3/28/12

A Sagres na Figueira da Foz!


3/26/12

John Carter de Marte



Andrew Stanton deu o salto da animação para os filmes com gente dentro, o realizador de À procura de Nemo  e Wall-E realizou John Carter. Talvez seja por isso que as criaturas do filme John Carter se portam melhor do que os actores!! Aficionada por ficção científica desde miúda, ando sempre à espera de um novo título mas tanta crítica negativa quase me fez esquecê-lo. Desde as indecisões da própria Disney aos críticos, não param de chover pedras sobre John Carter, que custou uma pipa de massa. Este filme está mais que enterrado.  Mas com as férias da Páscoa e o meu sobrinho desocupado, decidi arriscar. Mais uma vez, que se danem as opiniões. Não fiquei a chorar o preço dos bilhetes. Descontraí bastante a ver as aventuras do ex-soldado confederado pelo planeta vermelho, ri, o meu sobrinho até deu pulos na cadeira. Vamos lá a ver: nem todos os filmes têm de ser obras primas e nem sempre um orçamento elevado é garante disso. 
Edgar Rice Burroughs foi um escritor incrível, uma fonte de inspiração para muitas das fitas de ficção científica que andam por aí a alimentar o imaginário das crianças e adultos desde que sou cinéfila assumida. Por isso, quando li que este filme tinha copiado outros tive de me rir. As ideias que muitos julgam originais desses filmes, não o são. Não raro um argumentista alimenta-se de influências, leituras, imagens. John Carter veio antes da Guerra das Estrelas, do Avatar e de muitos outros. Adoro pensar que no início do séc. XX, quando ir à Lua era apenas ficção científica, havia uma escritor empolgadíssimo a escrever as suas crónicas de Marte, pequenas histórias cheias de viagens, criaturas e romances interplanetários! Se para mais nada não servir este filme, doravante todos saberão que Burroughs, além do Tarzan, viajava na sua imaginação até lugares onde ainda ninguém tinho ido antes. E que serviu de inspiração a muitos! No filme, o escritor é também personagem, um rapaz a quem o tio Carter entrega o seu diário e confidências sobre as suas aventuras, e um papel importante, que eu não revelo, mas que foi uma boa forma de fechar o filme. Outra crítica, a meu ver sem fundamento, é a de que sabemos que Marte não tem vida. Ó malta, mas que falta de imaginação é essa? Não tem vida AGORA. Mas, e se tivesse tido vida há uma eternidade, muito antes das nossas sondas o terem alcançado? Isso é de todo irrelevante para condenar o filme - há que entrar no reino da fantasia e jogar pelas suas regras. 
O meu sobrinho diz que John Carter é parecido com Cowboys e Aliens, mas eu não vi essa fita. De facto, no início do mesmo, na Terra, e em muitas cenas depois, o filme aproxima-se de uma estética western, com os desertos do planeta Marte por fundo e as criaturas a galope!No planeta vermelho uma civilização em  decadência exauriu recursos, as cidades envolveram-se em guerras que podem determinar o fim de Marte, ali conhecido como Barsoom. Há marcianos de pele vermelha tatuada que parecem humanos, mas também ali vivem marcianos esverdeados com chifres e dois metros de altura, com dois pares de braços e suas crias roliças, nascidas de ovos, além de predadores, os macacos-brancos, usados em duelos, na arena. A bicharada é toda muito convincente, mais do que o par de actores de serviço, infelizmente! Mas se não formos muito exigentes, safam-se nos seus rasos desempenhos, ele enquanto exímio acrobata lutador, ela enquanto parceira de armas, mas também cientista e, claro, parceira romântica.  Afinal, estes povos e os de outros sistemas solares, não passam de fantoches para os therns, os vilões que, à escala interplanetária, se divertem a brincar com os seus destinos. Carter, que ocupado a servir na guerra civil norte-americana, tinha perdido a família, é um homem que apenas quer ser rico, explorar a sua mina de ouro,  e viver a sua vida, sem servir ninguém. Acidentalmente tem um encontro imediato com um ser extraterrestre numa gruta, um thern, e acorda em Marte, a dar saltos de metros, e com força extra, graças à diferente gravidade. Inicialmente ele não passa de um prisioneiro, um náufrago que quer encontrar o caminho para casa. Apesar de muito amargo, Carter não suporta injustiças e, quando confrontado com a sorte de Marte, - e da bela princesa de olhos azuis - ele vai tomar o partido mais fracos e ajudar a sanar o conflito. Como prémio, ganha o coração da princesa marciana, que entretanto fugira ao seu destino, um casamento por conveniência com o inimigo da sua cidade e do seu povo, ...e vivem felizes para quase sempre. 
A história é simples, talvez até ingénua demais para os nossos dias, ou para o público adulto.  Mas, como a história é simples, a primeira parte do filme, isto é, antes de John Carter ser teletransportado para Marte, é uma complicação desnecessária. E agora estamos aqui, em Marte, e depois ali, na Terra, e agora acolá...na Terra uns anos antes! Só quando Carter acorda em Marte é que sentimos o filme a avançar. A duração é também um pouco excessiva e o ritmo também podia ser outro, acção e momentos mais pausados parecem atropelar-se uns aos outros, e o constante vai-vém entre diversos locais não é definitivamente um trunfo na história, não há um clímax esmagador algures. A narrativa que precisava de fluir como um rio é um pouco seca, à semelhança dos leitos dos oceanos que outrora existiram em Marte, encalha aqui e ali, e o interesse do espectador como que desmobiliza, mas tem os seus momentos. O filme possui um tom épico e grandioso, um visual  meio retro bastante interessante, humor competente em algumas sequências, em especial a cargo de um cão marciano,  um bicho algo disforme, mais rápido que a sua sombra! As fantásticas naves de madeira, metal e com laminas de vidro nas asas, quase parecendo insectos, são realmente bonitas, os cenários grandiosos, naturais ou não, também estão à altura. As cenas de luta, por vezes um pouco confusas, é certo, cumprem embora  não sejam esmagadoras. E assistimos ainda a um magnífico cortejo matrimonial, momento em que o vilão, um shapeshifter, vai mudando de forma ao mesmo tempo que transporta Carter, prisioneiro.  Mas os diálogos é que não são o que a gente quer ouvir. Não convencem ninguém, por vezes são meramente explicativos e sem rasgo. Algumas vezes eu tive a sensação que estava a ver teatro, não que eu não goste de teatro, mas não é o que se espera encontrar quando se vai ao cinema. Ainda assim considero que o filme é bom entretenimento, não é o lixo que todos andam para aí a afirmar. Filmes bem piores têm tido melhor sorte. O orçamento gigantesco talvez seja o responsável por esta chuva meteórica de críticas, como se, muito dinheiro igual a filme de qualidade, fosse uma equação garantida. Tenho esperanças de que façam mais John Carter, sendo que Burroughs deixou 11 livros de aventuras em Marte! Mas algo terá de mudar para que o próximo filme seja mais do que entretenimento, ou pelo menos, entertenimento à prova de críticas tão destrutivas como as que venho lendo. Burroughs merece e nós, que gostamos de ficção científica, também.

3/23/12

Ajuda para os cães e gatos deste casal admirável

Trago ao vosso conhecimento mais um apelo. Depois de ter lido este testemunho de José Antunes Ribeiro no Facebook, resolvi divulgar aqui mais esta situação. Um casal que, de forma anónima e discreta, se dedica a salvar animais há muitos anos. Leiam, interessem-se, ajudem pelo menos divulgando! Não custa nada e pode ser decisivo para salvar estes animais de um destino incerto.

Conheci o Henrique Nunes naquele malogrado projecto editorial e livreiro da chamada Fundação Agostinho Fernandes que juntava a Livraria Sá da Costa, a Livraria Buccholz e promovia o renascimento da Portugália Editora. Eu tinha um pomposo nome de Director de qualquer coisa e o Henrique era um colaborador com quem simpatizei à primeira impressão. Havia nele um sorriso de homem bom e só algum tempo depois vim a saber da sua aventura de salvar cães e gatos abandonados. Agora serão 128 cães e 40 gatos. Consumia (e consome!) nesta acção meritória a sua reforma e a da sua mulher! E parece que não é suficiente!...O tal projecto editorial e livreiro foi-se extinguindo porque os meios que o viabilizariam nunca apareceram...mas a minha amizade com o Henrique e com mais uma boa meia dúzia de pessoas foi algo que compensou aquilo que perdemos! Eu perdi aí muito mais do que o Henrique...mas o Henrique também perdeu muito!Isto vem a propósito do apelo da Xana! É em épocas como a que estamos a viver que se vê a fibra e a massa que enforma a nossa humanidade. E o Henrique é um ser de excepção e bem merece o nosso apoio! Um pouco, um quase nada, podem fazer toda a diferença. Porque o mundo que queremos construir será um mundo melhor para pessoas e animais e onde todos juntos podemos preservar a Natureza que nos foi oferecida...
Por: José Antunes Ribeiro"
"O Sr. Henrique e a sua mulher, Dª. Bárbara, ajudam animais há mais de 20 anos e vivem, incondicionalmente, para eles.Como não possuem internet (nem dispõem de tempo para a utilizar), não são conhecidos do grande público, nem de associações zoófilas e de particulares que se movimentam neste meio. Apesar disso, há muitos anos, que ajudam cães e gatos de uma forma desinteressada.


Inicialmente, este casal fazia doações de animais para adopção, dizendo sempre aos interessados que, caso houvesse algum problema, para lhes devolverem os animais e nunca os abandonarem. E os animais, na sua grande maioria, vieram todos devolvidos!...O que fez com que o Sr. Henrique e a sua mulher desacreditassem da espécie humana e tenham decidido ficar com os animais que agora possuem, até que estes, um dia, morram de velhice. Actualmente, o Sr. Henrique e a Dª. Bárbara possuem 128 cães e 40 gatos, que têm resgatado de situações muito complicadas: abandonos, incêndios, atropelamentos, etc.Antes da actual crise sócio-económica eclodir, muitas pessoas ajudavam este casal, através da doação de ração para os seus animais. Infelizmente, nos tempos que correm, a crise tem-se transformado também em egoísmo e crise de valores, o que fez com que o Sr. Henrique e a Dª. Bárbara deixassem de receber ajudas para o importante trabalho que têm feito. Nesse sentido, e como conheci recentemente este casal e alguns dos animais que têm ajudado, gostaria de aqui deixar este apelo para uma ajuda para os animais do Sr. Henrique e da Dª. Bárbara.


COMO PODEM AJUDAR:
1)- Transferindo directamente para a conta bancária deste casal a ajuda financeira que considerarem mais adequada (todos os euros ajudam e serão bem vindos!)…
NIB da Dª. Bárbara: 00350 263 0000 263 2900 71 (CGD)
2)- Combinando directamente com o Sr. Henrique (96. 223 60 33) um local para entrega da ração.
3)- Deixando os vossos apoios em géneros (ração para cães e para gatos) na Livraria/Alfarrabista “Ulmeiro” (Av. do Uruguai, Nº 13A - em Benfica - Tel. 21. 715 13 41 - 2ª a 6ª feira das 10h-13h e das 15h-19h; Sábados - das 10h às 13h30), que nós faremos chegar ao Sr. Henrique e à Dª. Bárbara.
*** NOTA: - De modo a que não sejam abandonados animais à porta deste casal e/ou outras situações mais graves, vemo-nos na contingência de não indicar o local onde residem."


Fado ao Centro, bem no centro de Coimbra

Na segunda-feira passada tive de me deslocar a Coimbra e como tinha algum tempo disponível até à hora do almoço pensei subir até à Faculdade de Direito pelo Quebra-Costas aproveitando para fazer um teste à minha forma física pois estas escadas, parafraseando título de um filme norte americano, não são para velhos! Não correu mal, até porque assim que comecei a subida fui forçada a fazer uma pausa. Uma senhora distribuía flyers e convidou-me a entrar numa ainda recente casa de fados coimbrã. Fiquei agradavelmente surpreendida pela descoberta. Fado ao Centro é um espaço muito agradável, de divulgação e promoção do Fado de Coimbra. Eu estudei em Coimbra mas nunca me passa pela cabeça ouvir fado de Coimbra em casa. O que para mim faz sentido é ir ver e ouvir fado no seu próprio ambiente. Talvez a pensar em pessoas como eu, um grupo constituido por actuais ou antigos estudantes de Coimbra teve a ideia de criar o Fado ao Centro, um espaço onde as pessoas podem experimentar o fado com auntenticidade, bem no centro histórico da cidade e a horários muito convenientes. 
As sessões de fado acontecem diariamente em períodos diferentes, pelas 12.30 h, 15.00 h  - espectáculos de 30 minutos - e pelas18.00 h. - espectáculos de 50 minutos. Estes horários permitem oferecer a música mais facilmente os interessados, mesmo a população mais idosa e relutante em sair de casa à noite. Eis um exemplo para inspirar entidades culturais por esse país fora - quantas vezes são montadas exposições, até implicando algum investimento, com horários de visita estritamente laborais, o que diminui grandemente a possibilidade de terem público.
A sala onde se canta o fado é acolhedora, sóbria mas convidativa. Numa das suas paredes está patente, em permanência, uma exposição sobre a história do fado e seus intérpretes, que pode ser visitada gratuitamente. No momento da actuação são corridas as cortinas e a sala mergulha na escuridão própria das serenatas, recriando assim, num ambiente íntimista, a atmosfera ideal para ouvir a canção de Coimbra. O espectáculo do final de dia inclui também uma prova de vinho do Porto. Lembrei-me de sugerir à minha simpática interlocutora uns pastéis de Stª Clara para acompanhar, mas entretanto esqueci-me! Os espectadores podem também assistir a um documentário legendado.

Espero que os meus leitores tenham gostado da minha descoberta. Visitem o site do Fado ao Centro para acompanharem este interessante projecto. Podem escutar o fado enquanto observam fotografias das actuações. Deixo os contactos e página do Facebook caso se sintam motivados para comparecer e reviver momentos passados em Coimbra ou ouvir, pela primeira vez, o fado de Coimbra, ao vivo. Garanto que ao vivo é outra coisa.

Reservas:
Telefones: 913 236 725 - 239 837 060 - 239 405 105
Rua Quebra Costas, 7 Coimbra
fadoaocentro@gmail.com 

 Quebra-Costas - é fácil encontrar o Fado ao Centro.
 Aspecto interior da Casa de Fados. 
Decoração com tradição e bom gosto.
 O canto dos músicos. 
A viola e a guitarra.
 Exposição permanente de fotografias
 e memórias sobre o fado. Se passar, entre e espreite. É grátis.
+
Do outro lado da rua, uma pequena loja repleta de artesanato que também merece uma visita. Em exposição vários tipos de louças tradicionais de Coimbra e outras regiões, bem arrumadas nas estantes ou expostas nas paredes do exíguo espaço, e...

 ...um insólito. Uma cesta repleta de pequenos bebés negros, em cerâmica! Explicou-me a pintora Ana Dinis que os bebés devem ser roubados sem que a logista se aperceba pois isso trará sorte ao ladrão! (Fiquem, pois, a pensar se eu roubei um bebé, ou não...mas, deixem-me que vos diga, se há pessoa que precisa de sorte, essa pessoa sou eu!)

Insólito! Essa tradição eu não conhecia!

3/17/12

A construção do canil para os cães da Teti




Talvez se recordem de um apelo que fiz aqui no blogue, em Agosto, relativo à necessidade de auxiliar a D. Maria José, uma senhora do Pinhal Novo, que tinha à sua guarda cerca de 80 animais. O senhorio queria de volta o local onde ela vivia com eles. Estavam em risco de perder a sua casa, serem abandonados, irem parar a um canil, para serem abatidos. A senhora já tinha um novo terreno mas era preciso construir o canil para os animais. Dinheiro para isso não havia e, entretanto, também era preciso obter ajuda para alimentar e tratar e encaminhar tanto animal, cães e gatos. Surgiu no Facebook um grupo que tem agregado pessoas solidárias com a D. Maria José e os seus animais. 

O processo de qualquer obra é sempre demorado. Mas hoje tomei conhecimento que a construção das boxes já teve início. Divulgo aqui as fotografias pois penso que quem leu e/ou contribuiu vai gostar de saber em que pé estão as coisas. Todavia é necessário que todos continuar a ajudar na medida das possibilidades e por isso recordo o que pode fazer e deixo novamente os dados. Recordo que a  ANIMALIFE entrou no processo para facilitar - veja o cartaz no fim da postagem. No Grupo do facebook Os amigos da Teti pode ir acompanhando os desenvolvimentos. Se quer  ajudar de alguma forma, peça para se juntar ao grupo.

Para fazer um donativo monetário:

1º NIB: 0010 0000 47158930001 79, Banco BPI
2ºDepois de contribuir envie o seu comprovativo para amigosdateti@gmail.com e para geral@animalife.pt.
3º Coloque também o número de contribuinte e morada para que possa ser emitido e enviado o respectivo recibo

Quando for ao hipermercado passe pelo corredor dos produtos para animais e veja o que pode fazer.

A forma de entregar o seu donativo em géneros também é diferente, agora é mais fácil:
1º Para entregar no local, no Pinhal Novo, Palmela, contacte a D. Maria José - 914 728 234 - para combinar a entrega.

 Envio via CTT:
Maria José Cautela
Apartado 11
2955-909 Pinhal Novo
3º Agora também podem entregar a ração nos pontos de recolha da Animalife:
Morada: R. D. João V, n.º 31, 1250-089 Lisboa – Loja Pet Blue - Horário: De Segunda a Domingo - 9h às 22h e em todos os outros - consulte o cartaz.

Relembrando a ajuda em espécie que pode ser enviada:

Ração seca e húmida para cão e gato
Mantinhas, cobertores, lençóis e camisolas velhas(servem para fazer almofadas)
Medicamentos, eis a lista dos que são usados:
- Ananase - Maxilase - Clamoxyl - Ultraluvur - Nolotil - Primperán - Lasix - Fortcortin - Vetmedin - Alpurinol - Glucantime

E, por fim, relembo ainda que estes animais precisam FAD (família de acolhimento definitivo)  FAT(famílias de acolhimento temporário), marque uma visita e vá conhecer os animais de Teti no Pinhal Novo, Palmela, se está a pensar dar esse maravilhoso passo que é encontrar um animal de companhia!É possível ver alguns dos animais no álbum de fotografias do Alex, também no Facebook.

Divulgue esta postagem no seu blogue, via Twitter, Facebook, email. A divulgação é o primeiro passo e é uma forma de ajudar que está ao alcance de todos. Use os botões que se encontram abaixo desta postagem para divulgar, é fácil!

Consultem no cartaz os pontos de recolha!

3/15/12

ZON e contrato de fidelização

Se tiverem problemas com a ZON ou outra operadora devem contactar o Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo mais próximo e expor a situação. Não deixem de o fazer pois muitas vezes as operadoras resistem de tal maneira que acabam vencidos pelo cansaço quando têm a razão do vosso lado.

Ironia das ironias. Hoje é Dia Mundial dos Direitos do Consumidor e eu andei a tentar resolver um problema de direitos do consumidor. Um funcionário da ZON conseguiu convencer a minha mãe de que mudar da Meo para a Zon se traduziria numa poupança de 20 euros, após dois ou três telefonemas. O técnico foi fazer a instalação no dia 14 e, no final, o preço do serviço ultrapassava o da Meo e ainda faltava um canal, o SportTV. Ora, a inclusão desse  canal, tinha sido objeto de discussão telefónica entre o meu pai e esse funcionário da Zon. O meu pai, Benfiquista doente, ficou assim informado de que ia deixar de ter o canal do Benfica, mas acedeu a que assim fosse em nome da poupança e porque lhe foi dito que havia canal da SportTV. Só que o canal da SportTV não foi instalado. Ou seja, nem poupança, nem SportTV nem canal do Benfica.

Contactada a Zon a argumentação não se fez esperar: que os meus pais agora estavam mais bem servidos, tinham mais canais e maior velocidade de internet. Ora, ninguém queria mais canais, essencialmente apenas o meu pai consome TV e o que ele vê são os canais nacionais e a SportTV. Para a navegação que ambos fazem na internet os 15 megas da Meo chegavam e sobravam. Os meus pais estavam satisfeitos com o MEO, completamente. Apenas consideraram mudar porque a ZON seria mais barata. Conversas para cá e para lá, a Zon ameaça com pedido de indemnização pois o consumidor fica preso ao contrato de fidelização assim que deixa o técnico instalar o equipamento e activar os serviços. Repare-se que o técnico veio fazer a instalação no dia 14 à tarde e que à noite do mesmíssimo dia, já os meus pais estavam a ligar à ZON a reclamar. Aí a minha mãe descobriu, com surpresa, um serviço mais caro. De então para cá a ZON não aceita a desvinculação da fidelização e da consequente indemnização. A única coisa que a ZON promete fazer é baixar o preço, mas não tanto quanto o que foi prometido. Em vez de 20.00 euros de poupança apenas cerca de 6 euros!Por este valor não vale a pena mudar.

Fui ver o que diz a lei. A lei, feita para defender o consumidor, não chega a defendê-lo se ele não a conhecer: 

O Decreto-Lei Nº 143/2001 de 26 de Abril versa sobre a protecção do consumidor em matéria de contratos negociados fora dos estabelecimentos comerciais, que é o caso. Estamos sossegados na nossa casa e vêem estes caça-comissões à nossa procura. Eu sei que toda a gente tem de ganhar a vida mas eu não gosto e não tenho qualquer pejo em dizer NÃO a estas pessoas. É fácil que se gerem equívocos, esta história é um exemplo. Leiam a lei, entendam-na, divulguem-na - pode ser útil da próxima vez que vierem com falinhas mansas ao telefone prometer-vos serviços mais baratos.

Diz o  Artigo 4º daquele DL, Informações prévias, que o consumidor deve dispor, em tempo útil e previamente à celebração de qualquer contrato celebrado a distância de:


a) Identidade do fornecedor e, no caso de contratos que exijam pagamento adiantado, o respectivo endereço; 
b) Características essenciais do bem ou do serviço; 
c) Preço do bem ou do serviço, incluindo taxas e impostos; 
d) Despesas de entrega, caso existam; 
e) Modalidades de pagamento, entrega ou execução; 
f) Existência do direito de resolução do contrato, excepto nos casos referidos no artigo 7º; 
g) Custo de utilização da técnica de comunicação a distância, quando calculado com 
base numa tarifa que não seja a de base; 
h) Prazo de validade da oferta ou proposta contratual; 
i) Duração mínima do contrato, sempre que necessário, em caso de contratos de 
fornecimento de bens ou prestação de serviços de execução continuada ou periódica. 

Obviamente as características do serviço ZON não foram bem explicadas nem o seu preço final. Os meus pais não se lembravam do nome do funcionário e eu pedi a localização do mesmo através do registo de chamadas feitas. Mas hoje, sexta-feira, dia 16, a ZON informou o nome do funcionário mas que não é possível confrontá-lo  - eu queria falar com ele! - pois ele deixou de fazer parte daquela equipa!!! O funcionário deu informações imprecisas a duas pessoas, que, com base nelas aceitaram condições que se revelaram desvantajosas. Criaram uma legítima expectativa que foi gorada - poupança num serviço determinado. Foi claramente indicado ao funcionário o preço do serviço MEO e o que continha de essencial para o consumidor. Foi prometido pelo funcionário um preço mais baixo e a manutenção do que era considerado determinante no serviço MEO pelo consumidor no novo serviço Zon. A vontade negocial foi viciada, o contrato nasceu mal. Mas para a Zon isso não é relevante, o que é relevante é continuar a massacrar o consumidor para que ele fique amarrado ao erro do funcionário, telefonema após telefonema, e a um contrato de fidelização de 24 meses!

2 - As informações referidas no Nº 1, cujo objectivo comercial tem sempre de ser 
inequivocamente explicitado, devem ser fornecidas de forma clara e compreensível por qualquer meio adaptado à técnica de comunicação a distância utilizada, com respeito pelos princípios da boa fé, da lealdade nas transacções comerciais e da protecção das pessoas com incapacidade de exercício dos seus direitos, especialmente os menores. 


3 - Caso a comunicação seja operada por via telefónica, a identidade do fornecedor e o objectivo comercial da chamada devem ser explicitamente definidos no início de qualquer contacto com o consumidor. 



Quando uma pessoa se sente enganada deixa imediatamente de querer ter qualquer relação com quem a enganou. Mas resolver o contrato com a ZON não é simples.  A motivação do negócio era clara, era poupar, e  desde logo os meus pais obtiveram uma poupança ridícula; a minha mãe andou um dia atarantada pois já não é jovem e estas coisas apoquentam-na; foi até à loja da Zon, na hora do almoçao, fez telefonemas longos para a Zon e teve de ouvir um rol de desculpas... e, no final, andou de cavalo para burro. Foi trocar o certo pelo incerto - um serviço com o qual estava satisfeita por outro, que até pode vir a dar problemas, mas cuja incerteza se justificou em nome de uma prometida poupança -  e não ganhou nada com isso. Ainda ouviu que cancelavam o contrato mas que ficava imediatamente constituída na obrigação de indemnizar num valor de 1151 euros, as prestações do período de fidelização. É bonito.  A ZON atrai as pessoas com promessas de descontos e depois delas estarem na ZON e constatarem que houve um ERRO dizem-lhe que, ou aceitam a proposta ou será pior para elas, pois se cancelarem ficam sem ZON e sem 1151 euros +ou-. Isto foi dito à minha mãe e eu também o ouvi. Ao telefone soa como uma perfeita ameaça. Aí a pessoa sente-se naturalmente coagida a aceitar o negócio. 



O que diz a lei? Que há 14 dias para resolver o contrato e que basta enviar uma carta registada com aviso de recepção dentros dos prazos previstos para cada caso, (prazos que eu omiti). 


Artigo 6º Direito de livre resolução 
1 - Nos contratos a distância o consumidor dispõe de um prazo mínimo de 14 dias para resolver o contrato sem pagamento de indemnização e sem necessidade de indicar o motivo. 

(...)
5 - Sem prejuízo do estabelecido na alínea a)  do  Nº  3  do  artigo  anterior,  considera-se exercido o direito de resolução pelo consumidor através da expedição, nos prazos aqui previstos, de carta registada com aviso de recepção comunicando ao outro contraente ou à pessoa para tal designada a vontade de resolver o contrato. 

O que  diz a Zon nas  Condições dos Produtos e Serviços ZON TV CABO:

"Nas adesões por telefone, Internet ou concluídas no domicílio do Cliente, este poderá exercer livremente o direito de resolução no prazo de 14 (catorze) dias após a data de adesão aos Produtos e Serviços, desde que, entretanto, não tenha ocorrido, com o acordo do Cliente, a ativação e/ou instalação dos Produtos e Serviços solicitados, nos termos previstos no Decreto-Lei nº 143/2001, de 26 de Abril. Para exercer o direito de resolução previsto neste número, o Cliente deve comunicar à ZON TV CABO a vontade de exercer o mesmo, mediante o envio de carta registada com aviso de receção."

O Cliente poderá enviar comunicações escritas para a ZON TV CABO para a morada ZON TV CABO Portugal, S.A., Apartado 20, EC Porto Salvo, 2740 999 Porto Salvo ou para o endereço de correio eletrónico cliente@netcabo.pt

Como?!! Terei lido bem?!!  Neste caso da venda do serviço ZON por telefone, há 14 dias para refletir a partir do momento em que diz sim ao funcionário que está do outro lado da linha - data de adesão. Nesses 14 dias, se tenho dúvidas, não devo marcar a visita do técnico nem sequer abrir-lhe a porta ou ficarei amarrado à ZON por 24 meses porque se vai verificar a aceitação ou a instalação dos equipamentos?! Terei percebido bem?

Em caso de desativação dos Produtos e Serviços por iniciativa do Cliente ou cessação da relação contratual por motivo imputável ao Cliente, antes de decorrido o período mínimo inicial referido no número anterior, fica o Cliente obrigado ao pagamento imediato à ZON TV CABO de uma indemnização calculada de acordo com a seguinte fórmula: [n.º de meses de duração inicial do contrato] – nº de meses em que os Produtos e Serviços estiveram ativos] x [valor da mensalidade relativa aos serviços em causa]. Existem algumas excepções a esta situação que estão previstas nas Condições.

A não ser que tenha um motivo imputável à ZON, uma justa causa, tenha cuidado de verificar a questão do prazo de fidelização. Mas, neste caso da minha mãe, há justa causa e não está a ser fácil deixar a ZON. Custa-me a crer que seja mesmo assim, mas parece que é, ou, melhor, a ZON quer-nos fazer acreditar que é. Se um contrato enferma de um vício negocial há justa causa para ser resolvido, qualquer contrato. De acordo com o Código Civil, já não recordo o artigo, havendo vício na forma negocial, qualquer contrato pode ser desfeito. Para já a minha mãe continua indecisa e sem saber o que fazer. 

Em conclusão: Existem de facto 14 dias para a pessoa se desvincular do contrato. Não acreditem no que a Zon vos diz ao telefone de forma insistente. A Zon disse e à minha mãe que se o fizermos ficamos obrigados a pagar 24 meses de indemnização. Todos os funcionários o disseram. Todavia não foi isso o que depois lhe disseram no Centro de Conflitos. Com a ajuda do Centro de Conflitos o contrato foi resolvido e nada foi cobrado à minha mãe. Não deixem de se dirigir ao Centro mais próximo da sua área de residência. Ah, passados uns dias, o funcionário da ZON com quem a minha mãe originalmente falou e que a ZON afirmou depois não estar mais disponível, ligou para casa dela "para tentar perceber o que se tinha passado". A minha mãe disse-lhe, e bem, que não desejava mais conversa pois não tinha qualquer garantia de que ele ainda trabalhasse para a ZON e que, além disso, o assunto já tinha sido encaminhado para o Centro de Arbitragem. Por favor divulguem a acção dos centros de arbitragem. 

3/11/12

Passou um ano sobre o tsunami do Japão


No dia em que se assinala a passagem de um ano sobre a data em que o tsunami devastou a costa nordeste do Japão, não apagámos decerto da memória as imagens da onda gerada pelo violento sismo de 11 de Março, que atingiu uma altura de 23 metros, de acordo com notícia que o diário japonês Yomiuri Shimbun publicou em 2011. O estudo, realizado pelo Instituto de Investigação sobre Portos e Aeroportos do Japão, indicava que os 23 metros de altura da onda  foram medidos em Ofunato, no distrito de Iwate. Pelo menos 400 quilómetros quadrados foram afectados. O sismo que gerou o tsunami teve magnitude 9 na escala de Richter. Os dois fenómenos naturais provocaram mais de 6405 mortos confirmados, 10.259 desaparecidos e 2409 feridos. 300 mil pessoas deixaram ou perderam as suas casas. O desastre nuclear de Fukushima só por si provocou 80.000 desalojados.  Ainda restam 6 milhões de toneladas de resíduos a serem recolhidas, das cerca de 22 milhões deixadas pelo tsunami. Uma tragédia que, graças aos muitos registos obtidos por telemóveis e máquinas digitais, seguimos na internet ou na TV, imagens inimagináveis que observámos incrédulos e horrorizados, dia após dia. Penso que muitos portugueses se terão lembrado do terramoto de Lisboa, em 1 de Novembro de 1755, que também gerou um maremoto que fez a água do Tejo avançar para a cidade. Apesar de ter sido em Lisboa, o tremor de terra foi tão forte que provocou estragos em todo o país e sentiu-se no Sul de França e Norte de África. Dizem os entendidos que pode voltar a suceder. Como vivo perto do mar, e vou muito à praia, tenho de confessar que neste Verão me recordei do Japão e dessas imagens muitas vezes. Ao observar o mar até custa a crer que a serenidade ondulada das águas se possa transformar numa força tão destruidora em poucos minutos. 

Um documentário da BBC - O tsunami nas palavras das crianças


3/6/12

A resolução das fotografias digitais

Em Janeiro ganhei uma pequena máquina fotográfica digital. Em anos é a mais moderna que tenho. Todas as minhas máquinas digitais deixavam muito a desejar.Tenho feito fotografias soltas com ela mas a semana passada, depois de uma breve leitura do manual,  levei-a ao Porto para testar e trouxe umas quantas fotografias. Antes de conseguirmos fazer alguma fotografia de jeito, seja ela em que máquina for, temos de conhecer a máquina. Eu ainda não conheço a máquina! Não me entendo com o zoom e o touch screen não é façanha que me agrade muito, bem que eu preferia botões à antiga! A surpresa maior foi quando descobri que a Casio agora também é made in China. Será que não conseguimos comprar nada que não venha da China? Há tempos o meu aspirador avariou-se e na demanda pela referência do dito cujo foi com alegria que descobri um romântico made in France inscrito na barriga do electrodoméstico. Eu tenho sempre algum receio de que as engenhocas vindas da China não durem. Por isso espero tratar bem da maquinazinha e tirar muitas fotografias antes que ela se fine!


Quando abri as fotografias no computador li na caixa Image Size que têm 72 DPI. Estes 72 DPI que a gente vê no Photoshop  - é a resolução da imagem impressa no papel - são responsáveis por muita confusão. E mesma, de vez em quando, fico burra a olhar para isso até que se faz luz na minha memória e recordo os ensinamentos do meu formador. É uma informação inadequada que nos lança em erro constantemente e que não há forma de ser corrigida no software do Bill Gates - a minha versão é antiga, mas a nova penso que esteja na mesma! Além disso nada tem a ver com a qualidade da imagem, como muita pessoa pensa. 


A resolução de uma imagem devia ser expressa em PPI = PIXEL PER INCH. Mas o que se vulgarizou foi o DPI que significa DOTS PER INCH, ou seja, pontos por polegada (só por curiosidade, 1 INCH= 2,54 CM)  Devemos associar DPI a máquinas que imprimem imagens, pois DPI é uma unidade que mede a resolução das impressoras. As máquinas fotográficas geram imagens, não imprimem. A minha nova máquina fotográfica  faz imagens a 14, 1 (MEGA) PIXEIS. Só no momento da impressão é que os pixeis são convertidos em DOTS, pontos de tinta, com expressão física.  Eu escolho a resolução no momento em que vou tirar a fotografia e ela tem expressão em megapixeis. Esta coisa dos MEGAPIXEIS é fácil, (1 megapixel é um milhão de pixeis) é o número de pixeis da largura de uma imagem x o número de pixeis da altura.

O DPI tem de ser associado a algo mais ou não nos diz nada sobre a imagem. Temos de saber o DPI e o tamanho da imagem no mundo físico ou então o DPI e o tamanho da imagem em pixeis, no mundo do PC. Se eu disser que uma imagem tem 300 DPI isso, só por si, não significa que ela imprima bem ou que seja grande. Se ela for um quadrado de 200 x 200 é bem pequena, é o tamanho de um anúncio quadrado pequeno do Adsense.

O que é que determina a qualidade de uma imagem digital? O seu tamanho em pixeis, se a máquina é boa ou ruim, a compressão do ficheiro em que a guardamos. O resto é paisagem. Ah, ter olho também ajuda à qualidade da foto, mas escusava de dizer isso... Portanto, fotos com DPI diferentes têm a mesma qualidade.

O que é preciso é ter uma imagem digital com uma dimensão em pixeis  que seja suficiente para satisfazer a regra padrão dos 300 ppi das impressoras. Há que saber os número de píxeis por polegada e o tamanho da imagem a imprimir. 

Um exemplo de uma fotografia comum:

Com que tamanho posso imprimir uma imagem a 300 DPI, padrão para impressão offset?
Divido o número de pixeis que a imagem tem na largura por 300 DPI. (Posso repetir para a altura ou meto no Photoshop e ele dá a altura.)
1800/300=6 polegadas

Quero saber quantos pixeis deve ter uma imagem para ter um tamanho X  no papel.
Multiplico o tamanho X pelos 300 DPI.
6*300=1800 pixeis

Se tiver o tamanho da imagem e o número de pixeis acho os DPI dela.
DPI = divido o tamanho em pixeis pelo tamanho físico.
1800/6= 300 DPI

Este exemplo é o de uma fotografia comum de 1800 x 1200 pixels, o tamanho máximo para a impressão da foto a 300 dpi é de 6 por 4 polegadas.

A caixa de diálgo Image Size do Photoshop não dá informação sobre a resolução e qualidade da imagem digital. Ao multiplicarmos o número de pixeis da largura e altura que vemos em PIXEL DIMENSIONS é que obtemos a resolução da imagem em megapixels.  Na DOCUMENT SIZE temos o tamanho do papel necessário para imprimir. Também não tem a ver com a imagem em si. Se desmarcamos RESAMPLE IMAGE e passarmos a resolução daquela imagem que subimos da máquina e que aparece com 72 DPI para 300 DPI, não muda a resolução da imagem, o número de pixeis continuará o mesmo, a resolução é a mesma. Mudámos foi a dimensão do documento. 



3/3/12

Os números do Euromilhões


A Nylon uma nova agência integrada de marketing e publicidade, aberta em 2011, está a realizar no Facebook uma campanha auto-promocional. Todas as quartas-feiras iremos postar um talão do Euromilhões para partilhar. Não queremos enriquecer sozinhos, porque isso não teria piada nenhuma, por isso decidimos dividir todos estes milhões. É isso mesmo. Se o talão do Euromilhões fosse contemplado com o prémio a Nylon dividiria o bolo chorudo com quem o tivesse partilhado. Uma ideia publicitária muito engraçada, simpática e barata. À frente do projecto Nylon está Joah Santos, português que fez a sua formação nos EUA mas que regressou entretanto a Portugal. Ele defende que a Nylon não  cria apenas por criar ou para ganhar prémios e antes para lançar campanhas que aumentem verdadeiramente as vendas. Alguns dos seus clientes são a 7Up, a Pepsi  ou a Super Bock. Da última vez que vi o talão do Euromilhões no facebook ele já ia nas 800 partilhas. Infelizmente o Euromilhões não quis nada com a Nylon nem comigo, que também o partilhei!! Mas para a semana há mais!
Depois foi a Decisões e Soluções de Albergaria-a-Velha que achou piada à ideia da Nylon e repetiu a graça. A mesma mensagem - ou parecida -  na wall do Facebook e rapidamente o talão do Euromilhões se espalhou pelos murais dos utilizadores da rede. Há pouco quando espreitei o talão tinha sido partilhado 2468 vezes! A Nylon não gostou que a ideia tivesse sido replicada e picou a Decisões dizendo que ao menos deviam ter mudado o texto e ainda que "Somos uma agencia creativa/estratégica, por norma somos pagos por a nossas ideas mas podemos chegar a um acordo". Mas vai ser difícil conseguir evitar que outros copiem esta estratégia pois é uma forma atraente e barata de obter seguidores para a página e de fazer buzz na rede social. Eu própria estou tentada a fazê-lo. Será legítimo? Estarei a infringir algum direito? Poderá a Nylon arrogar-se direitos de autoria sobre esta ideia e pretender que mais ninguém a repita? 


Não pode. Não pode pelo menos dizer que foi pai e mãe da ideia pois antes dela já outros o fizeram. Pelo menos, uma empresa inglesa, a Apparel Giveaway já o fez. Esta empresa ainda consegue ser mais revolucionária que qualquer revolucionária ideia publicitária - informa a Apparel Giveaway que oferecem roupa, verdade, os primeiros a preencherem o cupão no modesto site da empresa, são os primeiros a recebê-la. Ainda não há sequer um mês que idêntica febre da partilha de talões do Euromilhões varreu o Facebook! Mas a rede é extensa e não sabemos tudo o que se passa nos seus meandros. De acordo com a notícia do Daily Dot, o talão comprado pela Apparel Giveaway foi partilhado 3500 vezes! Não é uma ideia original da Nylon mas não deixa de ser uma boa ideia para gerar seguidores. 
Eu, que me considero uma pessoa sem sorte, desde que uma vez assisti aos cálculos de estatísticas e probabilidades que estes jogos envolvem, deixei sequer de ponderar jogar no Euromilhões. A probabilidade de ganhar o Euromilhões segundo dizem alguns matemáticos é menor do que a de qualquer mortal tem de ser atingido por um relâmpago, esta probabilidade electrizante é de apenas 1 em cada 700,000. Ganhar o Euromilhões é 170 vezes ainda menos provável. As hipóteses de ganhar o Euromilhões face ao Totoloto são menores, e quando jogo, muito raramente, eu escolho este último. Uma vez sairam-me 20 euros no Totoloto. Para quem joga pouco até foi agradável. Mas não me entusiasmei, passo meses e meses sem jogar. Mas, concordo, só não sai a quem não joga e, conforme veiculam os Jogos da Santa Casa da Misericórdia "se ganhar fará muita gente feliz, se não ganhar também". Li nos comentários que o que a Nylon está a fazer é ilegal. Do que me lembro do Direito das Obrigações, uma promessa pública como está é válida, sim, é uma declaração negocial dirigida ao público através da qual a Nylon promete uma prestação  - dividir o 1º prémio do Euromilhões - a quem partilhar do talão. Implica desde logo  a vinculação do promitente a essa promessa. É um verdadeiro negócio unilateral constitutivo de obrigações. Se estou errada, alguém mais versado em leis do que eu que dê sinal. Fique atento pois na próxima semana a Nylon volta a lançar outro bilhete na rede e se o partilhar pode habilitar-se a uma fatia do bolo do Euromilhões e nem precisa de jogar. 

3/2/12

Os Livros e os Óscares em 2012

Os livros chegaram primeiro, depois os filmes, depois os Óscares. Quando todos já tiverem esquecido as estatuetas douradas, os livros e os filmes continuarão a ser lidos e vistos. Eis alguns livros que deram filmes em 2012, que acabaram com e sem Óscares. Boas leituras!

Não perca a oportunidade de ler um dos melhores livros do ano, Os descendentes, nomeado para a categoria de Melhor Livro do Ano pelo San Franciso Chronicle. Personagens peculiares e humor fino numa história sobre uma família incomum, adptada com sucesso ao cinema por Alexander Payne que viu o seu filme nomeado para a categoria de Melhor filme do ano, além de ter sido nomeado na categoria de Melhor realização. Matthew King, que foi interpretado por George Clooney num desempenho que lhe valeu o Globo de Ouro, vive no Hawai, é um advogado e descendente real, um dos maiores proprietários de terra da região. A sua mulher adora desportos radicias mas sofre um acidente e está em coma no hospital - este incidente vai repercutir-se duramente na vida de toda a família. Matt tem duas filhas e não parece conseguir ter controlo sobre elas. Scottie, de 10 anos, que procura ter a atenção de todos, e Alex, de 17, que atravessou um período conturbado com o uso de drogas. Matt, confrotado por uma incrível descoberta, enceta uma jornada de aprendizagem e conquista da sua família ao mesmo tempo que todos têm de aprender a conviver entre si.
Em Os homens que odeiam as mulheres, Mikael Blomkvist é um jornalista de meia-idade, divorciado, que tem passado a sua vida a denunciar a corrupção do mundo dos negócios de Estocolmo na sua revista Millennium. Precisa de uma pausa da revista; acabou por ser julgado por difamação a um alto financeiro e vai agora encarregar-se de de uma missão. Henrik Vanger, um poderoso empresário sueco, convida-o para um trabalho de investigação, a história da família Vanger. O que na realidade está em causa é o desaparecimento da sobrinha-neta do empresário, Harriet, 36 anos antes, num encontro de família. Com a ajuda da sua rebelde parceira cheia de tatuagens e piercings,  Lisbeth Salander, uma hacker sofisticada com problemas de relacionamento social, irão desvendar os segredos sombrios da família de Henrik. Millenium 1, já foi duas vezes adapatdo ao cinema. No remake hollywoodesco de David Fincher, Rooney Mara, nomeada para o Óscar de actriz principal,  substitui Noomi Rapace da versão inicial sueca, realizada por Niels Arden Oplev, em 2009. O filme ganhou o Óscar para a melhor montagem. Stieg Larsson morreu sem suspeitar do sucesso à escala planetária dos seus primeiros e únicos romances. Pouco antes da publicação, foi vítima de ataque cardíaco, aos 50 anos, em Novembro de 2004.
As serviçais é um romance que faz um retrato social feminino da sociedade sulista e racista do Mississipi. Assenta em três personagens extraordinárias que se irão cruzar e iniciar um projecto comum e secreto que quebra as regras sociais e as coloca em risco. Skeeter que tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade à cidade de Jackson, jornalista e aspirante a escritora. Inconformada com a sociedade ela decide escrever um livro sobre o racismo. Para material ela conta com os testemunhos de Aibileen,  uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças, e Minny, a melhor amiga de Aibileen, uma mulher de língua afiada. É uma história  sobre a luta das mulheres pela igualdade de direitos civis no clima de tensão racial dos anos 60, cheia de humor, esperança e tristeza. O filme realizado por Tate Taylor foi nomeado para a categoria de Melhor filme nos Óscares. Octavia Spencer, que já tinha recebido o Globo de Ouro, apanhou também o Óscar para a sua interpretação como actriz de suporte. O Screen Actors Guild (SAG) também tinha distinguido este filme como o melhor do ano, a actriz principal, Viola Davis e Octavia Spencer.

Extremamente alto e incrivelmente perto

O filme Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, realizado por Stephen Daldry, estava nomeado para os óscares de Melhor Filme e Melhor Ator Secundário (Max Von Sydow), mas quase não se ouviu falar desta obra. O principal narrador do livro é Oskar, um menino inteligente, 9 anos de idade, que se dedica a uma serie de actividades invulgares.  Ele sofre com a morte do pai, uma das vítimas acidentais do ataque ao World Trade Center. Oskar quer encontrar um sentido para a sua nova vida e perceber o mundo que o rodeia, um mundo onde, algumas coisas não fazem qualquer sentido. Pai e filho tinham uma relação muito afectuosa e partilhavam estranhos hobbies, como por exemplo, procurar erros no New York Times!! Inconformado, Oskar enceta uma busca pela cidade de Nova Iorque depois de encontrar uma chave no armário do pai que não serve em nenhuma fechadura da casa. Essa procura é um esforço para superar a sensação incontornável de vazio e, embora não lhe devolva o pai de volta, talvez lhe traga paz. 

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