2/27/13

As crianças, os animais e o McDonald's



Alguém juntou todos os teasers da Conferência FMX 2013 - Conference on Animation, Effects, Games and Transmedia - e meteu a circular este animado video  no Facebook dando-lhe um cunho mais pedagógico ao perguntar - O que aconteceria se os animais fossem ao McDonald's comer?! Eu não tenho grande simpatia pelo MacDonald's, como já tive oportunidade de referir aqui, e vou já aproveitar para enviar este video ao meu sobrinho, feita tia galinha! 

Não quero parecer pedante, mas a verdade é que ir comer ao  Mac nem sequer é barato - com a crise que aí está muitos restaurantes servem refeição completa a pouco mais de 5 euros com café expresso e tudo!Talvez seja preciso procurar um pouco mais do que pelo Mac mais próximo, mas a oferta existe.  Mais fresca, menos processada e possivelmente de melhor qualidade. Mas não conseguem competir com o Mac que, com a sua publicidade cativante na TV, cores e música alegres, pessoas de todas as idades sorrindo como se um hamburguer do Mac fosse um passe para a felicidade, agarra as crianças pelos olhos, antes até de ser pela língua, e dá-lhes a volta ao cérebro que ainda não está preparado para digerir estes engodos. Os pais vão atrás dos filhos! Começa com as idas ao cinema no fim-de-semana,o bilhete e a refeição no Mac, juntos, são mais baratos. A isso soma o herói do filme, feito em plástico made in China, que vem dentro da caixa é um pack irresistível.  E como os Mac estão quase sempre instalados em locais centrais, pimba, é ver miúdos e graúdos todos reunidos à mesa a mordiscar batatas fritas e a beber Coca-Cola. 
Muitas crianças apresentam actualmente problemas de obesidade. Nos meus tempos de criança os miúdos gordos contavam-se pelos dedos de uma mão. Eram raras as crianças gordas, eram até mais estigmatizadas do que são hoje, creio que sofriam mais, eram os "buchas". Hoje, muitas, muitas crianças, têm peso a mais para a sua idade pelo que entre pares já ninguém acha que isso seja um traço assim tão digno de gozo, tornou-se normalidade. Gradualmente os miúdos começaram a alimentar-se pior do que nós, quando éramos da idade deles. Na década de 70 a publicidade não era forte como é hoje, ainda se vivia sob o domínio da censura em Portugal, havia jornais, revistas, rádio e TV, tudo muito controlado. Havia mercearias, começaram a aparecer os supermercados, mas as suas prateleiras não eram o reino da abundância que são hoje. Com uma oferta reduzida à disposição da maioria das famílias por um lado, e, por outro, com a inexistência de programas diversificados de TV, consolas e computadores ainda distantes, a vida era mais física e menos digital, as crianças não passavam tanto tempo sentadas e brincavam ao ar livre, exercitando-se, com uma liberdade e segurança que hoje desapareceu.
O hábito do fast-food pode ficar pela vida fora se não tivermos o cuidado de fazer uma lavagem cerebral aos pequenos. Até à adolescência é um pulo e daí em diante não há como ter mão neles, ficam entregues a si, uns arrepiam caminho, outros acabarão jovens tão redondos como os animais redondos do filme animado, depois crescerão adultos com problemas de saúde quase certos, viverão menos saudavelmente e menos tempo. O Mac pode não ser o inteiro responsável mas ajuda muito e, aceitemos ou contestemos, tornou-se o símbolo deste calvário alimentar moderno.

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