12/11/09

Entrevista com os Wild Beasts,sem mexer numa vírgula ou ponto!



Isto é feio e denota preguiça.É apenas copy-paste integral de uma entrevista com os Wild Beasts.Mas eu quando gosto de uma coisa tenho tendência a fazer alarido sempre que posso.Por isso fica aqui a entrevista da MusicaOnline, a não ser que alguém da MusicaOnline me venha dizer para remover.O que me chatearia muito.E já agora também mais um video dos cachopos a cantarem e a tocarem "live".

Poucas horas antes de subirem ao palco, a MusicaOnline esteve à conversa com o guitarrista Hayden Thorpe e o baixista Tom Fleming para procurar desvendar os segredos de um dos projectos mais aliciantes provenientes de terras de sua majestade.
MusicaOnline: É a primeira vez que estão em Portugal. Quais as primeiras impressões?
Tom Fleming: O que mais me impressionou foi a temperatura alta para esta altura do ano, mas suponho que seja assim nos climas mediterrânicos. Estamos em meados de Dezembro e ainda há imensas folhas de árvores no chão e está tudo muito seco.
Hayden Thorpe: Para além disso é muito verde! Em Inglaterra, por esta altura está tudo coberto de lama ou de neve (risos).
MO: As músicas do vosso novo álbum são muito acolhedoras e ambientais, mas o nome da banda (em português, Bestas Selvagens) mais parece o de um projecto de heavy – metal. Não é um pouco contraditório?
TF: Claro que sim, mas a vida é cheia de contradições e nós adoramos explorá-las através da nossa música. Há canções no álbum que falam de prazer / dor, tese / antítese, argumento / contraditório e de todo o tipo de sentimentos antagónicos que coexistem. O que há de "wild" (ndr: selvagem) neste disco é a necessidade de partilhar o resultado de uma viagem altamente introspectiva e contemplativa.
MO: Entre os dois álbuns de originais há apenas um ano de diferença, mas são registos completamente diferentes. O que mudou em tão pouco tempo?
HT: Olhando para trás, no primeiro álbum havia uma grande dose de agressividade e frustração que gostaríamos de exorcizar. Na altura achávamos que só conseguiríamos atravessar uma porta e passar para outra realidade despedaçando-a com um martelo. Temos muito orgulho nele porque conseguimos realmente partir para outro estádio. O facto de termos quebrado essa barreira permitiu-nos fazer algo completamente diferente no segundo trabalho.
TF: Costumamos usar a imagem de um corredor com uma série de portas fechadas, à espera de serem abertas. Vamos percorrendo o espaço e abrindo portas, sendo que cada uma representa uma realidade diferente. Nunca sabemos o que nos espera na próxima divisão e muito menos onde é que o percurso acaba. O desconhecido e o desejo de o percorrer são inspiradores para nós.
MO: Mudaram-se de Kendal, uma vila, para Leeds. O local onde nasceram era demasiado pequeno para os vossos sonhos?
HT: É pequeno para muita gente. Em Inglaterra costumamos dizer que se queres ser marinheiro tens que ir para o mar e se queres ser artista tens que te mudar para a cidade.
TF: Em número de bandas, Leeds deve ser a que tem mais, logo a seguir a Londres, até porque é uma cidade pós-industrial com uma população jovem, rendas baratas e inúmeros espaços para tocar. Pareceu-nos o sítio ideal para arrancar com carreira, porque tem uma população de mente aberta e cheia de artistas inventivos e com vontade de deixar a sua marca.
HT: A vantagem de Leeds é que ainda não tem uma banda que se associe imediatamente a ela e com a qual todas as outras são comparadas. Londres teve os The Clash, Manchester os Joy Division, Liverpool os Beatles, Oxford os Radiohead mas Leeds continua a não ter uma referência e isso é muito libertador em termos criativos e, ao mesmo tempo, desafiador.
MO: E acham que os Wild Beasts poderão vir a ocupar esse lugar?
HT: Há muitas bandas a concorrer por isso (risos), mas sempre de forma saudável e com grande espírito de inter-ajuda.
MO: Mas a cidade, enquanto espaço físico e organismo vivo tem influência na vossa música?
HT: Sem dúvida que sim. As pessoas que conhecemos e forma como evoluímos enquanto banda estão directamente associadas a Leeds. O maior legado que a cidade nos deu foi a consciência daquilo que não queríamos ser, porque existe por lá tanta coisa que nos foi possível excluir os caminhos que não gostaríamos de seguir.
MO: Entre a formação da banda, em 2001, a mudança para Leeds e a edição do primeiro álbum, em 2008, passou quase uma década. Porque demoraram tanto tempo para entrar em estúdio?
HT: Todos temos que passar por um período de amadurecimento. Uma banda é composta por vários elementos com visões e personalidades diferentes. É preciso ter a certeza daquilo que se quer fazer e isso demora algum tempo. Todos os dias as pessoas nos questionam sobre as nossas escolhas, a nossa sonoridade e só quando sentimos ter uma resposta objectiva para isso é que entrámos em estúdio. No fundo é como uma equipa de futebol. É preciso treinar muito para que as jogadas resultem no jogo. Uma boa equipa demora anos a formar-se porque é preciso muito mais do que competência técnica.
MO: São jovens, mas a sonoridade, sobretudo neste novo álbum, é muito madura. Como se consegue isto?
TF: Essa é uma boa pergunta porque, realmente, quando gravámos o primeiro álbum estávamos ainda um pouco inseguros, apesar do longo período de gestação. Para se estar no mundo da música é preciso ser-se "durão" e aceitar que nos batam com a porta com a mesma dignidade e responsabilidade com que aceitamos elogios. O mais importante é nunca duvidar do nosso trabalho. Se o fizeres, não terás qualquer hipótese.
HT: O primeiro trabalho de todos os elementos da banda esteve directamente associado ao mundo da música e isso ensinou-nos a perceber como é que a indústria funciona. Teve que ser uma aprendizagem muito rápida porque é um mundo sujo, perverso e assustador.
MO: Citaram o poeta Rimbaud como uma das maiores influências no novo álbum. Isso tem que ver apenas com a lírica ou algo mais?
HT: Mais do que a poesia, é todo o ambiente que a rodeia e que nós procurámos traduzir em notas. A contemplação é a palavra-chave do disco e Rimbaud era um poeta extraordinariamente contemplativo, tendo deixado algumas das mais belas "imagens" da literatura, quase sempre a partir de pequenos símbolos associados a um pormenor.
TF: Era uma espécie de irmão mais novo de Baudelaire, extraordinariamente perverso. Uma personalidade fascinante e, certamente, um Wild Beast.
MO: Vão tocar num cinema. Gostariam de fazer uma banda sonora?
HT: Seria espectacular. Se aparecer o filme certo, teremos muito gosto. As pessoas costumam dizer-nos que a nossa sonoridade era ideal para um filme do David Lynch e nós gostaríamos muito de trabalhar com ele.
TF: Somos fãs de animação e também seria incrível musicar um filme da PIXAR ou de um cineasta japonês, talvez Miyazaki.
MO: Entre o primeiro e o segundo álbum passou apenas um ano. Já há planos para o terceiro?
TF: Já há muitas ideias, mas essa é a parte mais fácil (risos). Estamos envolvidos numa digressão longa e desgastante (hoje é o último dia da etapa europeia), pelo que ainda não tivemos tempo para nos sentarmos a organizarmos as coisas. O novo álbum, será a abertura de uma nova porta, com a vantagem de hoje estarmos mais conscientes das nossas capacidades.
HT: O período de gravação é profundamente egoísta e gostamos de estar sozinhos, sem nenhum tipo de interferência exterior. Quando entramos para lá transformamo-nos em eremitas. Neste momento estamos deliciados com os mimos que recebemos das pessoas porque já viajámos pelo mundo inteiro e temos sempre salas cheias de pessoas a sorrirem para nós.

1 comment:

JC said...

Estou a ver que é a tua banda de 2009 :)

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