9/4/11

40º à sombra


40 Graus À Sombra - Radar Kadafi - LP Prima Donna, 1987

No fundo da avenida
Bebendo um capilé
Quarenta graus à sombra
Nas mesas do café
E aquela rapariga
Eu já não sei o que dizer
O que fazer
O que dizer
O que fazer

Sábado, dia 20 de Agosto, o jornal Expresso referia-se assim ao estado do tempo para o dia:

Temperaturas podem chegar aos 40ºC - Dez distritos de Portugal Continental estão em alerta por causa do calor, apesar da previsão de aguaceiros e trovoadas.

Dez distritos de Portugal Continental estão desde as 03h00 sob aviso amarelo devido à previsão de temperaturas elevadas, que vão chegar aos 40 graus em alguns distritos, de acordo com o site do Instituto de Meteorologia (IM).
Sob aviso amarelo estão os distritos de Braga, Bragança, Castelo Branco, Leiria, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Évora, Beja e Faro.
O aviso amarelo do IM é o segundo menos grave de uma escala de quatro e corresponde a uma "situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica".
Apesar do calor, o IM prevê para hoje períodos de céu muito nublado e aguaceiros, que poderão ser por vezes fortes e de granizo em especial durante a tarde.
Há ainda condições favoráveis à ocorrência de trovoadas e o vento vai soprar fraco.
Está ainda prevista uma subida da temperatura máxima no litoral norte e centro.
As máximas previstas para hoje são de 40 graus em Castelo Branco e Évora, 38 em Beja, Portalegre e Évora e 37 em Braga. Lisboa deve chegar aos 34 graus, Porto aos 31 e Faro aos 33."

No dia anterior, sexta-feira, eu tinha ido à praia, de tarde, e a caminho dela dei por mim ensopada em suor. São apenas 15 minutos a pé, que faço folgadamente, naquele dia descer a rua foi quase penoso. O sol brilhava mas aprecia também ele sufocado sob um céu azul chumbo. Eu respeito as horas de perigo solar e dessa vez, apesar de já passar das 16.00 horas, ele parecia queimar, não se aguentava. Refugiei-me num café e esperei que refrescasse antes de ir até à beira do mar onde se estava muito bem. No dia seguinte, sábado, nem me aventurei a sair à rua. Desde a manhã que o calor apertava na Figueira da Foz, mas a situação parecia-me própria do mês de Agosto, que, aliás, esteve quase sempre muito alheio às modas de Verão e mais dado a devaneios primaveris. O dia passou-se com os estores corridos, em movimentos lentos, a casa afogueada. Mas o extraordinário aconteceria já de noite, por volta das 22.30 horas, quando fui despejar o lixo. O ar na rua estava quente, tão quente como quando são 16.00 horas e me faço a a caminho da praia. Parecia de dia, parecia que era um dia em que o sol se tinha eclipsado dos céus. O vento soprava tão quente como o meu secador de cabelo. A experiência que tenho de algo semelhante guardo-a da travessia do Alentejo no pino do Verão ou de terras de Espanha a caminho de Madrid, em carro velho e sem ar condicionado! Inacreditável! Já por diversas ocasiões acontecem noites bem quentes na Figueira da Foz mas nem mesmo quando a serra da Boa Viagem ardeu me lembro de semelhante experiência. Disseram-me depois que pelas terras circundantes fora gente tinha havido que dormira na rua, inclusivamente temendo uma qualquer calamidade. Na manhã de Domingo, quando me levantei para tomar o pequeno-almoço, já estava fresco, tudo normal. Mas do lado de fora da janela da cozinha esta fotografia aguardava-me.

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