2/27/13

As crianças, os animais e o McDonald's



Alguém juntou todos os teasers da Conferência FMX 2013 - Conference on Animation, Effects, Games and Transmedia - e meteu a circular este animado video  no Facebook dando-lhe um cunho mais pedagógico ao perguntar - O que aconteceria se os animais fossem ao McDonald's comer?! Eu não tenho grande simpatia pelo MacDonald's, como já tive oportunidade de referir aqui, e vou já aproveitar para enviar este video ao meu sobrinho, feita tia galinha! 

Não quero parecer pedante, mas a verdade é que ir comer ao  Mac nem sequer é barato - com a crise que aí está muitos restaurantes servem refeição completa a pouco mais de 5 euros com café expresso e tudo!Talvez seja preciso procurar um pouco mais do que pelo Mac mais próximo, mas a oferta existe.  Mais fresca, menos processada e possivelmente de melhor qualidade. Mas não conseguem competir com o Mac que, com a sua publicidade cativante na TV, cores e música alegres, pessoas de todas as idades sorrindo como se um hamburguer do Mac fosse um passe para a felicidade, agarra as crianças pelos olhos, antes até de ser pela língua, e dá-lhes a volta ao cérebro que ainda não está preparado para digerir estes engodos. Os pais vão atrás dos filhos! Começa com as idas ao cinema no fim-de-semana,o bilhete e a refeição no Mac, juntos, são mais baratos. A isso soma o herói do filme, feito em plástico made in China, que vem dentro da caixa é um pack irresistível.  E como os Mac estão quase sempre instalados em locais centrais, pimba, é ver miúdos e graúdos todos reunidos à mesa a mordiscar batatas fritas e a beber Coca-Cola. 
Muitas crianças apresentam actualmente problemas de obesidade. Nos meus tempos de criança os miúdos gordos contavam-se pelos dedos de uma mão. Eram raras as crianças gordas, eram até mais estigmatizadas do que são hoje, creio que sofriam mais, eram os "buchas". Hoje, muitas, muitas crianças, têm peso a mais para a sua idade pelo que entre pares já ninguém acha que isso seja um traço assim tão digno de gozo, tornou-se normalidade. Gradualmente os miúdos começaram a alimentar-se pior do que nós, quando éramos da idade deles. Na década de 70 a publicidade não era forte como é hoje, ainda se vivia sob o domínio da censura em Portugal, havia jornais, revistas, rádio e TV, tudo muito controlado. Havia mercearias, começaram a aparecer os supermercados, mas as suas prateleiras não eram o reino da abundância que são hoje. Com uma oferta reduzida à disposição da maioria das famílias por um lado, e, por outro, com a inexistência de programas diversificados de TV, consolas e computadores ainda distantes, a vida era mais física e menos digital, as crianças não passavam tanto tempo sentadas e brincavam ao ar livre, exercitando-se, com uma liberdade e segurança que hoje desapareceu.
O hábito do fast-food pode ficar pela vida fora se não tivermos o cuidado de fazer uma lavagem cerebral aos pequenos. Até à adolescência é um pulo e daí em diante não há como ter mão neles, ficam entregues a si, uns arrepiam caminho, outros acabarão jovens tão redondos como os animais redondos do filme animado, depois crescerão adultos com problemas de saúde quase certos, viverão menos saudavelmente e menos tempo. O Mac pode não ser o inteiro responsável mas ajuda muito e, aceitemos ou contestemos, tornou-se o símbolo deste calvário alimentar moderno.

2/26/13

Ouriços e azeitonas!



O MoMA - Museum of Modern Art, foi fundado em 1929 e procura criar um diálogo entre o passado e o presente, as regras estabelecidas e o experimentalismo, tornando a arte acessível a público de todas as idades. O MoMA tem diversas lojas físicas - em Nova Iorque e até em Tóquio - repletas de objectos interessantes e plenos de bom gosto, mas foi na loja online que encontrei este gracioso ouricinho. Tenho uma paixão por estes animais e penso que são inspiradores para muitos artesãos, designers e criativos que produzem lindas peças para nosso agrado. Além de gostar de ouriços, e sendo portuguesa, também aplaudo as azeitonas que estão sempre presentes na minha alimentação, sózinhas, a acompanhar ou mesmo disfarçadas nas receitas. Adoro. Eis, portanto, uma combinação perfeita, ouriços e azeitonas!

2/24/13

Fantasporto 2013

Hoje a atenção dos cinéfilos está com os americanos Óscares, mas a 33ª edição do Fantasporto, o grande festival de cinema de Portugal e um dos 25 maiores do Mundo de acordo com indicação da revista Variety, vai começar amanhã, dia 25, e prolongar-se até 10 de Março. A semana de 1 a 10 de Março é dedicada, como habitualmente, às competições internacionais Secção Oficial Cinema Fantástico de longas e curtas metragens, Secção Oficial Semana dos Realizadores, Secção Oficial Orient Express, Cinema Português (filmes e escolas). Consultem a programação para não perderem aquele filme que esperavam ver ou um evento mais particular. Já sabem, até 10 de março, os caminhos do cinema vão todos dar ao Porto!

Apenas alguns destaques:
Pieta, do sul coreano Kim Ki Duk, que realizou O bordel do lago, e O arco. 
Ace attorney, do japonês Takahsi Miike, que realizou Icht the killer e 13 assassinos. 
Mamã, do realizador Andrés Muschietti e produzido por Guillermo del Toro.
Insensíveis, de Juan Carlos Medina, co-produção de Espanha, Portugal e França.
The Deep Blue, um drama britânico de Terence Davies, que deu a Rachel Weisz uma nomeação nos Globos de Ouro como Melhor actriz.
Robot and Frank, obra de estreia de Jake Schreier, com Frank Langella.

Berberian Sound Studio, de Peter Strickland, com o estupendo Toby Jones.
The Tall Man, do realizador francês Pascal Laugier, com Jessica Biel.

Alegria! Novo CD de Cristina Branco!


Alegria! Alegria! 
O novo disco de Cristina Branco chega para a semana! 
Ouçam uma amostra dos temas do novo CD desta brilhante artista portuguesa!

Desejos de chocolate!

Hoje acordei com uma vontade a chocolate que não me seguro. Não tenho nem uma pequena barra em casa e está frio lá fora, mesmo se há sol, e não me apetece largar nem o pijama nem o robe quente! E que tal enganar os olhos com estas propostas? Parecem verdadeiras barras de chocolate, cheiram a chocolate, mas, claro, não servem para comer! Como grande chocolateira que sou, confesso que gostava de ter quer a carteira quer o porta-moedas! E dentro poderia guardar chocolate verdadeiro para as emergências!! Que tal? A calculadora também dá jeito para fazer as contas às calorias ingeridas e ao peso extra no final do mês!


O fim do Hotmail!

O que há de novo
Para mim, como cantam os REM, "it's the end of the world as we know it"! Só que eu ainda não me estou a sentir completamente bem com a mudança! Tenho desde a semana passada na minha caixa de correio um convite para fazer o upgrade do Hotmail para o Outlook. Uma migração automática irá acontecer se eu não cuidar do processo. Fiquei mais tranquila quando li que manterei as informações antigas, incluindo senha, mensagens, pastas, contatos, regras, respostas automáticas etc. O usuário ainda poderá escolher se fica com o endereço @hotmail.com, ao invés do @outlook.com. Lançado em julho de 1996, o Hotmail foi um dos primeiros serviços de email da internet e tornou-se um dos mais populares do mundo. 

A verdade é que, com o tempo, o Hotmail ficou associado a spam. Também havia questões de segurança mas nunca tive qualquer problema. Por outro lado o Gmail ultrapassou em muito o Hotmail em funcionalidades e popularidade, tornou-se um gigante e o Hotmail não acompanhou. Eu também uso, mas nunca deixei o Hotmail de parte. Outlook eu sempre achei que era uma coisa das empresas e por isso, em casa, eu nunca o quis instalado! Identificava-o como gerenciador de emails, não como conta de email, mas também era possível ter conta Outlook. O Hotmail é uma marca da Microsoft que anda, pelos vistos, apostada em arrumar a casa. Acabou com o MSN que vai ser substituído pelo Skype já a partir de Março, e agora dá a machadada final no Hotmail, uma morte que já vinha sendo anunciada, mas que em Junho será certa.

As promessas são boas promessas: o Outlook oferece integração com o SkyDrive, um serviço que permite armazenar ficheiros em nuvem e enviá-los aos nossos contactos sem a necessidade de anexar na mensagem. Outro recurso do Outlook é a possibilidade de visualizar documentos em formato Excel, Word e PowerPoint directamente da caixa de entrada.Outra novidade é a integração com o Skype, que foi adquirido há poucos meses pela Microsoft. Com ele será possível realizar chamadas diretamente do e-mail.
A caixa do Hotmail
Eu vou manter o nome Hotmail depois da migração, nem que seja em homenagem!! Sou uma pateta sentimental, mas este foi meu primeiro email, criado pelo Xano,(Alexandre Ferreira, meu bom amigo!) pois eu não sabia o que aquilo era, nem sabia criar uma conta, muito menos tinha alguma vez usado! Ou seja, estou no Hotmail desde que comecei a utilizar a internet, isso talvez tenha acontecido em 1997, o que significa que uso o Hotmail há 15 anos!

Para convenceram as pessoas a utilizar o Outlook foram lançados materiais diversos. Vejam os videos.

A história da senhora romena

Era uma vez dois rapazes que entraram num comboio com uma cadelinha, mas que não compraram bilhete para o animal. O revisor perdeu a cabeça e chamou a GNR por causa de 2 euros...e foi um pandemónio. Já escrevi sobre esta história na minha anterior postagem. Mais de 5000 partilhas levaram a história do Facebook às folhas da comunicação social e suscitaram um mar de comentários. E eis que de dentro da história pula outra história, a da senhora romena. "O episódio é lamentável mas quando se comenta "Sra Romena" o texto torna-se mais lamentável que o episódio.", escreveu um conhecido meu. Outros comentadores referiram que em virtude da tirada racista e xenófoba da Manuela Melo já não partilhavam a sua história. Alguém dizia até que não tinha qualquer vontade de conhecer a pessoa que escreveu o relato - não que a MM tivesse em algum ponto do relato manifestado qualquer vontade de conhecer pessoas! Nada disto é novo nas redes sociais. Mais uma vez, somos todos diferentes, todos temos a nossa opinião, uma é minha, a outra é tua, a outra é de quem a apanhar. São para todos os gostos, como fruta fresca na praça. Qual é a minha opinião sobre a história da senhora romena? A minha opinião é que, de repente, esta malta que não anda num comboio há anos, que abomina o Dia Internacional sem Carros, que não dá um passo sem o seu popó,  que até detesta partilhar o elevador com o vizinho, que nunca partilhou uma carruagem com gente a suar em bica em pleno verão, que nunca apertou a mão a um romeno, a um kosovar, ou a um marroquino, entendeu que não importa divulgar mais uma história de brutalidade policial no nosso presente e conturbado contexto nacional, como se, com isso fosse melhorar em muito a condição da senhora romena e decerto punir a racista da Manuela Melo, que, pelo teor da escrita, está-se a ver, deve ser  um monstro insensível, racista até à medula, e que, mostrando-se condoída pelo tratamento que o revisor e GNR deram aos rapazes e até à cadelinha, e ainda com hipóteses de velhinhos brutalizados, apenas nos quis atirar areia para os olhos e esconder a sua verdadeira e vil natureza de de monstro xenófabo. Desculpem-me, mas é só rir. Como utente de anos da CP assisti a muita coisa.Como trabalhadora da área social também privei de perto com minorias. A questão dos odores não é assim tão insignificante como  muitos pensam. Muitos dos que escreveram nem pensaram nisso a sério. É realmente um incómodo e quando eu compro um bilhete eu tenho direito a um bom serviço. Seja no comboio, seja no avião, onde também já passei das boas. As pessoas interpretaram o que a MM escreveu como sendo uma maldade, eu até leio ali alguma inocência da parte dela, quando ela diz que prefere viajar com uma cadelinha do que com uma pessoa que cheira mal. Eu tenho que dizer que concordo, fruto da experiência, é mesmo assim. 

Decreto Lei n.º 58/2008, de 26 de Março refere que a CP deve prestar o serviço objecto do contrato de transporte com segurança e qualidade pelo que os revisores a quem as pessoas já sinalizaram o caso da senhora romena já deviam ter actuado. Porquê? Porque a CP está obrigada a prestar um serviço de qualidade. A qualidade inclui a higiene do espaço e o espaço inclui o ar que se respira. Daí haver preocupações expressas com a higiene das carruagens e o transporte de produtos que possam sujar ou incomodar de alguma forma os passageiros. Também sugiro a leitura dos Deveres e Obrigações dos Passageiros, é uma longa lista, o art. 6º, que já referi neste blogue uma vez a propósito de um incidente na linha Coimbra- Figueira da Foz que utilizei frequentemente durante anos, e que menciona, por exemplo, preocupações com a colocação de volumes pesados ou sujos sobre os bancos ou pés apoiados directamente sobre os estofos, sujar as carruagens, utilizar aparelhos sonoros ou fazer barulho de forma a incomodar os outros passageiros, praticar actos ou proferir expressões que perturbem a boa ordem dos serviços ou incomodem os outros passageiros. Um revisor escrupuloso já teria tentado, por exemplo, relatar a situação à assistência social. Mas se o fizer se calhar não ganha medalhas de cortiça. Se, como diz MM, toda a gente sabe da situação a que ela se refere, é porque a pessoa vive naquela comunidade, em Ovar. Alguém devia averiguar a situação da senhora romena e tentar ajudá-la. É isso que eu acho e não vejo ali grande racismo, o que eu vejo é uma pessoa que está a incomodar as outras com o seu odor corporal, de forma intensa e continuada, tal como uma pessoa que todos os dias entrasse naquele comboio e começasse a afinar e  ensaiar escalas num instrumento musical. Eu própria talvez tivesse referido a senhora de forma igual, uma senhora romena, ou uma senhora espanhola, tal como diria uma senhora loira, uma senhora ruiva, e nem pela cabeça me passaria estar a atacar a sua raça. Estarei a ser ingénua? Há quem entenda que estamos perante racismo puro e duro, e que a MM cometeu um erro capital pois distraíu as pessoas do essencial, a história dos rapazes e da cadelinha. Bah. E, perante estas leituras no Facebook apenas me pergunto se alguma vez teremos hipóteses de vir a cultivar o bom senso como regra de vida, uma vez que estamos todos a criticar o revisor do comboio mas somos afinal tão complicados quanto ele mesmo!

2/23/13

Transporte de cães em comboios - saiba como fazer.




Na quinta-feira apareceu este relato no Facebook, acompanhado de fotos e um video no Youtube:
Eu viajo diariamente do Porto para Aveiro mas nunca tinha acontecido algo tão mau. Um rapaz entrou na estação de Ovar, ao que me apercebi, com uma cadelita (super meiga e muito novinha), eu sei que os animais devem viajar com algumas condicionantes mas este rapaz entrou, dirigindo-se calmamente para o final do comboio. O revisor implicou com o facto de a cadelinha não ter bilhete (ninguém sabia que os animais pagavam bilhete, sabiam? eu não). O comboio parou a marcha na estação de Estarreja, o revisor chama a polícia para tratar da situação. Os passageiros revoltam-se e até se oferecem para pagar os 2€ do bilhete (algo que o dono já tinha proposto), no entanto, o revisor não permitiu (alguém que realmente zela pela CP!!!!). Pois... mas o problema é o facto do revisor não se lembrar que aquele é o meio de transporte de muita gente que se lavanta às 06H30 da manhã para ir trabalhar para a Invicta (imbecil) e fez toda esta gente ficar à espera da polícia por causa de 2€???????. As pessoas estavam todas revoltadas mas o revisor...nada. Chega a polícia identifica o rapaz diz-lhe que deveria ter pago 2€, todas as pessoas (repetem) que pagam os 2€ e o que faz a polícia????

Adivinhem...agarram o rapaz à bruta (ele teve de largar a trela da cadelinha porque caso contrário ela era maltratada ai, o amigo dele pega na cadelinha que cheia de medo começa a ladrar porque vê que estão a fazer mal ao dono (ao contrário de alguns "humanos" os animais defendem o dono, só é pena esta cadelinha não se ter transformado (como nos filmes) numa leõa e acreditem que eu não teria ficado tão nervosa e até tinha compreendido a natureza). Bateram no rapaz sem qualquer problema, bateram no amigo como se de dois assasinos se tratasse. Todas as pessoas viram chamaram nomes, gritaram mas...nada e sabem porque? Porque estes 3 individuos (2 polícias e o revisor) não vão sofrer qualquer consequência. Amanhã se o revisor se lembrar chama a polícia para tirar do comboio um velhinho. Eu fui uma das pessoas que fui ter com ele educadamente e referi que pagava o bilhete, disse que ia reclamar e ele muito tranquilamente referiu faz muito bem!. Estou farta de chorar porque realmente estamos entregues a alguns. Eu pergunto será que os dirigentes da CP pactuam com este tipo de situações, não tem nada a dizer? Será que os polícias não deveriam ter uma parte pedagógica? Não deveriam ser mais profissionais? Mais Humanos? Alguém os tratou mal? Não.Gostava de referir que em Ovar entra uma Sra Romena que cheira pior que um animal selvagem ou abandonado ou quase morto (todas as pessoas que fazem este trajeto sabem do que estou a falar) e já foi pedido a muitos revisores que não a deixassem entrar por uma questão de sáude pública, no entanto, a resposta é: tem bilhete! Pois... mas eu prefiro viajar com uma cadelinha.
O rapaz cometeu o erro inconsciente de não ter comprado o bilhete da cadelinha mas isso é um crime tão grave?
Quero deixar bem claro que não conheço nenhum dos intervenientes incluindo a cadelinha.
Os polícias são os que estão nas fotos, a fera (cadelinha) está no meio deles (sem perceber nada), o comboio é o nº 15747 São Bento/Aveiro das 18H05 de ontem dia 21.
Partilhem, por favor, com o maior nº de pessoas pode ser que entre elas esteja alguém, responsável, consciente e que leve esta situação um pouco mais além.
Desculpem o longo texto, desculpem o desabafo mas nunca nos devemos calar.MM
Ignorantia juris non excusat, ou seja, a ignorância da lei não aproveita a ninguém, não pode ser desculpa para o comportamento infractor. Como alguns sabem, a minha formação é jurídica, mas, muitas vezes, eu também não sei o que a lei diz, até porque me afastei do  mundo jurídico há já uns anos largos, mas eu considero isso normal. Ao contrário dos princípios normativos, que são entidades mais estáveis, que as informam, as leis multiplicam-se e estão sujeitas à mudança mais ou menos rápida. Além disso, nem sempre o seu conteúdo é de fácil entendimento. Acontece que  a Lei nem sempre satisfaz os nossos interesses da forma que desejamos. Mas desconhecer a lei não é o problema principal da nossa sociedade. O problema principal é antes o de não cuidarmos de pensar as coisas a fundo, o de ficarmos pela rama e de acharmos que já chega. Ou ainda o de não sermos capazes de perceber o bem e o mal feito a tempo de conformar a nossa conduta eventual. Ou ainda o de não sabermos, ou não querermos, fazer perguntas para antecipar e corrigir o erro futuro.  Confiamos todos que está tudo bem, que tudo flui, que tudo vai naturalmente ao sítio. Mas como somos todos diferentes é fácil queremos coisas diferentes, é fácil entrarmos em desacordo e cada um de nós desatar a puxar a brasa à sua sardinha. Surge o conflito! Surge porque não há bom senso em doses capazes. Então vem o Direito, a Lei, dizer como se faz, resolver em nosso nome o conflito e dizer, um tem de ceder, o outro prevalece, e assim se sana o conflito. Outro problema ainda é o de não sermos capazes de ser flexíveis com a lei quando temos hipótese de o ser. Os chineses têm um provérbio. Não vás ao tribunal que podes ganhar uma galinha mas perdes uma vaca. Eu gosto desse provérbio. Se os interesses puderem ser acomodados sem chamar a lei para o assunto, eu voto nisso. A propósito deste incidente, aproveito para divulgar a lei e para tecer algumas considerações mais. Então vejamos. 


A CP presta um serviço. Nós celebramos um contrato com a CP quando compramos um bilhete. O contrato de transporte nos comboios da CP regula-se pela legislação que a todo o tempo estiver em vigor e pelas actuais Condições Gerais de Transporte da CP. O contrato gera direitos e deveres para ambas as partes. É, por exemplo, obrigação da CP disponibilizar nos locais onde tenha atendimento ao público informação sobre condições de acesso para pessoas com mobilidade condicionada, condições de transporte para bagagens, animais de companhia e velocípedes, disponibilidade de serviços a bordo,  existência e localização do livro de reclamações e horários e preços dos serviços de transporte de passageiros que pratica. É nossa obrigação, por exemplo, não praticar actos ou proferir expressões que perturbem a boa ordem dos serviços ou incomodem os outros passageiros, a lista está no art.6ºdo Decreto-Lei n.º 58/2008.


A legislação actualmente aplicável, a mais relevante, é a seguinte:

- Decreto-Lei nº 8/1993, de 11 de Janeiro.
- Portaria nº 102/2003, de 27 de Janeiro (que republica, com alterações a Portaria nº 951/99, de 29 de Outubro). 
- Decreto-Lei nº156/2005, de 15 de Setembro, na redacção do Decreto-Lei n.º371/2007 de 6 de Novembro (livro de reclamações). 
- Lei n.º 28/2006, de 4 de Julho (regime sancionatório aplicável às transgressões ocorridas em matéria de transportes colectivos de passageiros). 
- Decreto-Lei n.º 74/2007, de 27 de Março (sobre o direito de acesso das pessoas com deficiência, acompanhadas de cães de assistência, a locais, transportes e estabelecimentos de acesso público).

Chamo a atenção para este DL com aplicação ao caso relatado:

- Decreto-Lei n.º 58/2008, de 26 de Março(regime aplicável às Condições de 
Transporte Ferroviário de Passageiros e bagagens, volumes portáteis, animais de 
companhia, automóveis, motociclos e velocípedes).

Artigo 9.º
Transporte de volumes portáteis, velocípedes e animais admitidos nas carruagens

1 — Aos passageiros é permitido levar nas carruagens, gratuitamente, bagagem de mão e objectos portáteis de uso pessoal desde que as suas dimensões não excedam,  individualmente, 100 cm × 60 cm × 30 cm.
2 — Incumbe aos passageiros a guarda e vigilância dos seus volumes de mão e dos animais de companhia e de assistência respectivos.
3 — É permitido aos passageiros transportar gratuitamente animais de companhia que não ofereçam perigosidade desde que devidamente encerrados em contentor apropriado que possa ser transportado como volume de mão.
4 — Cada passageiro não pode transportar mais de um contentor com animais de companhia, nas condições referidas no número anterior.
5 — Para além do disposto no n.º 3, é também admitido o transporte de cães não encerrados desde que não ofereçam perigosidade, estejam devidamente açaimados, contidos à trela curta e acompanhados do respectivo boletim de vacinas actualizado e da licença municipal.
6 — Nos termos dos números anteriores, apenas é permitido o transporte de um cão por passageiro, mediante título de transporte próprio.
7 — Os cães de assistência acompanhantes de pessoas com deficiência são transportados nas carruagens, gratuitamente e não açaimados, nos termos do Decreto -Lei  n.º 74/2007, de 27 de Março.
8 — É proibido o transporte de animais perigosos e potencialmente perigosos, nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 312/2003, de 17 de Dezembro, na redacção que lhe
foi dada pela Lei n.º 49/2007, de 31 de Agosto.
9 — Sem prejuízo do disposto no presente decreto-lei, as condições gerais do transporte definem a quantidade de bagagens de mão e objectos portáteis admitidos gratuitamente nas carruagens, bem como as condições de  transporte de velocípedes.

É também útil saber que a  Lei n.º 92/95, de 12 de Setembro, refere que nenhum transporte público pode recusar o transporte de um animal de companhia desde que ele esteja encerrado em recipiente apropriado que  possa ser transportado como volume de mão. Exceptuam-se os casos de animais considerados perigosos, em precário estado de saúde ou de higiene, bem como aqueles que, pelo seu cheiro, ruído ou outro motivo objectivamente relevante, como por exemplo a sua dimensão, possam incomodar os passageiros.


Cada passageiro poderá transportar apenas um animal de companhia:
1. O transporte do animal é gratuito, desde que este esteja devidamente acondicionado em recipiente apropriado que possa ser carregado como volume de mão. 
2.O transporte de cão não acondicionado é permitido mediante a aquisição de título de transporte próprio correspondente ao comboio que utilizar. Nestas condições, o animal terá de ir devidamente açaimado, com trela, acompanhado do respectivo boletim de vacinas atualizado e da competente licença. Para garantir o bem-estar e comodidade de todos os Clientes, o animal não pode ocupar lugar no banco.
3.O cão de assistência acompanhante de pessoa com deficiência é transportado gratuitamente.

O que acontece a quem violar os direitos e obrigações mencionados previstos no art.6º?

3 — Os passageiros devem respeitar as instruções dadas pelos agentes de fiscalização, no âmbito do exercício das suas funções.
4 — Nos casos em que o incumprimento pelos passageiros dos deveres que lhes incumbem perturbe os outros passageiros, cause danos ou interfira com a boa ordem do serviço de transporte, os agentes do operador encarregues a fiscalização podem determinar a sua saída do comboio, recorrendo à força de segurança pública competente em caso de incumprimento dessa determinação.


Para andar de comboio, todos nós sabemos, é preciso bilhete e além do bilhete ainda estamos obrigados a andar na linha. Os revisores podem, no exercício das suas funções e quando tal se mostre necessário, exigir ao infractor a respectiva identificação e solicitar a intervenção policial.  Os agentes ajuramentados (Operadores de Revisão ou outros) serão, para todos os efeitos, considerados agentes de autoridade pública. Podem levantar de autos de notícia,reclamar a intervenção das autoridades e o auxílio da força pública se entenderem necessário e até deter delinquentes em flagrante delito, nos mesmos casos em que o podem fazer os agentes da autoridade pública. A identificação é feita mediante a apresentação do bilhete de identidade ou outro documento autêntico que permita a identificação ou, na sua falta, através de uma testemunha identificada nos mesmos termos.

Qual é o regime sancionatório para quem violar os deveres e obrigações do art.6º?

Constituem contra-ordenações imputáveis ao passageiro, puníveis com coima de € 50 a € 250.

O revisor da CP seguiu a lei à letra como se fosse uma prescrição médica e a sua vida dependesse disso! Os dois jovens de 19 anos e a cadela não seguiram viagem e agora vão pagar uma contra-ordenação e ainda responder por, pelo menos, mais um crime, o de resistência e coação sobre funcionário!! As pessoas que seguiam no comboio chegaram atrasadas ao destino pelo menos 30 minutos. Nem quero imaginar como é que algumas justificaram o atraso, estudantes, trabalhadores. Há professores e patrões que podem fazer-nos a vida negra por cinco minutos de atraso. Outras poderão ter falhado o início de uma reunião, a perda de vez numa consulta médica, enfim, o dia começou mal para os utentes do comboio. Além de que assistir ao sucedido também não foi exactamente agradável. Quero com isto dizer que os dois jovens merecem desculpa? Não. Quem tem animais domésticos é responsável por eles. As pessoas, jovens ou não, têm de perceber que ter um cão ou um gato acarreta responsabilidades. Infelizmente não há uma cultura de responsabilidade nem em relação a animais domésticos nem em relação a muitas outras coisas. Neste caso os dois jovens deviam estar informados, deviam saber de antemão que um cão não acondicionado tem de ter um título de transporte para poder viajar. Era a sua obrigação de donos responsáveis. Ó meus amigos, pensem, se eu não gostar de mim quem é que gosta? (Lembram-se desse anúncio de TV?!) Uma vez eu fui à Repartição de Finanças voluntariamente pagar uma coima e o funcionário aconselhou-me a não pagar, que aquilo passava, que deixasse. Eu retorqui que era devida e que devia pagar ou que mais tarde poderia ser pior. Ele insistiu no seu ponto de vista, mas eu paguei mesmo assim. Por incrível que possa parecer daí a uma semana ligaram-me da Repartição de Finanças a perguntar se eu tinha feito o pagamento. Temos o dever de nos informar pois é a melhor forma de nos defendermos. 

Pensemos agora que os rapazes não sabiam, ou que sabiam da necessidade do bilhete e que quiseram dar o golpe mas a coisa correu mal. Eu já tenho visto as pessoas a comprarem o bilhete dentro do comboio depois de terem entrado nele em cima da hora- o revisor diz que assim não pode ser, veja lá que já tem idade para ter juízo,  desta vez escapa, o passageiro pede desculpa, arranjada à pressa, por vezes,  mas passa o bilhete. Em resultado, o passageiro chega ao destino, a CP embolsa o dinheiro, há ordem na carruagem e a gente até curte a cena. 
O revisor em questão, querendo ser mais papista que o papa, apenas contribuíu para criar um clima desordeiro e transformar um pequeno incidente num caso de polícia. Se tivesse usado de maior calma, de algum bom senso, sobretudo se os rapazes até tinham já concordado em pagar,tanto transtorno que se podia ter evitado! A CP irá certamente dar uma medalha de cortiça ao revisor pois deverá considerar que ele foi apenas escrupuloso e profissional, agindo dentro da lei e dos limites dos seus poderes, o que, pelo texto legal que partilhei acima, é facilmente justificável. Digam-me, todavia, o que ganhou este homem com esta atitude subserviente e cega pois eu ainda não cheguei lá. 

Depois entra a GNR da Murtosa em campo, e pimba, vai de usar a força bruta para expulsar os rapazes e a cadela do comboio, chegando até a algemá-los para os levar ao posto. Excessivo, basta ver as imagens. Mas o excesso parece ser a nova imagem de marca da GNR! Recordo que em Janeiro, um agente da também Guarda Nacional Republicana (GNR) foi filmado a pontapear um porco na sequência de um acidente ocorrido na A1, entre Alverca e Santa Iria. O camião acidentado levava animais, sendo que alguns dos porcos, assustados, tentaram abandonar o local. A GNR não anda a portar-se nada bem, realmente, como refere MM, será que não podiam ter uma função mais pedagógica?  Mas a GNR não se fica e já tomou posição - diz que foi agredida pelo que os jovens foram detidos por crime de resistência e coação sobre  funcionário previsto e punível pelo artigo 347.º, n.º 1, do Código Penal. A coisa ficou assim mais feia pois este crime é punível com  prisão até cinco anos, nos termos do artigo 347º do Código Penal, trata-se de um tipo de crime que se destina a proteger a autoridade pública, do Estado, vejam só onde isto já vai. Excesso sobre excesso. Não devia este crime estar guardado para situações mais graves do que este, uma disputa sobre um bilhete de cão?! Um bilhete para cão transformou a vida destes dois rapazes num pesadelo, é impossível não me sentir solidária com eles, mesmo que pense que deviam ter tido o cuidado de se informar melhor sobre a necessidade ou não do bilhete para a cadelinha. Na postagem seguinte, leiam mais desta feita sobre o "caso da senhora romena"!


Simplesmente The Oscars


Dantes era assim.
Agora é assim.



The Golden Globes are fun. The Oscars are business.(Warren Beatty)



Estamos prestes a assistir à 85ª atribuição dos prémios mais populares do cinema.  Do ano passado para este  o evento largou o nome pomposo e histórico por que era conhecido - Anual Academy Awards - e agora passa a ser, até nova ordem, simplesmente The Oscars. Talvez a cerimónia tenha perdido público e daí a necessidade de refresh, de um pouco de marketing. Ou talvez as pessoas estejam a ficar simplesmente preguiçosas, quanto menos palavras a pronunciar, melhor. 

Os Oscares são o que são. Não há volta a dar.Será preciso bem mais do que uma mudança de nome para que consigam vender a cerimónia por outra coisa, cativar mais público, outro público, reduzida que está a uma celebração mais do luxo, das marcas, do que do cinema americano, do cinema em geral é que não é, não basta que lá esteja a categoria do filme em língua estrangeira para isso. A festa do cinema é uma grande ilusão e sobretudo um formato acomodado, gasto. Mas, como dar a volta isso? Não sei. Uma coisa julgo talvez saber. Se a inveja matasse, a noite dos Óscares seria um massacre de apunha-lamentos pelas costas entre candidatos! Desde a nomeação a sonhar com o prémio e depois obrigados a fazer de conta que ficam muito contentes, a bater palmas e a sorrir, quando o prémio vai para o colega? Sem esquecer que as câmaras da TV procuram nem que seja no canto do olho dos infelizes uma micro-lágrima de tristeza para mostrar ao mundo! Como se isso não bastasse, os vencedores exultantes chegam ao palco e ainda prolongam a agonia dos derrotados por mais um minuto e picos durante o qual a) ou sacam da lista (de papel, não vão deixar alguém de fora, ooops!) infindável de nomes a quem querem agradecer, orando, o filme é maravilhoso, o realizador é maravilhoso, eu fui maravilhosa, os outros foram maravilhosos, e até a mamã, que está em casa a ver-me, é maravilhosa, e  o papá que anda em viagem, onde quer que esteja, é maravilhoso, thank you daddy, I love you. b) ou são assaltados pelas lágrimas, Fazem beicinho e balbuciam umas incoerências contidas, e é então que a gente se lembra que a maior parte das vezes as palavras que ouvimos deles não lhes pertencem, nem estas, provavelmente, e quem sabe, não serão também falsas as lágrimas?! c) ou até dizem umas coisas bonitas e inspiradas, que ficam para sempre, mas isso é mais raro. d) ou soltam a loucura que ainda há neles mesmos e viva a espontaneidade! Assistir a uma cena dessas em directo é o nosso prémio maior, algo por que todos ansiamos nos ensaiadinhos Oscares, onde a possibilidade da bronca é gerida e minimizada ao segundo pelos organizadores. Mas há broncas lindas, que fazem valer a noite! Lembram-se quando Adrien Brody ficou tão contente por ter ganho o Oscar para melhor actor (O pianista) que beijou Halley Berry? E quando o Michael Moore aproveitou para declarar guerra ao George Bush depois de ter sido premiado pelo Bowlling for Columbine? E Roberto Benigni a fazer equilibrismo nas costas das cadeiras quando ganhou pelo filme A vida é bela? Ahah! Mais louco que isso foi ele chegar ao palco e dizer que queria ser Júpiter e fazer amor com todos, uma coisa assim, italiano, está visto!

Um dos discursos que nunca vou esquecer é o que se pode ouvir neste video:  And there lies my dilemma here tonight. I know that my work in this case is magnified by the fact that the streets of heaven are too crowded with angels. We know their names. They number a thousand for each one of the red ribbons that we wear here tonight. Tom Hanks, na 66ª Cerimónia de entrega dos Óscares em 1994, quando ganhou o seu primeiro Óscar pela interpretação no filme  Philadelphia, a história de um advogado despedido da firma preconceituosa onde trabalha por ser seropositivo, estava emocionadíssimo e conseguiu emocionar todos também. Não acredito qu estivesse a ser falso. Philadelphia não deixa de ser um filme algo conservador e cauteloso, feito para abarcar a simpatia das audiências e não fazer ondas, e muito simplista quando à homossexualidade, quero dizer, até é mais sobre o doente terminal do que sobre o homossexual, do que recordo, mas as interpretações de Tom Hanks e Denzel Washington, mais a música de Bruce Springsteen ficaram na minha memória como sendo de topo, a par deste discurso.


Há uns anos eu não perdia nenhuma entrega de carecas dourados, perdia sono, o directo é que era fixe, não o compacto que depois a TV mostrava, no dia seguinte. Isso era quando havia tempo e paciência para os discursos, os vestidos, os chatos dos comentadores que não nos deixam ouvir o que dizem os que lá estão. Mas a vida dá voltas e hoje o meu sofá arrefece mais depressa, a minha paciência é agora mais curta e a minha avaliação das coisas, das prioridades, mais judiciosa. O espectáculo é longo e nem os apresentadores, com as suas piadas engraçadas, me conseguem já convencer a ficar e a depois enfrentar a ressaca do dia seguinte, a ir trabalhar com areia nos olhos, e muito menos a envolver-me em discussões sem fim sobre a injustiça da justiça dos Oscares, os seus momentos mais hilários ou os mais aborrecidos. Não é realmente a festa do cinema, é apenas mais uma festa do cinema, a festa deles, dos americanos, a arena onde a mercadoria se mostra e se faz mais apetecível e transacionável, onde a cotação dos produtos sobe e desce.  Mais depressa uma noitada non-stop de filmes valeria uma justa ressaca e eu raras vezes faço isso. Maratonas cinematográficas só mesmo no saudoso e extinto Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz, tempos e hábitos que não voltam. O mais que ainda faço é a sessão dupla, uma tradição que já vem de longe, nos tempos em que no regresso do trabalho, à sexta-feira, passava pelo clube de video para me abastecer de duas cassetes, antes dos DVD eram cassetes, daqui a pouco já ninguém se lembra delas. Era a minha fórmula anti-stress, aquela sessão dupla. Durante aquelas horas desligava-me da semana de trabalho e abria as portas ao descanso do fim-de-semana. Há um mês passei na rua do meu video-clube e espreitei para ver se ainda existia ou se não se havia também extinguido como o Festival. Pareceu-me que ainda lá está.
Este ano não há filmes inesquecíveis, mas há bons filmes. Gostei de Argo e de Silver Linnings Playbook. E de Django. E de Paranorman. Ainda não vi Lincoln. É terrível ter de escolher um só. Não é justo. É, simplesmente, The Oscars. And the Oscar goes to...

2/20/13

E o meu conto encontrou um ninho!


Descobri o desafio no Facebook, o ano passado. A Pastelaria Estudios Editora estava a convidar ao envio de pequenos contos sobre o amor para realizar uma colectânea. Como tinha um conto escrito de que gostava muito e que sempre pensei publicar algures, tentei a minha sorte no último dia de recepção dos textos. Não tinha grandes esperanças mas pouco tempo depois a Pastelaria Estudios Editora comunicou-me que o meu conto tinha sido seleccionado. E pouco depois a responsável Teresa Maria Queirós informou que cada conto ia ser ilustrado com uma fotografia de Helena Lagartinho. É um livro com cerca de 600 páginas em formato 210X150 cm. Grande.
O meu conto pode até não ser uma grande e original história, mas, para mim, a forma como surgiu é que é original e por isso eu gosto bastante daquele pequeno escrito.A história da história é a seguinte. Um dia encontrei uma lista de palavras nordestinas num blogue que costumava visitar, o blogue de um português que tinha ido viver para o Brasil. Assim foi que ao ver essa curiosa lista de palavras resolvi escrever uma história que as utilizasse. Surgiu então o conto Talvez uma história nordestina.  Utilizei todas menos uma. Mais tarde entrei com ele no concurso promovido pelo Santander, o Concurso Conte connosco - Santander Totta, depois de revisto. Mudei-lhe o nome para Pode um ovo fora da validade devolver a paz a um homem perdido?  Não fiquei nem bem nem mal colocada nesse concurso. Mas as pessoas que o leram disseram-me que tinham gostado e isso foi bastante satisfatório. 
Em Fevereiro, finalmente, o meu conto encontrou o lugarzinho que eu secretamente desejava para ele, um abrigo nesse ninho de folhas a que vulgarmente se chama livro. Pode ser doravante encontrado na boa companhia de mais contos sobre o amor na colectânea Beijos de Bicos, fruto da iniciativa e labor da Pastelaria Studios. Eis a lista dos participantes e respectivos títulos dos contos selecionados.

A água da lagoa – Fa Ramos
A carta – Clara Correia
A escolha – Silvana Brugni

A ilha dos corações partidos – Maria Beltran
A noite do amor – João Ferro Lopes
A paixão secreta de uma gata preta - Liliana Novais
A partir de um livro perdido – Olinda Gil
A ponte dos suspiros – Maria Eduarda Palma
A Princesa feia e o Barão bem disposto – Pedras Nuas Afonso
A rapariga do capacete vermelho – Nuno Alão
A segunda questão – António Tapadinhas
Acordei contigo em Paris – António Gallobar
Amei-te em segredo - Ricardo Sousa
Amor delirante – Iraci Rodrigues
Amor ou relação ideal? – Fernanda Mesquita
Amor repousante – Manuel Velez
Amor verdadeiro – Mónica Martins
Amores, paixões, preconceitos – Vítor Fernandes
Anjo caído – Any Pinheiro
Apaixonada… (Outono da vida) – Guiomar Casas Novas
Beijo ao despertar – Gisela Mendonça
Beijo de bico – Carlos Fernando Bondoso
Beijos bicados… - Alexa Wolf
Bicos desirmanados – Margarida Farinha
Boatos de verão – Dina Rodrigues
Chegou ao fim – Hilda Bernadette
Cheguei meu amor, mais uma vez – Ana Casanova Pinto
Crepúsculo poético – Rubens A. Sica
Dançando, despertava o amor – Luis da Mota Filipe
Desencontros – Marta Vinhais
Desnudei-me na luz do teu olhar – Susana Campos
Dias de uma grafómana (pouco) amorosa – Gina Grangeia
Doce veneno da carochinha – Afonso Rocha
Eros passeando-se pelo Universo – Natália Augusto
Eternizando a maternidade – Sheila Kuno
Eu sou Tu – Madalena Monge
Flor de laranjeira – Margarida Piloto Garcia
Flor de maracujá – Adélia Vaz
H – Eli Rodrigues
Maltez Razão – Delmar Gonçalves
Metamorfoses de amor, ad aeternum – Lena Lopes
Missão de amor – Marieta Antunes
Nanny – João Raimundo Gonçalves
Nas asas de um beijo – Maria Helena Guedes
No calor da noite – Guilherme Duarte
Nunca te deixarei!! – Maria Helena Ribeiro
O amor é um caso sério – Anabela Borges
O amor tem limites frágeis – Rita Carrapato
O amor vencendo barreiras – Maria Alice Lima Ferreira
O beijo imaginado – Ana Luiz
O Canal zen – Jorge Nuno
O cão que sempre quis ser beijos de bicos – Cláudia Santos
O manipulador de marionetas – Maria João Mota Veiga
O Nobel das Trevas – Tânia A. Oliveira
O noivo – Adelina Antunes
O som do coração – Krisiane de Padua Siqueira
Os botões de punho – Casimiro Teixeira
Outra face do amor – Vitória Tenreiro
Peça do nosso amor – Inês Almeida
Pode um ovo fora da validade devolver a paz a um homem perdido? – Belinha Fernandes
Raquel – Filipe Camacho
Recado – Sabrina de Queiroz
Renovação – Manuela Ferreira
Sofrimento de amor – Ângelo Melo
Touro azul – Fernanda Comenda
Um dia voar – Marco Abílio
Uma noite de verão – Ana Silvestre
Viagem em redor da minha secretária – Catarina Lima


O convite para o evento de lançamento da Colectânea Bicos de Beijos e inauguração da primeira exposição individual de Helena Lagartinho, que vai ter lugar na Fábrica do Braço de Prata, Rua da Fábrica de Material de Guerra, Nº 11950-128 Lisboa, no próximo sábado, dia 23 de Fevereiro, pelas 21 horas, surgiu acompanhado de canções e deste simpático texto:
"Beijos de Bicos" - Ode aos afectosDizem que o amor é um tema batido, que não serve, que não está na moda.
Nós dizemos que é uma das mais essenciais manifestações do ser humano, que está presente em toda a parte e como tal não deve ser de estranhar que seja matéria de inspiração para a arte, e que não devemos ter medo de ser tão humanos quanto parecemos. Se ela imita a vida (será que imita?) então é natural que os sentimentos fundamentais estejam presentes em cada momento.
É a ditadura dos afectos sobre a expressão do mais íntimo e mais próprio ao humano. Assim a colectânea "Beijos de Bicos" procura ser mais um porto de abrigo para a criação literária que encontra neste tipo de sentimentos a sua inspiração.
Esta é mais uma oportunidade para dar a conhecer os talentos escondidos de quem escreve, mas porque nem só de letras se fazem os afectos desta vez teremos a fusão do talento fotográfico ao serviço da palavra escrita. 68 fotografias que procuram não simplesmente ilustrar mas dialogar com a verve literária dos nossos autores. Assim ganha forma esta colectânea, do trabalho e da inspiração de 68 escritores e uma fotógrafa, esperamos que gostem tanto de ler como nós gostámos de a fazer.

OBRIGADA A TODOS!

2/18/13

A semente de abacate germinou!

E eis-me com novidades sobre a germinação da semente de abacate! (No link anterior podem ver como tudo começou! Aqui já mudei para um copo de vidro, mais pesado.) Não são muitas, são apenas o que a fotografia documenta. Já há raízes! O que sabem vocês sobre o abacate? Eu não sabia muito antes de meter o caroço a germinar no copo para o meu sobrinho ver. O processo vai, assim o espero, continuar, de acordo com a informação deste wiki. Já não sei quando coloquei o caroço de molho, mas ele demorou imenso até dar mostras de germinação. A avaliar pela escrita desta postagem sobre comida mexicana, penso que talvez tenha sido em Novembro! Demorou quase 8 semanas até aparecer a raiz! Li sobre várias formas de fazer esta experiência, deixar o caroço do abacate em água morna uma noite inteira, por exemplo. Eu não fiz isso. Lavei com água morna e tirei a casca. Depois coloquei-o na água, a parte mais pontiaguda para cima, seca, a mais larga é a que ficou de molho. O anterior copo de plástico tem estado na cozinha e já sofreu alguns acidentes pois facilmente se virava! Não pode apanhar frio, nem vento nem luz do sol directa. Quando a semente começou a germinar o caroço rachou. As raízes começaram então a crescer velozmente, na base. Mas a haste no topo ainda não deu sinal. Depois dela aparecer, devo esperar que atinja cerca de 15 centímetros, altura em que a devo cortar para ajudar a crescer. Só depois irá para um garrafão com terra, sem esquecer de colocar cascalho no fundo, e furos, para a água não ensopar a terra. A terra deve conter húmus para dar melhor resultado.Depois é ir regando e cuidando. Sempre quero ver se alguma vez terei uma planta de abacate para transferir para a terra. A ver vamos!Eu apenas o utilizo o abacate para fazer guacamole. Para saber mais sobre o abacate podem consultar esta fonte, muito completa, A cultura do abacateiro
O abacateiro é uma planta frutífera originária do continente americano. As primeiras referências sobre ele foram feitas por navegadores, ainda nos primeiros anos do descobrimento da América, entre 1526 e 1554 em relatos descrevendo plantas encontradas na antiga cidade do México e no local onde hoje é a Colômbia. Nesses relatos os abacates receberam várias denominações, como nahuatl e ahuacatl, provavelmente de origem indígena. Pesquisas arqueológicas indicam que o abacateiro era explorado na região há mais de 10 mil anos (Koller, 1984). Difundiu-se por todo o continente americano, sendo a sua presença citada na Jamaica em 1657, com o nome de “avocado”, termo usado nos países de língua inglesa. Nos países de língua espanhola, ficou conhecido como “aquaquate”, embora seja conhecido como “palta” em alguns países como Chile, Argentina, Peru e Equador. Na Europa, foi citado pela primeira vez em 1601, tendo se expandido para outros continentes, posteriormente (Calabrese apud Danadio, 1995). Relata-se que no Brasil, o abacateiro foi introduzido em 1809, vindo da Guiana Francesa (Simão, 1971). Antes disso, nos séculos XVI e XVII, a sua presença é incerta e discutível (Teixeira 1991).

Smokey Mary - novo disco de Harry Connick Jr!

A capa do novo CD e a Smokey Mary a desfilar no Mardi Gras

É uma edição limitada, este CD. Pode ser encomendado online, em formato digital, mas segundo li, mesmo dentro dos Estados Unidos, só vai ser vendido na área de New Orleans. O professor de teatro dos tempos do liceu de Harry Connick Jr., Sonny Borey, capitão da Krewe of Orpheus, desafiou-o a escrever uma canção sobre a Smokey Mary, esta locomotiva que é uma estrela do desfile de Carnaval de New Orleans. A locomotiva a carvão que a inspirou atravessava os pântanos de New Orleans no séc. XIX até Milneburg perto do lago PontchartrainPrimeiro Harry não achou a ideia digna de qualquer esforço criativo mas depois acabou por pegar nela e surgiu uma canção e até um novo disco muito festivo. Ao ler Mind on the Matter e City Beneath the Sea no alinhamento do novo trabalho reconheci que são do CD Star Turtle, de 1996. Esse eu tenho.

Já não sei quando comprei o primeiro CD de Harry Connick Jr. , talvez tivesse sido depois dele ter composto a banda sonora do filme When Harry met Sally, altura em que se tornou extremamente popular, ou até talvez antes, mas o CD tinha, e tem, o nome dele. Harry é um neo-crooner norte-americano, talvez menos conhecido do que Bublé ou Jamie Cullum, mas, para mim, muito melhor do que qualquer deles. Ele é cantor, compositor, exímio pianista, baterista e big band leader. É incrivelmente versátil mas nem sempre tem mantido crítica e público igualmente satisfeitos. Durante anos eu comprei sempre os CD de Connick. Songs I heard é um caso triste. Não o tenho pois emprestei-o a um amigo que o perdeu. Depois disso ainda comprei Only you. Depois deixei de seguir a carreira do menino bonito que um dia se disse ser o sucessor provável de Sinatra. Só que não foi. E ninguém se importa muito com isso. Crooners mais antigos e representativos, toda a gente conhece,  o maior deles, Ol' Blue Eyes Frank Sinatra, também Tony Benett, ou Bing Crosby. Já estão a ver o estilo: são sempre homens que cantam canções populares acompanhados de uma big band. Eu adoro esse tipo de cantor, mas sempre tive uma especial predilecção por Connick. Não sei qual é a fórmula milagrosa da sua  música mas durante anos a fio os CD de Harry foram a minha garantia contra a melancolia dos dias de chuva invernosa e o mau humor. ( Esse meu amigo que extraviou o CD está até hoje na minha lista negra como se um criminoso se tratasse talvez por isso mesmo! Porque não fui mais insistente com o velhaco? Porque não me comprou outro?!! O cão do Fernando mijou em cima do meu CD dos Sigur Rós e ele comprou-me outro, foi limpinho! Eu devo ter sido mole, sei lá eu agora porquê, e estes amigos da onça, onde acham mole, carregam! Foi-se encolhendo, arranjando desculpas esfarrapadas e depois saíu do meu radar. Acho que está nas ilhas, do que ainda me lembro...) Connick também vai aparecendo em alguns filmes, e até séries de TV, mas a sua carreira no cinema é muito pouco empolgante. Na música ele navega entre o jazz e o funk e os blues. Smokey Mary parece ser mais funky e blues. Espero que os estimados fãs americanos coloquem mais umas faixas no Youtube, please! Para já, aqui ficam Dang You Pretty e Smokey Mary!

1 Smokey Mary
2 Hurricane
3 Cuddina Done It
4 Wish I Were Him
5 S'posed to Be
6 The Preacher
7 Dang You Pretty
8 Angola (At the Farm)
9 Nola Girl
10 Mind on the Matter
11 City Beneath the Sea

2/17/13

Joaquin Phoenix afoga-se em nome dos peixes


"In water, humans drown just as fish suffocate on land. It's slow and painful and frightening. And we do it to more than one trillion fish every » VIDEO

Nos anos 90 os cinéfilos ficaram chocados com a morte prematura de River Phoenix, à porta do clube nocturno de Johnny Depp, por overdose, após a sua participação em alguns filmes - My own private Idaho, Stand by Me, e outros -  fazer adivinhar um actor promissor. Uns anos mais tarde o irmão mais novo começou a destacar-se no meio cinematográfico e é hoje um actor aclamado, sobretudo graças a To die forGladiator e Walk the line. Espero vê-lo em The Master, um destes dias, e tenho a certeza que vem aí mais um papelão.  Joaquin também é um defensor dos animais, como o são muitas outras estrelas de Hollywood. Agora, o anúncio que fez para a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals - pessoas pelo tratamento ético dos animais) foi, segundo esta afirma, considerado controverso pela ABC e por isso, no dia 24, aquando da Cerimónia dos Óscares, a TV não vai mostrar as imagens de agonia de Joaquin a afogar-se em nome dos peixes. The show must go on e de preferência sem cenas choque.

O video foi realizado pelo também defensor da causa animal Michael Muller,  que se tem dedicado a filmar os tubarões para nos revelar a sua verdadeira natureza. Nas imagens vemos o actor Joaquin Phoenix  a afogar-se enquanto critica a forma como matamos os peixes e pede para nos colocarmos no lugar deles. Tanto o peixe fora de água como o humano dentro dela morrem por privação de oxigénio. A definição de sufocar é clara: “Matar pela privação de ar nos pulmões ou nas guelras". A morte é lenta e ocorre de forma consciente. A ideia é clara, mas eu não gostei de ver o Joaquin submerso e  a borbulhar, e até percebo que o video seja algo incómodo. Eis a página da PETA e de Joaquin Phoenix sobre o video.  Qual é a vossa opinião?

Eu concordo que precisamos de sensibilizar a população para o facto dos peixes também sentirem dor, tal como os cães, os gatos e os mamíferos em geral. São animais, meu estúpido, é quase o que a PETA nos parece querer dizer, como se por causa de algum curto-circuito na nossa inteligência nos tivéssemos esquecido disso. Mas a verdade é que esquecemos. Os peixes são por nós percepcionados num capítulo à parte. A nossa empatia para com os animais de barbatanas parece ser prejudicada pelo facto deles viverem num particular meio, para nós algo inóspito. Por um lado, estão mais longe da nossa vista, logo também do nosso coração. Por outro, eles respiram dentro de água e nós, não. Nós, com as nossas garrafas de oxigénio às costas, apenas parecemos uns anormais deslocados, um peixe fora de água, sempre com o tempo contado e a medir 40 metros de profundidade, sim, para mergulhar temos de fazer curso, os peixinhos, bah, é com uma perna às costas, é o seu meio. Assim, entre o distanciamento e a inveja, quando os peixes aparecem no prato, fritos, grelhados, estufados ou assados, são comidos com muito menos remorsos do que um coelho ou até uma galinha. Peixe nem puxa carroça, dizem muitos, o peixe é apenas um update às saladas, um bicho que dá jeito existir para quem não tem perfil de grilo e precisa de se agarrar a alguma proteína digna para justificar que se alimenta. 

Em Setembro eu passei o mês inteiro sem comer carne nem peixe. Quando o mês chegou ao fim eu estava cheia de saudades dos peixinhos. Deixar de comer peixe? Usar um pin ao peito a dizer "os peixes não são para comer, os peixes são nossos amigos"? Sim, eles são os nossos deliciosos amigos, é verdade. Aliás, tudo o que vem do mar é uma deliciosa benção da Natureza. O que não justificará a utilização de métodos bárbaros uma vez tomada a consciência de que existe uma melhor maneira de fazer as coisas. A principal diferença entre nós e os animais é que nós, ao contrário deles, podemos fazer escolhas. Mas isso em relação a todos os animais que temos de abater para comer e não apenas em relação aos peixes. Dir-me-ão que não vale a pena discutir ou sequer pensar esta questão. Que há mais problemas no mundo e mais prementes do que discutir e pensar a questão. Sim, os peixes são criaturas capazes de sentir dor e para aparecerem no nosso prato passam por um tratamento cruel, uma morte lenta e agonizante, consciente, apenas porque somos poderosos e podemos fazê-lo. Se é preciso tornar-me vegetariana para advogar que temos - porque podemos -de pensar e discutir isto é que já contesto. Não estarão a pedir demais de uma vez só? Mas percebo onde querem chegar: se não houver procura para peixe, deixará de haver quem mate o peixe. Ora, isto é que me parece um pouco ingénuo. Que não fiquem ofendidos os vegan que me lêem, mas eu não acredito numa tão grande mudança. Não seria melhor batalhar a sério pelo abate com dignidade de todos os animais que entram na nossa alimentação? Na Natureza vemos que os animais se caçam uns aos outros sem piedade, é a lei da sobrevivência. Mas eles não perdem tempo e em muitos casos o método de morte foi de tal forma aperfeiçoado que se tornou o mais rápido e letal possível. Então aprendamos isso com eles para que o Joaquin Phoenix não precise mais de se afogar em nome dos peixinhos.

A PETA tem um kit para ajudar quem quiser fazer a transição para uma alimentação sem peixe ou peixe, também está disponível em versão pdf.

O restaurante comunitário de Jon Bon Jovi




Todos são bem-vindos em nossa mesa.

Abriu em Outubro de 2011, em New Jersey. Jon Bon Jovi, o conhecido rocker, tem um restaurante comunitário sem fins lucrativos chamado Soul Kitchen.
O menu do Soul Kitchen está em branco na área dos preços. Cada um paga pela refeição o que quiser e como puder. Paga em dinheiro, se o tiver, sugere-se uma doação mínima de 10 dólares; ou paga em horas de trabalho comunitário. Uma hora de trabalho paga uma refeição. 

Este restaurante faz parte do programa da Jon Bon Jovi Soul Foundation e é mantido com o pagamento das refeições por quem pode fazê-lo. Conhecedor dos problemas sociais da sua comunidade, onde pessoas viviam abaixo do limiar da pobreza, Bon Jovi lançou o projecto. Acreditando mais em dar dignidade às pessoas do que em distribuir pura e simplesmente comida, ele fez com que as pessoas ganhassem o seu direito a estar à mesa através do voluntariado que fazem no restaurante ou em outras organizações locais.

Soul Kitchen serve refeições saudáveis, deliciosas, preparadas com ingredientes frescos, de origem local, alguns cultivados na própria horta do restaurante.  Propõe uma refeição de 3 pratos baseados na cozinha regional americana. Depois de uma entrada de salada ou sopa, há que escolher entre um prato de peixe, um prato de carne ou uma seleção vegetariana. A refeição termina com uma sobremesa doce cozida. 


As pessoas são convidadas a ajudar na rotina do restaurante. Guiados pela equipa do Soul Kitchen  os voluntários têm até possibilidade de aceder a formação profissional e de darem um rumo melhor à sua vida.  Por outro lado, quem tem dinheiro para comer fora de casa sabe que ao jantar no Soul Kitchen estará a contribuir com o seu donativo para ajudar a comunidade. Não é preciso reservar, quem chega primeiro, é servido primeiro.Eles acreditam que uma refeição saudável pode alimentar a alma!Um projecto bonito!

2/15/13

Meteoro cai na terra dos russos, graças a Deus!



Que pratinho, esta manhã, nas terras de Putin. Eu sempre fui uma entusiasta das coisas celestes. Quando era mais jovem parte das minhas leituras mais científicas tinham a ver com a exploração e a conquista do espaço, a corrida disputada pelos russos e pelos americanos, com algumas intromissões mindinhas dos europeus. Os mistérios do universo eram e são-me fascinantes. Mas quando fiquei a pé, pela noite dentro, para ver chuvas de estrelas anunciadas com pompa e data marcada, pouca sorte, nunca cheguei a ver nada de jeito, nem chuva, nem aguaceiro de estrelas. Nem clarões, nem rastos de vapor, nem estrondos, nada. Estou então, depois da queda do meteoro na Rússia, com inveja dos russos? Nem por isso! A verdade é que sou uma medricas e dispenso uma coisa destas aqui no meu jardim, no Youtube é que é bom. Estou a falar de cor? Não, nem por isso. Há uns anitos também se ouviu um pequeno grande estrondo na Figueira da Foz e eu dei um pulo e fiquei com o coração a bater. Meteoro?! Não, não foi um meteorito, isso teria sido muito bom para a Figueira da Foz, quem sabe não teríamos ainda por ali, hoje, uma loja, talvez no Bairro Novo, ou mais provavelmente no Shopping Plazza, que é onde agora estão as lojas todas da Figueira, a vender recuerdos espaciais aos nuestros hermanos na Páscoa. Estão a ver a publicidade? "Figueira da Foz é a nova Roswell! Visitem-nos!" Não fiquei, pois, como os russos ficarão a partir de hoje, com uma história empolgante para contar, ninguém quer saber de um avião que talvez tenha passado a barreira do som sobre a cidade, e muito menos do meu ridículo susto! Agora imagine-se os russos quando ouviram este estrondo, uma explosão sónica de algo que se movia a velocidade superior à do som - e quantas vezes!! - pelo ar, os vidros a estilhaçar e os alarmes dos automóveis a apitar. Já lá vai  o tempo da guerra fria mas nem assim faltou quem, de imediato, apontasse o dedo aos americanos, um tal ultra-nacionalista de nome Vladimir Zhirinovsky logo anunciou que foi um teste de armas dos norte-americanos. Se todos pensassem como ele,  quem sabe se além dos dedos apontados, não estariam também já uns quantos mísseis apontados aos States e neste momento, em vez de estar aqui a escrever, já estaria a correr com todos  para os supermercados para me abastecer de víveres e barricar na cave à espera do pior! 

A brincar, a brincar, os russos é que não brincam com estas pedradas amandadas dos céus pelas regras todas poderosas das leis do universo! Já declararam o estado de emergência - sabemos nós lá que micróbios nocivos à vida humana terão vindo à boleia, incrustados nos meteoros, que radiação maliciosa transpirará desses calhaus e até que micro-organismos alienígenas viajaram até à Terra! Parece que um dos fragmentos caíu num lago, ooops!, o cruzamento da vida terrestre com a alienígena pode estar prestes a acontecer naquele charco russo, a História que se prepare para fazer história! Abriu-se um buraco de seis metros de diâmetro na superfície gelada! A temperatura das águas do lago Tchebarkoul chega aos 20 graus negativos. Talvez a vida não esteja preparada para o General Inverno russo! 

Hoje já aprendi mais russo do que em toda a minha vida! (É mentira. Fiódor Dostoievski, Nicolai Gogol, Leon Tolstoi, Anton Tchekhov...) As pedras celestes caíram na região de Chelyabinsk, que por acaso é a cidade natal de um cosmonauta, Surayev, num lago perto da cidade de Chebarkul, e também na área da povoação de Kuvashi, nos subúrbios de Zlatoust, dizem as agências de notícias. Tudo está bem quando acaba bem - há danos materiais, janelas estilhaçadas e vasos em cacos, e cicatrizes para mostrar aos netos, a comprovar a história. Ninguém morreu. Mas podia ter sido bem pior. E se o meteoro fosse mesmo grande, grande, grande? E se não se tivesse desintegrado em pedaços tão pequenos como isso? Não foi à pedrada celeste que se acabaram os dinossauros? Deus, num dia bastante imaginativo, pegou na sua grande fisga e resolveu dar uma chance à humanidade acabando com os bicharocos favoritos do Spielberg! E nesse tempo não havia centrais nucleares como há naquela área do território de Putin, já para não falar de Mayak, um verdadeiro papão nuclear que mete mais medo do que qualquer explosão sónica de meteoro! Verdade, verdadinha, convençam-se de uma vez por todas, só andamos por aqui a esbanjar a vida em futilidades até o destino querer. Lá virá um dia, ou uma noite, em que os filmes catástrofe ou de ficção científica se transformarão em drama verídico e estaremos tão f****** como o estiveram os dinossauros na sua era. Estes avisos do céu servem para nos lembrar disso mesmo. E também para ganhar algum dinheiro. Os camaradas não  perderam tempo,  que tempo é dinheiro, já se faz negócio com os fragmentos do meteorito russo. A gente até pode brincar com tudo isto, mas depois de ver e de, sobretudo, ouvir os videos que coloquei acima, eu digo: os russos que fiquem com as pedras do céu, eu fico com as pedras da calçada portuguesa e estou muito bem assim!


P.S. Não  há qualquer relação entre a queda do meteoro e a passagem do asteróide  2012DA14! É apenas uma grande coincidência!

P.S. 2  O calhau quando ainda está a navegar no espaço é um meteoróide. Há uma diferença entre meteoro  - ou estrela cadente, rasto luminoso que deixa no céu, devido à combustão causada pelo atrito com o ar - e meteorito, os fragamentos que alcançam a crosta terrestre! 

Balanço final:  300 edifícios afectados, estragos de 25 milhões de euros, 1200 pessoas feridas, não houve mortos, e a grande maioria dos feridos não são graves. Tamanho à entrada da atmosfera - 17 metros de diâmetro. Massa do meteoro - 10.000 toneladas.  Fonte dos números citados

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