9/28/13

Filme Desligados: cibersexo, mentiras e internet




 Henry Alex Rubin é o realizador de Disconnect que em português tomou o nome de "Desligados". Ele já fez documentários premiados mas este parece ser a sua primeira incursão na ficção. Trata-se de uma história que abrange várias personagens directa ou indirectamente ligadas, um pouco como aconteceu no oscarizado Crash ou noutros filmes menos celebrados. 

Disconnect - Desligados é um filme ancorado na cultura das redes sociais, aplicações, computadores, telemóveis, enfim, da tecnologia que hoje nos rodeia, e também de um certo alheamento da realidade em que muitos parecem mergulhados, um estado de "desligamento" global. Para uns a mensagem de que a internet é um papão e de que existe ali uma autêntica cyber-selva digna de um salve-se quem puder poderá até ser risível. Tão risível quanto sabemos que a televisão já foi acusada do mesmo. Para outros poderá ser um alerta. Nem todas as pessoas vivem a era da internet com a mesma intensidade. Mas Disconnect - Desligados é representativo da forma como a  internet entrelaça a vida de todos nós, questionando o poder e o papel das relações virtuais que tecemos e também o da forma com comunicamos. Usemos a tecnologia mas saibamos usá-la a nosso favor. A tecnologia faz parte integrante das nossas vidas. Qual a nossa relação com ela? Devemos confiar cegamente nas novas ferramentas  ou devemos estar alerta e perceber que, se não soubermos o que estamos a fazer, podemos vir a causar danos, intencionalmente ou não, a nós mesmos e/ou a terceiros? 

E qual a qualidade da comunicação assim feita? Nunca tantos estiveram ligados e nunca a comunicação foi tão potencialmente capaz de encerrar erro, mentira, engano, falsa expectativa, humilhação. Em vez de nos tornar mais autênticos a tecnologia veio possibilitar entre nós e o outro uma espécie de pano onde projectamos o que queremos ser, como queremos ser. Vivemos existências veladas e quando somos forçados a revelar-nos acontece o choque de percebermos a enorme pobreza emocional que tudo isso encerra, confrontados que somos com a nossa derradeira descaracterização como seres verdadeiramente humanos. Desligados. A culpa é nossa, não da tecnologia.

Henry Alex Rubin oferece-nos uma tapeçaria feita de histórias de vida e tecnologia, a tecnologia é o fio onde a trama se vai entrelaçando, ou seja, a vida mudando de côr e de textura à medida que acontece. E, tomem nota, as cores deste filme não são nada alegres. Rubin mostra-nos o lado negro da internet, o seu lado mais perverso. Todas as personagens vão experimentar provações ao longo da história. Há adolescentes a serem recrutados para oferecerem cybersexo em salas de chat na internet. Não têm a noção exacta da gravidade  do que lhes aconteceu, não percebem que estão a ser explorados, vivem o dia-a-dia numa ilusão sem se interrogarem acerca do futuro. Há teenagers que se entretêm a fazer bullying usando a internet sem consciência do perigo, possivelmente encarando isso como apenas mais uma partida, uma brincadeira igual às que faziam no "mundo real". Há miúdos tímidos e talentosos que desejam a morte por terem sido humilhados através do bullying cibernético.  

O mundo dos adultos não é mais nem menos negro. Um casal é vítima de roubo de identidade, perde os seus bens e acaba a embarcar numa imprevisível caça ao homem, em busca de uma justiça que a polícia tarda em realizar. Uma jornalista insatisfeita e ambiciosa procura destaque profissional através da realização de uma peça choque sobre cybersexo de menores e vê a sua vida desmoronar quando percebe que se envolveu demais e tudo lhe escapou ao controle. 

As famílias retratadas em Disconnect - Desligados são células de pessoas que se juntam à refeição mas que nem nesse momento se desligam dos seus aparelhos móveis. Cada adulto vive os seus problemas individualmente, a perda de um cônjuge e uma mudança de carreira, os dilemas financeiros, a obsessão pelo trabalho, sem se ligarem mais que superficialmente uns aos outros. O diálogo morreu. A opção é ligarem-se à internet para compensar o vazio. O consolo perante o luto de um bebé que se perdeu ou perante a angústia de estar só num casamento em crise, é encontrado, num site na internet destinado a apoiar emocionalmente pessoas que atravessam momentos de crise. E são as palavras de gente anónima, estranha, virtual, que tornam a vida mais suportável. É ainda num site de jogo online que se encontra a o escape para a vida real com que não se consegue lidar. Um ex-polícia é agora um cyber-detetive e quando um pai se vê confrontado pelo mistério do suicídio do seu filho é ainda para a internet que se volta, para o Facebook, onde busca avidamente o apaziguamento para a sua perplexidade, a resposta às suas questões. Como se não fossem capazes de comunicarem entre si de forma natural, ou não soubessem como, é sempre através da intermediação de um aparelho que a realidade parece finalmente fazer sentido. Será que deixámos que a tecnologia nos mudasse de tal modo que vamos todos precisar de mediadores da realidade no futuro?!

Embora não sendo uma obra-prima Disconnect - Desligados não deixa se ser um filme muito interessante de seguir para o que concorrem sobretudo as excelentes interpretações de todos os intervenientes, mesmo os mais jovens. Os jovens actores são admiráveis nos seus papéis, rivalizam à vontade com os adultos, e as suas personagens bem desenvolvidas. Os aspectos técnicos também são de bom nível, em especial a edição e fotografia, e a realização de Henry Alex Rubin é segura. Podem censurar-me a postagem cheia de spoilers. Mas isso não vai retirar-vos o prazer de ver este filme pois não são os diversos fios que desenrolei o mais importante e antes a forma como Rubin tece este filme até chegar ao resultado final. Aconselho, quanto mais não seja para fomentar a discussão. E agora, se me dão licença, vou ali ao Facebook e já volto.

O abacateiro está de boa saúde!

 O abacateiro cresce a olhos vistos!
 Querem ver de mais perto?
E de mais perto ainda?

Lembram-se da minha semente de abacate? Prometi ir mostrando o crescimento da planta de abacate pelo que hoje aqui trago mais três fotografias. Está mesmo grande, não está? Agora começa a minha dúvida: até que ponto poderá crescer no vaso de maneira saudável? Será que as raízes ainda têm espaço para se expandir?! Será que a terra ainda tem nutrientes que cheguem?!! Parece que cultivar uma planta é uma coisa simples. Mas a verdade é que mais tarde ou mais cedo somos confrontados com questões.  Ninguém nasce ensinado, essa é a verdade. Por exemplo, eu. Eu nada sei sobre plantas! Nunca tive um jardim e nem sou adepta de plantas de interior. Esta experiência foi muito engraçada pois vi a planta surgir do nada. Detestaria que ela definhasse e acabasse de morrer por não saber o que fazer, sobretudo depois de tanta espera para que germinasse! Por isso comecei a interrogar-me sobre o que é preciso fazer para lhe garantir boas condições. Desde saber quantas vezes se deve regar, se pode levar água nas folhas, se é melhor manter as folhas secas, se devo regar de manhã ou á noitinha...qual a quantidade de luz ideal, se directa se indirecta! Se devo usar vaso com furo se sem furo também serve! Se ela se dá bem com o calor, ou, pelo contrário, se é das que gostam do fresquinho! Se é preciso ou se há vantagem em juntar fertilizante na água...! A planta de abacate tem crescido e exceptuando aquele episódio das duas folhas com manchinhas, que ainda lá estão, não caíram, tudo parece ir bem. Já agora aqui deixo os links para as postagens anteriores, assim podem ver  como tudo se passou!

Fazer germinar uma semente de abacate

O caroço de abacate germinou

Já cresceu uma planta

9/25/13

Outono na praia da Figueira da Foz











O Outono começou no passado domingo, às 21H44, num dia com temperaturas bastante elevadas. Pelo gráfico do site do Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) eu antecipei que era o fim do bem bom pelo que me apressei a tratar da vidinha para poder correr para a praia. Setembro e Outubro não são carne nem peixe. Pode fazer calor, pode fazer frio. Não é incomum vermos pessoas de manga curta e sandalinha no pé e outras já todas equipadas para o pior, aproveitando para exibir as pecinhas outonais recém compradas. Eu sou das que costuma resistir a essas novas indumentárias o mais possível! Faço o que posso para esquecer que o Outono já chegou! Em Outubro de 2011 ainda ia à praia, isso é que foi! Quando já toda a gente andava louca por causa da falta da chuva eu rejubilava. É um facto comprovado pelos senhores da meteorologia, os Outubros estão cada vez mais quentes. Não consta que este vá ser assim. Hoje quando acordei ouvi logo o som dos pneus dos automóveis a rolar sobre o piso molhado. Estava assim oficialmente inaugurada a época de neura.

No sábado, na praia, lembrei-me do alarmismo gerado pela notícia de há uns meses: não ia haver Verão em Portugal. A má nova vinha de França e proclamava que o Verão ia ser o mais frio dos últimos 200 anos. A fonte era um canal francês de informação meteorológica – La Chaine Météo - que se baseou em modelos estatísticos para fazer futurismo! O Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) veio logo sossegar as alminhas mais inquietas dizendo que isso eram cenários mais carregados de incertezas que nuvens prenhas de chuva. Estavam certos. Na meteorologia as previsões são mais voláteis que no tarot. Qualquer argumentista de Star Treck terá tido mais possibilidades de acertar nas previsões quanto ao futuro! Fica a lição. Assim foi que Portugal teve direito à sua normal quota de dias de sol para alegria dessa raça que dá pelo nome de veraneantes, aqueles que escolhem os dias de Verão para cobrar ao calendário alguns dias de descontração. 


Ao longo deste Verão fiz alguns passeios giros mas não consegui ir tantas vezes à praia como gostaria. No entanto não posso queixar-me. Antes qualidade do que quantidade e este ano a praia da Figueira da Foz teve condições magníficas. No segundo fim-de-semana de Agosto a praia estava a abarrotar de gente, como eu já não me lembrava. Tenho a certeza de que quem esteve por cá vai voltar. Apercebi-me de muitos estrangeiros na zona onde sempre fico, Buarcos. Estranhamente não tive de me debater com ventanias severas, nunca carreguei com o tapa-vento! Não havia vento, ou se havia era pouco, e até vento morninho, que eu adoro! E a memória de águas geladas, daquelas que fazem doer os tornozelos,  não passou disso mesmo. De facto vi até um vídeo onde a nadadora salvadora de serviço, uma jovem loira e bronzeada, referia que já tinha medido 23 graus nas águas do mar da Figueira. Infelizmente ela também garantiu que não é algo com que possamos contar para futuro, é uma condição variável que depende das correntes. Quem aproveitou sabe do que escrevo. Já tenho saudades!

Mas, como sempre, lá chovem as minhas críticas. Uma coisa que me desagrada é que os concessionários comecem a recolher as passadeiras mal bate o 31 de Agosto. Levantam barracas e toldos e passadeiras por atacado. Na primeira quinzena de Setembro ainda há muitos banhistas na praia. Será que a CM não podia substituir aquelas passadeiras por algumas mais permanentes? Umas placas de cimento, por exemplo? Não são tão bonitas mas duram. Eu adoro a praia mas não frequento no inverno. Todavia há quem vá muito até lá também no Inverno e a quem essas placas dariam muito jeitinho. Outro motivo de desagrado que se renova a cada ano é a porcaria que as pessoas fazem e deixam na praia. Neste fim de semana a malta deixou os sacos de lixo nas passadeiras de madeira, nas que não são amovíveis!! É inclassificável! Possivelmente porque os caixotes de lixo também foram recolhidos pelos concessionários, - eu nem reparei se eles ainda lá estavam, enterrados no areal! Mais uns metros e há contentores verdes na avenida! Mas não. Ali mesmo é que é bonito. Que tristeza. E, ironia, bem perto do sinal de proibição de cães na praia. Como se fossem eles os maiores porcalhões do areal!

E é assim. Oficialmente inaugurada a época de neura. Agora é quando eu começo a sonhar com uma casa no Brasil, uma cabana modesta junto a um mangal a estender-se até ao mar, o cheiro a árvores ensolaradas a entrar pela janela, de manhã cedo, o sabor a sal na pele dos lábios.  O contador ali ao lado diz-me que faltam mais de duas centenas de dias para o Verão. Aguentemos firme! Recomeçou a contagem! 


Ficção científica: Elysium ou District 9?

District 9


Gosto bastante de ficção científica e de uma forma geral procuro ver os filmes do género que vão estreando. Não costumo ler obras de ficção científica. O termo ficção científica remete, basicamente, para um plano imaginário, para fantasia e para ciência. Ou seja, o género alimenta-se deste equilíbrio, histórias imaginadas mas com inspiração científica. Não sei bem qual a medida de ciência mas sem ela poderemos ter fantasia, não ficção científica.  Como não gostei muito de Elysium vou empatar um bocado - aliás, já estou a empatar! É sempre mais fácil escrever quando se gosta de um filme!

Pois bem. Quando é que terá começado esta cena da ficção científica? Antes do que eu imaginava. Disse-me o Google que Carl Sagan e Asimov opinam que Somnium, (sono, em latim) uma novela escrita por Kepler, astrónomo, matemático e astrólogo alemão, o autor das Leis de Kepler, é a primeira obra de ficção científica! Nela se conta que um estudante de nome Duracotus foi transportado para a Lua por forças ocultas. Eu pensava que a  moda tinha sido lançada por Julio Verne e H.G. Wells, um pouco mais tarde, somente no séc. XIX, o que apenas demonstra o quanto sou ignorante na matéria!  Julio Verne, como sabemos, escreveu sobre viagens à volta da terra, viagens no fundo do mar e no espaço, antecipando inúmeros prodígios tecnológicos. Wells trouxe a vida alienígena até à terra, inventou as viagens no tempo e o homem invisível.  Uma mulher, Mary Shelley, criou o conhecido Frankenstein no século XIX, um romance gótico, um conflito humanista entre criador e criatura! Mary foi longe mesmo sem ter de inventar viagens para nos mostrar um mundo novo: escreveu sobre um cientista que queria recriar a vida em laboratório. Em 1912, Edgar Rice Burroughs, que ficaria conhecido como o criador de Tarzan, escreveu sobre John Carter, um herói da Guerra Civil Americana que acorda em Marte, acabando por se envolver nas guerras marcianas. O filme John Carter de Marte , muito aguardado, estreou este ano e foi considerado um fiasco. Eu vi e não achei mau de todo. Talvez porque não esperava nada de bom.

E o termo sci-fi foi inventado por quem? Por Forrest J. Ackerman (1916-2008), um agente que representou mais de 200 escritores de ficção científica. Ele próprio também escrevia.  Mas ficou sobretudo célebre como fã e colecionador de tudo quanto se relacionasse com o género, um autêntico homem das tralhas. Ele foi grandemente responsável pela percepção da ficção científica como algo mais sério quer a nível da literatura quer do cinema.

Na época pré-internet nada se tornava viral a menos que fosse um vírus mesmo. Por isso, para que algo se tornasse popular, era preciso trabalhar no duro! Uma revista norte-americana contribuiu grandemente para a divulgação do género entre os leitores. Trata-se de Amazing Stories, lançada em 1926. A revista Amazing Stories ainda existe mas registou interrupções na sua actividade. Está prestes a inaugurar uma nova fase. The Hugo Awards são prémios entregues anualmente aos melhores trabalhos de escrita no âmbito da fantasia ou ficção científica e o seu nome é uma homenagem a Hugo Gernsback, o fundador da revista pioneira.

Uma outra revista, a Astounding Science Fiction, manteve a sua actividade em contínuo desde 1939 até ao presente. Mais um número está prestes a ser lançado. As revistas alimentaram um clube de fãs do género que por sua vez gerou mais escritores. Muito lentamente as histórias de ficção científica deixaram de ser consideradas peças de leitura fácil ou então sensacionalistas e começaram a ganhar o contorno de literatura. Para isso também contribuiu o facto de terem emergido talentos como Isaac Asimov, Robert A. Heinlein, Theodore Sturgeon, A. E. Van Gogt, Arthur Clarke ou Frederik Pohl.

O Google deu-me a descobrir ainda a Simetria - A Simetria é uma associação de leitores, fãs e autores de Ficção Científica e Fantástico, fundada em 1997, em Portugal. Li alguns artigos do seu blogue, espreitem o seu manifesto onde se lê, entre outras coisas que "Ser simplesmente apreciador de ficção científica em Portugal é não ter sequer hipótese de formar uma opinião informada, é não ter direito ao mau-gosto porque não lhe são dadas quaisquer alternativas de escolha. Aqueles que não têm remédio, optam pelos filmes e pelas séries, e serão eternamente pobres na escolha que fizeram." Ooops! O que pensarão eles de Collider, anunciado com pompa como "o primeiro filme português de ficção científica?" Então e Os emissários de Khalom? Então e Os abismos da meia noite? Nos anos 80 António Macedo era presença no Festival Fantasporto. Já se esqueceram dele?!

Mas deixemos os livros e as revistas na prateleira. No cinema foram George Meliès e Fritz Lang, com os seus Le Voyage Dans la Lune (1902) e Metropolis, (1927)  pequenos tesouros que qualquer cinéfilo adora, quem inaugurou o género. Em 2011 uma cópia a cores do filme de Meliès foi apresentada com pompa depois de ter sido descoberta e restaurada ao longo de vários anos. A banda francesa Air compôs uma banda sonora para o filme histórico.

Vamos agora também viajar no tempo, entrando em 1927, data em qu estreou Metrópolis,  e saindo nos anos 60. Nesse intervalo muita ficção científica chegou aos cinemas. Mas foi em 1968 Stanely Kubrick criou uma obra-prima da ficção científica: 2001, Odisseia no espaço. O argumento é da autoria de Arthur C. Clark. Tal como Kubrick também Neill Blomkamp, o director de Elysium,  quer usar a ficção científica para fazer crítica social.

Há quatro anos atrás District 9 , a estreia de Blomkamp como realizador, foi uma surpresa, uma boa surpresa. District 9 é visualmente inventivo. Com foco no apartheid, esta  parábola social mesclada com um toque de terror, como muitos filmes de ficção científica dos anos 40-50, consegue manter um tom realista para o que contribuem as entrevistas, o estilo "em documentário" de algumas passagens, as "notícias", a par do modo mais convencional do cinema de ficção. Os efeitos especiais são bons sem serem intrusivos. Quando as cenas de acção acontecem elas não chegam para trair nem as personagens - empáticas, bem caracterizadas, até mesmo os "Prawns"- nem a história a que assistimos. Pergunto-me porque é que Blomkamp em vez de nos ter apresentado Max deCosta, - um operário de uma linha de robots, interpretado por Matt Damon, que tem cinco dias de vida para se salvar e salvar o mundo, - não trouxe antes Wikus van der Merwe de volta?! Sabemos que ele está vivo, não é? Vive na favela sul africana, por esta altura já deve ter muitos amigos entre os Prawns e aguarda o regresso dos dois que voaram até à nave mãe! O mundo agradeceria muito uma sequela!

Existem pontos de contacto entre os dois filmes. Penso que todos os que viram District 9 se lembraram da área degradada de Joanesburgo ao seguirem Max. Não há muita diferença entre a favela militarizada, o campo de refugiados onde os extraterrestres de District 9 viviam exilados, uma vintena de anos depois de terem chegado ao planeta Terra, e a Los Angeles onde Max habita, uma parcela do inferno em que se transformou uma Terra doente, super-povoada, exaurida de recursos, insegura e policiada por robots. 

Havia em District 9 uma clara analogia com o apartheid, uma tensão crescente entre opressores e oprimidos. Em Elysium volta a dicotomia opressor - oprimido. Opressores são agora os detentores da riqueza e do poder, uma minoria de privilegiados que puderam literalmente comprar um lugar no céu. Os oprimidos são os que nada têm, os que ficaram para trás, sem serem mais reconhecidos como cidadãos de pleno direito. Os primeiros isolaram-se numa colónia espacial de nome Elysium, como em Campos Elísios, na mitologia, o céu, o paraíso. Elysium é uma roda prateada, um pouco como a roda de um hamster, em permanente rotação! Aí vivem despreocupados e protegidos dos males que assolam a Terra, a guerra, a fome, a doença, indiferentes ao destino da população que habita a superfície terrestre. Os que tentam alcançar Elysium em busca de salvação para as suas doenças são tratados como clandestinos, abatidos, ou então capturados e deportados. A fria e loira  Secretária de Segurança da estação espacial, a implacável, para não dizer psicopata, Delacourt, interpretada por Jodie Foster, assim garante. Não lhe falta sequer falta um cão de fila, um mercenário que vive junto dos desgraçados e que é, olha quem,  Sharlto Copley, o protagonista de District 9, mas aqui cheio de testosterona! 

Sai Copley, entra Damon, Hollywood manda. Damon, mais que empenhado, mas, desde o princípio do filme, um sofredor! A personagem de Max DeCosta não resulta em mais do que um mártir. Acumula desgraça em cima de desgraça, até final.  Em District 9 Wikus também sofre, física e emocionalmente, enquanto evolui de dedicado agente do Governo a proscrito. Mas não é um mártir nem um herói. O filme não precisava de um herói. Mas Elysium precisa e  Max  não chega lá. Para mim é uma das fraquezas de Elysium: a ausência de um herói assumido. Não chega cravarem-lhe um exo-esqueleto às costas para lhe dar força extra. Não chega saber que está em contra-relógio e que do que fizer depende, não apenas e já somente o seu futuro, como também o futuro de toda a população na terra. Não chega combater Kruger, vencê-lo e depois morrer para que os outros vivam. Elysium é assim um filme de acção, com as suas lutas bem encenadas, um vilão vociferante e incansável...mas sem um herói. 

Também a historieta de amor era mais que dispensável, não aquece nem arrefece nenhum coração da forma como é sub - explorada. Em suma é como o filme: não aquece nem arrefece nenhum coração quando devia haver um claro retorno emocional para o espectador. Ou estaria eu drogada no momento?! Não me parece, nem sequer comprei pipocas! Para um filme  que carrega uma tal mensagem de humanidade falta-lhe algo que nos agarre pelo coração e não pelos olhos. Porque visualmente é tudo perfeito, quer o caos da Los Angeles em ruínas, quer a vida tranquila que corre por entre jardins verdejantes e interiores de luxo do cintilante anel, como se os seus habitantes fossem todos estrelas de Hollywood. Até poderão aparecer Óscares nas categorias técnicas. 

Claramente gostei mais de District 9. O que não quer dizer que Elysium não valha o preço de um bilhete de cinema. Como blockbuster de Verão tem mais conteúdo que a maioria e não desaponta quando se procura entretenimento. Mais do que isso...talvez não. Ou alimentei expectativas demasiado elevadas. Ou, simplesmente, não se pode ter tudo. Blomkamp criou um híbrido quando se vendeu a Hollywood! Conclusão: é melhor ter menos dinheiro - District 9 - do que ter muito dinheiro - Elysium. É melhor ter um amigo desconhecido do grande público e pagar-lhe alguns rands - Copley - do que ter duas big stars - Foster e Damon - e pagar-lhes muitos dólares! Não se pode ter um filme de acção para fazer dinheiro na bilheteira, durante o verão, ao mesmo tempo que um manifesto sobre a desigualdade social, sobre os podres do capitalismo, mesmo quando o movimento Occupy está na berra. Não se pode fazer um blockbuster destes sem forjar um herói. Ou simplesmente havia uma forma melhor de contar esta história e Blomkamp não soube como. E agora? Sequela de District 9?

9/22/13

Teaser da 3ª temporada de Sherlock!




Mais televisão. No fim do jantar, ontem, aí pelas 21.30 horas, voltei a espreitar a TV. E desta vez apanhei um "episódio especial", era o que se lia, da série britânica Sherlock. Foi no AXN.  Pensei que o "especial" fosse "reposição" ou qualquer coisa assim. (Espreitei o site na internet e fiquei na mesma. Não sei se sou a única que não gosta dos sites destes canais, AXN, FOX e companhia. São confusos. Nunca encontro as respostas às minhas dúvidas.) 

Eu já tinha visto o teaser desta série há muito tempo e francamente torci o nariz. Não gostei do que vi, já mal me lembro. É normal. Pior do que os sites, só os teasers e os separadores que eles engendram! O copy é péssimo. (Hoje estou para malhar nos canais de TV!!) Lembro-me de ter pensado: mas o que é isto?! Mais Sherlock?!! Não sei quantos actores, quantas séries, quantos filmes existirão baseados nos contos do detective de Baker Street, mas mais que muitos. E, além do mais, confesso, não gostei do ar do Benedict Cumberbatch!! Aquela caracolada toda, o nariz impertinente, a boca em rasgo e os olhos de águia formam um conjunto estranho mesmo para o peculiar Sherlock Holmes. Dizem que tem um natural ar de "nerd", um ar de "geek", o que quiserem, para mim Cumberbatch deve ter ADN alienígena! Eu já o tinha visto, - e que bem - num papel secundário no filme A toupeira, ao lado de Gary Oldman. E também em Cavalo de guerra, de Spielberg. Mas só me impressionou MESMO no filme seguinte onde o fui encontrar, Star Treck, Além da escuridão, quando encarnou Khan Noonien Singh, um vilão de arrepiar. Cumberbatch é o que se recorda depois de sair do cinema. A sua interpretação tem de figurar no top das melhores na categoria vilões de sempre! Pena é que o filme não esteja ao nível do seu desempenho. A partir daí eu agendei mentalmente ver mais filmes com ele - e vêm aí bastantes - e lembrei-me que talvez devesse dar uma segunda oportunidade a Sherlock. Fiquei, pois, contente, quando descobri o "episódio especial", seja lá o que isso for.

Pesquisei na net, agorinha mesmo, e já percebi que existem duas temporadas de Sherlock e que a terceira já mexe. Pois bem, adorei o episódio especial de ontem, o AXN deve estar a recapitular antes de mostrar a terceira temporada, gostava era de saber quando. Este "episódio especial"é da segunda temporada e inspirado no livro Um escândalo na Boémia."Para Sherlock Holmes, ela é sempre a mulher. Raras vezes o ouvi mencioná-la sob qualquer outro nome. A seus olhos, ela eclipsa e domina todo o sexo feminino. Não que ele sentisse por Irene Adler qualquer emoção do gênero do amor. Todas as emoções, e essa em particular, eram detestáveis à sua mente fria, precisa, mas admiravelmente equilibrada." (Connan Doyle) Reconheci claramente a personagem, Irene Adler, que se envolveu num escândalo com o Rei da Boémia. Em seu poder ela tinha uma foto comprometedora e então Sherlock é chamado a recuperá-la, encontrando em Irene Adler uma oponente quase à altura. Se este episódio for uma amostra da série só posso afirmar que Sherlock é sublime. Eu não sigo mais que uma série ou duas por ano, mas vou vendo episódios desta e daquela, que apanho à socapa, no zapping. É raro ficar tão deslumbrada com apenas um episódio.


Esta série adapta os livros de Doyle aos nossos tempos o que só por si é uma aventura arriscada. Sempre que se mexe um bocadinho com a personagem Sherlock Holmes as  reações disparam. Lembram-se da discussão em torno do filme Sherlock Holmes de Guy Rytchie ? Nem mesmo a presença de Robert Downey Jr. sossegou o pessoal, em especial o mais purista. Eu gostei dos filmes mas aquilo não é Sherlock, não é Holmes, não é Doyle. Façam o teste: dêem outros nomes às personagens, por exemplo, Elias e Ziegfried, e rebobinem os filmes nas vossas memórias. Onde está Doyle? Ainda assim são grande espectáculo e muito divertidos, eu gostei. Mas facto é que todos os grandes apreciadores de literatura de mistério são particularmente sensíveis a esta matéria da adaptação dos livros de Arthur Connan Doyle ao cinema ou à TV. E além disso Jeremy Brett fez um tal bom trabalho que ninguém admite que se belisque a sua criação! Mas eu só tenho uma palavra para descrever este Sherlock contemporâneo: brilhante. Ou duas: brilhante, brilhante!


É surpreendente, de facto, que na minha anterior postagem sobre Crossing Lines eu me confesse enfadada com o crime e os seus detectives, e agora tenha tido este coup de coeur por uma série que, dirão vocês, não traz nada de novo. Histórias e personagens velhas de dois séculos, de novo as velhas intrigas movidas pela caça ao homem e ainda por cima segundo o método científico e a lógica de um detective vitoriano?!! Bastou vestir Sherlock de contemporaneidade? Bastou isso? Sim! Que golpe de mestre. Se Guy Ritchie se tem lembrado disso teria sido de génio! Têm de ver para crer. É que uma ideia destas podia ter corrido tremendamente mal. Mas, acreditem, a série está fantástica.



Holmes terá sido o percursor da ciência forense. Mas o mundo pós-Doyle evoluiu, a ciência criminal evoluiu. Até os criminosos tiveram de evoluir.Surgiram novas tipologias de crime. Os motivos do crime, tal como  no séc. XIX, podem ser os mais diversos, o dinheiro, o ciúme, segredos. Mas o investigador e o seu espírito dedutivo continuam a ser a chave para resolver o problema. No centro da investigação criminal o elemento humano é sempre decisivo na busca da verdade. As personagens vitorianas absorveram a modernidade como se Sherlock Watson fossem body snatchers, perfeitamente adaptados às novas tecnologias, aos novos procedimentos de investigação e ritmos da vida moderna na cidade londrina. 

A história desenrola-se com uma estonteante naturalidade mas Sherlock não captura a realidade dos nossos dias tout court. A série resulta antes numa encenação que nos transporta ainda para um claro espaço de ficção. A (re) criação permanece guiada pela visão de Connan Doyle, o espírito, a atmosfera dos grandes mistérios continua presente. A equipa não caiu na tentação dos efeitos, especiais ou não, apenas algumas graças, como o texto sobre as imagens, a par de curiosas utilizações da câmera, ângulos pouco usuais, uma edição cuidada, enfim uma direção muito criativa, apoiada por ambientes interiores e exteriores de luxo e música no tom certo. Escutem a banda original de Sherlock (abaixo) e observem como a própria música, mais do que criar atmosferas, parece também ela contar pequenas histórias misteriosas.




And last but not least, Benedict Cumberbatch, porque diabo não deixou ele de parte este horrível nome de família?! Cumberbatch soa a tudo menos a actor de talento! (Mas até lhe fica bem, depois de nos habituarmos.) Não imaginaria, tendo visto aquele teaser idiota há tanto tempo, que Cumberbatch poderia ser tão magnífico. Sherlock Holmes é uma personagem cheia de singularidades.  É um detective  brilhante, friamente dedutivo, que pratica a observação como arma. Astuto e dono de todas as certezas, egocêntrico, balança entre a admiração de uns e a antipatia de outros. Tenho para mim que Cavaco Silva deve ser fã de Sherlockdaí a célebre "Nunca tenho dívidas e raramente me engano.” Holmes é também anti-social, culto e dono de certos interesses e hábitos particulares, para não lhe chamar manias. Cumberbatch torna-o intenso e imensamente divertido. O seu amigo pragmático, Watson, também está muito bem entregue a Martin Freeman, que tem uma prestação muito mais activa do que em anteriores adaptações. Watson afronta Sherlock com os seus comentários certeiros e sem medo e é também ele uma personagem interessante e não um mero parceiro. Grandes interpretações dos principais, secundários muito afinados também, diálogos muito bem escritos! Humor, insolência, suspense, acção, drama, está tudo lá. E ainda só vi um episódio. Será que é bom de mais para ser verdade?
"I'm a high functioning sociopath! Do your research."




9/19/13

Crossing Lines no AXN



As manhãs e as noites frescas já nos lembram que o Inverno está para chegar. Não sei porquê mas com a chegada do frio eu caio sempre na tentação de ligar a TV e acabo por descobrir uma qualquer série que depois sigo durante o Inverno. Foi assim que acabei por assistir à estreia de Crossing lines no canal AXN. Andava eu no zapping e a constatar que nada mudou desde o Inverno passado quando aparece o William Fichtner. Em Prison Break ele interpretava o agente Alex Mahone. Alex foi a minha personagem favorita. Mahone teve um percurso muito interessante, de polícia a vingador, penso que deve ter conquistado uma legião de fãs! Na altura pensei que Fichtner tinha hipóteses de dar o salto da TV para o cinema, sem saber que ele já andava por lá e que eu até já tinha visto filmes onde ele tinha entrado. Infelizmente Fichtner só consegue pequenos papéis. Em Elysium, o mais recente filme onde o catrapisquei,  a sua personagem, Carlyle, também não dura muito tempo. Foi por causa dele que parei o zapping e comecei a ver Crossing lines. 

Já não tenho muita paciência para estas histórias de polícias e ladrões, ou assassinos, pois o filão tem sido mais que explorado. Mas a série conseguiu intrigar-me. Boa atmosfera, excelente fotografia. Tecnicamente não há nada a contrapor. Acabei por ver o episódio piloto e ficar para o segundo. E, é claro. Fichtner.  Fichtner é Carl Hickman, um polícia nova iorquino atraiçoado pelos seus chefes no seguimento de um infortúnio que o deixou com a mão direita inutilizada e dependente de morfina. Incapaz de segurar uma arma ou mesmo de escrever relatórios, segundo suas próprias palavras, Hickman vive numa caravana e apanha lixo numa feira - descobriremos mais tarde que não está ali de forma inocente - quando o Major Louis Daniel lhe oferece uma segunda oportunidade numa super-equipa de profissionais que lutam contra o crime. Por esta altura, ou talvez um pouco mais adiante, eu já deitava as mãos à cabeça: Hickman era uma espécie de House MD, um profissional brilhante, mal tratado pela vida e por isso amargo com tudo e todos, e dependente de um fármaco! OMG! Mas que decalque! 


Rapidamente percebi que a equipa reunida além de ser formada por profissionais de elite é também  multicultural, composta por agentes de vários países, e o seu objectivo é solucionar crimes que se desenrolem no território europeu. Et voilá, temos uma espécie de "Liga da Justiça"  europeia. Pode ter alguma piada ouvir falar inglês com diversos sotaques, francês, irlandês, alemão, italiano. Ou não. Ainda não me decidi quanto a isso. É sem dúvida interessante jogar com a diversidade cultural. É uma aposta boa mas vamos ver se não se ficam pelos sotaques. Também pode ser atraente ver outros cenários que não as tradicionais cidades norte-americanas. Isso é refrescante, sem dúvida. Mas os crimes vão ser os mesmos de sempre e isso não me deixa lá muito entusiasmada, saturada que estou de tantas séries que vi, todas semelhantes. E mais do mesmo foi mais ou menos o que aconteceu. Apresentaram-nos os bons da fita. Deu-se início à caça ao homem. Homem caçado, caso encerrado. Déjà vu. 


Fiquei depois a saber que a série é europeia, mas, mas, apesar da série ser europeia, ela parece feita nos Estados Unidos, foi feita à maneira das séries que estamos habituados a ver, quanto a isso não há qualquer novidade. E é pena. Mas, lá está, isto é um negócio e Crossing lines também se quer a cruzar as fronteiras e a ser vista fora da Europa, nos EUA certamente e nos outros países que já foram “colonizados” pelo modelo americano de investigar e resolver crimes. (Suspiro.) 

Quem está a mexer os cordelinhos em Crossing lines  é Edward Allen Bernero, produtor executivo de Mentes Criminosas e de Third Watch, que,  de acordo com o que vi em alguns minutos no "Insider" que transmitiram a seguir, já foi polícia e tem muito interesse na história das instituições policiais. Disse ele que quando os estados da Europa se associaram passou a existir aqui uma situação muito semelhante à dos EUA, nomeadamente no que toca ao surgimento do FBI, e que foi isso que o inspirou para criar esta série, estas personagens e uma espécie de FBI europeu. Ontem à noite eu estava especialmente cansada e nesse momento fiquei confusa. Ele estaria a referir-se a quê exactamente?!! Lembrei-me da INTERPOL, aquela organização internacional que ajuda na cooperação de polícias de diferentes países e que já é mais velha que as nossas avós e que todos nós nos lembramos de estar bem activa aquando do desaparecimento da Madeleine MaCann. Para Bernero estar tão empolgado com a sua ideia ele não poderia estar a referir-se a esta instituição pois não?! Pois não?!! O Major Daniel tem um encontro com um respeitável Michael Dorn e ele, nem mais nem menos que o veterano Donald Sutherland, entrega-lhe uma autorização legal para a actuação da equipa com origem no ICC - International Criminal Court ou seja,  Tribunal Penal Internacional, em Haia?! (Isto não fez muito sentido para mim.) Era preciso dar esta volta para " europeizar" a coisa? Não bastava que a equipa fosse uma célula especial da Interpol, por exemplo? Pelos vistos não. E está feito, assim surgiu o "FBI Europeu” do sr. Bernero. O Donald Sutherland tornou-se o equivalente branco de Morgan Freeman: sempre que se quer seriedade e respeitabilidade aí temos ou a voz de um ou a barba de outro. A gente nem questiona. Mas da parte dele só espero o melhor, não é ele que me preocupa.

Crossing Lines é uma  série da produtora alemã Tandem Communications em parceria com a francesa TF1 Productions e as americanas Bernero Productions e Sony Pictures Television International (SPT). Da SPT também sairam The Firm - eu vi apenas um episódio - e Hannibal, de que não vi nem sequer um teaser. São 10 episódios. Na Europa o people tem gostado das aventuras da super-equipa-internacional. Mas nos EUA o interesse foi mirrando a cada episódio. Todavia Crossing lines foi renovada porque terá vendido bem a nível internacional. Pode ser que os super-investigadores venham até Lisboa ou Porto ou Algarve, porquoi pas

Apenas com dois episódios na bagagem ainda é cedo para dizer mais. Se não fosse a presença de Fichtner eu talvez nem tivesse visto o segundo episódio. Surgiram algumas histórias paralelas ou sub-plots que não me deixaram particularmente curiosa. Também não apreciei que em dois episódios se resolvesse a história principal. Foi tudo relativamente fácil, relativamente simples, sobretudo tendo em conta que estamos perante uma equipa  enorme e especializada. Um dos elementos não sobreviveu ao 2º episódio, óptimo, a equipa ficou mais petite. Reconheço que talvez possa estar a ser demasiado exigente. Reconheço que para mim o crime já deu o que tinha a dar! Não me parece que tenha série para o inverno, nem com o Fichtner a colar adesivos de morfina no peito de meia em meia hora! Je suis desolée, mon chér, mas não estou comovida. Há uma fronteira que nos separa! Fica para a próxima série.

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