11/30/13

Querem fazer de nós burros!

Como muitos de nós eu tenho conta no Facebook. Em certas ocasiões a gente começa a ver partilhas na timeline quase em modo automático. As pessoas nem tecem considerações, limitam-se a partilhar. Por regra é qualquer coisa que dispensa explicações. Ontem li um título - Portugueses comparados com burro mirandês - numa dessas partilhas. Pensei, ora bolas, agora até nos comparam com burros, isto está bonito. Mas eu gosto de burros e em especial desta raça de burros. À partida não seria nada de muito mau, antes isso que compararem-nos com preguiças, aqueles pachorrentos animais dos trópicos, em sintonia com aquela imagem que colaram ao povo Grego, todos uma grande cambada de preguiçosos, povos do sul da Europa, o que nós queremos é sol e festas em honra de Baco! 

Título: o Jornal Expresso colocou a tónica no burro mirandês...


Já o Correio da Manhã preferiu colocar a tónica na comparação entre
portugueses e burros.


O Jornal de Notícias também não falhou "a metáfora". 


O dia passou e ao fim da tarde fui ver o que era afinal aquilo.  A essa hora já havia muitos comentários de gente irritada. Eu penso que os jornalistas online fazem isto de propósito apenas para terem com que se rir nas horas mortas em que nada acontece neste país de burros. Senão, leiam alguns dos comentários: 

"A situação de Portugal é péssima, melhorias nem vê-las, mas tanto a fotografia de capa, como a comparação é inaceitável. Era de bom gosto um pedido de desculpas de Obama a Portugal."

"O jornalista esquece-se ou não se lembra que os portugueses são de Portugal e os burros são de toda a parte do mundo, OK?"


"Portugueses, não percam tempo a ficar indignados com este artigo... são apenas vozes de burros."

"Não se preocupem! «Isto» faz parte do plano pra desmoralizar e mais desorientar os poortugueses do que aquilo que já estão. Eles «chamam-nos» de burros mas juntos seremos capazes de lhes dar um «coice»? Vamos a isso?"

"Pois é! Mas as esta gente esquece que se nao era o portugues eles nem existiam. Antes se o serem ja o éramos."

"Este jornalista fez mesmo figura de burro, o que não é de admirar já que a cultura geral dos Americanos deixa muito a desejar. Na Europa existem programas de ajuda a espécies ameaçadas de extinção como por ex. o Lince Ibérico e outras. Os Portugueses não vivem de subsídios, os Portugueses trabalham. Na Europa existe um programa de subsídios para melhorar a integração de países mais pobres, em áreas especificas, como a agricultura as pescas, etc.Este jornalista, em vez de se preocupar com o burro mirandês, devia estar preocupado com a falência de algumas cidades Americanas, ou com a exploração infantil ou o trabalho escravo das multinacionais do seu país."

"Senhor jornalista, permita-me que o considere um imberbe comandante de uma cáfila sem ideias num projecto jornalístico de opinião(?)O burro sabe mais do que o senhor pensa v,g, sabe parar e avançar quando muito bem quer e o senhor não soube parar na sua ironia pálida de quem se julga capaz de interpretar o burro - estude...Por não valer a pena perder tempo com quem escreve (neste caso) com pouco saber... Não gasto mais cera com fraco defunto."

"Pelo menos aqui em Portugal um burro não consegue chegar a presidente."

Eu comecei por examinar os títulos. Vamos então a títulos usados pelo NY Times, na edição europeia: Hard Times for a Small (and Fuzzy) Group of Europeans - PARADELA, Portugal — It’s not easy being a donkey today. Ou seja, Tempos difíceis para um pequeno (e peludo) grupo de Europeus. Paradela, Portugal - Não é fácil ser um burro, hoje. 

Na edição em papel, lê-se "In Portugal, a beast of burden lives on subsidies - Latest threat to survival for endangered donkey may be E.U. budget cuts. Isto é: Em Portugal, um animal de carga vive de subsídios. - A última ameaça à sobrevivência do ameaçado burro poderá ser o corte orçamental da União Europeia.


E quanto ao contundente(!) parágrafo que está na origem desta história, lê-se no  artigo do NY Times   que "After decades of neglect and, some argue, misunderstanding, the fate of the donkey has come to resemble that of its human counterparts in hard-pressed European hinterlands: threatened by declining population and dependent for its survival on, yes, subsidies from the European Union." ie, segundo eu entendo," Depois de décadas de negligência e, argumentam alguns, mal-entendidos, o destino do burro começou a assemelhar-se ao dos seus parceiros humanos nas remotas zonas europeias em dificuldades: ameaçadas pelo declínio da população e dependentes para a sua sobrevivência, sim, dos subsídios da União Europeia." 

Devo ser burra. Li e reli o texto e não percebi porque razão quiseram os nossos jornalistas levantar esta mosca, "a metáfora!" Raphael Minder escreveu sobre o  declínio do burro mirandês - uma raça que serviu tão bem os portugueses, diz ele, no trabalho do campo e de carga, está ameaçada pela mecanização da agricultura, pelo êxodo rural que dita que os mais jovens tenham deixado as terras e que os mais velhos estejam demasiado velhos para cuidar dos animais. Em cima de queda, coice, diria a minha avó. Ou, por outras palavras, um mal nunca vem só. Mais recentemente os nossos burros estão ameaçados pelos cortes nos fundos europeus, sendo que são eles que garantem actualmente a sua sobrevivência. Carinhosamente o jornalista até os intitula de "fuzzy Europeans" mas até já li alguém dizer que isto era uma afronta!! "Fuzzy" apenas significa "coberto de pelo" e dar ao burrinho mais lindo do mundo um estatuto europeu até seria um privilégio se isso agora, mercê da austeridade em que estamos mergulhados, não significasse antes uma desvantagem. No entanto são os fundos europeus que têm pago os esforços de quem tenta conservar a espécie, isso ele também refere neste artigo. Cita também as palavras de Javier Navas, segundo este veterinário os agricultores mantêm os burros por amor e não por causa dos subsídios. Digam lá se este pormenor não aquece o coração de qualquer leitor. O texto também encerra um forte alerta acerca do risco de extinção dos burros em Portugal e no mundo. Menciona ainda o estúpido preconceito que as pessoas (ainda) têm contra o burro considerando-o como o animal dos pobres e o mais idiota dos animais. Esta imagem terá até sido responsável pelo afastamento da atenção da generalidade dos cientistas sobre a  espécie. 

É afinal um português, o presidente da Câmara de Paradela e Ifanes, quem acaba por ser realmente contundente ao dizer que os subsídios recebidos tornaram as pessoas dependentes deles, avessas ao espírito de inovação, ao desejo de modernização ou aumento da produtividade. Além disso, o artigo ainda menciona o renovado interesse dos jovens pela vida rural, mesmo a encerrar, o que não deixa de ser um motivo de orgulho para quem preza a terra, como eu.

Ou seja, mais uma vez, obrigada comunicação social, prestam um grande serviço ao povo. Isto tem alguma justificação? Os jornalistas deviam informar-nos e não fabricar histórias dentro de histórias, sobretudo quando o resultado não é nada edificante. As pessoas, muitas não leram o texto do NY Times, nem tinham de ler, ninguém tem de saber inglês. Pelos vistos os jornalistas também não sabem, nem inglês, nem como ser jornalistas. A malta reagiu contra o jornalista americano e daí até à generalização habitual foi um instante, viva a verborreia anti-americana, e  a culpa disso nem pertence aos comentadores que aí foram conduzidos por um título que distorceu todo o conteúdo de um texto, no seu todo, pleno de interesse.

Mas a história não acabou aqui. O bom jornalismo continuou em força.  Um jornalista do Público contactou o jornal americano para lhe perguntar "se a sua  intenção era ou não fazer uma comparação entre a extinção do burro mirandês e o interior do país." Raphael Minder, correspondente do jornal norte-americano em Portugal e Espanha, respondeu que isso seria absurdo. Mas é claro. O que é que ele havia de ter respondido? Disse também que recebera diversas mensagens de portugueses descontentes. Viva a burrice!

11/27/13

Fabulous Fashionistas, um documentário do Channel 4


Estas seis mulheres que podem ver no print acima têm uma média de idades que ronda os oitenta anos. A realizadora de Fabulous Fashionistas é Sue Bourne, ela está ligada à produção de um documentário que talvez tenham visto, The falling man, relacionado com o 11 de Setembro. Neste curioso documentário do Channel 4 questiona-se, a propósito de estilo e moda, se a terceira idade tem de ser aborrecida e vivida na invisibilidade, no recolhimento, abdicando, portanto, antes do tempo de viver a vida ao máximo. Quem são as mulheres acima? 

A primeira, Sue Kreitzman, americana a viver em Londres, tem 73 anos e é artista. Ela escrevia livros sobre cozinha saudável e dietas e tinha imenso sucesso. De um momento para o outro teve uma epifania e descobriu a arte para choque da sua família e amigos quando estava a terminar o seu 27º livro, que se tornaria o seu último. Nunca mais parou de criar e de viver rodeada de cor. Ela compõe o seu guarda-roupa, nunca sai à rua sem os seus acessórios. Habituou-se a ser olhada e fotografada na rua, isso não a incomoda. O seu conselho: não vistam beige, o beige suga de nós toda a vida que temos! Mata qualquer uma. Liberta da tirania da moda ela encontrou a liberdade para se afirmar e está confortável com isso.


" Não uses beige. Irá matar-te"

A segunda é Bridget Sojourner, tem 75 anos. Trabalhou como educadora para a saúde durante longos anos. Recebe uma pensão do Estado e veste-se nas lojas de roupa em segunda mão. Mas nem por isso deixa de ter estilo.Trabalha como jardineira para conseguir mais dinheiro.  Ela abraçou uma campanha para mostrar à sociedade que a terceira idade existe, que envelhecer não é tornar-se invisível. Tenta passar a sua mensagem junto de agências de comunicação mas a conclusão é que estas não estão ainda prontas para aceitar esta forma de viver a terceira idade. Os anunciantes, seus clientes, querem velhinhas doces de chinelos e andarilho. A comunicação é terreno para os novos, não para os velhos. Dizem-lhe que, se a aceitassem, seria por ela mesma e não como representante de uma nova visão da terceira idade.


" Todos os dias as pessoas param-me na rua, 
estupefactas por eu ter tanto estilo nesta idade."


A terceira, Gillian Lynne, tem 87 anos. Esta senhora é realmente fabulosa. É directora teatral, dançarina e coreógrafa, e continua a trabalhar todos os dias. Trabalhou no West End nos musicais Cats e Phantom of the Opera. Segue uma rotina de 40 minutos de alongamentos diários, assim que sai da cama. Não que o faça sem esforço, mas diz que precisa. Ela aparenta metade da idade que tem, verdade, extraordinário. O marido tem menos 20 anos do que ela.  


"Reformar-se é perigoso."

Jean Woods, tem 75 anos. Depois de perder o marido olhou à sua volta, precisava de se sustentar e de encontrar uma razão para ser útil. Acabou por encontrar a moda. Foi o filho quem a encorajou, foi ele quem sugeriu que ela fosse à GAP, em Bath, onde acabou por ficar um ano; depois mudou para uma outra boutique de roupas com que se identificava mais. Corre três vezes por semana e nem um joelho de metal a faz abrandar.

"Não há limite de idade para ter estilo. 
Não me visto para parecer mais jovem. 
Visto-me para me sentir eu mesma."

A senhora de chapéu é a mais velha, tem 91 anos e é a Baronessa Trumpington. Divide o seu tempo entre as sessões na Casa dos Lordes, as visitas ao cabeleireiro e as compras semanais. Mas para comprar roupa prefere os catálogos, já não tem paciência para ir às lojas e, além disso, diz que a roupa lá é mesmo barata.

" A simplicidade é a chave. "

A última é Daphne Selfe e este é o seu portfolio. Daphne usa cabelo longo e tem 85 anos.É a mais velha modelo de Inglaterra, avó de quatro. Foi descoberta pelas agências quando tinha 70 anos. Sim, ela apareceu até na Vogue italiana. Podem encontrar fotos suas na recente campanha de outono da TKMaxx 2013.


"O momento em que desistimos de nós 
é o momento em que ficamos velhas."


Ideias de como as pessoas idosas se devem comportar, desta ou daquela forma, e por nenhum outro motivo que não seja o da sua idade, não faltam. Mas a verdade é que esta é uma questão cultural, que apresenta diferenças de sociedade para sociedade e que sofre alterações ao longo dos tempos. Mas na sociedade em que vivemos, é essa a que o documentário Fabulous Fashionistas se refere, é como se o processo de envelhecimento ditasse apenas por si uma sentença de morte antecipada. A vida parece pertencer aos jovens. Mesmo na ausência da doença ou de uma acentuada diminuição de capacidades físicas e intelectuais, a tendência é para julgarmos os mais idosos como acabados. Eles mesmos também cedem a essa postura e, ou acabam por se conformar com ela, meio azedos, ou cultivam, até com certa naturalidade, a ideia de que "já fizeram tudo", que " estão prontos para partir", que nada mais há para descobrir ou empreender. É como se a partir de certa idade as pessoas se reformassem não apenas do trabalho mas da vida no seu todo, demitindo-se até de ser felizes apenas porque já viveram tudo. O fim da vida é invariavelmente pardacento, um remoer de memórias, nada mais.

Estas seis senhoras, cuja média de idades se situa nos 80 anos, foram convidadas a mostrar como encaram o seu dia-a-dia. Não se limitam a combater essas ideias como, na prática, levam uma vida condizente. No meu caso, não preciso delas para me inspirar. A minha avó viveu além dos 90 anos e manteve-se activa, cuidando de si, da casa, das netas, dos pássaros, das plantas, vendo TV, lendo. Por fim o coração acabou por ceder. Ela era uma pessoa comum, ou seja, não se pense que é preciso ser um membro do Governo, modelo, artista ou coreógrafa, para pensar como estas senhoras. Certo que, por vezes a vida dá uma ajuda, noutros casos, não. A minha avó era, como elas, uma pessoa saudável, de espírito forte, determinada. Não fazia ioga, nem tai-chi nem a espargata. Não era uma artista, nem era sequer assim exuberante mas também não usava beije. Sei que no seu espírito havia sempre cor. Isso deve ter bastado. Não teve uma vida fácil. Mas nunca parou até o coração parar. 

Pensando nelas, as mulheres do documentário, vejo que se conhecem bem, que são genuínas na forma como pensam e agem. Não se enganam a si mesmas nem querem enganar ninguém. Também não são super-mulheres. Elas contam que passaram por traumas diversos, como qualquer uma, apenas seguiram em frente, melhor que algumas, agarrando o amanhã com tenacidade, sem desistir e sem lamurias  Não as vemos a seguir por caminhos com os quais não se sintam confortáveis, elas sabem até onde podem ir, mesmo a mais artista delas conhece os limites, ela não quer parecer uma tonta qualquer. O uso da cor surge como algo importante, uma afirmação contra a invisibilidade, aquele lugar para onde a terceira idade é tantas vezes atirada. Não usem beije, não se escondam, diz ela. Não passem despercebidas. Mas ao mesmo tempo sejam simples, nada de muita confusão, não sejam trapalhonas - se nunca o foram, não vão sê-lo agora. Não receiem a mudança, uma delas escrevia livros de cozinha e depois tornou-se artista. Seguir por um novo caminho pode dar-nos uma vida nova, é o que se conclui. E quem disse que é tarde demais? Apesar de não vermos estas senhoras a correr para o spa e a injectar-se com botox, fica claro que elas têm cuidados de beleza: usam maquilhagem e tratam os cabelos. E fazem exercício físico. Mas fazem-no na rua, em casa, no jardim. Ou seja, podemos não ter dinheiro para ir ao ginásio, mas sempre poderemos fazer qualquer coisa, no mínimo dos mínimos podemos caminhar e respirar ar puro todos os dias. O corpo precisa de ser usado, os músculos ainda lá estão, todos os ossos do esqueleto - a não ser que tenhamos um joelho de metal! Não se pode ceder à doença, pois se cedermos um milímetro, a doença cobra-nos uma milha, diz uma delas. Nem à doença nem à vida, ou seja ao acomodo, às dificuldades, ao que os outros dizem, aos estereótipos. Na realidade precisamos de nos mexer até ao fim da nossa vida, um corpo exercitado vai superar melhor as eventuais provações, uma queda, uma fractura. Todas estas senhoras foram abençoadas com meios de subsistência, uma vida confortável. Quem sabe se estariam assim tão bem se tivessem passado por provações diversas. Uma delas, a coreógrafa, diz-nos que contraíu uma pneumonia recentemente e que à noite nem tinha coragem de dormir, com receio de morrer durante o sono. Ainda estava a recuperar nas últimas imagens que nos mostram dela e o abalo físico era notório. Mas ao mesmo tempo dizia que ansiava apenas sentir de novo "os cavalos a galopar" e esse seria o momento de voltar ao trabalho. Além de gostarem delas mesmas e do exercício físico, o trabalho parece ser outro dos elementos do seu elixir da juventude. Todas elas são activas, Gillian, em especial, chegando até a temer o momento da reforma: parar é morrer. Não tem planos para se reformar. Activas, todas, com muito interesse pela vida: - Amem a vida, porque não há uma segunda oportunidade, diz a Daphne. Se puderem vejam. São apenas 40 minutos.

11/21/13

Refúgio da Fátima, na zona do Porto, precisa de ajuda

Alguns dos animais que
se encontram no FátimaRefúgio

Gente amiga dos animais!

Vou partilhar aqui duas mensagens da Fátima. É uma professora do Porto que há cerca de um ano conseguiu ajudas para construir um abrigo para albergar cães e gatos de rua. Foi uma obra que reuniu a ajuda de muita gente, uma coisa bonita. Mas agora a pessoa que cedeu o terreno precisa de o reaver e a Fátima tem dezenas de animais a seu cargo, 14 deles abandonados à sua porta  durante o passado verão. Eu segui a construção do abrigo através do Facebook e na altura divulguei aqui no blogue a iniciativa da Fátima. Qual não foi a minha surpresa quando, há um par de semanas, tomei conhecimento de que ela e os animais estavam novamente num aperto. O tempo é o maior inimigo da Fátima. A Fátima tem até ao fim do ano para resolver esta situação. Não vamos deixar que a Fátima chegue ao Natal mergulhada neste dilema, vamos? 

É triste ver tanto trabalho e dinheiro prestes a serem desperdiçados. Mas há que encarar a situação e sobretudo encontrar uma solução. Pensem na angústia por que a Fátima está a passar e no destino incerto que os animais enfrentam nesta hora. Eu adoro animais e nunca, mas é que nunca teria a coragem de fazer o que a Fátima fez. Por isso ela merece o meu respeito e admiração. Os animais precisam de pessoas como ela e nós precisamos de pessoas como a Fátima, pessoas que façam aquilo que não somos capazes de fazer mas que até gostávamos de fazer. 

Mas todos podemos fazer qualquer coisa para salvar estes animais. O quê? Ora vejamos:

1. Podemos divulgar esta postagem. Copiem o link, para o vosso blogue, para o a vossa caixa de email, Twitter, Facebook -  façam circular esta mensagem o mais possível. É imperioso, é fundamental. Isso não demora mais do que UM MINUTO. Nem precisam de escrever mais do que uma linha. Não há desculpa para não agir!

2. Podemos contribuir com ajuda monetária para a Fátima poder comprar ração e desparasitantes. 1 EURO não é muito mas muitos euros fazem a diferença. Não se envergonhem de darem o pouco que possam dar. 1 EURO É DINHEIRO. Há Multibancos em todo o lado, há o Paypal. É fácil.

(Só para terem uma ideia, pois nem toda a gente tem animais: 15 kg de ração seca Pedigree custam 46 euros, mais ou menos. Os animais precisam de comer todos os dias. Quanto a desparasitantes, o Advantage 10-25 kg, para cães, são 4 pipetas, penso que uma por mês, aplica-se no dorso dos bichos, e custa 20 euros.)

3. Se vivem na zona do Porto e se souberem de algum terreno, alguma quinta que possa servir para alojar os animais contactem a Fátima pelo telemóvel: 919953465. Mas atenção:ela precisa de uma solução, algo sério. Liguem apenas se tiverem a certeza de que o terreno poderá vir a ser utilizado para o efeito. De duas, uma:ou serão os donos do mesmo ou terão sondado a possibilidade junto do seu dono antes de ligar. Não façam a Fátima perder tempo que ela não tem ou gastar ainda mais gasóleo do que tem gastado.

4. Se souberem de alguém que queira adoptar um cão indiquem os álbuns de fotografias da Fátima Refúgio no Facebook. Ela tem animais muito bonitos e pelas fotos parecem-me  bem tratados. As fotos estão bem documentadas, têm informação sobre os animais. Neste momento diminuir o número de cães que a cargo da Fátima é uma via que pode facilitar a resolução do problema. 

E para finalizar, aqui deixo as mensagens da Fátima. Quero dizer que não conheço a Fátima pessoalmente mas não tenho dúvidas em relação à sua dedicação aos animais nem à seriedade dos seus propósitos, mais do que evidenciados nas fotografias que tem disponibilizado no Facebook desde sempre. Se tiverem qualquer dúvida, poderão contactá-la, estou certa que ela vos esclarecerá. Por isso divulgo este apelo, solicitando a vossa atenção. Obrigada a todos!

No dia 2 de Novembro a Fátima partilhou a seguinte mensagem no Facebook:

A situação é verdadeiramente aflitiva.Peço ajuda na divulgação dos álbuns dos animais para adopção e na procura de um terreno isolado... seguro... por favor...Obrigada

https://www.facebook.com/pages/Fátima-Refúgio-Adopções/235284266523116

Para quem não se lembra:
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.1575816691696.48372.1723969378&type=1&l=e585349e3d

E agora o Abrigo vai ter que sair do local onde está até ao fim do ano... o terreno, que era emprestado, vai ser vendido!! Peço ajuda para encontrar uma solução válida... segura... urgente...!!! Peço ajuda na partilha dos álbuns dos animais para adopção... quantos menos tiver que levar mais fácil será encontrar um espaço... penso...
Obgrigada!


Hoje, dia 21 de Novembro, a Fátima está mais desesperada:


Olá boa gente!

Desculpem demorar tanto tempo a dar notícias, mas não consigo vir aqui com a frequência que queria e devia... só dá na escola e por muito pouco tempo...
Não, infelizmente nada está a correr bem... continuo sem encontrar um espaço viável para me mudar com os miúdos e de tanto gasóleo gastar na procura, estou agoa também com muita dificuldade para os alimentar e tratar como deve ser... vejo-me por isso obrigada a pedir agora também ajuda com ração (seca e húmida) e, se possível, também com desparasitantes (internos e externos)... desculpem mas bati completamente no fundo, tudo piorou e já não há por onde esticar mais! 

Peço também desculpa a quem tem mantinhas para me dar e que ainda não consegui ir buscar porque além de ter que rentabilizar ao máximo as viagens, não me consigo desdobrar... sou sozinha a tratar dos animais e o sábado e domingo são os únicos dias que lhes posso dedicar por inteiro e fazer as limpezas mais a sério... o resto da semana só dá mesmo para limpar o mais superficial, abastecer de ração e pouco mais... e mesmo assim nunca me consigo deitar antes das 2 ou 3h da manhã... enfim, com o tempo a chegar ao fim e com tudo a piorar, tem sido uma vida muito complicada, bastante sofrida e solitária no dia a dia... e o pior de tudo é que acabam por ser sempre eles quem mais sofre! Menos tempo comigo, menos mimos, menos liberdade, menos comida... menos tudo o que é mais importante para eles se sentirem minimamente felizes!! 

Tenho um miúdo,(cão) o Moniz, que tem um problema neurológico grave que só consegue esquecer quando é passeado... nem para o passear consigo ter tempo... e nem sequer quem o possa ou queira fazer...

Está tudo a ser muito difícil... estou cada vez mais num beco sem saída e cada vez mais cansada e a ficar sem ânimo e força para continuar... quem puder por favor que me ajude pelo menos com ração...
Obrigada

Contactos:

tlm - 919953465
fatimapxtcst@gmail.com

nib - 003505970003922390065 (CGD)

11/20/13

El empleo/The employment - cinema de animação


Blogue do animador Santiago Bou Grasso - Argentina

Ronaldo e a Pepsi = disPEPSIa.




disPEPSIa. Sai um Surströmming(peixe) e um tunnbröd(pão) para a janta. Caso não saibam o que é...é o tal peixe podre sueco. Seguramente que eu teria uma indigestão apenas de cheirar essa iguaria! Mas a indigestão lusa de ontem  não se ficou a dever ao peixe e antes a esta campanha da Pepsi, muito indigesta, em especial a última imagem. "Vamos passar por cima de Portugal".Essa é a legenda que acompanha o boneco de feltro. A imagem foi colocada a circular nas redes antes do jogo entre Portugal e Suécia, aquele que decidiu o apuramento da selecção Portuguesa para o Mundial que decorrerá em 2014 no Brasil. Portugal venceu a Suécia (3-2) e Ronaldo marcou os três golos. Nem a vitória fez acalmar os ânimos: viva a polémica!
Desde que as fotos começaram a circular no Facebook a página sueca da marca foi tomada de assalto pela indignação dos adeptos da selecção portuguesa e fãs de Cristiano Ronaldo, alguns decerto também consumidores do célebre líquido acastanhado concorrente da Coca-Cola. A dispepsia era o tom.

"Shame on you! Shame on you! You're a disrespectful and unprofessional brand and you did not manage to achieve anything positive at all with that ridiculous, non-humorous and offensive campaign. It serves you right that 10.6M people shutted you up tonight, and will stop drinking Pepsi. Oh, and as we say in Portugal: the fishes die by their mouth. I hope that easily translates as: when you speak too much, you'll eventually bite the hook and get caught. I'm sure you won't forget to tune your TVs to watch Portugal playing in Brazil.And by the way, don't forget to close the "Friends Stadium" cover."

Foi o Nuno Vilaça quem escreveu. Eu não o conheço, nunca o vi mais gordo. Dele apenas conheço um quadradinho, aquele que antecede a sua entrada triunfante na página da Pepsi no Facebook - neste momento este enxovalho à Pepsi já vale 754 Likes. Well done, man, well done. Mas isto foi somente um exemplo. A Pepsi sueca nem precisa de fazer os cálculos do tiro no pé, basta aproveitar os números presentes em alguns dos comentários e deitar as mãos à cabeça. 



A sucursal sueca deu-se mal com a história e até parece que levou um puxão de orelhas da multinacional americana. Apressaram-se  a pedir a clemência lusa. "We would never want to put the sport or the spirit of competition in a negative light. We regret if people were offended by the posts; they were immediately taken down. We would like to extend our apologies to all concerned." - E pronto. Um pedido de desculpas escorreito e limpo. "Nunca quisemos dar ao desporto ou ao espírito de competição uma conotação negativa. Pedimos desculpa a todos aqueles que se sentiram ofendidos."  Mais. Até responderam a comentários individualmente - ó gente, só os suecos. "Dear Luis, we understand your anger and frustration and we regret that we offended you and many others with the posts; this was never the intention and also the reason why they were taken down immediately. We never wanted to put anyone in a negative light.Our apologies goes out to everyone involved, Cristiano Ronaldo, the Portuguese football team and their fans."

Pronto. Foi bonito.  Os totós que andaram a brincar aos criativos pediram desculpa. Nós até ganhámos o jogo.Vamos todos em paz e que Cristiano Ronaldo nos acompanhe até ao Brasil?! Não, nada disso. Mas qual paz?! Quando tocam nas nossas bolas a malta fica como que intoxicada até ao mais profundo de si e enquanto não espirra tudo quanto lhe vai na tripa, não se cala. A esta hora continuamos a dissecar o episódio, a justificar a sua indecência, a extrair consequências e a gritar que é tarde demais para pedir desculpa. Tarde demais? Ó pás, sejam educados, aceitem lá o pedido de desculpas dos suecos com um sorriso grande e vão à vossa vida. O quê?! Não. Nada disso. Nós pimba, nós pimba. Ora zumba na caneca, ora na caneca zumba. Irra! 

Que ninguém toque num pintelho do Cristiano Ronaldo que nós soltamos os canhões! E é isto Portugal e o fervor nacionalista! Gostamos tanto do pedaço nestas horas. Nas outras, se pudéssemos apanhávamos o primeiro avião para a Suécia, lá é que a vida é boa, excluindo o frio horrível e as poucas horas de luz - eu morreria na Suécia ainda antes de receber o meu primeiro vencimento de emigrada bem sucedida! Este fervor nacionalista, exaltado, bem temperado de palavreado colorido,- porque ninguém consegue expressar melhor a indignação do que recorrendo a uma resma de alhos e folhas, - é algo que parece apenas ser inflamado pela bola. O futebol, mais prosaicamente conhecido como "a bola", mas não prementes questões de interesse nacional como a travagem do empobrecimento de todos nós, a defesa do emprego com direitos, da justiça, do combate à corrupção, à desigualdade, etc, etc, parece ser o catalisador absoluto da movimentação das massas. Tanto motivo para inflamar estes escribas das redes sociais e nada. Os dedos não mexem. Mas se for a bola, ele é meninos e meninas, senhoras e senhores, ricos e pobres, analfabetos e ilustrados...Também nunca ouvi comentadores a esganiçarem-se desta maneira contra a sangria migratória em curso ou o progressivo atrofiamento da nossa economia!Ouçam-nos, ouçam-nos:


O que eu me ri a ouvir estes comentadores frenéticos. Parecem-me meio tolinhos, obviamente, mas que sabem dar espectáculo, sabem.  E é isso que é o futebol. Espectáculo. Todavia, da maneira como as coisas estão até parece que o Ronaldo é o Maomé ou Cristo. Aliás, façamos um teste. Metam umas fotos ofensivas a estes dois vultos da cultura mundial no Facebook e vamos ver até onde cresce a indignação. Futebol 1- Religiões 0.  

Eu devo andar com o meu sentido de humor meio desvirtuado. Já me tinha rido com um anúncio de uma marca norte-americana onde um grupo de cavalheiros abanam o rabiote ao som de uma canção natalícia. O rabiote e as bolas. Mais uma vez a pedra de toque da indignação do povo são as bolas! Começo a pensar que as bolas são poderosas, um assunto intocável, diria mesmo sagrado. Pelos Estados Unidos é um coro de humilhados e ofendidos que já deve ter chegados aos céus. E eu? Vi o anúncio Show your Joe, e...ri-me! Achei que era maroto. Mas apenas na dose certa. Viva a igualdade de género. Finalmente meteram os homens a dar uso aos seus atributos e não apenas as mulheres! Os norte-americanos ou são muito púdicos ou não têm sentido de humor, dirão vocês. Pois agora nós estamos no mesmo caminho, digo eu. A continuar assim, com esta austeridade e sem sentido de humor, seremos o povo mais cinzento da Europa em poucos anos! Destronaremos os belgas. (Que para mim são o povo mais cinzento da Europa.) Para onde foi o nosso sentido de humor? Emigrou também? Eu vi a imagem do boneco no carril e apenas pensei, ah, suecos dum raio, passarem-nos por cima? Vocês vão é descarrilar. E virei a página. Não fiquei ofendida, nem tão pouco perdi mais tempo com o boneco. E agora que o jogo aconteceu e que até vencemos...ainda acho mais piada à campanha. On your face. Mas lá está. Eu não gosto assim tanto de futebol. Não gosto de Pepsi. Também não bebo Coca-Cola. Não me envergonho de dizer que não vou em xaropadas. Eu prefiro vinho. E gosto de me rir. Rir é mesmo muito saudável, é o melhor remédio.

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