12/30/11

Ano morto, ano posto!

Neste momento do ano, quando as agendas e calendários se esgotam, as pessoas fazem marcha atrás no tempo, elaboram balanços, balancinhos e balancés. Eu tenho um defeito que afeta sobremaneira estes exercícios de ruminação mental de factos passados. A minha memória é extremamente preguiçosa, tenho de puxar imenso por ela para conseguir botar cá para fora alguns dados. Em certos momentos é mesmo um embaraço, por exemplo, em reuniões de amigos. Nunca tenho nada para partilhar e ainda me espanto quando me dizem, lembras-te quando fomos à Via Latina e morreu o Freddy Mercury? Eu já não sei se me lembro ou se me lembro porque sei que estava lá e porque mo recordam de vez em quando.

Neste momento do ano em que a luz mingua nos dias e o frio toma conta dos nossos corpos, se há coisa que me apetece sempre recordar são os meus fins de tarde na praia. É reconfortante, é quase como comer castanhas na rua quando está um frio de morrer. Mais do que as imagens das ondas e espraiarem-se incessantemente sobre a areia, em pleno inverno o que sabe mesmo bem é recordar o calor do sol da nossa pele e a brisa morna. Até parece que foi há uma eternidade mas este ano em Outubro ainda fui à praia, foi um privilégio para quem se alimenta da luz do sol para combater tudo, desde neuras funestas a falta de inspiração para mais um desenho. E assim como o Natal carrega o ar do inverno de sons próprios, de saudações amigáveis, de cânticos e do tlim-tlim-tlim de guizos de trenó, também o verão se matiza em plena época balnear, colorido com risos e gritos de brincadeiras e os inesquecíveis pregões do mais irreverente e divertido vendedor de bolacha americana da Figueira da Foz, o Paulo: “Que brasa! Está calor. Ponha o protector”, “Bolacha americana”, “Já só tenho três….Aldrabão!”, “As caras lindas não pagam, mas também não comem”, “Isto parece a Assembleia da República, tudo a dormir”, “A cara é o pai, mas o feitio é da mãe. Não perde nada”. “Olha a bolacha americana da tampa amarela. Quem comer um Noddy, faz noddismo!” “Bolacha Americana é fixe e bacana...”, “Bolacha america, come uma, faz amor toda a semana; como três faz amor todo o mês”, “Bolacha americana, começa na areia, acaba na cama. “... O ano está a acabar e eu começo a contagem decrescente para o verão, encostando-me às memórias mornas dos finais de tarde na praia de Buarcos!O ano morreu, viva o novo ano!



(Esta postagem faz parte do Desafio 21 Dias, #8 Postar para futuro)

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