12/28/13

Fotografias de bombeiros em tronco nu dão que falar

O mês de Dezembro é fértil em iniciativas de ajuda aos mais desfavorecidos. É dentro deste espírito que o Grupo de  Bombeiros Sapadores de Setúbal protagoniza um calendário onde 12 elementos da corporação aparecem com os materiais de serviço junto das viaturas em poses enérgicas e em tronco nu. Além de o terem feito certamente para se divertirem um bocado, os bombeiros destinaram a receita das vendas do calendário à Cáritas, penso eu que seja a delegação de SetúbalDiga-se que as fotos até são despidas de artifícios e muito naturais, não lhes encontro qualquer mau gosto ou nota mais exibicionista. Do meu ponto de vista chamar-lhes eróticas já é forçar muito. Digam que são umas quantas fotos sexy e já estará bem. Eis uma amostra do calendário para 2014, o mês de Março.

As fotografias são de Rita Ribeiro.

Aceda à página Calendário Bombeiros Sapadores para conhecer mais sobre o projecto. Para comprar dirija-se às instalações do Fundo Social Cultural e Desportivo do Pessoal da companhia, Estrada de Algeruz. A encomenda e envio à cobrança faz-se mediante um contacto feito pelo endereço electrónico calendariosapadoressetubal@gmail.com.

Este tipo de iniciativa não é novidade, talvez o seja em Portugal. No Verão foi notícia o calendário para 2014 dos Bombeiros do Aeroporto de Barajas, em Madrid, também ele destinado a fins de beneficência. Neste caso as fotografias foram objecto de pós-produção e os bombeiros quase surgem com uma aura de super-heróis. O que me parece também muito adequado pois bombeiros serão talvez o que mais se aproxima de heróis da Marvel, mas, felizmente para nós, bem reais. O mês de Junho é protagonizado por uma mulher o que também não está nada mal. Mostrar respeito pela igualdade de género é sempre oportuno. Vejam uma amostra:


 Para ver o calendário completo é aceder ao site

Nos Estados Unidos iniciativas deste género só não são banais porque as pessoas nutrem uma grande admiração pelos bombeiros, considerando-os como heróis a tempo inteiro. O calendário dos Bombeiros de Nova Iorque é emblemático. Na edição para 2014 os 12 bombeiros posaram junto de conhecidos espaços citadinos. Uma porção da receita das vendas reverte para um Centro de Queimados. O calendário já se faz há pelo menos 19 anos.

Para ver o calendário completo, aceda ao site.

O falatório sobre o calendário sexy dos Bombeiros Sapadores de Setúbal talvez não tivesse alastrado de forma tão significativa pelas redes sociais não fosse a recusa da Cáritas em receber o dinheiro assim angariado. É impossível deixar de censurar a atitude de quem decidiu assim. Nada pior do que querer ser mais papista do que o Papa. As encomendas vão de vento em popa e todos nós que andamos a escrever sobre isto estamos a contribuir para que elas aumente mais ainda. Infelizmente não faltam outras instituições a quem os bombeiros possam entregar a verba arrecadada e, em último caso, porque não ficar a própria corporação com o dinheiro? Afinal o que fazem os bombeiros senão prestar auxílio a quem precisa? Quantas vidas não são protegidas e salvas graças à sua acção? 

E que maior exemplo de abnegação e vivência cristã do que estar disposto a arriscar a própria vida para salvar a do próximo? Espanta-me que a Cáritas, melhor, que a pessoa que em nome da Cáritas tomou a decisão, não tenha sido capaz de passar por cima do seu próprio conservadorismo e preconceito ou mesmo até afrontar um superior mais radical e marcar posição. Até parece que estamos no Qatar, onde, em Abril passado, três estátuas de atletas gregos nús tiveram de ser removidas de uma exposição - Olympics, Past and Present - e devolvidas à Grécia! Afinal não é certamente essa pessoa da Cáritas que precisa de ajuda, essa pessoa é um mero intermediário. Se eu dependesse da Cáritas ficaria muito revoltada por saber desta recusa. Que eu saiba não estamos em maré de falsos moralismos, estamos a viver dias em que se impõe usar o cérebro a 100% e mesmo assim por vezes não chega para saber como usar dos melhores critérios e ser justo. Todos os dias cresce o clamor destas instituições pois não têm como dar resposta aos crescentes pedidos de auxílio. E depois vem um qualquer que só vê pecado e ignomínia nuns quantos torsos nus e recusa um donativo. Um qualquer que não é capaz de ver beleza, trabalho abnegado, - porque aquelas fotos mostram também o trabalho da corporação -  generosidade e até criação divina. Não. Vê, isso sim, o inferno, a decadência, a vergonha. Se eu fosse um dos bombeiros sentir-me-ia humilhado na minha dignidade, nem sequer duvido que alguns sejam católicos. Levantar obstáculos quanto à origem do dinheiro é totalmente desprovido de sentido pois a Cáritas até pode receber dinheiro que é fruto de actividades ilícitas - os donativos são anónimos e o seu NIB amplamente divulgado. Mas as instituições são os homens e os homens são muitas vezes tacanhos e e por isso que o inferno é, de facto, uma realidade terrena.

Talvez a Cáritas considerasse de melhor tom receber receitas provenientes da venda de um calendário de padres de Lisboa à semelhança do Calendário Romano e dos seus 12 padres fotografados nas ruas de Roma, que já vai na segunda edição. É um souvenir presente nas lojas do Vaticano para turistas mais ou menos devotos... 

Para ver o Calendário Romano, entrar aqui.

12/12/13

As nomeações para os Globos de Ouro 2014

2014 Golden Globes Nominations - Lista completa aqui

. BEST MOTION PICTURE – DRAMA

12 YEARS A SLAVE
Plan B Entertainment, New Regency Productions and River Road Entertainment; Fox Searchlight Pictures

CAPTAIN PHILLIPS 

Columbia Pictures; Sony Pictures Releasing 

GRAVITY
Warner Bros. Pictures / Esperanto Filmoj / Heyday Films; Warner Bros. Pictures 

PHILOMENA 
Pathe, BBC Films, BFI, Canal+, Cine+, Baby Cow/Magnolia Mae; The Weinstein Company 

RUSH 
Universal Pictures, Cross Creek Pictures, Exclusive Media, Imagine Entertainment, Working Title, Revolution Films; Universal Pictures


. BEST MOTION PICTURE – COMEDY OR MUSICAL


AMERICAN HUSTLE
Columbia Pictures and Annapurna Pictures; Sony Pictures Releasing 

HER 
Warner Bros. Pictures / Annapurna Pictures; Warner Bros. Pictures 

INSIDE LLEWYN DAVIS 
Mike Zoss Productions, Scott Rudin Productions, Studio Canal; CBS Films 

NEBRASKA 
Paramount Vantage; Paramount Pictures 

THE WOLF OF WALL STREET
Paramount Pictures and Red Granite Pictures; Paramount Pictures


. BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A MOTION PICTURE – DRAMA 
CATE BLANCHETT - BLUE JASMINE
SANDRA  BULLOCK - GRAVITY
JUDI DENCH - PHILOMENA
EMMA THOMPSON - SAVING MR. BANKS
KATE WINSLET - LABOR DAY



. BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A MOTION PICTURE – DRAMA 
CHIWETEL EJIOFOR - 12 YEARS A SLAVE
IDRIS ELBA - MANDELA: LONG WALK TO FREEDOM
TOM HANKS - CAPTAIN PHILLIPS
MATTHEW MCCONAUGHEY - DALLAS BUYERS CLUB
ROBERT REDFORD - ALL IS LOST



. BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A MOTION PICTURE – COMEDY OR MUSICAL
AMY ADAMS - AMERICAN HUSTLE
JULIE DELPY - BEFORE MIDNIGHT
GRETA GERWIG - FRANCES HA
JULIA LOUIS-DREYFUS - ENOUGH SAID
MERYL STREEP - AUGUST: OSAGE COUNTY



. BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A MOTION PICTURE – COMEDY OR MUSICAL 
CHRISTIAN BALE - AMERICAN HUSTLE
BRUCE DERN - NEBRASKA
LEONARDO DICAPRIO - THE WOLF OF WALL STREET
OSCAR ISAAC - INSIDE LLEWYN DAVIS
JOAQUIN PHOENIX - HER



BEST FOREIGN LANGUAGE FILM

BLUE IS THE WARMEST COLOR (FRANCE)
(La vie d’Adele, chapitres 1 et 2)
Quat'sous Films; IFC Films

THE GREAT BEAUTY (ITALY)
(La Grande Bellezza)
Indigo Film, Medusa Film, BABE Films; Janus Films

THE HUNT (DENMARK)
(Jagten)
Zentropa Entertainment; Magnolia Pictures

THE PAST (IRAN)
(Le passé)
Memento Films Production, France 3 Cinema, BIM Distribuzione;
Sony Pictures Classics

THE WIND RISES (JAPAN)
(Kaze tachinu)
Studio Ghibli; Touchstone Pictures

12/11/13

Animação de Natal na Figueira da Foz



Vila Natal
Junto ao Forte de Santa Catarina, estarão pequenas e coloridas casinhas, onde pequenos e grandes se poderão divertir.
Nas férias escolares que se avizinham será lançado um desafio aos ATL’s, para que todas as casinhas sejam decoradas com motivos de Natal.

Exposição de Pais Natal

Estará patente no Meetingpoint, de 13 de dezembro a 5 de janeiro, uma exposição que albergará cerca de mil Pais Natal, de todos os tamanhos, materiais e formatos.

Feira de Natal

Mostra de Artesanato e Produtos Regionais da Figueira da Foz 2013
Este evento que se realizará no Pavilhão Multiusos (Parque das Gaivotas), de 13 a 24 de dezembro, visa promover e divulgar os mais variados produtos regionais e artesanais integrados na quadra festiva da época natalícia. Os artesãos e produtores locais proporcionarão ao visitante todo o tipo de produtos, desde os tradicionais presépios aos doces natalícios. Estarão ainda presentes nesta feira algumas IPSS’s do Concelho com as suas vendas de Natal.

Fun Zone
Ao lado do Pavilhão Multiusos, onde decorrerá a Feira de Natal, será colocada uma tenda coberta, que será mais um local destinado à brincadeira, com Kart’s a pedal e insufláveis, entre outras as atividades para jovens e crianças.

Presépios na Cidade
Com o apoio de alguns cidadãos, da Câmara Municipal e Aciff, será realizado o tradicional Presépio junto à Praça 8 de Maio.

Música ao vivo e som ambiente nas ruas
Assegurado pela Aciff, durante a quadra natalícia haverá música ao vivo e som ambiente pelas ruas da cidade e junto às áreas comerciais.

Desfile motard de Pais Natal

No dia 15 de dezembro, o Grupo Motard Amigos de S. Julião organizará um desfile de Pais Natal, que percorrerá diversas ruas e avenidas da cidade.
O ponto de encontro, para todos os motard’s que se queiram juntar ao desfile, será na Praça Velha, pelas 14h.30m.

Christmas Day Parade
A Christmas Day Parade – Parada de Natal da Figueira da Foz, será mais um evento de Natal que terá como objetivo principal a dinamização da cidade e será da responsabilidade da Associação Solidariedade com Rosto – Associação de Apoio à Crise.


O evento desenrolar-se-á nos espaços circundantes do Forte de Santa Catarina, Avenida 25 de Abril, Bairro Novo e Jardim Municipal e terá lugar no dia 21 de dezembro, a partir das 14h00. O ponto de encontro de quem quiser participar será no Pavilhão Multiusos, terminando o desfile com um espetáculo de variedades na Esplanada Silva Guimarães.

Cortejo dos Reis Magos
Ano após ano e dando continuidade à tradição, a Filarmónica 10 de Agosto e a Sociedade Filarmónica Figueirense realizarão o tradicional Cortejo da Espera dos Reis, no domingo dia 5 de janeiro, recordando a chegada dos Reis Magos a Belém. Seguir-se-á a centenária representação teatral do Auto dos Reis Magos, junto ao Presépio da Praça 8 de Maio.

11/30/13

Querem fazer de nós burros!

Como muitos de nós eu tenho conta no Facebook. Em certas ocasiões a gente começa a ver partilhas na timeline quase em modo automático. As pessoas nem tecem considerações, limitam-se a partilhar. Por regra é qualquer coisa que dispensa explicações. Ontem li um título - Portugueses comparados com burro mirandês - numa dessas partilhas. Pensei, ora bolas, agora até nos comparam com burros, isto está bonito. Mas eu gosto de burros e em especial desta raça de burros. À partida não seria nada de muito mau, antes isso que compararem-nos com preguiças, aqueles pachorrentos animais dos trópicos, em sintonia com aquela imagem que colaram ao povo Grego, todos uma grande cambada de preguiçosos, povos do sul da Europa, o que nós queremos é sol e festas em honra de Baco! 

Título: o Jornal Expresso colocou a tónica no burro mirandês...


Já o Correio da Manhã preferiu colocar a tónica na comparação entre
portugueses e burros.


O Jornal de Notícias também não falhou "a metáfora". 


O dia passou e ao fim da tarde fui ver o que era afinal aquilo.  A essa hora já havia muitos comentários de gente irritada. Eu penso que os jornalistas online fazem isto de propósito apenas para terem com que se rir nas horas mortas em que nada acontece neste país de burros. Senão, leiam alguns dos comentários: 

"A situação de Portugal é péssima, melhorias nem vê-las, mas tanto a fotografia de capa, como a comparação é inaceitável. Era de bom gosto um pedido de desculpas de Obama a Portugal."

"O jornalista esquece-se ou não se lembra que os portugueses são de Portugal e os burros são de toda a parte do mundo, OK?"


"Portugueses, não percam tempo a ficar indignados com este artigo... são apenas vozes de burros."

"Não se preocupem! «Isto» faz parte do plano pra desmoralizar e mais desorientar os poortugueses do que aquilo que já estão. Eles «chamam-nos» de burros mas juntos seremos capazes de lhes dar um «coice»? Vamos a isso?"

"Pois é! Mas as esta gente esquece que se nao era o portugues eles nem existiam. Antes se o serem ja o éramos."

"Este jornalista fez mesmo figura de burro, o que não é de admirar já que a cultura geral dos Americanos deixa muito a desejar. Na Europa existem programas de ajuda a espécies ameaçadas de extinção como por ex. o Lince Ibérico e outras. Os Portugueses não vivem de subsídios, os Portugueses trabalham. Na Europa existe um programa de subsídios para melhorar a integração de países mais pobres, em áreas especificas, como a agricultura as pescas, etc.Este jornalista, em vez de se preocupar com o burro mirandês, devia estar preocupado com a falência de algumas cidades Americanas, ou com a exploração infantil ou o trabalho escravo das multinacionais do seu país."

"Senhor jornalista, permita-me que o considere um imberbe comandante de uma cáfila sem ideias num projecto jornalístico de opinião(?)O burro sabe mais do que o senhor pensa v,g, sabe parar e avançar quando muito bem quer e o senhor não soube parar na sua ironia pálida de quem se julga capaz de interpretar o burro - estude...Por não valer a pena perder tempo com quem escreve (neste caso) com pouco saber... Não gasto mais cera com fraco defunto."

"Pelo menos aqui em Portugal um burro não consegue chegar a presidente."

Eu comecei por examinar os títulos. Vamos então a títulos usados pelo NY Times, na edição europeia: Hard Times for a Small (and Fuzzy) Group of Europeans - PARADELA, Portugal — It’s not easy being a donkey today. Ou seja, Tempos difíceis para um pequeno (e peludo) grupo de Europeus. Paradela, Portugal - Não é fácil ser um burro, hoje. 

Na edição em papel, lê-se "In Portugal, a beast of burden lives on subsidies - Latest threat to survival for endangered donkey may be E.U. budget cuts. Isto é: Em Portugal, um animal de carga vive de subsídios. - A última ameaça à sobrevivência do ameaçado burro poderá ser o corte orçamental da União Europeia.


E quanto ao contundente(!) parágrafo que está na origem desta história, lê-se no  artigo do NY Times   que "After decades of neglect and, some argue, misunderstanding, the fate of the donkey has come to resemble that of its human counterparts in hard-pressed European hinterlands: threatened by declining population and dependent for its survival on, yes, subsidies from the European Union." ie, segundo eu entendo," Depois de décadas de negligência e, argumentam alguns, mal-entendidos, o destino do burro começou a assemelhar-se ao dos seus parceiros humanos nas remotas zonas europeias em dificuldades: ameaçadas pelo declínio da população e dependentes para a sua sobrevivência, sim, dos subsídios da União Europeia." 

Devo ser burra. Li e reli o texto e não percebi porque razão quiseram os nossos jornalistas levantar esta mosca, "a metáfora!" Raphael Minder escreveu sobre o  declínio do burro mirandês - uma raça que serviu tão bem os portugueses, diz ele, no trabalho do campo e de carga, está ameaçada pela mecanização da agricultura, pelo êxodo rural que dita que os mais jovens tenham deixado as terras e que os mais velhos estejam demasiado velhos para cuidar dos animais. Em cima de queda, coice, diria a minha avó. Ou, por outras palavras, um mal nunca vem só. Mais recentemente os nossos burros estão ameaçados pelos cortes nos fundos europeus, sendo que são eles que garantem actualmente a sua sobrevivência. Carinhosamente o jornalista até os intitula de "fuzzy Europeans" mas até já li alguém dizer que isto era uma afronta!! "Fuzzy" apenas significa "coberto de pelo" e dar ao burrinho mais lindo do mundo um estatuto europeu até seria um privilégio se isso agora, mercê da austeridade em que estamos mergulhados, não significasse antes uma desvantagem. No entanto são os fundos europeus que têm pago os esforços de quem tenta conservar a espécie, isso ele também refere neste artigo. Cita também as palavras de Javier Navas, segundo este veterinário os agricultores mantêm os burros por amor e não por causa dos subsídios. Digam lá se este pormenor não aquece o coração de qualquer leitor. O texto também encerra um forte alerta acerca do risco de extinção dos burros em Portugal e no mundo. Menciona ainda o estúpido preconceito que as pessoas (ainda) têm contra o burro considerando-o como o animal dos pobres e o mais idiota dos animais. Esta imagem terá até sido responsável pelo afastamento da atenção da generalidade dos cientistas sobre a  espécie. 

É afinal um português, o presidente da Câmara de Paradela e Ifanes, quem acaba por ser realmente contundente ao dizer que os subsídios recebidos tornaram as pessoas dependentes deles, avessas ao espírito de inovação, ao desejo de modernização ou aumento da produtividade. Além disso, o artigo ainda menciona o renovado interesse dos jovens pela vida rural, mesmo a encerrar, o que não deixa de ser um motivo de orgulho para quem preza a terra, como eu.

Ou seja, mais uma vez, obrigada comunicação social, prestam um grande serviço ao povo. Isto tem alguma justificação? Os jornalistas deviam informar-nos e não fabricar histórias dentro de histórias, sobretudo quando o resultado não é nada edificante. As pessoas, muitas não leram o texto do NY Times, nem tinham de ler, ninguém tem de saber inglês. Pelos vistos os jornalistas também não sabem, nem inglês, nem como ser jornalistas. A malta reagiu contra o jornalista americano e daí até à generalização habitual foi um instante, viva a verborreia anti-americana, e  a culpa disso nem pertence aos comentadores que aí foram conduzidos por um título que distorceu todo o conteúdo de um texto, no seu todo, pleno de interesse.

Mas a história não acabou aqui. O bom jornalismo continuou em força.  Um jornalista do Público contactou o jornal americano para lhe perguntar "se a sua  intenção era ou não fazer uma comparação entre a extinção do burro mirandês e o interior do país." Raphael Minder, correspondente do jornal norte-americano em Portugal e Espanha, respondeu que isso seria absurdo. Mas é claro. O que é que ele havia de ter respondido? Disse também que recebera diversas mensagens de portugueses descontentes. Viva a burrice!

11/27/13

Fabulous Fashionistas, um documentário do Channel 4


Estas seis mulheres que podem ver no print acima têm uma média de idades que ronda os oitenta anos. A realizadora de Fabulous Fashionistas é Sue Bourne, ela está ligada à produção de um documentário que talvez tenham visto, The falling man, relacionado com o 11 de Setembro. Neste curioso documentário do Channel 4 questiona-se, a propósito de estilo e moda, se a terceira idade tem de ser aborrecida e vivida na invisibilidade, no recolhimento, abdicando, portanto, antes do tempo de viver a vida ao máximo. Quem são as mulheres acima? 

A primeira, Sue Kreitzman, americana a viver em Londres, tem 73 anos e é artista. Ela escrevia livros sobre cozinha saudável e dietas e tinha imenso sucesso. De um momento para o outro teve uma epifania e descobriu a arte para choque da sua família e amigos quando estava a terminar o seu 27º livro, que se tornaria o seu último. Nunca mais parou de criar e de viver rodeada de cor. Ela compõe o seu guarda-roupa, nunca sai à rua sem os seus acessórios. Habituou-se a ser olhada e fotografada na rua, isso não a incomoda. O seu conselho: não vistam beige, o beige suga de nós toda a vida que temos! Mata qualquer uma. Liberta da tirania da moda ela encontrou a liberdade para se afirmar e está confortável com isso.


" Não uses beige. Irá matar-te"

A segunda é Bridget Sojourner, tem 75 anos. Trabalhou como educadora para a saúde durante longos anos. Recebe uma pensão do Estado e veste-se nas lojas de roupa em segunda mão. Mas nem por isso deixa de ter estilo.Trabalha como jardineira para conseguir mais dinheiro.  Ela abraçou uma campanha para mostrar à sociedade que a terceira idade existe, que envelhecer não é tornar-se invisível. Tenta passar a sua mensagem junto de agências de comunicação mas a conclusão é que estas não estão ainda prontas para aceitar esta forma de viver a terceira idade. Os anunciantes, seus clientes, querem velhinhas doces de chinelos e andarilho. A comunicação é terreno para os novos, não para os velhos. Dizem-lhe que, se a aceitassem, seria por ela mesma e não como representante de uma nova visão da terceira idade.


" Todos os dias as pessoas param-me na rua, 
estupefactas por eu ter tanto estilo nesta idade."


A terceira, Gillian Lynne, tem 87 anos. Esta senhora é realmente fabulosa. É directora teatral, dançarina e coreógrafa, e continua a trabalhar todos os dias. Trabalhou no West End nos musicais Cats e Phantom of the Opera. Segue uma rotina de 40 minutos de alongamentos diários, assim que sai da cama. Não que o faça sem esforço, mas diz que precisa. Ela aparenta metade da idade que tem, verdade, extraordinário. O marido tem menos 20 anos do que ela.  


"Reformar-se é perigoso."

Jean Woods, tem 75 anos. Depois de perder o marido olhou à sua volta, precisava de se sustentar e de encontrar uma razão para ser útil. Acabou por encontrar a moda. Foi o filho quem a encorajou, foi ele quem sugeriu que ela fosse à GAP, em Bath, onde acabou por ficar um ano; depois mudou para uma outra boutique de roupas com que se identificava mais. Corre três vezes por semana e nem um joelho de metal a faz abrandar.

"Não há limite de idade para ter estilo. 
Não me visto para parecer mais jovem. 
Visto-me para me sentir eu mesma."

A senhora de chapéu é a mais velha, tem 91 anos e é a Baronessa Trumpington. Divide o seu tempo entre as sessões na Casa dos Lordes, as visitas ao cabeleireiro e as compras semanais. Mas para comprar roupa prefere os catálogos, já não tem paciência para ir às lojas e, além disso, diz que a roupa lá é mesmo barata.

" A simplicidade é a chave. "

A última é Daphne Selfe e este é o seu portfolio. Daphne usa cabelo longo e tem 85 anos.É a mais velha modelo de Inglaterra, avó de quatro. Foi descoberta pelas agências quando tinha 70 anos. Sim, ela apareceu até na Vogue italiana. Podem encontrar fotos suas na recente campanha de outono da TKMaxx 2013.


"O momento em que desistimos de nós 
é o momento em que ficamos velhas."


Ideias de como as pessoas idosas se devem comportar, desta ou daquela forma, e por nenhum outro motivo que não seja o da sua idade, não faltam. Mas a verdade é que esta é uma questão cultural, que apresenta diferenças de sociedade para sociedade e que sofre alterações ao longo dos tempos. Mas na sociedade em que vivemos, é essa a que o documentário Fabulous Fashionistas se refere, é como se o processo de envelhecimento ditasse apenas por si uma sentença de morte antecipada. A vida parece pertencer aos jovens. Mesmo na ausência da doença ou de uma acentuada diminuição de capacidades físicas e intelectuais, a tendência é para julgarmos os mais idosos como acabados. Eles mesmos também cedem a essa postura e, ou acabam por se conformar com ela, meio azedos, ou cultivam, até com certa naturalidade, a ideia de que "já fizeram tudo", que " estão prontos para partir", que nada mais há para descobrir ou empreender. É como se a partir de certa idade as pessoas se reformassem não apenas do trabalho mas da vida no seu todo, demitindo-se até de ser felizes apenas porque já viveram tudo. O fim da vida é invariavelmente pardacento, um remoer de memórias, nada mais.

Estas seis senhoras, cuja média de idades se situa nos 80 anos, foram convidadas a mostrar como encaram o seu dia-a-dia. Não se limitam a combater essas ideias como, na prática, levam uma vida condizente. No meu caso, não preciso delas para me inspirar. A minha avó viveu além dos 90 anos e manteve-se activa, cuidando de si, da casa, das netas, dos pássaros, das plantas, vendo TV, lendo. Por fim o coração acabou por ceder. Ela era uma pessoa comum, ou seja, não se pense que é preciso ser um membro do Governo, modelo, artista ou coreógrafa, para pensar como estas senhoras. Certo que, por vezes a vida dá uma ajuda, noutros casos, não. A minha avó era, como elas, uma pessoa saudável, de espírito forte, determinada. Não fazia ioga, nem tai-chi nem a espargata. Não era uma artista, nem era sequer assim exuberante mas também não usava beije. Sei que no seu espírito havia sempre cor. Isso deve ter bastado. Não teve uma vida fácil. Mas nunca parou até o coração parar. 

Pensando nelas, as mulheres do documentário, vejo que se conhecem bem, que são genuínas na forma como pensam e agem. Não se enganam a si mesmas nem querem enganar ninguém. Também não são super-mulheres. Elas contam que passaram por traumas diversos, como qualquer uma, apenas seguiram em frente, melhor que algumas, agarrando o amanhã com tenacidade, sem desistir e sem lamurias  Não as vemos a seguir por caminhos com os quais não se sintam confortáveis, elas sabem até onde podem ir, mesmo a mais artista delas conhece os limites, ela não quer parecer uma tonta qualquer. O uso da cor surge como algo importante, uma afirmação contra a invisibilidade, aquele lugar para onde a terceira idade é tantas vezes atirada. Não usem beije, não se escondam, diz ela. Não passem despercebidas. Mas ao mesmo tempo sejam simples, nada de muita confusão, não sejam trapalhonas - se nunca o foram, não vão sê-lo agora. Não receiem a mudança, uma delas escrevia livros de cozinha e depois tornou-se artista. Seguir por um novo caminho pode dar-nos uma vida nova, é o que se conclui. E quem disse que é tarde demais? Apesar de não vermos estas senhoras a correr para o spa e a injectar-se com botox, fica claro que elas têm cuidados de beleza: usam maquilhagem e tratam os cabelos. E fazem exercício físico. Mas fazem-no na rua, em casa, no jardim. Ou seja, podemos não ter dinheiro para ir ao ginásio, mas sempre poderemos fazer qualquer coisa, no mínimo dos mínimos podemos caminhar e respirar ar puro todos os dias. O corpo precisa de ser usado, os músculos ainda lá estão, todos os ossos do esqueleto - a não ser que tenhamos um joelho de metal! Não se pode ceder à doença, pois se cedermos um milímetro, a doença cobra-nos uma milha, diz uma delas. Nem à doença nem à vida, ou seja ao acomodo, às dificuldades, ao que os outros dizem, aos estereótipos. Na realidade precisamos de nos mexer até ao fim da nossa vida, um corpo exercitado vai superar melhor as eventuais provações, uma queda, uma fractura. Todas estas senhoras foram abençoadas com meios de subsistência, uma vida confortável. Quem sabe se estariam assim tão bem se tivessem passado por provações diversas. Uma delas, a coreógrafa, diz-nos que contraíu uma pneumonia recentemente e que à noite nem tinha coragem de dormir, com receio de morrer durante o sono. Ainda estava a recuperar nas últimas imagens que nos mostram dela e o abalo físico era notório. Mas ao mesmo tempo dizia que ansiava apenas sentir de novo "os cavalos a galopar" e esse seria o momento de voltar ao trabalho. Além de gostarem delas mesmas e do exercício físico, o trabalho parece ser outro dos elementos do seu elixir da juventude. Todas elas são activas, Gillian, em especial, chegando até a temer o momento da reforma: parar é morrer. Não tem planos para se reformar. Activas, todas, com muito interesse pela vida: - Amem a vida, porque não há uma segunda oportunidade, diz a Daphne. Se puderem vejam. São apenas 40 minutos.

11/21/13

Refúgio da Fátima, na zona do Porto, precisa de ajuda

Alguns dos animais que
se encontram no FátimaRefúgio

Gente amiga dos animais!

Vou partilhar aqui duas mensagens da Fátima. É uma professora do Porto que há cerca de um ano conseguiu ajudas para construir um abrigo para albergar cães e gatos de rua. Foi uma obra que reuniu a ajuda de muita gente, uma coisa bonita. Mas agora a pessoa que cedeu o terreno precisa de o reaver e a Fátima tem dezenas de animais a seu cargo, 14 deles abandonados à sua porta  durante o passado verão. Eu segui a construção do abrigo através do Facebook e na altura divulguei aqui no blogue a iniciativa da Fátima. Qual não foi a minha surpresa quando, há um par de semanas, tomei conhecimento de que ela e os animais estavam novamente num aperto. O tempo é o maior inimigo da Fátima. A Fátima tem até ao fim do ano para resolver esta situação. Não vamos deixar que a Fátima chegue ao Natal mergulhada neste dilema, vamos? 

É triste ver tanto trabalho e dinheiro prestes a serem desperdiçados. Mas há que encarar a situação e sobretudo encontrar uma solução. Pensem na angústia por que a Fátima está a passar e no destino incerto que os animais enfrentam nesta hora. Eu adoro animais e nunca, mas é que nunca teria a coragem de fazer o que a Fátima fez. Por isso ela merece o meu respeito e admiração. Os animais precisam de pessoas como ela e nós precisamos de pessoas como a Fátima, pessoas que façam aquilo que não somos capazes de fazer mas que até gostávamos de fazer. 

Mas todos podemos fazer qualquer coisa para salvar estes animais. O quê? Ora vejamos:

1. Podemos divulgar esta postagem. Copiem o link, para o vosso blogue, para o a vossa caixa de email, Twitter, Facebook -  façam circular esta mensagem o mais possível. É imperioso, é fundamental. Isso não demora mais do que UM MINUTO. Nem precisam de escrever mais do que uma linha. Não há desculpa para não agir!

2. Podemos contribuir com ajuda monetária para a Fátima poder comprar ração e desparasitantes. 1 EURO não é muito mas muitos euros fazem a diferença. Não se envergonhem de darem o pouco que possam dar. 1 EURO É DINHEIRO. Há Multibancos em todo o lado, há o Paypal. É fácil.

(Só para terem uma ideia, pois nem toda a gente tem animais: 15 kg de ração seca Pedigree custam 46 euros, mais ou menos. Os animais precisam de comer todos os dias. Quanto a desparasitantes, o Advantage 10-25 kg, para cães, são 4 pipetas, penso que uma por mês, aplica-se no dorso dos bichos, e custa 20 euros.)

3. Se vivem na zona do Porto e se souberem de algum terreno, alguma quinta que possa servir para alojar os animais contactem a Fátima pelo telemóvel: 919953465. Mas atenção:ela precisa de uma solução, algo sério. Liguem apenas se tiverem a certeza de que o terreno poderá vir a ser utilizado para o efeito. De duas, uma:ou serão os donos do mesmo ou terão sondado a possibilidade junto do seu dono antes de ligar. Não façam a Fátima perder tempo que ela não tem ou gastar ainda mais gasóleo do que tem gastado.

4. Se souberem de alguém que queira adoptar um cão indiquem os álbuns de fotografias da Fátima Refúgio no Facebook. Ela tem animais muito bonitos e pelas fotos parecem-me  bem tratados. As fotos estão bem documentadas, têm informação sobre os animais. Neste momento diminuir o número de cães que a cargo da Fátima é uma via que pode facilitar a resolução do problema. 

E para finalizar, aqui deixo as mensagens da Fátima. Quero dizer que não conheço a Fátima pessoalmente mas não tenho dúvidas em relação à sua dedicação aos animais nem à seriedade dos seus propósitos, mais do que evidenciados nas fotografias que tem disponibilizado no Facebook desde sempre. Se tiverem qualquer dúvida, poderão contactá-la, estou certa que ela vos esclarecerá. Por isso divulgo este apelo, solicitando a vossa atenção. Obrigada a todos!

No dia 2 de Novembro a Fátima partilhou a seguinte mensagem no Facebook:

A situação é verdadeiramente aflitiva.Peço ajuda na divulgação dos álbuns dos animais para adopção e na procura de um terreno isolado... seguro... por favor...Obrigada

https://www.facebook.com/pages/Fátima-Refúgio-Adopções/235284266523116

Para quem não se lembra:
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.1575816691696.48372.1723969378&type=1&l=e585349e3d

E agora o Abrigo vai ter que sair do local onde está até ao fim do ano... o terreno, que era emprestado, vai ser vendido!! Peço ajuda para encontrar uma solução válida... segura... urgente...!!! Peço ajuda na partilha dos álbuns dos animais para adopção... quantos menos tiver que levar mais fácil será encontrar um espaço... penso...
Obgrigada!


Hoje, dia 21 de Novembro, a Fátima está mais desesperada:


Olá boa gente!

Desculpem demorar tanto tempo a dar notícias, mas não consigo vir aqui com a frequência que queria e devia... só dá na escola e por muito pouco tempo...
Não, infelizmente nada está a correr bem... continuo sem encontrar um espaço viável para me mudar com os miúdos e de tanto gasóleo gastar na procura, estou agoa também com muita dificuldade para os alimentar e tratar como deve ser... vejo-me por isso obrigada a pedir agora também ajuda com ração (seca e húmida) e, se possível, também com desparasitantes (internos e externos)... desculpem mas bati completamente no fundo, tudo piorou e já não há por onde esticar mais! 

Peço também desculpa a quem tem mantinhas para me dar e que ainda não consegui ir buscar porque além de ter que rentabilizar ao máximo as viagens, não me consigo desdobrar... sou sozinha a tratar dos animais e o sábado e domingo são os únicos dias que lhes posso dedicar por inteiro e fazer as limpezas mais a sério... o resto da semana só dá mesmo para limpar o mais superficial, abastecer de ração e pouco mais... e mesmo assim nunca me consigo deitar antes das 2 ou 3h da manhã... enfim, com o tempo a chegar ao fim e com tudo a piorar, tem sido uma vida muito complicada, bastante sofrida e solitária no dia a dia... e o pior de tudo é que acabam por ser sempre eles quem mais sofre! Menos tempo comigo, menos mimos, menos liberdade, menos comida... menos tudo o que é mais importante para eles se sentirem minimamente felizes!! 

Tenho um miúdo,(cão) o Moniz, que tem um problema neurológico grave que só consegue esquecer quando é passeado... nem para o passear consigo ter tempo... e nem sequer quem o possa ou queira fazer...

Está tudo a ser muito difícil... estou cada vez mais num beco sem saída e cada vez mais cansada e a ficar sem ânimo e força para continuar... quem puder por favor que me ajude pelo menos com ração...
Obrigada

Contactos:

tlm - 919953465
fatimapxtcst@gmail.com

nib - 003505970003922390065 (CGD)

11/20/13

El empleo/The employment - cinema de animação


Blogue do animador Santiago Bou Grasso - Argentina

Ronaldo e a Pepsi = disPEPSIa.




disPEPSIa. Sai um Surströmming(peixe) e um tunnbröd(pão) para a janta. Caso não saibam o que é...é o tal peixe podre sueco. Seguramente que eu teria uma indigestão apenas de cheirar essa iguaria! Mas a indigestão lusa de ontem  não se ficou a dever ao peixe e antes a esta campanha da Pepsi, muito indigesta, em especial a última imagem. "Vamos passar por cima de Portugal".Essa é a legenda que acompanha o boneco de feltro. A imagem foi colocada a circular nas redes antes do jogo entre Portugal e Suécia, aquele que decidiu o apuramento da selecção Portuguesa para o Mundial que decorrerá em 2014 no Brasil. Portugal venceu a Suécia (3-2) e Ronaldo marcou os três golos. Nem a vitória fez acalmar os ânimos: viva a polémica!
Desde que as fotos começaram a circular no Facebook a página sueca da marca foi tomada de assalto pela indignação dos adeptos da selecção portuguesa e fãs de Cristiano Ronaldo, alguns decerto também consumidores do célebre líquido acastanhado concorrente da Coca-Cola. A dispepsia era o tom.

"Shame on you! Shame on you! You're a disrespectful and unprofessional brand and you did not manage to achieve anything positive at all with that ridiculous, non-humorous and offensive campaign. It serves you right that 10.6M people shutted you up tonight, and will stop drinking Pepsi. Oh, and as we say in Portugal: the fishes die by their mouth. I hope that easily translates as: when you speak too much, you'll eventually bite the hook and get caught. I'm sure you won't forget to tune your TVs to watch Portugal playing in Brazil.And by the way, don't forget to close the "Friends Stadium" cover."

Foi o Nuno Vilaça quem escreveu. Eu não o conheço, nunca o vi mais gordo. Dele apenas conheço um quadradinho, aquele que antecede a sua entrada triunfante na página da Pepsi no Facebook - neste momento este enxovalho à Pepsi já vale 754 Likes. Well done, man, well done. Mas isto foi somente um exemplo. A Pepsi sueca nem precisa de fazer os cálculos do tiro no pé, basta aproveitar os números presentes em alguns dos comentários e deitar as mãos à cabeça. 



A sucursal sueca deu-se mal com a história e até parece que levou um puxão de orelhas da multinacional americana. Apressaram-se  a pedir a clemência lusa. "We would never want to put the sport or the spirit of competition in a negative light. We regret if people were offended by the posts; they were immediately taken down. We would like to extend our apologies to all concerned." - E pronto. Um pedido de desculpas escorreito e limpo. "Nunca quisemos dar ao desporto ou ao espírito de competição uma conotação negativa. Pedimos desculpa a todos aqueles que se sentiram ofendidos."  Mais. Até responderam a comentários individualmente - ó gente, só os suecos. "Dear Luis, we understand your anger and frustration and we regret that we offended you and many others with the posts; this was never the intention and also the reason why they were taken down immediately. We never wanted to put anyone in a negative light.Our apologies goes out to everyone involved, Cristiano Ronaldo, the Portuguese football team and their fans."

Pronto. Foi bonito.  Os totós que andaram a brincar aos criativos pediram desculpa. Nós até ganhámos o jogo.Vamos todos em paz e que Cristiano Ronaldo nos acompanhe até ao Brasil?! Não, nada disso. Mas qual paz?! Quando tocam nas nossas bolas a malta fica como que intoxicada até ao mais profundo de si e enquanto não espirra tudo quanto lhe vai na tripa, não se cala. A esta hora continuamos a dissecar o episódio, a justificar a sua indecência, a extrair consequências e a gritar que é tarde demais para pedir desculpa. Tarde demais? Ó pás, sejam educados, aceitem lá o pedido de desculpas dos suecos com um sorriso grande e vão à vossa vida. O quê?! Não. Nada disso. Nós pimba, nós pimba. Ora zumba na caneca, ora na caneca zumba. Irra! 

Que ninguém toque num pintelho do Cristiano Ronaldo que nós soltamos os canhões! E é isto Portugal e o fervor nacionalista! Gostamos tanto do pedaço nestas horas. Nas outras, se pudéssemos apanhávamos o primeiro avião para a Suécia, lá é que a vida é boa, excluindo o frio horrível e as poucas horas de luz - eu morreria na Suécia ainda antes de receber o meu primeiro vencimento de emigrada bem sucedida! Este fervor nacionalista, exaltado, bem temperado de palavreado colorido,- porque ninguém consegue expressar melhor a indignação do que recorrendo a uma resma de alhos e folhas, - é algo que parece apenas ser inflamado pela bola. O futebol, mais prosaicamente conhecido como "a bola", mas não prementes questões de interesse nacional como a travagem do empobrecimento de todos nós, a defesa do emprego com direitos, da justiça, do combate à corrupção, à desigualdade, etc, etc, parece ser o catalisador absoluto da movimentação das massas. Tanto motivo para inflamar estes escribas das redes sociais e nada. Os dedos não mexem. Mas se for a bola, ele é meninos e meninas, senhoras e senhores, ricos e pobres, analfabetos e ilustrados...Também nunca ouvi comentadores a esganiçarem-se desta maneira contra a sangria migratória em curso ou o progressivo atrofiamento da nossa economia!Ouçam-nos, ouçam-nos:


O que eu me ri a ouvir estes comentadores frenéticos. Parecem-me meio tolinhos, obviamente, mas que sabem dar espectáculo, sabem.  E é isso que é o futebol. Espectáculo. Todavia, da maneira como as coisas estão até parece que o Ronaldo é o Maomé ou Cristo. Aliás, façamos um teste. Metam umas fotos ofensivas a estes dois vultos da cultura mundial no Facebook e vamos ver até onde cresce a indignação. Futebol 1- Religiões 0.  

Eu devo andar com o meu sentido de humor meio desvirtuado. Já me tinha rido com um anúncio de uma marca norte-americana onde um grupo de cavalheiros abanam o rabiote ao som de uma canção natalícia. O rabiote e as bolas. Mais uma vez a pedra de toque da indignação do povo são as bolas! Começo a pensar que as bolas são poderosas, um assunto intocável, diria mesmo sagrado. Pelos Estados Unidos é um coro de humilhados e ofendidos que já deve ter chegados aos céus. E eu? Vi o anúncio Show your Joe, e...ri-me! Achei que era maroto. Mas apenas na dose certa. Viva a igualdade de género. Finalmente meteram os homens a dar uso aos seus atributos e não apenas as mulheres! Os norte-americanos ou são muito púdicos ou não têm sentido de humor, dirão vocês. Pois agora nós estamos no mesmo caminho, digo eu. A continuar assim, com esta austeridade e sem sentido de humor, seremos o povo mais cinzento da Europa em poucos anos! Destronaremos os belgas. (Que para mim são o povo mais cinzento da Europa.) Para onde foi o nosso sentido de humor? Emigrou também? Eu vi a imagem do boneco no carril e apenas pensei, ah, suecos dum raio, passarem-nos por cima? Vocês vão é descarrilar. E virei a página. Não fiquei ofendida, nem tão pouco perdi mais tempo com o boneco. E agora que o jogo aconteceu e que até vencemos...ainda acho mais piada à campanha. On your face. Mas lá está. Eu não gosto assim tanto de futebol. Não gosto de Pepsi. Também não bebo Coca-Cola. Não me envergonho de dizer que não vou em xaropadas. Eu prefiro vinho. E gosto de me rir. Rir é mesmo muito saudável, é o melhor remédio.

10/25/13

Tornado na Ericeira

Tornado na Ericeira, veja o video no Youtube. Foi hoje, a meio da tarde. Temos de nos habituar à ideia de que estes fenómenos se tornarão cada vez mais frequentes. 

10/20/13

Exposição Colectiva de Fotografia Figueira da Foz, Aqui sou feliz encerra hoje!

20 autores, 20 olhares, 20 fotografias. Encerrou hoje a exposição colectiva de fotografia Figueira da Foz, Aqui sou feliz que esteve aberta à visita do público no 1º piso do Mercado Municipal desde o dia 20 de Setembro. A iniciativa de organizar esta exposição partiu de uma página do Facebook dedicada à cidade da Figueira da Foz, administrada por Mauro Correia,  – www.facebook.com/figueiradafoz - e contou com o apoio da Divisão de Cultura da Câmara Municipal, tendo sido integrada nas comemorações do 131º Aniversário da elevação da Figueira da Foz a cidade.

Não sei se a exposição teve muita adesão, mas havia boas razões para ir ao Mercado Municipal. Em primeiro lugar, as fotografias. Eram fotografias da região.  Acreditem que mesmo residindo na Figueira da Foz poderiam ser surpreendidos. Mesmo que caminhem pelas suas ruas diariamente. Ou façam muitas voltinhas ao fim-de-semana. Um bom fotógrafo vai conseguir mostrar-nos coisas que nunca vimos ou de uma forma que não conseguimos ver. Acabamos por ampliar o nosso conhecimento através dos olhares dos outros. Experimentamos surpresa, beleza, dúvida. É um bom exercício. Em segundo lugar, os fotógrafos. Não conheço nenhum deles pessoalmente, não sei quem é profissional, quem é amador, se são todos amigos ou não. Mas uniram-se e fizeram acontecer a exposição. No mínimo deram-nos mais um bom pretexto para sair de casa e esticar as pernas. Merecem o nosso apoio. Em terceiro lugar era grátis. Actualmente quase tudo é pago e uma das razões que muita gente aponta para não participar em eventos culturais é o preço. Ir ver a exposição era de borla e, sim, fotografia é cultura. Em quarto lugar, era inovador. Era sim senhora. A exposição foi feita num espaço tradicionalmente apartado dos eventos culturais, o mercado municipal. Espero que o exemplo continue e que o espaço venha a ser explorado para esse fim mais vezes. E já agora outros espaços. Além destas, outras mais, por exemplo, esteve aberta durante um período de tempo razoável e num bom horário. Se não foram ver a exposição, paciência. Terá de ficar para a próxima. Eu não fotografei as fotografias pois os vidros tinham muitos reflexos, estaria a prestar um mau serviço aos fotógrafos se o tivesse feito. No entanto fotografei o 1º piso do mercado para vocês verem como está este espaço depois da obra de requalificação. (Abaixo.) 

Estes jovens têm páginas no Facebook e eu sigo algumas. Aconselho a que procurem pois eles são uns autênticos caçadores de imagens, eu tenho visto recantos da Figueira da Foz e arredores que nem sabia que existiam! Vamos ver se aquando da próxima exposição nos encontramos todos lá! Aqui deixo as minhas impressões pessoais das fotos, " a la minute", para não aborrecer muito!

Bianca Nerlich, apresentou uma bela fotografia, uma autêntica cápsula do tempo, onde o nosso olhar hesita entre a beleza de um céu carregado de estrelas e a aparente fragilidade de um moinho de madeira. Debaixo daquele céu majestoso parece um estóico soldado, um resistente de um tempo perdido!

Celso Silva, mostra na sua fotografia como a Natureza não precisa de mais que uns tons de laranja para pintar uma obra prima. Nem tudo o que reluz é oiro, mas nesta fotografia os raios de sol transformaram a água do rio Mondego em ouro líquido, inundando a foz de esperança por entre as nuvens negras.

Cíntia Sofia, trouxe o humor a esta exposição através da cor, das formas redondas dos Wolkswagen! Ela encontrou dois "carochas", um mais entradote e outro jovem, a viverem um romance, junto da Torre do Relógio, sob a égide dos gelados da Olá! Esta foto divertida, que captura a luz e as cores do verão, acaba por ser uma metáfora. Um instante que valeu a pena guardar!

Filipe Brás, fez talvez a minha foto predilecta. Porquê? A realidade desoladora de um dia agreste. O molhe norte está deserto e as ondas que o varrem são de areia. Tive de olhar duas vezes e aproximar-me para ver melhor. Ondas de areia. Ele viu poesia. Isto vale a pena.

Jaime Albarino, mostrou-nos um porto de abrigo em tons de cinza azulado e laranja, a marina, uma das zonas mais bonitas da Figueira da Foz. Vejam se os barcos não parecem casas, se o chão de água não podia ser terra. Que tranquilidade embalada pelo luar.

João Silva, trouxe para a exposição uma fotografia de rosas e azuis irreais, esfumados, abruptamente manchados de escuro por um rochedo, um intruso, a lembrar-me alguns barcos que encalharam na nossa costa!

Jorge Ribeiro, fotografou autênticas asas de liberdade que se lançam do topo da Serra da Boa Viagem, sem medo. Uma fotografia a preto e branco onde quase adivinhamos os vultos a sumirem-se na névoa do horizonte, deixando as amarras para sempre.

José Alberto Ferreira
, mostra-nos numa das fotografias mais complexas em sentidos e jogos de linhas, a engenharia da modernidade da ponte da Figueira e a técnica antiga da construção de salinas. Friamente, leva-nos a interrogar sobre esta convivência. Será o reflexo da ponte nas águas das salinas um sinal de ameaça, ainda que velado?

Luís Cavaleiro, apresenta-nos uma fotografia que captura aquele momento mágico em que dia e noite convivem. Ainda não é noite mas já não é dia. Um rasto de luz laranja faz vibrar a quietude desta paisagem. É uma fotografia plena de mistério e qualidade estética.

Luís Pessoa
, mostra-nos a graça de ver a rua
ocupada pelas pessoas e transformada numa celebração de passos e poses, sem preconceitos ou vergonha dos olhares alheios. Mais uma fotografia que nos faz esboçar um sorriso.

Nestor Santos, oferece-nos uma fotografia de cores saturadas e boa perspectiva, um postal do trabalho nas salinas.

Miguel Madureira, na fotografia apresentada, mais do que um relógio, eu vi duas pessoas sem futuro. As linhas da torre e da varanda parecem barrar os movimentos a este dois, sentados num banco, apartados, sem diálogo. O tempo parou, eles pararam o tempo. E, no entanto, não poderão eles ser apenas dois estranhos que escolheram o mesmo banco por acaso?

Paulo Barbosa de Madureira, branco e negro, as cores académicas, tinha de ser uma fotografia a preto e branco. O sorriso deste rapaz ao centro da fotografia ilumina todo o recinto. É através dele que vivemos a festa no Coliseu e a desconcertante celebração estudantil da garraiada. É também através da sua alegria que festejamos este abraço anual entre a Figueira da Foz e Coimbra! Uma excelente participação!

Pedro Cruz, apresenta-nos uma fotografia que é movimento, é força, é ousadia, é espanto. Impossível não perguntar que louco é aquele que se agarra à sua prancha como um animal marinho à sua carapaça para conseguir sobreviver, acrobaticamente, à fúria da onda! Como te atreves? - parece questionar a onda,- Vai-te se não queres ser engolido! - parece ela rugir ao enrolar-se. Uma homenagem ao Cabedelo e aos surfistas loucos que nos encantam com as suas proezas.

Pedro Martins, traz-nos uma fotografia do molhe norte, o paredão que entra pelo mar e descreve aquela curva suave para a esquerda. Nesta foto tudo parece líquido, o ar, o caminho, o horizonte. É o caminho do mar, é o destino, ou foi, de muita gente da Figueira. Ao vê-la a nossa respiração suspende-se como se estivéssemos debaixo de água. Adorei.

Rui Paulo Gonçalves, a fotografia que nos trouxe até podia ser uma tela, um empastelado de cores escolhidas a preceito. Ali perdemos o pé, não sabemos mais onde fica o chão e onde o céu, se voamos pelo chão ou se caminhamos pelas nuvens. O encontro das pontes é uma ilusão mas na realidade prova, através do olhar do fotógrafo, que o passado e o futuro estão intimamente ligados.

Rui Santos, mostra-nos uma fotografia que se vê e que se ouve. Escutem o vento enquanto ele acaricia as ervas ondulantes em primeiro plano para depois as abandonar. Sigam o seu rasto pelos terrenos e descansem os olhos no horizonte orlado pela Serra da Boa Viagem.

Sérgio Vieira, desvenda-nos o amor da terra pelo mar nesta fotografia. Quando a noite chega a terra incendeia as águas do mar com tochas de luz. Amor é fogo que arde sem se ver, a não ser que haja um fotógrafo por perto. Um bom click.

Susana Cardoso, captou uma modesta vendedora de castanhas assadas junto do gigante Casino da Figueira e deu o nome de Perfume de Outono à sua fotografia. É um retrato social onde a fina ironia dava para escrever um livro!

Susana Monteiro, mostrou-nos um céu azul eléctrico sobre o vasto areal da Figueira da Foz. Ao longe o horizonte iluminado por um raio, sinal de tempestade no mar. Em frente a nós a passadeira. Ver melhor, ver mais de perto...ir até ao mar...O clarão despertou-me para a vida dos pescadores e dos perigos por que passam no alto-mar. Vida dura. Quantos de nós teriam a coragem de fazer esse caminho?


A Figueira da Foz precisa de mais iniciativas como esta, dos seus cidadãos para os outros cidadãos, despretensiosas, feitas com o coração. Simples  exposições como esta animam os espaços urbanos não apenas pela mostra em si mas também pela discussão que podem fomentar. Não raro geram entusiasmo e mobilizações para projectos futuros. Potencialmente podem até despertar o visitante para a fotografia amadora, ou até como profissão, ao colocarem-no perante uma forma de apreciação da fotografia diferente daquela a que usualmente está habituado. Com a generalização do digital a banalização da fotografia tornou-se uma evidência. A captação fotográfica de imagens e a sua distribuição estão mais presentes no nosso quotidiano que nunca.Qualquer exposição de fotografia, obrigando a um formato adequado e impressão em papel, acaba por reconduzir o olhar do seu observador à sua original vocação e só por isso valerá a pena...







10/19/13

As razões da Sara são as razões de muitos


"NÃO MATAM MAS MOEM

Ver diariamente dezenas de anúncios de emprego, uns enganosos, outros com requisitos que não preencho, outros inacessíveis (queres ver o contacto, paga!); responder a uns quantos e não receber nem os avisos de leitura dos mails; ver o meu nome todas as semanas nas listas de “não colocação” do MEC; imprimir as provas disto tudo para arquivar no dossier do IEFP (que provavelmente nunca vai ser fiscalizado); ir a entrevistas onde me oferecem salários ridículos, me fazem esperar horas e nem se dão ao trabalho de me informar depois que não fui seleccionada; receber cartas da SS a dizer que tenho 30 dias para devolver “prestações indevidamente pagas”; ir à Junta de Freguesia de 15 em 15 dias mostrar um papel e trazer outro: não mata, mas mói… e CANSA!

Fazer contas à vida todos os dias, hesitar em cada compra, vasculhar prateleiras e cupões do supermercado para poupar uns cêntimos; tentar gastar menos luz, menos água, menos tabaco; separar coisas para tentar vender, a ver se arranjo uns trocos; recusar convites de amigos para jantar e/ou beber uns copos; ver cada vez mais gente a pedir nas ruas e a vasculhar o lixo (lembrando-me que ainda há mais patamares para descer), e não poder ajudar: não mata, mas mói… e ENTRISTECE!

Ver notícias sobre o aumento do desemprego, o alastrar da miséria, o caos instalado nas escolas, os cortes nos salários, nas reformas e nas prestações sociais; ver as poses pindéricas e ouvir as verborreias do Silva, do Coelho, do Portas, da Albuquerque, do Barroso e já agora do Seguro e da maior parte dos deputadosinhos: não mata, mas mói… e ENOJA!

Ir às manifestações sozinha ou às vezes com um amigo ou outro, que a maior parte tem preguiça ou muito calor ou medo da chuva ou não acredita que resulte; ouvir alguns desses amigos e outros, conhecidos, a dizer que não adianta nada, que eles foram eleitos democraticamente e a culpa é de quem votou neles e/ou de quem se absteve (como eu!); ouvir também de alguns que isto só se resolve com violência, acções radicais, é partir tudo, é parar tudo (mas é só letra, que não os vejo mexer uma palha, quanto mais uma pedra); ver pessoas encostadas às montras de Santa Catarina, a deixar passar as manifestações onde desfilo, pasmadas, indiferentes, incomodadas, condescendentes; não mata, mas mói… e DÓI!

Porque estou cansada, triste, enojada, dorida e, sobretudo, REVOLTADA, mas ainda não estou morta, amanhã vou à MARCHA POR ABRIL da CGTP. No dia 26 também irei à manifestação NÃO HÁ BECOS SEM SAÍDA, do “Que Se Lixe a Troika”.

Não posso ficar parada enquanto o meu país é destruído e engolido num suicídio europeu. Não posso ficar calada enquanto houver uma corja de gente ignóbil a arrasar a minha vida e a de milhões de outras pessoas.

Eu sei que as manifestações não matam. Mas sei que moem. E as próximas hão-de moer e moer e MOER."


Por Sara Nelma. https://www.facebook.com/sara.nelma

10/7/13

Concessionários descontentes, nadadores e divagações

Ao pegar o jornal A voz da Figueira do dia 18 de Setembro li um lamento de um concessionário que tem nesta cidade o seu negócio de exploração de chapéus de sol. Manuel Teixeira é concessionário há 25 anos. Há 25 anos ainda eu não frequentava a praia da Figueira. Quem me conhecia então sabia que eu não gostava de praia. Eu era a única que chegava chegava ao Liceu no Outono com a mesma cara pálida com que tinha saído de lá em Junho!! Vivi na Figueira anos a fio sem meter os pés no areal e muito menos no mar. Subitamente um Verão tudo mudou. Apaixonei-me pelo azul e pela luz do Verão. Se há riqueza que prezo nesta cidade é a sua geografia costeira.

Fiquei então a saber pelo jornal. Muita parra pouca uva para o sr. Manuel. A praia cheia de gente mas poucos alugaram chapéus. Este concessionário queixa-se de não ter tido retorno, pagou as despesas e já não sobrou nada para dar aos filhos que o auxiliaram no trabalho. Ele refere que a sua clientela fiel envelheceu, é natural que alguma até já tenha partido deste mundo. Os novos preferem carregar com chapéus de praia e tapa-ventos, não alugam. (Ou tendas. Ultimamente assisto ao fenómeno das tendas pronto-a-usar. Leves, chegam debaixo do braço e montam-se num instante. Parecem-me frágeis mas ainda não vi nenhuma a voar como vejo chapéus.) O preço do aluguer são 10 euros/dia, mas o preço baixa se o aluguer for de maior duração. Diz também que a sua zona está em terra de ninguém, entre a praia da Figueira e a baía de Buarcos, as duas zonas mais atraentes, onde a animação é promovida. O mar está cada vez mais distante, os chapéus avançaram para mais perto do mar e o café-restaurante e WC ficam a meio caminho de tudo, a meio caminho da avenida e a meio caminho do mar. Ninguém se sente incentivado para lá ir, longe para quem está no calçadão, longe para quem estiver na junto ao mar! As passadeiras não têm manutenção, as pessoas até já lá deram tombos, e nem a sua extensão é suficiente, com a areia sempre a crescer à sua frente! Entre o investimento feito e que continua a amortizar, e as despesas com rendas, manutenção e pagamento aos nadadores salvadores, Manuel Teixeira trabalha praticamente para aquecer.

O que me parece é que Manuel Teixeira tem um negócio em vias de extinção. É grave para ele mas também é grave para a imagem da praia. Comecei a imaginar a praia sem os habituais toldos listados alinhados. Não seria bem a mesma coisa. O certo é que as barracas e chapéus têm vindo a diminuir, eu própria o consigo testemunhar mesmo sem ter 25 anos de frequência de praia. Cada ano há menos guarda-sóis e cada ano são levantados mais cedo. Pergunto-me se estes concessionários não podiam ser apoiados. Está tudo a mudar, é certo, mas quando a gente imagina uma praia imagina-a com estruturas de apoio. Esses equipamentos acabam por caracterizá-la também. Se mais gente alugasse chapéus o negócio seria viável, o preço do aluguer até poderia baixar. No meu caso, posso dizer que se há coisa que não aprecio é carregar com a tralha para a praia. Faço-o porque é mais barato. Seria bem mais confortável poder sair de casa e caminhar até à praia apenas com uma ceira debaixo do braço. E mais saudável também - as tralhas são a razão porque muitos continuam a ir de carro, perdendo uma boa oportunidade para caminhar e fazer algum exercício.


Uma coisa que Manuel Teixeira referiu foi a despesa com os nadadores salvadores. Por acaso eu já me tenho interrogado acerca desse facto. Porque razão têm de ser eles a fazer esse pagamento. Os nadadores salvadores estão de serviço à concessão. Mas se a pessoa que tiver alugado uma barraca for arrastada por uma corrente para a zona não concessionada eles não a deixam afogar-se, pois não? E se uma pessoa estiver na zona não concessionada e vier tomar banho na zona concessionada? Vai o nadador salvador perguntar-lhe na sua hora de aflição se ela pertence ou não à zona explorada pelo seu patrão antes de lhe passar a bóia?!

As praias portuguesas recebem milhões de visitantes todos os anos, Portugal vende praia como componente essencial do seu pacote turístico e a segurança das praias é uma questão fundamental quando se fala de turismo de qualidade. A presença de nadadores salvadores nas praias devia ser independente da existência e viabilidade destas concessões de praia. 

Outra questão em que matuto quando estou na praia. Ser nadador salvador é uma profissão? Nem tenho a certeza que os próprios a encarem assim. Mas penso que o seu exercício devia ser, de alguma maneira, dignificado. A maioria das pessoas vê os nadadores salvadores como uns estudantes que vão ali fazer um trabalhito de Verão, um part-time, que se resume a passar o dia a olhar as ondas. Além disso ainda tem bónus:dá para namorar umas miúdas e apanhar um bom bronze. Os jovens até fazem isto por gosto. Não custa nada. Mas não será bem assim. Além da efectiva responsabilidade pelas vidas na praia  - de que as pessoas apenas se lembram quando há um salvamento - ainda estão sujeitos ao insulto fácil no momento em que pretendam ver os seus avisos respeitados pelos banhistas. 

Fiz uma pesquisa rápida no Google e descobri que para se ser nadador salvador é preciso ter um curso, uma formação de 135 horas distribuidas por 29 dias. Os cursos de nadadores-salvadores são ministrados pela Escola de Autoridade Marítima (EAM), recorrendo a uma bolsa de formadores do ISN.O candidato tem de prestar provas físicas como nadar 100 metros livres no tempo de 1 minuto e 50 segundos, cumprir 20 segundos, no mínimo, de natação subaquática, fazer 25 metros de costas só com batimento de pernas e recolher dois objectos a uma profundidade mínima de 2 metros. Os módulos práticos da formação abordam técnicas de natação, salvamento em meio aquático, suporte básico de vida, oxigenoterapia aplicada ao afogamento, resgate em piscina e aulas de mar. 

O modelo vigente em Portugal obriga os concessionários das praias a fazerem a contratação de nadadores salvadores. Eu penso que isso talvez devesse ser mudado. Porque não passar a ser uma responsabilidade das autarquias, dos orgãos de Turismo ou outras entidades? Porque não uma responsabilidade repartida? Também em relação à actividade dos nadadores salvadores, que é sazonal, seria interessante que num país com uma costa tão extensa pudessem ter ocupação todo o ano, por exemplo, a ensinaram natação a crianças e adultos ou a promoverem acções de educação sobre salva-guarda dos ambientes costeiros. Porque ficam essas estruturas do areal fechadas quase todo o ano? Porque não permitir uma maior aproximação às praias não apenas no Verão, mas na Primavera e até no Outono? Quem observou as praias de Figueira neste fim-de-semana viu como se animaram de adultos e crianças. Cada vez mais as pessoas têm de combater o sedentarismo, sair de casa e viver o ar livre. O nosso país não tem dos invernos mais longos e rigorosos e estudos indicam que as temperaturas vão continuar a subir nos próximos anos. Talvez as minhas divagações motivadas pelas tardes na praia não sejam ideias assim desprovidas de sentido. O sr. Manuel Teixeira até talvez votasse nelas, quem sabe.

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