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO:
"Anomalisa", de Duke Johnson e Charlie Kaufman
"A Viagem de Arlo", de Peter Sohn
"Inside Out: Divertida-Mente", de Pete Docter e Ronnie Del Carmen
"Snoopy & Charlie Brown: Peanuts - O Filme", de Steve Martino
"A Ovelha Choné: O Filme", de Mark Burton e Richard Starzak

MELHOR FILME DE ACÇÃO:
"Velocidade Furiosa 7", de James Wan
"Mundo Jurássico", de Colin Trevorrow
"Mad Max: Estrada da Fúria", de George Miller
"Missão Impossível: Nação Secreta", de Christopher McQuarrie
"Sicario - Infiltrado", de Denis Villeneuve

MELHOR ACTOR NUM FILME DE ACÇÃO:
Daniel Craig ("007 - Spectre")
Tom Cruise ("Missão Impossível: Nação Secreta")
Tom Hardy ("Mad Max: Estrada da Fúria")
Chris Pratt ("Mundo Jurássico")
Paul Rudd ("Homem-Formiga")

MELHOR ACTRIZ NUM FILME DE ACÇÃO:
Emily Blunt ("Sicario - Infiltrado")
Rebecca Ferguson ("Missão Impossível: Nação Secreta")
Bryce Dallas Howard ("Mundo Jurássico")
Jennifer Lawrence ("The Hunger Games: A Revolta - Parte 2")
Charlize Theron ("Mad Max: Estrada da Fúria")

MELHOR COMÉDIA:
"The Big Short - A Queda de Wall Street", de Adam McKay
"Inside Out: Divertida-Mente", de Pete Docter e Ronnie Del Carmen
"Joy", de David O. Russell
"Sisters - Só Podiam Ser Irmãs", de Jason Moore
"Spy", de Paul Feig
"Trainwreck - Descarrilada", de Judd Apatow

MELHOR ACTOR NUMA COMÉDIA:

Christian Bale ("The Big Short - A Queda de Wall Street")
Steve Carell ("The Big Short - A Queda de Wall Street")
Robert De Niro ("The Intern - O Estagiário")
Bill Hader ("Trainwreck - Descarrilada")
Jason Statham ("Spy")

MELHOR ACTRIZ NUMA COMÉDIA:
Tina Fey ("Sisters - Só Podiam Ser Irmãs")
Jennifer Lawrence ("Joy")
Melissa McCarthy ("Spy")
Amy Schumer ("Trainwreck - Descarrilada")
Lily Tomlin ("Grandma")

MELHOR FILME DE TERROR/FICÇÃO CIENTÍFICA:
"Perdido em Marte", de Ridley Scott
"Ex Machina", de Alex Garland
"Mad Max: Estrada da Fúria", de George Miller
"Mundo Jurássico", de Colin Trevorrow
"It Follows: Vai Seguir-te", de David Robert Mitchell

MELHOR FILME ESTRANGEIRO:
"Mustang" (Turquia), de Deniz Gamze Ergüven
"Son of Saul" (Hungria), de László Nemes
"The Assassin" (China), de Hou Hsiao-Hsien
"Goodnight Mommy" (Áustria), de Severin Fiala e Veronika Franz
"Que Horas Ela Volta?" (Brasil), de Anna Muylaert

MELHOR DOCUMENTÁRIO:
"Amy", de Asif Kapadia
"Cartel Land", de Matthew Heineman
"Going Clear: Scientology and the Prison of Belief", de Alex Gibney
"Malala", de Davis Guggenheim
"Where to Invade Next", de Michael Moore
"O Olhar do Silêncio", de Joshua Oppenheimer

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL:
"Love Me Like You Do" ("As Cinquenta Sombras de Grey")
"See You Again" ("Velocidade Furiosa 7")
"Til It Happens to You" ("The Hunting Ground")
"One Kind of Love" ("Love & Mercy - A Força de Um Génio")
"Writing's on the Wall" ("007 - Spectre")
"Simple Song #3" ("Youth - A Juventude")

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL:
"Carol" (Carter Burwell)
"The Hateful Eight" (Ennio Morricone)
"The Revenant: O Renascido" (Ryuichi Sakamoto e Carsten Nicolai)
"Sicario - Infiltrado" (Jóhann Jóhannsson)
"O Caso Spotlight" (Howard Shore)

11/22/15

Uncanny - uma pequena crítica do filme


Este ano talvez ainda não tenha visto filme mais interessante do que Ex Machina. Não tenho visto muitos, essa é a verdade. Mas é agradável para uma entusiasta da ficção científica fazer esta constatação. Vem isto a propósito de Uncanny, um filme que vi ontem à noite. O “vale da estranheza”, em inglês, “uncanny valley”, é uma hipótese no campo da robótica e da animação 3D segundo a qual quando réplicas humanas se comportam de forma muito parecida — mas não idêntica — a seres humanos reais, elas provocam repulsa entre observadores humanos. A expressão deve-se a um professor japonês de robótica, Masahiro Mori, e data de 1970.(Wikipedia) O "vale" refere-se à profundidade no gráfico que mede o nível de à-vontade dos humanos em relação a uma semelhança sã e natural com o ser humano em função da estética.
Wikipedia

Li no site oficial que o dinheiro para fazer Uncanny foi reunido entre amigos, família e investidores e que tudo estava começado e acabado em 4 meses! O realizador filmou no apartamento de um amigo, em Los Angeles. Consideradas as limitações orçamentais há que reconhecer que o resultado é bastante bom. O filme é de 2014,
 não deve nada do seu argumento a Ex Machina. Mas o facto de ter saído depois de Ex Machina não o beneficia já que são evidentes algumas semelhanças e muita da discussão em torno dele vai reduzir-se à sua comparação com aquele. Quer num quer noutro a acção desenvolve-se num espaço fechado ao mundo exterior, no segredo e na solidão que parecem ser necessários ao desenvolvimento de resultados científicos de topo, e no inerente sacrifício da vida mundana pelos que perseguem objectivos elevados; também temos três personagens em jogo durante um período temporal pré-determinado, um cientista genial fechado em si mesmo e na sua entrega à ciência, uma vistosa jornalista com formação científica com a missão de revelar ao mundo o milagre da ciência que vai descobrir e um robot AI que assiste o génio que o criou e cujo desempenho alterna entre o adolescente tímido e o revoltado; temos uma personagem que comanda o trio de títeres que mal chegamos a conhecer, Castle, o recrutador de talentos científicos, o patrono bilionário sem escrúpulos, temos o teste de Turing e outras questões ligadas à robótica, envolvimentos emocionais em triângulo, ciúmes, conquista e um desfecho-choque. Mas em Ex Machina tudo é mais refinado e até poético, o ritmo é melhor, a estética é melhor. Uncanny não passa de um laboratório de experimentação e não respira. Há, todavia, uma boa qualidade visual, o realizador conseguiu ultrapassar o limite do orçamento, fez uma boa exploração dos ambientes assente numa tensa fotografia, por exemplo e tem uma mão segura na direcção. O argumento é satisfatório. Mas há uma ambição na história de Ex Machina que Uncanny não possui ao evidenciar basicamente um triângulo onde duas entidades masculinas se batem pelos afectos de uma mulher. No entanto e ao contrário do que sucede em Ex Machina – onde a AI e o jovem estabelecem uma subtil e magnética relação - eu tive dificuldade em aceitar o impacto produzido por Joy – a jornalista – quer em Adam(o AI) que desenvolve uma atração por ela, afastando-se da relação companheira que possuía com o seu criador, quer em David, que também desenvolve uma atração por Joy, que o leva a colocar em causa a sua dedicação aos objectivos científicos. Também Joy é afectada pelo contacto com este universo, convencida e vencida no seu cepticismo inicial, ela rende-se ao fascinante trabalho do engenheiro, ao mesmo tempo que é forçada a examinar a sua escolha profissional, e, acabando apaixonada pelo inicialmente arrogante e convencido geek. Do jogo sentimental deste triângulo emergem as questões previsíveis, embora as mais fascinantes – Adam, ao exibir emoções típicas dos humanos e não dos robots, estará a registar uma evolução positiva e assombrosa na sua programação? Ou antes uma abertura para imprevisíveis ameaças aos seres humanos que o rodeiam e ao futuro dos AI? Em último caso o filme deixa-nos com uma questão primordial: nos tempos em que a tecnologia vai um passo à frente de nós, o que significa ser humano? 

Uncanny tem um trunfo inequívoco na interpretação Adam (David Clayton Rogers) cuja expressividade é em certos momentos desconcertante, levando-nos a acreditar que se trata de um verdadeiro AI. A reviravolta final, que já se anunciava,  foi para mim menos gratificante do que a tensão que se desenvolve ao longo da fita e que quase a transforma num subtil thriller. Não é um mau filme de ficção científica mas há um excessivo peso dos diálogos, explicativos, que não sendo redundantes tornarão o seu visionamento enfadonho para alguns. Aguardem até ao final dos créditos pois eles escondem uma última cena que envolve o destino de Joy!

11/20/15

Hello...it's me.


Tenho tido o desprazer de ser acordada pela Adele vários dias a fio. O radio despertador está na RFM, - ou na Comercial, é tudo o mesmo - e o turno de serviço deve ser grande fã da cantora londrina. Algures entre as sete menos um quarto e as sete e um quarto da matina a senhora chega sorrateiramente com o seu lânguido lamento, Olá, sou eu. Estava por aqui a pensar se não gostarias de te encontrar comigo para recapitular tudo aquilo por que passámos. - Uma péssima ideia, quanto a mim. Não se acordam moscas que estão a dormir, já dizia a minha avó e não se deu mal. - Dizem que supostamente o tempo cura todos os males, mas não me parece que me tenha curado de muito.  - Séneca, que viveu antes de ti, estava muito mais à frente. Aprende, Adéle, esquece essa mesmice da cura pelo tempo e bebe lá esta:"O vinho lava nossas inquietações, enxuga a alma até ao fundo, e, entre outras coisas, garante a cura da tristeza."  - Perante o elevado número de vendas de Hello sou levada a pensar que existe por aí um culto do drama que o tomou por hino. Mais vinho, menos drama, Adéle! Já chega! Quantas letras bonitas que podias ter-nos oferecido! Mais vinho,pois, mas não pipas de vinho, claro, ou ainda te  mandavam para a rehab e depois tinhas de dizer "No!No!No! - Olá, sou eu. Olá, podes ouvir o que tenho para dizer? Estou na Califórnia a sonhar com quem fomos quando éramos jovens e livres. Esqueci como era antes do mundo se desmoronar aos nossos pés. - Ora aí está uma oportunidade perdida, Adéle. Estás na California onde o que não falta é terreno vinhateiro! E em vez de pegares num bom copo e brindares ao futuro e às vendas massivas de "25", andas para aí aos pontapés ao passado? Ó mulher, shut up! - Há uma tamanha diferença -uma baita diferença, diriam os nossos irmãos brasileiros- entre nós, e um milhão de milhas. - O milhão de milhas é tranquilizador. Há sempre a secreta esperança de que esta letra não tenha sequela. De que a mulher não volte a botar olhos no muso. Pausa. Uns segundos depois a Adele enche os pulmões, espreguiça-se e solta a portentosa vocalização que todos somos unânimes em elogiar, continuando a sua ladainha do desespero, e neste ponto percebemos em Adele uma alma torturada pelo remorso.- Olá, do outro lado. Devo ter ligado mil vezes para te dizer que peço desculpa por tudo o que fiz. Mas quando ligo pareces nunca estar em casa.
- Adele acha que o cara está em casa e não atende. Ela prolonga o seu sofrimento imaginando o cara em casa, a fazer festas ao gato, enquanto o telefone toca e o nome ADELE pisca nos dígitos do visor do telefone...Ora, Adele. Se calhar ele está na rua. Porque não tentaste o telemóvel? Hoje toda a gente tem telemóvel! O quê?! Records em cima de records e o gajo que te inspirou esta letra nem sequer tem telemóvel?! Mas que pitecantropo é este, Adele?!! Adele, olha, deixa-te de desculpas esfarrapadas! Pff!  - Olá, do lado exterior. Pelo menos posso dizer que tentei dizer-te que lamento ter partido o teu coração. Mas não importa, claramente não te destroça mais. - Claramente! Está na cara que o cara superou com Super-Cola3! E era mesmo necessário escrever esta letra de nojo, Adele? Safa! Depois a mulher acalma-se um pouco, torna-se algo analítica e reconhece ser centrífuga na relação -   Olá, como vais? É tão típico de mim falar sobre mim própria, desculpa, espero que estejas bem. -  Chegaste a deixar aquela cidade onde nada acontecia? Não é segredo, ambos estamos a ficar sem tempo. Por isso, olá do outro lado. - Ficamos também a saber que não consegue resistir à cusquice, Adéle, não se faz, deixa lá a vida do homem em paz, Adele, é evidente que já não estás no radar do tipo há bué, quiseste deixar a pasmaceira da cidade onde viviam, foste atrás da fama, deste-te bem e ainda te queixas?! E para sublinhar o drama diz que o tempo está no fim e cada um de nós ouvintes que dê corda à imaginação e destrince, não é segredo para eles, o mesmo se não diga para nós.  E de novo, Adele solta as feras e é quando eu resolvo intervir e acabar com o sofrimento da Adele e o meu próprio, desligando o alarme. 

Hello...é eficaz pois eu salto da cama que nem uma mola. Mas quando chego ao quarto de banho ainda vou a resmungar mentalmente. Como é que esta canção sobre sentimentos de culpa vendeu 480 K cópias digitais nos Estados Unidos na sua terceira semana de circulação?! A canção é também um record de vendas somente equiparado ao obtido por Elton John há 18 anos com Candle in the wind. Isto ouvi eu na radio anteontem. Hoje já deve ter amealhado outros records. Evidentemente que Adéle é a senhora de todos os records, se os Grammy fossem anéis ela usaria um em cada dedo! Com Adele é tudo pela medida grande - 30 milhões de cópias, Grammys, Oscar, Globo de Ouro, prémios de composição e distinções da Billboard, TIME, People e BBC...Adéle é indiscutivelmente uma grande voz. Não contesto o que é óbvio. Mas não me entusiasma por aí além. Entusiasmou-me com Skyfall, o tema de 007, que se tornou um dos meus favoritos da série Bond. Hello entrou directamente para o primeiro lugar da minha lista de canções que não suporto.Não sei se por causa da onda de irritabilidade que acorda em mim mesmo antes do galo cantar, a altura do dia em que estou mais sensível, Hello está irremediavelmente condenada. 

Quando penso em Adele penso na Florbela Espanca. Estes discos da Adele são Discos de mágoas, esta mulher é uma alma torturada! Mas a tortura foi um mal que veio por bem, ou não fosse viver numa mansão de 6 milhões de dólares que pertenceu a Paul McCartney, um luxo todo ele alicerçado nestas baladas sofredoras sobre corações destroçados e vidas desencontradas. Amanhã a ver se acabo de vez com a minha tortura, que nada me rende, sintonizando outra estação de rádio, talvez a Antena2. Oficialmente "25" chega hoje às lojas físicas e virtuais.Palmas.





11/11/15

Paulo Cunha e Silva - Sempre fiz o que gostava


"É legítimo que na Avenida dos Aliados exista a Prada, a Louis Vuitton ou a Hermès, mas a Rua do Almada tem de permanecer como a rua das ferragens. E estamos numa fase muito crítica em que aquilo que caracteriza o Porto, até como cidade comercial, pode estar a desaparecer e a ser substituído por uma voragem de lojas de bugiganga turística anódina e inconsequente.

Tenho estado a trabalhar com um fulano americano que foi conselheiro do Obama para conseguir identificar uma centena de zonas comerciais da cidade que possam ter um regime tão especial que lhes permita sobreviver e não terem de se sacrificar em nome desta voragem turística, que tudo quer normalizar e equalizar. Isso é uma situação que me preocupa muito: como manter o carácter da cidade sem deixar que a bolha turística expluda e o abastarde completamente."


Leitura integral aqui.

"Portugal é um país por onde os princípios do determinismo e da causalidade não passaram: tudo pode acontecer sem se saber porquê. Toda a gente pode ser tudo, sobretudo quando tem qualificações para ser coisa nenhuma."

Foto retirada daqui. Leitura integral aqui.

11/10/15

Orientação para o cliente


Este apontamento podia chamar-se a decepção do comércio local e ser um rol de lamentos sobre a falta de orientação para o cliente de algumas casas que têm porta aberta para as ruas nesta cidade. Há um caso que me traz sempre inquietação, não apenas pelo comportamento do lojista, mas também pelo meu próprio. Pessoa que habitualmente frequenta papelarias concordará comigo que ao ser-lhe entregue uma folha de cartolina esta deverá ser enrolada e envolvida por uma cinta de papel, -  de preferência reaproveitado em nome da reutilização dos recursos e poupança, - ajustado e mantido no lugar por fita cola, ou então pelo elástico tradicional. É por ali que pegamos e transportamos o rolinho com as nossas mãos gordurosas ou sujas ou suadas, sabendo que uma pequena mancha pode ser o desastre da nossa folha, obrigando a cortes e desperdício evitáveis. Os empregados mais experientes perguntarão se queremos que enrolem  a cartolina, ou se queremos trazer a folha desfraldada, em jeito de bandeira, o que pode servir melhor a futura utilização mas raras vezes o transporte. Há momentos de cuidado picuinhas em que me faço acompanhar de uma pasta plástica e de consideráveis dimensões para que a folha chegue à minha mesa de trabalho em nada beliscada. Mas não na ocasião que se fixou na memória. Ia a passar, vi a papelaria e aproveitei para fazer a compra no momento. Depois de percorrer os mostruários e de ter escolhido a folha na cor certa, coloquei-a no balcão e aprecei-me a sacar do porta moedas para pagar. Enquanto isso o empregado, que até penso ser o próprio dono do estabelecimento, acercou-se da registadora e executou um breve bailado de dedos sobre as teclas. De algures saiu um papelito ridículo, que ele rasgou e colocou sobre o balcão, enquanto murmurava o valor a cobrar entre dentes. Acto contínuo, e sem me olhar estendeu a mão na qual depositei a moeda de dois euros. Acho que recebi troco sem mais amabilidades gestuais ou verbais, nem um "worte sempre" sequer. Findo este processo o jovem senhor deu dois passos atrás, encostou o rabo ao balcão contíguo, cruzou os braços sobre o peito e fitou o espaço exterior que fica para lá da montra e porta de vidro da loja, olhando por cima do meu ombro direito, perscrutando a movimentação citadina do local, que, quando eu saí, se resumia a uma dama a passear um cão e alguns cachopos de mochila em assembleia. Fui apanhada de surpresa por um invulgar estado catatónico - dei por mim indecisa entre o imóvel e a reação lenta, a olhar a folha muito esticada sobre o balcão como que à espera que ela se enrolasse sózinha para ser transportada. A minha estupefação era tanta que nem consegui articular o que se impunha: pedir uma cinta para a cartolina. Foi a primeira vez que trouxe um canudo nu na minha mão constatada a evidência: eu tinha emudecido e o homem estava ali em corpo mas demasiado distante para se aperceber da minha inquietação e da grave falha cometida. A verdade é que daí ao carro eram uns metros que foram percorridos o mais rapidamente possível com a cartolina segura entre polegar e indicador. Felizmente não havia vento.

Outras lojas que habitualmente frequento são as livrarias. Sou tão viciada em livrarias que entro só para dar uma volta. É assim como quem vai a um parque de diversões e sai sem se divertir nos carros de choque ou na montanha russa porque não tem dinheiro. Vai-se e a própria atmosfera já nos empresta um ar de graça. Quando eu estou entre livros sinto-me logo especial, bem acompanhada. Fico com a impressão que vivo melhor, ou, pelo menos, que vivo a vida que mereço. Mesmo que não compre nenhum faço planos de os comprar e isso acrescenta logo três pontos a algumas das minhas angústias e um ponto de exclamação à minha narrativa existencial. Tenho de dizer que actualmente compro muitos livros em segunda mão. Como tenho as leituras atrasadas um bom par de anos é fácil encontrar o que desejo a metade do preço. Mas desta vez precisava de um livro em particular, bem recente, e com alguma urgência. Depois de procurar na estante estava prestes a dirigir-me ao balcão para pedir ajuda quando ouço junto a mim uma simpática funcionária a oferecê-la. Prestável foi ver o que podia fazer. Eu gostei porque o cliente gosta de ser bem servido. Nem muita nem pouca atenção, a necessária, é essa a chave do êxito do bom atendimento. Mas depois veio a decepção. O livro não estava disponível. Mas para grande mal, grande remédio - podiam mandar vir para mim. A rapariga disse-o sem sequer ter sido eu a perguntar: mais dois pontos para a moça. Só que à resposta seguiu-se a estupefacção. Novamente um momento de transe do cliente, um déjà vu. O livro demoraria 15 dias a chegar à minha mão. QUINZE DIAS? A pergunta trovejou dentro da minha cabeça seguida de uma catadupa de outras:mas o livro vem do outro lado do Atlântico? Acaso o livro virá montado num burro? Acaso eu vivo nos confins da Terra?! Respirei fundo e respondi que assim não me interessava e, de facto, não sendo um caso de vida ou de morte, sendo até um caso de vida sobretudo, impunha-se ainda assim alguma urgência. Saí da loja.

É assim que se perdem clientes. Não voltei à papelaria e já se passaram dois anos. À livraria irei voltar, mas acho incompreensível que não possam fazer melhor. É assim que se perdem alguns clientes.Perdem-se clientes porque existem alternativas mais satisfatórias. Depois os lojistas queixam-se e dizem que a crise deu cabo do negócio - que deu - que não há dinheiro - não há - que os clientes fugiram para as grandes superfícies - pois foi - ou para as lojas mais atraentes das cidades próximas - sim, sim - que não vale a pena investir mais no negócio - pois não - ou que os clientes são uns picuinhas do cara*** - pois somos.  Mas a verdade é que quando cheguei a casa abri o computador e liguei-me ao site de uma conhecida livraria online. Promessa de entrega em 24-48 horas e portes grátis acima de certo valor. Deixem-me somente acrescentar que o livro em questão não é nenhuma raridade, é um manual de apoio, a primeira edição é de Agosto de 2013.Quando acabar de escrever esta postagem vou deitar-lhe as unhas. Já chegou.

10/13/15

António Tavares vence Leya com O Coro dos defuntos


António Tavares é o vencedor do Prémio Leya 2015. Parabéns!

O júri decidiu distinguir, por unanimidade, o romance O Coro dos Defuntos.O escritor que nasceu em Angola mas que reside na Figueira da Foz há longos anos, já tinha sido finalista do Prémio Leya 2013, com o romance As Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia, editado pela Teorema. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, é professor do ensino secundário e, atualmente, exerce o cargo de vice-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Foi jornalista, fundador e diretor do jornal regional A Linha do Oeste. Fundou e coordenou a revista Litorais.


Da lista de premiados pela Leya fazem parte O Rasto do Jaguar, de Murilo Carvalho (2008), O Olho de Hertzog, de João Paulo Borges Coelho (2009), O Teu Rosto Será o Último, de João Ricardo Pedro (2011),Debaixo de Algum Céu, de Nuno Camarneiro (2012), Uma Outra Voz, de Gabriela Ruivo Trindade (2013) e O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral (2014).


Leia a notícia desenvolvida no Público.

10/8/15

Naufrágio na Figueira da Foz



Olivia Ribau chega a terra de forma graciosa e sem sobressalto, perseguido por centenas de gaivotas. Tenho por diversas vezes observado a entrada das embarcações na barra e também conheço muitos dos videos do Youtube sobre a pesca nos mares da Figueira da Foz. O meu gosto na observação de barcos iguala o meu receio em subir a bordo. Ora, um barco de arrastão é igual a todos mas eu achei que já tinha visto o Olivia Ribau. O nome não me era estranho. Ei-
-lo.Este contraste entre a calmaria das águas e a agitação das gaivotas que se aproximam a grasnar, afoitas, em busca de peixe, é um quadro pitoresco, habitual nas zonas piscatórias, mas que não nos cansamos de observar. Na passada terça-feira não foi, infelizmente, assim. Quem observou a entrada do Olívia Ribau na traiçoeira barra desejou certamente não ter visto.

Portugal, por todas as razões devia afirmar-se pelo seu domínio dos mares. A todos os níveis. Devíamos ser os melhores. Dar cartas. Nas pescas, na investigação marinha, no aproveitamento da energia das ondas, nos desportos de mar...Todavia apenas somos campeões das praias e nem mesmo assim todas são rainhas.

O mar dá, o mar tira. Na sua brandura ou na sua cólera, o mar é sempre fascinante. E as vidas dos homens têm-se construído sobre as suas águas desde sempre, homens que não temem a morte que chega enrolada nas ondas e que por paixão, tradição ou necessidade, cumprem o destino tecido nas redes de peixe desde há gerações. A pesca, é essa nobre actividade que todos somos unânimes em considerar dura, arriscada, uma herança cultural rica. Mas um pescador não tem glamour. Um pescador só é lembrado quando perde a vida. Ou então se tiver sido uma personagem célebre de um livro famoso, chamada Santiago. 

Mas quando o infortúnio se desenrola a escassos metros da costa, sob o olhar de surfistas, body-boarders, fotógrafos, pescadores amadores e passeantes, a tragédia toma uma dimensão de absurdo. A Figueira da Foz está de luto inconformado. Porque a pior morte é aquela que podia ter sido adiada. Quem muito escreve, pouco acerta. E por isso eu acabo aqui desejando apenas que tenha sido a última vez que pescadores vieram morrer a casa, à minha praia. 

9/24/15

Doar cabelo para fazer cabeleiras para pacientes de cancro




Já não sei quando é que li no Facebook sobre a possibilidade de doar cabelo para o fabrico de perucas para adultos e crianças que o perderam em virtude de tratamentos de quimioterapia. Mas penso que foi no Outono de 2014. Não é o mesmo que dar sangue, não vai salvar nenhuma vida. Mas nem tudo nesta vida é uma questão de vida ou de morte. Uma cabeleira para quem perdeu o cabelo pode significar uma vida nova, fazer uma diferença que não imaginamos. E certo é que fazer o bem faz bem. Por isso eu partilhei a postagem e apelei para que seguissem o exemplo dessa pessoa. Tomei também a resolução de deixar crescer o meu cabelo para fazer a doação mas desde logo coloquei de parte a possibilidade de o fazer para o nosso IPO - queriam 30 cm de cabelo e eu achava muito difícil alcançar esse número. Para mim seriam 30 cm a partir do corte e mais uns 10 cm até à raiz. Impossível. Eu ter-me-ia transformado numa cabeleira com pernas. Cabelos longos, a partir de certa idade, exigem pelo menos dois atributos: uma pessoa com mais de metro e meio e cuidados extra. Conheço-me. Pertenço aos médios, é o meu território e não quero desertar. Considero-me até uma pessoa generosa mas não tenho um grande espírito de sacrifício. Aguentar meses de cabelo longo e depois meses de cabelo curto até entrar nos médios novamente seria demasiado sortilégio para esta pequena. Por isso o IPO nunca esteve na minha mira. É-me indiferente se o meu cabelo vai para aqui ou para ali. Não me é indiferente o uso que lhe vão dar assim como não me é indiferente o meu desconforto. Por isso gostei dos 17 cm mínimos exigidos pelo Little Princess Trust, do facto de não venderem o cabelo e da honestidade. Mas afinal até consegui um rabo de cavalo de 25 cm e fiquei orgulhosa. Já está no correio  a caminho do Reino Unido. O LPT distribui perucas a crianças na Inglaterra e na Irlanda. Por mim é perfeito. Saqueta almofadada (0,95) e selos em Correio Azul(3,60) importaram em 4,77 euros. É menos um bilhete de cinema!

Eu tinha cortado o cabelo em Junho, - do ano passado - como sempre faço, antes da temporada de praia, e ele já estava a roçar os ombros quando li no Facebook sobre as doações. Os meses foram passando e em Junho deste ano eu estava pelos cabelos! Não sei viver com tanto cabelo! Não me sei pentear! Há quem tenha jeito para domar estas cabeleiras, vai de coque, vai de elásticos, trança, ganchinhos! De noite acordava com o cabelo à volta do pescoço. Comecei a usar um elástico macio para evitar esse transe!! Só mesmo com um escadeado valente é que me sentiria bem. Mas essa possibilidade estava interdita. Sentia-me uma mulher das cavernas! E vinha aí o verão, a praia, sabendo que não é prático e que também iria estragar-se um pouco. Investi no amaciador extra! Tentei protegê-lo do sol com chapéu e quando me esquecia com a tshirt enrolada na cabeça feita beduína! Lá fui aguentando para conseguir mais uns milímetros!Dia após dia, mês vem, mês vai, perfez-se um ano e três meses entre o último corte e o de hoje de manhã. O corte ficou impecável - saiu-me um peso dos ombros! A cabeleireira tinha uma tatuagem giríssima de uma deusa indiana que eu tive de gabar. Disse-me que algumas clientes já têm pedido para cortar para doar. 

Neste momento o IPO já não aceita doações de cabelo, tornou isso público em Agosto. Não está vocacionado para esta missão. Parece que alguém terá feito uma doação e publicitado a mesma nas redes. A partir daí outras se seguiram. Ficaram com stock. Segundo Francisco Cavaleiro Ferreira, presidente da LPCC (Liga Portuguesa Contra o Cancro), esta vai disponibilizar cerca de 50 cabeleiras a todos os doentes oncológicos que precisem, resultado de doações de cabelo e de um investimento de 20.000 euros para a criação das mesmas. Mas doravante a Liga não tem interesse em receber cabelo para a confecção de cabeleiras de cabelo natural cujo preço pode ascender aos 1000 euros.

Deixo aqui uma lista das instituições no estrangeiro que aceitam doações de cabelo para fazer perucas, umas para adultos, outras para crianças. Cada uma estabelece requisitos que devem ser observados: o comprimento do cabelo é um deles, outros têm a ver com o estado em que o cabelo se encontra, se é pintado, descolorado, quando foi cortado,etc. Espero que esta informação ajude na escolha da instituição ideal para receber a sua doação de cabelo. Para nós não custa nada, ou quase nada; para quem recebe pode significar muito.






- Aceitam cabelo de homem ou mulher, que não esteja espigado, de qualquer cor natural
- Aceitam cabelo liso, ondulado, encaracolado, com permanente ou esticado com químicos desde que em boas condições
- Aceitam cabelo ondulado ou encaracolado mas este, ao ser medido, não pode estar esticado para perfazer os 17cm
- Aceitam cabelos com 10% de cinzas
Aceitam cabelo pintado, descolorado desde que com cores naturais (não azul, vermelho...)
- Aceitam cabelo escadeado desde que a madeixa mais curta tenha 17 cm
- Aceitam tranças ou rabos de cavalo cotados há muito tempo desde que tenham sido preservados em boas condições
- O cabelo deve estar limpo e seco. Deve estar preso nas extermidades com elásticos ou entrançado. Deve ser enviado dentro de saca plástica transparente com zip.
- Precisam de 5 doações para fazer uma peruca
- Têm uma galeria com as fotos do antes/ depois das doadoras
- O Fundo não vende nenhum do cabelo recebido
- O Fundo não decide sobre o uso do cabelo, quem decide são os profissionais. A Trendco (empresa que fornece perucas no UK)  envia o cabelo para a China onde as perucas são feitas. Algumas perucas são grátis e outras são compradas pelo Fundo para que sejam o mais adequadas possível às necessidades das crianças
- Enviam certificado de reconhecimento 3-4 a 6 semanas após a chegada do cabelo por email, não é personalizado para evitar custos

Little Princess Trust Hair Donation
Sheridan House
114-116 Western Road
HOVE
BN3 1DD
UK




- Precisam de 8 a 5 cinco rabos de cavalo para fazer uma peruca
- O cabelo não pode estar pintado (a não ser com pigmentos de ordem vegetal ou semi-permanentes, daqueles que vão saindo na lavagem), descolorado ou com químicos decorrentes, por exemplo, de permanentes
- Não pode ter mais de 5% de cabelos cinza
- Aceitam cabelo ondulado e encaracolado
- Só fazem perucas para mulheres e mulheres adolescentes, não crianças
- Aconselham utilizar condicionador nas lavagens de preparação antes do corte, evitar ao máximo estragar o cabelo, evitar o aparecimento de pontas espigadas, não escovar demasiadas vezes, usar o pente e não a escova para desembaraçar o cabelo molhado, etc
- Antes do corte o cabelo deve ser lavado e secado e não se devem usar produtos extra
- O cabelo deve ser preso com elástico e cortado acima do mesmo. Pode ser colocado outro elástico a meio do rabo de cavalo para segurar. Não pode ser enviado cabelo molhado.
- Depois é meter o cabelo num saco plástico e enviar em envelope almofadado.
- Incluir nome e morada dentro para ser notificado da recepção do cabelo, o que pode demorar meses.
- Já receberam mais de 800,000 doações. Deram 42,000 perucas.

Pantene Beautiful Lengths
Attn: 192-123
806 SE 18th Ave.
Grand Rapids, MN 55744
EUA


LOCKS OF LOVE - 25,4 cm

- Aceitam cabelo pintado e com permanente.
- Aceitam cabelo liso e ondulado
- Mas se o cabelo é pintado sobre cabelo descolorado então não pode ser enviado. 
- Não aceitam cabelo descolorado. 
- Aceitam cabelo que foi cortado há anos desde que esteja em trança ou rabo de cavalo
- Aceitam cabelo escadeado desde que a madeixa mais curta tenha 25,4 cm
- O cabelo deve estar limpo e seco antes de ser enviado
- Deve ser enviado dentro de saca plástica.
- O cabelo mais curto dos rabos de cavalo é vendido para fazer face aos custos. - O cabelo cinza também é vendido pela mesma razão, não é usado na confecção das perucas
- Formulário de doação para descarregar mas também pode apenas ser enviado nome e morada pois ele destina-se a obter o contacto para envio de agradecimento em 60 dias

Locks of Love at: 
234 Southern Blvd. 
West Palm Beach, FL 33405-2701
EUA

Dúvidas: volunteer@locksoflove.org

WIGS FOR KIDS - 25,4 cm /30,48 cm ( Referem estas duas medidas)

- O cabelo não pode estar pintado, descolorado ou com permanente.
- Aceitam cabelos pintados ou com madeixas que saem na lavagem, mas no envio o cabelo não pode apresentar vestígios destas colorações
- O cabelo tem de estar limpo e seco no envio
- Não aceitam cabelo cinza nem rastas
- Aconselham a que o cabeleireiro corte em 4 ou 6 secções para obter o tamanho máximo de cabelo em vez de cortar apenas o rabo de cavalo. Isto pode não resultar se a doadora quiser manter certo comprimento ou tiver na ideia um corte determinado.
- Aconselham usar vários elásticos nos rabos de cavalo.
- O cabelo deve ser enviado em saco plástico com Zip.
- Aceitam rabos de cavalo que tenham sido cortados até há um ano atrás
- Permitem que as doadoras escrevam aos recipientes do cabelo mas não garantem que haja resposta. Neste processo eles servem como intermediário garantindo a privacidade dos recipientes
- Em 6-8 semanas confiram recepção do cabelo via email ou através de postal
- Trabalham com 3 fabricantes fora dos EUA há mais de 30 anos.
- Há um formulário de doação para descarregar e enviar.

Wigs for Kids - Hair Donations
24231 Center Ridge Road 
Westlake, Ohio 44145
EUA

Dúvidas: info@wigsforkids.org



- O cabelo deve ter pelo menos 20,32 cm mas se for mais comprido é melhor
- No envio tem de estar limpo e seco, atado em rabo de cavalo ou entrançado
- Elásticos devem prender o cabelo em ambas as extremidades
- Enviar o cabelo em saca plástica com Zip
- Preferem receber cabelo que não tenha estado em contacto com químicos mas todo o cabelo em boas condições é aceite
- Aceitam cabelo cinza
- Há um formulário de doação para descarregar e incluir no envio
- Os doadores recebem um certificado de reconhecimento em 10 semanas por email
- Entregam perucas a 300 crianças por ano. Estas crianças podem ter perdido o cabelo em virtude de tratamento com quimioterapia, queimaduras, alopécia, ou outras doenças

Children With Hair Loss
12776 Dixie Hwy
South Rockwood, MI 48179
734-379-4400
EUA

9/10/15

Joana Amaral Tem Dias


É um assunto já meio enterrado. Mas ainda tropeço em algumas opiniões sobre a mais recente capa da revista cor-de-rosa Cristina.E é assim porque as pessoas são livres de fazer tudo. São tão livres de tirar fotos como outras de comentar as fotos tiradas. E outras de comentar os comentários feitos. Anda tudo num comentatório pegado. Porque se não comentarmos o mundo pós web2.0 não roda. 
Joana Amaral também comentou os comentários mostrando-se chocada pelo seu teor, um rol mimado de lamúrias ou a sua legítima defesa, entendam como quiserem. Tem tido uns dias difíceis, a moça, mas está muito sensibilizada pelo apoio de quem apoia. Evidentemente, quem anda à chuva molha-se, em especial se andar despido. Se não queria ter de lidar com os comentários às respectivas fotos, não fazia as fotos. É apenas ingénuo pensar que quem faz fotos que são reproduzidas em revistas ou qualquer espaço público se vai livrar de comentários, positivos ou negativos. Em especial se é uma figura pública. A capa de uma revista destas é entretenimento de massas.Do barato. E ela devia saber, aliás, sabe,tudo faz parte da encenação, que uns iam aplaudir e outros fazer pateada. 
Ah, a Joana e o gajo dela estão felizes e quiseram partilhar essa felicidade, dizem uns. Vocês são mesmo insensíveis,o amor é lindo, dizem outros. As melhores intenções nem sempre justificam os actos. As pessoas podem fazer tudo e para tudo vão sempre ser encontradas justificações. A bomba atómica foi justificada para alguém que deu ordens para ela ser lançada. Eu acho que foi um crime.Exemplo extremo, eu sei. Mas repare-se numa coisa. Eu vi a foto e num relance achei a foto gira. Todavia, eu não concordo com aquele tipo de exposição. Não tem a ver com preconceitos disto e daquilo. Dela estar grávida, dela ser mulher, dela ser política. Eu apenas acho que aquela intimidade devia ser preservada dos olhares alheios.Não é só a gravidez, é a relação. Isso interessa a quem? A mim? É uma coisa deles. Entendo-a como um privilégio, deles, que eles deviam cuidar e não expor ao escrutínio público. Se assim fosse as pessoas - quando casam pela igreja ou pelo civil, ou quando se juntam, e sejam ricos, pobres, estrelas de cinema ou anónimos ilustres - convidavam a aldeia, a vila, o bairro, os amigos do Facebook. É assim? Não. As pessoas rodeiam-se nesse momento significativo daquelas com quem criaram laços.Por isso, sim, as pessoas são livres, mas os seus actos têm consequências e elas nem sempre são as esperadas ou as desejadas. Actualmente não há mais intimidade, coisas privadas, exclusivas.
Este episódio não passa de mais um exemplo da nossa sociedade espectáculo. Tudo é show, reality show.Tudo é público. Eu não concordo com isso, a imensos níveis. É excessivo. Eu sei que é uma coisa cultural. Acho que era o Rei Luis XIV que recebia os convidados enquanto defecava. E estava tudo bem. Os tempos mudam. Coisas como a intimidade ou o pudor estão sujeitos à modulação dos tempos, da cultura, da moral, muitos factores interferem nas nossas convições. Pessoalizando, eu gostava de ter uma foto daquelas, na minha casa, partilhá-la com as pessoas de quem eu gosto, que me estimam. Não seria capaz de a meter nunca capa de uma revisteca qualquer e saber que vão acabar no contentor dos reciclados. Por conseguinte não percebo por que razão eu sou considerada preconceituosa, atrasada, pidesca por me armar em censora, alguns entre tantos adjectivos com que os mais tolerantes, visionários, avançados, vanguardistas, amantes da liberdade e da emancipação feminina, humana ou outra qualquer, acham por bem rotular-me. Eu nunca impediria a rapariga de fazer a foto, mesmo se não acho a ideia feliz. Nem deixaria de votar Agir embora também não fosse votar por causa da foto...! Mas para alguns devotos eu é que tenho de me despir de preconceitos, a Joana está coberta de sensatez. É um assunto que não demora está esquecido e que vale tanto quanto vale uma foto qualquer numa capa de revista, ou seja, não vale muito. E mesmo assim aqui estamos entregues ao comentatório generalizado de uma foto sem grande história, algo está enviesado nas nossas prioridades.

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