7/25/10

Power body, Power balance, as pulseiras da moda

A semana passada falaram-me na pulseira da moda que já tem página no Facebook e tudo. Isto porque me queixava de uma certa apatia. Sou muito dada a flutuações de humor! Ora, pensei eu para com as minhas bijuterias, cá temos mais uma Tucson. Será que o António Sala vai fazer campanha por esta também?! De tempos a tempos aparece um produto milagroso que depois o próprio tempo acaba por devolver ao esquecimento. Primeiro franzi a testa ao assunto, depois torci o nariz ao preço da brincadeira, 35 euritos. Mais depressa os gastava em boas garrafas de vinho, pensei! Um bom repasto, bem regado, e boa companhia, acredito mais nessa trindade para me tirar da apatia do que na conversa fiada made in USA, falatório que já deu a volta por outros lugares e agora está a dar por cá. Já vimos disso e vamos ver mais, mas enquanto se fala, 20.000 pessoas já andam empulseiradas desde o Natal e a jurar a pés juntos que estão em equilíbrio. Será que é porque o Cristiano Ronaldo usa uma? Sim, mas ele também usa um brinco na orelha, ou um em cada uma delas, já não sei. Se calhar é por causa deles que é tão esperto. Os jogadores da Selecção também usavam a pulseira no seu regresso a Portugal. Não se sabe se já usavam no momento em que golearam a Coreia. Se calhar, sim, e acharam que bastava a pulseira para vencer a Espanha. Só eu é que não invento um negócio destes! Agora que já sei que esta maravilha made in China - era capaz de jurar que é fabricada lá - é feita de silicone 100% cirúrgico e que tem dois hologramas quânticos processados com uma frequência específica, deveria ter mais fé no plástico?! Tretas, ou como dizem os americanos mumbo-jambo, crendices. Basicamente eis o que eu penso: se eu comprar uma dessas pulseiras da amizade vendidas em tendas coloridas na beira da praia e acreditar que ela me dá paz a coisa vai funcionar, é o efeito placebo. A força do pensamento positivo é um facto comprovado. Ora, placebo por 35 euritos, antes um bela garrafa de vinho, etc, etc. O vinho não aumenta a eficiência dos sistemas bio-electricos, físico e orgânico, garantindo de imediato mais equilíbrio, flexibilidade, força e resistência, - até é preciso ter fôlego para ler isto - como diz que faz a pulseira da moda. Pelo contrário, o vinho, apresenta um espectro muito mais alargado de sensações e efeitos que a ciência e o senso comum já provaram e comprovaram. Isto é tudo muito aborrecido. Afinal eu estou aqui a escrever contra uma pulseira criada por um cientista da Nasa e nem sequer a testei!! Ainda não li o nome dele em lado algum, o que eu já li foi que o Prof. Carlos Fiolhais, que também é um cientista, e que por acaso tive o prazer de conhecer, também não vai à bola com a pulseira, e que a Universidade Politécnica de Madrid as estudou e declarou que os seus efeitos são nulos! E agora?! Entretanto lembrei-me de um episódio da série True Blood. Nele uma alcoólica vai ser objecto de exorcismo pois diz ter um demónio dentro dela que a faz beber que nem uma esponja. Quando o desagradável transe termina ela está curada e não volta a beber, transformando-se numa mulher nova. Um dia, porém, a filha descobre que a feiticeira não passava de uma charlatã! Logo, quer o dinheiro, muito, de volta e quer contar à mãe a verdade! A charlatã acaba por vencer dizendo que se a mãe tinha sido curada com a mentira o melhor seria que tudo continuasse assim, já que com a verdade dos médicos a mãe dela não se tinha safado. Eis porque as pulseiras são um sucesso. Mas eu continuo a preferir uma garrafa de bom vinho.

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