2/17/13

Joaquin Phoenix afoga-se em nome dos peixes


"In water, humans drown just as fish suffocate on land. It's slow and painful and frightening. And we do it to more than one trillion fish every » VIDEO

Nos anos 90 os cinéfilos ficaram chocados com a morte prematura de River Phoenix, à porta do clube nocturno de Johnny Depp, por overdose, após a sua participação em alguns filmes - My own private Idaho, Stand by Me, e outros -  fazer adivinhar um actor promissor. Uns anos mais tarde o irmão mais novo começou a destacar-se no meio cinematográfico e é hoje um actor aclamado, sobretudo graças a To die forGladiator e Walk the line. Espero vê-lo em The Master, um destes dias, e tenho a certeza que vem aí mais um papelão.  Joaquin também é um defensor dos animais, como o são muitas outras estrelas de Hollywood. Agora, o anúncio que fez para a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals - pessoas pelo tratamento ético dos animais) foi, segundo esta afirma, considerado controverso pela ABC e por isso, no dia 24, aquando da Cerimónia dos Óscares, a TV não vai mostrar as imagens de agonia de Joaquin a afogar-se em nome dos peixes. The show must go on e de preferência sem cenas choque.

O video foi realizado pelo também defensor da causa animal Michael Muller,  que se tem dedicado a filmar os tubarões para nos revelar a sua verdadeira natureza. Nas imagens vemos o actor Joaquin Phoenix  a afogar-se enquanto critica a forma como matamos os peixes e pede para nos colocarmos no lugar deles. Tanto o peixe fora de água como o humano dentro dela morrem por privação de oxigénio. A definição de sufocar é clara: “Matar pela privação de ar nos pulmões ou nas guelras". A morte é lenta e ocorre de forma consciente. A ideia é clara, mas eu não gostei de ver o Joaquin submerso e  a borbulhar, e até percebo que o video seja algo incómodo. Eis a página da PETA e de Joaquin Phoenix sobre o video.  Qual é a vossa opinião?

Eu concordo que precisamos de sensibilizar a população para o facto dos peixes também sentirem dor, tal como os cães, os gatos e os mamíferos em geral. São animais, meu estúpido, é quase o que a PETA nos parece querer dizer, como se por causa de algum curto-circuito na nossa inteligência nos tivéssemos esquecido disso. Mas a verdade é que esquecemos. Os peixes são por nós percepcionados num capítulo à parte. A nossa empatia para com os animais de barbatanas parece ser prejudicada pelo facto deles viverem num particular meio, para nós algo inóspito. Por um lado, estão mais longe da nossa vista, logo também do nosso coração. Por outro, eles respiram dentro de água e nós, não. Nós, com as nossas garrafas de oxigénio às costas, apenas parecemos uns anormais deslocados, um peixe fora de água, sempre com o tempo contado e a medir 40 metros de profundidade, sim, para mergulhar temos de fazer curso, os peixinhos, bah, é com uma perna às costas, é o seu meio. Assim, entre o distanciamento e a inveja, quando os peixes aparecem no prato, fritos, grelhados, estufados ou assados, são comidos com muito menos remorsos do que um coelho ou até uma galinha. Peixe nem puxa carroça, dizem muitos, o peixe é apenas um update às saladas, um bicho que dá jeito existir para quem não tem perfil de grilo e precisa de se agarrar a alguma proteína digna para justificar que se alimenta. 

Em Setembro eu passei o mês inteiro sem comer carne nem peixe. Quando o mês chegou ao fim eu estava cheia de saudades dos peixinhos. Deixar de comer peixe? Usar um pin ao peito a dizer "os peixes não são para comer, os peixes são nossos amigos"? Sim, eles são os nossos deliciosos amigos, é verdade. Aliás, tudo o que vem do mar é uma deliciosa benção da Natureza. O que não justificará a utilização de métodos bárbaros uma vez tomada a consciência de que existe uma melhor maneira de fazer as coisas. A principal diferença entre nós e os animais é que nós, ao contrário deles, podemos fazer escolhas. Mas isso em relação a todos os animais que temos de abater para comer e não apenas em relação aos peixes. Dir-me-ão que não vale a pena discutir ou sequer pensar esta questão. Que há mais problemas no mundo e mais prementes do que discutir e pensar a questão. Sim, os peixes são criaturas capazes de sentir dor e para aparecerem no nosso prato passam por um tratamento cruel, uma morte lenta e agonizante, consciente, apenas porque somos poderosos e podemos fazê-lo. Se é preciso tornar-me vegetariana para advogar que temos - porque podemos -de pensar e discutir isto é que já contesto. Não estarão a pedir demais de uma vez só? Mas percebo onde querem chegar: se não houver procura para peixe, deixará de haver quem mate o peixe. Ora, isto é que me parece um pouco ingénuo. Que não fiquem ofendidos os vegan que me lêem, mas eu não acredito numa tão grande mudança. Não seria melhor batalhar a sério pelo abate com dignidade de todos os animais que entram na nossa alimentação? Na Natureza vemos que os animais se caçam uns aos outros sem piedade, é a lei da sobrevivência. Mas eles não perdem tempo e em muitos casos o método de morte foi de tal forma aperfeiçoado que se tornou o mais rápido e letal possível. Então aprendamos isso com eles para que o Joaquin Phoenix não precise mais de se afogar em nome dos peixinhos.

A PETA tem um kit para ajudar quem quiser fazer a transição para uma alimentação sem peixe ou peixe, também está disponível em versão pdf.

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